Textos na Categoria 'Trabalho em Grupo'

Como Podemos Medir Devoção: Por Quantidade Ou Por Qualidade?

Pergunta: É dito que a grandeza de uma pessoa é medida de acordo com a sua responsabilidade, se ele é dedicado apenas à sua cidade ou ao seu país, ou até mesmo pelo mundo inteiro. O que se entende por “dedicado à sua cidade, ao seu estado e pelo mundo?”

Resposta: Devoção significa que nós atribuímos todas as partes de nossa alma ao que parece externo a nós mesmos. Fazemos isso, embora eles estejam afastados de nós por um grande desejo egoísta, pela indiferença e pelo desejo de lucrar às custas dos outros, de ser mais importantes do que os outros, de evitar o sofrimento causando dor nos outros.

Se eu utilizar todo o meu ego como um meio para alcançar a adesão com os outros, para que cada um e todos eles juntos se tornem mais importantes para mim do que eu mesma, isso significa que eu estou dedicada a eles como aos meus próprios filhos e que estou pronta para dar-lhes tudo. Eu transformo o meu ego, que me separa dos outros, em doação de acordo com a minha altura.

Se eu posso me relacionar desta forma apenas para aqueles que estão perto de mim ou para os vizinhos que vivem na mesma cidade em que vivo, isso não significa que eu sou muito grande. No entanto, isto requer um grande esforço para perceber o mundo inteiro como meus parentes. Afinal, para começar, estas pessoas estão distantes de mim. Há um grande ego entre nós, uma quantidade muito maior. Por isso, requer uma intensidade muito maior, uma maior grandeza, a fim de superar o ego.

Parece que é apenas uma questão de quantidade, mas a quantidade está relacionada com a qualidade. O conceito de quantidade não existe na espiritualidade, só qualidade. No entanto, a qualidade é feita de quantidade, assim como o software do computador que, graças à sua capacidade da memória pode oferecer opções totalmente diferentes. A diferença é, na verdade, a quantidade de células de memória que operam, mas esta quantidade torna a diferença qualitativa. Graças a esta diferença, eu posso entender, sentir e perceber mais.

Graças a esta quantidade adicional, eu começo a entender o Criador. O número de neurônios em nosso cérebro e as ligações entre eles determinam nossa capacidade cognitiva, o que significa que a quantidade está relacionada com a qualidade. Ainda assim, não é como imaginamos. Não podemos calcular a medida em que nos devemos expandir em largura, a fim de alcançar algo em grandeza. Estes conceitos são relacionados, mas ainda não podemos trabalhar com esta fórmula.

Nós não vemos a fórmula certa uma vez que a nossa percepção não é integral, não é analógica. É digital, discreta. Tudo é segmentado -1 ,2,3-enquanto na espiritualidade, tudo é de acordo com um cálculo circular e não um cálculo quadrado como em nosso mundo. É por isso que não podemos simplesmente contar a quantidade de amplidão/largura e grandeza/altura, e dizer como é que deve ser.

Todo nosso esforço é quantitativo, como se fosse possível medi-lo em quilogramas, mas, depois, ele eleva-se para Ein Sof (Infinito) e é incorporado em Malchut de Ein Sof, em nosso MAN, e em resposta que recebemos MAD. Assim, todo o nosso esforço retorna a nós de maneira integral, analógica, e não mais de forma digital. A nossa conexão constante com Ein Sof é adicionada a esta conexão e isso atrapalha o nosso cálculo.

No entanto, é graças à conexão com Ein Sof, a partir do qual tudo retorna a nós, que temos a oportunidade de trazer, cada vez mais, o nosso esforço a Ein Sof e guardá-lo na caixa correta. Então, nós curamos todo o sistema pelo nosso esforço pessoal, mesmo pela menor ação! Nosso esforço não insere um pequeno cubo na estrutura geral, mas espalha-se por todo o Ein Sof.

