Textos na Categoria 'Trabalho em Grupo'

Ama O Teu Próximo Como A Ti Mesmo

Dr. Michael LaitmanEssa regra, conhecida por todos, inclui as correções de todos os desejos (coração) e pensamentos (mente) do homem. Por outro lado, apenas corrigindo todos os seus desejos e pensamentos é que o homem atinge a qualidade do amor pelas pessoas, por toda a humanidade e a natureza.

O amor de cada pessoa para com o próximo é muito fraco e, portanto, não é expresso de forma explícita. Assim, se vários indivíduos se unem num grupo e cada um deles suprime seu egoísmo em relação aos outros, então cada um deles receberá as forças de todos os outros. Nesse caso, todas as forças separadas dos membros do grupo serão ampliadas numa grande força e eles ganharão a capacidade de realizar a lei da natureza do “amarás o teu próximo”. A discrepância surge aqui: o indivíduo deve corrigir todas as qualidades egoísticas para alcançar o amor ao próximo, ou ele só precisa ter amor por seus amigos no grupo para alcançá-lo?

Normalmente as pessoas se unem em um grupo para melhorar a sua situação em alguns aspectos, e cada uma faz um cálculo do quanto dá aos outros e quanto recebe, uma vez que este tipo de grupo baseia-se no egoísmo. Se um membro de tal grupo sente que pode receber mais fora do grupo do que dentro dele, ele se arrepende de estar no grupo. Este tipo de sociedade distancia a pessoa de subir para o nível “humano”.

De fato, atingir o amor só é possível corrigindo todos os desejos egoístas e pensamentos. Porém, ao unir os pequenos desejos de cada pessoa através do amor, nesta união, juntas, elas criam uma força nova, comum e grande, que cada membro do grupo pode usar para alcançar o amor dos amigos e, depois, alcançar o amor pela humanidade e a Natureza.

Mas tudo isso só pode acontecer com a condição de que cada pessoa suprima seu egoísmo em relação à outra. Se uma pessoa está separada do amigo pelo seu egoísmo, ela não pode receber dele a força do amor ao próximo. Assim, a pessoa só pode receber a força do amor dos amigos conforme a sua própria anulação diante deles.

Isto é semelhante à inscrição dos números: se você escrever primeiro o número 1 e depois o 0, você vai ter 10, ou seja 10 vezes mais. E se você escrever dois zeros depois de um, você vai receber 100, ou seja, 100 vezes mais. Isto significa que se o amigo é um e a pessoa é zero, ela recebe 10 vezes mais do amigo. E se ela diz que é dois zeros em relação ao seu amigo, ela vai receber 100 vezes mais dele.

E vice-versa, se ela é um e seu amigo é zero, isto equivale a 0,1, de modo que ela é 10 vezes menor do que o seu amigo. E se ela pode dizer que é um, e tem dois amigos que são dois zeros em relação a ela, então ela é igual a 0,01 em relação a eles. Assim, quantos mais zeros ela coloca sobre o valor de seus amigos, menor ela mesma será.

No entanto, mesmo que você já tenha as forças para amar ao próximo e pode realmente expressar esse amor, e sente que o auto benefício só lhe prejudica, mesmo assim não acredite em si mesmo e tenha medo de que você possa parar no meio do caminho e cair no egoísmo. Você tem que ter medo de receber tais prazeres egoístas, os quais você não será capaz de resistir e irá apreciá-los ao invés do amor ao próximo. É exatamente o medo de cair no egoísmo que dá à pessoa as forças para observar a lei da natureza, a lei de doação e amor.

(Basedo no artigo do Rabash “Conforme O Que é Explicado sobre o ‘Ama o Teu Próximo Como a Ti Mesmo’”)

O Que Precede As Nossas Intenções

Dr. Michael LaitmanNós podemos falar sobre o nosso progresso e sobre nós mesmos, assim como imaginamos a perspectiva desde Cima, da fonte da realidade. Nós revelamos o nosso trabalho desde baixo, enquanto que a sua causa desde Cima.

Qual foi o propósito da criação? Diz-se que tal é o desejo do superior: criar uma criatura tão perfeita quanto Ele. Assim, em todas as nossas ações e intenções, enquanto examinamos o que acontece conosco, devemos sempre lembrar que o objetivo final de tudo isso é revelar o Criador, revelar exatamente Ele.

