Textos na Categoria 'Nações do Mundo'

O Bom E O Mau Faraó

Laitman_115_05Pergunta: O que é o bom Faraó que recebeu os judeus?

Resposta: Nós temos que examinar este conceito no que diz respeito a uma pessoa.

Nós acreditamos que o ego nos leva para a frente: civilização, expansão e crescimento. “Vamos voar para as estrelas, atingir e saber tudo, descobrir! Nós, nós, nós!” Esta é um bom egoísmo saudável. É essencial, pois caso contrário, não nos desenvolveríamos.

Se não fôssemos pacientes com uma criança, por exemplo, e continuamente a limitássemos, ela não se desenvolveria. Por isso nós constantemente lhe permitimos desenvolver, mesmo egoisticamente, não importa como, e quando ela chega a certa idade, digamos 13 anos, começamos a ensiná-la a limitar-se.

Não vamos esquecer que até essa idade a pessoa está imersa apenas em sua inclinação ao mal, e a partir de 13 anos de idade em diante, o bem pode aparecer sob a influência da educação. A idade de 13 anos é um termo relativo. Baal HaSulam fala sobre isso na “Introdução ao Livro do Zohar“.

Eu me lembro que o meu filho, que estudou em escolas religiosas, costumava dizer: “O que você quer de mim? Eu tenho apenas 9 anos, espere até que eu tenha 13 anos”.

Isso é chamado de sete anos de saciedade, quando a nação está satisfeita com tudo. Nós tentamos nos unir e, a princípio, tudo vai bem. O ego é paciente conosco, dizendo: “Cooperem, tudo é bom, tudo está certo”. Então disputas e conflitos começam a emergir  entre nós.

Isso também é o que acontece com as pessoas que estão em amor, quando elas começam a viver juntas, ou nas relações internacionais: “Agora vamos trabalhar juntas e fazer certas coisas e conseguir alguma coisa! Nós, nós, nós, nós!” Tudo está bem; o egoísmo é bom e tudo é maravilhoso e, de repente, algo negativo se infiltra desde dentro. Não importa o que façamos, um obstáculo aparecerá; o mau Faraó surgirá.

Quando você começa algo, você deve saber que se você executar ações que não levam ao equilíbrio entre o bem e o mal, com a ajuda do amor e da conexão mútua, utilizando o método da sabedoria da Cabalá, o que parece atraente e encantador em primeiro lugar, mais tarde irá matá-lo. O anjo da morte atrai e seduz, dá-lhe uma gota de veneno e você está morto.

Esta é a razão que você deve olhar para o ponto de equilíbrio entre as duas forças, do bem e do mal, em todos os lugares, em todas as ações.

De KabTV “Uma Conversa Sobre Pessach” 18/03/15

Tudo Começa Com Pessach

laitman_740_02Neste momento, nós nos aproximamos de um estado onde a humanidade enfrenta uma necessidade de mudar a sua atitude perante a vida, perante si mesma e os seus objetivos de desenvolvimento. Os seres humanos têm que perceber que há um propósito na vida e que a natureza nos leva a alcançá-lo.

Vamos avançar para o entendimento mútuo, a realização benevolente, e a existência confortável conforme a nossa correspondência com o programa que nos guia.

O objetivo que devemos alcançar é acima deste mundo, para além da vida e da morte. No final, vamos fazer a transição para o nível da imortalidade. Este mundo gradualmente se dissolverá e vamos entrar numa dimensão totalmente nova. A propósito, hoje em dia todas as ciências mundanas confirmam este fato. Nós estamos passando por este processo enquanto falamos.

Tudo começa com Pessach, ou seja, quando nos damos conta de que somos capazes de superar o nosso egoísmo e mudamos para a unidade e reciprocidade, observando a regra de “amar o nosso próximo como a nós mesmos”, ou, pelo menos, seguir a regra de “não fazer aos outros o que não queremos para nós mesmos”. Em outras palavras, quando nos sentimos como irmãos e mantemos a garantia mútua. Este feriado é sobre perceber que essa saída do ego é possível.

