Textos na Categoria 'Trabalho Interno'

Uma Oração Sobre Um Nascimento Bem-Sucedido

Dr. Michael LaitmanNós precisamos de certos meios, a fim de ir de um estado para outro. A transição da recepção para a doação ocorre como resultado de uma virada, na qual Malchut do superior torna-se Keter do inferior. Por esta razão, a pessoa deve sempre ver a melhor forma de utilizar essa transição.

O mais importante é a transição. Os estados já estão pré-determinados, mas o nosso trabalho consiste em acelerar a transição de um estado para outro, tanto quanto possível.

Todos os estados são determinados por uma ligação dos genes informativos chamados Reshimot, e todos os graus já estão estabelecidos no processo de descida dos mundos de Cima para baixo. A chave é acelerar a transição de um estado para outro. A antecipação ocorre quando nos conectamos com os meios que ajudam nessa transição. Todo o nosso trabalho está focado nesse intervalo.

A pessoa sente um lapso: ela ainda pertence ao nível inferior, mas, às vezes, é capaz de ascender ao nível superior, e, em seguida, desce novamente ao inferior. Ela flutua para frente e para trás, como que apoiada numa vara que se transforma em serpente e, depois, volta a ser vara novamente. A pessoa tem que saber como pegar a serpente pela cabeça ou pelo rabo, e que ações realizar com suas “mãos” (no desejo de receber), a fim de revelar sua intenção egoísta e corrigi-la, ou seja, esclarecer se sua intenção é para si mesma ou para a doação.

Nós temos que entender também que estamos ligados por condições externas. Se nós estamos num estado de transição, estamos sujeitos a certo perigo, como durante o parto. Enquanto o feto está no útero, ele está seguro, porque sua mãe o protege. Depois que a criança nasce, ela também está segura, porque sua mãe vai cuidar dela. No entanto, a transição de um estado para outro, como o nascimento em si, é bastante perigoso. Isto é devido ao fato de que muitas forças estão envolvidas, e a combinação adequada destas forças nos permite nascer, ou transitar de um estado para outro.

A dificuldade reside no fato de que enquanto a pessoa se encontra num estado de transição, ela é controlada pelas perturbações externas e pode cair sob a sua influência. Portanto, ela deve sempre se proteger delas. Se a pessoa está cercada de pessoas que não estão envolvidas no trabalho interno e não estão interessadas em outra coisa senão futebol, elas não apresentam qualquer perigo. No entanto, se elas estão envolvidas em algo que se assemelha a seu trabalho espiritual e desejam atraí-la para o lado delas, elas podem influenciá-la, especialmente se são maioria.

Isto é particularmente perigoso durante a transição de um estado estável e plenamente realizado para o próximo estado, que pertence a uma doação maior, dar-se à sociedade, e se conectar com os amigos. Entre estes dois estados a pessoa está em perigo, e precisa da realização da grandeza do Criador, da importância do estudo, do professor, dos amigos e do grupo. Então, todos esses fatores que contribuem para o seu nascimento irão guiá-la corretamente para que ela possa penetrar no caminho estreito entre os níveis e nascer.

Da 1a parte da Lição Diária de Cabalá 17/04/12, Escritos do Baal HaSulam

Amanhã Começa Hoje

Dr. Michael LaitmanTempo, espaço e movimento não existem. Somos nós que, em nossa consciência, chamamos nossa percepção em alguns parâmetros de anos ou tempo, enquanto em outros, de movimento e espaço. De acordo com isso, vemos certa imagem.

No entanto, não existem bilhões de anos fora de nós. Se você perguntar se havia um “ontem”, é necessário descobrir o que “ontem” ou mil anos atrás significam. O que significa “foi”? É agora que eu sinto esses estados e os chamo de “ontem”, “anteontem”, ou “amanhã”. Mas, se separarmos disso esse ponto do “eu, o observador”, não restará nada.