Tudo o que eu sentir, pensar, ponderar ou aspirar está correto; tal é o caminho da análise. Mas o que eu posso revelar neste caminho, meu próprio ser? Não, eu me revelo oposto ao Criador; ou seja, na verdade, eu O revelo.

Nós sabemos da sabedoria da Cabalá que, no mundo do Infinito não existe deficiência de nada, exceto da realização do Doador. A criatura, chamada Malchut do Mundo do Infinito, deve compreender, sentir, e alcançá-Lo.

É por isso que esta criação redonda é necessária: a descida ao nosso mundo e a subida de volta para Malchut do Mundo do Infinito, que devemos realizar. Este caminho de baixo para cima é destinado unicamente para a ascensão, para alcançar o Doador.

Nós O alcançamos de acordo com a equivalência de forma: quanto mais nos assemelhamos a Ele, mais O entendemos e sentimos, e mais perto estamos Dele. O resultado final está no pensamento inicial. Portanto, em primeiro lugar, nós temos que estabelecer a intenção, isto é, o que eu quero alcançar com todas as minhas ações? O que está feito está feito, mas por que eu preciso disso?

No entanto, mesmo antes de eu esclarecer a intenção, eu preciso do pensamento inicial, desta origem primária da intenção, visto que a ideia é revelar o Doador, o Criador. Essa é a nossa meta.

Eu revelo em mim pensamentos, intenções, desejos e atitudes, mas, basicamente, através dessas ações eu O procuro. “Como eu faço isso? O que eu acho? O que eu quero? Como eu interajo com alguém ou algo?”. Antes de cada discernimento eu me preparo para a atitude certa: tudo o que eu faço se destina a revelar o Criador.

Aqui, eu preciso atrair algumas conexões:

• Quem quer que eu seja, Ele preparou para mim;
• O que quer que eu pense a cada segundo, Ele me dá;
• Aconteça o que acontecer comigo agora nesta análise, acontece segundo a Sua vontade;
• Seja como for que eu reajo ao que sinto, Ele também me dá isso.

Há apenas um pensamento, uma declaração que deve ser sempre minha: “Tudo o que está acontecendo comigo vem do Criador”. Os primeiro artigo do Shamati fala disso: “Não há Ninguém Além Dele”.

Agora, quando eu esclareço minhas intenççoes (em prol da recepção ou em prol da doação), estas certamente vêm do Criador. No entanto, o que importa para mim nesta análise é que eu O revelo, eu esclareço quem Ele é.

De todos estes discernimentos, o mosaico da realidade toma forma dentro de mim. Meus amigos, o mundo ao meu redor, seus eventos e circunstâncias, tudo deve se fundir numa única imagem do Criador. Na medida em que ela surge internamente, partes separadas se reúnem: todas as criaturas, todo este mundo e todos os mundos juntos, numa estrutura completa, cuja forma interna é chamada de “Criador”. Em sua totalidade, esta estrutura representa Malchut do mundo do Infinito ou, em outras palavras, o vaso, o desejo. É precisamente a Sua forma, Sua estrutura e a interação de todas as Suas partes: desejos, pensamentos e intenções que assumem a forma do Doador.

O Criador em si (Atzmuto) não tem forma. No entanto, nós realizamos uma análise incessante de nós mesmos e aos poucos criamos a forma semelhante à Sua. Como resultado, Ele pode ser revelado. Da mesma maneira, para detectar ondas que são desconhecidas para nós, construimos um dispositivo no qual elas podem ser duplicadas e reproduzidas. Ele nos permite descobri-las e estudar sua natureza.

A análise interna nos ajuda a criar um “lugar” para revelar o Criador; caso contrário, Ele permanecerá oculto de nós. É por isso que se diz que o Criador quer habitar nos inferiores, ou seja, revelar-Se a eles. Essa é a razão pela qual Ele criou o mundo do Infinito, e nosso trabalho é composto em revelá-Lo através de nossos esforços.

Assim, a revelação do Criador é o resultado de nossa análise interna. Ele não vai Se revelar por Si mesmo – nossos esforços são necessários aqui. Nós nos esforçamos, nós queremos e não queremos isso, as forças de recepção e doação colidem dentro de nós, e assim estamos constantemente preparando um lugar para Sua revelação.

