Textos na Categoria 'Trabalho Interno'

Foi-Nos Dada Uma Segunda Chance

Dr. Michael LaitmanVocê provavelmente já ouviu falar que o Ari uma vez disse aos seus alunos: “Se nós subirmos a Jerusalém hoje, seremos capazes de alcançar o fim da correção (Gmar Tikkun). Vamos nos reunir em uma hora e ir até lá, vamos continuar este caminho!”.

Quando os alunos começaram a se reunir depois de uma hora, um deles disse que não poderia ir por uma razão, outro por outra razão, a mulher de outro não o deixaria ir, e outra não poderia ir por causa dos filhos, ou por causa de alguma doença ou outros problemas. Assim, eles não subiram para o estado do Gmar Tikkun.

Nós não entendemos como tais obstáculos poderiam ter impedido os alunos do Ari de alcançar o estado elevado do Gmar Tikkun. Mas nós também não entendemos que obstáculos são dados a uma pessoa pelo Alto para que ela se aproxime da correção.

Nós não somos nem mais fortes nem mais especiais. Na verdade, nós somos a mais fraca de todas as gerações que nos precederam. Mas nós estamos vivendo tempos muito especiais, e estes tempos exigem uma grande correção, que é possível realizá-la! Portanto, mesmo que não sejamos dignos dela, mesmo se não sejamos fortes o suficiente ou realmente não entendamos o que estamos fazendo, a força superior ainda nos conecta e nos empurra para frente.

Portanto, nós não devemos esquecer o que temos que fazer. Nós devemos tentar com toda a nossa força! E o Criador terminará este trabalho para nós.

Da Lição 1, Convenção Arvut no Deserto de Arava 18/11/11

Novos Sabores Na “Cozinha Do Criador”

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como é que nós precisamos nos unir uns com os outros antes da convenção de Dezembro? Como nos preparamos para ela para experimentar tudo da maneira certa?

Resposta: Nós não fazemos nada diferente: nós lemos os mesmos artigos, ouvimos as mesmas coisas, mas ainda assim está escrito: “Tem que ser como novo a seus olhos”. Por que se diz: “como novo?”. Porque você o renova revelando a sua Aviut, seus novos detalhes de percepção, mais e mais.

Nós sabemos que quando nos servem um prato novo, não temos idéia como abordá-lo. Mas, uma vez que o provamos muitas vezes e nos acostumamos com a sensação de “comida de nossa mãe”, que tem sido familiar para nós desde a infância, então podemos apreciar o seu sabor ao máximo.

O mesmo acontece nos Partzufim espirituais. A primeira vez que a Luz entra, não é nada mais do que a Luz de Nefesh. A segunda vez já é a Luz de Ruach que entra nas mesmos Reshimot (genes informativos) antigas, a terceira vez é a Luz de Neshama, e assim por diante.

Em outras palavras, toda vez que o homem avança, ele volta para o que já experimentou e descobre uma maior profundidade, sente mais sabor nisso, como está escrito: “Você vai comer o que foi colocado no depósito para você”. É o mesmo conosco. Cada vez, no mesmo lugar, mas apenas mais e mais profundo, nós temos que estar mais conectados uns com os outros, mais unificados e dirigidos para a verdadeira conexão.

Vamos esperar por isso e elevar nossa oração para que ela se torne a “oração coletiva”, em garantia mútua.

Da 2a parte da Lição Diária de Cabalá 23/11/11, O Zohar

Você Gosta De Ver Os Outros Mais Elevados Do Que Você?

Dr. Michael LaitmanSe eu tenho uma criança pequena que vou mandar para uma pré-escola, porque ficar em casa já não é suficiente para o seu desenvolvimento, eu tento colocá-la em um grupo de crianças um pouco mais velhas, ao invés de mais jovens, para que ela possa aprender com as crianças mais velhas. Em outra palavras, quanto mais elevado o meu ambiente, mais oportunidade eu tenho de avançar com ele. De modo oposto, se eu entrar em uma empresa de pessoas sem cultura, elas vão me transmitir seus valores. Tudo depende do ambiente.

Nós seguimos este princípio quando fazemos escolhas em nossas vidas, visto que “seu ambiente hoje é você amanhã”. Para uma pessoa interessada em crescer, é útil estar entre gente grande. No entanto, ela tem que perceber que chegou lá para crescer. Se ela simplesmente vem e se senta entre as pessoas que não são do seu nível, então quanto maiores elas forem, mais ela fica irritada com isso. Ela quer colocá-los para baixo.

