Os Reservistas Têm O Direito De Se Recusar A Servir?

963.5Pergunta: Hoje a sociedade israelita está dividida entre aqueles que são a favor da reforma judicial e aqueles que são contra a reforma judicial, os da direita e os da esquerda. Estão ocorrendo manifestações que exigem uma mudança de governo, e assim por diante.

Estou preocupado com a questão do exército. Temos reservistas que são essencialmente a espinha dorsal do exército. Existem unidades especiais e pilotos, aqueles que continuam a servir com consentimento e disposição após completarem o serviço regular.

E agora, pela primeira vez, começaram a acontecer certos incidentes em que eles se recusam a servir. Dizem que não querem servir sob uma ditadura. Está tudo relacionado com a reforma judicial da qual discordam.
Na sua opinião, eles têm o direito de fazer isso ou não?

Resposta: Acho que este é um problema em todos os exércitos do mundo.

Comentário: Mesmo assim, estou considerando o fato de termos um exército único. Afinal, é um exército defensivo. Somos um pequeno pedaço de terra onde cada pessoa é importante e tem o seu lugar, e de repente eles se expõe ao front.

Minha Resposta: Sim, acredito que o exército deve estar acima de tudo porque a vida está acima de tudo e então podemos lidar com o resto.

Pergunta: Então você quer dizer que a vida de uma pessoa vem em primeiro lugar?

Resposta: Sim, e a vida do Estado também.

Comentário: Estamos aqui especificamente para proteger a vida das pessoas e do Estado. E se elas se revoltarem por dentro e disserem: “Isto é uma ditadura. Não quero servir sob este regime. Eu quero uma mudança”.

Minha Resposta: Elas são obrigadas a proteger a vida das pessoas!

Pergunta: Outra questão é se ocorresse um incidente, e considerando que ainda estamos em guerras constantes, do ponto de vista do governo ou do exército, você acha que eles deveriam chamar esses oficiais de volta ou não?

Resposta: Eles deveriam chamar de volta. Não deveria haver clemência, nem adiamento, nada! Cada um tem o seu lugar e cada um deve estar no seu lugar.

Pergunta: O que você acha que uma pessoa sente quando expõe o front? Por que ela pode fazer isso hoje? No passado eu nunca teria pensado em tal coisa. No passado, todas serviam de boa vontade; era um dever. Mas hoje elas podem dizer essas coisas de repente e expor subitamente o front. O que elas sentem ao fazer isso?

Resposta: Nem sei dizer. Eu tenho uma opinião muito clara sobre isso.

Pergunta: Você se lembra de como era na sua época? Sei que você serviu nas unidades de suporte técnico da aviação. Essa é a parte mais séria do nosso exército.

Qual era o sentimento então? Chama-se miluim, aqueles que servem depois do exército até os quarenta anos ou mais. Eles tinham um forte senso de dever?

Resposta: Claro. Não havia dúvida sobre isso.

Pergunta: O que você acha que mudou ao longo dos anos?

Resposta: Declínio! Simplesmente um declínio porque os interesses pessoais tornaram-se mais importantes que os interesses nacionais.

Pergunta: É isso que você diz constantemente, que o egoísmo está crescendo?

Resposta: Sim, e é ainda pior. Significa que a pessoa passa a priorizar a própria opinião em detrimento da existência do Estado.

Pergunta: O que você acha que nos espera se isso continuar?

Resposta: Acredito que desta forma a sociedade encontrará um novo sistema de visão de mundo.

Pergunta: Então você vê um aspecto positivo nisso também?

Resposta: Para onde mais isso pode ir? Se isto não estivesse acontecendo com os judeus, poderíamos falar de uma guerra civil. Mas aqui acho que não chegará mais a esse ponto.

Pergunta: Na sua opinião, que tipo de exército protegerá e verá isso como um grande privilégio? O que deveria haver?

Resposta: Deveria haver uma reestruturação interna da sociedade – o exército, os partidos políticos e todo o Estado.

Aquelas pessoas que consideram o Estado como seu devem compreender que aqui estão mutuamente obrigadas. Não há como escapar disso.

Comentário: É interessante que nossos inimigos, que em princípio nos cercam e não desejam que o Estado exista, não nos obriguem a uma posição rígida onde você não pode deixar o exército – é o seu posto, você é obrigado! Aconteceu alguma coisa.

Minha Resposta: O conceito deles é diferente, novo. Eles acreditam que gradualmente, com o tempo, nos desintegraremos por conta própria.

Comentário: Sim. O Hezbollah, nosso vizinho do norte, diz que pode lidar conosco com calma, agora que temos discórdia e instabilidade internas.

Minha Resposta: Sim. Hoje, graças aos nossos vizinhos, o exército deveria ser forte e todos entendem isso mais ou menos. E até certo ponto podemos nos permitir discutir e debater. Mas devemos compreender que existe uma fronteira e a nossa vida está dentro dela. Então, obrigado aos nossos vizinhos que nos mantêm alerta!

De KabTV, “Notícias com o Dr. Michael Laitman”, 30/03/23