No final, este lugar vai se tornar “flexível” o suficiente para que possamos detectar nele pequenas “ondas”, as formas do Criador na matéria de desejo. Quanto mais nós suavizamos nossa matéria, mais o Criador se revela dentro dela.

Ele mesmo está oculto; no entanto, a matéria começa a assumir Sua forma. Isto é o que compreende todos os nossos esclarecimentos: com a ajuda deles, nós estamos preparando o nosso desejo de aceitar Sua marca, Sua revelação.

Assim, em cada ação que realizamos, é preciso lembrar que nós, o mundo, e tudo o mais em geral, existe somente para que nós revelemos o Criador. Isso não é um tópico para discussão, mas o fato descendendo das fontes da criação.

Se eu lançar as bases para qualquer de minhas ações, pensamentos ou intenções, com esse fato em mente, se eu originalmente tomar esse rumo, se eu estou voltado para a revelação do Criador, uma vez que tal é o Seu desejo, então eu estou destinado ao Infinito, a essa meta. E tudo que eu faço depois certamente entrará nesse depósito de esforços que temos que repor.

Tudo o resto acontecerá de qualquer maneira. Só uma coisa depende de nós: dirigir todos os nossos esforços para a revelação do Criador.

Mais tarde, surgem os seguintes questionamentos: o que esta revelação representa? Como alguém a realiza? Que ações se provarão mais eficazes? De quem isso depende: de mim, dos outros, ou da nossa interação? Tudo somado, nós estamos falando do método que os Cabalistas nos descrevem, explicando como realizar ações que sejam mais benéficas para a revelação do Criador.

Hoje, toda a humanidade está no início desta revelação. A evolução chegou ao fim; o mundo já percebeu o potencial do progresso materialista. Nós não precisamos procurar nada em outros planetas e não há nada para extrair da terra.

Nós já tentamos de tudo na superfície da terra, e vimos que a nossa vida é limitada e leva a um beco sem saída.
É o início da revelação do Criador a todas as criaturas. Devido a este impedimento as pessoas vão começar a se perguntar: “Para quê e por que vivemos? Qual é o propósito da vida?”.

A partir de agora, nós aprendemos que o propósito de nossa vida é revelar o Criador, ou, para ser mais preciso, para nos prepararmos para Sua revelação. Nós conseguimos isso através da união e, assim, amenizamos o nosso desejo de receber para que ele possa se tornar altruísta e começar a assumir vários tipos de doação. Afinal, o Criador é a qualidade de doação, e nós estabelecemos uma conexão com o outro, nós O ajudamos a se revelar entre nós, nós preparamos o solo para ele, a matéria que será capaz de assumir Suas qualidades, Sua projeção.

Assim, nós nos desenvolvemos em equivalência exata com Sua forma.

Da Convenção de Arava 23/02/12, Lição #2

Não Seja Um Dos 999 Que Caem

Dr. Michael LaitmanDe uma lição do Rabash: Num lugar onde a espiritualidade não é importante o suficiente, as cascas têm um porão. Por exemplo, se a pessoa pretende se levantar para a aula matinal, mas pensamentos e cálculos vêm à sua mente: “Por que eu deveria me levantar? O que vou aprender? Qual é a questão de tudo isso?”.

No momento em que a espiritualidade não parece importante, tais pensamentos imediatamente emergem e amarraram a pessoa na cama com cordas grossas para que ela não seja capaz de se levantar… por isso, nós precisamos da força que acompanha que não nos deixará cair”.

O que falta a todos os grupos, e na verdade a cada pessoa de uma maneira ou de outra, é a força que acompanha. Caso contrário, nós caímos um por um, como se diz: “Mil entram na sala de aula e um sai professor”. Isso significa que 999 caem.

É muito provável que eles realmente não caiam fisicamente, mas estão enfraquecidos internamente e prontos para “continuar” desta forma, sem atingir a meta da criação, o objetivo da vida. Eles não afirmam que é necessário encontrar uma resposta para a pergunta “qual é o sentido da minha vida”, mas amadureceram e não sentem que têm a força para fazê-lo. Isso tudo ocorre porque eles não construíram para si apoiadores, um “trilho” que irá apoiá-los e ajudá-los a levantar-se e não deixá-los cair. Isto é muito importante.

É como fazer um tratado de ajuda mútua, um compromisso para com as relações entre os amigos, entre os grupos. Por isso, é tão importante saber o que está acontecendo em cada grupo e ajudar uns aos outros.

