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O Mundo Inteiro Está Sobre Nossos Ombros

laitman_943Pergunta: Eu gostaria muito de ver a realização dessa mesma unidade do povo que você descreve. Mas eu vejo que ainda estamos muito longe de tal unidade. Brigas por toda parte explodem em todos os níveis: no lar, no trabalho, no governo.

Por outro lado, você disse que o meu dever é corrigir o mundo e trazer todos à unidade, como se o mundo inteiro estivesse em meus ombros. Como eu posso trabalhar com o mundo inteiro?

Resposta: Tente imaginar que você pode corrigir o mundo. Este mundo é dado a nós para que façamos o mesmo trabalho que Abraão fez na antiga Babilônia.

Ele começou a se unir e conectar as pessoas, explicando que a regra geral, “E você deve amar o seu amigo como a si mesmo”, é a principal lei. É impossível viver em contradição e oposição a esta lei; caso contrário, nós despertamos e atraímos problemas e desastres sobre nós mesmos.

Uma parte das pessoas ouviu Abraão e deixou a Babilônia com ele. Elas formaram o povo de Israel que viveu muitos anos de acordo com esses princípios. Nós não entendemos a singularidade do povo judeu, mas essa singularidade tem sido mantida até hoje só porque este povo viveu de acordo com o princípio da doação e do amor, a unidade.

Por esta razão, o povo judeu é original, e todos concordaram com isso. Hoje não vivemos de acordo com esses princípios, e apesar de tudo isto, algum tipo de partícula disso permanece em nós, a qual é recebida em algum lugar como uma memória. E através desta singularidade do povo de Israel, nós ainda recebemos o benefício da nossa unidade prévia.

Não há escolha; hoje nós estamos novamente nos aproximando da mesma situação. Organizar a vida para todo o mundo e nós mesmos só é possível trazendo-nos à semelhança e equivalência com a natureza. E a natureza é totalmente integrada e conectada; todos os seus elementos se complementam.

A ciência moderna está descobrindo essa integralidade e conexão mútua, e nós devemos começar a abordá-la. Para isso, precisamos subir acima do nosso ego, para a unidade geral. Nós esperamos ter êxito, de forma rápida e em breve.

Do Programa da Radio Israelense 103FM, 08/02/15

A Rede Que Vive E Respira

laitman_550Pergunta: Eu concordo que a salvação da nação de Israel está em nossa unidade, e eu estou tentando estabelecer boas relações com as pessoas em casa e no trabalho, mas vejo que mesmo os conflitos mais banais anulam imediatamente todos os meus esforços e levam à raiva e disputas.

Então, como eu posso alcançar esta unidade se não sou justo e facilmente explodo no momento em que alguém me corta na estrada?

Resposta: A sabedoria da Cabalá não é sobre as relações simples entre nós, mas sobre algo totalmente diferente. Ela ensina que se quisermos ver o mundo corretamente, devemos agir como se estivéssemos unidos, especialmente nesses casos, quando a raiva e insatisfação irrompem em nós.

Se há um conflito na estrada, no trabalho ou na família, e sabemos como trabalhar acima de todas essas interrupções, intensificando a conexão entre nós, a nossa unidade é estreitada por essa conexão e começamos a sentir como esse mundo é construído. Nós vemos como todos os elementos da natureza estão conectados, e começamos a ver e sentir que esta rede vive e respira.

Nós descobrimos que estamos todos nela, ligados por conexões sem fim, e que a distância entre nós não é vazia, mas sim como o ar cheio de ondas de rádio em todas as frequências ultra e infra. Nós descobrimos que estamos todos conectados e que esta conexão está em movimento contínuo, numa dinâmica especial.

Nós sentimos o fluxo da vida nessa conexão, e começamos a afetar a conexão entre nós e, consequentemente, o nosso destino. É porque o bom destino depende de nossas relações mútuas, e essa mudança está em nossas mãos. Então, não teremos que brigar com nossos vizinhos e seremos capazes de resolver todos os problemas pelas boas conexões entre a nação israelense.

Nós não teremos que depender das políticas de governos estrangeiros como Estados Unidos, Rússia e França. Nós podemos corrigir todo o mundo através do reforço e da intensificação da conexão entre a nação judaica. É disso que trata a sabedoria da Cabalá. Os judeus receberam essa oportunidade, e por isso é doloroso ver como estamos destruindo nossa própria vida e a vida de todo o mundo.

