Mudança Da Natureza Humana No Nosso Tempo

Dr. Michael Laitman1. Como continuará a evolução da raça humana? Como irão a crise e as leis globais da Natureza mudar a nossa essência? Irá a transição forçada da nossa sociedade egoísta para um modelo integral do mundo baseado na garantia mútua impactar apenas a ordem social ou irá também alterar a essência e a conexão entre as gerações?

Em que tipo de mundo acabaremos por viver se conseguirmos conectar-nos num sistema unido que é semelhante a um organismo vivo? Como irá mudar a nossa percepção das limitações do mundo? Para isso, temos de examinar a evolução geral e o seu aspecto psicológico.

2. Organismos protozoários (amebas), semelhantes às primeiras criaturas mais simples da Terra, reagem a impactos externos, mas são incapazes de reter memórias ou sensações, isto é, não adquirem experiência; nem são capazes de a passar para gerações futuras.

O comportamento das “carambolas-do-mar” é determinado por conexões naturais que nascem internamente; para elas, os instintos têm um papel tremendo.

Vertebrados elementares (peixe) comportam-se de acordo com as “capacidades” hereditárias que foram acumuladas durante a sua existência. Instintos de conservação determinam estritamente o seu comportamento; eles não lhes deixam mudar a sua conduta mesmo se deixarem de ser úteis.

3. Depois de sair da água, os animais entraram num ambiente mais duro e diversificado, e a evolução psicológica ocorreu de duas formas:

  • Complexidade de “capacidades” hereditárias e instintos (insectos e Artrópodes)
  • Aquisição da capacidade de desenvolver hábitos vitais durante o ciclo de vida, que permitiu fazer ajustes a um ambiente em mudança (desenvolvimento de vertebrados, de anfíbios a mamíferos), supressão gradual do papel dos instintos, e aperfeiçoamento das funções intelectuais e actividades racionais (experiência individual).

4. Evolução psicológica continua em terra firme. O seu ponto principal é a transição de hábitos hereditários estáveis para capacidades adquiridas que não são de natureza hereditária.

O objectivo da evolução é o ser humano; o significado dos instintos na vida humana é mínimo. O intelecto é o que importa, porque ele permite acelerar a aquisição de múltiplos hábitos e conhecimento que, por sua vez, permitem a humanos fisicamente fracos ajustar-se a uma variedade de circunstâncias.

5. Assim, o desenvolvimento da capacidade de pensar, bem como a transição de criaturas “não-pensantes” para “pensantes” é o resultado de um ambiente mais complexo. O homem emergiu depois que o ambiente atingiu a sua complexidade máxima (depois de um período de quedas abruptas das temperaturas). A exclusão do homem do mundo animal ocorreu como uma reacção a entornos externos mais complicados e piores. O homem continua a melhorar intelectual e psicologicamente; a sua evolução ainda está em progresso.

6. Hoje, vemos que o ambiente em mudança nos força a aderir a uma interacção mais próxima com a sociedade. Assim, nós podemos assumir que a evolução futura da psicologia humana irá seguir um caminho de consolidação das características humanas que serão transferidas às gerações, mas não através da genética como ocorre com os instintos animais, mas antes através de uma memória social “externa”.

As gerações futuras são as reencarnações de gerações passadas; elas receberão conhecimento que adquiriram antes através da sociedade que preserva este conhecimento na sua memória, semelhante aos instintos que são transferidos de geração a geração no mundo animal.

7. A capacidade de adquirir e passar informação depende totalmente da conexão de uma pessoa com a sua sociedade circundante. Ela se torna parte inseparável da pessoa e é fonte duradoura ou um depósito de capacidades e informações de uma geração para a próxima. Além disso, o conhecimento será adquirido não através de esforços mentais, mas conforme a conexão da pessoa com o ambiente.

Mas antes que a união mútua de uma pessoa com seu ambiente seja estabelecida, é impossível verificar as suas propriedades anteriores, uma vez que elas podem ser socialmente prejudiciais se não forem usadas apropriadamente.

A consolidação de hábitos no nível dos instintos só pode ser aplicada à doação, o amor pelos outros, uma atitude positiva em relação ao trabalho social benéfico como uma necessidade imediata de cada indivíduo, uma mentalidade de irmandade entre todos, isto é, que adquirimos através da nossa correcção pessoal durante encarnações anteriores.

8. O processo de transferência “instintiva” de conhecimento para as próximas gerações permitir-lhes-à ser moral e intelectualmente superiores à geração anterior. Determinará a essência de um novo homem através das suas conexões harmoniosas com a sociedade e com a natureza. Irá esboçar a formação de um novo tipo de ambiente social.

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