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Será Que O Mundo Precisa De Um Novo Einstein?

Dr. Michael LaitmanNós não podemos nos desenvolver individualmente, quer como países individuais ou como uniões de diversos países contra outras uniões. Diante dos nossos olhos, os americanos perdem país após país, e os europeus descem do pedestal de grandeza, tradição, riqueza e cultura.

A Rússia, com seus muitos recursos naturais, se sustenta exclusivamente pelo negócio de armas e petróleo. A China acorda um pouco e cai novamente. O Japão tem estado estagnado por décadas depois de um boom que viveu há vinte anos.

Assim são todos os países. Alguns estão passando por isso hoje, outros passaram por isso ontem, e os outros vão sentir isso amanhã. Não há nenhuma dúvida sobre isso. Além disso, se no início o ritmo das mudanças havia se estendido por dezenas e até centenas de anos, hoje, cada passo leva muito menos tempo e tem uma nova qualidade.

Isso se aplica a todas as pessoas, tanto adultos como crianças. Os jovens não querem se casar, formar uma família e ter filhos. Os adultos não sabem como lidar com isso, porque nada é bem sucedido, mesmo que eles queiram alguma coisa. Devido à inércia, todo mundo continua a jogar o mesmo jogo, mas eu sinto que é apenas um desperdício de tempo. O banco está vazio; não há sentido no jogo.

Anteriormente, filósofos e políticos nos guiavam, como aconteceu por centenas de anos. Havia muitas pessoas assim. Elas eram respeitadas e ouvidas, incluindo a mídia. Hoje, ninguém se levanta e nem tenta se elevar a este Olimpo. Nós gostaríamos de ver um visionário, erudito ou governante, como Churchill, Roosevelt ou Einstein. No entanto, eles não existem e isso é sentido em demasia! A humanidade se sente como uma criança que foi esquecida.

As formas anteriores de percepção eram baseadas no fato de que o ser humano levou o mundo à ordem, estabeleceu a sociedade, e supostamente governou. No entanto, não foi ele quem fez isso, mas sim a natureza, que revelou o desenvolvimento evolutivo nele. Agora, a natureza mostra ao ser humano que ele próprio deve procurar o componente central do desenvolvimento: Para que nós existimos? Sem esse componente, não saberemos como organizar nossas vidas.

Nós recebemos sentimentos e mente da natureza para que possamos receber instruções dela, processá-los e adicionar a eles. Obviamente, se encontrarmos a meta correta, vamos ter tanta energia e conhecimento suficientes para viver e desenvolver, que novamente teremos realização, aspiração, contentamento e a necessidade da vida. Tal como no passado, uma pessoa vivia pelo que ardia dentro dela: dinheiro, poder, honra, conhecimento, sexo e família. Portanto, agora este objetivo deve puxá-la, substituindo todos os espaços vazios. Sem isso, vamos simplesmente ser uma “casa de repouso”.

Quando nos dermos conta de que vivemos dentro da esfera da natureza que nos afeta, veremos que nos tornamos uma sociedade integral onde todos dependem uns dos outros. Isso é claro para muitas pessoas, mas elas não sabem o que fazer com isso. Tudo o que tocamos se transforma em mal para nós.

O fato é que, num mundo global, qualquer ação incompatível com o sistema geral – a pessoa, a humanidade, a natureza – traz prejuízos. Portanto, nós primeiro precisamos aprender a operar, gerir, ou pelo menos existir confortavelmente, com segurança, para nós e para os outros. Assim que chegarmos a isso, vamos sentir uma resposta positiva desde a primeira ação.

De KabTV “Uma Nova Vida” 02/10/14

A Natureza Não É Um Recurso Para O Ego

Laitman_720Pergunta: Vamos falar sobre viagens à natureza, incluindo ir para o estrangeiro para preservar a natureza e todos os tipos de cantos remotos. A pessoa urbana moderna, pelo menos de alguma forma, tenta se conectar com a natureza e receber prazer com isso. Como você se relaciona com isso?

Resposta: Eu viajo muito ao redor do mundo e sempre tento manter alguns momentos para estar na natureza. Meu professor (o Rabash) e eu gostávamos de sair da cidade todos os dias para conversar enquanto caminhávamos pelos bosques e campos. No caminho para Jerusalém, longe das estradas e das pessoas, fazíamos isso em lugares muito bonitos.