O mundo entende que a nação de Israel pode melhorar a vida de todos e que não o faz, e assim culpa os judeus por todos os seus problemas. Na verdade, a nação judaica é que pode afetar a rede de conexões entre todas as nações e tornar maravilhosa a vida de todos neste mundo.

Do Programa da Radio Israelense 103FM, 08/02/15

A Verdadeira Religião E A Religião Do Exílio

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como eu o compreendo, a sabedoria da Cabalá veio do judaísmo e todos os Cabalistas do passado eram muito religiosos. Qual é a verdadeira conexão entre a sabedoria da Cabalá e a religião?

Resposta: A sabedoria da Cabalá é o fundamento da verdadeira “religião”. Baal HaSulam escreve sobre isso no artigo, “A Essência da Religião e Seu Propósito”.

As três principais religiões – Judaísmo, Cristianismo e Islamismo – são baseadas nos ensinamentos de nosso pai Abraão. Mas Abraão, especificamente, descobriu a sabedoria da Cabalá, que é a base de todas as religiões, e ele descreveu sua descoberta no livro Cabalístico, Sefer Yetzirah (Livro da Criação).

O princípio fundamental da religião que foi descoberto por Abraão é “E você deve amar o seu amigo como a si mesmo”. Assim também está escrito: “E amarás o teu amigo como a ti mesmo é a grande regra geral da Torá”. Em princípio, este é entendido em todos os sentidos. Ou minimamente: “O que é odioso para você, não faça ao seu amigo”.

Toda a Torá fala sobre as boas relações entre as pessoas. Relações deste tipo existiam entre o povo de Israel antes da destruição do Segundo Beit HaMikdash (Templo) 2000 anos atrás, que foi destruído por causa da súbita erupção do ódio infundado.

Tudo gira em torno de apenas um ponto: boas ou más atitudes entre os judeus determinam o que vai acontecer com eles e todo o mundo em geral. Esta é precisamente a razão para o antissemitismo; é porque o povo judeu não pode chegar a um acordo entre si, e por isso o mundo inteiro sofre.

A sabedoria da Cabalá está envolvida apenas com a forma de atingir a conexão correta entre nós, e este é o fundamento de toda a religião. E o que tem sido considerado religião nos últimos 2000 anos é a manutenção de todos os tipos de tradições que parecem ser suficiente para as pessoas.

Esta é a forma que a religião adquiriu no exílio quando estávamos separados do princípio “E amarás o teu amigo como a ti mesmo”, do desejo de se unir. Esta é a forma em que o povo judeu teve que amadurecer por 2000 anos, para sair às nações do mundo e ser misturado com elas, e depois disso voltar à sua terra.

Mas depois que voltamos fisicamente para a terra de Israel, precisamos reviver a sabedoria da Cabalá, para que ela viva entre nós e nos ajude a construir um povo e uma nação da mesma forma como era antes: com amor e unidade entre nós.

Não há restrições nisso. Se uma pessoa estuda o método de conexão, não faz diferença se ela é religiosa ou secular, de que país ou comunidade ela veio, ou se é um homem ou uma mulher. Todos devem estudar este método e o mais rapidamente possível, porque o nosso bom futuro depende disso.

A sabedoria da Cabalá nos ensina a perceber essa unidade, e de uma maneira prática possibilita sentir isso durante os workshops e na conexão nos círculos de discussão que levamos a toda a parte. Milhares de pessoas já participaram de nossas mesas redondas, e elas sentem que dentro de meia hora de discussão de acordo com o método da sabedoria da Cabalá, de repente experimentaram um sentimento estranho, uma iluminação, um despertar de inspiração e calor. E esse sentimento se espalha a todos os participantes.

Comentário: Eu fui capaz de participar dessas mesas-redondas que foram transmitidas de acordo com a antiga sabedoria da Cabalá. E eu me lembro que no início as pessoas que se reuniam eram muito céticas e até mesmo cínicas, lamentavam o tempo que estavam perdendo. Mas, ao final da noite, as pessoas simplesmente flutua´ram de excitação e emoção, foram às lágrimas e se abraçaram. Este foi um surto de força vital e calor que derreteu todo o gelo e a indiferença que separa nossos corações.

