Textos na Categoria 'Torá'

Transforme Os Obstáculos Num Grau De Elevação

Laitman_041_01A Torá “Levítico” ( Kedoshim ) 19:14: Não amaldiçoarás ao surdo, nem porás obstáculo diante do cego; mas temerás o teu Deus. Eu sou o Senhor.

Se traduzirmos a língua da Terra em leis espirituais muito simples, então a audição é Bina, e a visão é Hochma.

Os surdos são pessoas que não possuem o nível de Bina, a qualidade de doação, e os cegos são aqueles que não têm o nível de Hochma. Por isso se diz, não coloque obstáculos diante do cego, pois alguém pode tropeçar, já que não há sensores, nenhum dispositivo interno para ver, analisar e determinar o que é bom e o que é ruim nestes níveis.

Um obstáculo é tudo aquilo que você não consegue usar corretamente no caminho espiritual. Se você tivesse a visão, você o definiria não como um obstáculo, mas como uma oportunidade de superar e subir para um nível superior. Depois que uma pessoa cega se depara com um degrau que é invisível, ela tropeça e cai, mas aquele que vê o degrau sobe cada vez mais alto. Tudo depende se você é capaz de lidar com esse obstáculo, transformá-lo numa alavanca para se elevar ao longo da escada espiritual.

Acontece que o surdo não é capaz de subir para o nível de Bina com a ajuda de obstáculos, e o cego não é capaz de fazer o mesmo ao nível de Hochma. Portanto, você deve sentir o nível da outra pessoa, o que é para o benefício dela e o que não é, e levá-la suavemente, como uma criança pequena, de modo que ela comece a estudar, subir, descer, mas não cair. É assim que você deve tratar qualquer pessoa, seguindo a regra do “ama o próximo como a ti mesmo”.

Nós educamos as crianças por suaves ensinamentos e moral em nosso mundo. Uma análise e averiguação sérias ocorrem no mundo espiritual sobre se é possível transformar os obstáculos num nível de subida.

É por isso que você tem que agir de modo que existam obstáculos na frente de outras pessoas, pelos quais elas possam subir. Você deve entrar na outra pessoa, compreender em que nível ela está, e inclusive ajudar essa pessoa a encontrar um obstáculo que ela possa superá-lo.

Esta é a ajuda mútua, quando todos se fundem numa causa comum: por um lado, revelam obstáculos um ao outro, e, por outro lado, ajudam a superá-los. Assim, apoiando-se mutuamente, as pessoas se elevam como alpinistas.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 02/04/14

Uma Lição Como Mudança De Estados

Dr. Michael LaitmanPergunta: Quando você dissemina a sabedoria da Cabalá, você dá uma palestra ou uma lição. Como você sente o público sentado na sua frente e quanto você pode dar a eles?

Resposta: A lição é muito diferente de uma palestra porque uma palestra é mais abstrata, como com um regador nós podemos regar todas as flores numa fileira sem distinção, e elas crescem individualmente de acordo com o seu próprio potencial. A lição, por outro lado, é medida. Quando eu tomo o nível médio, eu entro nele e me transformo em dois níveis: um nível interno (que não é pessoal, mas coletivo) e um nível externo. O nível externo é transmitido numa linguagem que é mais comum, e o nível interno numa linguagem daqueles que sofreram o estado que está sendo descrito em certa medida.

Pergunta: Você sente o limite do quanto você pode dar numa lição particular?

Resposta: Não. Quando eu falo em um nível tal eu não tenho medo. Em primeiro lugar, eu ainda me escondo dentro de mim mesmo e até mesmo o meu nível interno ainda é meu.

Em segundo lugar, a maneira como nós normalmente apresentamos as coisas não é prejudicial. Isso pode impedir uma pessoa que ainda não está familiarizada com ele, mas seus sentimentos mudam internamente e ela passa por diferentes mudanças de estado. Ela precisa ir de um estado a outro e sentir que está num mundo em que não há espaço para tudo o que falamos e ela é como um ponto central, um observador e um arrumador realizando tudo.

