Contra O Que Lutaram Os Macabeus?

Dr. Michael LaitmanPergunta: Nós sabemos que os Macabeus não lutaram só contra os gregos, mas também contra os helenistas. Sobre o que é este conflito? É sobre duas ideologias opostas?

Resposta: O conceito de helenismo é uma percepção da realidade, um paradigma, uma cosmovisão, uma filosofia e uma perspectiva do mundo. As percepções de mundo dos gregos e dos romanos eram totalmente egoístas.

Eles alegavam que o homem é o centro da criação e que ela não é ruim e não é um erro. O homem era considerado uma criatura perfeita, o que significa que sua evolução foi concluída e que ele não pode mudar sua natureza. De acordo com essa percepção a evolução só poderia ser:

•Física — esportes e Jogos Olímpicos;

•Racional — a fabricação de mitos e fantasias, que eram comuns naqueles dias.

A sabedoria da Cabalá é a abordagem que permitiu que a nação de Israel saísse da Babilônia universal, que é a base para todas as outras percepções, incluindo a percepção grega e a evolução natural do desejo e da mente para alcançar uma boa vida neste mundo. Todas as outras percepções sobre a nossa natureza se referem a este mundo.

Esse método se baseia na absorção, na percepção e na recepção, com a ajuda do ego feroz que constantemente se desenvolve numa pessoa. Esta força é como uma mola apertada que é liberada dentro de nós, constantemente nos empurrando para diferentes prazeres.

Assim, nós cozinhamos dentro do nosso ego, cada um em sua própria panela, e todos juntos numa panela gigante. Este processo nos ajuda a avançar cientificamente, culturalmente, em esportes e em outros aspectos que tornam nossa vida mais confortável. Graças ao ego que constantemente queima dentro de nós como parte da nossa natureza, nós construímos coisas fantásticas para nos satisfazer.

Mas há uma abordagem oposta, segundo a qual nossa natureza é basicamente má. Por quê? — Porque ela não é para a conexão entre as pessoas, mas leva à separação entre elas. Afinal de contas, cada um estabelece relações com os outros apenas para benefício próprio. Portanto, esta abordagem é falha e destrutiva.

Minha natureza me obriga a tirar proveito de tudo que se passa em torno de mim, de todo mundo que está ao meu redor. É tudo para me agradar. Este é um desejo natural, meu atributo inato. Em qualquer momento eu peso meus movimentos para utilizar o mundo egoisticamente.

Isto leva ao desprendimento, porque nós estamos numa luta contínua entre nós, em competição, que é a base da cultura grega antiga. Os Jogos Olímpicos são um exemplo claro disso. No final, a abordagem grega requer o uso dos outros para o nosso próprio benefício.

Por outro lado, nossa nação acredita em valores totalmente diferentes. Abraão reuniu seus alunos e explicou-lhes que fossem estabelecer uma sociedade que deveria viver nos princípios da mutualidade, unidade e amor. A essência da abordagem judaica significa que o outro é mais importante que eu.

Essa percepção que Abraão iniciou foi realizada no Egito, Monte Sinai e na terra de Israel e foi aceita até dois mil anos atrás. O princípio permaneceu inalterado: desenvolver-se constantemente em benefício dos outros, para que eles sejam mais importantes para mim do que eu.

Mas o que eu ganho como isso? Afinal, esta abordagem também se baseia no ego porque nós não temos nada mais que isso.

Tal atitude para com os outros me permite sair de minha natureza, ascender acima de minhas limitações, acima do meu corpo e sentir o mundo através dos outros que são mais caros para mim do que eu.

É exatamente assim que uma mãe vê o bem-estar do mundo através do bem-estar de seu filho. É como se ela se vestisse nele, e assim ela não funciona de acordo com seus próprios desejos, mas em benefício dele.

Se eu me vestir assim em toda a humanidade, verei um mundo totalmente diferente e perfeito independentemente dos meus atributos, desejos e limitações.

A abordagem grega se baseia na absorção, enquanto a abordagem judaica se baseia na doação, na saída de mim mesmo, o que me permite descobrir a força da natureza que opera no exterior. Além disso, eu adquiro a força do amor e da doação pela qual exploro toda a realidade.

A principal coisa é que eu descubro a força superior que criou toda a realidade espiritual que opera em doação e, também, na realidade corpórea, egoísta que opera na recepção. Eu conheço a força geral e ascendo ao seu nível. Quando eu me separo do desejo egoísta do meu corpo, subo acima dele para uma dimensão eterna de amor e doação. Porque ela é eterna? Porque é plena e não lhe falta nada.

Por outro lado, a percepção grega pode, no final, contribuir com a pessoa durante sua curta vida corpórea e isso é tudo, visto que todos os seus objetivos não excedem o âmbito da existência física e o corpo não é eterno.

De KabTV “Uma Nova Vida” 14/12/14

Um Comentário

  1. Shalom

    Entendi perfeitamente, pois através do meu ego, cheguei na cabalá, pois quando lia algo a respeito de cultura grega ou romana, me perguntava: ” o que ganho com isso?”

    Tinha a sensação de que iria me encher de filosofia, cultura e outras coisas, mas que ainda continuaria neste mundo físico.

    Vejo que a cabala é de fato o único caminho a ser trilhado, e para isso, necessita-se de um instrutor que nos ensine a caminhar, e ele aparece através da Providência Divina.

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