Então, quando o outorgamento de Ein Sof retorna a nós, faz mudanças reais em nós e nos eleva para o próximo nível. Embora vemos nossas ações como digitais e limitadas, quando atingem Ein Sof e retornam para nós, elas constroem uma forma integral analógica em nós, que é semelhante ao Ein Sof.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabala 26/07/13, Escritos do Baal HaSulam

Como Nunca Se Separar Do Criador

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como eu posso nunca me separar do Criador?

Resposta: Se eu não sinto o Criador, se há uma separação completa, isso significa que eu volto ao estado animal e não posso fazer nada por minha própria força. Então, eu preciso de um cronograma, um trabalho diário regular que tenho que realizar. Então, este nível inanimado, minha agenda, vai me trazer de volta à vida. Eu vou começar a ler, estudar e participar de algumas ações, e assim vou me recuperar. Eu não seria capaz de fazer isso sozinho e jamais voltaria ao Criador.

Assim, cada um deve organizar para si atividades obrigatórias durante o dia que, quando necessário, vão trazê-lo de volta para alguma conexão com a administração superior. Depois que eu recuperei a conexão, (depois que trabalhei num artigo, falei com alguém, fiz alguma coisa), eu volto à espiritualidade, mesmo que ainda não em sentimento e coração, mas pelo menos em pensamentos, com a mente.

Eu li, editei o texto, estudei-o, fiz a minha parte. Eu ainda não tenho um sentido de conexão com o Criador, mas devido ao ambiente que me inspira e me atrai, eu estou começando a despertar e voltar à vida. E o coração e a mente começam a me trazer de volta ao trabalho espiritual. Eu entendo que devo revelar o Criador, a administração superior, em tudo que vejo diante de mim.

Alguém grita comigo; há alguns problemas em casa, no trabalho, e eu tento reconhecer o Criador além de todas essas pessoas e eventos, para que a imagem externa da realidade não O ofusque e não se torne essa “barreira de ferro” entre nós, sobre a qual o Baal HaSulam escreve. Eu quero que a imagem, os contornos que vejo, me ajude a revelar o Criador, em vez de ocultá-Lo. Esta é a diferença entre a tela que oculta e a tela que revela: tudo depende de como vou ser capaz de mudar de uma para outra.

Da Lição Diária de Cabalá 07/08/13, Escritos do Baal HaSulam

Boas Crianças Crescem Em Boas Famílias

Dr. Michael LaitmanSe eu tenho uma grande, forte e boa sociedade, eu sou como uma criança que segue este exemplo, tentando fazer o que os amigos fazem. Nesse caso, não é difícil se assemelhar ao Criador. A boa sociedade vai me ensinar a fazer isso, assim como um adulto ensina as crianças.

Eu tenho que fazer um esforço de minha parte, mas eles devem ser cada vez mais qualitativos. A sociedade estabelece cada vez um exemplo mais claro para mim, enquanto eu recebo do Criador um endurecimento cada vez maior do ego para que eu possa ser independente em minha atitude para com o grupo e livre de sua influência.

Meu desejo de receber continua crescendo e eu tenho que trabalhar com o grupo e o Criador, a fim de superar o ego crescente. É como uma criança que cresce e se torna mais preguiçosa e não quer fazer mais nenhum esforço. A pessoa recebe a oportunidade de se beneficiar mais aos ver a importância da sociedade, a meta. Seu desejo de ser maior como o Criador é como uma criança em nosso mundo, que sonha em ser piloto. Mas ela deve sempre participar de alguma forma (como uma criança faz), tentando ver a sociedade como mais importante. Se eu vejo a sociedade, que me ajuda a ser semelhante ao Criador e a entrar em contato com Ele, como mais importante, isso significa que eu conecto “Israel, a Torá e o Criador”, e isso me ajuda a focar diretamente na meta.