É como se diz: “Não há profeta em sua própria cidade”, e os amigos de outros grupos às vezes podem ajudar a pessoa e influenciá-la mais do que aqueles que estão ao seu lado. Ela pode suspeitar que seus amigos tenham algum interesse próprio e pode encontrar culpa em suas intenções egoístas. Mas ela não se sente assim em relação aos outros grupos. Ela vê que pessoas de outros lugares começam a falar dela e lhe mostram quanto ela é importante para elas; por outro lado, ela entende que é preciso corrigir alguma coisa dentro de si, como se diz: “Você deve colocar juízes e policiais em todas as suas portas”.

Isso é muito importante. Normalmente, após cada subida coletiva, várias pessoas caem, porque após uma subida há sempre o endurecimento do coração. Nós devemos estar de guarda!

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 18/03/12, Shamati # 8

Amor Dos Amigos (3)

Dr. Michael Laitman“Amarás o teu próximo como a ti mesmo” é a principal lei da natureza integral na sociedade humana. Ao observá-la, nós observamos todas as leis da natureza, ou posto de forma diferente, todas as leis da natureza estão incluídas nessa lei. Isso significa que não há nada mais para fazermos, exceto isso?

O objetivo da natureza é trazer todas as suas partes à total harmonia e equilíbrio. Isto permite que a pessoa atinja o estado mais confortável. Todas as ocorrências que devemos percorrer são realizadas apenas para que nós, conscientemente, atinjamos este estado.

Nós temos que pesquisar e seguir o objetivo da natureza e o caminho para alcançá-lo. Esta é a garantia de uma vida de sucesso para nós. Ao apoiar constantemente este princípio cientificamente, nós ganharemos a confiança no caminho e no fato de que temos o apoio das leis da natureza. Esta consciência do sucesso no caso de realizarmos a lei da natureza, ou de infortúnios no caso de não ser sentido por nós como terror e medo. Isso nos garante um bom caminho.

Para isso nós devemos estar conscientes das leis da natureza como sendo objetivas e obrigando-nos a executá-las conscientemente. Precisamente a execução consciente dessas leis é a característica que distingue o nível “humano” do desenvolvimento, em oposição ao nível “animal”. Afinal de contas, nós passamos inconscientemente por todos os nossos níveis anteriores de desenvolvimento, impulsionados pelo desenvolvimento do egoísmo dentro de nós. Mas hoje, a natureza está nos obrigando a desenvolver de forma independente, consciente, acima do egoísmo, adquirindo a qualidade de doação e amor, que é oposta ao egoísmo.

Portanto, como pode uma pessoa adquirir esta nova qualidade, o desejo de doar, e, ao mesmo tempo, a compreensão de que o desejo de receber para si mesmo é muito prejudicial a ela? Afinal, isso é contraditório à natureza do homem, à medida que ele não pode fazer nada que não lhe traga lucro pessoal.

Há apenas uma solução: para várias pessoas que têm uma aspiração para sair do poder do egoísmo, estas devem se reunir num único grupo, onde cada membro se iguala em relação aos outros. Uma vez que cada membro deste grupo tem uma aspiração de alcançar a qualidade de doação e amor, e tudo o que falta é a força para realizá-lo, unindo-se num grupo e suprimindo seu egoísmo em relação aos amigos, eles criam uma nova substância. Por exemplo, se existem dez membros do grupo, esta substância terá uma força dez vezes maior do que cada pessoa tinha individualmente.

No entanto, isto só irá acontecer se aqueles que se reúnem no grupo pensarem em como reprimir seu egoísmo em vez de pensarem em como satisfazê-lo. Devido à sensação do amor dos amigos, cada pessoa será capaz de sentir uma aspiração para realizar a lei da natureza porque assim ela traz toda a natureza ao equilíbrio e harmonia.

(Com base no artigo do Rabash “Amor dos Amigos”, 1984, # 6)

A Autoridade de Doação

Rabash, Shlavei HaSulam (degraus da escada),”Sobre a importância da sociedade”: Portanto, quando se trata do trabalho no caminho da verdade, uma pessoa deve isolar-se das outras pessoas. Isto é porque o caminho da verdade requer sempre reforço como fosse contra o mundo. Isto significa que uma pessoa deve estar concentrada apenas em pensamentos sobre “autoridade única”, chamada de “doação”, e não “autoridade pública”, que é o amor-próprio. Isso é chamado de “duas autoridades”, a autoridade do Criador e a própria autoridade da pessoa.