Quando eu vou para a natureza, vejo que há um mundo de complementaridade recíproca de todas as suas partes. Eu vejo que tudo nela está em equilíbrio, exceto os seres humanos. Embora existam espécies de animais que se devorem, mesmo que um exista em detrimento do outro, tudo isso é por necessidade e não por maldade. A forma geral de existência e desenvolvimento é assim.

Quando eu estou na natureza, sinto o poder da natureza. Ela não nos eleva; pelo contrário, nos controla. Nós seres humanos não percebemos isso. A natureza inanimada, vegetal e animal é o “envelope” de nossa existência: por um lado, nós nos afastamos dela, mas, por outro lado, devemos abordá-la por entender que é tudo um sistema geral que deve ser unificado.

Na verdade, o ego, a inclinação ao mal, se desenvolve dentro de nós. É especificamente isso que nos separa do mundo animal. Como resultado, nós nos elevamos acima dele através da força má de subjugação. Nós nos tornamos distantes da natureza e queremos controlá-la para explorá-la a qualquer preço. Pior do que isso, nós valorizamos o dano que causamos à natureza através de nossas atividades; não estamos preocupados com isso, mas só com o nosso futuro pessoal. Isso não é de forma alguma a contabilidade exigida de nós.

Isso ocorre porque o nosso papel é o de manter a harmonia da natureza, que é inerente nela desde o início. Mas nós caímos disso porque o desejo egoísta cresceu em nós, o qual atraiu todos os tipos de conflitos e nos obriga a travar uma luta incessante entre nós.

E esta é também a forma como nos relacionamos com a natureza: “O que pode ser roubado dela, que possível prazer pode ser obtido com ela?” Não importa o que aconteça depois disso. A principal coisa é obter o que necessitamos neste exato segundo. Mesmo que no momento seguinte o dano proveniente seja manifestado, não prestamos atenção a isso.

Portanto, segue-se que o crescimento da inclinação ao mal evoca uma atitude destrutiva nos seres humanos que é prejudicial para nós e todas as outras partes da natureza. Como resultado, os seres humanos devem tomar consciência de seu mal e entender que a nossa abordagem egoísta está prejudicando todo o sistema. A principal conclusão é que a pessoa cresce dentro da inclinação ao mal para corrigi-la, para corrigir sua relação com a natureza inanimada, vegetal e animal; e para complementar todo o sistema, ela deve transformá-lo num sistema integral único, unificado, maravilhoso e harmonioso.

Por outro lado, se juntamente com o desenvolvimento da mente e dos sentimentos, a pessoa usa seus recursos de forma incorreta, em última análise ela certamente vai tropeçar em desastres naturais.

Isto é o que continuará a acontecer conosco, contanto que não vejamos que o nosso ego tem crescido a uma escala tal que já não seja possível controlá-lo. Nós derrubamos as “rédeas” da gestão do mundo de nossas mãos, perdendo o controle em todas as áreas: família, trabalho e relação com a natureza em geral…

E já que nos tornamos um fator global ruim para a natureza, e uma vez que somos um único sistema, em reação, a natureza começou a revelar uma atitude apropriada em relação a nós.

Esta é a situação hoje.

De KabTV “Uma Nova Vida” 21/10/14

Todos Juntos No Ponto Do Big Bang

laitman_933Pergunta: Qual é a conexão entre as relações entre as pessoas e as relações entre os vírus?

Resposta: Toda a natureza é como uma sopa, onde todos nós estamos cozinhando juntos, independentemente deles serem corpos grandes ou vírus minúsculos. Tudo o que acontece na sopa é transmitido a tudo que se encontra dentro dela: às pedras, às plantas, aos animais e às pessoas.

Este é o sistema global integral. Um mundo global significa que há um número infinito de conexões mútuas; todo mundo está conectado a tudo o resto. Eles dizem que você se comunica com toda a humanidade através de cinco pessoas que você conhece. Mas os fios que os conectam em toda forma possível, estendendo-se de um para outro, não são apenas entre as pessoas, mas entre todos os componentes da natureza em geral.

O universo inteiro surgiu do ponto do “Big Bang”, de uma fonte, e começou a se expandir e se desenvolver. E todos nós temos permanecido conectados uns com os outros desde então. São como teias de aranha onde não há um único átomo ou partícula elementar que não esteja conectado com toda a criação.

