Qual É A Dificuldade Em Trabalhar Para O Criador?
Pergunta: Se eu for realizar uma ação do tipo “Se eu não for por mim, quem será por mim?”, onde posso encontrar a confiança de que não vou gostar tanto a ponto de me desconectar Dele?
Resposta: Em seu livro “O Fruto de um Sábio“, Baal HaSulam dá um exemplo de que pela manhã uma pessoa deve dizer: “Se eu não for por mim, quem será por mim?” e à noite: “Não há outro além Dele”.
O que isso significa? Suponha que eu vá trabalhar agora e esteja trabalhando arduamente; ou seja, que eu me entregue ao desejo de receber, que eu me esforce e acredite que, graças a esse esforço, serei remunerado. Depois, analiso a situação e percebo que não sou eu quem está se esforçando e recebendo o pagamento, mas sim o Criador, que me dá o trabalho e os ganhos. Em outras palavras, o trabalho não está no que eu faço, mas em como me relaciono com ele.
Se eu mudar minha atitude em relação ao que devo fazer na vida, reconhecendo que é Ele quem me envia tudo isso, não sentirei dificuldade alguma em me conectar com Ele, nem em realizar qualquer trabalho, porque o “trabalho” em si deixa de existir. Nossa dificuldade reside no desafio de forjar uma conexão entre nós mesmos, o propósito da criação e o trabalho que se apresenta diante de nós.
Não é difícil para uma pessoa cavar um buraco até o centro da Terra. Se, por meio dessa ação, ela permanecer conectada com o Criador, receberá energia e motivação infinitas. Não compreendemos que o problema não reside nas dificuldades físicas, mas no fato de a ação não estar conectada à luz, ao Criador.
Se você se conectar com o Criador em cada tarefa, se o trabalho se tornar uma ação intencional e começar a lhe trazer a luz divina e a adesão, a luz da adesão servirá como sua recompensa; então, em vez de se esforçar durante a ação, você estará no objetivo designado. A própria ação se tornará o objetivo.
Portanto, nosso trabalho, sintetizado na frase “Se eu não for por mim, quem será por mim?”, consiste em nos aproximarmos daquele que é a causa do nosso trabalho. Nesse estado, o trabalho deixa de ser um fardo. É por isso que, à noite, depois de ter conseguido unificar tudo isso, você declara: “Se eu não for por mim, quem será por mim?”
É claro que isso não se refere às nossas manhãs e noites literais. A manhã representa a intenção de agir como Hafetz Hesed (não desejar nada para si mesmo), em Hassadim (Misericórdia) sem Hochma (Sabedoria). E à noite, quando não há luz, você recebe Hochma e diz: “Se eu não for por mim, quem será por mim?”. Isso significa que você trouxe essa luz para si mesmo, por meio do seu próprio esforço.
De manhã, a luz vem através do Criador, enquanto à noite, mesmo na escuridão, a luz torna-se possível através do seu próprio esforço.
Na vida, muitas vezes achamos difícil realizar uma tarefa, talvez por estarmos cansados ou por sentirmos alguma resistência a ela, considerando-a um fardo. No entanto, se eu atribuir um propósito a essa ação, ela se torna fácil de realizar. Eu meio que me esqueço da ação em si; ela se torna meramente um meio de me conectar com aquilo com que estou unido no momento: um meio para alcançar o objetivo.
Portanto, não devemos prestar atenção ao que está acontecendo conosco; em vez disso, devemos nos concentrar em nossa atitude em relação ao que está acontecendo.
Da Lição Diária de Cabalá 17/07/26, Rabash, “Quem precisa saber que uma pessoa resistiu ao teste?”