Há muito poucas pessoas que não podem se concentrar dessa forma. Elas têm outras reações, que são mais grossas e lentas em relação ao que estudamos. Assim, durante uma palestra de dez minutos, elas sentem dois ou três estados, enquanto outra pessoa pode sentir vinte ou trinta estados.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 02/04/14

Tudo Está Nas Mãos Do Homem!

Dr. Michael LaitmanPergunta: Quando a inocência e a justiça de Jó são testadas vez após vez, embora sofrendo, três amigos se aproximam dele para expressar condolências. Eles sugerem que ele tenha feito algo ruim e que tais golpes não podem ter vindo do nada.

Mas Jó não concorda com isso, insistindo em sua inocência. Esses amigos representam a questão que muitas vezes nos perguntamos: Será que eu, pessoalmente, fiz algo ruim para receber punição, ou é outra coisa?

Resposta: A natureza não pergunta se fizemos ou não fizemos algo. Nós imaginamos o destino como o mal seguindo o mal e o bem seguindo o bem. Mas a lei da natureza não age de acordo com essa fórmula. Se inicialmente é dito que “o coração do homem é mau desde a sua juventude”, ele se encontra automaticamente numa conta negativa.

Pergunta: Acontece que o conselho dos amigos de procurar o mal na própria pessoa é errado?

Resposta: Ela não vai encontrá-lo. Ela só vai vir com diferentes fórmulas pelas quais a pessoa deve se comportar, mas não vai explorar a natureza em si. Ela não leva em conta que a lei “ama o próximo como a ti mesmo” se aplica a ela.

Por exemplo, no nosso mundo, existem diferentes leis de comportamento e cultura, tais como a forma de se comportar na família, na sociedade, na natureza, etc. De onde vêm essas leis? Elas são baseadas no conhecimento da natureza, no bem? Não. Normalmente, as pessoas vêm com elas de acordo com seus cálculos, e devemos respeitá-las.

Acontece que, inicialmente, nós estabelecemos relações entre nós de uma forma distorcida e não sabemos de onde vem a má sorte. Como nós chegamos a esse absurdo em que dizemos que o Criador deu, o Criador tomou, o Criador é abençoado, e eu não tenho nada a ver com isso? Eu sinto que sou um santo. Eu aceito este destino, uma vez que vem de Cima e não vejo a minha participação. Como novos infortúnios não surgirão no meu caminho?

Comentário: As pessoas tendem a pensar que, se o infortúnio acontece com alguém, então, obviamente, ela fez algo de ruim individualmente. E você descreve o sistema, ou seja, olha não no destino individual, mas o destino da sociedade.

Resposta: É difícil considerar o destino de um indivíduo, porque a nossa visão é limitada. Há pecadores notórios, que se sentem bem. E se eu olhar com meus olhos egoístas, eu vejo que as pessoas desfrutam enganando os outros e roubando toda a vida. Elas têm tudo, são até respeitadas, e depois da morte são chamadas de justos. A questão é se ela pode ou não servir de exemplo. Claro que não! A vida individual de uma pessoa não pode ser um exemplo.

Comentário: Se desgraças vêm para uma pessoa, uma após a outra, no final ela vai amaldiçoar o dia em que nasceu. Muitas pessoas sentem que a morte é melhor do que uma vida assim.

Resposta: Esta é uma fuga da responsabilidade, do objetivo, e uma falta de vontade de ouvir. É necessário formar a opinião pública que irá ajudar a pessoa a ouvir que há um objetivo e que ela precisa organizar sua vida. Não é nem um destino cego nem destino. Tudo está nas mãos do homem!

De KabTV “Uma Nova Vida” 28/05/14

Esaú E Jacó: A Batalha Pela Liderança

Dr. Michael LaitmanPergunta: A Torá diz que Jacó seguiu o conselho de sua mãe e fingiu ser seu irmão Esaú. Por isso, ele recebeu a bênção de Isaac desonestamente. Que história é essa?

Resposta: Isaac representa a linha esquerda. Esaú e Jacó significam as duas linhas que derivam dele. Nenhum deles pode existir sem o outro.