Acontece que é impossível conseguir sem a sociedade. Eu tenho que seguir sempre o exemplo que ela define para mim, de modo que isso pareça tão grande quanto possível. Isso é importante para adquirir equivalência de forma com o Criador e perceber que eu acabarei por receber tudo o que é bom Dele sem qualquer ocultação.

Agora eu também recebo um preenchimento infinito do Criador, mas o problema é que o meu desejo de receber está se abrindo de forma lenta e gradual. Agora, eu uso, digamos, apenas um por cento de toda o meu desejo. Assim, em vez do mundo de Ein Sof (Infinito), eu sinto apenas um por cento dele.  Esse um por cento é dividido em minha atitude correta e errada para com o Criador, o que significa que há sempre ocultação.

É assim que eu avanço, passo a passo, como uma criança que cresce em nosso mundo. Eu sinto a ocultação em relação à sociedade, ao Criador, e ao meu avanço qualitativo. É porque eu não deveria apenas crescer como um animal permanecendo a mesma criança, só que maior. O ser humano em mim é que deve mudar para melhor a cada vez.

Da Lição Diária de Cabalá 06/08/13, Shamati # 8 “Qual é a Diferença entre a Sombra de Kedusha e a Sombra de Sitra Achra

Como Posso Preencher O Amigo?

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como eu posso incluir os amigos em mim, de modo que vou sempre sentir o que lhes falta, a fim de ser capaz de preenchê-los constantemente?

Resposta: Eu simplesmente devo pensar no que mais eu posso dar ao amigo. Você já viu como uma mãe trata o seu filho pequeno? Ela sempre olha para ele e pensa apenas nele e no que mais pode fazer por ele. Ela pode conversar com você e, ao mesmo tempo, não deixar seu filho fora de sua vista.

É assim que nós devemos ver o grupo, uma vez que é a única coisa valiosa que temos, a fim de alcançar algo nesta vida.

Da Convenção em São Petersburgo 13/07/13, Lição 4

Desenvolvimento Gradual

Dr. Michael LaitmanOs Cabalistas, que alcançaram um entendimento interno do mundo, descreveram toda a criação como multidimensional, composta de muitos “mundos”: basicamente, é sobre isso que os físicos e psicólogos estão começando a falar hoje.

O mundo “multidimensional” é composto de círculos concêntricos que nós investigamos de dentro do nosso pequeno mundo que se encontra no meio do seu ponto central.

O grande Cabalista Isaac Luria, o ARI, escreve que depois que tudo foi contraído, um raio de Luz foi traçado e criou todos os mundos até o nosso mundo, que é o último de todos, e que se encontra dentro do grande vazio. E só um estreito canal de Luz passa do mundo do Infinito (símbolo ∞) para o nosso mundo.

Nós começamos a ser desenvolvidos desde o seu ponto mais central, que em seu interior, de acordo com a astronomia, toda a matéria foi criada por meio do poder de uma explosão. De acordo com a sabedoria da Cabalá, a matéria foi criada como resultado de uma contração antes mesmo da explosão.

O nosso mundo é totalmente oposto de tudo o que existe fora dele. Portanto, nós não sentimos tudo o que existe fora dele. Junto com isso, nós sentimos somente o que entra por meio de nossos cinco sentidos, e a partir disso descrevemos para nós a imagem do mundo. Isso é o que nós temos.

A criação inteira foi formada por meio de uma contração constante de cima para baixo. Isto é, todos os círculos foram gradualmente contraídos até que a área da contração foi quebrada numa multiplicidade de partes sob a influência da Luz. Portanto, dentro da matéria (o desejo de receber), as características da Luz apareceram, mas numa forma oposta.

Se a característica da Luz é doar, preencher, amar, se conectar, enriquecer e criar, ou seja, criar tudo para que seja benéfico, bom e eterno, então, quando ela entra e quebra a matéria, ela a divide numa infinidade de partes, e produz neste lugar características que são o seu oposto: características de recepção, egoísmo, coerção, ódio e rejeição. Estas estão dentro de nossas emoções negativas, apesar nós as utilizarmos porque esta se tornou a nossa natureza, e é assim que nós somos.

