Por Que Os Obstáculos São Necessários?

260.01No artigo “Lishma e Lo Lishma”, Rabash busca esclarecer a diferença fundamental entre esses conceitos. A diferença reside no tipo de combustível que impulsiona uma pessoa a agir.

Antes de mais nada, precisamos entender o que são nossas ações em geral e se somos os senhores delas. Se agimos com base no desejo de receber, então, sempre que vemos algum prazer, alguma satisfação de desejo, imediatamente, sem qualquer cálculo, queremos obtê-la. O desejo precede o cálculo; primeiro o desejo é criado, depois a razão. A mente é um complemento ao desejo para alcançar o que se deseja.

Portanto, no momento em que o desejo de receber encontra alguma satisfação, ele a quer, e só então começa a calcular como alcançá-la e, se possível, simplesmente para se satisfazer. Se o desejo não fosse impedido por nenhuma limitação, ele seria satisfeito e não exigiria nenhum planejamento ou cálculo.

Mas, como existem condições para se sentir satisfeito, o desejo de receber precisa passar por um processo de cálculo para alcançar a plenitude. Então, desenvolve-se um sistema que chamamos de “razão”, “cálculo”, “o Rosh de um Partzuf”, em paralelo a si mesmo. Essas categorias surgem porque é impossível satisfazer diretamente o desejo de receber.

Acontece que, na medida em que surgem obstáculos na satisfação do desejo de prazer, existem mais oportunidades para o desenvolvimento mental e para o envolvimento pessoal desse desejo nesse processo.

Assim, para dar independência a esse desejo, é necessário colocar obstáculos diante dele em 100% dos casos, em todos os estados e nas diversas variações de sua manifestação, em todos os caminhos que levam à autorrealização.

Somente esses obstáculos darão ao desejo de receber a oportunidade de analisar o que eu quero, por que, como chego à realização, se é o que eu quero, se realmente me realiza e o que é preferível.

Da Lição Diária de Cabalá 26/01/26, Rabash, Artigo 29, “Lishma e Lo Lishma

Devolvendo A Dívida Ao Criador

243.01Pergunta: O fato de eu participar do grupo não é uma escolha minha. O fato de eu estar aqui sentado, ouvindo, lendo e discutindo também não é uma escolha minha. Então, onde está a liberdade de escolha?

Resposta: Você não veio aqui por vontade própria. Cada um de nós já percebe que não aparecemos aqui por acaso; ou seja, o Criador nos trouxe. Em geral, o pensamento de vir, ouvir e sentar não partiu de mim. Tudo aconteceu de alguma forma, repentinamente, quase inconscientemente. É claro que, durante os primeiros meses, eu vinha e sentava aqui, funcionando com a energia recebida do Criador.

Os esforços começam com as descidas. Assim como o Criador me deu um impulso e me trouxe a este lugar, me atraindo com “doces” para me fazer sentir como se eu pudesse adoçar minha vida aqui, agora Ele está tirando isso de mim. Para permanecer, resistir e me fortalecer ainda mais, preciso fazer grandes esforços.

A lei espiritual imutável diz: “Você tomou emprestado de Mim, e Eu estou cobrando”. O Criador lhe dá força, lhe dá direção e lhe proporciona uma oportunidade, mas mais tarde você terá que pagar por isso.

Caso contrário, é impossível. Como poderei ascender a um nível superior se não o conheço, se não tenho força suficiente para isso e se não tenho nenhuma ligação com ele?

Pensamos que na espiritualidade tudo é como neste mundo: tenho força, tenho desejos, consigo ver o que vou adquirir, faço cálculos, analiso, esclareço, verifico, indago. Nada disso; tudo é diferente na espiritualidade. Aqui, o nível superior está separado de você, não é sentido por você, é incompreensível para você. E mesmo que você revele algo nele, descobre que é totalmente oposto a você e o repele.

Assim, a lei é simples: “Você tomou emprestado de Mim, e Eu estou cobrando”. Ou seja, você recebe a oportunidade, tudo lhe é dado do alto, e depois você terá que devolver. Portanto, os esforços consistem em se fortalecer na direção que o Criador indica.