Porém, se ela vem com o propósito de crescer no ambiente de tais pessoas, quanto maiores elas forem, mais feliz ela será. Suas únicas carências são o ódio e o fogo ardendo dentro do sentimento de ser muito menor do que elas. Mas ela está feliz com esses sentimentos, porque eles a instigam e a encorajam a avançar.

Assim, tudo depende da intenção da pessoa, do que ela quer do seu ambiente. A pessoa pode avaliar uma sociedade externa por seus valores e interesses, tais como se eles gostam de música e arte, ou se são pessoas educadas e inteligentes. Existem critérios com os quais a sociedade pode ser testada.

Mas não existem critérios para tais testes num ambiente Cabalístico. As únicas pessoas que se reúnem lá são aquelas cujo ponto no coração despertou e elas simplesmente querem desenvolvê-lo. Todas elas passam por constantes altos e baixos. Ninguém sabe em que grau realmente está, para não falar do grau dos seus amigos.

Tudo depende apenas de como a pessoa percebe o grupo, como o Rabbi Yossi Kisma, que valorizava seus pequenos e simples alunos de tal forma que não era capaz de avançar sem eles.

Assim, é muito importante entender que o grupo, o ambiente, é algo que a pessoa percebe interiormente, avaliando os amigos trazidos a ela pelo Criador, que lhes deu o mesmo desejo pela espiritualidade. Agora, eu posso criar um ambiente para mim de acordo com a altura e os valores que são necessários para meu avanço, de acordo com como e onde eu quero avançar.

Além disso, agora, eu posso me estudar. Na medida em que eu gosto de vê-los como grandes é um sinal de que eu realmente estou querendo avançar. Afinal, é possível avançar apenas por causa do meu ambiente. Meu desejo de vê-los como inferiores a mim significa que eu estou procurando uma maneira de satisfazer meu orgulho, não de avançar.

Através da nossa atitude para com o nosso ambiente nós podemos medir com precisão o nosso estado espiritual. Eu aspiro à meta da criação ou estou procurando uma sensação agradável, enchendo meu egoísmo com um senso de auto-importância?

Da 1a parte da Lição Diária de Cabalá 22/11/11, Escritos do Rabash

Recordações Do Deserto

Dr. Michael LaitmanPergunta: Nós terminamos a convenção em Arava com a obrigação entre os amigos de manter a sensação mútua alcançada na convenção.

Resposta: Eu penso que todo mundo está tentando permanecer no estado que experimentamos em nossa união comum. Todo mundo vai se lembrar pelo menos de vez em quando e talvez até mesmo constantemente. A Luz vai brilhar sobre a pessoa desde Cima, e ela vai se lembrar e despertar. No final, ela receberá um despertar de fora para voltar ao mesmo estado que experimentou na convenção. Ela não vai fazer isso por conta própria, mas isso vai acontecer através do despertar comum, a Luz que virá de Cima, do Criador.

É um estado agradável, e é por isso que vale a pena a pessoa voltar a ele. Naturalmente, ainda é uma aspiração egoísta sentir-se bem neste estado elevado. Mas, isso já vem de certa ação que se origina da unidade e é direcionada para ela.

Pergunta: Como você trabalha com esta obrigação mútua durante a aula?

Resposta: Neste momento, nós só devemos estar cientes de: “Por que estou fazendo isso? Será que é porque eu estava em um estado elevado? Então, naturalmente, eu gostaria de estar nele o tempo todo e ainda mais do que isso. Estou apenas fazendo isso para me sentir bem, com respeito a mim mesmo, porque isso é importante para mim?”.

É verdade que experimentamos uma elevação, um desejo e fenômenos especiais que nunca sentimos antes. Mas, como eu faço para perceber todo este estado? Eu percebo que ele me beneficia, me faz sentir bem, confiante e confortável? Ou eu quero transferi-lo para trilhos mais elevados, desejá-lo por outras razões afora me sentir bem ou me dar prazer?

Eu quero que essa sensação venha da realização do seu valor superior, sem qualquer conexão comigo. Isto porque, quando ela vem da minha conexão egoísta, o que mais me satisfaz tem maior valor para mim. Mas, eu quero apreciar este estado porque essa sensação de doação é uma sensação que vem da força superior, e desta forma eu fico perto do Criador. Neste momento eu não tenho nenhum sentimento por ela, eu não vejo nenhuma importância ou valor, mas eu quero vê-la!

