Textos na Categoria 'Torá'

O Ideal De Amor E Doação

Dr. Michael LaitmanO Criador, o ideal de amor e doação, deve ser constantemente retratado diante de nós de forma clara e precisa. Nós devemos perceber que podemos entender este ideal e revelá-lo em certa medida.

Isto significa que o Criador é algo que nós sentimos fora de nós mesmos. Não há condição para alcançar a criação, e tudo é sentido em nossos desejos e em nossos atributos.

O atributo mais elevado é o de Keter, no qual sentimos o Criador; é o atributo de amor e doação resultante do trabalho das nove Sefirot inferiores.

Assim, nós temos que nos ajustar de acordo com este diapasão, de acordo com a décima Sefira superior e adaptar constantemente todas as outras Sefirot a ela.

Isto não é fácil, já que a intenção correta é atingida no grupo durante o estudo, atraindo a Luz Superior do ponto de Keter e usando todos os outros atributos. Tudo o que nós fazemos neste mundo, ao estabelecer a conexão mútua entre nós, é necessário a fim de nos checarmos constantemente por meio desta conexão.

A parte mais superior de Keter tem que estar separada de nós. Nós temos que purificá-la cada vez mais, para elevá-la e separá-la de nós. Ela tem que se tornar mais transparente em nossos sentimentos.

Assim, há oito Sefirot: Hochma, Bina, Hesed, Gevura, Tiferet, Netzach, Hod e Yesod, nossos desejos que podem ser corrigidos, e Malchut, que não pode ser corrigida.

A mais Sefira mais elevada – Keter, a Sefira mais inferior – Malchut, e tudo o que possamos imaginar entre Malchut e Keter está entre elas como oito Sefirot. É em relação a este sistema que trabalhamos.

Em cada fase de seu desenvolvimento, a pessoa tem que pensar apenas em como pode elevar Keter ao revelar Malchut mais e mais e tentar vê-la como Keter nos oito atributos anteriores.

Keter brilha para baixo, e no final da correção se espalha de uma forma que se funde gradualmente com Malchut com a ajuda do trabalho nas oito Sefirot entre elas por 6.000 anos ou 125 níveis. As oito Sefirot entre Keter e Malchut representam a rede de nossas conexões mútuas.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 26/03/14

A Verdade Acima De Tudo

Dr. Michael LaitmanA Torá, “Levítico” 19; 11: Não furtareis; nem mentireis, nem usareis de falsidade com cada um do seu próximo.

“Não furtareis” significa que você não deve tomar sobre si o que não pode corrigir, uma vez que pertence a outra pessoa e não a você. Trata-se da realização do limite da capacidade de uma pessoa de trabalhar a fim de doar.

Você tem que tirar as partes não corrigidas de seus desejos, pois, caso contrário, não será capaz de trabalhar com elas a fim de doar. Portanto, você não tem o direito de cruzar a fronteira (o canto do seu campo), que separa todas as dez Sefirot da décima parte, e você deve determinar que esta parte não é sua. Mesmo que estes sejam seus desejos, se você não pode corrigi-los, eles não podem ser seus.

“Nem mentireis, nem usareis de falsidade com cada um do seu próximo” significa que você tem que ver a fronteira clara entre os desejos nos quais você trabalha (parte superior da sua alma, GE) e os desejos da parte inferior da alma com os quais você não pode trabalhar a fim de doar, e com relação a que você se restringe e não toca.

Em outras palavras, não importa que relações você tenha com os outros, a verdade está acima dessas relações e seus diferentes resultados. Isto significa que a verdade, o Criador, Seu lugar, Sua grandeza, a lei do mundo e do universo, está acima de tudo e de todos.

Portanto, uma pessoa não pode trabalhar quando a verdade está sob seu controle. Ela tem que se colocar constantemente no âmbito do sistema de valores que não lhe pertencem de forma alguma. Eles sempre devem vir em primeiro lugar, e ela deve aceitá-los acima de todas as suas decisões e soluções.