Nós temos que levar isso em conta e informar a geração mais jovem, proporcionando-lhes especificamente essa visão do mundo. Caso contrário, não podemos esperar uma boa vida para eles nesta era da globalização.

Pergunta: O que cada pessoa precisa entender para ser capaz de passar por esse período com sucesso?

Resposta: É necessário entender que eu estou vivendo num sistema no qual estou conectado com todo mundo e todo mundo está conectado a mim com essas conexões estreitas, como barras de ferro, que o meu menor movimento provoca mudanças em todo o sistema em todos os níveis. Uma pessoa não entende isso e acha que está isolada de todos os outros. Mas isso é impossível.

Tudo veio de uma fonte superior de onde o universo veio a existir, a partir do ponto do Big Bang. Depois disso, ele se espalhou, atingindo todos os níveis. Nós temos que levar isso em conta e entender que é como se estivéssemos no próprio ponto do Big Bang.

De KabTV “Uma Nova Vida” 19/10/14

Tabela Periódica Da Natureza

Laitman_709Pergunta: Desde os anos 30 do século passado, o mundo se tornou uma grande aldeia. Será que a partir desse momento nós deveríamos nos relacionar com a humanidade como uma família, com um único governo, um “Ministério da Saúde” mundial?

Resposta: Isso deveria ter sido feito antes mesmo dessa época, a partir dos anos 20! A Primeira Guerra Mundial foi uma reação ao nosso desrespeito pelo regime geral que conecta todos juntos.

Não importa que existam regiões na América do Sul, África e Ásia, onde se vive como se fosse mil anos atrás. Numa família há tanto adultos como crianças, menos desenvolvidos e mais desenvolvidos de acordo com a idade. Mas a nossa atitude em relação a todos deve ser igual.

Essa unidade deveria ter sido alcançada pela humanidade no início do século XX, mas não foi. Assim, ela recebeu a Primeira e a Segunda Guerras Mundiais e a atual epidemia de Ebola.

Pergunta: E se nos relacionássemos com o mundo inteiro como uma única família, o vírus não se espalharia? Como isso está conectado, e como funciona o sistema de relações entre pessoas, países e nações? Como o vírus Ebola sabe quando precisa se ​​espalhar e quando não?

Resposta: Uma epidemia viral é o resultado de um desequilíbrio. Nós violamos o equilíbrio no sistema, e em cada um de seus níveis surge algum tipo de desvio em relação ao equilíbrio que devemos reconciliar à força. Para reconciliar à força a falta de equilíbrio e restaurar o sistema para um estado de equilíbrio, a epidemia de Ebola surgiu.

O nível humano está acima de todo o sistema, sendo esta a relação entre as pessoas individuais, nações e países. E seu maior estrato é determinado pelo equilíbrio entre o povo de Israel.

Israel se encontra na parte mais alta da pirâmide humana no sentido em que está no interior dela e requer equilíbrio em primeiro lugar; particularmente no Estado de Israel o equilíbrio é necessário. Assim, a remoção do desequilíbrio e, consequentemente, da praga do Ebola é principalmente dependente do povo de Israel.

Pergunta: O que não está claro é qual a relação entre o nível superior, onde nos comunicamos uns com os outros como uma família ou como estranhos, e algum lugar abaixo como ele está infestado de vírus?

Resposta: Bem, este é um sistema unificado que inclui no seu interior todos os níveis inanimado, vegetal, animal e falante. Toda a natureza é um único sistema, fora do qual não há nada.

A Natureza inclui vários níveis da matéria, começando no nível inanimado, onde os átomos se conectam uns com os outros e formam os elementos químicos: carbono, oxigênio, cobre, prata, ouro e afins. Depois vem o nível vegetal com a miríade de diferentes plantas, depois o nível animal, e, depois, o nível humano.

O nível humano não se refere a um mamífero bípede, mas sim à inteligência, o conhecimento, a evolução e a consciência do ser humano, que lhe permite ver que ele pertence inteiramente a um único sistema. O homem começa determinando que ele se encontra dentro de um sistema único e unificado da natureza, que ele depende de tudo e tudo depende dele.

Ele vê que ele percebe um nível superior e através de seu comportamento e relacionamento com as pessoas ele determina tudo o que acontece a todo o resto dos níveis da natureza.

Quando sobe e desce, o ser humano eleva e abaixa toda a natureza inanimada, vegetal e animal junto com ele.

