Textos na Categoria 'Trabalho em Grupo'

Eu Invejo Significa Que Eu Cresço

Dr. Michael LaitmanA pessoa não tem força para fazer uma única ação espiritual. Nós precisamos dar uma olhada sensata na realidade, entendendo que agimos no âmbito de leis e forças rígidas, as quais temos que organizar por nós mesmos. É por isso que se a pessoa não se conectar corretamente com o ambiente, de modo a se conectar através dele com a fonte do método de correção, isto é, com o professor, e através do professor com a Luz que Corrige, então ela ficará constantemente girando dentro de seus desejos e aspirações que a encerram neste mundo.

Ela nunca vai além dos limites deste mundo. E quando ela aprender alguma coisa, em última análise ela permanecerá com a mesma natureza com a qual nasceu e permanecerá no mesmo nível. É possível subir a um grau mais elevado somente sob a condição de que a pessoa receba um desejo adicional, qualitativamente novo, em vez de aumentar suas necessidades terrenas comuns por dinheiro, casa, família, poder e conhecimento.

Ela pode obter tudo isso neste mundo. Mas se ela precisa se mover do plano material do “dinheiro-família-poder-conhecimento” para a próxima dimensão superior, então ela precisa de um desejo completamente diferente: a necessidade da propriedade de doação, porque o nosso mundo é baseado apenas no desejo de receber. O mundo espiritual é baseado na doação, à qual a pessoa deve se tornar atraída e aspirar ao maior tesouro: ao desejo que será capaz de servi-la como uma alavanca, um trampolim.

Ela tem que sofrer porque não é capaz de amar e dar. Mas isso é possível? Só a inveja de outras pessoas que pareçam grandes, atraentes e importantes para ela pode ajudá-la. Ela descobre que elas estão felizes por ter a capacidade de doar, que elas encontram algo incomum nesta propriedade de doação, e que em relação a elas, ela ainda não é nada.

Se ela tiver o ponto no coração, ela começa a invejá-las. Sem este ponto, ela não tem nada para se agarrar, não tem órgão sensorial para sentir que elas têm algo especial que ela não tem. Ela não vai sentir que lhe falta algo. É como uma pessoa que ama a música e sonha em se tornar um músico não vai invejar aquele que quer se tornar um físico. Física e poesia são mundos completamente diferentes.

Isso também funciona na aspiração espiritual. Só se a pessoa tem o ponto no coração, ela tem pelo menos uma oportunidade inicial de invejar as pessoas que estão na propriedade de doação. No começo, ela se sente atraída porque parece mística, prometendo algumas habilidades sobrenaturais, o poder da mente, a capacidade de gerir a sua própria vida e a vida dos outros, o poder sobre toda a criação.

Ou seja, no início, a propriedade de doação está vestida em todos os tipos de vestimentas materiais, não no nível físico “alimento-família”, mas no nível do “dinheiro-poder-conhecimento”. Em essência, tudo se resume a uma coisa: o poder de domínio (o poder do dinheiro, o poder do conhecimento). É um desejo puramente egoísta, mas a pessoa espera alcançar o sucesso na revelação do mundo espiritual.

Se ela tem um forte desejo, então, inicialmente, parece que ela avança rapidamente e com sucesso, mas depois, de repente, descobre que está atrás, e que não pode realmente se conectar com os outros. Por outro lado, ela ouve que a conexão é a principal ferramenta para o avanço. Ela começa a odiar este método, mas não tem para onde ir.

Daí ocorre uma batalha decisiva, da qual muitos fogem. Mas há aqueles que permanecem. Eles aumentam o seu ponto, porque devido ao desamparo eles se rendem ao ambiente. Em seguida, eles finalmente começam a entender que a espiritualidade não é dinheiro, poder ou conhecimento, mas que ela se tornou apenas temporariamente vestida nessas roupas materiais, a fim de avançar mais a pessoa.