Do Programa na Radio Israelense 103FM, 15/02/15

A Eleição Acabou, Mas A Chance Continua

Dr. Michael LaitmanPergunta: Quem precisa estar no poder em Israel, a direita ou a esquerda?

Resposta: Nem um nem outro. Gerenciando o processo devem estar pessoas que entendam o que é a unidade. Como se diz em Jeremias 51: 5: Israel não enviuvou. Há pessoas assim no mundo e eu espero que possamos encontra-las e que elas também se organizem e atuem.

Nós esperamos que sejamos bem sucedidos em trazer o povo de Israel a tal estado em que ninguém vai se sentir magoado ou deixado de fora, onde todo mundo vai ter um padrão de vida normal, habitação e tudo o que querem. Afinal de contas, se nos unirmos, podemos organizar a vida da melhor maneira, sem quaisquer obstáculos, e tornar-se um exemplo para os outros.

O mundo de hoje está dividido e separado, e neste estado, graças ao exemplo correto, podemos nos tornar verdadeiramente uma “luz para as nações”. Isto é o que devemos escolher porque também é a verdadeira escolha das pessoas agora. Em qualquer direção que nós vamos, devemos escolher o caminho do acordo e entendimento mútuo, o caminho de ouro que conecta os campos da direita e da esquerda.

O que eu espero hoje para o povo de Israel é que eles façam a verdadeira escolha após a eleição política. Boa sorte!

Da Conversa sobre “Eleições”, 18/03/15

Acabando Com Os Velhos Mitos Sobre A Sabedoria Da Cabalá

Dr. Michael LaitmanPergunta: Os meus conhecidos me dizem que é perigoso estudar a sabedoria da Cabalá, porque você pode ficar louco. É verdade que ela é tão perigosa e com o que a pessoa deve se cuidar no estudo?

Resposta: Na Introdução ao Estudo das Dez Sefirot, o principal livro texto para estudar a sabedoria da Cabalá, está escrito que os Cabalistas espalhavam intencionalmente o rumor de que era perigoso estudar a sabedoria da Cabalá, porque não queriam que as pessoas viessem estudar. Portanto, a sabedoria da Cabalá foi ocultada desde a época da destruição do Beit HaMikdash (Templo), quase até os nossos dias.

Isso tinha que acontecer, porque a humanidade tinha que se desenvolver e o povo de Israel tinha que passar pelo exílio. O exílio também é o desprendimento da sabedoria da Cabalá, do conhecimento do sistema, e um mergulho na escuridão. Portanto, nós estávamos na escuridão por 2000 anos e este mito sobre a sabedoria da Cabalá existe até hoje. Mas ele foi espalhado pelos próprios Cabalistas para manter as pessoas longe da sabedoria da Cabalá até que chegasse a sua hora.

E hoje tudo é exatamente o contrário. Assim como todo o nosso mundo se transformou, da mesma forma a atitude para com a sabedoria da Cabalá mudou. Os Cabalistas escrevem que da nossa época em diante todos devem descobrir a sabedoria da Cabalá e ver o que ela dá ao povo de Israel. Isto é porque nós não podemos resolver os nossos problemas, nem existir mais sem ela.

Portanto, não há nada a temer. É possível abrir o livro e estudar, e há uma abundância de livros apropriados para iniciantes, homens e mulheres.

Pergunta: Portanto, segue-se que nos últimos anos a humanidade chegou a uma fase em que a sabedoria da Cabalá deve ser estudada por todos? Anteriormente não era assim e havia inclusive a proibição de seu estudo. Mas hoje a humanidade se encontra em tal beco sem saída que a única saída dele é aprender sobre a vida existente além desses limites?

Resposta: É especificamente a mesma saída que nos é revelada por meio do estudo da sabedoria da Cabalá que nos leva para fora do beco sem saída em que estamos agora.

Pergunta: O que você quer dizer com “para além das fronteiras da vida”?

Resposta: Esta é a vida para além dos limites da nossa corrupção, a vida num mundo corrigido. O mundo continua a agir de acordo com leis determinadas e nada muda, exceto a nossa atitude. A sabedoria da Cabalá nos explica como controlar as forças e a rede de conexão entre nós, de modo que todo mundo vai estar conectado da forma correta.

Nós chegamos a tal harmonia, tal unidade nas relações entre nós, que descobrimos uma força única entre nós que nos ajuda a superar essa vida que está dentro do corpo e só por sua causa. Nós começamos a sentir a vida num nível superior, e desta forma saímos para além dos limites deste mundo, desta vida.