Nós nos preocupamos apenas com a forma de sair desta ilusão. Nós estamos totalmente confusos e não há necessidade de discutir o que está acontecendo. Nós só precisamos pesquisar como superar este sentimento e entendimento material, e assim vamos sentir e compreender a verdade e seremos capazes de julgar o nosso estado. Mas, enquanto ainda estamos dentro dele, não seremos capazes de julgar; é totalmente inútil.

Nós começamos com esta realidade, porque temos de nos corrigir enquanto permanecemos nela. Ao me dirigir a você, eu basicamente me corrijo. Existe algum tipo de imagem de você que parece separada e até mesmo oposta a mim. Mas, na realidade, é minha parte inseparável e eu tenho que corrigi-la. Eu vejo todas as minhas partes aparentemente como estranhas, o que é chamado de quebra. Assim que eu me corrijo, todas elas vão se conectar.

E mesmo no primeiro grau, eu vou ter uma imagem correta do tempo, movimento e espaço, pois uma dimensão superior surgirá dentro de mim. Vou começar a sentir o que são as qualidades espirituais, as três coordenadas espaciais e o tempo. Vou aprender que o tempo é uma cadeia de causas e efeitos, sem intervalos que resultam de ações mecânicas.
O conceito de espiritualidade está em nós criarmos o tempo por nós mesmos e definirmos a sua velocidade através de nossas correções. Nós não medimos o tempo pela rotação de alguns planetas materiais em torno uns dos outros por dias, meses ou anos. A rotação de um corpo cósmico em torno de outro define o conceito de tempo de acordo com o qual eu vivo? Eu tenho que viver de acordo com rochas espaciais que se movem em relação às outras?

Não há tempo no mundo espiritual. Toda e qualquer ação acontece logo após outra ação: você faz uma ação, provoca um pulso, a próxima ação, mais um pulso, sem atrasos entre elas. Nós não levamos em consideração o modo como a Terra, a Lua ou o Sol giram naquele momento.

A raiz do problema é que ainda não sentimos o tempo espiritual. Mas, no momento em que entrarmos na espiritualidade, mesmo no primeiro nível espiritual, vamos começar a perceber o mundo em novas categorias. Isto não será uma ilusão, mas um sentimento real.

Da mesma forma que sentimos este mundo à nossa volta em nossa percepção interna, vamos ter uma imagem adicional que nos dará novas definições. Até o fim da correção, nós estaremos vivendo em duas dimensões: numa dimensão deste mundo e numa dimensão adicional do mundo espiritual. Afinal, enquanto não estivermos totalmente corrigidos, alguma parte do nível mais baixo desse mundo permanecerá em nós a cada vez. Nós estaremos sempre revelando e extraindo deste “Egito” novas qualidades e as corrigindo.

Da 4a parte da Lição Diária de Cabalá 11/04/12, O Portão das Intenções

O Mundo Em Expansão

Dr. Michael LaitmanPergunta: Qual é o propósito das infinitas transições de um estado para outro?

Resposta: Essa cadeia vai acabar num determinado momento. Cada vez você está entrando numa dimensão diferente, e é como se o mundo se abrisse e você alcançasse uma dimensão que é o dobro da potência. A partir daí você entra numa dimensão mais elevada; assim, você avança como se as camadas do céu se abrissem para você no mesmo tempo, movimento e lugar, cada elemento do nível anterior torna-se inanimado em relação ao novo nível.

Você penetra muitas vezes numa nova dimensão entre dois momentos de transição. Cada nível anterior perde seu valor e sua vitalidade, assim como em nosso mundo. A vida é realmente sentida durante a transição, e é por isso que é tão diferente da vida que sentimos hoje.

Nós estamos fora da espiritualidade, porque estamos presos num estado estático, como em um casulo. De repente, você avança através de uma pequena abertura para o grande mundo. Esta abertura também não existe, mas você tem que criá-la por si mesmo, pela transição de um nível para outro.

