Textos com a Tag 'degraus da escada'

Palestras Sobre Os Degraus Da Escada, Parte 116


Palestras sobre os Degraus da Escada, Parte 116

Como é possível o conceito de “um Vaso de Doação”, tanto um Vaso quanto um Doador?

De fato, há algo estranho no conceito de um vaso de doação, um desejo de receber em prol da doação. Como os Cabalistas não dispunham de ferramentas linguísticas para expressar estados espirituais, utilizavam diversas formulações simplificadas e condensadas. Se não o fizessem, teriam que escrever livros inteiros apenas para descrever estados como Ibur (estado embrionário), Katnut (pequenez), Rosh (cabeça), Toch (parte interna) e assim por diante, e mesmo isso não teria sido suficiente. Portanto, desenvolveram uma linguagem que lhes permitisse expressar estados espirituais.

Como essa linguagem funciona? Por meio de uma espécie de “senha” pré-acordada, as informações são transmitidas. Essa senha contém informação detalhada sobre o assunto e a intenção do autor. Se o leitor estiver no mesmo nível espiritual que o autor, ambos compartilham uma estrutura conceitual comum, e o significado da senha fica imediatamente claro para ele.

Por exemplo, alguém que não conhece o significado da palavra ” Rosh ” (cabeça) em hebraico não terá ideia do que fazer ao ouvi-la. Precisamos estar familiarizados com a palavra para entender seu significado.

No entanto, a mera familiaridade com a palavra não basta para compreender seu contexto completo. É preciso também entender a intenção por trás do termo.

A linguagem da Cabalá é como uma linguagem codificada, onde somente aqueles que reconhecem seus códigos podem compreender o significado oculto por trás das palavras. Ou seja, para ler textos Cabalísticos, precisamos saber o que os Cabalistas querem dizer com seus termos. Eles escrevem uns aos outros como espiões se comunicando por meio de mensagens codificadas, sem que ninguém, além deles mesmos, seja capaz de entender o que escrevem.

Por que é necessário ler livros Cabalísticos? Baal HaSulam escreve na “Introdução ao Estudo das Dez Sefirot” (item 155) que, quando ansiamos por compreender o conteúdo interior das palavras, sem nos iludirmos com a formação de representações físicas e imaginárias delas (como as pessoas costumam fazer ao ler a Torá como se fosse uma narrativa histórica), e sem interpretar o texto de forma corpórea e materialista, mas, em vez disso, ansiamos profundamente por compreender o verdadeiro significado interior das palavras, atraímos sobre nós a luz circundante (Ohr Makif) do estado que o texto descreve.

No entanto, se, em vez de nos aprofundarmos nas camadas mais profundas do que os Cabalistas escrevem, imaginarmos imagens deste mundo, tanto a narrativa quanto as imagens permanecerão dentro da estrutura deste mundo. Nesse caso, não receberemos nenhuma iluminação do alto e permaneceremos estagnados, incapazes de progredir.

Esta é a diferença essencial entre o método da Cabalá e qualquer outra abordagem de estudo da Torá. Na Cabalá, buscamos atrair a luz circundante. Buscamos compreender o significado interior. Isso se chama estudar o aspecto interior da Torá, ou seja, aprender precisamente o que ela transmite em sua linguagem codificada.

Então, à medida que atraímos repetidamente a luz circundante durante nosso estudo, avançamos gradualmente até entrarmos no mundo espiritual.

Palestras Sobre Os Degraus Da Escada, Parte 115


Palestras sobre os Degraus da Escada, Parte 115

O embrião é masculino ou feminino?

Em nosso mundo corpóreo, um embrião pode ser masculino ou feminino. Na espiritualidade, uma pessoa passa por vários estados: inanimado, vegetativo, animado, falante, angélico e semelhante ao Criador. Cada um desses estados contém milhares de estágios.

Isso significa que cada alma passa por um desenvolvimento, primeiro como Nekeva e depois como Zachar, e novamente como Nekeva e depois como Zachar. No entanto, em nosso mundo, esses estados alternados assumem uma forma física fixa, masculina ou feminina, porque, em relação à espiritualidade, nosso mundo é imóvel, o que significa que não muda.