Agora nós começamos a pensar em outro motivo para experimentar o mesmo estado que alcançamos na convenção. Eu quero sentir isso, porque isso me aproxima do Criador, de um grau mais elevado. Não quero sentir muita satisfação dele. Não é que eu o rejeite, mas eu não quero que ele me obrigue. Eu quero que a grandeza e a importância do verdadeiro estado da doação me obriguem.

Desta forma, nós começamos a mudar de grau. Ou seja, eu quero subir do grau em que estou neste momento, em meu desejo atual, onde me sinto bem e, assim, desejo permanecer ali porque não é um deserto, mas algo bonito e agradável, uma terra cheia de vida. No entanto, eu quero experimentar o desejo para o meu ego e me sentir satisfeito no meu desejo de doar, minha aspiração para o grupo, o Criador. Isto é referido como vagar pelo deserto.

Por esta razão, nós devemos agora tentar mudar a base e a causa da maravilhosa sensação de unidade que atingimos nesta convenção, onde não tivemos nenhuma influência externa. Então, nós já começamos a subir em direção a uma atitude diferente, uma atitute mais espiritual para com o grupo, a realização, a nossa sensação interior e o estado anterior.

Nós subimos para um estado diferente onde não somos mais influenciados pelo estado de ânimo ou diferentes fatores. Eu começo a estar mais conectado com a verdadeira importância do estado de doação. Esta é a Luz de Hassadim (misericórdia), já despertada em mim e um grau espiritual está brilhando em mim um pouquinho. Eu procuro me separar do meu ego, do quanto eu sinto nele, seja melhor ou pior, de uma forma ou de outra; eu quero me separar de seus resultados, satisfações, e valores. Eu não quero isso!

Eu quero que essa sensação maravilhosa, forte e boa permaneça. Eu não a negligencio, eu somente quero percebê-la em minha atitude, que em vez de vir de meus desejos para receber, venha dos meus desejos de doar e da minha intenção de dirigir tudo para a união.

Existem muitas sensações internas, cálculos e manifestações nisso. Mas a Luz da correção já está despertando esses estados sobre nós. Então, o homem começa a receber a assim chamada Luz da fé, a força que mantém você acima do seu ego, acima de todos os seus cálculos internos. Depois, nós entramos no verdadeiro trabalho com a força da realização, cálculos e atitude. Este já é o começo da análise.

Da 2a parte da Lição Diária de Cabalá 21/11/11, O Zohar

A Máquina Nas Mãos Do Homem Habilidoso

Dr. Michael LaitmanDepois da nossa correção, a máquina que trabalha somente para receber permanece. Mas ela só pode fazer uma de duas coisas: ela pode parar de receber, parar a si mesma, o que também requer grandes esforços, e a pessoa se torna neutra em relação aos outros, como um homem justo que vive na floresta e não precisa de nada, nem mesmo de uma camisa; ou pode começar a trabalhar dentro de si, para receber a fim de doar.

Isto ainda é receber. Se alguém olhar de fora, vai ver uma pessoa normal que come, bebe, celebra e se preocupa com sua saúde e sua família; não há nada de excepcional nela. A única diferença está nas suas ações internas, em sua intenção. Assim, no nível espiritual ela doa, e quem estiver com ela no mesmo nível espiritual vai sentir que ela realiza ações espirituais. Quem não estiver lá não vai entender nada.

É como o exemplo bem conhecido do anfitrião e do convidado: nós vemos como o convidado engole as delícias, pegando a comida dos pratos, comendo, bebendo, e mostrando a todos o quanto ele aprecia. Quem sabe quais são suas intenções?

No final, tudo que adicionamos ao nosso desejo de desfrutar é a intenção, que queremos receber a força do Criador e anexá-la a nossas ações. As ações em si permanecem as mesmas. Eu posso me restringir por medo, e assim não receber nada e não prejudicar ninguém. Eu também posso agir por uma idéia mais elevada, querendo ser semelhante ao Criador, estar perto Dele.

Eu posso dar aos outros tudo o que eu tenho, receber deles a fim de doar, ou mesmo tomar alguma coisa de certas pessoas a fim de passar a outras pessoas como resultado do meu amor natural, assim como em nosso mundo. Ou eu posso fazer o mesmo por causa da grandeza do Criador.

Não há outra razão na espiritualidade, exceto a grandeza do Criador. Todas as outras razões para doar são corporais, como as aceitas em nosso mundo.