Pergunta: Se nós falamos sobre a conexão entre as pessoas, há sempre uma força chamada Criador entre nós? Isso significa que ela é independente da conexão real, mas que há uma conexão em prol da unidade?

Resposta: Nós temos que estabelecer uma conexão completa e absoluta entre nós chamada Criador. Se nos concentrarmos nessa conexão, ela gradualmente irá ser revelada entre nós. Esta intenção constante pela revelação máxima do Criador é nosso contínuo movimento para frente, na medida em que aprendemos o método de conexão, unidade e correção, que é a Torá.

Portanto, “nem mentireis, nem usareis de falsidade com cada um do seu próximo”, significa que não pode haver uma conexão entre nós sem o Criador.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 26/03/14

Quem Corrige A Décima Parte De Um Desejo?

Dr. Michael LaitmanTorá, “Levítico”, Kedoshim 19:9-10: Quando também fizerdes a colheita da vossa terra, o canto do teu campo não segarás totalmente, nem as espigas caídas colherás da tua sega. Semelhantemente não rabiscarás a tua vinha, nem colherás os bagos caídos da tua vinha; deixá-los-ás ao pobre e ao estrangeiro. Eu sou o Senhor vosso Deus.

Um campo significa os desejos materiais de uma pessoa, que ela deve cultivar. Enquanto os corrige, ela os utiliza para a unidade e interação em todo o sistema de interconexão entre todas as pessoas.

“Nem as espigas caídas colherás”, significa que você não é capaz de se corrigir completamente. As primeiras nove Sefirot se corrigem através de nossos esforços, pedidos, interconexão e o trabalho com outros. A décima Sefira não só é impossível de corrigir, mas mesmo pedir isso é impossível. Não podemos pedir para esse egoísmo trabalhar para a doação, uma vez que ele é a nossa fundação que nos separa do Criador.

Suponha que nós temos um desejo de certa espessura. Ele pode absorver as propriedades do Criador até a última seção, até a décima. A décima parte não aceita as propriedades de doação.

Se nós corrigíssemos todas as nove partes, no final chegaríamos a um estado onde haveria apenas um décimo restante, que será corrigido pelo Criador. Este será Seu último ato, que terminará os 6000 anos de nossa correção.

A incapacidade de autocorrigir a décima parte se manifesta em todas as ações proibidas. Nós falamos sobre os desejos em diferentes níveis. Existem desejos no nível inanimado, onde você quer criar desejos no nível vegetal, ao se elevar do solo para o próximo nível, como uma planta.

Há desejos que se tornam do nível animal a partir do vegetal, e esses desejos do nível animal você eleva o nível de MAN. Em todas estas correções, sempre há ações que são proibidas para você, e tudo isto está relacionado com a décima parte.

Mas há momentos em que você pode tomar alguns desejos da décima parte que se chama “remover a parte superior do leite” e movê-los de volta às primeiras nove Sefirot. Portanto, desejos proibitivos são relativos. Isto significa que você não pode usá-los, mas o pobre que passa ao lado de seu campo pode.

É também uma correção. Você deixa o seu desejo proibido aos pobres, e quando o pobre os utiliza, corrige sua décima parte. Você não pode elevar essa parte da propriedade de recepção para a propriedade de doação, mas o pobre pode.

Por sua vez, a pessoa pobre que recebe este alimento de você não é capaz de usar sua décima parte dele, e deveria dá-la como uma doação (Maaser) ao Templo ou algo semelhante. É assim que a corrente de nossa interconexão deve trabalhar.

Pergunta: Como se vai sentir que esta é a décima parte com a qual eu não posso trabalhar?

Resposta: Você vai sentir isso quando não tiver mais forças para fazer qualquer coisa. Se você sentir que deu seus 100%, então você só tem um décimo restante.

Trabalhando com a Luz em níveis elevados, a pessoa sente e controla todos os seus desejos e é capaz de ver através de si mesma. Em nosso estado nós ainda não percebemos isso; no entanto, um Cabalista, que está no ambiente espiritual, é capaz de separar claramente as primeiras nove Sefirot da décima. Ele sente o que é possível fazer e o que não é. Isso em primeiro lugar.