O Partzuf espiritual de uma pessoa é formado por estas transições. É uma estrutura qualitativa formada pelos seus esforços em criar tais transições. Na verdade, ele não existe por si mesmo; somente o transmissor sobre o qual ele constrói a si mesmo existe.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 15/04/12, Escritos do Rabash

A Vida É A Calibração De Nossos Atributos

Dr. Michael LaitmanTudo depende dos atributos de uma pessoa, do estado em que ela. Diz-se: “um aluno que foi exilado, seu professor está exilado com ele”. Tudo é medido apenas em relação ao receptor: “é preciso um para entender o outro” e “o amor cobre todos os pecados”.

Isto é o que torna a percepção de um Cabalista diferente de uma pessoa comum. Um Cabalista entende que recebe da Providência superior e vê uma imagem como resultado de infinitas imagens que são reveladas a ele. Tudo isto é revelado de acordo com o plano superior e os esforços que ele faz abaixo.

Assim, o ponto onde o plano de desenvolvimento de uma pessoa e o seu esforço se encontram é a imagem dos fenômenos que ela vê e sente.

A percepção pode ser interna e externa. Externamente a pessoa recebe tudo o que lhe é revelado como fatos, as leis deste mundo. Ela entende que tudo vem do Criador, e que é assim que o Criador lhe mostra o mundo. Esta é a perspectiva do “patrão”.

A perspectiva da Torá é o entendimento de que o Criador está me mostrando toda a imagem que eu vejo, mas ela é revelada no meu desejo de receber de acordo com os meus atributos. Dois diferentes comportamentos e percepções derivam disso, como se diz: “a opinião da Torá é o oposto da opinião dos patrões”.

Portanto, no grupo nós temos que tratar os amigos, o Rav, o ambiente e os livros com respeito, apesar do desrespeito que sentimos em relação a eles internamente. Se a pessoa quer avançar, ela está constantemente nesta luta, porque o seu ego cresce constantemente, mostrando-lhe a baixeza de tudo o que não faz parte de seu interesse próprio.

Nós temos que preservar o sentimento interno da grandeza do Criador e da fé no Rav, tratar os amigos como os maiores em nossa geração, e apreciar a qualidade do grupo mais do que a quantidade. Temos que fazer tudo isso para calibrar o nosso vaso corretamente.

Se tudo é revelado dentro de mim de acordo com meus atributos atuais, eu tenho que me relacionar de acordo com a realidade que me mostra como eu deveria mudar meus atributos, para que eu possa constantemente ser capaz de avançar através disso.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 17/04/12, Escritos do Baal HaSulam

Devemos Encontrar A Saída

Dr. Michael LaitmanEmbora o método de união no grupo, e a conquista da realidade superior através dele, tenham existido durante mais de 5000 anos, isso nunca foi descrito em nenhuma das fontes. As pessoas não tinham esta necessidade uma vez que o nosso ego não se tinha desenvolvido o suficiente para que exigíssemos a mudança dentro de nós e no mundo. O egoísmo tem de descobrir sua insolvência por si próprio; tem de perceber que atingiu um beco sem saída no seu desenvolvimento, quando nós juntos, globalmente, no planeta inteiro, começamos a sentir que é impossível continuar esta vida.

Apesar do facto de que muitas pessoas e sociedades acreditam que ainda temos um futuro ao qual aspirar e algo para conquistar no nosso desenvolvimento, ninguém pensa sobre isto de forma séria. Enquanto isso, o movimento continua por inércia. Os governos e economistas estão perdidos, mas continuam a insistir que tudo acabará em breve e a vida será normal novamente. Mas, na verdade, todos sabem que não há saída.