Da Lição Diária de Cabalá 27/01/26, Rabash, Artigo 29, “Lishma e Lo Lishma

A Ciência Da Cabalá: Um Caminho Para A Harmonia Suprema

939.02Nós nos reunimos aqui para estabelecer uma sociedade para todos aqueles que desejam seguir o caminho e o método de Baal HaSulam [que nos descreveu todo este caminho], o caminho pelo qual subir os graus do homem e não permanecer como uma besta (Rabash, “Propósito da Sociedade – 1”).

Em nosso mundo, existem níveis da natureza (inanimado, vegetativo, animado e humano). Se quisermos transcender o nível humano, devemos nos unir uns aos outros.

Se, acima de todos os obstáculos, rejeições, ódio e falta de vontade de se unir, conseguirmos alcançar a conexão entre nós, não precisaremos de mais nada. A ciência da Cabalá não nos ensina nenhuma ação além da união mútua.

Se em qualquer grupo, em qualquer lugar do mundo, as pessoas forem capazes de superar a rejeição mútua e se conectar umas com as outras, elas revelarão o Criador, a força superior, o mundo superior, sua imagem eterna, chamada de “alma”, porque criarão a condição para a revelação da força superior na conexão entre elas.

Portanto, a ciência da Cabalá é universal; não possui limitações, exceto uma: acima do seu egoísmo, conecte-se com pessoas como você, que desejam se unir para revelar o Criador. Não há outras condições além dessa.

Baal HaSulam acrescenta: não adianta esperar que chegue o tempo em que possamos alcançar o objetivo do nosso desenvolvimento de outra forma. Sem dúvida, só o alcançamos através da conexão entre nós. Então veremos que a força superior está impulsionando a todos em direção à conexão: os níveis inanimado, vegetal, animado e humano.

Observamos como todos estão se conectando cada vez mais, quer queiram ou não, sob a pressão de todos os tipos de problemas e sofrimentos. O mundo está se tornando cada vez mais interconectado, e a tecnologia e os meios de comunicação estão se desenvolvendo nessa direção. É assim que a força superior, a única que opera no universo, impulsiona o mundo inteiro rumo à unidade por meio de grandes pressões e sofrimentos.

No entanto, um novo caminho, diferente, se abriu para nós: podemos avançar rumo à unificação por conta própria, acelerar esse processo e trabalhar com outros “eus” como em um laboratório, conectando-nos cada vez mais e observando o que conquistamos nesse processo.

Portanto, seguindo o conselho dos Cabalistas, nos unimos em dezenas, em pequenos grupos, para que seja mais conveniente e fácil para nós e para que possamos nos conectar de forma mais flexível e gerenciável, e ver como revelamos a força superior em uma forma ou outra de conexão. De acordo com o tipo de nossa unidade, nós a revelamos, pois nosso vaso determina a revelação da luz nele contida.

Portanto, não precisamos avançar contra a nossa vontade rumo ao objetivo final, onde todas as partes da natureza se unirão em uma forma integral e global, como um único todo. Podemos realizar essa obra não sob a pressão do sofrimento, mas com compreensão, consciência e autocontrole; podemos escolher o ritmo do nosso progresso, observar como estamos avançando e também atrair toda a humanidade para nos seguir.

Afinal, se os trouxermos conosco, puxando-os atrás de nós, nos tornaremos mais fortes, e a força superior se revelará com maior poder, porque não serão mais milhares de pessoas que se unirão, como em nosso grupo mundial, mas milhões ou até mais.

Assim, revelamos o poder da força superior em toda a sua profundidade, em todo o seu alcance, em todos os seus sistemas; compreendemos como ela reina sobre tudo e governa tudo, como todo esse sistema opera. Isso é chamado de revelação da Shechinah.

Não há maior prazer do que contemplar essa harmonia, como todas as partes da criação — diferentes, dispersas, odiando-se umas às outras, distantes umas das outras — se conectam e, entre elas, não apenas se revela uma conexão, mas o amor mútuo. Isso nos preenche e nos dá a sensação da vida eterna.

Da Convenção Internacional de Cabalá, 17/07/15, Guadalajara, Lição 1

Um Meio De Suprimir O Egoísmo

540Comentário: Em 1938, um cientista suíço desenvolveu acidentalmente o LSD, uma droga que supostamente proporciona uma experiência de realidade diferente. Aqueles que a experimentaram começaram a ver o mundo de forma diferente e alegadamente sentiram um estado “além do tempo”.

