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Contos: As Escolas De Cabalá

Dr. Michael LaitmanDesde o momento em que uma pequena parte dos babilônios se juntou a Abraão e começou a trabalhar junto em unidade mútua, o ponto de partida do povo judeu começou.

Embora ainda não fosse um povo formado, o grupo de discípulos de Abraão, que eram cabalistas, recebeu dele o método de unidade com o propósito de revelar o Criador e começou a avançar.

Do ponto de vista Cabalístico, avançar não diz respeito à história de sua mudança da Babilônia para a terra de Canaã, a descida para o Egito e retorno à terra de Israel, mas ao crescimento de seu egoísmo e sua ascensão constante acima dele. De fato, a ideologia com a qual eles concordaram na antiga Babilônia continuou a agir neles.

No processo do crescimento do egoísmo, o povo gradualmente começou a mudar e se tornou mais sofisticado, tanto egoisticamente como altruisticamente. Sua unidade passou por várias metamorfoses e assumiu diferentes formas.

Portanto, a escola de Abraão se transforma na escola de Isaac, depois na escola de Jacó, depois José, e, finalmente, na escola de Moisés. Todos eles representam uma variedade de movimentos das pessoas a uma revelação cada vez maior de ego e a subida acima dele.

A escola de Isaac representa o desejo do povo de romper com seu egoísmo e subir firmemente acima dele. Este é o sacrifício de Isaac, quando a pessoa está pronta para abater seu egoísmo. De fato, num primeiro momento, ela acha que esta é a única forma de manter o seu avanço.

Depois é formada a escola de Jacó, que acredita que não se deve matar o egoísmo, mas equilibrá-lo com a propriedade da misericórdia, representada por Jacó. Afinal, quando a misericórdia começa a usar corretamente a propriedade de Isaac (a brutalidade do julgamento), então ela se transforma na propriedade de Israel, que significa direto ao Criador.

Este é um avanço sério, onde tanto as forças egoístas e altruístas estão se unindo, com o egoísmo remanescente na parte inferior e o altruísmo subindo sobre ele. Assim, subindo e descendo de forma síncrona, eles se movem juntos. Esta é a forma como as pessoas crescem, compondo as duas partes da natureza dentro de si, e na simbiose correta entre si, elas revelam o Criador.

O movimento espiritual de Israel gradualmente leva as pessoas ao Egito. O desenvolvimento no Egito significa que o egoísmo das pessoas aumentou ainda mais, até o nível do Faraó, e elas foram obrigadas a subir sobre ele.

O Faraó representa o egoísmo, sobre o qual a pessoa não pode simplesmente subir e usar. É necessário ser puxado rapidamente para fora dele, corrigi-lo em pequenas porções, transformando-o em altruísmo.

O povo de Israel, estando no cativeiro egípcio, ou seja, num estado extremamente egoísta, descobriu que não poderia seguir a ideologia de Abraão. Um novo líder, cujo nome era Moisés, surgiu entre eles. Ele foi capaz de organizá-los para que eles entendessem que o progresso deve se basear no desprendimento do egoísmo. Isso significava que eles tiveram que escapar do cativeiro egípcio, o cativeiro do egoísmo, e, lentamente, começar a corrigir suas partes.

Enquanto estavam no Egito, sob a pressão de um ego enorme, o povo estava no mesmo confronto como na antiga Babilônia. Moisés compreendeu que era necessário fazer mais um esforço, sair do Egito e ir para a terra de Canaã, como quando o grupo de Abraão veio da Babilônia.

A terra de Canaã simboliza o estado espiritual que dá às pessoas a oportunidade de se unir internamente, subir acima do egoísmo e afastar-se dele, ou seja, deixar o Egito, ir para o deserto do Sinai e dirigir-se à terra de Israel.