Quando a pessoa “deixa o Egito” e sobe para o próximo nível, ela enxerga o estado anterior como maldade absoluta e claramente vê como ele pode ser usado corretamente. Isso explica por que se diz que a realização acontece na base do Monte Sinai (derivado de “Sina“- ódio) quando todas as propriedades humanas “estão ao redor da montanha”, enquanto que as nossas aspirações, o ponto de Moisés, sobem ao seu pico.

O Monte Sinai personifica um enorme egoísmo e é essencial para nos fazer subir acima de nossas qualidades que significa a nação reunida em torno do Monte.

O objetivo final do avanço humano é atingir o pico do Monte, onde Moisés e o Criador estão.

De KabTV “Uma Conversa sobre Pessach” 18/03/15

Nós Somos Escravos?

laitman_532Comentário: A Haggadah de Pessach, a história da saída do Egito, começa com as palavras: “Nós éramos escravos no Egito…”.

Resposta: Nós ainda somos escravos, mas não percebemos isso. Nós nos consideramos uma nação livre que vive na “terra de Israel”, mas não é a “terra de Israel”. Não é nem mesmo o Egito ainda. “Egito” significa que reconhecemos a autoridade do Faraó sobre nós. No entanto, nós pensamos de forma diferente.

Olhe o que está acontecendo! Que tipo de jogo o nosso ego joga com o povo de Israel ! Nós estamos submersos em intermináveis ​​discussões, brigas… Estamos completamente imersos em todos os tipos de problemas. O nosso governo e todo o país estão divididos em vários fragmentos. Nós estamos quase diante de uma guerra civil!

Nós estamos muito longe de Pessach! Nós ainda estamos na mais funda e escura escravidão egípcia dos sete “anos de fome”. Nós não percebemos que é o nosso ego que nos governa, joga conosco, e nos coloca uns contra os outros.

Pessach é sobre a decisão de fugir da escravidão, sair do poder do egoísmo, do estado em que “engolimos” uns aos outros, como se diz, “E os filhos de Israel suspiraram pelo trabalho…”.

Pergunta: Será que nós somos escravos hoje?

Resposta: Não, nós não somos, uma vez que “um escravo” significa que a pessoa sente a sua própria escravidão e percebe sua dependência de sua natureza maléfica. Nós admitimos que odiamos nosso próximo e que somos obrigados a discutir e brigar uns com os outros. Nós não sabemos de onde vem esse desejo. Ele surge desde dentro e nós sequer o reconhecemos, nem sentimos que a força que nos rege é estranha para nós. Nós achamos que somos nós que escolhemos nos comportar dessa maneira.

Muitas pessoas fazem coisas ruins, mas não as consideram erradas. No entanto, há pessoas que reconhecem: “Eu estou cansado de minha maldade! Não sei o que fazer com este meu corpo, com minha natureza, os nervos, os estados de espírito… Eu olho para os outros e quero devastá-los. Eu não amo nem a minha esposa, nem a minha família. Eu quero abandonar este mundo. Deixe-o queimar completamente. Eu não tenho nenhuma ideia para onde fugir dessa vida! Eu não me importaria de viver numa ilha deserta”.

A sabedoria da Cabalá explica que a natureza humana foi criada má de propósito, para que possamos chegar à realização de sua maldade. Primeiro de tudo, nós não sentimos que somos maus. Achamos que é natural para os seres humanos ser maus. Então, nós gradualmente aprendemos a diferenciar entre nós mesmos e a nossa natureza e a perceber que somos construídos a partir de dois poderes: “nós” e nossa oposição, a inclinação ao mal chamada de “Faraó”.

