Textos na Categoria 'Zohar'

É Possível Estudar Espanhol Do Mesmo Modo Que O Zohar?

Dr. Michael LaitmanUma pergunta que recebi: Na Cabala, o avanço depende da intenção e do desejo de aprender o material. É possível estudar um novo idioma através da construção da intenção correta? Suponha que eu queira aprender espanhol. Eu não o entendo, mas eu quero que um livro me influencie. Eu me esforço e mantenho meu desejo de obter conhecimento dele. Será que eu aprenderei espanhol dessa maneira? Ou será que este método se aplica apenas aos livros Cabalísticos, como O Zohar?

Minha resposta: O Livro do Zohar não precisa da sua compreensão, ou seja, você não precisa compreendê-lo para se tornar um Cabalista. Na verdade, você não entenderá nada até se tornar um Cabalista; não importa o que O Livro do Zohar descreva, isso será ocultado de você.

Você lê O Zohar somente para atrair a Luz Superior. Quando a Luz Superior começar a influenciar você, e elevar-lhe a um novo nível, você obterá uma visão daquilo que você lê. Só então você entenderá. Até que a Luz Superior o eleve, O Zohar continuará sendo um mistério para você.

Pergunta (continuação): Então eu não vou aprender espanhol sem entendê-lo? Em outras palavras, eu não posso colocar um livro de espanhol na minha frente e esperar até que ele me influencie. Isso não acontecerá.

Minha resposta: Não, um livro de espanhol não vai influenciá-lo, mas O Zohar sim. Quando se trata de O Zohar, não depende do conhecimento, mas apenas do impacto da Luz Superior sobre você.

Como Define Você O Bem E O Mal?


O Zohar, Capítulo “VaYikra (O Senhor Chamou)”, item 87: Visto que a Torá saiu de Bina, as primeiras tábuas foram escritas a partir de Bina, quando se escreve: “Harut [gravado] sobre as tábuas”, não se lê, Harut [gravado], com um Kamatz, mas sim Herut [liberdade], com um Tzere. É realmente a liberdade, pois ela é o lugar de onde depende toda liberdade, pois não existe liberdade de todas as Klipot senão através das luzes de Bina. Além disso, não há nada na Torá que seja dividido, ou que não vá para um lugar, Malchut, ou não se reuna em um manancial, que é Yesod.

Nós somos a matéria da criação, o desejo de desfrutar, o desejo de nos realizarmos. Este desejo só é capaz de receber. Se a intenção por trás desse desejo for de “receber para seu próprio benefício”, então nós chamamos essa intenção (mas não o desejo) de “má”.

O desejo é uma matéria que não muda. Ele não pode ser considerado bom ou mau. Apenas a intenção determina se o desejo é bom ou mau. E é aí que reside a nossa liberdade de escolha.

Nós não temos liberdade de escolha em relação aos nossos desejos, nos níveis inanimado, vegetativo, e animado. Nós não podemos mudar nada em relação a esses desejos. Este fato é confirmado por todas as pesquisas científicas. A única mudança que podemos eventualmente fazer é no nível humano; nós podemos mudar a intenção por trás do desejo.

O desejo em si foi criado pelo Criador e foi dado a nós numa forma imutável. A intenção por trás do desejo que nos foi dado inicialmente é egoísta: “para o nosso próprio benefício”. Nós devemos perceber que esta intenção é má, porque é dirigida contra a união, contra a doação ao próximo, e contra a doação ao Criador.

No entanto, a nossa intenção pode ser oposta: “para o bem dos outros”, em prol da doação. Então, ela é chamada de “inclinação ao bem”. Assim, a inclinação ao bem e a inclinação ao mal, ou bem e mal, são definidos de acordo com a intenção. No entanto, a “inclinação” em si, o desejo, é imutável. Tudo é definido pela intenção no nível humano. A intenção de tornar-se semelhante ao Criador é chamada de boa, e a intenção oposta é chamada de má. A expressão da intenção ocorre através da união ou através da separação dos outros.

Portanto, de todas as minhas intenções, eu tenho que escolher apenas aquelas que me dão liberdade de escolha: a liberdade de me unir com outras pessoas através de uma intenção comum pela doação mútua. E assim nós nos tornarmos equivalentes ao Criador.

Esta é a nossa única chance de escolher o bem ou o mal, seja em relação ao nosso egoísmo ou em relação ao que o Criador coloca diante de nós. Portanto, se quisermos nos corrigir, isso só pode ser feito através de Bina, a qualidade superior de doação. Quando Bina alcança o desejo de desfrutar, ela transforma sua qualidade má nua qualidade boa, ou seja, ela muda a intenção de recepção em intenção de doação.