Esta é a essência da escola de Moisés, o seguidor direto de Abraão. Na história do desenvolvimento espiritual, não há nenhuma personalidade mais brilhante do que Moisés. Afinal, o grupo de Abraão veio da Babilônia depois de subir sobre o egoísmo manifestado e isso era o suficiente, mas agora seus seguidores, ao escapar do Egito, não só deve subir acima de um enorme ego, mas também corrigi-lo gradualmente.

De KabTV “Contos” 22/10/14

A Força De Superação, Parte 3

laitman_527_01A essência da superação é que a pessoa sente a importância naquilo que não gostava antes. Por exemplo, ela quer perder peso e é por isso que se junta a uma associação de perda de peso. Nesta sociedade, todo mundo fala como é ruim ser gordo, o quanto isso prejudica a saúde, faz com que os outros gozem de você, e lhe deixa infeliz e inábil.

Ouvindo tudo isso, a pessoa está ardendo com o desejo de perder peso. O ambiente tem uma forte influência sobre a pessoa, e ela começa a seguir uma dieta. No passado, ela não podia deixar de comer doces. Agora, de repente, ela perde o gosto pelas coisas que amava antes. Assim, ela está mudando gradualmente.

Isto é, a superação está relacionada não à ação em si, mas ao sentimento de importância adquirido daquilo que se pensava anteriormente ser sem importância e não era feito, na medida em que ela seguia seu desejo.

Mas agora eu venci minha relutância, adquiri uma nova necessidade, desejo e valor e, portanto, atuo para alcançar isso. Isso já não é mais difícil para mim e não exige superação.

Suponha que eu deva me abster de almoçar. No início isso era absolutamente impossível para mim, porque eu esperava ansiosamente por este almoço desde manhã. Mas agora eu não só deixei de esperar por ele, mas me esqueci totalmente dele. Ou seja, a superação foi necessária para parar de pensar em comida, mas não de se abster dela.

Pergunta: Em algum momento, a pessoa se acostuma com a dieta tanto que se torna fácil observá-la?

Resposta: Não, não se trata de um hábito, mas de encontrar um desejo tão forte de se tornar magro que irá suprimir completamente o apetite.

Antes eu estava atraído por algo prejudicial para mim e estava constantemente pensando nisso. Mas agora eu penso justamente nesse mal, que se torna mais importante para mim do que prazer. Ser magro é mais importante para mim do que comer algo saboroso e ganhar peso. Eu não posso perder peso enquanto como tudo o que vejo.

Se o risco de obesidade para mim é mais importante do que o prazer da comida, a importância disso, o meu desejo de ser saudável, me direciona para o outro lado. Assim, não é difícil para eu seguir uma dieta. Eu esqueço que existe comida deliciosa.

Isto é, eu não preciso superar o meu desejo de comer o tempo todo. A superação é necessária apenas para manter uma compreensão constante em mim da importância de ser magro.

Normalmente, as pessoas associam a superação com uma luta com o seu desejo de comer comida saborosa. Mas isso não é correto. Superação é buscar sempre a confirmação de como é bom estar em forma. Eu tenho que fazer constantemente afirmações: “É importante estar esbelto! Quão magras estão as pessoas ao meu redor! Como é nojento ser gordo!”.

Então, eu não vou ter medo de passar por um restaurante ou uma pastelaria; seus sabores não me atraem porque eu visarei coisas diferentes. Meu desejo não será direcionado para a comida, mas em como ser magro. Ou seja, eu preciso mudar o vetor do meu foco, o objetivo, mudar a atenção de um para o outro: da comida saborosa para uma figura esbelta. Esta é a totalidade da superação.

De KabTV “Uma Nova Vida” 27/05/14

Filhos Do Universo, Parte 1

laitman_739Pergunta: Vamos sair para o espaço aberto, para o universo que realmente nos deu a vida. O universo é o sistema da criação que é feito de matéria e energia. Ele engloba o mundo que conhecemos, incluindo o espaço e o tempo.