Jacó era o que estava destinado a receber a bênção, uma vez que foi escolhido para definir e executar todo o processo de correção. Ele é o que forneceu tudo para alcançar o estado corrigido no final do processo.

No entanto, Isaac gerou Esaú, porque é absolutamente impossível avançar sem a sua linha. Em essência, a linha de Esaú é a linha do desejo, do vazio, uma necessidade e exigência a ser cumprida. Em outras palavras, Esaú significa uma sensação de vazio, sofrimento e perseguição.

É por isso que Esaú foi para os campos (campo da vida), o que significa o fundamento da existência humana na capacidade de um sujeito relativamente livre. Sem essa base, a vida humana não tem sentido algum. Sem a qualidade chamada Esaú, a pessoa não pode fazer a transição para o estado chamado Adão (Homem), e assim se mantém no nível animal. Isso explica por que Esaú era o primogênito de Isaac, a quem ele deveria transferir tudo o que tinha.

Por outro lado, para a esposa de Isaac, Rebeca, não era porque o programa da criação era originalmente inerente a Jacó, não a Esaú. Em essência, Jacó não é descendente de Isaac, mas sim de Abraão. Ele é filho de Isaac, mas não seu primogênito.

Esta disposição demonstra vividamente que o programa de criação é um fator auxiliar, ao passo que a matéria da criação é a coisa básica. O mesmo se aplica à natureza. Apesar de Israel (“a cabeça para mim” – Li Rosh) ser a cabeça da humanidade, a humanidade ainda é a matéria básica do desejo que deve levar à unidade, adesão com o Criador.

Pergunta: Será que isso significa que Esaú (um desejo vazio que requer preenchimento, realização) representa o mundo contemporâneo?

Resposta: As forças mais sombrias e fortes devem ser convertidas nas mais iluminadas. O povo judeu é obrigado a levar as massas à fusão com o Criador. O Criador está à espera de Esaú, enquanto Jacó deve cumprir o seu papel.

É uma batalha pela liderança, por qual deles é mais importante. Trata-se de dividir as funções e identificar qual o tipo de conexão com o Criador cada um deles carrega. O combate continua até o último estado, quando a concorrência entre eles se transforma em conectar e prover um ao outro. O egoísmo não pode alcançar este resultado por conta própria.

Na verdade, Jacó realmente não entende por que estava envolvido nesse aborrecimento. Ele era um filhinho da mamãe; ele não tinha desejos imensos, nem necessidades insondáveis como Esaú. Por outro lado, Esaú é enorme, forte e poderoso, mas ao mesmo tempo está infeliz e vazio. Nós temos que entender seu papel nada invejável. Se olharmos para a miserável, infeliz e sofredora humanidade que ganha milhares bilhões de dólares sem qualquer pista sobre o que fazer com isso, é muito difícil invejar as pessoas. Esaú representa as massas em geral que devem ser trazidas à ordem.

Esaú exige uma resposta de Jacó. Os antissemitas mais importantes, tais como Henry Ford, entenderam este fato e escreveram sobre ele. No entanto, os judeus ainda querem fugir para a América e incorporar-se lá. Eles fazem o que for possível para não serem identificados como judeus.

Pergunta: Jacó também fez pequenos esforços para resistir a sua missão, mas sua mãe o obrigou a persegui-la. Na verdade, quem é a “mãe”? Quem empurra o povo judeu a agir como Jacó?

Resposta: Mãe é a qualidade de Bina. É a qualidade de amor e doação que percebe claramente que de outra forma nunca será implantada na escala de toda a humanidade.

Esta mãe em particular tem dois filhos, ambos nasceram do amor chamado Bina. Eles só são divididos com a finalidade de mostrar à humanidade o caminho para unir as qualidades de Esaú e de Jacó, e demonstrar como direcionar corretamente essas qualidades. A qualidade chamada Jacó tem que cobrir as qualidades de Esaú com intenção. Se isso acontecer, tudo vai funcionar bem.

Em geral, nenhum dos irmãos pode ser responsabilizado por qualquer coisa. Só com a aquisição de um verdadeiro livre arbítrio é que poderemos implementá-la em vida. Eu diria que atualmente nós estamos passando por esse estado, embora este não seja atual por si só, mas sim começou no tempo do ARI, no século XVI.