Isso tudo é claro, mas o problema está na sua implementação. Cada um de nós está sob sua própria autoridade, e não entendemos o que significa estar sob a autoridade de outra pessoa: “Então eu tenho que ser um escravo? Porque, se há uma autoridade, há também um mestre?”.

Na verdade, devemos estar sob a autoridade do desejo altruísta em vez de sob a autoridade do um egoísta. É muito difícil entender essas coisas. Nós simplesmente não vemos onde e como tudo isso acontece. [Leia mais →]

Amor dos amigos (2)

Vamos lançar luz sobre várias questões relacionadas com a noção do “amor dos amigos”:

1. Qual base existe lá para a necessidade de alcançar o amor dos amigos?
2. Devo escolher os amigos, e eles devem escolher-me?
3. Deverá cada amigo expressar abertamente seus sentimentos para com os outros membros do grupo, ou é o suficiente ele sentir amor por eles em seu coração, sem expressar este sentimento externamente? Deverá ele permanecer modesto e não se gabar de sua realização?

Certamente, cada pessoa deve expressar abertamente o amor pelos amigos que está em seu coração, porque a livre expressão deste sentimento pode despertar os corações dos amigos para o mesmo. Como resultado, os sentimentos dos amigos que se unem em um sentimento comum, será muito maior que a soma aritmética.

Assim, cada membro do grupo receberá um forte sentimento do amor pelos amigos e também irá sentir uma necessidade de expandir este sentimento. Por outro lado, se os membros do grupo não expressar abertamente os seus sentimentos, eles não poderão ser imbuídos com a força coletiva comum e superar seu egoísmo pessoal.

Neste caso, é muito difícil ver o amigo sob uma luz positiva. Cada pessoa pensa que ela é a única justa e que só ela ama seus amigos, enquanto eles não retribuem seus sentimentos. [Leia mais →]

Amor Dos Amigos

Dr. Michael LaitmanUma pessoa em nosso mundo é semelhante a uma pessoa que perdeu seu caminho num campo. Nos dias de hoje, a humanidade inteira também pode ser comparada a uma grande massa de pessoas que, tendo perdido todos os pontos de referência, está vagando no escuro ao redor do enorme campo da vida.

A saída para esta situação, que surgiu como resultado do nosso desenvolvimento egoísta, reside na criação de uma sociedade integral. Ou seja, reside na busca de pessoas que perceberam que a situação atual está num impasse e que a única solução é estabelecer uma conexão integral entre as pessoas.

Neste caso, o campo da vida se transforma de um campo selvagem e vazio num campo de vida abençoado, porque as pessoas que estão nele desejam trabalhar em seu egoísmo para atingir a qualidade de doação mútua e, assim, tornar-se equivalente à Natureza. Neste caso, seu caminho é chamado de “caminho da doação”.

Como a nossa natureza egoísta é completamente contrária a este caminho, há apenas uma maneira de definir esse caminho: estar grupo de educação integral que trabalhe no desenvolvimento do “amor dos amigos”, onde cada um pode ajudar seu amigo a progredir exatamente neste caminho.

(Com base no artigo do Rabash “Amor dos Amigos”)

O Propósito De Se Criar Um Grupo

Dr. Michael LaitmanÀ medida que o homem passa por uma evolução, todo o seu desenvolvimento ocorre por meio do desenvolvimento do desejo de receber prazer, chamado amor próprio ou egoísmo. Portanto, se a pessoa não sente que vai receber alguma coisa, ela é incapaz de fazer qualquer ação. Internamente, ela sente isso como uma falta de motivação ou energia, que são necessárias para ela fazer um movimento interno ou físico.

Mas, a Natureza é a qualidade do altruísmo, doação e amor, oposta ao egoísmo. Ela impulsiona o homem a adquirir esta qualidade desenvolvendo-o através de um sofrimento cada vez maior, que ele gradualmente começa a perceber como um derivado do seu próprio egoísmo e do egoísmo geral de toda a humanidade. Em outras palavras, o objetivo que a Natureza estabelece para o nosso desenvolvimento é para que o homem alcance a equivalência com ela. Este objetivo destina-se expressamente para o homem, porque o egoísmo está ausente nos níveis inanimado, vegetal e animal da natureza, que são governados e existem instintivamente, simplesmente obedecendo a sua natureza.