Precisamos encontrar esta saída, realizá-la, e tornar-nos um exemplo para todos. Uma vez que hoje em dia existe tal necessidade, o método está a ser igualmente revelado, o qual fora, no passado, transferido de professor para aluno, através de uma cadeia de indivíduos independentes em cada geração até aos nossos tempos. Por isso, o meu professor foi o primeiro na história a escrever sobre o grupo nos seus artigos. Ninguém jamais tinha escrito sobre o trabalho em grupo antes dele. É possível encontrar apenas algumas frases e secções nas fontes antigas de 300, 500 ou mesmo 1000 anos atrás, mas elas são apenas pequenos comentários e nada mais.

O meu professor (Rabash) foi quem primeiro descreveu o trabalho sistemático no grupo, esclarecendo como nos conectar entre nós de forma a criar um órgão sensorial para sentir o estado superior. Tudo começou a partir dessa famosa folha de prata do pacote de cigarros onde ele escreveu o primeiro artigo que começa com as palavras: “Reunimo-nos aqui para estabelecer uma sociedade para todos os que desejam seguir o caminho e método do Baal HaSulam, o caminho pelo qual subir os degraus do homem e não permanecer como um animal…”. E é isto o que nós fazemos.

Da Convenção de Vilnius 23/2/12, Lição 2

Por que O Deserto?

Dr. Michael LaitmanPergunta: Por que é que a última convenção em Israel foi realizada no deserto? O simbolismo é realmente assim tão importante para os Cabalistas?

Resposta: Nós vimos que isso não interessa e não faz diferença. A primeira vez que fomos lá foi porque temos lá um grupo grande e sério de 40-50 pessoas, que estão espalhadas num número menor de pontos no deserto. Elas vivem em suas pequenas casas no meio do deserto e cultivam para viver, plantando tomates, pepinos, pimenta, figos, bananas e por aí fora.

No deserto praticamente não chove, você tem algumas gotas uma vez por ano no máximo. Por isso, o que nós testemunhámos foi um fenómeno sobrenatural. Mesmo as pessoas que nasceram nessa área e que lá vivem há 40 ou mais anos nunca viram nada como isso. Fora o facto de a chuva ter sido acompanhada por relâmpagos e trovões, que é completamente anormal para o deserto. Nós vemos isso como um bom presságio.

Por que o deserto? Não é o deserto no sentido tradicional. Havia montanhas ali. Essencialmente, é terra vazia, mas não areia.

Curiosamente, existem grandes reservas de água no subsolo: desde agua salgada, como no Mar Morto, até água com concentrações de sal, como num mar ou oceano qualquer, até água límpida, a chamada água doce. Dependendo de onde você perfura a crosta da terra, você pode produzir um tipo de água diferente. Enquanto existe um oceano de água por baixo, acima do solo está o deserto.

É por isso que os habitantes plantam lá frutas e vegetais especiais. Dependendo da concentração de sal na água que eles usam para irrigar suas culturas, eles obtêm um sabor característico. Por exemplo, os figos são muito doces por natureza, mas se você os irrigar com água salgada, eles crescem muito maiores e muitas vezes mais doces porque precisam como que lutar contra a água salgada.

Existe também uma reserva natural onde animais especiais com chifres são criados. Muitas organizações financiam a reserva porque lá são conduzidas experiências genéticas especiais.

Em resumo, é um lugar muito interessante. No deserto você pode realmente isolar-se de distrações exteriores. Já fomos lá várias vezes, e gostámos. Mas desta vez, obviamente, o congresso ultrapassou todas as expectativas.

Penso que o local do congresso e o momento foram bem escolhidos. Devemos todos estar felizes com o que apreendemos. Sentimo-nos como um todo único, e através disso podemos continuar a desenvolver dentro de nós as noções de ver o mundo de uma forma integrada. A partir dali podemos revelar o Criador, de acordo com a lei de equivalência de forma.

