Textos na Categoria 'Trabalho Interno'

Amigos Inseparáveis Com Dentes Muito Afiados

Dr. Michael LaitmanPergunta: Quais os desejos que devemos revelar quando nos conectamos? Por que eu preciso ver os desejos de receber (AHP) se não sou capaz de usá-los?

Resposta: Cada um de nós é como uma engrenagem, um roda dentada. Meus desejos de doar (Galgalta ve Eynaim) estão dentro da roda, e os dentes do lado de fora são meus desejos de receber (AHP). Eu me conecto com os outros através desses desejos de receber.

Eu só desejo doar (Hafetz Hesed) dentro do meu Galgalta ve Eynaim. Em outras palavras, eu não preciso de nada, e não há nada que eu possa fazer com ele.

Galgalta ve Eynaim é a condição da minha presença no sistema sem causar nenhum dano. Eu possuo esse poder de resistência contra meu desejo egoísta.

Galgalta ve Eynaim não são apenas pequenos desejos de pouca força (Aviut 0, 1. 2). Eles representam o fato de que eu posso suprir todos os meus 620 desejos com uma intenção em prol da doação, como Bina. Eu não trabalho com esses desejos, e não quero usá-los para o meu próprio benefício.

Quando eu faço um cálculo para todo meu vaso (desejo), sem querer receber para meu próprio benefício, eu coloco uma tela (Masach) na minha frente. Isso se refere a estar dentro dos desejos de doar: Galgalta ve Eynaim.

Esta não é uma restrição. Isso porque eu simplesmente me recuso a receber durante a restrição. Aqui, eu sinto meus 620 desejos, e digo: “não” em resposta a cada desejo, porque eu prefiro me unir com o superior. A conexão com o grupo, através da qual eu alcançarei o Criador, é mais importante para mim. No entanto, eu sinto todos esses desejos, e isso significa estar dentro de Galgalta ve Eynaim.

Se eu também posso trabalhar com esses desejos e me conectar ao superior ainda mais fortemente, para empregar esses desejos para receber o AHP (os dentes), e usá-los para me agarrar e conectar com alguém, em vez de simplesmente ficar no caminho de alguém, isso significa que eu trabalho com os Kelim de recepção, AHP.

Da Lição de 23/12/11, “Estudo das Dez Sefirot

O Malabarismo Dos “Anjos” E “Demônios”

Baal HaSulam, “A Liberdade”: “Embora nossa força não seja suficiente para enfrentar o primeiro fator(a “fonte”), nós ainda temos a capacidade e o livre arbítrio para nos proteger contra os outros três fatores, pelos quais a fonte muda suas partes individuais, e algumas vezes sua parte geral, bem como, através do hábito, que confere a ela uma segunda natureza”.

Eu sinto diferentes influências e embora eu não possa resistir a elas, eu posso “brincar” com suas “combinações”, “fazer malabarismo” com elas e tomar uma decisão. Mas, que decisão exatamente?

Embora as minhas ações sejam artificiais, existem diferentes fatores que podem evocá-las. Se houvesse apenas um fator, eu conseguiria fazer nada. Quando há dois fatores, eu já posso dirigir a relação entre eles e influenciar o equilíbrio do poder. Assim, eu posso influenciar o meu destino e as mudanças em mim; agora, existe o meu “eu” que toma decisões.

Aqui há um grande problema filosófico que obrigou as pessoas a dividir a realidade em bem e mal. Uma força é inconcebível, inatingível. Somente a idéia de múltiplas forças, em certa medida, permite que as pessoas ajam e façam “malabarismos” com elas. Mesmo que as pessoas reconheçam a existência de uma força superior, elas ainda têm a necessidade de acreditar em diferentes “anjos” e “demônios”, que separadamente as governam.

Nós vemos que no trabalho espiritual este problema é resolvido de uma forma totalmente diferente. A pessoa está sob diferentes tipos de influências vindas do Criador e pode preferir uma em detrimento da outra. Ainda não está claro como isso acontece, mas vemos que a solução para a nossa participação independente no processo está aqui.

Pergunta: Acontece que eu estou tentando jogar com as razões (causas), embora eu realmente não tenha controle sobre elas, porque eu mesmo sou um resultado.

Resposta: Eu posso mudar certa influência em mim e, por isso, há outro fator. Eu adiciono o meu fator às leis da natureza e quero saber o que eu evoco com isso. Assim, eu posso realmente decidir algo e aprender novos fenômenos. Isso pode ser feito pela investigação científica e pela investigação espiritual; com a ajuda do meu fator eu começo a estudar a força superior.