Da 1a parte da Lição Diária de Cabala 17/05/10, O Zohar

“Olho por Olho, Dente por Dente”

Laitman_085Uma pergunta que recebi: Há um ditado na Torá que se tornou muito popular em todo o mundo: “Vida por vida, olho por olho, dente por dente”. O que isso significa do ponto de vista Cabalístico?

Minha resposta: Se houve uma quebra, agora é necessária uma correção no mesmo nível e da mesma forma. Se o desejo foi corrompido, agora temos de corrigi-lo, torná-lo adequado ao uso. Nós precisamos discernir corretamente onde a quebra ocorreu, e corrigi-lo no lugar exato. Por quê? Ao fazê-lo, nós estudamos o que o Criador fez, a inteligência de seu plano, e como Ele me confunde em cada estado, para que eu procure sua ajuda e aprenda com seu trabalho.

Toda obra de correção é chamada de obra do Criador, porque eu consigo discernir a corrupção, tomá-Lo pela mão, levá-Lo para aquele lugar, e pedir-Lhe para corrigi-lo. Eu imagino antes do tempo como este estado deve ser corrigido. Uma vez que Ele o corrige, eu O complemento, e assim Ele e eu caminhamos juntos. Deste modo, nós estamos conectados com o Criador.

Se eu fosse capaz de fazer essa correção sozinho, eu não teria uma conexão com a Força Superior. Se o Criador fosse capaz de fazer isso sem mim, então quem eu seria? Qual seria a razão da minha existência? Esta é a única maneira que Ele e eu podemos trabalhar juntos como parceiros.

O Criador lamenta pelos desejos (Kelim) quebrados. Por um lado, Ele quer corrigi-los, mas, por outro lado, Ele é incapaz de fazê-lo no sistema geral sem o meu pedido, a minha solicitação, e com a instrução exata quanto ao que corrigir e onde. Assim, eu e ele tornamo-nos verdadeiros parceiros nesta obra.

Da primeira parte da Lição Diária de Cabalá 04/05/10, O Zohar

Construa-se a Si Mesmo Entre Dois Ímãs

Laitman_160Uma pergunta que recebi: Por que o desejo de receber prazer tem de sofrer tanto e atravessar tantos golpes a fim de se tornar um desejo de doação? Se eu sinto que doar é uma qualidade boa, por que é tão difícil desistir do desejo de receber?

Minha Resposta: Você sente os golpes e as dificuldades porque você se identifica com o desejo de receber prazer e não percebe que ele não lhe pertence. Tanto o desejo de receber quanto o desejo de doar são anjos; são forças do Criador que lhe são enviadas. São duas linhas que vêm até você de Cima. Você precisa se identificar com a linha do meio, que consiste de ambas as linhas. A linha do meio não pertence a nenhuma das duas linhas; é quando você começa a sentir uma nova realidade que é totalmente separada delas, que está acima delas.

As linhas estão lá para ajudá-lo, como dois ímãs distantes exercendo força sobre uma barra de ferro a partir de dois lados opostos. Você está conectado a estas forças para que possa construir a linha do meio como resultado de sua influência. Você não se identifica com nenhuma delas, nem com o desejo de receber prazer nem com o desejo de doar.

O desejo de receber prazer foi criado pelo Criador como “existência a partir da ausência”, ao passo que o desejo de doar, o Próprio Criador, já “existia”. Você não está conectado com nenhum deles, caso contrário você não se tornaria independente. A sua independência vem da construção do seu “Eu” como resultado de ambos.

Então, por que você se sente mal? É isso que o faz abandonar o desejo de receber prazer, de deixar de se identificar com ele, e estar acima dele. Primeiro, os golpes vêm na forma de vergonha e humilhação, para o afastar do desejo de receber porque o faz sofrer. Depois disso, o contrário é verdade: a pessoa quer cultivar um desejo de receber maior, porque ela se constrói a si mesma acima dele, como acima de um ímã.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabala 04/05/10, O Zohar

Quando Chegou A Hora De Partir Do Mundo

Laitman_059_02O Livro do Zohar, Capítulo “VaYechi (E Jacó viveu)”, item 157: Quanto tempo mais me foi dado para viver neste mundo? Eu não tenho permissão de informar-lhe isto, e um homem não é informado disso. Mas o Rabi Shimon estava em grande alegria no dia da sua morte, e houve grande alegria em todos os mundos devido aos muitos segredos que ele revelou depois.