O universo é dinâmico, e de acordo com a teoria do Big Bang, ele está se desenvolvendo de um ponto de partida e está se expandindo gradualmente. Processos universais têm bilhões de anos de idade e estão sujeitos às leis que a ciência moderna estuda. No conjunto, o que podemos extrair do que sabemos sobre o universo?

Resposta: Em primeiro lugar, ao estudar algo, nós temos que determinar a essência dos pesquisadores. O pesquisador é uma pessoa que também é parte da natureza, do universo, do sistema global.

Nós devemos entender as ferramentas de pesquisa que temos; isso manifesta o nosso primeiro erro: vamos supor que nós podemos estudar a natureza objetiva.

Mas, por enquanto, como já dissemos, nós somos parte dela, e uma parte bastante defeituosa e subjetiva. Nós valorizamos e elogiamos o que é bom para nós, e, por outro lado, subestimamos e menosprezamos o que é ruim para nós. Tudo isso acontece em nosso inconsciente.

Além disso, nós somos muito limitados em nossas sensações, sentimentos e sentidos; não sabemos onde eles falham e quando nos enganam. Nós não podemos perceber os erros que cometemos em nossos atributos analíticos e nossas habilidades de esclarecer e comparar as coisas. Isso não está em nosso poder, porque não temos os critérios para examinar as coisas e simplesmente não temos nada com que comparar a nossa mente e sentimentos.

Se estivermos prontos para ao menos reconhecer nossas limitações, é uma coisa boa. A partir daí, nós entendemos que não há nada de absoluto na nossa percepção e que nunca saberemos e obteremos o absoluto. Mesmo que possamos investigar alguma coisa, é só os níveis abaixo de nós: inanimado, vegetal e animal. Eles não são tão desenvolvidos como nós e, portanto, nós podemos estudá-los de alguma forma.

Por outro lado, não podemos estudar a nós mesmos. É porque tudo é alcançado apenas a partir de um nível mais elevado. Esta é a única maneira de podermos atingir a raiz, e, consequentemente, não conhecemos a nós mesmos, porque a nossa raiz, a fonte, o plano, está num nível mais elevado do que nós. As razões subjacentes à nossa essência permanecem inatingíveis.

De KabTV “Uma Nova Vida” 02/03/14

Como Alguém Vende A Felicidade?

laitman_228Pergunta: Quando eu olho para minha família e meu ambiente imediato, eu me pergunto: “Será que a depressão é resultado de uma falta de vontade de comprar coisas novas ou é criada a partir da falta de dinheiro”?

Pode ser que se houvesse mais dinheiro, a felicidade voltaria, e seria possível continuar a realizar compras. No entanto, eu notei outra coisa: o tédio.

Resposta: O mundo não tem o conteúdo que uma pessoa está buscando agora. No passado, nós nos contentávamos em ver um filme interessante, nos divertir e ter convidados. Nós vivíamos de uma maneira mais natural e pensávamos que isso passaria.

No entanto, a situação mudou. Por um lado, os fabricantes não levam em conta a mudança nas pessoas. Assim, nos desfiles de moda, os designers inventam roupas que estão longe da realidade. Esta é uma arte única através da qual eles querem transmitir os seus pontos de vista sobre a individualidade de uma pessoa. Seus exemplos são apropriados apenas para pessoas que pesam 40 quilos e medem 1,85 m.

Por outro lado, os desejos estão mudando fundamentalmente e mudaram para uma nova qualidade. Em vez de dinheiro, respeito, controle, educação e até mesmo conhecimento, uma pessoa agora quer saber para que ela está vivendo. Ela aparentemente para na meia-idade e começa a refletir sobre as coisas.

Este desejo vem de dentro; não é porque de repente nos tornamos mais inteligentes ou filosóficos. A natureza nos muda de acordo com o seu programa e pensamento, e não somos os mestres disso.

Nós temos que ver esta tendência, mas não temos qualquer possibilidade de mudar, parar ou diminuir a velocidade de alguma forma. Nós temos que concordar que este processo não só continuará, mas também se expandirá. Vamos senti-lo mais profundamente e vai ser difícil para nós resistir a ele.