A fim de fazer isso eu tenho que ser feito de duas forças, e eu as tenho: por um lado, o ego, que é uma grande ajuda, e por outro lado, o grupo, no qual o Criador (a Luz superior) está oculto. Entre eles, na resistência entre eles, nasce o meu “eu”. Assim, eu descubro o Criador conforme eu consigo conectar essas duas forças dentro de mim. Eu não posso descobri-Lo com apenas uma delas. Nós precisamos da combinação das duas.

A questão é que o termo “um” é revelado acima da matéria e acima da Luz. A Luz é a medida de doação; a matéria é a medida de recepção, e o Criador acima delas é a consciência, o pensamento da criação, e não a duplicidade das forças do bem e do mal, luz e escuridão, doação e recepção. Isso ainda não é doação, mas o desejo de doar que a precede.

Neste desejo essas são partes que se desprendem da verdadeira doação. Eu quero alcançá-las, saber quem é o Criador, não em relação a mim, mas quem Ele realmente é. Na Cabalá isto é chamado de “Atzmuto”, a essência do Criador, à qual não temos acesso hoje, embora nós também queiramos alcançá-la. É para isso que nossa curiosidade é atraída.

Então, eu tenho que criar todas as condições, como num laboratório projetado para estudo de campo. Tudo deriva do Criador, mas sua doação me rodeia por todos os lados. Eu procuro o meu lugar, a oportunidade de descobrir o Criador através desse experimento. Na verdade, nós sempre nos comportamos assim quando estudamos algo novo. Só temos que organizar tudo em seu lugar, entender com o que estamos lidando e como alcançamos o resultado.

Em geral, por trás de cada experiência nós descobrimos uma atitude, uma fórmula e a conexão entre diferentes fenômenos. Além disso, nós descobrimos a lógica por trás deles. Estes não são apenas fatos áridos que nos deixam no mesmo nível em que nós os descobrimos. Não, nós sempre procuramos pela razão: por que eles estão conectados assim? O que os obriga a ser assim? Qual é a razão? Por trás de cada fenômeno que eu vejo na matéria, eu quero ver o que o causou, a parte superior do Partzuf. Eu quero saber a razão para os dados que recebi; esta razão é o resultado real do experimento.

Então, no meu trabalho espiritual eu desenvolvo uma espécie de “laboratório” da atitude em relação à realidade. O “laboratório” neste caso sou eu e a abordagem permanece totalmente científica.

O Amor Conquista Tudo

Dr. Michael LaitmanPergunta: Durante a dinâmica de grupo e a interação das pessoas, apesar de uma atmosfera singular, várias formas de tensão emocional também surgem: o ódio e muitos  outros conflitos…

Resposta: Eu acho que tudo isso será revelado cada vez mais, visto que para alcançarmos a concordância e o equilíbrio com a natureza e entre nós, vamos precisar de um egoísmo continuamente maior, na medida em que vamos penetrar em camadas mais profundas da nossa interconexão com a natureza. Ao nos elevarmos acima dele, unindo-nos acima de uma resistência tão grande, nós poderemos alcançar uma pressão maior, uma maior emissão de energia e uma maior revelação das partes internas da natureza.

Em nossa interação mútua, o egoísmo desempenha o papel de um resistor, uma resistência elétrica que fica entre nós. E quanto maior essa resistência, mais energia é produzida ali.

Portanto, a revelação do egoísmo deve tornar-se cada vez maior, e a oposição deve se tornar maior e mais viva. Conforme ascendemos sobre o egoismo, nós penetramos  profundidades maiores da natureza. Este é o nosso instrumento, com a ajuda do qual vamos sentir a natureza subjacente devido ao surgimento de um ódio continuamente maior, uma incongruência, mal-entendidos entre nós, que nos separam em todos os níveis e em cada ocasião.

Se nos unirmos apesar de tudo, a nossa união acima da resistencia se transformará no próprio intrumento que nos colocará em harmonia com a natureza. Isto é, a nossa harmonia vai ser construída em nossa conexão integral com a natureza, enquanto que a profundidade da nossa união com ela, a nossa penetração dentro dela, vai depender da força da resistência que superarmos entre nós.

Da “Palestra sobre Educação Integral” 12/12/11

Não Há Paradas Pelo Caminho

Dr. Michael LaitmanPergunta: Qual é a “parada no caminho” que Chanukah simboliza?