Tudo aquilo que nos separa (o chamado “Faraó”) são as características negativas da Luz, o seu oposto. A partir delas nós podemos aprender, explicá-las ao inverso todo o tempo, e podemos ver o que está acontecendo.

Portanto, o nosso trabalho é realizado com “fé acima da razão”, ou seja, com a doação acima da recepção, com desejo de união, conexão e amor, elevando-se acima de nós mesmos, acima da nossa natureza. Desta forma, é possível avançar.

Mas nós só conseguimos fazer pequenos esforços e, também, aqueles que estão prontos para isso são apenas aqueles que têm um “ponto no coração”, o início da característica de doação.

Em princípio, essa centelha existe em todos nós; só que ela é descoberta de forma gradual, começando com as pessoas que são mais sutis e, depois disso naquelas que são mais grossas. Ao mesmo tempo, quanto mais grossa a pessoa é, maior é o seu potencial. Mesmo que seja mais difícil para ela se corrigir, em consequência, a intensidade da descoberta da sua altura espiritual também será maior. Portanto, aquelas que forem corrigidas depois de nós irão adicionar imensa Luz à nossa percepção.

Digamos que, em resumo, nós atingimos o nível de Nefesh, e depois disso, quando isso passa a elas, elas atinjam os níveis de Ruach, Neshamah, Haya, e Yechida. Cada geração alcança certo nível particular e a geração seguinte que a substitui atinge alturas ainda maiores. E nós nos desenvolvemos de forma idêntica.

O nosso desenvolvimento é gradual. Aqueles em quem o ponto no coração é despertado estão inclinados a buscar o sentido da vida. Eles não são influenciados por qualquer religião, o que lhes interessa é a realização, ou seja, uma satisfação real de conhecimento, emoção e capacidade de “tomar” o mundo inteiro, de descobri-lo plenamente, senti-lo dentro de si, e numa forma real e tangível sentir-se dentro dele. O ponto no coração os empurra para isso.

Mas o ponto no coração por si só não é suficiente para isso. Para isso, é necessária a ajuda mútua do resto das partes quebradas dos desejos coletivos, ou pelo menos uma parte delas. Assim, o grupo é reunido.

Além disso, não somos nós que reunimos o grupo. Ele é criado como se fosse por acaso. A ideia é que em torno de nós existe uma Luz superior que preenche o vazio que se formou (nós chamamos isso de vazio, porque realmente não sentimos a Luz), e ela atua em nós conforme o grau de inclinação do nosso anseio por sua característica.

Da Convenção em São Petersburgo 13/07/13, Lição 3

Quando A Ilusão Desaparece…

Dr. Michael LaitmanPergunta: Quando os amigos estão devidamente incorporados, eu sinto alegria por dar prazer ao Criador. Como posso ter em mente que quem faz isso é o Criador, que tudo está sob Seu controle, e que não tem nada a ver comigo e com o meu orgulho?

Resposta: Está escrito: “Eu sou o primeiro, e eu sou o último”. Isso significa que não importa o que você faça, é o Criador quem o faz. Tudo o que você começa, não importa o estado em que você e seu ambiente estão, é Ele quem organiza tudo. Aconteça o que acontecer no final também é organizado pelo Criador.

O que não Ele não organiza? Não há tal coisa! Tudo deriva Dele!

Então, onde eu fico? Você é apenas aquele que dá o seu melhor para que tudo dê certo. Mas para quê? Afinal, Ele organiza tudo? Quando você faz tais tentativas, você se adere a Ele. Isso é tudo, e não há nada além disso.