Minha Resposta: Não posso ser especialista nesse assunto porque nunca usei drogas. Sempre acreditei que elas são ilusórias, uma desconexão da realidade. Com tais meios, é impossível transcender nosso mundo, elevar-se acima do tempo, do espaço e do movimento para uma dimensão diferente. São simplesmente diversas sensações psicossomáticas. Interrompemos o funcionamento adequado do cérebro e, portanto, supostamente, alçamos voo em algum outro espaço.

É evidente que isso nada tem a ver com a Cabalá, pois uma pessoa não adquire a qualidade de doação e amor pelo mundo ao seu redor. Uma pessoa pode, de alguma forma, ser sintonizada com isso por meio de drogas e convencida de que, por assim dizer, começará a amar os outros, a ser alegre, feliz e inclinada a se comunicar com os outros. Mas tudo isso só acontece porque a sintonizamos dessa maneira e lhe demos meios para suprimir o sentimento de egoísmo.

É o mesmo que se uma pessoa recebesse uma ferida emocional ou, pelo contrário, um grande presente do destino, mas não mudasse a si mesma e não adquirisse novas qualidades.

É evidente que as pessoas que usam drogas não se tornam altruístas por natureza, e não enxergam o mundo como um lugar bondoso, bom e com propósito. Elas veem todo tipo de imagem distorcida dentro de si mesmas.

Portanto, isso não tem absolutamente nada a ver com o mundo que um Cabalista revela na medida em que seu egoísmo se transforma em doação e amor, em uma qualidade oposta à natureza em que nasceu.

De KabTV, Eu Recebi uma Chamada. Cabalá e LSD”, 10/01/10

Luta E Unidade Dos Opostos

544O estado 1 (nosso estado atual) é a “doação a si mesmo”, na qual residem nosso prazer e a realização desejada.

O estado 2 (o estado que queremos alcançar) é a doação ao Criador, o que será o nosso prazer, e aqui reside uma contradição.

Na doação a si mesmo, tanto a ação em si, o trabalho, quanto a recompensa, estão todos na mesma direção, em uma única linha. Portanto, isso é chamado de luz direta, e tudo aqui nos é claro; o começo, o fim e a conquista desse objetivo final fluem em uma única direção, em direção a mim mesmo.

Mas se eu quiser que a doação ao Criador seja meu prazer, há um problema de oposição entre intenção e resultado, porque preciso de uma correção da intenção, que é contrária ao meu desejo!

A doação ao Criador deve se transformar em prazer para mim! E sou obrigado a desfrutar disso, pois esse é o propósito da criação, mas o prazer deve vir da doação, e isso é completamente oposto a mim!

O objetivo da criação é o prazer, e a correção da criação é a doação. Mas essas duas condições se contradizem. Este é o principal obstáculo e dificuldade em nossa percepção que sempre bloqueia nosso caminho e nos priva da oportunidade de realizar o que pretendemos.

Por um lado, devemos aplicar grandes esforços e realizar uma quantidade imensa de trabalho, e por outro lado, o resultado não depende de nós; ele é dado de cima. Nós apenas revelamos o desejo em nós mesmos com o nosso trabalho, não obtemos o objetivo em si; atingimos o Kli, o vaso que pode contê-lo.

Portanto, esses dois opostos — a doação ao Criador e o desfrute dela — só podem ser unidos por meio de nossa adesão a Ele. E somente a luz superior, que transforma nossa natureza, pode nos conduzir a essa adesão.

De um estado em que o coração domina a pessoa e, portanto, nos termos da Cabalá, ela é chamada de “pecadora”, devemos passar para um estado em que a pessoa dentro de nós domina o seu coração e, portanto, é chamada de “justa”. Há apenas uma solução para atingir esse objetivo: um grupo Cabalístico, que nos sirva de exemplo, estrutura, modelo no qual podemos nos autoavaliar e verificar em que medida correspondemos ou não a esse objetivo.

O grupo consegue incutir em mim a ideia de que nada é mais precioso para mim do que a doação ao Criador! Mas, por outro lado, revelo que sou incapaz de tudo e que somente o Criador pode me ajudar. Dessa forma, chego ao desejo necessário, à oração.

Mas atualmente, esses dois opostos polares não existem em nós: Keter e Malchut, luz direta e luz refletida, a correspondência inversa entre luz e desejo, tudo isso existe apenas no Kli corrigido, onde a intenção é oposta ao desejo.