Resposta: No mundo espiritual não há “paradas”, como nós conhecemos. Não significa que você está livre do trabalho espiritual e pode ir para casa. O significado de “uma parada” é que adquirimos o atributo de Bina e agora temos que fazer uma mudança. Nós elevamos Malchut a Bina e aqui surge Chanukah.

Agora nós começamos a fazer uma mudança, rebaixar Bina a Malchut, para trabalharmos com os vasos de rcepção (AHP). Assim, nós trabalhamos com um crescente desejo de receber, até descermos ao seu nível mais profundo. A subida de Malchut a Bina é chamada de “a guerra dos Macabeus”, “doar a fim de doar”, e a descida de Bina a Malchut já é Purim, “receber a fim de doar”.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 26/12/11, Escritos do Rabash

Medo De Altura

Dr. Michael LaitmanPergunta: Quando você quer se conectar com os outros, mas têm medo de se perder, como é possível superar o medo?

Resposta: É realmente assim. Baal HaSulam escreveu que o homem tem medo visto que parece que ele desaparece deste mundo e deixa sua família e seus amigos. Esta é a dificuldade no trabalho do Criador.

É exatamente este o sentimento que devemos experimentar, e nós temos que receber com alegria o ponto de desprendimento da preocupação conosco mesmos. É especialmente a partir desses pontos que construímos nossa identidade. A identidade de cada um é composta daqueles mesmos pontos de desprendimento. Este é um exemplo fisiológico da devoção total.

Da 1a parte da Lição Diária de Cabalá 02/01/12, Escritos do Rabash

Sinais Do Trabalho Do Criador Em Mim

Dr. Michael LaitmanPergunta: Quais são os sinais da obra do Criador em mim?

Resposta: É uma sensação de pressão, como se você fosse um pedaço de massa ou argila e um escultor estivesse trabalhando com ele, colocando constantemente pressão sobre ele em todas as direções. Como resultado disto, você sente que precisa agir, pensar e querer de uma forma diferente do que você faz agora. Ele está trabalhando em você como se fosse verdadeiramente com Suas mãos, e você sente a pressão sobre seus pensamentos, desejos, modos de pensar e atitudes.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 02/01/12, Escritos do Rabash

Quantas Horas Você Gasta Trabalhando Para Sua Alma?

Dr. Michael LaitmanPergunta: O que mais eu posso fazer se sinto que sou incapaz de pedir a correção ou inspirar meus amigos?

Resposta: Todas as manhãs, você acorda para ir trabalhar para sustentar a sua vida. Você não pergunta se quer ir ou não, porque você entende que sem trabalhar você não pode sobreviver.

Por que você questiona o trabalho espiritual ou pensa que pode passar sem ele?

O estado onde você acha que pode viver sem trabalhar para a espiritualidade, e sente preguiça em realizar qualquer esforço, pensando que avançará de qualquer maneira, é dado a você de propósito, porque é aí que reside o seu livre arbítrio.

Na sua vida corporal, você não pode ser preguiçoso, porque ninguém lhe dará pão de graça. Você é forçado a ganhar a vida e se esforçar. Você não acha que o mesmo princípio se aplica à sua vida espiritual?

Você trabalha oito horas por dia a fim de sustentar o seu corpo físico, mas quantas horas você gasta para trabalhar para a sua alma, a fim de satisfazê-la e abastecê-la com o alimento espiritual?

Se você não fizer isso, você permanecerá no nível do seu corpo físico. Se você não sabe o que fazer, é dito: “Faça tudo o que está em seu poder!”.

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabalá 1/1/12, “Estudo das Dez Sefirot

A Ciência Sobre Si Mesmo

Dr. Michael LaitmanPergunta: Ao que devo me agarrar durante a leitura do Livro do Zohar, ao grupo, ao Criador ou ao Rabi Shimon?

Resposta: Não há Rabi Shimon, Criador, grupo ou Luz, nada. Há uma impressão interior de uma pessoa que está dividida em tais termos.

Eu não sei o que existe fora de mim. Eu só sei que existe algo chamado “Eu” e eu não sei o que é. Esse “eu” está impressionado com alguma coisa. Eu também não sei o que o impressiona.

Assim, eu estou em certo estado chamado “minha realidade”. Agora, eu preciso investigar essa realidade: quem sou eu e o que eu sinto? A ciência da Cabalá fala sobre isso: como revelar este estado.