Se entendermos isso desde o início e reagirmos de forma consciente, os meios de comunicação e publicidade vão gradualmente mudar na direção de uma maior flexibilidade. Então, eles irão junto com a natureza. Na situação oposta, eles são como dois trens, cada um indo na direção oposta.

Nós vemos que o mundo está voltando a uma forma natural e contraindo-se ao seu consumo natural. Isso se expressa mais claramente no setor financeiro. O dinheiro de papel está perdendo o seu valor. Tudo está retornando à igualdade natural.

Em outras palavras, muito em breve o nível de nosso consumo irá corresponder exatamente à quantidade de ouro que temos. Depois, vai ser muito importante entender qual será a nova forma de produção e consumo.

Nós fomos educados pelas propagandas que as coisas supostamente nos deixam bonitos, respeitados e bem-sucedidos. Isso significa que elas estavam nos vendendo prazer. Então, que prazeres podem ser vendidos agora para o novo desejo? É o prazer da conexão e união! Vistam-nas com entretenimento ou criatividade e a pessoa vai senti-las como a fonte de seu prazer.

De KabTV “Uma Nova Vida” 02/10/14

A Força De Superação, Parte 2

Dr. Michael LaitmanPergunta: Acontece que toda a superação reside no desejo que vai vencer em mim?

Resposta: Se os meus pais me punem, me forçando a fazer a tarefa de casa, o meu desejo de evitar os golpes se torna mais forte do que o desejo de descansar, e eu vou fazer tudo o que for necessário.

Nós sempre agimos de acordo com o nosso desejo. A única questão é saber se é o meu desejo que me obriga a agir ou o desejo de outra pessoa. Se este desejo surge diretamente em mim, eu o realizo com prazer e ele não me obriga a superar nada.

Se eu vejo que o desejo não é meu, isso é chamado de coerção. No fim das contas, eu também realizo o ato necessário por minha própria vontade, calculando que de outra forma eu seria punido ou não teria dinheiro para comprar comida. Mas esse é o desejo de alguém, não o meu verdadeiro desejo, que me obriga a agir, e é por isso que eu faço isso sem alegria.

A ação em si não contém qualquer superação! Eu sempre faço tudo de acordo com o desejo: que emerge em mim ou que me pressiona e me força. Mas, superar por mim mesmo é obter bons desejos que são úteis para mim. Portanto, eu propositadamente os absorvo do ambiente.

Por exemplo, meus pais queriam que eu me tornasse músico. Assim, meu pai me levou para assistir filmes sobre músicos. Ele queria que eu me inspirasse por sua vida, glória e fama mundial, e também queria que eu desejasse ser como eles. Mas a única coisa que eu me lembrava, é que, no final, todos eles terminaram suas vidas e morreram, porque eu era uma criança de 6-7 anos de idade.

Usando esses exemplos, meus pais queriam incutir em mim o desejo de estudar música, mas eu não absorvi isso e sofri muito para estudar num conservatório. Isso mostra que a superação se aplica a uma pessoa que entende que precisa disso. Ela não tem escolha, e, assim, supera seu desejo original e adquire um novo.

De KabTV “Uma Nova Vida” 27/05/14

O Naufrágio Da Sociedade Consumista

Dr. Michael LaitmanFoi há apenas 100 a 150 anos que as classes mais altas da sociedade começaram a erradicar a ignorância numa época em que a maioria das pessoas era analfabeta. Por que elas fizeram isso? A elite precisava de mão de obra, de modo que ensinou as pessoas simples e as levou a um nível onde poderia usá-las.

Primeiro bastava que elas soubessem ler e escrever e, depois, também ler desenhos etc. As escolas surgiram na forma de um sistema de educação geral que incluía escolas primárias, secundárias e instituições de ensino superior.