Em segundo lugar, ele sente o canto(limite) do seu campo aqui como sua Malchut, seus desejos, sobre os quais não tem controle e, portanto, deixa-os.

Para melhor entender esta ação, imagine que você pediu para uma pessoa no nosso mundo matar o próprio filho, como Abraão foi ordenado a fazer. Uma pessoa normal faz isto? Nunca. Existem certos limites (o canto do campo), que nós não podemos transgredir.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 26/03/14

Quando E Onde A Pessoa Dedica Tempo Para A Felicidade?

Dr. Michael LaitmanPergunta: Nas últimas décadas, o tema da busca da felicidade na sociedade humana, em Israel e no mundo, tornou-se uma tendência. Um grande número de livros, cursos e workshops surgiram sobre o assunto. No livro Eclesiastes do rei Salomão, a busca da felicidade anda de mãos dadas com a busca da verdade. Que tipo de verdade ele está falando?

Resposta: A verdade muda o tempo todo. Cada geração determina as regras gerais para si de acordo com as quais determina o que é chamado de verdade e o que é chamado de falsidade, bem e mal, prazer e sofrimento. Cem ou duzentos anos atrás, o que era considerado felicidade era ter um emprego, um lugar para viver, uma família e filhos.

Se uma pessoa pudesse prover sua família com comida e um teto sobre suas cabeças, então ela estava feliz. Ela não queria nada além disso. Além da vestimenta diária, se ela tivesse um terno adicional, isso era maravilhoso! Depois vieram com o guarda-roupa, que era pequeno no início. E agora todo mundo tem seu próprio quarto em um apartamento e seu próprio armário. Mas mesmo isso não é suficiente; nós precisamos de um closet para roupas!

Nós chegamos à saturação, mas uma pessoa ainda está envolvida com o consumo. Nossas vidas tornaram-se uma corrida. Onde é que vamos sentir prazer? Eu moro numa área onde a população pertence à classe média alta. Às sete da manhã, o meu vizinho corre para seu carro segurando um bebê em uma mão e uma xícara de café na outra. Ele coloca o café, senta o bebê, e leva-o para a creche, depois vai para o trabalho.

Ele não vem para casa antes das oito ou nove da noite. Quando ele sente felicidade? Seria no único dia da semana em que à noite ele vai para algum lugar com seus amigos? Ou é uma vez por ano, quando ele viaja para uma semana de férias no exterior? Onde está o prazer de verdade? Ele olha para os outros e diz: “Todo mundo está fazendo isso, e eu também”.

Pergunta: Resulta que não há felicidade no mundo?

Resposta: Felicidade, em “Vaidade das Vaidades” (Eclesiastes 1:2) é a doação aos outros! Se doarmos uns aos outros e construirmos uma vida onde todos estão conectados de uma maneira positiva na sociedade, vamos nos satisfazer, não com as coisas, mas com a felicidade. No momento, eu quero ter a sensação de felicidade através da aquisição de algo que comprei e depois desfruto. Quanto eu posso olhá-lo e apreciá-lo?

A felicidade deve ser constantemente renovada. A felicidade de um carro novo tem a duração de um mês, de uma casa dura um ano. Como eu posso organizar a vida de tal forma que o meu desejo de ser feliz o tempo todo será renovado e sua reposição será nova? É assim que ocorre quando me levanto todos os dias como uma criança com olhos bem abertos!

Na infância, eu morava numa casa com um quintal grande. No quintal cresciam árvores e flores; tínhamos um cão. À noite, eu já imaginava como eu iria pular da cama de manhã e correr para o quintal para encontrar os amigos. Eu quero viver num ânimo como esse!

Pergunta: No livro Eclesiastes do rei Salomão, a mesma frase se repete o tempo todo: “O que foi, isso é o que há de ser; e o que se fez, isso se fará; de modo que nada há de novo debaixo do sol” (Eclesiastes 1: 9). Esta é uma descoberta muito triste.