De KabTV “Uma Nova Vida” 19/10/14

A Transição Para Uma Única Família

Dr. LaitmanNós estamos passando por um período único. Se no passado a nossa natureza estava próxima do nível animal e a vida obrigava a pessoa a estabelecer uma família, uma vez que era muito difícil para ela prover a si mesma com as necessidades sem a família, nos dias de hoje, com a ajuda de vários meios e conquistas tecnológicas, nós somos completamente capazes de permanecer solteiros. Se coabitamos, não é sob os termos do casamento, e não como uma família completa.

E nesta época, eu ainda recomendo casar, constituir família e organizar a vida de acordo com o que a natureza exige de nós. Às vezes eles me olham com desconfiança, como se eu estivesse pedindo algo opressivo e indesejável.

Hoje parece ilógico empurrar uma pessoa ao casamento. Afinal de contas, com isso você lhe dá um fardo pesado e debilitante, algo que ela não pode suportar.

Pelo contrário, é tão fácil viver sozinho cercado por aparelhos domésticos eletrônicos que fazem o trabalho que no passado exigia grande força. A pessoa liga um aspirador de pó que se move, coloca suas roupas na máquina de lavar, vai ao supermercado, compra comida preparada, coloca-a na geladeira ou diretamente num forno de microondas, coloca a roupa no secador, e sequer tira o ferro de passar; ela não precisa disso.

A vida diária é agora muito mais fácil do que no passado, mas isso não ajuda a instituição da família. Parece que seria um grande alívio quando todos os tipos de dispositivos fazem a maior parte do trabalho em casa para você, onde você não precisa lavar as fraldas do bebê ou cozinhar mingau para ele… tudo é tão fácil e simples, mas, apesar de tudo isso, tão complicado.

Nós estamos diante de um problema sério aqui, e se quisermos ver um bom futuro para a humanidade e avançar num bom caminho, parece que devemos, antes de tudo, cuidar das próprias pessoas. Elas devem passar por um treinamento básico geral e compreender o que é ser um ser humano, estar conectado a outras pessoas.

Afinal, no passado a nossa conexão com a família, com pais e filhos, com o ambiente de trabalho e a comunidade era mais fácil. As pessoas dirigiam e voavam menos, não mudavam seus empregadores e profissões com tanta frequência. A vida era gasta em “cantos” separados, num lugar pequeno. Era mais estática, relaxada e estável. Em contraste com isso, hoje em dia, com o aumento do ritmo e das muitas mudanças na vida, nós sentimos que a família é muito pesada para nós.

Portanto, primeiro é necessário dar à pessoa a educação correta, mudá-la internamente, de modo que ela vai ver o que está realmente acontecendo. E mesmo que a vida tenha mudado, nós nos desprendemos da natureza que nos encorajou a viver como tribos, famílias, aldeias, cidades, países, o mundo inteiro é como um lugar para que todos possam viver e, apesar de tudo isso, depende de nós compensarmos o que perdemos. Nós já tivemos um sistema de relações naturais com a família e os amigos, com a cidade, com a nação, e agora nós temos que complementar a deficiência.

Sem isso a pessoa permanece negligenciada, abandonada; ela parece estar perdida no meio da multidão. Ela pode fugir de seus pais e quase nunca se comunicar com eles; pode estar em conexão com os amigos principalmente através da Internet. Nosso ambiente tornou-se geralmente virtual. Na internet eu encontro um amigo temporário para mim e muitas vezes me satisfaço com isso.

Em geral, esta é uma fase temporária, uma fase de passagem, que continuará até que a pessoa descubra a diferença entre ela e seu ambiente que ela deve construir por si mesma…

Eu começo a vida no ventre de minha mãe, a continuo em seus braços, depois vou para o jardim de infância, a escola, e todos esses estágios adicionam um “envelope” ambiental em mim onde preciso me desenvolver a tal ponto que vou sentir que sou parte inseparável dele, conectado a todos como estava antes conectado a minha mãe através do cordão umbilical.

Idealmente, qualquer expansão deste ambiente não precisa causar desprendimento. Quando eu vou ao jardim de infância, eu não estou separado de nada; pelo contrário, eles me ensinam sobre uma conexão ainda maior com o novo ambiente, e no jardim de infância eu me sinto como se estivesse em casa, e em casa como se estivesse dentro da minha mãe.