Isso significava que as pessoas influentes estavam interessadas ​​na criação de uma classe média. Elas acreditavam que pessoas educadas entendem o benefício da classe alta e que esta podia contar com elas. Elas poderiam dar conselho à classe alta e realizar suas ordens, enquanto esta as controlavam de cima. A classe média poderia transmitir tarefas aos trabalhadores e às pessoas simples numa linguagem que elas podiam entender.

Esse período está chegando ao fim, porque o mundo não precisa de nada que seja redundante. Nós não sabemos por que isso está acontecendo desta forma, mas isso decorre da natureza humana. Antes, nós pensávamos logicamente que o desejo de ganhar mais dinheiro, comprar mais e se tornar mais bem sucedido era ilimitado. Mas, de repente, vemos que o balão da sociedade consumista está perdendo ar. Portanto, se as pessoas que controlam os meios de comunicação podem fazer algo, é só para uma nova abordagem global.

Hoje, a classe alta não só precisa das pessoas que elas ensinaram a ler, escrever e a aprender ciências, que possam ajudá-la a duplicar os seus bens, mas esta elite, e os meios de comunicação que elas possuem e servem seus interesses, precisa saber que é realmente a educação integral de toda a humanidade que será benéfica para elas.

Se o mundo é realmente fechado, redondo e integral, todos devem participar corretamente. O homem moderno deve saber a razão pela qual está vivendo, qual é a sua natureza, e qual é a natureza de todo o mundo e de toda a humanidade onde ele existe. Ele também precisa saber, de acordo com as leis que ele vive, como essas leis o afetam, e como ele tem que afetá-las.

Assim como nós investimos tempo em ensinar centenas de milhares de agricultores a ler e escrever durante a era industrial e tecnológica, devemos tomar cuidado para que todos sejam alimentados, vestidos, e providos com educação integral.

Estas são as três coisas essenciais que uma pessoa precisa, incluindo cuidados com a saúde, é claro. Eu me livraria de tudo o resto, já que qualquer coisa que não provém da conexão direita que leva à harmonia com a natureza, sem dúvida nos leva a uma queda.

De KabTV “Uma Nova Vida” 02/10/14

A Força De Superação, Parte 1

Laitman_514_02Pergunta: A nossa vida nos obriga a superar continuamente os nossos desejos, medos, raiva e crises na vida pessoal, familiar e financeira. Essa luta começa com o nascimento.

Ao nascer, o bebê já tem que superar muita pressão e estresse para sair, e a mãe também precisa superar a dor para dar à luz a ele.

Isso continua ao longo da vida humana, desde a primeira infância. Na medida em que se desenvolve, a criança é forçada a superar as dificuldades físicas e psicológicas. Mesmo para se levantar e aprender a andar, ela é obrigada a superar muita coisa.

Desta forma, ela continua até o fim de sua vida: jardim de infância, escola, educação, casamento, família, filhos e trabalho. Toda a nossa vida é uma faixa contínua de dificuldades e superação delas, das quais é impossível escapar. Por que a nossa vida está organizada dessa maneira?

Resposta: Na verdade, a nossa vida é uma cadeia contínua de superação, e quando uma pessoa fica sem o poder de superação, ela morre. Tudo na vida é uma luta. O próprio processo de nascimento humano é a primeira superação. O bebê deve respirar, expandir os pulmões e tomar ar. Esta é a sua primeira ação neste mundo, da qual começa a respiração contínua: a compressão e expansão dos pulmões.

Essas ações, pulsações, compreendem toda a nossa vida: respiração, batimento cardíaco e metabolismo. Esses processos ocorrem em nós inconscientemente, instintivamente, na ordem da natureza. A mesma coisa está acontecendo em todos os estados num nível consciente, onde o meu desejo atua. Na verdade, eu devo sobreviver, e minha vida está nessa superação.

Se eu quero viver, eu devo me superar cada vez mais em cada situação. Nossa natureza é o egoísmo completo que busca apenas descansar, mas “descansar” significa não apenas deitar, mas fazer apenas o que queremos.