No entanto, nós estamos muito atrasados. Olhe para o que está acontecendo no mundo! Nós temos que cumprir a missão de Jacó o mais rapidamente possível. Caso contrário, Esaú vai nos pressionar ainda mais forte. A coisa mais importante é perceber que somos nós que acionamos a pressão por não fazermos nada.

De KabTV “Porção Semanal da Torá” 14/11/14

Cabalistas Sobre A Nação De Israel E As Nações Do Mundo, Parte 13


O Povo De Israel Deve Cumprir A Sua Missão

Baal HaSulam, “Introdução ao Livro do Zohar“, Seção 69: Mas, se, Deus nos livre, for o contrário, e a pessoa de Israel degrada a virtude da interioridade da Torá e seus segredos, que trata da conduta de nossas almas e seus graus, e a percepção e os gostos das Mitzvot com respeito à vantagem da exterioridade da Torá, que lida apenas com a parte prática …com isso a pessoa desonra e degrada a interioridade do mundo, que são os filhos de Israel, e aumenta a exterioridade do mundo – ou seja, as nações do mundo – sobre eles. Elas vão humilhar e envergonhar os filhos de Israel, e considerar Israel como supérfluo, como se o mundo não tivesse nenhuma necessidade deles, Deus me livre.

Além do mais, com isso, elas fazem até mesmo com que a exterioridade nas nações do mundo domine sua própria interioridade, pois o pior entre as nações do mundo, os prejudiciais e destruidores do mundo, sobem acima de sua interioridade, que são os justos das nações do mundo. Então eles fazem toda a ruína e o hediondo abate que a nossa geração testemunhou.

A Força Da Ressurreição Espiritual

Dr. Michael LaitmanPergunta: Isaac proibiu Jacó de se casar com qualquer uma das filhas de Canaã. Por que é tão importante não se “misturar?” O que significa isso?

Resposta: De acordo com o sistema geral, Jacó teve que descer somente a partir da linha do meio. Como resultado, ele teve que se originar a propriedade de Israel e chegar a um grande estado, a idade adulta (Gadlut), e dar à luz às doze tribos de Israel. Em outras palavras, ele foi o único que teve que gerar um sistema completo, correto e equilibrado, que teve de ser formado de uma maneira que poderia sustentar subidas, quebra, e dissolver-se em Esaú, ou seja, na humanidade, e renascer, revivendo assim toda a humanidade.

Hoje, nós somos os únicos que têm que completar a nossa ressurreição espiritual. No entanto, isso não significa que nós temos que terminar a correção pessoal primeiro e só depois chegará a vez da humanidade. De forma alguma! Nós estamos incluídos dentro da humanidade. Conforme a nossa correção pessoal, e o nível de ressurreição espiritual de cada um de nós, a parte que corresponde a cada um de nós irá instantaneamente ser alterada. Portanto, nós progredimos de acordo com o que temos que modificar nos outros.

Pergunta: É nossa responsabilidade agir no território das outras nações?

Resposta: Sim. Nós estamos carregando sua correção sobre os nossos ombros e elas vão começar a nos ajudar logo que conseguirmos. Quando começarmos a agir corretamente, elas vão se juntar imediatamente e nos seguir, e vão nos pedir para dizer-lhes o que elas devem fazer

De KabTV “Porção Semanal da Torá” 14/11/14

O Ideal De Amor E Doação

Dr. Michael LaitmanO Criador, o ideal de amor e doação, deve ser constantemente retratado diante de nós de forma clara e precisa. Nós devemos perceber que podemos entender este ideal e revelá-lo em certa medida.

Isto significa que o Criador é algo que nós sentimos fora de nós mesmos. Não há condição para alcançar a criação, e tudo é sentido em nossos desejos e em nossos atributos.

O atributo mais elevado é o de Keter, no qual sentimos o Criador; é o atributo de amor e doação resultante do trabalho das nove Sefirot inferiores.