O tempo passa e eu construo uma conexão com o ambiente escolar baseado em boas e amistosas relações de dar e receber que mesmo aqui eu sinto como se estivesse no seio da família, um ambiente de carinho, porque nós estamos soldados tão fortemente com amor e satisfação mútua. Quando eu finalmente entro no resto do mundo, eu continuo a trabalhar com o ambiente com base no princípio da compensação mútua de conexões necessárias, e todos nós nos sentimos como uma família.

Na verdade, a única coisa que falta para mim são esses esforços compensatórios: de minha parte para com o ambiente em expansão, e de seu lado para comigo. Do meu lado uma relação que se expande continuamente com o ambiente – do lado do ambiente para comigo.

De “Uma Nova Vida” do KabTV 7/22/14

Uma Crise Nas Conexões Familiares

Dr. Michael LaitmanEm geral, a natureza nos obriga a ter conexões estendidas a fim de formarmos ambientes estáveis ​​para a pessoa que irá nos acompanhar durante toda a sua vida, independentemente dos processos e situações que experimenta.

No entanto, apesar de entendermos as especificações originais da natureza, também vemos os nossos defeitos que tornam impossível suportar as exigências da natureza e não permitem a construção de uma vida normal, mesmo em termos meramente fisiológicos.

Tanto quanto parece, isso exige um trabalho do nosso lado, trabalho duro que não é fácil, que é inerente somente na liberdade de escolha humana. E a liberdade de pensamento, palavra e ação, que torna possível a construção de uma vida independente, é particularmente expressa na abordagem correta em relação à família. Assim, nós temos que cumprir instintivamente o que não é ativado dentro de nós através da nossa natureza.

Eu devo ser fiel à família, leal ao carinho e educação dos filhos até que eles sejam capazes de se manter e começar a estabelecer suas próprias famílias. De acordo com a tradição judaica, mesmo que uma pessoa atinja a idade adulta com a idade de treze anos e realmente se torne um adulto independente com a idade de vinte anos, mesmo isso é relativo. Até então, a natureza nos obriga a cuidar dela.

Hoje em dia é difícil para as pessoas sustentarem uma família por um longo período de tempo. Este de novo atesta a crise em que nos encontramos.

Cinquenta ou sessenta anos atrás, divórcios pareciam um grande desastre. Pessoas discutiam casos como algo surpreendente e incompreensível, como algo excepcional. Então, enquanto não havia acordo social sobre esta questão, os divórcios não eram fáceis e aceitáveis. As pessoas se divorciavam em casos muito raros. Hoje em dia é difícil até imaginar o que teria que acontecer com as pessoas para estarem prontas para esse tipo de situação.

No entanto, no último meio século, a situação mudou drasticamente. Agora, a maioria dos casais se divorcia, as pessoas se casam algumas vezes e educam os filhos de diferentes casamentos. Isto já não surpreende ninguém. As mulheres às vezes preferem ter filhos sem um marido e, geralmente, não querem se casar.

Quando eu surjo diante de uma plateia, às vezes pergunto para um público de 2000 a 3000, “Quantos solteiros estão presentes nesta sala?” Desta forma eles se tornam conscientes de que até 80% dos participantes não estão num relacionamento familiar. E trata-se de pessoas com idades entre 30 a 40 anos em média.

Depois disso, eu pergunto: “Quem está pronto para se casar?” Então, a maioria dos que respondem positivamente é homens, não mulheres, o que confirma que isso é verdade. Em algum lugar lá dentro, as mulheres não sentem a necessidade de família e filhos. Talvez o que falte seja de alguma forma uma carga para elas, mas decidir se casar e começar a criar relações familiares, sentir-se envolvidas e comprometidas, seja tão difícil para o nosso ego crescente que elas prefiram permanecer solteiras.

Elas podem cuidar de si de forma relativamente fácil. Elas podem prover a si mesmas com todas as necessidades. Especialmente em nossos dias, as mulheres muitas vezes funcionam melhor do que os homens. Além disso, elas sabem como gerir a economia doméstica. Mesmo que estejam ocupadas, elas permanecem suficientemente livres de todos os tipos de obrigações e estão abertas às oportunidades que o mundo moderno oferece.

Por outro lado, isso não é tão fácil para os homens. Eles não têm o cuidado feminino, sentem-se um pouco mais “suspensos no ar” do que as mulheres, e muitas vezes não estão preparados para cuidar de si. No entanto, eles também veem a família como um fardo, um jugo pesado. Se fosse possível, o homem moderno preferiria sua mãe à sua esposa. Família e filhos com todas as suas implicações não são para ele.