Assim, cada estágio da espiritualidade, cada ação, cada qualidade, tudo o que existe e muda constantemente ali, assume uma forma fixa e imutável em nosso mundo, como acontece com um embrião.

Além disso, há também variações nos tipos de alma. Depende de qual parte de Adam HaRishon o desejo se origina. A alma é um desejo individual dentro da alma geral chamada Adam HaRishon, e sua natureza depende de qual parte deste corpo espiritual ela provém.

Dentro do corpo de Adam HaRishon, há inúmeras distinções: lado direito, lado esquerdo, acima, abaixo, acima do peito, abaixo do peito e assim por diante.

Da mesma forma, as células do corpo humano diferem umas das outras. Cada célula contém algo único, funciona e se comporta de maneira diferente e se conecta com outras células de diversas maneiras que lhe são características.

Isso também se aplica à espiritualidade. As almas se interconectam da mesma forma. Nossas células físicas são apenas um resultado, uma cópia, uma manifestação física do que ocorre na espiritualidade.

A partir disso, podemos entender como somos diferentes uns dos outros e, ao mesmo tempo, como estamos todos interconectados como partes de um único corpo.

Palestras Sobre Os Degraus Da Escada, Parte 114


Palestras sobre os Degraus da Escada, Parte 114

O que é chamado de “masculino” e “feminino” no estado de Ibur (impregnação)?

“Masculino” (Zachar) e “feminino” (Nekeva) no embrião são estados. Eles representam vasos de doação e vasos de recepção, onde doar com o objetivo de doar e receber com o objetivo de doar correspondem a diferentes níveis de correção.

Se trabalhamos com vasos de recepção, essa é uma deficiência chamada de “feminina” (Nekeva). Por outro lado, quando essas deficiências são corrigidas, elas são chamadas de “masculinas” (Zachar).

A palavra “Nekeva” vem de “Nekev” (buraco), significando uma deficiência, um lugar vazio que ainda precisa de correção. Zachar, por outro lado, representa o oposto, a doação. Esses termos descrevem estados corrigidos ou não corrigidos dentro da mesma pessoa, dentro da mesma alma, presentes em todos os níveis espirituais.

A alma, em relação ao Criador, é sempre feminina em relação ao masculino, porque todas as correções vêm Dele. Há a elevação de MAN como um pedido para a correção dos desejos e a elevação de MAN para a realização dos desejos. Em ambos os casos, o Criador atua como o aspecto masculino, e a alma atua como Nukva (feminino) em relação a Ele, o receptor.

Na Cabalá, isso é descrito como ZON de Atzilut, Zeir Anpin e Nukva do mundo de Atzilut. Zeir Anpin de Atzilut é chamado de Criador — o doador, o corretor, o realizador. Malchut de Atzilut, Nukva de Atzilut, é o coletivo de todas as almas. Todas as deficiências existem dentro dela, e cada um de nós é um desejo individual, uma parte pessoal dela.

Palestras Sobre Os Degraus Da Escada, Parte 113


Palestras sobre os Degraus da Escada , Parte 113

Podemos determinar quais são nossos desejos durante o estágio de preparação?

Durante a fase de preparação, não conseguimos determinar em que desejos estamos. Não sabemos onde estão a recepção ou a doação. Não sabemos ou não compreendemos exatamente no que estamos trabalhando.

A chave para o trabalho correto durante a fase de preparação é atribuir tudo ao superior. Isso ocorre porque o estado espiritual mais baixo em que entramos e no qual somos incluídos, após cruzarmos a barreira (Machsom), é chamado de “embrião” (Ubar). É um estado em que nos anulamos diante do superior e deixamos que ele aja em nós como quiser. Isso se chama atribuir tudo ao superior e reconhecer a grandeza do Criador, que Ele é quem age e que Ele faz tudo dentro e em volta de nós.

Esta é a verdade, mas precisamos exercê-la, pois não podemos atribuir tudo ao superior. Ela nos escapa repetidamente, e precisamos retornar a essa verdade repetidas vezes, lavar nossas mentes com ela e nos convencer de que ela é realmente a verdade. Mas simplesmente não podemos fazer isso sozinhos, pois somente vendo o Criador, vivenciando essa realidade em primeira mão, podemos nos convencer.