De KabTV “Fundamentos da Sociedade Integral” 26/2/12

Aumente O Volume Do Ponto No Coração

Dr. Michael LaitmanPergunta: Você disse que nós temos que olhar o mundo através do prisma do grupo. Em outras palavras, qualquer coisa que nos acontece na vida corporal tem que nos lembrar que devemos retornar ao pensamento sobre os nossos amigos e o grau de união entre nós. Será que eu compreendi bem, que tudo o que acontece é apenas um lembrete? É este o prisma do grupo?

Resposta: Não há lembrete aqui. Você existe num enorme e infinito mundo integral. O Criador criou somente o mundo do Infinito. Tudo o que existe em nosso entendimento e sensações, além do mundo do Infinito, é uma percepção parcial do mesmo mundo do Infinito.

Nós recebemos a grande Luz Circundante (Ohr Makif), a Luz da correção, conforme a nossa capacidade de ir em direção à percepção do mundo integral. Em outras palavras, temos que tentar estar mais perto dela, tentar senti-la como uma Luz geral, eterna e perfeita, como ela realmente é, e não como imaginamos que ela seja. Nós invocamos a iluminação do nível superior sobre nós, na medida dos nossos esforços e, assim, crescemos.

Agora, nós chegamos a um estado em que somos capazes de olhar o mundo e começar a percebê-lo como um todo, e percebemos a nós mesmos como aqueles que o revelam. Isto é necessário.

Por que precisamos de um grupo? Nosso Kli (desejo) comum quebrou apenas para que nós começássemos a juntá-lo com os nossos próprios esforços. Estes esforços evocam a Luz Circundante. Por um lado, a Luz Circundante aumenta a sensação de nossa individualidade, ou seja, o nosso egoísmo cresce (o lado esquerdo, a linha de esquerda). Mas, por outro lado, a Luz nos dá a sensação de união, a revelação da qualidade de doação (o lado direito, a linha direita).

Quando não estamos no mundo do Infinito, mas 125 níveis abaixo dele, ao irmos em direção a ele, pela força, como numa barra elevada, conforme a nossa aspiração, atraímos sobre nós a Luz superior do mesmo mundo do Infinito. Esta Luz aumenta tanto o nosso egoísmo quanto a qualidade de doação: duas qualidades opostas.

Desta forma, você revela o mundo do Infinito 620 vezes maior em seu poder do que antes. Se antes você estava no nível mais baixo (zero), ao atingir o 125º nível você aumenta a si mesmo 620 vezes. Você atinge todas as luzes de Nefesh, Ruach, Neshamah, Haya e Yechida, você se eleva de Malchut, através Zeir Anpin, Bina e Hochma, à Keter, e assim vai do nosso mundo ao estado do Infinito.

Todas essas sensações não são físicas; elas estão dentro de você. É como se você estivesse inflando um órgão sensorial dentro de você, que inicialmente é apenas um ponto, e é por isso que é chamado de ponto no coração, onde você é incapaz de sentir qualquer coisa. Você gradualmente o infla usando duas linhas opostas: uma linha de recepção e uma linha de doação, os desejos de desfrutar e a intenções de doar.

Você cresce à medida que sobe esses graus conforme a sua intenção de doar e o seu desejo. Assim, tudo depende da nossa pressão, da sua aspiração ao próximo e sempre superior nível.

De KabTV  “Fundamentos da Sociedade Integral” 26/02/12

Entender E Sentir

Dr. Michael LaitmanPergunta: Eu tenho entendido mais do que sentido nesta Convenção. Isso é normal ou eu perdi alguma coisa?

Resposta: Entender sem sentir também é bom. Pelo menos você já viu a união das pessoas, viu a aspiração delas, entendeu que a nossa conquista da realidade se baseia nesta aspiração específica.

Sem a união nós não podemos criar o sensor onde seremos capazes de sentir o mundo superior, o Criador. É exatamente por isso que estamos quebrados e vivemos na parte inferior: para começar a juntar os pedaços do mundo superior. À medida que juntarmos, vamos descobrir e sentir novos elementos do verdadeiro mundo, real e espiritual.