De KabTV “Uma Nova Vida” 22/07/14

Eliminar As Disparidades Numa Nação

laitman_426Pergunta: Você fala sobre a necessidade de consolidar todo o povo numa família, mas não é este o sonho da extrema-direita europeia, “Nós somos uma família, e eles não são”?

Resposta: O problema da facção mais à direita é que ela coloca seu próprio povo num lugar especial, acima de todo o resto dos povos. No entanto, aqui nós não estamos falando de subir acima dos outros, mas da união entre as pessoas. O que há de errado nisso?

Suponha que eu sou francês e outras nações não me interessam. A França é totalmente suficiente para mim, e eu não quero que aqueles que não são considerados franceses vivam na França. Além disso, isso se refere ao francês de acordo com a cultura e não o nacionalismo.

Belgas virão e até mesmo judeus. A principal coisa é que nós tenhamos uma cultura geralmente uniforme, uma visão compartilhada das coisas. Assim, a França é a nossa nação comum. Nós estamos de acordo com a sua constituição, legislação, costumes, normas e linguagem.

Assim, se um determinado setor aumenta esta unidade, não importa como ele é chamado: direita, esquerda, centro, etc. Esta abordagem é boa, já que não se realiza à custa de outras nações. Eu não olho para os outros. Eu simplesmente quero que o meu país viva em paz e tranquilidade, seja feliz e próspero.

O que há de ruim nisso? Uma pessoa se preocupa com sua nação. Ela quer que o seu povo viva como uma família. Mesmo que ela não tenha uma visão ampla ou a força moral para se preocupar com os habitantes de outras nações, e mesmo que isso seja chamado de “nacionalismo”, ela está num sentido correto. Ela não é um chauvinista. Ela não tem ódio para com os outros, para com os estrangeiros. Ela só está preocupada com o seu próprio povo, e não à custa de outras pessoas.

É verdade que, num caso como este, a nação não esteja pronta para entrar em algum tipo de parceria, como no exemplo da atual União Europeia, mas não há necessidade disso também. Primeiro o seu povo passa por nova educação, luta pela igualdade, a unidade, num nível geral comum aceito por todos. Aos poucos, as pessoas vão absorver novos valores, de modo que elas mesmas já desejarão alcançar algum tipo de média ideal, uma cesta de produtos e serviços necessários que são uniformes para todos.

Certamente, nós não dizemos que seja um padrão geral. A prosperidade pode variar em duas ou três vezes. No entanto, em suma, esta é uma pequena diferença, o “jogo” social e não um abismo social, como é hoje.

Pergunta: Se a extrema direita aceitar uma abordagem como esta, eles vão aumentar o seu sucesso?

Resposta: Com certeza Para isso, é necessário mudar a legislação na direção apropriada. Em grande escala, é necessário registrar o que é essencial. Todos os habitantes da nação devem aceitar sua cultura. Eles devem ser, digamos, francês, independentemente da fé religiosa. A pessoa deve ser leal à pátria a que chegou.

Por exemplo, os afro-americanos nos Estados Unidos não agem contra sua nação. Eles especificamente se sentem americanos. Sim, eles têm diferenças de opinião com outros setores, mas vivem em sua nação.

De acordo com isso, na Europa, mesmo que você seja um muçulmano, você deve manter sua fidelidade à nação em que vive. Caso contrário, você invalida seu direito de viver lá.

Pergunta: Uma unidade nacional como essa é um pré-requisito para a unidade do mundo?

Resposta: Não, mas agora nós estamos falando de uma região específica, das nações europeias, onde a tensão entre os setores tem crescido e, neste contexto, a União Europeia não se encontra na ordem do dia por enquanto. É possível falar de cooperação econômica e militar, mas esta não é a unidade. Pelo contrário, estas são atividades conjuntas numa base contratual.

Por outro lado, a verdadeira unidade representa uma transição aos relacionamentos familiares. Isso é algo que é muito mais denso, mais íntimo, profundo e abrangente, quando toda a Europa se torna realmente um lar comum para seus habitantes. No entanto, eles não estão prontos para isso hoje, porque estão muito longe uns dos outros.

De KabTV “Uma Nova Vida” 09/09/14

Bilhetes De Cinema Em Vez De Pão

Dr. Michael LaitmanPergunta: O que acontece com uma pessoa quando ela entra num teatro e fica impressionada com a sua atmosfera especial? Para onde vão seus pensamentos e preocupações diárias?