O desejo de receber é muito pragmático. “Mostre-me e pronto”. “Deixe-me provar”. Por que as fontes dizem que “Prove e veja que o Senhor é bom”? Por que provar é necessário? Por que ver não é suficiente? Porque somente provando recebemos uma imagem sensorial clara do que experimentamos, assim como crianças pequenas e bebês experimentam objetos e os percebem através do paladar. Este é o sentido mais confiável. É por isso que os bebês não se contentam apenas em ver, mas colocam tudo na boca para provar.

Da mesma forma, até que experimentemos o Criador como luz interior (Ohr Pnimi), não teremos conhecimento claro do que Ele é. É por isso que não podemos alcançar o conhecimento verdadeiro antes que a barreira se abra para nós, antes que a luz penetre em nossos vasos.

Devemos almejar o primeiro estado espiritual que está mais próximo de nós. Se desejarmos todas as oportunidades que nos são dadas do alto, se esgotarmos todas as nossas possibilidades, então verdadeiramente entraremos nesse estado, porque fizemos todo o esforço necessário.

Quando o esforço chega ao fim? Não sabemos com antecedência. Depende da estrutura de cada alma. Qual é o sinal de que o trabalho está completo? É quando os céus se abrem. Até lá, devemos simplesmente continuar a agir.

A Torá completa, tanto para iniciantes quanto para aqueles que posteriormente ascenderão os degraus até o fim da correção, está contida no primeiro artigo do Shamati, intitulado “Não Há Outro Além Dele”. Além da barreira, a obra assume uma forma diferente. No entanto, a tarefa é sempre, em cada estado, alcançar o sentimento de que “Não Há Outro Além Dele”, independentemente do que aconteça e não importa o que venha a acontecer.

Precisamos superar a resistência e alcançar esse sentimento sem nos desconectarmos da realidade deste mundo. Não é sensato viver em um lugar isolado. Precisamos viver em toda a realidade, através da qual todos os tipos de perturbações nos influenciam, interagem conosco e, por meio delas, descobrimos que “Não Há Outro Além Dele”.

Se completarmos este trabalho, teremos completado nosso trabalho neste mundo e encontraremos outras perturbações espirituais. Através delas, continuamos a progredir, aproximando-nos cada vez mais da plena compreensão de que “Não Há Outro Além Dele”.

O que significa “Não Há Outro Além Dele”? É o conhecimento absoluto de que, no fim das contas, o Criador, nós mesmos e todo o caminho que percorremos — as ações, as perturbações, os desejos corrigidos e não corrigidos — são um só.

Palestras Sobre Os Degraus Da Escada, Parte 112


Palestras sobre os Degraus da Escada, Parte 112

Capítulo 12. Na Minha Cama à Noite

O que significa “E através da Torá, o homem foi criado”? Humano (Adão) vem da expressão Adameh leElyon (“Eu serei como o superior”), e está escrito: “Você é chamado de Adão, mas as nações do mundo não são chamadas de Adão”. Isso significa que se o desejo de receber passa por uma correção chamada “em prol da doação”, a parte corrigida é chamada de “humano”. Como isso é feito? Através da Torá. Como é feito através da Torá? Nós recebemos várias oportunidades para realizar diferentes ações neste mundo, e através de nossos sucessos e fracassos, nosso desejo de receber se desenvolve.

Após o desenvolvimento dos desejos bestiais por comida, sexo e família, e o desenvolvimento dos desejos sociais por riqueza, honra e conhecimento, alcançamos o desenvolvimento do desejo espiritual. O desenvolvimento do desejo espiritual não é uma expansão adicional do desejo. Em vez disso, é a direção do desejo rumo ao Criador e, consequentemente, seu crescimento. Se, antes do desenvolvimento do ponto no coração, que é esse novo desejo por espiritualidade, trabalhamos para desenvolver nosso desejo, geralmente inconscientemente, sem saber por que ou como, impulsos e anseios surgem em nós, simplesmente corremos atrás deles e os realizamos. Tal trabalho nem sequer é considerado uma única linha, e certamente não duas ou três linhas. Mas o desejo espiritual só pode ser desenvolvido, expandido e corrigido na forma de linhas.