Pergunta: Não é necessário ser um grande sábio para isso?

Resposta: Isso está acessível a todos. Em nossa casa há uma geladeira, um fogão, um microondas; você sabe como eles funcionam? Mesmo que você não saiba, isso não o impede de usá-los.

Da mesma forma, houve Cabalistas sábios que criaram o método, como o forno de microondas. E há pessoas comuns para as quais é suficiente apenas aprender a usá-lo. Cada um deve aprender de certo modo, semelhante à forma como precisamos saber como funciona um forno de microondas, qual botão apertar e como mudar seus estados.

Do Programa da Rádio Israelense 103FM, 15/02/15

Destinados A Unir

Laitman_931-01O Governo do Indefeso

A história de Purim é uma metáfora que nos fala sobre o papel da nação judaica e sobre o seu último avanço rumo à plenitude. Mordecai parece fraco e indefeso no início. Ele se senta à porta do Rei e parece impotente, um típico judeu na diáspora. Em frente a ele está o respeitável ministro, Hamã, que vê que pode aniquilar os judeus que estão no exílio.

Pergunta: Por que ele deveria aniquilar os judeus?

Resposta: Hamã sente que eles interrompem o seu governo. É verdade que os judeus estão no exílio sob a dominação estrangeira e qualquer um pode humilhá-los, mas, apesar do fato deles serem indefesos, eles têm um enorme atributo oculto que as nações do mundo não podem suportar.

Todo mundo ao redor deles sente que elas não têm o grande trunfo que os judeus têm e que elas nunca terão. Elas sentem que nós compreendemos melhor e estamos mais fortemente conectados a algum santo segredo da criação.

Eu me lembro que décadas atrás uma mulher idosa na Sibéria, onde ninguém tinha visto judeus, disse-me, “o Criador te ama”. Acontece que durante a Segunda Guerra Mundial, quando sua mãe lhe contou sobre as intenções dos fascistas, ela disse, “Hitler não ganhará uma vez que está agindo contra os judeus”.

Este sentimento está vivo entre as nações do mundo. Esta é a razão que Assuero (Xerxes), e  especialmente Hamã, queria nos aniquilar. Esta é a razão para o Holocausto, embora pareça não incomodávamos os nazistas. A nossa existência é dolorosa e prejudica aqueles ao nosso redor, como se nós estivéssemos impedindo-os de alcançar a plenitude.

Nós demos à humanidade a Torá, a fonte das duas principais religiões. Nós lançamos as bases para a educação e cultura. Nós somos uma nação que parece governar o mundo não pelo poder, mas pela sabedoria, pela profundidade, pela proximidade com as fontes secretas e ocultas da criação, que os outros não podem alcançar. Este é um fardo pesado para as nações.

Um Fator Ameaçador

No entanto, nós só podemos chegar à Divindade por meio do reconhecimento do mal. Esta é a razão de precisarmos de Hamã, que invoca o mal em nós, de modo que o conflito com ele nos empurre à bondade. Sem este fator não teríamos retornado à terra de Israel a partir do exílio. Hamã invoca nos judeus, um medo existencial muito sério. Então, Mordecai envia Ester para pedir ajuda ao Rei para que ele pudesse anular a sentença.

Em resposta, ela diz, “Eu não posso. Com quem eu devo ir? Eu preciso de um desejo, uma deficiência. Eu preciso de uma necessidade. Eu preciso levar o clamor do povo ao Rei. Eu não tenho nada meu para contar a ele. Reúna os judeus na capital e diga-lhes para jejuar e orar ao Criador por três dias”. Ester não pode vir ao Rei de mãos vazias. Ela precisa de um pedido que só pode nascer como resultado do jejum, quando os judeus não querem nada, exceto a conexão e unidade entre eles. Isto é o que Mordecai deve explicar aos seus irmãos, que apenas conexão e unidade entre eles pode salvá-los, e se não, eles vão morrer. É um dos dois.

Duas Faces Reais

Então, os judeus ouviram e viram que não estavam unidos, e eles queriam estar. É com esse desejo que Ester foi ao Rei, e ele ajudou, mas esse já é o Rei superior. Assuero é apenas um lado do Criador, a liderança com o atributo de Din (julgamento). Além disso, há o lado da misericórdia.