Agora a espiritualidade atrai a pessoa ainda mais para cima, porque ela começa a apreciar a qualidade de doação e o amor ao próximo por conta própria. Ela sente que esta força, esta propriedade, é excepcionalmente elevada e exclusiva, está acima deste mundo e possui a essência divina. Precisamente estas forças de doação governam o mundo.

Aos poucos, a pessoa se curva e anula sua natureza egoísta, concordando em se anular perante a propriedade de doação. Todo este trabalho ocorre dentro do grupo. A influência do ambiente é o único fator de tal mudança de valores, onde doação e amor ao próximo se tornam mais importantes para a pessoa do que as boas coisas habituais: comida, dinheiro, família, poder e conhecimento.

Ela está cada vez mais imbuída com o desejo de doar do ambiente e, assim, ela chega à etapa do caminho que é chamada de “Lo Lishma“. Ela investe todos os seus esforços e faz todo o possível para aumentar a parcela de “Lishma” em “Lo Lishma“; isto é, ela doa e doa, querendo estar envolvida na propriedade de doação, mas ainda espera receber algo em troca. Por enquanto, ainda é a doação egoísta, em prol da recepção; no entanto, está se aproximando a doação altruísta.

Aqui, ela precisa de humildade, autoanulação, da grandeza da meta, do grupo, do professor, do Criador. Tudo isso se torna muito importante para ela, e com exceção disso, não há mais nada… Tudo o que ela sonhou antes é gradualmente desvalorizado: primeiro o dinheiro, depois honra, depois poder. Quem ela precisa governar e com que finalidade? Ela quer que a Luz superior a domine. Ou seja, não é apenas o desejo de dominar a si mesma, mas o desejo de se curvar diante da Luz para que esta possa fazer seu trabalho.

A pessoa descobre a sua fraqueza em tudo: ela não pode se anular nem adquirir a propriedade de doação. Ela não encontra um mínimo de doação e amor ao próximo dentro de si, mas também não consegue governar o seu egoísmo. Ela sente que está nua e indefesa. Como ela não está mais interessada em riqueza, honra e conhecimento, ela não tem mais nada, exceto o ponto no coração, que é chamado de sinal da aliança com o Criador. Suponha que ela aprende tudo o que acontece no mundo, toda a ciência inventada pela humanidade. Mas tudo isso está incluído na mesma Luz, e em sua forma direta e verdadeira, em vez da forma invertida, na qual toda a ciência e o conhecimento material são baseados.

Como resultado, ela permanece dependente apenas da Luz que Reforma que chega até ela através de toda a escada dos mundos espirituais, através do professor, por meio do grupo, sob a condição de que quer devolver ao Criador, por meio deles, tudo o que ela tem. A Luz Direta e a Luz Refletida se vestem uma na outra.

Da 1a parte da Lição Diária de Cabalá 24/06/13, Shamati # 175

O Progresso É Fácil Quando Tudo Está Pronto

Dr. Michael LaitmanO ser humano tem uma característica única que não existe em nenhum animal: se ele quer comer algo doce, ele vai misturar isso com algo salgado, ou seja, com um gosto oposto. O princípio da “vantagem da luz sobre a escuridão” é expresso nele significativamente. Mesmo no nível animal existe um fenômeno como este, mas num grau muito limitado.

A mesma coisa acontece nos estados pelos quais nós passamos, e há muito estados bons e agradáveis entre eles, embora os percamos mais tarde sem prestar atenção. O sentimento gradualmente desaparece e eu não sinto a perda. Falta-me a consciência de sua importância e a incessante preocupação de que devo proteger este sentimento.

Então, por que eles me levam a este estado e não me deixam perceber a sua importância e permanecer nele? É por isso que eu atingirei um estado ainda maior. No entanto, eu não sinto nenhuma necessidade de um estado mais elevado; não tenho apetite por ele, não há “aperitivos” que aumentarão meu apetite. Portanto, eu mesmo preciso construir um desejo adicional dentro de mim de modo que não ficarei satisfeito com o estado atual.