Neste ponto, nós consideramos o Faraó como a inclinação ao mal que habita em nós, e pensamos: “Talvez eu devesse tentar evitar o seu poder? Deixe-me tentar tratar todo mundo bem. Não importa como vão acabar as minhas tentativas, mas eu ainda quero aprender a me controlar!” O Faraó constantemente desliga nossa “dupla visão” que está definida para diferenciar entre “nós” e “ele”. Ele nos faz tratar os outros de uma maneira ruim.

No final, nós chegaremos a entender que o Faraó é um poder maligno e hostil que nos controlou para nos fazer reconhecer que é um estranho para nós, levando-nos assim a um desejo de fugir dele. Não está em nosso poder lutar contra isso, mas nós somos capazes de nos separar dele. O distanciamento do poder do mal é chamado de “fuga do Egito”. O mal permanece intacto; somos nós que paramos de nos associar com ele.

O mal ainda está dentro de nós, em algum lugar nas camadas mais profundas de nós, mas nós não o permitimos “saltar” para fora; nós o suprimimos e nos desprendemos dele. O desprendimento da maldade elevando-se acima dela é chamado de “sair do Egito, a fuga do poder do Faraó”. Neste ponto, chegamos à redenção. Ainda não somos um povo livre na terra livre. Nós ainda não fizemos a transição da escravidão para a liberdade. Nós apenas fugimos da escravidão, mas ainda não atingimos a liberdade.

Neste ponto, nós precisamos desesperadamente nos desprender do Faraó. Este estado é chamado de “Pessach“. Nós começamos a corrigir as propriedades associadas com o Egito e o Faraó. Não temos outra natureza. Tudo o que temos é a inclinação ao mal que temos que corrigir e transformá-la em benevolência. A fim de alcançar este estado depois de sair do Egito, nós precisamos de um poder especial que nos permite fazer esclarecimentos sobre a nossa autocorreção. Esse período é chamado de “contando os dias de Omer“.

No Egito, havia abundância de pão para nós. Durante a primeira semana depois que saímos do Egito, nós comemos “pão frugal” chamado “matzá“. Mais tarde, voltamos ao pão regular. Esse período é chamado de “contando os dias de Omer. Omer” é um feixe de grãos.

Nós verificamos os nossos desejos maus, todos os 49 deles. Estes desejos são chamados de “Sefirot. Sete Sefirot ou sete partes de nosso desejo são chamadas de “Hesed, Gevura, Tiferet, Netzah, Hod, Yesod e Malchut“. Cada uma delas se divide em sete partes. É por isso que nós temos 7 x 7 = 49 desejos diferentes que estamos prontos para corrigir.

Nós “abandonamos” esses desejos no momento do nosso êxodo do Egito, ou seja, nós paramos de usá-los. Agora, começamos a testá-los novamente. Nós verificamos cada desejo e avaliamos se usávamos eles para ferir os outros, caluniar, lutar, etc. Nós devemos encontrar uma maneira de usar os mesmos desejos para beneficiar os outros.

Nós devemos fazer a transição da inclinação ao mal para a inclinação ao bem em cada um dos nossos desejos. Nós temos que fazer um “inventário” de nossa maldade. Nós temos que encontrar uma maneira de usar nossos desejos para fins benéficos.

Até agora, ainda se trata de desprendimento do nosso estado anterior. Durante a noite de Pessach, nós fugimos e nos escondemos de todos os desejos. Nós os verificamos e tentamos entender como os nossos desejos se parecem agora. Nós os contemplamos de um novo nível, já estando “fora do Egito” e longe do poder do Faraó.

Nós olhamos para os nossos desejos e ficamos aterrorizados que os tínhamos anteriormente. No entanto, agora nós já os distanciamos de nós; nós não os consideramos mais nossos. Nós nos identificamos com o ponto que saiu do Egito e que está fora de qualquer desejo egoísta.

Neste momento, de uma nova “altura” nós verificamos cada desejo, um por um, todos os 49 deles. É chamado de “49 dias da contagem de Omer” uma vez que do novo nível que acabamos de alcançar, nós começamos a contar e a testar todos os nossos desejos e ver se somos capazes de alterá-los e usá-los para bons propósitos, em vez dos ímpios como fazíamos antes.