Os judeus devem tentar chegar à unidade e ver que não podem fazer isso. Na verdade, não está em nosso poder realmente se unir. Ainda assim, como o livro de Ester nos diz, se pedirmos ajuda de Cima com a deficiência correta, nós a obtemos. Assim, em vez de Hamã, Mordecai monta o cavalo, e nós alcançamos o sucesso, o nosso estado mais elevado, e uma vida feliz.

Do Programa da Rádio Israelense 103FM, 01/02/15

O Livro De Ester: Purim Aqui E Agora

Dr. Michael LaitmanUma continuação do post “O Livro de Ester É Nossa Herança Espiritual“.

Purim é a salvação, mas não pela força das armas. O que aconteceu no passado está acontecendo agora em Israel, na Europa e em todos os lugares. É revelado de uma forma oculta, sob a forma de figuras atuais, que são basicamente idênticas às do passado. Nossa força está na nossa unidade. Apenas a unidade vai salvar a nação judaica de seus inimigos.

Nós vemos como Hamã levanta a cabeça novamente e nos sentencia. Mordecai não tem que ir mais para a praça da cidade, já que agora a sua mensagem ecoa através dos meios de comunicação e da Internet. Este é um sinal claro de que o oculto deve ser revelado. A vida nos chama para lembrar o amor que é utilizado para conectar nossos corações.

Quando despertarmos da nossa indiferença e separação e nos unirmos como um só homem, vamos nos tornar um modelo positivo. Isso ocorre porque a humanidade de hoje realmente precisa de um método para superar os conflitos e alcançar a compreensão e doação mútua. Quando nos tornarmos um modelo real, apropriado e ativo, o mundo inteiro vai estar do nosso lado.

Do Folheto do Feriado de Purim, 01/03/15

Não Há Terra De Israel Sem A Nação De Israel

Dr. Michael LaitmanA Torá, “Levítico”, 25:1 – 25:5: Então disse o Senhor a Moisés no monte Sinai: “Diga o seguinte aos israelitas: Quando vocês entrarem na terra que lhes dou, a própria terra guardará um Shabat para o Senhor. Durante seis anos semeiem as suas lavouras, aparem as suas vinhas e façam a colheita de suas plantações. Mas no sétimo ano a terra terá um sábado de descanso, um sábado dedicado ao Senhor. Não semeiem as suas lavouras, nem aparem as suas vinhas. Não colham o que crescer por si, nem colham as uvas das suas vinhas que não serão podadas. A terra terá um ano de descanso.

Nós vimos pela primeira vez o conceito de “a terra terá um Shabat (sábado) de descanso, um sábado dedicado ao Senhor” na seção semanal da Torá, Ba’har, já que não há Shabat da terra. Mas quando uma nação que obedece às leis espirituais vive naquela terra, tudo abaixo dessa nação, o mundo inanimado (a terra), vegetal e animal começam a adquirir os atributos dessa nação e seu efeito.

Portanto, não há terra de Israel sem a nação de Israel. Quando eles se reúnem nesse lugar, há um fenômeno correspondente com a nação de Israel na terra de Israel. As leis que operam sobre a terra são uma réplica das leis espirituais das pessoas que vivem nela.

Isso significa que os costumes dos povos que vivem lá se aplicam ao seu ambiente e, em particular, o seu dia de descanso, o Shabat. Este não é um período de férias, um dia de descanso, mas um dia inteiro de esforços, um estado espiritual especial, uma vez que existem correções muito especiais feitas no Shabat que as pessoas não podem fazer em qualquer outro dia.

Quando os estados espirituais de uma pessoa são replicados até os níveis mais baixos do inanimado, vegetal e animal (ou partes de nosso mundo), tudo muda e é definido de forma diferente. Por exemplo, uma semana, torna-se um ano. Porque a terra é um ano de prosperidade, um ano especial quando estamos absolutamente proibidos de trabalhar a terra. é um ano de Shmita.

Nos tempos antigos, este mandamento foi observado em Israel mais de 2000 anos atrás, antes da destruição do Templo. As colheitas do sexto ano foram o suficiente para os três anos que se seguiram, o que parecia acalmar todo mundo, “Não se preocupem, vocês terão colheitas suficientes por vários anos até que tenham uma nova colheita”.