Isto é muito difícil. Só se eu quiser expandir o meu desejo de doação, existirá uma possibilidade como esta, graças ao ambiente. Mas se isto se refere ao desejo de receber, isso é totalmente impossível. Por isso, eles nos dão um estado de descida.

A descida pode acontecer desta maneira. Eu não posso ser satisfeito no estado atual e quero acrescentar a ele. Eu me comparo com o ambiente e vejo que os outros avançam em doação mais do que eu. Desta forma, o vazio é formado em mim, e eu aspiro a uma doação maior sem uma descida. Isto é, o ambiente forma uma impressão de descida em mim, e eu já não preciso de uma descida verdadeira.

E se eu não sinto a descida através da comparação com os outros e não vejo que eles doam mais do que eu, então eles me dão uma descida verdadeira e acrescentam ego a isto, um desejo de prazer acima do qual eu devo ter sucesso em trabalhar e levar à forma correta. Este é um processo demorado que continua por um longo período de tempo.

Esse desejo que eu finalmente atinjo, depois de trabalhar no meu ego após a descida e levá-lo até a forma de doação para o próximo nível, eu poderia ter recebido já pronto do ambiente e usado imediatamente! Pensem nisso!

Especificamente neste lugar eu preciso me esforçar, e não tomar o caminho mais longo da primeira descida e só depois ser despertado por aquilo que é ruim para mim. Porque daí eu serei forçado a cair neste mundo, em seus desejos egoístas, até finalmente ser despertado e lembrar que preciso aspirar à doação, e me voltar ao grupo de estudo. Este é um caminho muito longo.

Em contraste a isto, se eu me exponho à influência do ambiente, a inveja e a ambição me expulsam “deste mundo” da situação anterior. Mesmo que eu me encontre num excelente estado e tenha alcançado a subida, eu posso descrever isto para mim como uma descida em relação ao estado do ambiente que parece superior e mais bem sucedido para mim. Todos os amigos parecem grandes para mim, mais elevados.

Pode ser que neste momento o desespero seja despertado em mim, uma sensação da minha inferioridade em relação aos outros, a inveja material mundana de que eles têm êxito e eu não. No entanto, isso só vai me estimular e despertar, e daí é muito fácil passar para a inveja espiritual e se deixar levar por eles, querer trabalhar com eles e ser como eles. Isso já é um estado de “Lo Lishma“, após o qual a Luz que Reforma aparece imediatamente e nos ajuda a avançar.

Seja como for, a vantagem da luz é conhecida apenas a partir da escuridão, e não acreditem que seja possível encontrar o mundo espiritual sem esforço. E vice-versa, não acreditem que alguém faça um esforço e não encontre! A satisfação é determinada apenas pelo Kli (vaso), e não importa onde nós obtemos este Kli: nós mesmos o construímos durante o trabalho difícil em nós mesmos com a ajuda do ambiente ou o recebemos pronto do  ambiente?

Em última análise, o meu Kli é encontrado entre os amigos, no ambiente, que é onde a minha alma se encontra. Portanto, não faz diferença se estou imerso em mim mesmo, no meu ego que desperta estados opostos em mim e por isto me obriga a me voltar ao ambiente, a passar por atividades externas fora de mim mesmo, a fim de estar conectado a algo com todos os outros, ou se eu recebo imediatamente deles a aspiração correta, graças à inveja e atinjo facilmente o mesmo objetivo.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 28/06/13, Shamati # 117 “Você Se Esforçou e Não Encontrou, Não Acredite

Ai Dos Orgulhosos Que Imploram Por Sua Vida

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, Pri Hacham (O Fruto do Sábio): A pessoa que é uma exceção e implora por sua alma não constrói mas sim destrói a sua alma. Diz-se “aquele que é orgulhoso”, porque ela não se pode ser uma exceção se não for pela veste de orgulho, e ai de quem traz destruição para sua alma.