Veremos o nosso mundo ao contrário, como que afastando-se de nós, porque, basicamente, ele não tem nada: é menor do que um ponto. Ele está sob o ponto da linha reta, sob os “pés” do Partzuf de Galgalta. Existe o Sium, ou o fim de todos os Partzufim, e o ponto de nosso mundo é ainda mais baixo, debaixo dele, ou seja, como se ele não existisse. E nós existimos nele, mas é como se fôssemos “inexistentes”.

De KabTV “Fundamentos da Sociedade Integral” 26/02/12

Num Círculo Em Volta Do Pilar Da Luz

Dr. Michael LaitmanO Livro do Zohar é a principal ferramenta que nos permite sair deste mundo para o mundo superior. Devemos esperar e torcer para que isso aconteça a qualquer momento.

O Zohar age como um mecanismo especial. Podemos estar prontos para entrar na espiritualidade, mas incapazes de atrair a Luz sobre nós mesmos. Ou podemos aparentemente atrair a Luz, mas não estarmos prontos para ela. Este livro é um sistema que cria a correspondência entre o grupo, onde primeiro nos odiamos e, em seguida, nos conectamos. Mas isso também ocorre apenas sob a influência da Luz. Até mesmo para sentir ódio, precisamos sentar-nos juntos diante do livro.

Se a luz não nos influenciasse, nós não sentiríamos tanto ódio para com o outro. Mas quando a Luz é revelada pela primeira vez, de repente compreendemos quão profundamente nos odiamos. Como resultado do trabalho sobre nós mesmos e do uso correto da Luz, podemos transformar o ódio em amor e respeito, e então descobrir o que está escrito no livro.

Estudar a Torá significa descobrir todo esse ódio e nossa incapacidade de nos conectar, a nossa impotência, e, no início, até mesmo a falta de desejo. Devemos descobrir todas as etapas, todos os atributos, e depois mudá-los, descobrindo o que devemos ansiar. Tudo isto é feito apenas com a ajuda do livro.

Isso não significa que temos que aprender o texto de cor e saber o que está escrito lá. Os graus devem se conectar corretamente numa escada, para que o AHP do superior penetre o GE do inferior, e a conexão entre eles abra caminho para os pedidos que se erguem ao alto e para a satisfação que desce do Alto, que é a via para a força superior. Tudo isso é feito por um sistema chamado “livro”: com a ajuda de um livro, um escritor, e uma história.

Aqueles que lêem o livro juntos e querem atingir algo precisam sentir que são iguais. Os sábios do Talmude tornaram o estudo mais fácil para nós, e agora, para termos êxito, não precisamos de quaisquer restrições corporais, como se diz: “Viva a pão e água, durma no chão, e sinta-se com sorte”. Em vez disso, eles prepararam este estudo para nós, através do qual atraímos a Luz que Reforma.

Eles introduziram em seus livros uma influência sobre nós que nos aproxima do “pilar” pelo qual é habitual para orar. Esta é a linha do meio especial, que conecta e equilibra as forças de recepção em nós e as forças de doação que queremos adquirir, conectando tudo isso à nossa solicitação.

Eles conseguiram tornar as coisas mais fáceis para nós através da construção do sistema por suas almas, para completar o sistema espiritual inicial dos antepassados. Agora, podemos nos conectar com eles através de nossos professores: Rabash, Baal HaSulam, e todos os outros Cabalistas ao longo dos tempos, até que possamos atingir os sábios do Talmude e os antepassados. Assim, iremos nos conectar ao “pilar” espiritual.

O Livro do Zohar nos permite conectar com o espaço organizado numa linha (Kav). Mas a fim de receber desta linha, temos que construir um círculo. A parte 2 do Estudo das Dez Sefirot é dedicada a este tema e conta-nos como a Providência superior passa dos círculos para a linha e, como a partir da linha é possível conectar-se aos círculos.