A morte de uma pessoa justa se assemelha à purificação (Hizdakchut) do Partzuf. Quando a pessoa deixa o seu grau e passa de um mundo para o outro, especialmente quando ela deixa o menor de todos os graus (este mundo), é uma alegria grande.

No entanto, nós pensamos de outra forma, e acreditamos que vivemos num mundo maravilhoso. Nós simplesmente não vemos nada melhor além deste mundo. Nós temos que revelar o mundo espiritual, como se diz: “Veja seu mundo nesta vida”. Assim, nós perceberemos onde realmente estamos agora.

Se a pessoa conclui sua missão, ela não tem que retornar a este mundo, como aconteceu com o Rabino Shimon, que alcançou a correção final. A partir de agora ele permanece somente na dimensão superior e não reencarna na forma material mais inferior. Quem não alcançou o estado final corrigido numa determinada reencarnação deve renascer e viver neste mundo novamente.

Sem precisar dizer que o Rabino Shimon é bem-aventurado, não porque finalmente se livrou do trabalho e pode agora desfrutar de repouso, mas porque revelou  a Torá (a Luz que Corrige) ao mundo inteiro. Isto, obviamente, inunda-o com alegria.

Palestra sobre Lag BaOmer 01/05/2010

LiçãoMatinal Sobre O Zohar: 02/05/2010, Resumo

O Livro do Zohar, itens 16 a 21 (resumo): A narrativa da Torá começa com a ação executada na alma que já passou pela quebra dos kli, a mistura das partes fragmentadas, e a queda dentro do ódio e rejeição. Em outras palavras, a Tora está falando sobre a alma que já está pronta para a correção.

Estando no estado de ocultamento, a pessoa em nosso mundo não se sente incompleta, miserável e cheia de hostilidade e ódio. Somente a influência da Luz Superior irá desvelar e nos ajudar a entender nossa verdadeira natureza, que está sob total controle da gratificação imediata e dos prazeres.

Para se libertar do egoísmo e vir para o estado de prazer eterno, a criatura, Malchut, precisa mudar sua intenção de “receber para seu próprio bem” para “receber para doar”. Isso dá elevação à propriedade de Bina que demonstra como o desejo de receber pode se tornar o desejo de doar. [Leia mais →]

“Abre Para Mim Uma Abertura Como A Ponta De Uma Agulha”

O Zohar, capítulo “Emor (Fala)”, item 129: Abre para mim uma abertura como a ponta de uma agulha, e eu abrirei os elevados portões para você… Por isso quando Davi desejou se tornar Rei, ele disse: “Abre para mim os portões da justiça… Esse é o portão do Senhor”. Os portões da justiça é Malchut, é o caminho para o Rei entrar. “Esse é o portão do Senhor”, para encontrá-Lo e aderir a Ele. Então, “Abre para mim, minha irmã, meu amor”, para emparceirar-me contigo e para sempre estar em paz contigo.

Em uma de suas cartas, Baal HaSulam descreve a entrada no mundo espiritual. Existe um muro frente a nós, estamos andando ao longo dele, procurando por uma entrada, mas não podemos encontrá-la. Porém, no instante em que a pessoa se torna semelhante ao Único que está atrás do muro, uma entrada aparece no muro. [Leia mais →]

Imagine-se no Infinito

Recebi uma pergunta: O senhor disse que existem três componentes da intenção enquanto lemos O Zohar:

1) Tudo o que leio no Zohar acontece dentro de mim;

2) Eu sinto que estudo O Zohar junto com meus amigos, e eu os sinto; e

3) A unificação entre nós é possível somente devido à Luz Superior. Como é possível manter essas três intenções simultaneamente e continuamente; qual delas teve ter prioridade?

Minha resposta: A intenção deve sempre consistir de todos os três componentes juntos. Como Baal Hasulam escreveu: uma pessoa deve constantemente estar em intenção, “Israel, Torah, e o Criador são um”. Se a pessoa escolhe um deles em detrimento dos outros, ela se distancia do caminho. [Leia mais →]

O Descontentamento É O Catalisador Para o Desenvolvimento

Laitman_068A diferença entre a Luz e o desejo compele-nos a avançar em frente. Quando a Luz preenche o desejo, nós (o desejo) nos acalmamos. Nós somos tão pacificados que somos incapazes de nos mover porque não sentimos a necessidade de o fazer; nós não sentimos qualquer carência que seja. Nós começamos a preocupar-nos e a lutar pelo equilíbrio interno apenas à medidad que a Luz difere do desejo.