Uma vez que suprimir o egoísmo é contrário a nossa natureza e a todo nosso ser, nós precisamos de um grupo de pessoas com um só objetivo, que nos dê uma força maior para suprimi-lo. É por isso que precisamos de um grupo que una pessoas com o mesmo desejo: conseguir subir acima do egoísmo e da repulsa mútua, e se elevar ao amor mútuo.

O resultado da união em direção ao objetivo comum é que em vez de sermos totalmente fracos e incapazes de resistir ao nosso egoísmo, cada um de nós adquire uma grande força que ajuda o homem a subir acima do seu egoísmo, em direção à união.

Esta grande força surge como resultado da união de nossas pequenas forças individuais, ou melhor, nem mesmo forças, mas apenas desejos. Essas nossas pequenas forças vão se combinar e multiplicar, permitindo a cada um de nós subir acima do seu pequeno egoísmo para a união. É assim que cada pessoa adquire um tremendo desejo de subir acima do seu próprio egoísmo e alcançar um objetivo único.

Mas, para que isso aconteça, cada membro do grupo tem que suprimir ou reduzir seu “eu” em relação aos outros. Isso só pode ser feito ao não se perceber as falhas do amigo e prestar atenção somente a suas boas qualidades. Se um membro do grupo se considera um pouco melhor do que os outros, ele não é mais capaz de se unir verdadeiramente com eles.

Durante o compromisso do grupo na educação integral (unificação), nós temos que ser sérios e não nos desviar do objetivo para o qual nos reunimos aqui: a conquista de um desejo único de doação mútua e amor, como a equivalência com a Natureza nos exige.

Mas, com as pessoas de fora, devemos nos comportar de uma forma simples, com cortesia, tomando cuidado para não impor-lhes a ideia de união, doação mútua e amor. Isso porque os esforços para subir acima do egoísmo individual não podem ser feitos em encontros casuais, mas somente num grupo constante de amigos, sob a orientação de um instrutor. Durante seu trabalho no grupo, e em geral na vida, os membros do grupo devem tentar barrar a instabilidade de seus desejos, porque o comportamento imprudente ou mesmo pensamentos destroem todos os esforços pessoais e do grupo de se unir.

Mas, se um estranho acidentalmente encontrou o seu caminho numa sessão realizada pelo grupo, é necessário primeiro eliminar educadamente a sua presença para só depois continuar os estudos.

(Basedo no artigo do Rabash “Propósito da Sociedade (2)”

O Que É A Nossa Vida? Um Jogo?

Dr. Michael LaitmanUma vez que a sabedoria da Cabalá eleva a pessoa do nível “animal” para o “humano” (“Adão” ou “homem” vem da palavra “Domeh” ou semelhante à natureza, ao atributo de doação e amor), a pessoa que sobe enfrenta o problema de “ir para o desconhecido”. Para nos ajudar a subir ao estado desconhecido uma e outra vez, nos é oferecido um jogo, um exercício, para preparar dentro de nós, junto com o grupo, nosso próximo e mais altruístico estado. Além disso, mesmo se falharmos, ele nos leva à solução correta: um pedido pela força de doação, uma subida acima do nosso egoísmo.

Hoje, toda a humanidade deve dominar este método de avanço em tudo o que faz. Devemos também estar prontos para as descidas, para sentir os erros, e a partir deles entender que somente a força superior da natureza pode nos fornecer novos atributos para investigar, alcançar, e construir a nós mesmos, a família, a sociedade, a educação, e a economia corretamente.

Até agora os erros e fracassos não foram reconhecidos pelas pessoas, mas somente pelos Cabalistas porque somente eles subiram acima da natureza geral da humanidade, o egoísmo, para o atributo da natureza, o amor. Mas hoje nós temos que adquirir esse novo atributo em relação a nós mesmos, em relação aos que nos rodeiam e ao mundo, e ensinar nossas crianças a se desenvolver aprendendo com seus erros.