Nós começamos a partir daqui. Isso é chamado de “compreender o significado da vida”. Não estamos falando de nossa vida na terra por várias décadas, mas sobre atingir a própria essência da realidade na qual eu e o que eu sinto são, a saber, esta presença em minha primeira realização: “Eu” e “sinto”.

Toda a ciência da Cabalá é destinada à pessoa revelar a verdadeira realidade – o que acontece a você quando você tem uma noção do que ela é, o que este mundo imaginário que você vê apresenta e, em geral, toda a realidade, a vida e a morte, impressões boas e ruins.

Por que eles surgem? Para que você comece a formar a si mesmo: quem você é, o que você sente, como, e assim por diante, até você começar a descobrir o ponto de estabilidade, a partir do qual você será capaz de ver e começar a organizar toda a realidade. Isto é o que significa a ciência da Cabalá.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 02/01/12, O Zohar

Encalhar Ou Render-se Ao Fluxo?

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, “A Essência da Religião e Seu Propósito”: Neste artigo eu gostaria de resolver três questões:

A. Qual é a essência da religião?

B. É a sua essência alcançada neste mundo ou no outro mundo?

C. É o seu propósito beneficiar o Criador ou a criatura?”

Evidentemente, estas três questões cobrem o imenso tema da religião. Então, o que é religião?

Uma pessoa que vive neste mundo tem estas três perguntas sobre sua vida. Ela quer saber: “Quem sou eu? De onde eu venho? Quem me governa? Como é que eu existo? Para onde vou?”.

Os animais não estão preocupados com isso. Eles nascem naturalmente, vivem sob a regra de seus instintos, e morrem sem se fazer todas as perguntas. As perguntas despertam apenas na raça humana, e não em todos. Noventa por cento das pessoas não pensam sobre tudo isso. Elas aceitam o nascimento, a vida e a morte como dadas. O que acontece é óbvio e claro para elas.

No entanto, e se a pessoa pensa em algo maior, sobre a razão? Esta razão vem do Criador.

Como sabemos, cada etapa é dividida em quatro níveis de Aviut, isto é, a profundidade ou a aspereza do desejo. Se uma pessoa já alcançou um nível mais profundo, mais corrupto, ela tem mais perguntas. Ela experimenta vários medos, quer ganhar dinheiro, busca a verdade e se aprofunda. Assim, as pessoas tornam-se cientistas e filósofos, e, em geral, desenvolvem uma atitude particular em relação à vida.

Na última etapa desta escada, a pessoa começa a se relacionar com o que está acontecendo objetivamente, independentemente de si mesma. Não é apenas uma abordagem científica; ela quer descobrir o segredo da vida, apesar de grande interesse pessoal, mantendo-se o máximo possível independente em seu juízo.

Um cientista tradicional obtém dados, ignorando a si mesmo, sem revelar sua própria relação com o assunto. Ele estuda apenas a natureza material, na qual não há respostas às perguntas sobre o significado. É por isso que cientistas e filósofos não conseguem descobrir a dimensão que está acima desta vida, desdobrando-se nos cinco órgãos dos sentidos corporais.

No entanto, se uma pessoa percebe que ela deve revelar a essência da vida acima de sua natureza, para além de si mesma, ela deve se desligar desta vida, superá-la, e tornar-se um verdadeiro cientista. Ela não pode ficar prisioneira de sua própria natureza, que lhe dita a sua visão do mundo e comportamento.

Assim, na busca do sentido da vida, nós devemos chegar a um nível tal onde somos realmente independentes da nossa natureza, que é a coisa mais objetiva e completamente separada de tudo o que existe dentro de nós. Como pode ser isso? Este é um grande problema, e a sabedoria da Cabalá lida com isso acima de tudo.

Nosso progresso na vida é dividido em dois estágios. No primeiro estágio, nós temos que subir para o nível da independência, armados com todas as facilidades, ferramentas e detalhes de percepção necessários para ocupar a “terra de ninguém”, onde não devemos nada a ninguém: nem a este mundo, nem ao mundo futuro, nem ao egoísmo, nem à doação, nem a inclinação ao bem, nem a inclinação ao mal, nem ao Criador, ou à criatura. Nós devemos estar no meio, no lugar chamado Klipat Noga ou o terço médio de Tifferet.