Comentário: Mas a mente humana se opõe a este ditado: “Você tem que colher as colheitas a cada ano, como posso fazer uma pausa ?!”

Resposta: Nós estamos falando do estado espiritual de toda uma nação onde não se aplicam as leis de nosso mundo.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 13/08/14

A Grande Luz De Purim

Dr. Michael LaitmanO Livro de Ester (Meguilat Ester) 1:1: E sucedeu nos dias de Assuero, o Assuero que reinou desde a India até a Etiópia, sobre cento e vinte e sete províncias. Assim começa Megillat Ester, o Livro de Ester. A palavra hebraica “Megillah é derivada da palavra “Gilui” (divulgação) e “Ester” significa escondido. Ester é o nome da rainha, a esposa de Assuero (Xerses). Megillat Ester simboliza a revelação do oculto, o que implica que, embora algo seja revelado a você, você deve se lembrar que tudo se mantém em ocultação.

O Livro de Ester (Meguilat Ester) 2:5-7 – 2:20: Mardoqueu tinha uma prima chamada Hadassa, que havia sido criada por ele, por não ter pai nem mãe. Essa moça, também conhecida como Ester, era atraente e muito bonita, e Mardoqueu a havia tomado como filha quando o pai e a mãe dela morreram. Quando a ordem e o decreto do rei foram proclamados, muitas moças foram trazi­das à cidadela de Susã e colocadas sob os cuida­dos de Hegai. Ester também foi trazida ao palácio do rei e confiada a Hegai, encarregado do harém.

A moça o agradou e ele a favoreceu. Ele logo lhe providenciou tratamento de beleza e comida especial. Ester não tinha revelado a que povo pertencia nem a origem da sua família, pois Mardoqueu a havia proibido de fazê-lo.

O rei gostou mais de Ester do que de qualquer outra mulher; ela foi favorecida por ele e ganhou sua aprovação mais do que qualquer das outras virgens;

Ester pertencia ao povo judeu que tinha uma conexão com a força superior, e se ela tivesse dito a verdade sobre sua origem, isso poderia ter prejudicado o seu relacionamento com o rei.

Ela alcançou graça e favor aos seus olhos, porque ela revelou certa parte de seu potencial espiritual em seu relacionamento com o rei.

Então, o rei deu um grande banquete, o banquete de Ester, para todos os seus minsitros e oficiais. Proclamou feriado em todas as provín­cias e distribuiu presentes por sua generosidade real. Quando as virgens foram reunidas pela segunda vez, Mardoqueu estava sentado junto à porta do palácio real.

Ester havia mantido segredo sobre seu povo e sobre a origem de sua família, conforme a ordem de Mardoqueu, pois continuava a seguir as instruções dele, como fazia quando ainda estava sob sua tutela.

…Mardoqueu estava sentado junto à porta do palácio real.

Mardoqueu (Mor Dror) é a força superior, uma força muito séria que está totalmente oculta. Ester continuou totalmente sua linha.

Isto significa a porta do rei superior, a força superior da natureza. Sentar representa o estado de humildade, de pequenez. Portanto, Mardoqueu esperou pacientemente pela oportunidade de passar o atributo da força superior a todas as pessoas na Terra. A população da Babilônia naqueles dias era, na verdade, toda a humanidade.

O Livro de Ester (Megillat Esther) 3-1, 3: 5-9: Depois desses acontecimentos, o rei Assuero honrou Hamã, filho de Hamedata, descendente de Agague, promovendo-o e dando-lhe uma posição mais elevada do que a de todos os demais nobres.

Deve haver um grande desejo, a fim de revelar a força superior, a grandeza do Criador. Em primeiro lugar, ele decorre do ego, depois ele é corrigido e a revelação do Criador é recebida no desejo corrigido. Mardoqueu não tem esse desejo. Ele estava num estado de pequenez, sentado à porta do rei, por isso foi necessário incluir o ego nele, a fim de elevá-lo ao próximo nível. O ego que é adicionado ao Mardoqueu é chamado de Hamã.

Quando Hamã viu que Mardoqueu não se curvava nem se prostrava, ficou muito irado. Contudo, sabendo quem era o povo de Mardo­queu, achou que não bastava matá-lo. Em vez disso, Hamã procurou uma forma de exterminar todos os judeus, o povo de Mardoqueu, em todo o império de Xerxes. No primeiro mês do décimo segundo ano do reinado do rei Xerxes, no mês de nisã, lançaram o pur, isto é, a sorte, na presença de Hamã a fim de escolher um dia e um mês para executar o plano. E foi sorteado o décimo segun­do mês, o mês de Adar.