Este é o modelo que precisamos construir dentro de nós mesmos pela primeira vez, as dez primeiras Sefirot, e então adquiriremos uma estrutura interna, como a primeira célula de um novo organismo a partir da qual o embrião da alma se desenvolverá ainda mais.

Da Lição Diária de Cabalá 31/08/10, Rabash, “Quais são as duas ações durante uma descida?”

Quatro Tipos De Motivação Para A Prática Da Torá E Dos Mandamentos (Mitzvot)

219.01Existem quatro estágios pelos quais as pessoas passam ao realizar a Torá e os mandamentos (Mitzvot).

O que significa cumprir a Torá e os mandamentos (Mitzvot)? Para as pessoas religiosas, significa o que lhes foi ensinado desde jovens: realizar certas ações, e elas as realizam. Se tivessem aprendido outras ações, teriam realizado essas também.

Neste caso, como escreve Rabash, a razão e a motivação para cumprir a Torá e os mandamentos é a influência externa. Isso não significa que eu cumpra os mandamentos porque tenho medo dessas pessoas ou porque quero ser considerado grande entre elas, bom e justo, respeitado, etc. Não importa quais sejam os outros motivos, o principal é que eu faço o que me foi ensinado, nada mais. Em geral, eu satisfaço os desejos de outras pessoas.

Para alguém que está acostumado a fazer isso desde a infância, torna-se algo natural; caso contrário, sente-se mal, e ao realizar suas ações habituais, sente-se bem. Seja por ter sido criado dessa forma ou por ter se convertido à fé mais tarde, o indivíduo observa o ambiente ao seu redor, que o leva a executar certas ações.

De fato, o ambiente impõe leis maravilhosas. Você deve frequentar a sinagoga. Não é correto deixar de ir lá orar. Você é obrigado a celebrar os feriados de acordo com certas regras e a se vestir de uma determinada maneira. Você é obrigado. A sociedade estabelece milhares de leis para você. E isso significa que você cumpre a Torá e os mandamentos sob a influência de pessoas externas, e não por sua própria vontade.

Enquanto estamos falando de corrigir o próprio desejo, neste caso, você deixa de lado o seu desejo, como se o removesse de si, coloca o desejo de outra pessoa em si e o satisfaz. Isso é chamado de “bom soldado”, que usa o seu corpo e, ao colocar nele o desejo do comandante, obedece às suas ordens. Para as massas religiosas, essa forma de observar os mandamentos é aceitável, o que é muito bom. Caso contrário, seria uma bagunça, um caos.

O segundo tipo de motivação para cumprir a Torá e os mandamentos é o Criador em combinação com pessoas externas, que promovem e incentivam a observância da Torá e dos mandamentos. Ou seja, a pessoa começa a incorporar uma certa mistura em seus cálculos anteriores, como se os “contaminasse”. Ela já começa a considerar não apenas o ambiente, mas também o Criador.

O que significa estar com o Criador? Significa que surge uma espécie de conflito dentro da pessoa, uma contradição interna. Não se trata ainda de um choque entre dois lados opostos; não são ainda dois polos.

Duas autoridades opostas não podem coexistir em mim, ou eu ficaria dividido, sem saber a quem dar ouvidos ou a quem priorizar. Não posso estar voltado para ambas as direções. Tenho apenas um desejo. Não posso me sintonizar com dois, e é aí que surge o problema. Este é o início da jornada.

A terceira condição ocorre quando “somente o Criador o obriga a cumprir a Torá e os mandamentos; não pessoas externas, mas a própria pessoa é também a razão para cumprir a Torá e os mandamentos”. Este é o terceiro tipo de motivação, quando o Criador obriga a pessoa a cumprir a Torá e os mandamentos, e a própria pessoa, como escreve Rabash, “é a razão”. Eu diria que ela contribui para isso.

E o quarto tipo de motivação é que a razão para cumprir a Torá e os mandamentos é somente o Criador, e não há ninguém contribuindo para isso. Isso é chamado de “introdução da multidão mista na Kedushá”. Nesse caso, não há absolutamente nenhum outro fator que contribua ou mesmo apoie, onde dizemos que uma pessoa se fortalece ao longo do caminho e supostamente faz algo por conta própria. Não, tudo é feito exclusivamente pelo Criador. Mas esse é o nível de completa adesão ao Criador.

Como resultado, revela-se à pessoa que todos esses são os caminhos da governança do Criador. Não se trata de eu agir de uma forma ou de outra conforme avanço, mas sim de, ao trabalhar arduamente, revelar diversos fatores que me impelem a agir.