“Linhas” significam que o pequeno desejo não é simplesmente inflado em algo cada vez maior, sem direção, o que tornaria sua forma um círculo, mas sim endireitado para que vise a um objetivo específico e se destine a um uso específico. O desejo não é direcionado à pessoa em si, que é o ponto central dentro dos círculos, mas ao Criador, a partir do ponto central até a fonte de luz.

Portanto, no desenvolvimento do desejo espiritual, existem diversas forças, condições e estados que o influenciam, de modo que o processo de correção do desejo não segue as leis de outros desejos. Ele opera de maneira muito complexa e precisa, de modo que o desejo cresce apenas de acordo com o grau de sua correção em direção ao uso adequado, em direção ao Criador. Suponha, por exemplo, que alguém seja inspirado pelo desejo de construir uma casa, um desejo que já está conectado à espiritualidade. Essa pessoa precisa relacionar cada detalhe do processo de construção, o planejamento, a ordenação dos materiais, a construção em si, a seleção dos trabalhadores e até mesmo a si mesma, ao propósito da criação. Ela deve se lembrar constantemente de que essa casa se destina a um uso relacionado ao propósito da criação.

Essa pessoa fica tão imersa no trabalho que esquece a direção, o significado por trás de cada ação. Então, o trabalho aparentemente para e várias perturbações começam a surgir. Essas perturbações não são obstáculos reais, mas sinais, sinais, de que ela se esqueceu de algo muito importante: a intenção, o motivo de cada ação. Como o progresso espiritual acontece passo a passo, às vezes ficamos presos em um determinado estágio, tentando teimosamente encontrar uma solução por conta própria, insistindo em continuar a construção a todo custo. Mas percebemos que não podemos avançar até que nos lembremos de que o problema é que esquecemos a intenção.

Isso significa que, em vez de nos movermos da linha da esquerda para a da direita, pensamos que poderíamos completar o trabalho apenas com nossas próprias forças. Então, nos lembramos da linha da direita, do Criador, do alinhamento com Ele. Ou seja, lembramos que devemos estar conectados a Ele com todo o nosso coração e alma enquanto realizamos a ação. Só então podemos progredir novamente até que nos esqueçamos mais uma vez, e o ciclo se repita.

Em todo o nosso trabalho neste mundo, esquecemos constantemente o objetivo. Esquecemos que o objetivo não é trabalhar de acordo com a maneira como pensamos neste mundo, mas que o trabalho em si é um esforço para permanecer conectado com aquele que nos deu o trabalho e usá-lo como um meio de manter o pensamento e, mais importante, como um meio de aumentar a intenção. O trabalho em si é apenas uma ferramenta apenas na medida em que se destina a construir e desenvolver a intenção. Pensamos que estamos construindo uma casa, como se a casa em si fosse o que importasse. Mas, na realidade, devemos construir uma estrutura de intenção em vez de uma estrutura de tijolos.

Como somos feitos de matéria e espírito, intenção, recebemos tarefas materiais para que possamos construir uma estrutura espiritual paralela à física. É verdade que não podemos construir uma estrutura puramente espiritual, embora, em última análise, essa seja a única estrutura de que realmente precisamos. Isso significa que devemos estabelecer apenas a intenção, a tela (Masach) e a luz refletida (Ohr Chozer), enquanto o desejo de receber, os “tijolos”, estará sempre disponível para ser usado adequadamente, de acordo com a intenção de doação.

É assim que construímos uma casa, e é assim que nos construímos como um ser humano (Adão). Como? Através dos 248 órgãos e 365 tendões, que são 613 componentes ou desejos dentro de nós, que devemos construir. Queremos usar esses desejos tanto quanto a forma espiritual correspondente permitir. Precisamos organizar nossos desejos de acordo com as intenções de doação, para que esses dois aspectos — o uso de todos os desejos, por um lado, e o alinhamento desses desejos com a intenção de doar, por outro — estejam em harmonia e trabalhem juntos.