Da 2a parte da Lição Diária de Cabalá 21/11/11, O Zohar

Salgar Para Adoçar

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como nós podemos preservar tudo o que alcançamos na convenção de Arava? Como podemos passar essa força adiante?

Resposta: Em duas semanas nós começaremos a grande convenção, e temos que estar muito ansiosos sobre os seus resultados. Não é apenas outro evento, embora seja grande e impressionante. Estamos orgulhosos de termos a capacidade de organizar tais eventos complexos onde convidados de todo o mundo participam. Isso é maravilhoso, é claro, mas agora nós devemos nos preocupar com algo que é totalmente diferente.

Quando nós fomos ao deserto, nós tínhamos uma preocupação. Queríamos nos conectar e encontrar uma nova força na conexão entre nós: o vaso para a revelação do Criador. Na verdade, nós conseguimos um grande resultado. Cada um de nós, pelo menos, provou o significado de “união”, e cada um de nós tem uma Reshimo, uma impressão do que foi experimentado.

Agora, a questão é como preservar essas impressões. Como é que vamos reforçá-las durante as duas próximas semanas, acima de todas as perturbações?

Tudo é despertado por meio de uma força oposta. Um amigo nosso que tem um pomar de figos em Arava me disse que eles regam as árvores com água salgada. Por que eles usam água salgada, e não água doce?  É porque ela torna o fruto mais doce. É como se ela encorajasse a fruta a superar e amadurecer.

É assim que a lei universal da natureza é revelada: o desenvolvimento é realizado somente por meio de forças opostas. É por isso que damos às crianças diferentes exercícios. Queremos desenvolver determinado atributo numa criança, e por isso lhe damos o exercício correto. Nós “adicionamos sal”: nós a colocamos em alguma situação difícil, de modo que ela vai superar o obstáculo e aprender alguma coisa com ele.

Agora, nas próximas duas semanas, você deve prestar atenção, identificar e superar as perturbações, enquanto mantém as impressões da convenção de Arava, de modo que não será apenas uma centelha, mas a imagem inteira de sua realidade. Cada nova interrupção irá permitir que você suba para outro nível. Cada passo tornará você “mais doce”, e nós vamos “provar” você na convenção.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 21/11/11, “A Arvut (Garantia Mútua)”

Entre O Céu E A Terra

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, “Arvut (Garantia Mútua)”, (versão resumida): O propósito da Criação recai sobre os ombros de toda a raça humana. Mas devido à descida da natureza humana ao seu grau mais inferior, que é o amor próprio que domina sem limitação toda a humanidade, não havia outra maneira de negociar com eles e persuadi-los em concordar em tomar para si, a fim de sair do seu mundo estreito para os espaços amplos do amor pelos outros.

A exceção foi a nação de Israel, porque eles foram escravizados no reino selvagem do Egito. Por causa destes dois prólogos, eles foram qualificados para isso, como está escrito: “e lá Israel acampou diante da montanha”, como “um homem em um só coração”. Isto porque cada pessoa da nação se separou completamente do amor próprio, e quis somente beneficiar seu amigo, pois só assim eles estariam qualificados para receber a Luz que Corrige.

A correção do mundo é feita de forma gradual. Ela não pode ocorrer numa única pessoa, mas deve ser dividida entre muitas almas. Ela não pode ser realizada de uma só vez, numa geração, mas sim numa seqüência de gerações. A correção não pode ocorrer se todos forem iguais. Pelo contrário, deve haver diferentes tipos de pessoas. Todas estas condições foram destinadas a facilitar o caminho.

A correção é sempre feita por duas forças: A força do sofrimento que empurra por trás e a força da Luz que nos puxa pela frente. Não faz nenhuma diferença que tipo de pessoas está envolvido. Assim, nós podemos entender porque as almas não são iguais. Algumas começam a correção primeiro – elas são chamadas de Israel, ou seja, aquelas que aspiram “direto ao Criador” (Yashar-El). Elas se corrigem antes que todas as almas participem do processo.

Pessoas que pertencem à categoria de Israel sentem o mal do seu egoísmo crescente, que é chamado de “escravidão do Egito”. Elas desejam adquirir o mundo espiritual, mas encontram resistência: elas são jogadas para trás, e pesos são presos aos seus pés, o que as impede de subir. Isso é chamado de Israel, que sente muitas interrupções no seu caminho espiritual.

Assim, elas recebem uma centelha ardente do desejo espiritual. Finalmente, elas se encontram entre duas forças opostas que puxam para frente e para trás, praticamente partindo-as em duas. Num lado, elas sentem uma atração para o alto e, no outro lado, o exílio Egípcio.