Resposta: É um fato conhecido que os peixes grandes comem os peixes pequenos. Assim, se uma pessoa assiste a eventos no palco, ela experimenta uma emoção muito maior do que todas as suas outras emoções, e esquece todas as suas preocupações.

Durante a Grande Depressão nos EUA, nos anos 1930, as pessoas compravam ingressos de cinema em vez de pão. O filme era mais importante do que o alimento, porque evocava grandes emoções nelas. Elas se esqueciam de si mesmas durante o filme e não precisavam de pão.

Pergunta: Por que é tão importante para uma pessoa se esquecer por um par de horas?

Resposta: Isso lhes dá satisfação ilimitada. O pão pode encher o estômago, mas ao comê-lo, a pessoa está engolindo cada pedaço com lágrimas, sofrimento, porque é pobre e miserável. Desta forma, ela não se torna livre das dificuldades e problemas que a vida traz. Ela se preocupa com sua família, esposa, filhos, sua casa, e vê quão impotente e fraca ela é.

Mas quando ela vai ao teatro e experimenta a vida de um rei num castelo, que é tão distante da sua própria vida, ela está preparada para pagar por esta experiência. Ela se identifica com os protagonistas e sente como eles são iguais. Ela passa duas horas num mundo mágico. Consumida pelo desempenho, o espectador deixa de existir; ele se torna uma esponja que absorve tudo o que acontece no palco.

Pergunta: Mas para onde é que a sua própria vida vai durante essas duas horas?

Resposta: Sua própria vida desaparece e ela sente como se existisse num sonho maravilhoso. Na realidade, a nossa vida atual também é um sonho… Mas essa é uma outra peça.

De KabTV “Uma Nova Vida” 22/05/14

Natureza É Unidade

Laitman_707Nós vivemos numa “bolha” da natureza inanimada, vegetal e animal. Através disso nós provemos nossa existência. Este ambiente “transmite” ou dispõe para nós exatamente aquelas condições necessárias para o nosso progresso.

Desta forma, nós recebemos uma abundância de constantes mudanças. Na verdade, em geral, é necessário entender desde o Big Ben este processo tem continuado até hoje, e por toda a sua extensão, o poder geral de desenvolvimento nos moveu em direção a sua meta, em direção ao equilíbrio completo.

Durante o decorrer deste processo, a natureza inanimada, vegetal, e animal desenvolveu-se na face da terra, e depois disso a espécie humana. Num momento particular da história, querendo isso ou não, a espécie humana teve que tomar as “rédeas”, ou seja, as ferramentas de controle em suas mãos para ser devidamente incluída no desenvolvimento.

A partir deste momento nós nos envolvemos com o processo não como antes. Até nos tornarmos conscientes da situação, nós nos desenvolvemos instintivamente de forma semelhante à natureza inanimada, vegetal e animal, onde também há uma abundância de problemas, e a pressão das circunstâncias, incluindo desastres.

Mas, quanto mais temos nos desenvolvido, mais nos tornamos ligados ao processo; nós participamos nele conscientemente e com compreensão, e é assim que temos mais problemas. Por enquanto eles estão subordinados a isso: Será que aceitamos a mensagem, de que estamos nos desenvolvendo em conjunto com a natureza? Se assim for, será bom para nós, e se não, vai ser ruim para nós, dependendo do nosso nível de desenvolvimento.

Adão foi o primeiro a descobrir o processo geral de evolução pelo qual nós devemos ir, não só no nível material”bestial”, mas também no nível humano. A partir de Adão, que viveu 5775 anos atrás, nós passamos para uma nova fase. Nos estamos “embutido” na natureza; de acordo com o grau de participação com ela, nós estamos prontos para despertar e atrair a nós mesmos, assim como os níveis gerais do inanimado, vegetal e animal, um desenvolvimento bom, agradável, rápida e fácil.

O desenvolvimento natural é geralmente caracterizado por etapas muito rigorosas. Elas são semelhantes a um parto difícil, estão ligadas ao estresse, problemas e perigos, e são acompanhadas de fenômenos naturais dramáticos. Por milhões de anos a Terra esfriou, endureceu, e novamente aqueceu, dilacerada pela pressão do magma.