A princípio, esses fatores parecem ser pessoas externas, depois pessoas externas e o Criador, depois eu e o Criador e, por fim, somente o Criador. Acontece que, no processo de seu desenvolvimento, a pessoa começa a revelar qual é a razão de sua existência e quem é a fonte de sua existência.

Da Lição Diária de Cabalá 27/01/26, Rabash, Artigo 29, “Lishma e Lo Lishma”

Compreenda A Importância Do Criador

144Pergunta: A revelação do Criador é, na verdade, a revelação de uma nova forma em si mesmo?

Resposta: A revelação da face do Criador é chamada de manifestação de Sua importância porque, na verdade, é isso que eu busco. Não se trata da revelação do prazer, mas da revelação de Sua superioridade, de Seus atributos e de Sua perfeição. Isso me ajuda a respeitar o Criador mais do que o meu desejo de receber.

Esse desejo cresce constantemente na pessoa. Mais e mais Reshimot (registros espirituais) vêm à tona. Em outras palavras, mais e mais da linha esquerda se soma à pessoa. Então, ela precisa revelar a face do Criador como um ser maior e mais exaltado, que a influencia mais, para que ela possa resistir ao desejo de receber e respeitar o Criador mais do que seu desejo egoísta. Isso significa que a pessoa tem a força para trabalhar em prol da doação.

Conclui-se, portanto, que o desejo de receber foi originalmente criado na mesma medida do Criador; ambos são iguais em magnitude. Contudo, a pessoa sente a magnitude do desejo de receber apenas na medida em que é capaz de superá-lo e, ao mesmo tempo, revelar o Criador como importante e grandioso.

Cada vez é como um jogo. No início, o desejo de receber nos é oculto; sentimos apenas uma pequena parte dele na forma da realidade deste mundo. Na verdade, trata-se da mesma realidade geral, só que é chamada de “este mundo” porque a percebemos sem levar em conta o Criador.

Tudo o mais, além deste nível, já percebemos em conformidade com a realidade do Criador, ou seja, sentimos de fato o Criador, que é chamado de mundo superior. “Todo o mais” significa que já consideramos a importância do Criador em relação à importância do desejo de receber.

Esse desejo cresce gradualmente, partindo do estado mais baixo e menor, até atingir o nível do Criador. Ele nos ajuda a pedir repetidamente ao Criador que nos mostre cada vez mais Sua importância, grandeza e superioridade. E quando revelamos o Criador e preferimos lhe trazer prazer em vez de servir ao nosso ego, aderimos à forma do Criador, a absorvemos, a adotamos, e ela verdadeiramente se torna a nossa forma.

Da Lição Diária de Cabalá 26/01/26, Rabash, Artigo 29 “Lishma e Lo Lishma”

Como Se Tornar Uma Máquina De Movimento Perpétuo

239No entanto, nos foi dado um lugar no qual podemos trabalhar sem qualquer recompensa. Ou seja, mesmo quando ainda não temos gosto pela Torá e pelas Mitzvot devido ao Tzimtzum, há um conselho, que é trabalhar na grandeza do Criador, o quanto somo privilegiados por servir ao Rei (RABASH, Artigo 29, “Lishma e Lo Lishma”).

Pergunta: Essas palavras se aplicam a nós que estamos neste mundo?

Resposta: Eu quero desfrutar. É assim que sou. Meu desejo de receber não percebe nada de outra forma. Há algo diante de mim; eu o recebo e o desfruto. Como posso trabalhar de maneira diferente? Só consigo trabalhar de outra forma se, mesmo assim, receber algum prazer.

Sem prazer é impossível viver, impossível se mover. Só posso desfrutar daquilo que recebo. Estamos confusos quanto a isso porque esse é o nosso fundamento, que ainda não foi esclarecido. Esclarecê-lo exige anos de trabalho persistente e sério.

A questão é a seguinte: posso me mover do lugar onde estou agora em qualquer direção, mesmo que seja apenas um metro? Minha resposta é: sim, posso, mas somente se você me abastecer com, digamos, um litro de combustível, ou cem calorias. Só então poderei me mover de um lugar para outro. De onde virão as cem calorias? De várias maneiras, mas preciso recebê-las.