Isso é possível por causa do Faraó, que revela a nossa maldade para nós. Agora, nós podemos gradualmente transformar o mal em bem. Quarenta e nove dias da contagem de Omer é a preparação para o 50º dia que é chamado de “Shavuot“: a Entrega da Torá.

Por um lado, ele é chamado de “Shavuot” porque nós contamos todos os nossos desejos e fizemos um “inventário” deles; por outro lado, é chamado de “A Entrega da Torá”, uma vez que recebemos a Luz que Reforma. O Criador disse: “Eu criei a inclinação ao mal e criei a Torá como tempero para ela”.

Neste momento, vemos claramente o mal, uma vez que fizemos um inventário dos nossos desejos. Agora, nós precisamos de uma luz especial, uma força específica, chamada de “Torá”, que vai nos ajudar a usar os nossos desejos um após o outro e todos eles juntos em prol da doação e benevolência dos outros, já que a maior lei da Torá é “amarás o teu próximo como a ti mesmo”. Esse é o nível que, no final, iremos alcançar.

De KabTV “Uma Nova Vida” 24/03/15

Babilônia Moderna

Dr. Michael LaitmanPergunta: A nação Judaica tem passado por uma transformação especial, a transição da escravidão à liberdade, à qual dedica-se a festa de Pessach (Páscoa Judaica). Qual é o significado desta transformação?

Resposta: O significado da libertação da escravidão é adquirir o poder do amor devido à saída do egoíismo pessoal. Nós estamos sob o controle do sistema que nos avança, especialmente dado sob o poder do nosso egoísmo, que é chamado de Faraó.

Primeiro, nós nos sentimos bem nesta escravidão, mas depois percebemos que estamos no exílio e que somos escravos do egoísmo que nos governa de forma absoluta. Nós não concordamos com essa autoridade e desejamos escapar dela, das más atitudes em relação ao outro, porque vemos que desta forma é impossível seguir em frente e existir.

Depois que muitas tentativas fracassadas, nós nos convencemos de que nada pode ser feito e que só um milagre pode nos salvar. Com efeito, o egoísmo está nos matando na medida em que não vemos sucesso em nada em nossas vidas de forma alguma. Deste modo, a lei do Faraó se manifesta entre nós.

Essa é a situação que vemos hoje em Israel. Existem 23 partidos políticos em um pequeno país, enormes lacunas entre diferentes camadas da população, a crise no sistema de ensino, uma crescente taxa de divórcio e de uso de drogas. Metade dos cidadãos estaria disposta a mudar para outro país se tivesse a chance.

Nossa atitude indelicada para com o outro pode ser vista no comportamento nas estradas e em outros lugares. Nós estamos divididos pela indiferença para com os outros e o orgulho. O egoísmo reina dentro de nós e nos faz agir desta forma. Não é nossa culpa, mas é nossa natureza que joga com a gente.

A pessoa deve perceber que nossa natureza é a inclinação ao mal, que nos escraviza. Se não sairmos dessa situação, nossas vidas vão acabar e não deixaremos para trás nada de bom para nossos filhos. A vida vai se tornar pior e eles não terão nem aquelas migalhas de felicidade que tivemos uma vez.

Isso é escravidão, e a Hagadá de Pessach nos diz como escapar para alcançar a liberdade. Mas, acima de tudo, precisamos entender que estamos na escravidão. Afinal, enquanto você se vê na escuridão do egoísmo que nos separa através do ódio mútuo, é impossível entender a realidade da liberdade deste anjo da morte.

Nós temos que querer nos tornar um povo livre em nosso país, independente da nossa vontade. Nós precisamos querer alcançar o amor, a conexão, a garantia mútua e a unidade entre todos acima da nossa natureza egoísta.