Eras geológicas foram substituídas, a natureza da terra foi mudada, espécies individuais morreram e outros apareceram, o aquecimento e o arrefecimento se alternaram e, finalmente, chegamos à situação atual, que também não é definitiva. Também continuamos a a nos desenvolver; além disso, este desenvolvimento é mais rápido do que em épocas anteriores.

Em geral, tudo isso tem dependido da força geral da natureza, que a sabedoria da Cabalá explora em profundidade. Os conceitos de “divindade” e “natureza” são idênticos, pois isso fala de um poder que tem um plano geral preciso dentro do qual devemos estar integrados, entendendo e alcançando-o gradualmente. Nós devemos ser incluídos dentro dele de forma consciente e com conhecimento, descobrindo uma participação cada vez mais madura. Essa integração também está gravada nele.

Voltando a Adão, ele foi o primeiro a descobrir este programa e a entender que a natureza busca o equilíbrio. Isto significa que nós podemos nos equilibrar com a natureza inanimada, vegetal e animal, e também construir o equilíbrio entre nós no nível humano, de tal forma que, em última análise, cada pessoa na face da Terra vai sentir que não há separação ou desprendimento entre nós e entre tudo o que se encontra fora de nós; isso é chamado de desenvolvimento da consciência. Eu alcanço uma consciência, um entendimento, um sentimento, que toda a natureza é um sistema unificado. E com este sistema unificado eu estou em harmonia, em reciprocidade, em homeostase, numa troca mútua de materiais, pensamentos e desejos.

Desta forma eu devo finalmente anular todo desprendimento e lacunas entre o que eu sinto agora como “eu” e o que parece externo. Minha pele não me separa mais do mundo e do ambiente. Eu alcanço a consciência e a compreensão de que tudo pertence a um único sistema unificado; é toda a essência do ser.

O nível humano é assim. Nossos corpos pertencem ao mundo animal, ao passo que a nossa essência pertence ao nível humano, que é superior. Sua singularidade é que nele nós vemos como percebemos o mundo como um todo.

Neste mundo único e exclusivo, nós descobrimos o poder exclusivo da natureza que administra tudo, e nos identificamos e fundimos com ele. Qualquer um que tenha tentado alcançar a natureza como o equilíbrio de um único todo, descobriu e alcançou este processo precisamente até o seu estado final, onde nos juntamos e fundimos com a força da natureza circundante.

A última “estação” no caminho do nosso desenvolvimento é assim. Nós não sabemos o que vai acontecer depois disso. Na verdade, há também algum outro estágio…

De KabTV “Uma Nova Vida” 21/10/14

Todo O Mundo É Um Palco

laitman_565_02Pergunta: Por que as pessoas gostam de relembrar eventos passados, mesmo que fossem trágicos?

Resposta: Se um evento retrocede para o passado, ele não é mais percebido como uma ação física, ele deixa para trás apenas a experiência emocional. Além disso, agora a pessoa tem a oportunidade de compreender o passado e senti-lo profundamente.

As pessoas gostam de ler histórias ou ouvir músicas que as lembrem de julgamentos passados, para compartilhar lembranças sobre o que passou nos campos de concentração ou de Stalin que milagrosamente conseguiram sobreviver.

Elas relembram seu amor não correspondido, a separação de seus entes queridos, ou seja, vários dramas de suas vidas. Mas depois, tudo é suavizado, uma vez que esta é a forma como a nossa vida funciona. Toda a vida é um teatro. Esta é a percepção que chegamos no final de nossa vida, nós nos sujeitamos, vemos que ela é realmente assim, e, portanto, visualizamos todo caminho percorrido da vida como uma representação teatral.

Nós estamos prontos para parar de nos preocupar com o passado, tendo compreendido que isso tinha que acontecer exatamente assim. O jogo acabou, a cortina cai, e esta vida chega ao fim.

Portanto, o teatro tem muito a nos ensinar. Se ele é realmente uma boa produção, estamos dispostos a pagar altos preços pelos bilhetes, e nos preparamos para a saída ao teatro como para um evento especial.

Ao longo das duas horas de peça, todo um período da vida se desenrola diante de nós, juntamente com a sua subsequente moral. Nós vemos situações da vida com as quais podemos aprender e tirar conclusões pessoais, imaginando-nos no lugar dos personagens. O teatro tem um alto potencial educativo, a única pergunta é: Como ele pode ser usado corretamente?

De KabTV “Uma Nova Vida” 22/05/14