Assim, tenho duas possibilidades. Ou recebo as cem calorias de todos os tipos de prazeres que supostamente existem ao meu redor, ou recebo contemplando a grandeza do Criador. Tenho à minha disposição duas fontes de energia para colocar em movimento meu desejo de receber, e isso é tudo.

Se eu for capaz de trabalhar devido à grandeza do Criador, eu me torno uma máquina de movimento perpétuo e não dependo de nada. Nesse caso, minha máquina pode operar sem parar; ela não depende mais de nenhum fator externo insignificante. Este é o nosso objetivo final!

Da Lição Diária de Cabalá de 26/01/26, Rabash, Artigo 29, “Lishma e Lo Lishma”

O Princípio Do Semáforo

032.01Antes da invenção das placas de sinalização como forma de organizar o trânsito, os policiais ficavam parados, controlando o fluxo de veículos. Naquela época, muitas pessoas ficavam irritadas e reclamavam dos policiais por não fazerem seu trabalho direito e por não prestarem atenção à fila de carros.

Mas hoje, o facilitador do trânsito tornou-se inanimado, sem mente. Assim, agora cada um aceita o veredicto da placa de trânsito (semáforo), e ninguém se irrita com ele ou lhe pede favores  (RABASH, Artigo 28, “O que é, Sua orientação é oculta e revelada?”).

Por um lado, o Criador coloca um semáforo diante de nós, e essas leis da natureza são absolutas. Você pode amaldiçoar o semáforo, mas isso não adiantará, exceto talvez se você se voltar para a causa, para aquele que o opera. Nos dias de hoje, às vezes, quando o trânsito está intenso, você pode ver um policial dirigindo o tráfego. Aí você tem alguém para quem gritar.

Mas se essa causa for desconhecida, você não vê o policial, o semáforo funciona segundo um mecanismo interno e você não reclama. Você não tem a quem recorrer porque a governança é oculta. A Natureza! A partir desse exemplo, fica claro o quanto a compreensão da causa eleva você a um nível diferente em relação à situação.

Se eu sei que é o Criador quem organiza tudo para mim, então me volto imediatamente para Ele. Não olho para o semáforo; olho para o policial. Se vejo tanto o policial quanto o semáforo, olho para aquele que dirige o trânsito, porque a salvação virá dali. Então, todas as leis da natureza perdem sua importância.

É por isso que o Criador não Se revela. Porque se Ele fosse revelado, eu me apegaria a Ele por causa do meu desejo de receber, e nunca conseguiria me libertar do seu controle. Foi isso que aconteceu originalmente com Malchut, o Mundo do Infinito. Para se libertar disso, deve haver uma restrição, um distanciamento, e o desejo de receber deve ser corrigido para um desejo de doar.

Da Lição Diária de Cabalá 25/01/26, Rabash, Artigo 28, “O que é, Sua Orientação é Oculta e Revelada?”

A Singularidade Do Governo Do Criador

232.01O artigo de Baal HaSulam, “Não Há Outro Além Dele”, aborda nossa relação com a força superior, ou seja, com nossas vidas, com o que nos acontece, como podemos compreender esta vida e como podemos formar uma percepção mais correta dela.

Diz-se que não existe outra força além do Criador e que somente Ele governa tudo. Se uma pessoa sente que existem muitas forças diferentes e contraditórias, isso é feito deliberadamente para nos desviar da intenção correta de que existe apenas uma força e, assim, ao contrário, fortalecer nossa orientação exclusivamente para ela.

Precisamente por ser direcionada para o Criador e ser afastada Dele por meio da rejeição de todos os tipos, a pessoa começa a entender que tudo vem do Criador e, dessa forma, se une completamente a Ele.

Isso não se conquista facilmente; leva muitos anos. Afinal, toda a nossa vida é estruturada de forma a revelar a unicidade do Criador. Portanto, devemos lembrar constantemente que “não há outro além Dele”. Este é o principal mandamento para uma pessoa em nosso mundo, onde tudo é organizado unicamente para desviá-la da direção que a conduz a essa única força que a governa.

O benefício dessas rejeições é que a pessoa começa a entender que não pode se conectar ao Criador por si só, não pode se apegar à ideia de que todas as perturbações vêm do Criador e que tudo o que lhe acontece a direciona para o Criador.

No fim, ela se desespera, não sabe o que fazer e, precisamente por meio da “ajuda negativa” do Criador (que a exaure e a sacode de um lado para o outro como se houvesse outras qualidades, forças, problemas ou doenças em uma pessoa, qualquer coisa, exceto o Criador), ela chega a um estado em que, apesar de todas essas ações, ela se eleva acima delas e se apega ao Criador.