Este contraste é acompanhado de condições difíceis em um processo histórico difícil, em relações hostis por parte do mundo, etc. No entanto, tudo isso nos ajuda a cumprir a correção mais rapidamente do que outros e, em seguida, ajudá-los. Se não fosse pela meta final, para executar as ações do Criador em nosso mundo, a pessoa só poderia ter pena de nós. Nós só podemos justificar dessa maneira se entendermos a missão que nos foi dada.

Existem forças que nos empurram para frente, e há outras forças que não nos deixam avançar. Nós experimentamos um desenvolvimento muito desagradável, “entre o martelo e a bigorna”, mas devemos entender que estamos na verdade no centro das correções, e tudo depende de nós. A humanidade já precisa de nós.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 21/11/11, “A Arvut (Garantia Mútua)”

O Mundo Superior É Simples!

Dr. Michael LaitmanNão há “mundo superior”; o mundo superior é a conexão entre nós. Se nós sentirmos essa união, nós sentiremos o mundo superior dentro dela. Ele não existe em algum lugar fora de nós. O mundo espiritual não existe por si mesmo. Nós mesmos o criamos e formamos.

Existe a Luz superior simples, e há um ponto situado no meio da Luz. Ele é dividido em muitas partes. Se nos unirmos neste momento num todo e conectarmos todas as suas partes juntas, ele se torna semelhante à Luz. De acordo com a lei de equivalência de forma, ele se transforma num grande vaso (Kli) para a Luz.

Acontece que este ponto negro dentro da Luz do Infinito se transforma num enorme vaso, que inclui toda a Luz. Sem conectar suas partes não há vaso, não há nada, exceto o ponto negro. A “existência a partir da existência” é a Luz, enquanto que a “existência a partir da ausência” é o pequeno desejo, que ainda não é sentido, não existe como criatura.

Da Lição 1, Convenção Arvut no Deserto de Arava 18/11/11

Tudo Se Resume Aos Sentimentos

Dr. Michael LaitmanBasicamente, nós não temos mais nada a aprender, exceto o conceito de Arvut (garantia mútua). Nossa vida inteira e tudo o que nos ajudaria no caminho para a outra vida, para outra existência, é alcançado dentro do vaso chamado “Arvut“.

O Criador nos criou com o desejo de receber egoísta . Este desejo sente a si mesmo. Portanto, nós somos, em resumo, vasos de sensações.

Antes da minha chegada ao Rabash, eu tinha estudado as fontes Cabalísticas por alguns anos. Eu empreguei os métodos racionais regulares e tentei compreender o material através do intelecto, como é costume em outras ciências. Afinal, a sabedoria da Cabalá é uma ciência. Mas o Rabash me disse que na Cabalá é tudo uma questão de sentimentos.

Para mim, “emoções” eram algo sem importância: hoje eu me sinto assim e amanhã eu me sinto diferente. Eu posso beber um copo de vinho e a vida será mais alegre, e eu posso escutar algo triste e ficar triste comigo mesmo. As emoções são algo irreal; elas mudam, dependem do ambiente, dos rumores e de muitos outros fatores.

Eu continuei estudando com o Rabash e mantive a abordagem científica: eu usei o meu intelecto, mas eu usei-o sobre as emoções. A sabedoria da Cabalá pesquisa a Luz, a bondade e o prazer, a paz e o movimento, a superação, a aproximação ou o afastamento… Tudo isso nos diz o que está acontecendo dentro do desejo. Embora o nosso trabalho seja calibrado de acordo com vários parâmetros, é apenas para captar e sentir alguma coisa dentro do desejo. Todo o nosso desenvolvimento tem uma natureza emocional e é determinado apenas de acordo com a medida que penetramos dentro das nossas sensações.

É claro, os sentimentos são acompanhados pela razão, porque nós precisamos nos desenvolver intelectualmente, de forma consciente. Quando sentimos algo, nós precisamos saber como medir esse sentimento, estar conscientes do tipo de sensação: será que nós a percebemos como externa ou interna, é imaginária, como é possível examiná-la e como nós vamos de valores e padrões atuais para outros, os valores mais reais?