Assim, nós temos que nos ajustar de acordo com este diapasão, de acordo com a décima Sefira superior e adaptar constantemente todas as outras Sefirot a ela.

Isto não é fácil, já que a intenção correta é atingida no grupo durante o estudo, atraindo a Luz Superior do ponto de Keter e usando todos os outros atributos. Tudo o que nós fazemos neste mundo, ao estabelecer a conexão mútua entre nós, é necessário a fim de nos checarmos constantemente por meio desta conexão.

A parte mais superior de Keter tem que estar separada de nós. Nós temos que purificá-la cada vez mais, para elevá-la e separá-la de nós. Ela tem que se tornar mais transparente em nossos sentimentos.

Assim, há oito Sefirot: Hochma, Bina, Hesed, Gevura, Tiferet, Netzach, Hod e Yesod, nossos desejos que podem ser corrigidos, e Malchut, que não pode ser corrigida.

A mais Sefira mais elevada – Keter, a Sefira mais inferior Malchut, e tudo o que possamos imaginar entre Malchut e Keter está entre elas como oito Sefirot. É em relação a este sistema que trabalhamos.

Em cada fase de seu desenvolvimento, a pessoa tem que pensar apenas em como pode elevar Keter ao revelar Malchut mais e mais e tentar vê-la como Keter nos oito atributos anteriores.

Keter brilha para baixo, e no final da correção se espalha de uma forma que se funde gradualmente com Malchut com a ajuda do trabalho nas oito Sefirot entre elas por 6.000 anos ou 125 níveis. As oito Sefirot entre Keter e Malchut representam a rede de nossas conexões mútuas.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 26/03/14

A Verdade Acima De Tudo

Dr. Michael LaitmanA Torá, “Levítico” 19; 11: Não furtareis; nem mentireis, nem usareis de falsidade com cada um do seu próximo.

“Não furtareis” significa que você não deve tomar sobre si o que não pode corrigir, uma vez que pertence a outra pessoa e não a você. Trata-se da realização do limite da capacidade de uma pessoa de trabalhar a fim de doar.

Você tem que tirar as partes não corrigidas de seus desejos, pois, caso contrário, não será capaz de trabalhar com elas a fim de doar. Portanto, você não tem o direito de cruzar a fronteira (o canto do seu campo), que separa todas as dez Sefirot da décima parte, e você deve determinar que esta parte não é sua. Mesmo que estes sejam seus desejos, se você não pode corrigi-los, eles não podem ser seus.

“Nem mentireis, nem usareis de falsidade com cada um do seu próximo” significa que você tem que ver a fronteira clara entre os desejos nos quais você trabalha (parte superior da sua alma, GE) e os desejos da parte inferior da alma com os quais você não pode trabalhar a fim de doar, e com relação a que você se restringe e não toca.

Em outras palavras, não importa que relações você tenha com os outros, a verdade está acima dessas relações e seus diferentes resultados. Isto significa que a verdade, o Criador, Seu lugar, Sua grandeza, a lei do mundo e do universo, está acima de tudo e de todos.

Portanto, uma pessoa não pode trabalhar quando a verdade está sob seu controle. Ela tem que se colocar constantemente no âmbito do sistema de valores que não lhe pertencem de forma alguma. Eles sempre devem vir em primeiro lugar, e ela deve aceitá-los acima de todas as suas decisões e soluções.

Pergunta: Se nós falamos sobre a conexão entre as pessoas, há sempre uma força chamada Criador entre nós? Isso significa que ela é independente da conexão real, mas que há uma conexão em prol da unidade?

Resposta: Nós temos que estabelecer uma conexão completa e absoluta entre nós chamada Criador. Se nos concentrarmos nessa conexão, ela gradualmente irá ser revelada entre nós. Esta intenção constante pela revelação máxima do Criador é nosso contínuo movimento para frente, na medida em que aprendemos o método de conexão, unidade e correção, que é a Torá.

Portanto, “nem mentireis, nem usareis de falsidade com cada um do seu próximo”, significa que não pode haver uma conexão entre nós sem o Criador.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 26/03/14

Quem Corrige A Décima Parte De Um Desejo?