Somente superando corretamente todos os obstáculos é que uma pessoa consegue lidar com essas perturbações. No entanto, percebemos que sempre surgem mais obstáculos. Raramente em nossas vidas sentimos que tudo vem do Criador e que somos direcionados a Ele.

Normalmente, esses pensamentos ocupam apenas alguns minutos por dia, e isso se pensarmos neles. Caso contrário, dias, semanas, talvez até anos, ou uma vida inteira, podem se passar nesse estado.

Mas se uma pessoa se esforça constantemente para criar uma comunidade, condições e um ambiente ao seu redor que inevitavelmente a impulsionem em direção ao Criador, ela poderá verdadeiramente alcançá-Lo, não soltá-Lo e suplicar que o Criador a acolha, para que, através de todos os acontecimentos da vida, ela possa ser conduzida em direção ao Criador.

Tudo depende da medida em que a pessoa consegue implorar ao Criador que abra seus olhos e seu coração, para que possa sentir em seu coração e ver claramente que tem uma conexão apenas com o Criador, e que somente o Criador a dirige, direciona e guia.

Em geral, tudo o que nos acontece é realizado por uma única força. Ela não é boa nem má. Acima de tudo, é simplesmente uma força. E quando a pessoa começa a compreender o plano da criação, ela já avalia essa força como positiva.

Torna-se claro para ela que todas as rejeições eram necessárias apenas para que ela não se contentasse com uma pequena conexão com o Criador, mas alcançasse verdadeiramente estados em que nada mais lhe restasse no mundo; ou era a morte ou a adesão ao Criador.

Então, a pessoa desenvolve um apelo muito claro ao Criador e pede a Ele que realmente a ajude e lhe dê a força que a unirá ao Criador para sempre.

Agora ela compreende que todos os obstáculos que lhe pareciam intransponíveis e que ela detestava foram enviados pelo próprio Criador, e que surgiram dentro dela apenas para afastá-la e, ao mesmo tempo, aproximá-la verdadeiramente do Criador. Pois foi precisamente através dos obstáculos que ela foi obrigada a lutar contra eles e, assim, conectar-se cada vez mais com o Criador até a completa adesão.

E o Criador mediu com muita precisão os obstáculos dados a cada pessoa. Conhecendo a natureza humana, Ele enviou obstáculos totalmente corretos e exatos a cada pessoa individualmente, para que, ao se afastar deles, a pessoa se aproximasse novamente do Criador.

Isso foi feito para que a pessoa percebesse que tudo é realizado por uma única força positiva e que não existe outra força no mundo além do Criador. Em outras palavras, não existem forças negativas no mundo.

A força negativa é a própria pessoa, seu egoísmo, e ao seu redor existe apenas o Criador, que direciona somente força positiva para nós. E se avaliarmos isso corretamente, nenhum problema surgirá, e avançaremos unicamente no caminho de nos aproximarmos do Criador.

Na Cabalá, diferentemente de todas as outras filosofias, métodos e ciências, existe um aspecto especial: a pessoa começa a compreender que não possui nenhum livre-arbítrio. Diversos pensamentos surgem em sua mente e desejos em seu coração, e ela não tem controle sobre eles, pois tudo é governado pelo Criador. Ou seja, o Criador está dentro da pessoa e governa sua mente e seu coração, seus pensamentos e seus desejos.

E não podemos fazer nada a respeito. De todos os eventos que acontecem conosco, devemos apenas constatar que existe uma única fonte: uma força superior, única e unificada.

E não importa como ajamos, correta ou incorretamente, devemos compreender que é o Criador quem nos guia por meio de todas as ações. Portanto, não existem crimes nem punições no mundo. Existe apenas uma coisa: tudo foi criado para revelar a unicidade do Criador. Devemos alcançar esse estado.

E todas as nossas preocupações de que “se tudo vem do Criador, o que depende de nós?” são equivocadas. Devemos ter cuidado para não nos preocuparmos conosco mesmos, nos desapegarmos do nosso “eu” e nos sentirmos acima dele. Somente então, ao nos distanciarmos corretamente de nós mesmos, podemos reconhecer a unicidade do governo do Criador.

De uma Lição de Cabalá em Russo 01/12/19