Resposta: Se você só quer desfrutar o mundo, você sempre terá o vazio.

Pergunta: Será que é realmente necessário chegar a um estado de absoluta falta de prazer, a fim de compreender a necessidade de renovação? É impossível obter prazer de ambas as coisas e conexões com as pessoas?

Resposta: Uma coisa não interfere na outra, mas eu não acho que uma pessoa possa estar em dois mundos. Se você está dividido em dois, nenhum dos dois desejos será chamado de preenchido. Em última análise, nós precisamos mostrar a nós mesmos e aos outros que a verdadeira fonte da felicidade é encontrada. A renovação das relações entre nós vai nos trazer um sentimento de felicidade, e essa vai ser sempre a mesma vitalidade que preenche as velas do nosso barco com o avanço em direção a melhores estados.

De KabTV “Uma Nova Vida” 23/05/13

Um Poço Para Uma Humanidade Sedenta

Dr. Michael LaitmanPergunta: A Torá nos diz que Isaac encontrou dois poços na terra de Grar que haviam sido cavados no tempo de Abraão e tinham sido cobertos posteriormente. Estes poços causaram muitas discussões com os pastores locais e depois de um tempo um novo poço foi escavado que não causou disputas.

Então Avimelech (Abimeleque), o rei da Grar (Gerar), ofereceu a Isaac um acordo. Por que as nações do mundo se tornaram tão boas de repente e querem fazer um acordo com os judeus?

Resposta: É porque Isaac tinha começado suas correções.

Um poço é um buraco no chão, numa terra que está cheia de água. Um buraco que está cheio de água da vida é chamado um poço de vida. A água é a essência do atributo de doação que está escondido na terra, ou seja, no desejo. Em outras palavras, o seu desejo começa a fluir para que você possa receber a água da vida através dele, que é o atributo de doação que traz vida a todos.

Basicamente, a história dos poços nos mostra que se nós começarmos a cumprir nossa missão de organizar a nação de Israel, a fim de corrigir o mundo, é o suficiente. Nós, na verdade, não temos que corrigir o mundo, mas apenas nos corrigir.

Nos capítulos 66-67 da “Introdução ao Livro do Zohar“, Baal HaSulam diz que no momento em que a nação de Israel começar a se corrigir, ou seja, se adaptar de acordo com o Criador, a Luz vai imediatamente começar a fluir a partir dela como a água de um poço, e essa Luz vai corrigir todas as outras nações. Desta forma, todo o mundo se tornará um lugar melhor. Afinal de contas, o mundo não pode corrigir a si mesmo, nem pode fazer nada.

Apenas imagine que exista uma nação que controle e gerencie totalmente o mundo, e as outras nações não podem fazer nada e simplesmente esperam que esta nação faça alguma coisa.

O problema está na forma como isso é revelado, e as interrupções podem ser grandes. No momento, nós ainda podemos de alguma forma escapar daqueles que se opõem a Israel. Mas e se essa imagem fosse revelada e, de repente, todo mundo visse que há sete bilhões de pessoas no mundo e há cerca de dez milhões de quem tudo depende?

Eu diria que os sete bilhões são como um corpo que roda no software vida, e este software é o povo judeu. Sua massa não pertence ao verdadeiro corpo do mundo, mas sim ao software, e ele opera num nível diferente.

De um modo geral, o verdadeiro software é meramente um componente virtual no que diz respeito a este assunto. É um esquema, um sistema. Nós podemos dizer que o software da matéria proteica é Israel e a verdadeira matéria proteica é as nações do mundo. Se este software está incorreto, basta imaginar que as doenças e problemas são causados ​​na matéria!

Toda a história da humanidade é basicamente a cooperação contínua entre o mundo e a nação de Israel, assim como duas bobinas na cadeia de DNA. As nações do mundo e a nação de Israel estão em contínua comunicação, contato e esforço entre si. Israel não seria capaz de atingir o estado do terceiro poço sem a pressão das nações do mundo sobre ele. Há aqueles que cavam o desejo e outros que o encobrem. Este desenvolvimento é necessário a fim de alcançar a água da vida, o atributo de Bina.