Se a pessoa não aspira a se dissolver e desaparecer no geral, então, do ponto de vista espiritual, isso significa que ela está imersa em orgulho. Não é o orgulho que conhecemos em nosso mundo, que obriga a pessoa a sentir mais e mais sucesso do que outros. Se ela não quer se conectar com outras pessoas e entrar nelas, isso é chamado de orgulho espiritual. Ela destrói a sua alma se não ora, a fim de ser incorporada no geral, e operar através do geral, o que significa pelo bem geral, na medida em que se anula e desaparece lá.

No momento em que nós começamos a chorar e orar para nos conectar, nós recebemos o poder de sair do Egito e se esconder do nosso próprio ego. O êxodo do Egito é uma fuga do meu próprio ego, graças ao reconhecimento da necessidade de conexão.

A Luz se espalha e habita nos vasos de recepção do geral quando todos se unem por cima do ego de cada um e são preenchidos com a Luz de Hassadim. Ao mesmo tempo, cada um anula a si mesmo diante do geral, desistindo do seu desejo de receber, unindo-se num só desejo, num só vaso, que é preenchido pela Luz superior.

Na verdade, a preparação está na conexão, ou seja, em levar-nos à forma da Luz que é única. Então, um vaso recebe uma Luz. No momento em que nós chegarmos até mesmo no menor nível de adaptação à Luz, logo descobriremos que estamos nele, conectados na unidade com o Criador.

Isso só é revelado através da conexão. Todo mundo que pensa e espera chegar a algo de forma independente, e não através do grupo, percebe a realidade de forma errada e, portanto, afasta-se da meta e destrói o grupo. Além do mais, isso se refere a praticamente toda ação, mesmo em nossa vida pessoal, pois a corporeidade deve desaparecer na espiritualidade. Esta é uma condição muito séria e quanto mais nós avançamos, mais difícil se tornam as condições.

Diz-se que a entrega da Torá ocorre todos os dias, o que significa que o estado espiritual já existe e está diante de nós e que tudo depende apenas da nossa preparação para a recepção da Torá, quando manifestaremos uma grande deficiência para alcançar a primeira conexão a ser revelada em nós. Então, nós vamos sair imediatamente do Egito, receber a Torá, e ser incorporados no processo do trabalho espiritual.

Da 1a parte da Lição Diária de Cabalá 05/07/13, Escritos do RabashIgrot “, Carta 33

Substituir A Verdade Com Várias Alternativas

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, do artigo “Paz no Mundo”: Assim, você descobre que o atributo da verdade não tem capacidade prática de organizar o caminho do indivíduo e o caminho do coletivo de forma absoluta e satisfatória. Além disso, ele é completamente insuficiente para organizar a vida no final da correção do mundo.

O atributo da verdade é o único atributo que faz com que seja possível para nós organizar nossas vidas de acordo com a natureza.

A lei básica da realidade é a lei da equivalência de forma. Em princípio, a lei não pode incluir apenas uma coisa, deve haver dois componentes nela que estão ligados entre si de acordo com uma fórmula particular. Portanto, se eu igualo as minhas características pessoais com alguns modelos, com isso eu me encontro em união com ela, em conexão, em realização, e assim por diante.

Isso é chamado de “verdade”. E eu preciso medir a qualidade da minha equivalência a um padrão, ou à falta de equivalência a ele de acordo com as características.

Em geral, toda a criação é o oposto do Criador. Portanto, todo o processo do meu desenvolvimento está na adaptação cada vez maior das minhas características às Suas características o tempo todo, até que eu alcance a unidade, a adesão, e a equivalência total. E a minha capacidade de medir o meu atual nível de equivalência é chamado de “verdade”.