Para fazer o que eu quero, eu não quero usar energia, a energia espiritual. No entanto, eu gasto uma enorme quantidade de calorias, como uma criança correndo ao redor da sala, incapaz de parar. Para ela, é descanso.

Nós dizemos a ela: “Pare de correr, sente-se e descanse!” No entanto, ela não entende o que dizemos, porque está descansando ao saltar e movimentar-se. Em outras palavras, é simplesmente impossível medir a superação com a visão externa de uma pessoa. Se a pessoa supera o seu desejo e faz alguma coisa contra ele, isso é chamado de superação.

Uma vez que somos criados a partir da matéria egoísta, o desejo de desfrutar, então nós somos levados a prazeres o tempo todo. Se eu estou desfrutando, não importa se estou correndo ou deitado, estou descansando.

A pergunta é o que eu devo fazer para agir contra o meu desejo: sair da cama, ir trabalhar, trabalhar duro, carregar coisas pesadas de um lugar para outro, ganhar dinheiro, trazê-lo para casa e alimentar a mim e à minha família?

Claro, isso não é consistente com o meu desejo. Portanto, como eu supero a mim mesmo? Eu faço isso por várias razões. A sociedade ou os pais me obrigam a ir à escola para estudar, depois se casar, formar uma família e trabalhar. O desejo dos meus pais e da sociedade é mais forte do que o meu, e é por isso que eu cumpro.

Ou, de repente, eu me encontro num ambiente que me afeta e muda o meu desejo. Por exemplo, meus pais me mandaram para um programa de esportes para crianças. Antes, eu não gostava de esportes, mas, olhando para os meus companheiros, eu comecei a invejá-los, a ser impressionado. Os amigos me passam o seu desejo, e em vez de ficar sentado em frente ao computador, eu começo a correr e praticar esportes com eles.

Acontece que eu posso tomar os desejos e necessidades do ambiente. Assim, eu posso mudar o meu desejo por um maior adquirido do ambiente, dos amigos, e posso me comprometer com ações que antes eu não pensava.

De KabTV “Uma Nova Vida” 27/05/14

Será Que O Mundo Precisa De Um Novo Einstein?

Dr. Michael LaitmanNós não podemos nos desenvolver individualmente, quer como países individuais ou como uniões de diversos países contra outras uniões. Diante dos nossos olhos, os americanos perdem país após país, e os europeus descem do pedestal de grandeza, tradição, riqueza e cultura.

A Rússia, com seus muitos recursos naturais, se sustenta exclusivamente pelo negócio de armas e petróleo. A China acorda um pouco e cai novamente. O Japão tem estado estagnado por décadas depois de um boom que viveu há vinte anos.

Assim são todos os países. Alguns estão passando por isso hoje, outros passaram por isso ontem, e os outros vão sentir isso amanhã. Não há nenhuma dúvida sobre isso. Além disso, se no início o ritmo das mudanças havia se estendido por dezenas e até centenas de anos, hoje, cada passo leva muito menos tempo e tem uma nova qualidade.

Isso se aplica a todas as pessoas, tanto adultos como crianças. Os jovens não querem se casar, formar uma família e ter filhos. Os adultos não sabem como lidar com isso, porque nada é bem sucedido, mesmo que eles queiram alguma coisa. Devido à inércia, todo mundo continua a jogar o mesmo jogo, mas eu sinto que é apenas um desperdício de tempo. O banco está vazio; não há sentido no jogo.

Anteriormente, filósofos e políticos nos guiavam, como aconteceu por centenas de anos. Havia muitas pessoas assim. Elas eram respeitadas e ouvidas, incluindo a mídia. Hoje, ninguém se levanta e nem tenta se elevar a este Olimpo. Nós gostaríamos de ver um visionário, erudito ou governante, como Churchill, Roosevelt ou Einstein. No entanto, eles não existem e isso é sentido em demasia! A humanidade se sente como uma criança que foi esquecida.