O primeiro poço refere-se basicamente a Abraão, o segundo a Isaac e o terceiro a Jacó. Quando Jacó se conecta, ele se torna a linha do meio e, assim, nós chegamos à água da vida.

Pergunta: O que isso tem a ver com a vida hoje? Nós temos que descobrir esse poço agora, essa água da vida?

Resposta: Sim. Nós começamos a derramar a doação, e isso só depende da conexão entre nós. A unidade da nação de Israel é a chave de tudo. É a única coisa que pode cavar um poço para o mundo.

Cavar um poço significa mergulhar em nossos desejos. Eles são negativos, ruins, e revelam toda a negatividade que está escondida dentro de uma pessoa, a sua natureza, e sua distância do Criador. Mas nós temos que fazê-lo. Nós temos que criar fortes sentimentos da deficiência da Luz dentro de nós, os atributos de amor e doação. Isso é chamado de um poço vazio ou um buraco. A propósito, há uma diferença entre estes dois conceitos. O que uma pessoa busca depende apenas dela mesma.

Quando cavamos um poço, nós alcançamos o estado, a profundidade em que sentimos a maior dor no que diz respeito ao amor, doação e conexão. Assim, a água, que é a fonte da vida, aparece.

Assim como os animais que sentem onde há água, as pessoas naqueles tempos sentiam onde tinham que escavar e quão profundo, a fim de encontrar água. A propósito, há uma abundância de água no deserto, porque há enormes lagos subterrâneos. Nós só precisamos saber onde cavar e não há nada a temer. Você pode ir a qualquer lugar visto que você sempre vai encontrar água.

Pergunta: Essa busca pessoal é a proximidade e a conexão entre nós?

Resposta: Sim. Ela existe na medida em que fazemos esforços para descobrir o atributo de doação chamado água.

De KabTV “Porção Semanal da Torá” 14/11/14

Por Que A Torá Começa A Partir De Adão?

Dr. Michael LaitmanPergunta: Por que a Torá não começa a partir de Abraão, a partir do encontro no Monte Sinai, mas começa a partir de Adão, com a criação?

Resposta: A fim de nos ajudar a entender que o principal é a quebra da alma em muitas partes, e, depois, a Torá é dada apenas para reunir e juntar essas partes novamente, para colá-las e, assim, descobrir a Criador no vaso colado. Mas se ela não começasse assim e não houvesse a quebra, todas as outras ações certamente seriam sem sentido.

Portanto, a Torá começa a partir de Adão e não a partir de Abraão, visto que Abraão já é o resultado da quebra e o início da correção. Ela também não começa a partir da entrega da Torá, já que este já é o recebimento da ferramenta e do plano de correção. A Torá termina com a revelação completa do Criador, isto é, na alma de Adão completamente corrigida e repetidamente reforçada.

O Povo Que Virou As Costas Para O Seu Destino

Laitman_167Pergunta: A porção semanal atual, “Toldot” (Gerações), fala sobre a venda do direito de primogenitura. Traçando um paralelo com os dias de hoje [em Israel], nós podemos dizer que alguns estão escolhendo pudim leitoso?

Resposta: Nada disso. Afinal, Esaú é o egoísmo primogênito, um enorme vazio que precisa se preencher. Não há como escapar dele. Se o egoísmo não tivesse nascido, o universo não teria existido. É por isso que o nascimento começa com o egoísmo.

Depois que o egoísmo nasceu e se manifestou, uma metodologia ou um programa para o preenchimento do egoísmo tornou-se necessário. Em outras palavras, é necessário algum tipo de símbolo, uma intenção que seja possível de se utilizar, uma fórmula com a qual esse Esaú possa ser adequadamente administrado e preenchido. Caso contrário, é impossível preencher e satisfazer.

Jacó é tal fórmula. Ele é uma função de utilidade, um mecanismo de apoio que preenche o egoísmo. De um modo geral, Esaú é toda a base da natureza.