A ilusão de que você existe de forma separada e independente, de que você faz alguma coisa, pensa, etc., é dada a você apenas para o seu bem. É assim que você atinge a revelação de que está totalmente aderido a Ele de qualquer maneira e que vocês constantemente se movem juntos em todos os seus desejos, intenções e ações.

Da Convenção em São Petersburgo 13/07/13, Lição 4

O Exemplo Com Uma Dica

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como o grupo deve se comportar se percebe uma erupção do ego em vários amigos, ou desrespeito de um amigo para com outro?

Resposta: Vocês devem definir um exemplo com uma dica. Suponha que eu vejo que um amigo trata outro desrespeitosamente. Eu vou, como se por acaso, tentar falar respeitosamente sobre o que ele desrespeita, numa conversa que possamos ter. Eu vou fazer isso sem ferir ou humilhar ninguém. Isso só se relaciona com o trabalho espiritual.

Se nós falamos sobre o nosso trabalho com o público ou aqui no centro, que não está relacionado com o contato espiritual, então podemos nos opor um ao outro e não concordar com o outro. Mas, novamente, isso tem que estar totalmente desligado, e absolutamente claro que não tem nada a ver com a nossa adesão espiritual.

Da Convenção em São Petersburgo 13/07/13, Lição 4

Não Há Qualidades Negativas

Dr. Michael LaitmanSegundo as fontes, um anjo leva uma gota de sêmen antes que a pessoa nasça e pergunta ao Criador o que será dela: um herói ou um fraco, um homem sábio ou um tolo, um homem rico ou um homem pobre. Mas ele não diz se ela vai se tornar alguém justo ou ímpio.

Portanto, nós temos que concentrar toda a nossa atenção apenas nisso. Tudo o resto é pré-determinado e não há nada que possamos fazer sobre isso. Pessoas que viveram há muito tempo sabem que o que você é, é o que você vai ser e que uma pessoa não muda. Não há como você mudar a si mesmo.

Portanto, não devemos ter queixas de ninguém, mas simplesmente tentar ajudar uma pessoa a se tornar um justo. Então, todas as suas qualidades negativas e discernimentos de repente vão se tornar tão úteis que você simplesmente vai ser muito feliz.

Quanto mais alto a pessoa está espiritualmente, mais suas qualidades se revelam como negativas para que ela seja capaz de corrigi-las. Então, quando os maiores justos estão num estado de descida, eles parecem ser pessoas muito egoístas: irritáveis, brabos, mal-humorados, mesquinhos, etc. Por um lado, a maioria dessas qualidades são reveladas internamente e ninguém sente isso externamente. Por outro lado, diz-se: “Aquele que é maior do que seu amigo, o seu desejo é ainda maior”.

A inveja é a qualidade mais maravilhosa e deve realmente ser cultivada e aumentada, como se diz: “A inveja dos autores vai aumentar a sabedoria”. A razão é que se você a ver corretamente, você pode ser fortemente impressionado pelas qualidades positivas dos amigos, por suas conquistas, sua adesão ao grupo a fim de doar; eu vejo como eles têm êxito, enquanto eu não. Este é o tipo certo de inveja! Eu não tento humilhar as qualidades dos amigos e anulá-las, mas tento atingir essas qualidades por mim mesmo.

Há duas maneiras de usar o mesmo atributo corretamente: há o uso negativo da inveja, quando eu quero “eliminar” um amigo que tem êxito, ou quando quero me tornar ainda melhor do que ele.

Da Convenção em São Petersburgo “Dia Dois” 13/07/13, Lição 4

Amigos Que Crescem Até O Infinito

Dr. Michael LaitmanNós estamos em ocultação da nossa relação com o Criador. Não sentimos o que exatamente vem Dele e não vemos que tudo isso é para nosso benefício. Nós podemos avaliar o bem e o mal de acordo com o quanto e com o que o nosso nível “animal” sente.

Este é o principal atributo da ocultação. Se nós sentíssemos que tudo vem do Criador, o Bom que faz o Bem, nós veríamos o mundo de forma diferente. Como podemos alcançar isso?