Dr. Michael LaitmanTorá, “Levítico”, Kedoshim 19:9-10: Quando também fizerdes a colheita da vossa terra, o canto do teu campo não segarás totalmente, nem as espigas caídas colherás da tua sega. Semelhantemente não rabiscarás a tua vinha, nem colherás os bagos caídos da tua vinha; deixá-los-ás ao pobre e ao estrangeiro. Eu sou o Senhor vosso Deus.

Um campo significa os desejos materiais de uma pessoa, que ela deve cultivar. Enquanto os corrige, ela os utiliza para a unidade e interação em todo o sistema de interconexão entre todas as pessoas.

“Nem as espigas caídas colherás”, significa que você não é capaz de se corrigir completamente. As primeiras nove Sefirot se corrigem através de nossos esforços, pedidos, interconexão e o trabalho com outros. A décima Sefira não só é impossível de corrigir, mas mesmo pedir isso é impossível. Não podemos pedir para esse egoísmo trabalhar para a doação, uma vez que ele é a nossa fundação que nos separa do Criador.

Suponha que nós temos um desejo de certa espessura. Ele pode absorver as propriedades do Criador até a última seção, até a décima. A décima parte não aceita as propriedades de doação.

Se nós corrigíssemos todas as nove partes, no final chegaríamos a um estado onde haveria apenas um décimo restante, que será corrigido pelo Criador. Este será Seu último ato, que terminará os 6000 anos de nossa correção.

A incapacidade de autocorrigir a décima parte se manifesta em todas as ações proibidas. Nós falamos sobre os desejos em diferentes níveis. Existem desejos no nível inanimado, onde você quer criar desejos no nível vegetal, ao se elevar do solo para o próximo nível, como uma planta.

Há desejos que se tornam do nível animal a partir do vegetal, e esses desejos do nível animal você eleva o nível de MAN. Em todas estas correções, sempre há ações que são proibidas para você, e tudo isto está relacionado com a décima parte.

Mas há momentos em que você pode tomar alguns desejos da décima parte que se chama “remover a parte superior do leite” e movê-los de volta às primeiras nove Sefirot. Portanto, desejos proibitivos são relativos. Isto significa que você não pode usá-los, mas o pobre que passa ao lado de seu campo pode.

É também uma correção. Você deixa o seu desejo proibido aos pobres, e quando o pobre os utiliza, corrige sua décima parte. Você não pode elevar essa parte da propriedade de recepção para a propriedade de doação, mas o pobre pode.

Por sua vez, a pessoa pobre que recebe este alimento de você não é capaz de usar sua décima parte dele, e deveria dá-la como uma doação (Maaser) ao Templo ou algo semelhante. É assim que a corrente de nossa interconexão deve trabalhar.

Pergunta: Como se vai sentir que esta é a décima parte com a qual eu não posso trabalhar?

Resposta: Você vai sentir isso quando não tiver mais forças para fazer qualquer coisa. Se você sentir que deu seus 100%, então você só tem um décimo restante.

Trabalhando com a Luz em níveis elevados, a pessoa sente e controla todos os seus desejos e é capaz de ver através de si mesma. Em nosso estado nós ainda não percebemos isso; no entanto, um Cabalista, que está no ambiente espiritual, é capaz de separar claramente as primeiras nove Sefirot da décima. Ele sente o que é possível fazer e o que não é. Isso em primeiro lugar.

Em segundo lugar, ele sente o canto(limite) do seu campo aqui como sua Malchut, seus desejos, sobre os quais não tem controle e, portanto, deixa-os.

Para melhor entender esta ação, imagine que você pediu para uma pessoa no nosso mundo matar o próprio filho, como Abraão foi ordenado a fazer. Uma pessoa normal faz isto? Nunca. Existem certos limites (o canto do campo), que nós não podemos transgredir.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 26/03/14

Quando E Onde A Pessoa Dedica Tempo Para A Felicidade?