Pergunta: O que é o direito de primogenitura de Esaú para a nossa época e para o Israel moderno?

Resposta: Em primeiro lugar, “Esaú” e “Jacó”, “Israel” e “povos do mundo” são sistemas completamente diferentes.

Esaú é Esaú, ele não pode fazer nada por si mesmo. A única coisa que ele pode fazer é perseguir Jacó para provocar e forçá-lo a realizar a satisfação pessoal. Portanto, Esaú inicialmente diz: “Eu vou vender o meu direito de primogenitura a você. Por que eu preciso disso? Eu não posso recolher nada dele”.

Por que Jacó comprou o direito de primogenitura? A fim de implementá-la.

Hoje nós somos seus herdeiros (os descendentes de Jacó) e filhos que não fazem seu trabalho. Em vez disso, preferimos a sopa de Esaú, como se estivéssemos em seu nível desejando se tornar como ele. Como se nós quiséssemos ser como as nações do mundo, entre as quais vivemos.

O que me espanta é quando eu vejo o que vem acontecendo com o povo judeu, o que aconteceu com eles. Parece que seria impossível: o quanto eles viraram as costas e retiraram-se da sua finalidade.

Pergunta: Quais são as consequências dessa fuga?

Resposta: Apenas uma, que Esaú exigisse a resolução dos problemas, em outras palavras, seu preenchimento. Isto significa que o plano da criação será implementado através de Esaú.

Quando Esaú nos obriga e exige que executemos, isso é chamado de “o caminho do sofrimento” ou “Beito” em hebraico, em seu próprio tempo. Constantemente, a cada momento, o programa da criação será executado, mas o tempo todo através da força motriz.

Por outro lado, é desejável e finalmente necessário cumprir o programa da criação através do trabalho da Jacó, consciente e voluntariamente, por seu livre arbítrio.

Isto significa que, no final, o povo de Israel, ou aqueles que hoje são chamados assim, devem perceber a sua missão, seu objetivo, que deve ser alcançado por todos, por Esaú, pela humanidade; e eles devem cumprir a sua missão. Eles são obrigados. Não há para onde fugir.

Acontece que a atual porção semanal da Torá descreve tal destino, o destino do qual não podemos escapar.

Que tipo de infâmia, fraqueza e insignificância nós estamos demonstrando por querer abandonar e afastar o papel de Jacó de nós mesmos e nos disfarçar na pele de caça de Esaú. Este é um estado desprezível e lamentável que alcançamos.

Pergunta: Será que isso significa que hoje temos confundido os papéis?

Resposta: Sim. É por isso que todas as tentativas de Esaú não são estranhas, ou seja, toda a comunidade internacional, nos trazer de volta ao estado correto para o nosso trabalho, para o que temos que fazer por ela, para o bem dela. Em geral, para o bem do Criador.

Em outras palavras, nós temos que tomar a primogenitura e implementá-la. Embora de acordo com as palavras da Torá, possa parecer que compramos de forma desonesta; no entanto, tudo realmente aconteceu dessa forma. Não é que Jacó “passou por cima” e “mentiu” para Esaú; esta é a forma como estes dois programas de criação “se entrelaçaram” e seguiram em frente juntos. Eles se assemelham a uma hélice dupla de DNA torcida, que é a base de nossas vidas.

É por isso que realmente precisamos despertar e começar a aplicar a nossa finalidade.

Pergunta: Será que a sopa de lentilha que Jacó ofereceu a ele por seu direito de primogenitura preencheu Esaú? Ou será que ele se arrependeu pelo fato de que ele o “comprou”?

Resposta: Esta sopa preencheu parcialmente Esaú. Caso contrário, o mundo em geral, não teria existido. No entanto, na realidade, é apenas uma sopa.

No entanto, nós constantemente “alimentamos” o mundo com esta “sopa”. O desenvolvimento humano, o progresso e a eterna busca do prazer ilusório, tudo isso gera o povo judeu. Se o povo judeu não estivesse em seu estado quebrado, não haveria nenhum avanço neste mundo.