O povo de Israel uma vez escapou de seu egoísmo e subiu a uma altura de unidade e amor, que se chama a construção do Templo. Mas depois não fomos capazes de permanecer naquela altura e caímos dela.

Rabi Akiva ensinou que você não pode deixar o princípio do “ama o próximo como a ti mesmo”; caso contrário, cairemos novamente no ódio infundado. O Egito é o estado de ódio sem causa entre nós. Após a destruição do Segundo Templo há 2000 anos, nós voltamos a esse estado de ódio, que é chamado de Egito.

Após milhares de anos vivendo na unidade e na conexão, o povo Judeu foi novamente ao Egito, ao ódio infundado. Mas hoje o mundo inteiro deve perceber que estamos no Egito.

Uma vez, um pequeno grupo liderado por Abraão deixou a babilônia e se tornou unido no povo de Israel. Mas depois, ele voltou para Babilônia e se misturou com todos os babilônios. Hoje, nós nos encontramos novamente diante da mesma torre de Babel e somos confrontados com o ódio contra os outros e a falta de vontade de conhecer e compreender os outros. Isto é chamado de confusão das línguas.

Mais uma vez, nós temos que realizar a mesma ação como a que foi realizada na antiga Babilônia. É dito que os atos dos pais são um exemplo para seus filhos. Hoje, nós precisamos mais uma vez sair do Egito, mas este será o último exílio antes da libertação final.

De Kab TV “Uma Nova Vida” 22/03/15

Os Estados Unidos Estão Perdendo O Interesse No Oriente Médio

Laitman_633_4Nas Notícias (from Maariv Online): “Eu vi um estudo num programa de televisão que até recentemente os Estados Unidos importavam 25% das exportações mundiais de petróleo. Eles eram dependentes da Arábia Saudita e de outras nações. Hoje, tudo mudou.

“Eles desenvolveram uma tecnologia para obter gás mais barato e óleo do xisto (um tipo de mineral), e atualmente os Estados Unidos estão no topo do mercado dos principais fornecedores de energia.

“Agora os Estados Unidos estão enfrentando o problema oposto, encontrar mercados para a venda de seus recursos. A direção preferencial não é o Oriente Médio, mas as nações da Europa e a região do Extremo Oriente. Este fator explica a perda de interesse dos Estados Unidos em relação a Israel. Para os aliados da nação Judaica, o principal trunfo é a tecnologia, mas os Estados Unidos não precisam disso e podem se virar sem os Israelenses.

“A Rússia, China e Europa precisam de tecnologia, mas os chineses a roubam, e a União Europeia a substitui com imigrantes. A Rússia definiu os extremistas islâmicos como uma ameaça à segurança, e num fundo de mudanças geopolíticas um quadro poderia ser criado cujos sinais já estão brotando hoje; seus interesses serão idênticos àqueles de Israel, e ele se tornará seu aliado.

“A fim de estabelecer uma aliança com a Rússia, um regime Republicano de dois mandatos na Casa Branca é obrigatório. Isto irá gradualmente mudar o caráter das relações mútuas e não trará um conflito com os Estados Unidos, que por sua vez foi expresso na proibição de fornecimento de munições, armas e peças de reposição. Em uma visão geral, é possível dizer que os Estados Unidos decidiram sair e ir embora, e o que Israel será para eles? Ele não terá qualquer importância. Chegou a hora de procurar novos aliados”.

Meu Comentário: A força de Israel não estará na força das armas e da tecnologias, mas só através de uma conexão com a força superior que pode ser aumentada e expandida infinitamente através da união entre nós de acordo com o método da sabedoria da Cabalá.

Pessach: Irmãos Em Espírito

Laitman_115_04A base da nação Judaica não é étnica, mas ideológica. Nós temos que começar pelo caminho de volta, há séculos atrás, quando a humanidade concentrou-se na antiga Babilônia e as pessoas viviam uma vida simples, mas em irmandade. No entanto, houve um momento quando conflitos eclodiram, e vizinhos que costumavam ser próximos e amigáveis começaram a  suspeitar um do outro e gradualmente se tornaram estranhos.