Palestras Sobre Os Degraus Da Escada, Parte 111


Palestras sobre os Degraus da Escada, Parte 111

Como ocorre a transição da raiva do Criador para o reconhecimento de sua importância?

Se estamos com raiva, estamos com um grande desejo de receber, profundamente imersos em nós mesmos e em nossas necessidades. Por que estamos com raiva? É porque algo contradiz nosso desejo. Queremos fazer as coisas de uma maneira, mas o Criador quer que sejam feitas de forma diferente e não nos deixa alcançar nosso desejo.

Como chegamos a reconhecer a importância do Criador a partir dessa raiva? O desejo de receber, quando não combinado com o desejo de doar, considera apenas o seu próprio benefício. No momento em que encontra alguém mais forte que se opõe à sua vontade, imediatamente se submete a essa pessoa, pois vê que isso é vantajoso para ela. Ela até começa a amar o outro porque ele é mais forte, mesmo que esteja contra ele. Começa a depender Dele.

Em nosso mundo, gostemos ou não, o forte está sempre certo. O que significa “em nosso mundo”? Significa no desejo de receber. De dentro do desejo de receber, para passar da valorização de si mesmo para a valorização do Criador, precisamos simplesmente reconhecer que o Criador é mais forte do que nós, e isso não pode ser mudado. Da própria natureza do desejo de receber surge a compreensão de que “o Criador é grande”, “o Criador é bom” e assim por diante. A partir daí, começamos a alcançar estados que nos ensinam a doar.

O que significa “doar”? Significa nos conceder a independência de dizer: “Eu quero doar, e não porque o Criador é mais forte do que eu”, como se quiséssemos enfrentá-Lo.

Nesta fase, temos livre escolha. Somente quando temos a capacidade de fazer o que quisermos, começamos verdadeiramente a examinar se desejamos agir de acordo com nossas inclinações naturais ou se queremos nos assemelhar ao Criador. O desejo de receber é satisfeito assim que percebe que o Criador é tudo, que Ele é justo e grandioso. Então, não há problema em aceitar que o Criador é tudo o que existe e que Ele está certo. Como somos inteiramente um desejo de receber, nos rendemos imediatamente.

Embora essa percepção possa provocar rebelião, é a nossa natureza, e não há sentido em resistir a ela. É por isso que aprendemos através do sofrimento. O desejo de receber respeita o poder, o segue e sempre encontra justificativa para si mesmo. Baal HaSulam chama isso de “o poder do punho”. É assim que o desejo de receber opera.

Se o desejo de receber busca satisfação, e satisfação é tudo o que lhe importa, não há outras considerações. Ele chama de “bom” tudo o que lhe proporciona satisfação, independentemente dos meios pelos quais o obtém, sejam eles apropriados ou não. Os conceitos de apropriado ou inapropriado não pertencem ao desejo de receber em si ou à satisfação. Em vez disso, pertencem ao sistema de Kedusha, que introduziu no desejo a recepção de vários discernimentos de doação.

Na prática, o desejo de receber não se importa com nada além de ser preenchido. Ele não se importa com quem o preenche, seja o Criador ou o Faraó, contanto que receba e seja satisfeito. Portanto, enquanto estivermos na Klipa, a Klipa nos nutre, o que se chama “nos proteger”. Ela nos nutre, dando-nos continuamente mais e mais realização.

Como, então, chegamos à verdadeira recepção? É nos desiludindo com os muitos postos de abastecimento falsos. Tentamos nos encher de dinheiro, honra, sexo e comida, e quando percebemos que não podemos satisfazê-los verdadeiramente, nos voltamos ao Criador, na esperança de que talvez a espiritualidade nos preencha. É isso que o desejo de receber busca: ser preenchido a todo custo.

É por isso que não importa se as pessoas “querem” ou “não querem” espiritualidade. A chave é mostrar a elas que a Cabalá contém realização, e então elas a desejarão. Isso pode ser visto claramente no comportamento das células biológicas ou no comportamento de acasalamento dos animais.