Nós não entendemos como isso pode ser. Afinal, não há nada exceto o Criador e a criatura, nada, exceto a Luz e o Vaso. E já que estamos falando de nós mesmos, da criatura, então, por definição, nós estamos no vaso do desejo criado. Como podemos ser levados a um estado onde não dependemos nem de nós, nem da Luz? Como podemos caminhar no fio da navalha? Quem realmente toma decisões nesta situação, e de que lado nós podemos escolher se somos neutros?

Aqui, temos que entender que fazer uma análise imparcial da nossa vida só é possível se nos elevamos acima de nós mesmos, das nossas próprias propriedades. Assim, pairando no ar, nos tornamos independentes de nós mesmos em primeiro lugar. Então nós, possivelmente, vamos achar que estamos sob a autoridade do Criador e teremos de nos livrar disso também. Como poderia ser de outra forma?

Assim, para responder á pergunta sobre a essência da religião, é necessário entender a origem da minha vida, o que me controla, e para onde vou. Afinal, eu sou levado pelo fluxo, mas esse conhecimento pode me ajudar? Eu poderia mudar o meu destino para melhor?Revelando o sentido da vida, eu poderia melhorá-lo, ou ao contrário, é a minha ignorância uma bem-aventurança?

No final, o que será, será. Assim, a pergunta sobre a essência da religião é muito complexa, e ao abordá-la, temos que resolver algumas tarefas preliminares.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 24/11/11, “A Essência da Religião e Seu Propósito “

O Violino Vai Tocar Quando O Vento Soprar

Dr. Michael LaitmanAntes de começar a ler ou ouvir o texto que carrega a informação espiritual, é preciso primeiro harmonizar-se ao lugar onde a espiritualidade é revelada. Está escrito: “Do amor às criaturas (ou seja, do amor pelos amigos) a pessoa chega ao amor pelo Criador”. Portanto, desde o início, nós devemos imaginar o grupo, a conexão correta entre nós, dentro da qual aguardamos a revelação.

Toda ciência da Cabalá dedica-se à revelação do Criador às criaturas. E o sucesso depende de como eu imagino corretamente o lugar desta revelação, ou seja, suas condições: a aspiração a ela, a avaliação elevada, a gratidão e, ao mesmo tempo, o sofrimento. Impressões boas e ruins, ou seja, uma grande inspiração e um grande desespero. Tudo isso junto.

Porém, no final, eu me concentro numa realidade na qual espero a revelação do Criador: a qualidade de doação, que governa o universo inteiro a partir da ocultação. “Não há outro além Dele” – a força de amor e doação.

Uma vez que eu me sintonizo dessa forma, a fim de me apegar a esta qualidade, tanto quanto eu posso imaginá-la com todo meu coração e alma, no meu coração e mente, visando todos os meus pensamentos, desejos e forças para ela, então eu posso ler o texto. Ele poderia estar falando em termos técnicos, tais como o Talmud Eser Sefirot, ou ser uma lenda, isso não importa. Por trás de tudo isso, eu tento ver como ele descreve as relações entre eu e a força superior de doação, ou seja, o quanto eu correspondo a ela.

É sobre issoo que o livro ou a voz do leitor me dizem. Não importa qual a forma em que eu recebo informações sobre a revelação do Criador, eu vou estar pronto para percebê-la.

Quando olhamos para nossa vida, também devemos tentar ver como revelar a atitude do Criador, que “se veste” no mundo. Antes de tudo, obviamente, no grupo. Ele desperta todos nós juntos, “dia e noite” (ou seja, em estados diferentes – subidas e descidas), de modo que finalmente nós O revelemos na conexão entre nós.

Todos nós juntos somos como um instrumento musical que deve ser ajustado bem e corretamente, estabelecendo as qualidades adequadas, as conexões mútuas, a harmonia entre nós, de modo que o instrumento seja tocado corretamente. Quando esse vento sopra, que tocou o violino de David, então, como esse violino, vamos tocar juntos.

Em geral, a pessoa deve tentar ver a expressão da força superior em todos os eventos de sua vida, mesmo que ela não entende porque e como as coisas acontecem. Por um lado, na vida normal, devemos tentar agir como normais e ser o mesmo que todos. Mas, ao mesmo tempo, internamente, devemos nos relacionar com tudo como se fosse a revelação do Criador para nós.

Por enquanto isso é como um jogo: não é real, porque você ainda não sabe exatamente como decifrar a imagem que aparece para você, mas ainda assim, você tem que procurar.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 03/01/12, Escritos do Rabash