Eu preciso comparar objetivamente um com o outro, fora dos meus atuais sentimentos subjetivos e da minha compreensão, que é chamado de “acima da razão”. Eu começo a compreender que a “razão ”é um vaso para a emoção, preenchido com a Luz de Hassadim (misericórdia) e a Luz de Hochma (sabedoria). Quando a Luz de Hochma enche meus vasos, minhas emoções, ela me dá os fatos, e a Luz da fé me permite ampliar esta “matéria factual” em mim. Mas, de uma forma ou de outra, elas são percebidas dentro da sensação.
Se a pessoa penetra um pouco mais fundo dentro da essência da sua percepção de seu mundo, ela entende que tudo depende apenas do sentimento. Nós somos sistemas analógicos, não digitais.

Quando eu servi no exército, eu descobri, para minha surpresa, que nos jatos F15, os painéis de instrumento estão cheios de mostradores, apesar de que para o equipamento em terra um painel de controle digital era usado. Os especialistas entendem que o homem é um sistema analógico. Ele pode rapidamente identificar situações, mas não dígitos. Quando ele rapidamente olha para o “painel de controle”, ele imediatamente se agarra a sua imagem geral. Quando se trata de valor numérico, ele tem que traduzi-los dentro de si em alguma sensação, enquanto o mostrador na escala automaticamente infunde nele este sentimento.

Assim, nós somos criaturas sensitivas, e todas as nossas vidas são construídas sobre o sentimento. Mesmo que nós meçamos nossa vida de acordo com o dinheiro, poder ou controle, no final, tudo isso é só para chegar a uma conclusão correta: nós precisamos desenvolver nossos vasos reais, vasos de sensações.

Os políticos, burocratas ou tecnocratas que usam a abordagem científica, racional, “digital”, nos parecem bastante respeitáveis. É como se ele não fosse digno deles desenvolverem sentimentos. No entanto, os tecnocratas são muito limitados. Eles ainda não passaram dos seus cálculos pessoais simples, como “dois multiplicado por dois”, para a essência dos cálculos. Ao experimentar outras pequenas crises, eles entenderão o que perderam. Esta é a maneira como as crianças crescem. Mas, em geral, é desejável que o intelecto e os sentimentos se desenvolvam reciprocamente na pessoa, em harmonia.

Da Lição Diária de Cabalá 20/11/11, “A Arvut (Garantia Mútua)”

Da Oposição À Perfeição

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam “Matan Torah (A Entrega da Torá)” (versão resumida): Porque é que o Criador não criou uma pessoa com toda a perfeição necessária para obter adesão com Ele? A razão para isto é que nós precisamos adquirir uma ascensão através da aplicação do nosso próprio esforço.

O Criador concedeu-nos a oportunidade de adquirir a grandeza por nós próprios. Nós aplicamos o nosso próprio esforço para chegar a Ele sem vergonha.

Por que é que Ele criou a vergonha e colocou sobre nós o fardo de ter de aplicar o nosso próprio esforço? Por que é que Ele se ocultou de nós? Tudo isto foi feito de forma a dar-nos a oportunidade de percebermos o sistema geral. E a única forma de perceber é ir de um estado não corrigido para um estado corrigido. A pessoa poderá perceber a perfeição se ela tiver visto o oposto dela. É por isso que o Criador nos separou e assim deu-nos a oportunidade de nos corrigir a nós próprios e recriar o sistema perfeito. Fazendo isto compreenderemos tudo na Natureza, que é o Criador.

Não há outra escolha. Esta é a única forma de podermos conhecer a criação em toda a sua profundidade. Todas as acções e estados que atravessamos ao longo deste caminho são necessários porque graças a eles, e à correcção que resulta deles, incluímos em nós próprios os vasos e as Luzes, tornando-nos assim perfeitos como o Criador. Não há outra forma de atingir este estado.

Ainda assim, porque é que não fomos logo criados perfeitos? Afinal de contas, não é o Criador onipotente? Aqui devemos perceber que criar algo no Seu nível, no mesmo estado que Ele, não seria considerado onipotência. Isto seria como se Ele não criasse nada. Se Ele está realmente a criar algo, então essa criação tem de ser oposta a Ele. Então somos deixados sem alternativa excepto adquirir a equivalência com Ele a partir da nossa oposição.

A “criatura” é alguém que possui qualidades que são opostas às do Criador e, contudo, está em adesão com Ele devido à sua correcção. É por isso que a criatura deve passar por todos os estados ao longo do caminho desta forma, revelando a profundidade total do abismo estabelecido entre ela e o Criador. Afinal de contas, ao fazer isto ela se eleva ao Seu nível.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá, 17/11/2011, “Matan Torah (A Entrega da Torá)”