Imagine a seguinte situação na perspectiva do nosso tempo: a grama do vizinho é mais verde; ele tem uma moderna máquina de lavar, e ontem eu vi uma geladeira nova sendo entregue na sua casa. Sua esposa é como um espinho aos olhos da minha mulher, pois ela usa um vestido novo a cada dia, seus filhos são desrespeitosos, e além do mais, ele agora tem dois novos cães de raça puros que abertamente olham para meu vira-lata com desprezo…

Em resumo, o ego cresceu na antiga Babilônia e as pessoas deixaram de se sentir como uma nação. É como se elas começassem a falar línguas diferentes.

Então, Abraão, que era um grande sábio, descobriu a essência interior do que estava acontecendo e encontrou uma verdadeira solução para o conflito. Ele descobriu que eles tinham que superar o ego que tinha crescido, a fim de manter as relações calorosas e cordiais entre si.

Mas a maioria não aceitou essa abordagem e acabou em uma ruptura geral. As tribos e povos se espalharam por todo o globo.

Muito poucos seguiram Abraão e foram eles que lançaram as bases para a nação Judaica e o povo Judeu. Eles criaram uma sociedade que, apesar do ego continuamente crescente, manteve o sentimento de proximidade mútua e as relações familiares calorosas entre si.

Pessach De Diferentes Perspectivas

laitman_249-03Pergunta: Qual é a diferença entre a explicação Cabalística do nosso mundo e de Pessach (Páscoa Judaica) e a explicação usual que conhecemos desde que éramos crianças?

Resposta: Existem vários níveis que explicam a realidade, existência, criação, desenvolvimento e o objetivo do homem nela. Quando falamos de Pessach, por exemplo, podemos falar sobre:

1. O período histórico da escravidão que nossa nação passou no Egito.

2. A escravidão da a seu ego no Egito, ao seu Faraó.

3. O desenvolvimento do ser criado, do desejo, sob a influência da Luz, o Criador e sob a influência da escuridão, Egito e Faraó.

Ao mesmo tempo podemos falar sobre os diferentes níveis:

1. a realização técnica dos rituais que na nossa língua são chamados de Mitzvot (mandamentos),

2. A realização psicológica do mandamento de “amar teu amigo como a ti mesmo”, como o mandamento geral e ordem do Criador, que inclui todos os outros mandamentos e ordens como se diz na Torá: ama o teu amigo como a ti mesmo é a grande regra da Torá,

3. A influência Cabalística da Luz Superior nos mundos, e através deles nas almas que passam por diferentes fases de desenvolvimento em sua correção espiritual.

Será Que A Divisão Do Mar Vermelho Realmente Aconteceu?

laitman_749_02Pergunta: Já houve o milagre em que o Mar Vermelho se abriu e o povo de Israel atravessou-o quando fugiam do Faraó?

Resposta: A Torá não fala sobre acontecimentos do nosso mundo material. Ela fala apenas sobre o que acontece entre as nossas almas. Neste sentido, nós passamos por um estado espiritual interior chamado “Travessia do Mar Vermelho”.

O êxodo do Egito e a liberdade da escravidão do Egito representam a liberdade do controle do nosso ego, do “Anjo da Morte”. No início, no caminho para essa liberdade, nós passamos por algum tipo de passagem chamada cruzar o Mar Vermelho. Isso simboliza o fim do Egito, o fim do nosso ego, após o qual podemos nos tornar um povo livre.

A força única da unidade está escondida dentro da natureza que é chamada de Criador. Quando investimos esforços para se unir, para se aproximar do outro contra a nossa vontade, através destes esforços o poder superior cria um estado onde “a divisão do Mar Vermelho” será descoberta. Ele nos move da natureza egoísta para uma natureza de doação e amor.