As formas anteriores de percepção eram baseadas no fato de que o ser humano levou o mundo à ordem, estabeleceu a sociedade, e supostamente governou. No entanto, não foi ele quem fez isso, mas sim a natureza, que revelou o desenvolvimento evolutivo nele. Agora, a natureza mostra ao ser humano que ele próprio deve procurar o componente central do desenvolvimento: Para que nós existimos? Sem esse componente, não saberemos como organizar nossas vidas.

Nós recebemos sentimentos e mente da natureza para que possamos receber instruções dela, processá-los e adicionar a eles. Obviamente, se encontrarmos a meta correta, vamos ter tanta energia e conhecimento suficientes para viver e desenvolver, que novamente teremos realização, aspiração, contentamento e a necessidade da vida. Tal como no passado, uma pessoa vivia pelo que ardia dentro dela: dinheiro, poder, honra, conhecimento, sexo e família. Portanto, agora este objetivo deve puxá-la, substituindo todos os espaços vazios. Sem isso, vamos simplesmente ser uma “casa de repouso”.

Quando nos dermos conta de que vivemos dentro da esfera da natureza que nos afeta, veremos que nos tornamos uma sociedade integral onde todos dependem uns dos outros. Isso é claro para muitas pessoas, mas elas não sabem o que fazer com isso. Tudo o que tocamos se transforma em mal para nós.

O fato é que, num mundo global, qualquer ação incompatível com o sistema geral – a pessoa, a humanidade, a natureza – traz prejuízos. Portanto, nós primeiro precisamos aprender a operar, gerir, ou pelo menos existir confortavelmente, com segurança, para nós e para os outros. Assim que chegarmos a isso, vamos sentir uma resposta positiva desde a primeira ação.

De KabTV “Uma Nova Vida” 02/10/14

A Natureza Não É Um Recurso Para O Ego

Laitman_720Pergunta: Vamos falar sobre viagens à natureza, incluindo ir para o estrangeiro para preservar a natureza e todos os tipos de cantos remotos. A pessoa urbana moderna, pelo menos de alguma forma, tenta se conectar com a natureza e receber prazer com isso. Como você se relaciona com isso?

Resposta: Eu viajo muito ao redor do mundo e sempre tento manter alguns momentos para estar na natureza. Meu professor (o Rabash) e eu gostávamos de sair da cidade todos os dias para conversar enquanto caminhávamos pelos bosques e campos. No caminho para Jerusalém, longe das estradas e das pessoas, fazíamos isso em lugares muito bonitos.

Quando eu vou para a natureza, vejo que há um mundo de complementaridade recíproca de todas as suas partes. Eu vejo que tudo nela está em equilíbrio, exceto os seres humanos. Embora existam espécies de animais que se devorem, mesmo que um exista em detrimento do outro, tudo isso é por necessidade e não por maldade. A forma geral de existência e desenvolvimento é assim.

Quando eu estou na natureza, sinto o poder da natureza. Ela não nos eleva; pelo contrário, nos controla. Nós seres humanos não percebemos isso. A natureza inanimada, vegetal e animal é o “envelope” de nossa existência: por um lado, nós nos afastamos dela, mas, por outro lado, devemos abordá-la por entender que é tudo um sistema geral que deve ser unificado.

Na verdade, o ego, a inclinação ao mal, se desenvolve dentro de nós. É especificamente isso que nos separa do mundo animal. Como resultado, nós nos elevamos acima dele através da força má de subjugação. Nós nos tornamos distantes da natureza e queremos controlá-la para explorá-la a qualquer preço. Pior do que isso, nós valorizamos o dano que causamos à natureza através de nossas atividades; não estamos preocupados com isso, mas só com o nosso futuro pessoal. Isso não é de forma alguma a contabilidade exigida de nós.