Dr. Michael LaitmanPergunta: Nas últimas décadas, o tema da busca da felicidade na sociedade humana, em Israel e no mundo, tornou-se uma tendência. Um grande número de livros, cursos e workshops surgiram sobre o assunto. No livro Eclesiastes do rei Salomão, a busca da felicidade anda de mãos dadas com a busca da verdade. Que tipo de verdade ele está falando?

Resposta: A verdade muda o tempo todo. Cada geração determina as regras gerais para si de acordo com as quais determina o que é chamado de verdade e o que é chamado de falsidade, bem e mal, prazer e sofrimento. Cem ou duzentos anos atrás, o que era considerado felicidade era ter um emprego, um lugar para viver, uma família e filhos.

Se uma pessoa pudesse prover sua família com comida e um teto sobre suas cabeças, então ela estava feliz. Ela não queria nada além disso. Além da vestimenta diária, se ela tivesse um terno adicional, isso era maravilhoso! Depois vieram com o guarda-roupa, que era pequeno no início. E agora todo mundo tem seu próprio quarto em um apartamento e seu próprio armário. Mas mesmo isso não é suficiente; nós precisamos de um closet para roupas!

Nós chegamos à saturação, mas uma pessoa ainda está envolvida com o consumo. Nossas vidas tornaram-se uma corrida. Onde é que vamos sentir prazer? Eu moro numa área onde a população pertence à classe média alta. Às sete da manhã, o meu vizinho corre para seu carro segurando um bebê em uma mão e uma xícara de café na outra. Ele coloca o café, senta o bebê, e leva-o para a creche, depois vai para o trabalho.

Ele não vem para casa antes das oito ou nove da noite. Quando ele sente felicidade? Seria no único dia da semana em que à noite ele vai para algum lugar com seus amigos? Ou é uma vez por ano, quando ele viaja para uma semana de férias no exterior? Onde está o prazer de verdade? Ele olha para os outros e diz: “Todo mundo está fazendo isso, e eu também”.

Pergunta: Resulta que não há felicidade no mundo?

Resposta: Felicidade, em “Vaidade das Vaidades” (Eclesiastes 1:2) é a doação aos outros! Se doarmos uns aos outros e construirmos uma vida onde todos estão conectados de uma maneira positiva na sociedade, vamos nos satisfazer, não com as coisas, mas com a felicidade. No momento, eu quero ter a sensação de felicidade através da aquisição de algo que comprei e depois desfruto. Quanto eu posso olhá-lo e apreciá-lo?

A felicidade deve ser constantemente renovada. A felicidade de um carro novo tem a duração de um mês, de uma casa dura um ano. Como eu posso organizar a vida de tal forma que o meu desejo de ser feliz o tempo todo será renovado e sua reposição será nova? É assim que ocorre quando me levanto todos os dias como uma criança com olhos bem abertos!

Na infância, eu morava numa casa com um quintal grande. No quintal cresciam árvores e flores; tínhamos um cão. À noite, eu já imaginava como eu iria pular da cama de manhã e correr para o quintal para encontrar os amigos. Eu quero viver num ânimo como esse!

Pergunta: No livro Eclesiastes do rei Salomão, a mesma frase se repete o tempo todo: “O que foi, isso é o que há de ser; e o que se fez, isso se fará; de modo que nada há de novo debaixo do sol” (Eclesiastes 1: 9). Esta é uma descoberta muito triste.

Resposta: Se você só quer desfrutar o mundo, você sempre terá o vazio.

Pergunta: Será que é realmente necessário chegar a um estado de absoluta falta de prazer, a fim de compreender a necessidade de renovação? É impossível obter prazer de ambas as coisas e conexões com as pessoas?

Resposta: Uma coisa não interfere na outra, mas eu não acho que uma pessoa possa estar em dois mundos. Se você está dividido em dois, nenhum dos dois desejos será chamado de preenchido. Em última análise, nós precisamos mostrar a nós mesmos e aos outros que a verdadeira fonte da felicidade é encontrada. A renovação das relações entre nós vai nos trazer um sentimento de felicidade, e essa vai ser sempre a mesma vitalidade que preenche as velas do nosso barco com o avanço em direção a melhores estados.

De KabTV “Uma Nova Vida” 23/05/13