O Criador nos envia Sua atitude, do Bom quem faz o Bem, não relacionada aos desejos egoístas, mas com relação à meta, querendo elevar-nos acima do “animal” para o grau humano. Assim, Sua influência sempre parece ruim para nós, prejudicial para o nível “animal”.

Da mesma forma, a criança se sente sob pressão constante de seus pais: “Você tem que comer bem, não se suje, limpe tudo depois, mantenha suas coisas em ordem, estude isto, leia aquilo, e assim por diante”. Nós exigimos constantemente algo dela, querendo nutrir o grau humano nela, e isso parece ruim aos olhos do nível “animal”, que quer crescer livremente.

No entanto, as crianças no nosso mundo esforçam-se para se parecer como os adultos, aprender com seus exemplos. Para nós, o exemplo é o ambiente em que cresceremos como crianças que se desenvolvem facilmente.

Nós vemos que o desenvolvimento ocorre devido a muitos esforços. Nesse sentido, quanto melhor forem os exemplos que tenho aos meus olhos, menos esforço vou precisar investir. Minha natureza vai querer ser como os outros.

Isto significa que se o ambiente é importante e valioso aos meus olhos, se me atrai, se os amigos jogam diante de mim mostrando que são grandes e têm conexão com o Criador, se vez após vez eles mostram cada vez mais exemplos qualitativos, então é fácil para eu me desenvolver e eu subo sem muito esforço.

Por outro lado, se o ambiente não me dá bons exemplos ou se eu o ignoro, se nós não elevamos o Criador aos nossos olhos juntos, então é difícil seguir em frente. É um problema; eu não tenho bons professores.

Assim, a fim de não ser um “animal” no curso do seu desenvolvimento, a pessoa mesma tem que participar desse processo. Juntamente com os amigos ela constrói o grupo, o ambiente, para que este sempre lhe pareça superior, crescendo mais e mais. Como resultado, seus amigos são do mundo do Infinito, e a grandeza e a qualidade do grupo são comparadas com o Criador — e não menos. Se o grupo aos seus olhos for menor do que o Criador, então ela não o aprecia o suficiente, a fim de se desenvolver o mais eficiente e rápido possível com a sua ajuda. Isto é o que devemos nos lembrar.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 06/08/13, Shamati #8 “Qual é a Diferença Entre a Sombra de Kedusha e uma Sombra de Sitra Achra

Egoístas Requintados

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, “Paz no Mundo”: A verdade é que a raiz de toda essa desordem dentro de nós não é mais do que o atributo acima mencionado da singularidade, que existe dentro de cada um de nós, seja mais ou menos.

E apesar de termos esclarecido que se trata de uma sublime razão, que este atributo se estende a nós diretamente do Criador, que é único no mundo e a Raiz de todas as criações, ainda assim, como resultado da sensação de singularidade, quando ela se assenta dentro do nosso egoísmo estreito, ela influi ruína e destruição até se tornar a fonte de todas as ruínas que houve e haverá no mundo.

Ninguém vai fazer qualquer progresso até que nós percebamos o grau de nossa singularidade que nos foi dado pela natureza. Todos devem ver plenamente seu egoísmo em sua forma autêntica. Isto é, neste plano material, neste mundo (a maneira como o percebemos) antes de tudo, nós devemos compreender os fundamentos e perceber a magnitude do nosso desejo de agir exclusivamente por nossa própria causa.

No final, nós vamos descobrir que nós somos os únicos a quem levamos em conta e que nunca hesitamos quando se trata de “negligenciar” os outros; nós sempre fazemos o que queremos com os outros, se isso nos traz inclusive uma pequena gota de prazer. Quando analisamos os nossos cálculos, nós vemos que não nos importamos com nada além de nós mesmos, e que, aos nossos olhos, uma partícula mínima do nosso prazer é igual às aflições de todo o mundo. Deixe este reino desaparecer, queimar ou continuar sofrendo para sempre!