De fato, os avanços na ciência e as inovações técnicas não são necessários para o mundo. Nós fornecemos isso ao mundo para que as pessoas tenham algo para fazer. Mas, na verdade, é uma consequência da falência do nosso plano, da nossa missão.

Isso vem da linha feminina, de nossa mãe comum.

Comentário: Como se vê, nós fazemos apenas a primeira parte, “alimentar o mundo com uma sopa”, mas não preenchemos a segunda parte, a parte fundamental: nós não compramos o direito de primogenitura com isso.

Resposta: Sim. Tal é Israel de hoje.

Basicamente, cada porção semanal da Torá, se analisada, no final nos dá uma resposta negativa sobre como implementar a nossa missão. Em última análise, todos os 52 capítulos do ano nos afetam negativamente. Afinal de contas, nós não cumprir qualquer um deles.

Pergunta: Como os capítulos são implementados?

Resposta: A maneira mais fácil, “Ama o próximo como a ti mesmo”, esta é a principal lei da Torá. Nada mais é necessário!

Pergunta: Este é o direito de primogenitura?

Resposta: Este é o cumprimento, a execução do direito de primogenitura. E Esaú exige isso! Ele quer amar, e nós lhe negamos essa oportunidade. Nós não damos e não criamos as condições para isso, e, portanto, provocamos o seu ódio em relação a nós.

Por outro lado, o final feliz da história é conhecido antecipadamente. A história é como um filme que você assiste no cinema; está tudo lá no filme, mas você ainda está em algum lugar no meio se preocupando com os personagens. É apenas graças ao final feliz que nós existimos, caso contrário, já teríamos sido destruídos há muito tempo.

Pergunta: Isso é porque nós não cumprimos o nosso papel?

Resposta: Sim. Não é de estranhar que, uma e outra vez em toda a história dos judeus, se levantar forças supostamente negativas que nos pressionam, e, em parte, nos destroem. Infelizmente, esta é apenas uma consequência da nossa incapacidade de completar o nosso programa.

Quantos desses casos existem na história? Na Espanha, na Inglaterra, eu vi as antigas sinagogas onde os judeus eram presos e queimados. Eles não sabiam a razão. Na verdade, o que era realmente exigido deles?

Ainda assim todo mundo tem culpa porque o povo judeu inicialmente era percebido como um só “elo” conectada de responsabilidade mútua (Arvut), ligada num único sistema para ser como um homem com um coração.

Em tais condições, cada pessoa é responsável por todos. Acontece que não há uma pessoa boa ou má; todos são igualmente bons e maus.

É por isso que quando alguém é morto em algum lugar porque era judeu, não temos o direito de gritar que ele não tinha culpa. Ele é culpado, porque o povo judeu como um todo não cumpre sua função. Todo filho desta nação é o seu representante.

Por outro lado, se as pessoas desempenhassem a sua função, elas não seriam mortas. Isso nunca teria acontecido.

Afinal de contas, nós estamos num sistema que é bastante determinante, onde não pode haver inconsistências, espontaneidade e acidentes. Isso não está na natureza. Este é um sistema enorme, contínuo e ideal.

Pergunta: Acontece que, por não cumprirmos o princípio do “ama o próximo como a ti mesmo”, nós olhamos para o mundo através dos olhos de Esaú, e não de Jacó. E o mundo nos pressiona assim como Esaú. E agora?

Resposta: É necessário chegar ao ponto em que todos na nação de Israel vão se sentir culpados.

Eu ouço as notícias de todo o mundo e me sinto culpado pelo que está acontecendo. Como resultado do estudo da Cabalá, eu comecei a sentir vergonha de olhar para as pessoas do mundo.

A mesma coisa vale para o povo judeu, porque eu tenho que entregar isso a eles, mas ainda não posso. Eu “dou à luz” ao sistema de explicação, disseminação e formação, para que outros ouçam, entendam. Eu me sinto culpado em relação ao resto do povo.

Pergunta: Por quê?