Hamã representa o ego universal. Ele teve que matar o desejo chamado Mardoqueu, que constantemente ameaçava o ego. Ele planejou aniquilar e destruir todos os judeus, visto que o povo judeu é, na verdade, um canal para a Luz e o atributo de doação. Se eles começassem a doar a todas as outras nações certamente seriam capazes de corrigi-las e transformá-las em altruístas, transformá-las numa nação superior assim como eles; uma nação que não serviria mais a Hamã. Hamã sabia que não poderia corrigir-se e por isso não tinha outra escolha e foi obrigado a agir contra Mardoqueu.

Então Hamã disse ao rei Assuero: “Exis­te certa nação dispersa e espalhada entre as nações de todas as províncias do teu império, cujos costumes são diferentes dos de todas as outras nações e que não obedecem às leis do rei; não convém ao rei tolerá-los. Se for do agrado do rei, que se decrete a destruição deles…”.

Cada uma das nações que viviam nas 127 províncias do império babilônico tinha um território próprio, mas os judeus estavam dispersos entre todas as nações e não tinham a sua própria terra. No entanto, eles ainda atribuíam para si uma tribo em particular chamada nação de Israel.

Esta é a razão que Hamã disse: Exis­te certa nação dispersa e espalhada entre as nações de todas as províncias do teu império”, o que significa que eles não estavam conectados entre si. O ego os separava e os fazia sentir repulsa mútua. Eles não podiam ser uma nação, uma vez que todas as outras nações eram definidas por sua origem e tinham um completo egoísmo terreno, que os judeus não tinham. Eles diferem de tal forma que falavam aramaico entre si e não hebraico, sua língua materna.

Na época do Primeiro Templo, os judeus estavam num nível espiritual e falavam hebraico, mas quando eles caíram para um nível egoísta que era muito inferior aos das outras nações, eles realmente perderam sua língua, a língua de doação e amor mútuo, e começaram a falar aramaico, a língua que é o inverso do hebraico. Além disso, cada nação sentiu que pertencia a uma classe social e cada nação respeitava o rei e se curvava a seus ídolos, enquanto os judeus não tinham ídolos, não respeitavam o rei, e não há tinham relações sociais mútuas adequadas entre si. Eles eram os maiores egoístas que não se davam bem uns com os outros.

Pergunta: Se a nação judaica foi separada a tal ponto, que perigo ela impôs a Hamã?

Resposta: Hamã sentiu que o tempo do despertar dos judeus para a unidade estava se aproximando. É dito que Hamã era um grande astrólogo. Ele viu de acordo com os sinais, o que significa de acordo com o seu sentimento interior, o que a nação judaica realmente é. Hamã é o lado oposto de um Cabalista, daquele que doa. Ele percebeu que algo estava prestes a acontecer que acabaria com o exílio da nação de Israel fim e que eles voltariam a sua terra, que para ele significava a morte. Eles tiveram que destruí-lo em seu caminho de volta, uma vez que era impossível reconstruir o Segundo Templo sem matar e destruir Hamã. Portanto, ele não tinha escolha, exceto destruí-los, não por maldade, mas de acordo com as leis claras e precisas da natureza.

O Livro de Ester (Megillat Esther) 3:10-11, 03:13: Em vista disso, o rei tirou seu anel-selo do dedo, deu-o a Hamã, o inimigo dos judeus, filho de Hamedata, descendente de Agague, e lhe disse: “Fi­que com a prata e faça com o povo o que você achar melhor”.

Assuero (Xerxes) pensou em como elevar a nação de Israel. Ele percebeu que eles deviam ter medo e, assim forçou-os a se unir e se conectar, uma vez que o seu poder está somente na unidade e na ascensão ao nível superior. Mas isso só foi possível com a ajuda de Hamã. Os judeus tiveram que ser aterrorizados pelo seu ego e destruí-lo para que pudessem transformá-lo em altruísmo, e só então conseguirem se elevar. Eles não poderiam subir sem Hamã.