Do Programa na Radio Israelense 103FM, 15/03/15

O Gene Da Liberdade

Dr. Michael LaitmanPergunta: A celebração de Pessach é uma oportunidade especial para aprender algo novo sobre si mesmo, sobre o nosso povo, sobre a nossa sociedade, e fazer uma mudança qualitativa em nossos relacionamentos mútuos.

O Rav Kook escreveu que se o povo de Israel não tivesse feito essa transição da escravidão para a liberdade, o mundo inteiro nunca teria sido capaz de fazer tal mudança. É verdade que o povo de Israel afeta tanto o mundo inteiro?

Resposta: O povo de Israel é um grupo especial de pessoas que foram selecionadas de todo o mundo e que saiu da antiga Babilônia para se unir.

Hoje, o mundo inteiro está no mesmo ódio mútuo, que foi revelado anteriormente somente entre os judeus durante a destruição do Templo. Devido a esse ódio, os judeus caíram da altura da unidade para o nível deste mundo, e isso significa ir para exílio .

Hoje, o povo judeu está misturado com o mundo inteiro, e todos nós estamos no mesmo estado, chamado de Egito ou escravidão do ódio mútuo.

Uma vez que os judeus já saíram essa escravidão, nós temos memórias, os genes (Reshimot) daquele estado anterior. É por isso que temos que tirar todos os outros desse terrível estado em que toda a humanidade existe agora e estabelecer um exemplo para todos, ou seja, ser “uma Luz para as nações do mundo”.

Agora esta tarefa é para o povo de Israel que vive na terra de Israel. É por isso que nós fomos capazes de voltar aqui. Nós temos que entender a nossa missão em benefício do mundo inteiro. Afinal, o propósito da criação é que toda a humanidade se torne um povo, uma família, como está escrito nos profetas.

De KabTV “Uma Nova Vida” 22/03/15

Faraó: A Quintessência Do Mal

laitman_277Pergunta: Eu acho que o egoísmo é uma qualidade positiva, sem a qual não se pode desenvolver. Se uma criança não tem egoísmo, ela não se esforça em aprender e crescer.

Resposta: A busca por conhecimento, educação, cultura, para ver o mundo, voar ao espaço, isso não é chamado de mal egoísmo. A inclinação ao mal é um relacionamento ruim entre nós, o desejo de usar outros, de suprimi-los.

Apenas o desejo de crescer e de se tornar um grande homem não é o egoísmo, porque com isso eu posse querer trazer benefício à humanidade. O egoísmo é o desejo de se submeter aos outros, escravizá-los.

O Faraó, o rei do Egito, é a quintessência de todos os males. Este poder especial, inerente a todo ser humano por natureza, é chamado de inclinação ao mal, que estraga as nossas relações com os outros. Nós estamos falando só disso, não do desejo humano pelo desenvolvimento.

O Faraó é chamado o rei do Egito, porque reina sobre nós de forma absoluta, sem consultar o nosso desejo. Ele só nos ordena o que fazer: nos sobrecarrega com trabalho duro.

Faraó nos manda construir, isto é, se unir. Mas assim que queremos nos unir, ele está entre nós e nos faz brigar uns com os outros, e desfruta isso.

O ser humano de hoje é escravo de uma força especial chamada Faraó. Na natureza, há uma força que faz avançar o mundo todo no processo de evolução. Ela leva ao desenvolvimento global da tecnologia, ciência, cultura e educação.

Mas dentro deste desenvolvimento, há uma força que nos faz tratar uns aos outros de uma forma ruim, egoísta, aproveitando o fato de que somos superiores aos outros, somos bem sucedidos e podemos atormentá-los.

Todo mundo quer ser o Faraó e controlar os outros. Se ele tem a capacidade de derrubar os outros para que eles não tenham para onde escapar, ele recebe prazer disso. Isso significa que o Faraó vive dentro de cada um de nós.

De KabTV “Uma Nova Vida” 24/03/15