Isso ocorre porque o nosso papel é o de manter a harmonia da natureza, que é inerente nela desde o início. Mas nós caímos disso porque o desejo egoísta cresceu em nós, o qual atraiu todos os tipos de conflitos e nos obriga a travar uma luta incessante entre nós.

E esta é também a forma como nos relacionamos com a natureza: “O que pode ser roubado dela, que possível prazer pode ser obtido com ela?” Não importa o que aconteça depois disso. A principal coisa é obter o que necessitamos neste exato segundo. Mesmo que no momento seguinte o dano proveniente seja manifestado, não prestamos atenção a isso.

Portanto, segue-se que o crescimento da inclinação ao mal evoca uma atitude destrutiva nos seres humanos que é prejudicial para nós e todas as outras partes da natureza. Como resultado, os seres humanos devem tomar consciência de seu mal e entender que a nossa abordagem egoísta está prejudicando todo o sistema. A principal conclusão é que a pessoa cresce dentro da inclinação ao mal para corrigi-la, para corrigir sua relação com a natureza inanimada, vegetal e animal; e para complementar todo o sistema, ela deve transformá-lo num sistema integral único, unificado, maravilhoso e harmonioso.

Por outro lado, se juntamente com o desenvolvimento da mente e dos sentimentos, a pessoa usa seus recursos de forma incorreta, em última análise ela certamente vai tropeçar em desastres naturais.

Isto é o que continuará a acontecer conosco, contanto que não vejamos que o nosso ego tem crescido a uma escala tal que já não seja possível controlá-lo. Nós derrubamos as “rédeas” da gestão do mundo de nossas mãos, perdendo o controle em todas as áreas: família, trabalho e relação com a natureza em geral…

E já que nos tornamos um fator global ruim para a natureza, e uma vez que somos um único sistema, em reação, a natureza começou a revelar uma atitude apropriada em relação a nós.

Esta é a situação hoje.

De KabTV “Uma Nova Vida” 21/10/14

Todos Juntos No Ponto Do Big Bang

laitman_933Pergunta: Qual é a conexão entre as relações entre as pessoas e as relações entre os vírus?

Resposta: Toda a natureza é como uma sopa, onde todos nós estamos cozinhando juntos, independentemente deles serem corpos grandes ou vírus minúsculos. Tudo o que acontece na sopa é transmitido a tudo que se encontra dentro dela: às pedras, às plantas, aos animais e às pessoas.

Este é o sistema global integral. Um mundo global significa que há um número infinito de conexões mútuas; todo mundo está conectado a tudo o resto. Eles dizem que você se comunica com toda a humanidade através de cinco pessoas que você conhece. Mas os fios que os conectam em toda forma possível, estendendo-se de um para outro, não são apenas entre as pessoas, mas entre todos os componentes da natureza em geral.

O universo inteiro surgiu do ponto do “Big Bang”, de uma fonte, e começou a se expandir e se desenvolver. E todos nós temos permanecido conectados uns com os outros desde então. São como teias de aranha onde não há um único átomo ou partícula elementar que não esteja conectado com toda a criação.

Nós temos que levar isso em conta e informar a geração mais jovem, proporcionando-lhes especificamente essa visão do mundo. Caso contrário, não podemos esperar uma boa vida para eles nesta era da globalização.

Pergunta: O que cada pessoa precisa entender para ser capaz de passar por esse período com sucesso?

Resposta: É necessário entender que eu estou vivendo num sistema no qual estou conectado com todo mundo e todo mundo está conectado a mim com essas conexões estreitas, como barras de ferro, que o meu menor movimento provoca mudanças em todo o sistema em todos os níveis. Uma pessoa não entende isso e acha que está isolada de todos os outros. Mas isso é impossível.

Tudo veio de uma fonte superior de onde o universo veio a existir, a partir do ponto do Big Bang. Depois disso, ele se espalhou, atingindo todos os níveis. Nós temos que levar isso em conta e entender que é como se estivéssemos no próprio ponto do Big Bang.

De KabTV “Uma Nova Vida” 19/10/14