O Livro de Ester (Megillat Esther) 3:10; 4:1-2: As cartas foram enviadas por mensageiros a todas as províncias do império com a ordem de exter­minar e aniquilar completamente todos os jude­us, jovens e idosos, mulheres e crianças, num único dia, o décimo terceiro dia do décimo segundo mês, o mês de adar, e de saquear os seus bens. Quando Mardoqueu soube de tudo o que tinha acontecido, rasgou as vestes, vestiu-se de pano de saco, cobriu-se de cinza, e saiu pela cidade, chorando amargamente em alta voz. Foi até a porta do palácio real, mas não entrou, porque ninguém vestido de pano de saco tinha permis­são de entrar.

Mardoqueu teve que dizer a todos o que estava prestes a acontecer e despertar as forças do bem e do mal, a fim de revelar corretamente o caminho que a humanidade devia seguir. Por isso, Ele saiu pela cidade, chorando amargamente em alta voz. Ele não era mais o velho despercebido que se sentou calmamente na porta da cidade. Na verdade, ele começou a ser ativo.

“Chorando amargamente em voz alta”, refere-se à revelação, à chamada, à conexão, que ele recriou entre Malchut e Keter. Até então, Mardoqueu estava num estado de pequenez (Malchut em Bina), mas agora, quando mudou para um estado de grandeza, um estado de revelação, ele conectou os dois pontos opostos da Criação, Malchut e Keter, através de Bina. É dito: Mardoqueu rasgou as vestes. Vestes é o estado atrás do qual a pessao se esconde. Rasgando suas vestes, Mardoqueu põe fim ao seu estado humilde anterior. Ele quer ser revelado.

O atributo de Mardoqueu é o atributo de Bina, doação completa. Não tem nada a ver com o ego e não pode fazer nada por si só. Existe a necessidade dessa conexão agora. As cinzas são o último nível egoísta. Quando coloca as cinzas na cabeça, Mardoqueu eleva este nível acima de si mesmo, o que significa que se coloca abaixo de todas as criações, abaixo de tudo. Estas não são apenas palavras bonitas, mas uma ação espiritual real; uma ação que ele realizou para que pudesse ser capaz de transmitir a grande força de correção a todos através dele. Assim, ele se prepara para o estado de desconexão do ego e para a subida ao atributo de Bina, quando ele poderia transmitir toda a Luz superior chamada Mardoqueu (Mor Dror), uma grande Luz, por meio dele.

De uma Conversa sobre Purim 19/02/15

O Livro De Ester É Nossa Herança Espiritual

Dr. Michael LaitmanO Livro de Ester 3: 8: Então Hamã disse ao rei Xerxes (Assuero): Exis­te certo povo disperso e espalhado entre os povos de todas as províncias do teu império, cujos costumes são diferentes dos de todos os outros povos e que não obedecem às leis do rei; não convém ao rei tolerá-los. A unidade foi sempre a base e o fundamento do povo judeu, e a força que não os deixou se dissolver no exílio.

Há um destino maravilhoso para esta unidade, e no início dela estava Adão, o primeiro homem a subir acima de si mesmo.

Herança Espiritual

Adão lançou as bases para a história espiritual da humanidade. Ele foi o primeiro entre todos os seres humanos que ascendeu acima das propriedades do ego e do amor próprio ao nível mais elevado do amor ao próximo. Nesta característica superior ele descobriu o mundo superior, um mundo fora de si mesmo e fora do seu ego.

Seus alunos continuaram a elevação espiritual de Adão, e com a passagem de 20 gerações, esta cadeia atingiu a antiga Babilônia, que foi o berço da civilização atual.

Abraão viveu aqui e continuou o caminho de Adão. Depois de reunir pessoas dentre os babilônios que possuíam uma visão idêntica, Abraão foi com eles à terra de Israel, a fim de dar ao mundo inteiro um exemplo de unidade real. A continuação deste grupo tornou-se o mesmo grupo que ainda assombra a humanidade.

Assim, o povo judeu não surgiu inicialmente numa base étnica, mas ideológica. Nossos ancestrais tomaram uma ideia ao longo da história da humanidade, e ela sozinha determina o nosso caminho comum: o caminho para a unificação universal da humanidade.

Com a passagem de quase 1000 anos depois de deixar a antiga Babilônia, nós caímos do nível do amor ao próximo para o do egoísmo crescente, e, com isso, mais uma vez nos encontramos na mesma Babilônia, e no exílio.

Do Folheto sobre o Feriado de Purim, 03/2015