Se quisermos nos juntar á linha dos grandes Cabalistas do passado, não há outra maneira, exceto formar círculos. É como um bebê que está nos braços de sua mãe. A mãe o trata como uma linha: com cuidado e ponderação, sabendo exatamente o que acontece com ele. Enquanto que o bebê se anula totalmente e existe “em círculos”, incapaz de apreciar as ações de sua mãe ou diferenciar que algo está vindo de cima ou de baixo. E isso permite que eles se conectem.

Temos de atuar da mesma maneira. Isso só é possível se mutuamente nos anularmos no grupo e organizarmos o grupo corretamente, conforme instruções do Rabash. Depois, através do livro, do sistema da linha que foi formada pelos grandes Cabalistas que passam a energia espiritual para nós, seremos capazes de receber essa força, mesmo se não soubermos como ela funciona. Vamos deixar a Luz Superior fazer o seu trabalho, e vamos ver o resultado.

Vamos vê-lo da mesma forma que uma criança que cresce sente o resultado de seu desenvolvimento, se saber de onde vem e como se desenvolve. Tudo que é exigido dela é o desejo de crescer. Nós também temos que exigir apenas o desejo correto, ou seja, constantemente temos ansiar por uma maior conexão. Isso indica que nós nos anulamos perante o superior e que nos conectamos a linha.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 08/04/12, O Zohar

A Construção Mágica Da Alma

Dr. Michael LaitmanNós existimos como partes de um sistema, similar aos elementos de um sistema eletrônico. Portanto, tudo o que acontece nos conforma apenas com a forma como todo o sistema atinge o fim da correção.

Diz-se: “Os parias não serão reativados de Mim” e “Tudo vai voltar à sua raiz”. Cada um retorna à sua raiz, e juntos nós retornamos à nossa raiz geral. Mas nós queremos encurtar o caminho, alcançar a meta acelerando o tempo (Achishena), aqui e agora, rapidamente, para compreender e sentir o que estamos fazendo, tanto quanto é possível, a fim de realizar conscientemente essas ações de doação, com compreensão, e não para avançar pelo caminho do sofrimento (Beito, ou em seu tempo).

Há dois problemas. Por um lado, eu tenho que concordar em executar ações de doação. Por outro lado, eu tenho que entender que eu deveria calcular e preparar essas ações altruístas. Estes dois tipos de trabalho são chamados de “trabalho na mente” e “trabalho no coração”, e ambos são opostos à natureza.

Portanto, nós nos esforçamos ao máximo para organizar o sistema correto entre nós, como se estivéssemos conectados, como se nos amássemos, como se nos complementássemos, como se fôssemos engrenagens num sistema geral e estivéssemos conectados com o Criador, a fim de dar-Lhe alegria, e com toda a humanidade, a fim de corrigi-la e trazê-la à mesma ação.

Tudo isso é “como se”. Nós fazemos tudo como se estivéssemos brincando, como uma criança que, tendo reunido as peças da construção, de repente, descobre que ela ainda é um brinquedo. Ela pensou que iria construir um trator, ela deu o seu melhor, reuniu, e daí descobre que não é real, mas feito de plástico e não se move.

Mas em nosso trabalho espiritual, no momento em que construímos esse “modelo”, sabendo que ele é um jogo, mas construindo-o corretamente, de acordo com as exigências dos Cabalistas, a Luz que Reforma influencia-nos imediatamente e o torna real.

Este é todo o truque. Nós só precisamos entender que é assim que funciona. Tentamos reunir as peças, no amor, doação, união, conexão, através da fé acima da razão – não faz diferença como nós chamamos isso em nosso nível. Certamente, tudo é falso. Mas nós tentamos reunir essa construção, e de acordo com os nossos esforços a Luz age e transforma-a numa imagem real.

Da Convenção de Arava 25/02/12, Lição 7