A menos que nós descubramos esta condição internamente, nós não nos “familiarizamos” conosco mesmos. Na verdade, é a realização do atributo de singularidade, ou seja, a realização da inclinação ao mal.

É extremamente difícil revelar isto dentro de nós mesmos. Mesmo se admitirmos a nossa maldade, ainda assim não concordamos com ela internamente. A inclinação ao mal não nos permite atravessar o processo de autoanálise, nem nos deixa visualizar ou sentir a nossa natureza, nosso egoísmo requintado, nosso “eu-ismo”, que nos obscurece a imagem inteira do mundo, nem deixa qualquer espaço para outra coisa. É como se os outros simplesmente não existissem; nós somos simplesmente incapazes de levá-los em consideração. Eles estão fora do nosso alcance de percepção. Este tipo de consciência é um passo essencial no caminho para a correção.

Pergunta: Por que o nosso egoísmo oculta a verdade de nós?

Resposta: É uma defesa natural. Nosso egoísmo não quer que soframos. Se nós víssemos todo grau de maldade que temos, nos esforçaríamos em nos livrar dela. É por isso que o nosso egoísmo esconde a verdade de nós: ele mostra um pouco a borda da tampa e depois volta a cobri-la. Isso é organizado desta forma para nos fazer afundar cada vez mais fundo, até que atinjamos o fundo, a realização máxima. Nesse momento, nós estamos prontos para a ajuda da Luz.

Até então, nós não estamos “equipados” para isso; nós só iríamos resistir ao nosso desejo de autocorreção, fugiríamos no último momento. Se nosso egoísmo não nos protegesse das sensações negativas que experimentamos por causa da nossa consciência de nossa essência egoísta, não seríamos capazes de continuar o nosso trabalho.

Isto explica por que um processo cognitivo acontece em “solavancos”. Há pouco nós fomos surpreendidos por nossas iniquidades, mas a cortina se fecha, e mais uma vez nos pegamos tendo pensamentos vis sobre os outros: “quem me dera que ele estivesse morto! Por que eu preciso dele afinal? Ele está no meu caminho…” E mais uma vez ficamos chocados com nossa malevolência, mas nos esquecemos disso novamente. Geralmente, cada atributo é emparelhado com o seu oposto. Caso contrário, não seríamos capazes de penetrar na profundidade.

De qualquer forma, se não aspirarmos ao bem, nunca vamos reconhecer nossa malevolência. É uma regra universal que funciona em todos os estados que atravessamos. Nós buscamos benevolência e doação; nós queremos ficar com nossos amigos; nós levamos a cabo nosso grande objetivo sem hesitação, sem olhar ao redor, sem “rodeios”. No entanto, em vez de benevolência, nós descobrimos solidão, destruição e caos.

Diz-se: “Faça o que puder”. Isso significa que o indivíduo deve ser um “bom menino” e aspirar ao objetivo teimosamente e firmemente. Neste caminho, a pessoa aprende muitas coisas e se torna mais inteligente, mas o principal é continuar avançando e agindo.

Pergunta: Nós podemos nos preparar com antecedência para a revelação do mal, , para que possamos corrigi-la imediatamente?

Resposta: Não, nós nunca devemos nos preparar para o mal. Uma pessoa que trabalhou num circo me disse uma vez que os acrobatas têm uma regra muito importante: antes da apresentação, eles verificam onde poderiam cair. Eles sabem de antemão onde aterrissarão se caírem, e que posição vão manter enquanto caem.

Na espiritualidade, há um análogo para este treinamento. No entanto, nós trabalhamos para não cair. Nós sempre devemos aspirar a avançar. Sim, nós temos que preparar a “retaguarda”, mas nossos olhos devem ver o objetivo à frente. Nós ão temos a intenção de recuar.