Esta verdade é precisa, clara, verdadeira e testada. Assim, nós podemos verificar constantemente a nós mesmos em relação ao Criador.

Vejam, existe um Criador e uma criatura, e a medida entre eles é chamada de verdade, a verdadeira medida. Esta é a verdadeira medida, o peso, a distância, a diferença, ou a adaptação entre as características.

Essa também é a forma como, entre nós, nós precisamos medir a nós mesmos e ao grupo. E a verdade é que esta é a forma como medimos a nós mesmos: na medida em que cada um se adaptou ao grupo, nessa medida ele se adaptou ao Criador. Em outras palavras, de acordo com o grupo que está corrigido no nosso nível, eles verificam o quanto eu estou danificado ou corrigido em comparação. É assim como nós examinamos o grau de verdade.

Mas como nós podemos medir a nós mesmos agora no mundo físico, a partir do qual queremos nos aproximar da espiritualidade, do fim da correção? De acordo com o que fazemos esta medida? Você vê, nós não vemos uma sociedade corrigida diante  de nós, e não sabemos sequer o que é uma sociedade corrigida.

Enquanto não levarmos para a sociedade a educação integral, o conhecimento do estado ideal – um estado chamado de harmonia, o equilíbrio entre todas as forças e fatores, o contentamento, a partir do qual ninguém pode nos remover – enquanto não tivermos chegado a este estado, nós estaremos em apuros.

Como nós fazemos isso? Nós descrevemos um estado de equilíbrio na sociedade para nós mesmos: todos nós somos iguais, todos nós amamos, damos, e assim por diante. Nós colocamos como meta um estado semelhante a este, e já podemos medir de acordo com este estado.

Mas, apesar de tudo isso, é difícil medir o contraste com ele. Por isso nós continuamos a vagar na névoa e na confusão, o que nos impede mesmo que descrevamos a nós mesmos a imagem correta e sejamos desprendidos das experiências dos vários “construtores do comunismo”. Há uma necessidade de se encontrar padrões verdadeiros e precisos, mas em nosso mundo não os temos encontrado, e os Cabalistas são incapazes de nos dar a escala.

Mas uma medida de verdade é o que é mais necessário para o nosso mundo, pois uma compreensão clara do que diferencia a nossa sociedade e o estado ideal faria com que todos desejassem esse estado. Mas não há nenhuma imagem clara, e todo mundo vê o que vem à sua mente, e, portanto, não podemos sustentar o mundo.

A cada instante o mundo inteiro deve estar desenvolvendo exclusivamente em direção ao término da correção. Os únicos caminhos dados para esta passagem são através de Beito (em seu tempo), ou pelo caminho de achishenah (tempo de aceleração). Portanto, o que vamos fazer se não conseguirmos gerir o nosso desenvolvimento através da medição da verdade e avançar com achishenah?

Em uma circunstância como esta, se você não sabe para onde fugir, para onde ir, é preferível ficar quieto e não se mover. Isto porque o seu movimento errado pode causar danos ainda maiores. A chance de fazer o movimento correto, de acordo com a experiência da nossa história, é zero. Portanto, sobre o que está escrito: “Sente-se e não faça nada”, até que você esclareça as coisas de uma forma natural.

No entanto, a humanidade tentou completar a medida da verdade com outras características, que são como muletas; elas podem apoiar os pés da sociedade humana, em outras palavras, dão apoio com algum grau de conexão, de modo que não nos devoremos uns aos outros. Para isso seria necessária uma medida de verdade que agora se encontra entre nós, na qual nós simplesmente precisaríamos comer uns aos outros. Por isso, cabe a para aperfeiçoá-la com outras características…

Da 4a parte da Lição Diária de Cabalá 30/06/13, Escritos do Baal HaSulam, “Paz no Mundo”

O Que as Palavras de “O Zohar” Revelam

Pergunta: Qual deve ser a intenção certa quando lemos O Livro do Zohar? Deve ser permanente ou variável?