Como um rebanho escolhe seu líder? Baseado unicamente na força. Torna-se evidente que tudo na natureza é organizado de tal forma a nos conduzir à verdade. Todas essas condições estão intrínsecas à nossa própria natureza, ao desejo de receber, à sua inversão de forma. Elas se desenvolvem diretamente em fracasso, sofrimento e, por fim, submissão.

De uma palestra sobre o artigo “Toda a Torá é um só Santo Nome”, 06/06/02

Palestras Sobre Os Degraus Da Escada, Parte 110


Palestras Sobre os Degraus da Escada, Parte 110

Uma pessoa que cruza a barreira “constrói uma casa” a partir das intenções?

Além da barreira, construir uma casa não é mais uma ação, mas uma intenção. No entanto, não podemos construir a intenção de doar sem antes construí-la sobre a intenção oposta. Caso contrário, não fazemos nenhum exame minucioso. A estrutura de Kedushá (santidade, doação) é construída em oposição à Klipa (casca, impureza). O local da destruição é onde o Templo é construído, não em outro lugar, e não antes que a destruição ocorra.

A destruição precede a construção. Toda destruição e destruição, incluindo o pecado da Árvore do Conhecimento, ocorreram antes de nós, mesmo antes de sermos criados. Isso ocorre porque começamos no nível das almas, e as almas existem abaixo do mundo de Atzilut.

Palestras Sobre Os Degraus Da Escada, Parte 109


Palestras sobre os Degraus da Escada, Parte 109

Uma pessoa que já está na espiritualidade ainda se esquece do Criador?

Mesmo na espiritualidade, em todos os níveis, precisamos trabalhar através de vários estados opostos, dentro de duas linhas que negam a existência uma da outra. No entanto, é aqui que o verdadeiro trabalho começa, quando vivenciamos nossas verdadeiras emoções e as atravessamos, quando nossos sentimentos deixam de ser vagos ou obscuros. Além da barreira (Machsom), os estados se tornam muito vívidos.

Palestras Sobre Os Degraus Da Escada, Parte 108


Palestras sobre os Degraus da Escada, Parte 108

Onde ocorre o reconhecimento do mal neste processo?

O reconhecimento do mal ocorre quando percebemos que estamos imersos em nós mesmos, com os tijolos, que nos esforçamos para organizá-los e pensamos em como prosseguir com nossas próprias forças, desconectados do fato de que todo esse processo foi arranjado para nós do alto apenas como um meio. Este mundo é apenas um meio. Tudo o que existe, exceto o fim da correção, é simplesmente um meio para essa correção, incluindo todos os estados espirituais e, certamente, o nosso estado atual.

O reconhecimento do mal acontece quando vemos que esquecemos tudo isso e “viramos o vaso de cabeça para baixo”, isto é, confundimos os meios com a essência.

Palestras Sobre os Degraus da Escada, Parte 107


Palestras sobre os Degraus da Escada, Parte 107

Como sabemos se agimos corretamente?

Se fizermos algo errado, simplesmente ficaremos presos. No entanto, se estudarmos, estivermos no ambiente certo e, de modo geral, no caminho certo, embora, sem dúvida, cometamos erros em cada detalhe, não nos desviaremos do curso do trabalho. Por quê? Isso ocorre porque estamos no ambiente certo, temos acesso aos livros certos e à orientação adequada, e tudo o que nos resta é reconhecer nossos erros em cada detalhe e suportar a decepção. É assim que nos lembramos do Criador e percebemos por que não progredimos. Lembramos que não somos nós que agimos, mas o Criador que faz tudo.

Então, os obstáculos e decepções nos trazem de volta ao Criador; eles nos dão uma deficiência que nos força a nos conectar com Ele. Onde podemos obter essa deficiência se, desde o início, o Faraó existe dentro de nós? Inicialmente, pensamos que construiremos tudo sozinhos e isso basta. Por exemplo, recebemos o desejo de avançar na espiritualidade, mas esse desejo ainda carece de direção. Cabe a nós moldá-lo para que seja direcionado à doação ao Criador ou ao recebimento Dele. O que mais importa é a conexão com o Criador.