Não devemos só aprender com os nossos erros, mas também entender de onde eles vêm: do surgimento do novo nível ao qual não estamos adaptados. Assim, um erro (uma descida) é a realização de nossa falta de correspondência com o novo estado, e ele deve nos fazer ansiar implementá-lo internamente. Isto é atingido no grupo, pela aspiração pela força geral da natureza e pela equivalência com ela.

O Paciente Está Morto E Se Sente Bem Consigo Mesmo

Dr. Michael LaitmanO Talmude Babilônico, Tratado Taanit 7: Aquele que se ocupa da Torá em prol dela, a Torá se torna a poção da vida para ele, e aquele que se engaja na Torá não em prol dela, ela se torna a poção de morte para ele.

Se há um grande perigo oculto na Torá, talvez seja melhor não se envolver com ela? Afinal, se você estudar corretamente, você “sobe aos céus”, e se você não fizer isso, “você vai afundar no chão”, no abismo.

O problema é que se você não estuda corretamente, a Luz oculta na Torá coloca você em estados que são opostos à verdade, mas você não percebe isso. A Torá não lhe traz a morte, mas sim “a poção da morte”, quando você não sente que está morto. Você pode estudar a Torá dia e noite, memorizar página após página, e ao mesmo tempo estar morto, isto é, sem entender que isso é totalmente oposto à meta para a qual a Torá foi dada.

A Torá foi dada a nós para que alcancemos o amor aos outros. Ela diz: “Eu criei a inclinação ao mal, e criei a Torá como condimento porque a Luz nela reforma”. O que significa que ela reforma? Essa é a “grande lei da Torá” – “Ama teu próximo como a ti mesmo”, ou em outras palavras, o objetivo geral de tudo o que fazemos de acordo com a Torá.

Em cada preceito que realizamos, em cada detalhe, devemos avançar para o amor ao próximo. Somente através do amor ao próximo alcançaremos a meta final, o amor do Criador e a adesão com Ele, de acordo com a equivalência de forma entre a pessoa e o Criador.

Portanto, antes do estudo, temos que nos preparar e manter todas as condições necessárias para que o estudo da Torá nos leve à meta desejada: à adesão, ou seja, à correção das nossas intenções egoístas em altruístas. Esse trabalho é esclarecido somente no grupo, onde podemos verificar a nós mesmos na prática.

Cada vez nós descobriremos ódio entre nós e teremos a chance de subir acima dele para o amor. Para fazer isso, nós precisamos nos organizar corretamente: nós queremos nos conectar para alcançar a adesão e descobrir o Criador nela, dando assim contentamento a Ele. O Criador só pode ser descoberto no nosso vaso coletivo de doação. É necessário que nos preparemos para a aula dessa forma para abordarmos o estudo corretamente.

Pergunta: Se a poção da morte não me deixa sentir que estou morto, a poção da vida me permite me sentir morto?

Resposta: Eu sinto que estou vivendo da “poção”. Não é mais uma existência comum. Na intenção a fim de doar, acima da minha natureza, eu alcanço a vida. A poção tem o efeito de me fazer mentir para o meu desejo egoísta e não para mim mesmo. Por outro lado, a poção da morte me afoga na mentira, que eu não percebo, e, então, eu me vejo como “justo”, embora eu ainda não tenha entrado no nível de “malvado”.

Pergunta: Como a sabedoria da Cabalá pode salvar uma pessoa da poção da morte?

Resposta: Ela pode fazer isso através da Luz que Reforma. Se você organizar corretamente todas as condições para você, se você entrar no grupo e disseminar, o que é parte inseparável da preparação nesses dias, e se você participar em tudo o que o grupo experimenta para revelar a conexão, então você está se preparando corretamente para o estudo, e sua intenção durante o estudo não é ler outro parágrafo, mas receber a Luz que Reforma. Não é por acaso que o Baal HaSulam escreveu na “A Introdução ao Estudo das Dez Sefirot”, Item 18: “…que durante a prática da Torá, eles não colocam suas mentes e corações para atrair a Luz da Torá…”.

Tudo é resolvido pela preparação. O estudo correto é o estudo para o qual você se preparou corretamente. Então, você lê o texto corretamente, com a intenção correta, no grupo correto, com todas as condições necessárias. E o que você obtém do estudo? Você obtém a chance de trabalhar e subir: o sentimento de ódio e rejeição dos amigos…

Da 4a parte da Lição Diária de Cabalá 13/03/12, “Introdução ao TES”