“Uma Colher Para A Mamãe, Uma Colher Para O Papai”

Dr. Michael LaitmanTodos os feriados são símbolos do progresso espiritual do homem. Quando eu começo a desenvolver o desejo de doar em mim, eu atravesso o “arrependimento” (o período antes do Ano Novo, Rosh Hashaná), quando  esclareço a minha maldade. Em outras palavras, eu vejo o quão grande é o meu ego, ao qual não posso resistir e cometo muitos crimes, como está escrito na oração de Rosh Hashaná pela absolvição: “Nós transgredimos, nós traímos…”.

Então, eu vejo que o caminho deve começar do início, a partir de uma mudança interna, de egoísta, que dirige tudo para beneficiar a si mesmo, para doador, que só cuida do benefício do outro. Afinal, eu começo a entender que eu mesmo sou o verdadeiro “outro”, que parece ser um estranho para mim. E o que eu pensava ser eu realmente não sou eu, mas um espírito do mal, o meu ego, uma serpente sentada em mim, que constantemente exige satisfação de mim.

Quando a pessoa desenvolve este tipo de atitude em relação a si mesma, como se ela fosse uma serpente astuta e os outros fossem ela, seu verdadeiro “Eu”, essa mudança em sua consciência, chama-se o início do Ano Novo para ela.

Depois disso, ela não tem mais nada a fazer, exceto corrigir-se, tornar-se como a força superior, a força do Criador, uma doadora. A recepção para o nosso próprio benefício nos dá a sensação de “este mundo”. Mas quando o meu “eu” é direcionado para a doação, para fora, para os outros, nesta aspiração eu começo a sentir o outro, o mundo superior.

Doação é quando eu amo alguém e quero dar-lhe prazer, como um amigo a outro amigo ou um anfitrião a um convidado. Eu cuido tanto dele que eu restrinjo meus próprios desejos, e desejo não receber nenhum prazer, pensando apenas em seu prazer. Quando eu tenho esse “escudo”, que garante que eu não receba para mim, eu estou pronto para receber e assim agradar o outro.

Tudo que recebo é para ele, como nós dizemos a uma criança: “Uma colher para a mamãe, uma colher para o papai”. Mas essa não é uma simples ação no mundo espiritual. Eu devo limitar o meu desejo e abri-lo para o prazer, só pensando no outro. Em outras palavras, meu coração e mente estão nele, e todo o prazer que passa por mim só vale para o outro.

Da Lição Noturna de Hoshanah Rabbah 19/10/11, Shamati

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