Só conseguimos alcançar tal conexão por meio de fracassos. Ao entrarmos no trabalho com nossa própria força, no final alcançamos a consciência de que “não foi minha força e poder que nos levaram a isso”. Então, a partir da decepção e do desamparo, da percepção de que somos incapazes, começamos a ver que não há sentido no trabalho se ele incluir apenas a nós, o indivíduo. Começamos a compreender que nossa ação é meramente um esforço bestial como o de toda a humanidade, a menos que a revelação do Criador esteja presente nela.

Essa percepção nos reencontra com o Criador. Devemos nos voltar a Ele e pedir que Ele realize a ação por nós, pois vimos que nós mesmos não podemos fazê-la. Isso significa que, se não sentíssemos decepção e desespero em cada detalhe do nosso trabalho, não nos voltaríamos ao Criador. Por que nos voltamos a Ele? Por necessidade, para que o trabalho seja concluído.

Mas todos esses atos de “não para o nosso próprio bem” nos levam, em última análise, à compreensão de que o que realmente importa para nós é a conexão com o Criador, não as ações em si, nem os tijolos, nem qualquer outra coisa. O resto é apenas um meio, já que fomos construídos dessa forma, para finalmente nos retornar à intenção correta, à compreensão de que não precisamos de nenhuma dessas coisas. Tudo o que precisamos é estar conectados ao Criador para doar a Ele.

Esta é uma sequência de pensamentos, causas e efeitos, e demandas externas que gradualmente se tornam internas. É uma cadeia que se desenvolve dentro de nós e nos leva de um estado em que queremos colocar tijolo sobre tijolo, mas não conseguimos. Então, ficamos frustrados conosco mesmos e reconhecemos que nossa verdadeira preocupação é o Criador. Primeiro, ficamos com raiva do Criador por não nos deixar colocar tijolo sobre tijolo, mas depois começamos a perceber que colocar tijolos não é o objetivo. Em vez disso, precisamos nos conectar com o Criador. A ênfase, o centro de gravidade, gradualmente se desloca de nós mesmos para o Criador.

À medida que esse processo se desenrola, a importância da conexão com o Criador cresce, e a conexão não se refere mais ao tijolo, mas somente a Ele. Assim, não nos conectamos ao Criador para nosso próprio benefício, mas para doar a Ele. Há muitos detalhes a serem examinados, mas, ao nos envolvermos com cada detalhe do mundo corpóreo, finalmente examinamos todos os aspectos, de uma ponta a outra.

Assim está escrito: “Sete vezes cai o justo e se levanta”. Cada passo à frente envolve um momento de fracasso, arrependimento, reconhecimento do mal e correção. É assim que fomos feitos. Precisamos analisar cada detalhe.

Não determinamos esses estados. Não sabemos quando um novo desejo surgirá, como será examinado ou o que precisa ser feito para que isso aconteça. Quando nos imergimos completamente em um desejo, não podemos agir como um filósofo observando o panorama geral e “vagando” entre diferentes estados de consciência. O que importa é o movimento geral que mantemos, como está escrito: “Tudo o que a sua mão tiver para fazer com a sua força, faça-o”.

O esforço geral que investimos é o que produz essa sequência de eventos em desenvolvimento, a transição de um estado para outro, até que alcancemos a conclusão do nosso escrutínio e correção, e alcancemos a intenção de doar. Esse é o objetivo. Tudo o que vivenciamos até este momento nada mais foi do que um meio para alcançar o ponto de unidade com o Criador.

Ao completarmos esse reconhecimento, recebemos novamente a oportunidade de colocar “tijolo sobre tijolo”. Novamente, começamos a colocar tijolos sem a presença do Criador. Avançamos e agimos com nossa própria força, pensando que estamos realizando algo grandioso, que estamos envovlvidos em uma construção.

Isso pode acontecer em qualquer ação neste mundo, da mais bestial à mais espiritual, até mesmo na disseminação da sabedoria da Cabalá ou em uma palestra importante, onde pensamos que estamos prestes a fazer um grande esforço. Ficamos imersos na ação em si e esquecemos o resultado esperado da ação: o fortalecimento da nossa conexão com a Shechina.