Resposta: Como regra geral, é desejável manter uma intenção permanente quando se contempla a si mesmo como estando unido com os outros, tendo um desejo comum e partilhando uma aspiração comum. Dentro desse desejo integrado, aspiração, a pessoa revela a totalidade dos atributos internos de seus relacionamentos com os outros na medida de seu nível de conexão e sua chance de expor todas as formas possíveis de conexão através da doação mútua que O Livro do Zohar escreve a respeito.

Afinal, com a ajuda de várias metáforas e através da terminologia cabalística (como “Havakuk, Atik, Hamnuna-Saba…”) O Zohar explica-nos os detalhes da realização que estão associados com a nossa conexão. Não há nada além disso.

Em algum momento, houve um vaso espiritual, kli, um sólido dez Sefirot que não tinham diferenças entre eles. Após a ruptura, começamos a distinguir entre as várias partes diferentes que agora estão separadas e distantes umas das outras e que tentam se reunir. Descobrimos vários tipos de conexão. O Zohar nos diz sobre os tipos de conexão. Não há uma única palavra no livro que descreve qualquer coisa, exceto isto. [Leia mais →]

Avançando Por “Entradas” E “Saídas”

É claro que só podemos avançar acima do desejo egoísta corrupto que se revela em maior medida, dia após dia. Somente pela superação e desejo para a meta espiritual com a inclinação certa é que vamos gradualmente avançar em direção ao fim da correção.

A principal coisa a fazer é começar de novo a cada dia, o que significa a cada momento. Vocês devem sentir os novos desejos egoístas, pensamentos, dúvidas e desacordos com o objetivo, e impulsos despertam em vocês de um momento para o outro. Vocês se tornam críticos em relação ao caminho espiritual, ao ambiente, ao professor, aos livros, e às fontes, e são atraídos para outros objetivos.

Também é importante o quão profundamente vocês mergulham em buscas próprias interiores, uma vez que podem enterrar-vos sob sua carga pesada. Vocês não devem gastar mais tempo com elas do que o necessário, mas apenas sentir onde vocês estão e procurar imediatamente sair da escuridão. Precisamos da atitude certa para começar.

Se vocês entenderem que o vosso avanço é baseado apenas em esclarecimentos negativos, então vocês podem estar gratos por eles e avançar. Vocês não vão ter medo de descobrir esclarecimentos cada vez mais desagradáveis a cada minuto. Pelo contrário, quanto mais “entradas” e “saídas” vocês fazem em relação ao objetivo, aos atributos espirituais, doação, amor e conexão, mais feliz vocês serão que vossa vida está cheia de correções.

Mesmo se vocês se prepararem com antecedência e chegarem a algum grande evento, a uma grande convenção, e passarem lá esclarecimentos internos muito sérios, honestos, no dia seguinte, vocês devem estar felizes que vocês começam tudo de novo a partir das mesmas correções e dos mesmos problemas em que já tinham aparentemente estado.

Nada se repete, embora possa parecer assim. No entanto, a pessoa deve se acostumar a começar de novo a cada vez, até que os esclarecimentos se somem a uma medida completa e forneçam a uma pessoa um novo nível para trabalhar. Aí, também, o trabalho começa de novo a cada dia, embora seja um tipo de trabalho totalmente novo.

Da preparação para a Lição Diária de Cabalá 07/07/13

O Domínio Do Único

Rabash, Carta 42: E quando todos se tiverem anulado a si mesmo e todos se preocuparem apenas sobre o amor ao Criador, então eles não serão julgados pessoalmente, já que não há mais opiniões particulares, e todos os indivíduos se anulam e todos entram no domínio do único.