Nós lutamos pelo equilíbrio tanto em termos de quantidade quanto de qualidade. Quando a Luz criou o desejo de desfrutar e o preencheu (Fase Um, Behina Alef), a criatura não sentiu quaisquer problemas, dado que a Luz veio primeiro. Apenas posteriormente emerge a diferença entre Behina Alef preenchida pelo Criador e o Próprio Criador.

Uma certa adição ocorre. A Luz começa a introduzir novas propriedades no desejo original, e a criatura começa a sentir a fonte do prazer. “Há alguém que me preenche! É mais alto que eu, é alguém que vem antes de mim. É alguém que dá; é o meu Gerador, o Criador”. Desta forma uma sensação adicional é introduzida no desejo da Fase Um. Esta sensação força a criatura a compensar por isso; ela compele-nos a desenvolver.

O tipo de “fricção” determina tudo. Na Fase Um, Hochma, a fricção foi a sensação do Superior. Na Fase Dois, Bina, esta será a sensação de realizar insuficientemente o desejo de doar.

Bina queria dar, tornou-se preenchida com a Luz de Hassadim (Hafetz Hesed), e desta forma não não quis mover-se para lado algum ou fazer alguma coisa. Mas então sentiu: “O Criador está a dar verdadeiramente, e que dou eu?”, o que produziu o sentimento de descontentamento. Assim, o movimento inicia, o que leva a um novo estado. Desta maneira, a incompatibilidade entre as propriedades do Criador e da criatura, o Kli e a Luz, o desejo e o preenchimento, causam o movimento constante ou desenvolvimento.

Da Lição da Tarde do Zohar 29/04/10

A Espiritualidade É A União Da Escuridão E Da Luz


O Zohar, Capítulo “VaEra (E eu apareci)”, Item 90: …”E amarás ao Senhor teu Deus com todo teu coração”, isto é, com ambas as tuas inclinações – a inclinação ao bem e a inclinação ao mal, de modo que as más qualidades da inclinação ao mal se tornarão boas … Então, certamente não haverá nenhuma diferença entre a inclinação ao bem e inclinação ao mal, e elas serão um.

Em nosso mundo não temos consciência da diferença qualitativa entre o bem e o mal; portanto, não entendemos que eles definem e apoiam-se um no outro e não podem existir sozinhos. Nós gostaríamos de eliminar imediatamente todo o mal e deixar apenas o bem, ou seja, tudo aquilo que consideramos bem neste momento.

Entretanto, a espiritualidade é revelada no contraste de qualidades opostas, e não na tentativa de se eliminar ou destruir uma deles. Ambas as qualidades existem para que nós possamos distinguí-las, e o estado espiritual é construído a partir delas – da Luz e da Escuridão, juntas.

Inicialmente nós não temos as definições internas corretas; não entendemos o que significa a Luz e a escuridão. Uma vez que nós as identifiquemos e possamos dizer o que é a Luz e o que é a escuridão, e uma vez que escolhamos a Luz sobre as trevas, podemos utilizar plenamente toda a Luz e toda a escuridão para construir o nosso estado espiritual.

Nós não apagamos nenhuma, porque se removêssemos uma delas, a outra também desapareceria. Nós construímos a linha média a partir da duas. Em nosso mundo, essa estrutura não existe. Este fenômeno, a linha do meio, é desconhecido para nós. Nós sempre nos esforçamos para eliminar qualquer coisa que não desejemos ou que sintamos desagradável para nós. Parece-nos que não há lugar para elas no mundo.

No entanto, na espiritualidade, há espaço para tudo e tudo tem que permanecer para sempre. Somente quando ambas se unem uma com a outra no caminho certo, há espaço para a existência de ambas e uma não existe sem a outra.

Portanto, os ímpios e os justos, a recepção e a doação, a fé e o conhecimento, são todos construídos um sobre o outro. Portanto, eles são igualmente importantes para se atingir a meta. Está escrito: “A pessoa deve ser grata tanto pelo mal como pelo bem”.

A correção do mal reside em usá-lo corretamente, juntamente com a bondade. Assim, as duas participam igualmente e em conjunto para revelar a sua Fonte, o Criador. A linha do meio, a alma, é criada a partir de ambas. É a revelação de sua Fonte, o Criador.

Da Primeira Parte da Lição Diária de Cabalá 03/05/10, O Zohar