A incorporação é o principal; incorporação traz o barco geral de volta para o estado corrigido e o que é mais, acrescenta á embarcação uma intensidade que é 620 vezes maior. O que costumava ser simplesmente conectado no sistema de Adam HaRishon (primeiro homem), antes do pecado tornou-se algo que é muito maior. Já não é a mesma matéria e não a mesma “terra” inicial, mas, na verdade, torna-se semelhante ao Criador em todos os sentidos.

Em termos de intensidade que é 620 vezes maior, trata-se de uma ascensão qualitativa que não pode ser descrita em palavras. Passamos por uma espécie de aperfeiçoamento e passamos de ser criado com o Criador, elevando-nos ao nível do Doador.

Isso não significa que de agora em diante eu envolvo o mundo inteiro pela minha perceção, não é nada de todo sobre este mundo, mas sim sobre níveis totalmente diferentes. O tamanho do primeiro nível espiritual não pode ser medido no nosso mundo, nem na altura, nem na intensidade.

Tudo é alcançado apenas por incorporação quando eu completo os amigos e os amigos me completam. Ninguém pode completar-se a si mesmo, só os outros o podem fazer e é só a partir deles que ele vai receber o preenchimento.

Da Lição Diária de Cabala 05/07/13, Preparação de Convenções de São Petersburgo, “Ame o seu próximo como a si mesmo,” Lição 3

Incorporado Num Desejo

Uma Coleção de Leis, “A Couraça do Juízo,” As Leis do Fiador, Lei 3-30: “O mais importante quanto ao observar a Torá é o desejo, e isso é alcançado com unidade. Portanto, todos devem ser incorporados na comunidade de Israel numa grande unidade. E assim, durante a receção da Torá, eles precisam tornar-se imediatamente responsáveis uns pelos outros. É assim, porque quando eles querem receber a Torá, devem ser imediatamente incorporados como um, para serem incorporados num desejo, assim certamente cada um será responsável pelo seu amigo uma vez que são considerados um.”

O que é unidade, o que é garantia mútua?

É um estado no qual o Eu “é substituído’ por todos os membros num grupo; Eu recebo a sua recompensa e punição e tudo o que lhe pertence. É como se eu tivesse feito o que quer que ele tenha feito. Você merece o que ele merece. Não há investigações, nem exames; Eu sou totalmente responsável. Isto é chamado de conexão ou incorporação definitiva.

Claro, nós não o alcançamos de imediato, mas passo a passo. No total, o navio geral deve retornar para o seu estado completo. Agora o ego separa-nos, todas as partes do navio, e nós precisamos liga-las novamente em algo homogéneo e unificado. Para fazer isso, nós ‘absorvemos’, cobrimos as fronteiras entre nós com amor, vamos para fora e conetamo-nos entre nós, como se não existissem fronteiras. Assim, nós aumentamos a intensidade da conexão entre nós em 620 vezes, que é a soma dos 613 mandamentos da Torá mais os sete mandamentos dos nossos sábios. Dessa forma somos incorporados num desejo por garantia mútua.

Da  Lição Diária de Cabalá 05.07.2013, Preparação para Convenção de S. Petersburgo, “Ama o teu amigo como a ti mesmo” 3ª Lição

O Amigo E O Vazio

Dr. Michael LaitmanRabash, “Shlavei Sulam”, 1985/86, artigo 21, “Acima da Razão”: A inveja que ele sente em relação aos amigos, quando vê que eles têm melhores qualidades que as suas, motiva-o a adquirir suas boas qualidades, que ele não tem e às quais ele inveja.

Assim, por meio da sociedade, ele ganha novas qualidades que adota ao ver que eles estão num grau superior ao seu, e sente inveja deles. Esta é a razão por que agora ele pode ser maior do que quando não tinha uma sociedade, uma vez que ele adquire novos poderes através da sociedade.

Eu invejo os meus amigos no bom caminho. Eu não quero que eles sejam piores do que eu, eu quero subir para o seu grau. Para fazer isso, eu preciso estar integrados neles.

Eu não concorro com eles nos estudos com base na inveja. Nós estamos falando da propriedade de doação, aproximar-se do Criador, e é por isso que eu tenho que aprender com os amigos como doar mais. Eu não vou viver sem estar integrado neles.

Assim, a inveja espiritual é oposta à inveja material. A inveja material coloca a pessoa na “lista negra” das pessoas sem as quais a minha vida teria sido mais calma, mas a inveja espiritual me leva a acompanhar essa pessoa, apesar da minha natureza, do meu desejo. Eu preciso “abraça-la” internamente, pois ela me ajuda a subir com a mesma intensidade. Assim, a inveja espiritual desperta um maior esforço interno, devido ao qual eu quebro o meu egoísmo e o transformo numa “alavanca” para o avanço.

Acontece que a inveja num grupo é uma grande força que vem do amigo a quem eu invejo; a força que me ajuda a subir acima do meu egoísmo e a me conectar com o amigo.

Além disso, eu também preciso do poder do grupo que irá ajudar a transformar o potencial destrutivo da inveja em algo criativo.

Afinal, no início, a minha inveja do amigo é tão terrível que é semelhante ao ódio. Ele provoca um sentimento negativo em mim, porque eu sinto que ele é maior do que eu. Assim, ele revela um novo “espaço oco”, um vazio, uma falta, uma necessidade de algo em meu desejo. Como resultado, eu o invejo; eu o odeio porque ele é melhor, ele tem outro lado que eu não tenho.

Assim, o amigo forma um desejo em mim e me força a avançar só se eu usar a minha nova necessidade corretamente. Como eu posso transformá-la em doação, em correta satisfação, da mesma forma que ele?

Primeiro nós precisamos de alguma proximidade, alguma relação, unidade. Caso contrário, eu não vou ser capaz de ver nada nele e não terei nada a invejar. É por isso que somos chamados de amigos, porque estamos ligados.

Além disso, eu preciso reconhecer essa adição nele, o que me falta. Uma forte necessidade é formada dentro de mim, e eu valorizo ​​isso. É muito importante não apagar a sua adição e o meu novo desejo no contexto interno da percepção, mas, pelo contrário, começar a trabalhar nele, de modo que isso se torna o mesmo que o meu amigo tem.

Portanto, tudo isso é feito por meio da opinião do grupo: você não vai conseguir sem ele; nem vai conseguir sem o amigo. Os dois fatores me afetam e desempenham um papel crucial no progresso.

Como regra geral, eu sinto inveja de amigos individuais, e não do grupo como um todo, pois ele está “borrado” na minha percepção e não está dirigido exatamente contra o meu egoísmo para que eu possa visar uma propriedade particular.

Bem, da próxima eu faço as ações que são possíveis para mim, e a Luz, o Criador, completa o que foi iniciado… A Luz sempre “finaliza” os nossos esforços.

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabalá 07/07/13, Preparação para a Convenção de São Petersburgo, “Princípios para a Construção de Um Ambiente Melhor”, Lição 4

Dez, E Não Nove Ou Onze

Dr. Laitman with StudentsTodo o progresso é realizado somente no Grupo de Dez. Desse momento em diante, nós só trabalhamos nele. O Grupo de Dez poderia ser centenas de nossos amigos em todo o mundo. Isto também é chamado de dez pessoas, e não nove ou onze.

Tudo tem a mesma estrutura das Dez Sefirot. A única diferença é a escala, uma maior ou menor resolução. Você vê dez pessoas diante de você, mas quando você se aproxima, cada uma das dez pessoas se transforma em dez, e, em seguida, cada uma destas dez se transforma em outras dez, e assim até o infinito.

No entanto, em essência, você vê o mesmo HaVaYaH, o mesmo Grupo de Dez no qual absolutamente tudo está incluído.

Da 1 ª parte da Lição Diária de Cabalá 04/07/13, Escritos do Rabash