Resposta: Porque milhões de crianças na África estão morrendo, porque as pessoas estão sofrendo por e alguma coisa, calor ou frio, por seus problemas, conflitos e lutas, por alguns fenômenos naturais, seja humano, inanimado, vegetal ou animal. Guerras, vírus, furacões, tsunamis, terremotos, erupções vulcânicas; é necessário compreender que tudo isso é porque nós não cumprimos a nossa função, a nossa missão.

Nós precisamos educar o nosso povo para que eles se sintam culpados. Nós temos que levar as pessoas à verdade, onde ela não vai estrangulá-los, não vai prendê-los, não vai leva-los à loucura, ao suicídio, mas vai animá-los e dar-lhes um impulso para frente para que eles vejam que devem, e ao mesmo tempo, são capazes de fazer a correção do mundo.

De KabTV “Porção Semanal da Torá” 14/11/14

Israel Aos Olhos de Jacó

laitman_740_02A Torá não é apenas um documento histórico. Ela descreve a nossa vida e como devemos fazer parte do plano da natureza, a fim de experimentar um novo capítulo semanal (Parashat HaShavua) toda semana. Caso contrário, sua falta de entusiasmo nos chama.

Comentário: Vamos falar sobre a porção desta semana chamada Toldot (Gerações), que é muito importante para o povo judeu, para Israel. Em primeiro lugar, porque ela nos fala sobre o nascimento de Jacó e, em geral, sobre o que Jacó significa para Israel.

Resposta: Ele é a base, a linha do meio, através da qual podemos gerenciar as duas linhas laterais, as linhas direita e esquerda, o positivo e o negativo. Nós entendemos que tudo é feito de dois aspectos, fenômenos, forças, fatores opostos, etc., de acordo com o positivo e o negativo. Caso contrário, nada pode existir.

Nós sentimos que estamos realmente entre essas duas forças e nosso trabalho é ter certeza de que estamos constantemente equilibrados em todos os níveis da natureza: inanimado, vegetal, animal e falante. Assim, nós atingimos a sensação de plenitude.

Isso basicamente se aplica a todos os capítulos semanais, que uma vez que os cumprimos internamente, podemos sentir através de seu prisma que estamos em completa adesão com o Criador, num estado de completa revelação do Criador, compreendendo plenamente o processo da criação, a correção, e a conquista da totalidade absoluta. Nós poderíamos experimentar todos os estados como a realização da totalidade parcial, ou seja, como a revelação de uma deficiência e seu preenchimento, e poderíamos sentir que avançamos, conquistamos e revelamos o mundo.

É assim que somos feitos. Não há maior alegria para uma pessoa do que a sensação de estar cheio e alcançar o Criador, ou em outras palavras, todo o sistema. É porque o Criador é todo o sistema que age em nós. Em geral, a natureza inclui apenas a natureza superior e não a nossa natureza. Não é apenas uma clareira na floresta ou florestas, mas o que é revelado e preenche nosso vazio.

Isso surge em nós, e nós sentimos que queremos isso. Quando um grande vazio superior é preenchido, este é o nível mais superior do nosso desenvolvimento. Então, nós atingimos a adesão com o Criador, ou em outras palavras, a Sua perfeita e completa revelação em nós.

Cada capítulo semanal da Torá é dez Sefirot separadas, dez níveis que são revelados em seu grande vazio e que estão conectados a outros capítulos semanais. Juntos, eles compõem uma Sefira vazia, mas que é revelada em movimentos graduais, ao se avançar de acordo com cada capítulo semanal e, portanto, ser preenchida.

Ela é revelada semana a semana em porções de dez Sefirot em níveis cada vez mais elevados que são mais refinados e sutis. Esta realização ocorre numa série geométrica e numa sensação cada vez maior de plenitude.

De KabTV “Porção Semanal da Torá” 14/11/14

Conhece O Deus De Teu Pai E Serve-O

Dr. Michael LaitmanA Torá, “Levítico”, Kedoshim, 19:4: Não vos virareis para os ídolos nem vos fareis deuses de fundição. Eu sou o Senhor vosso Deus. Um ídolo é algo que obtemos a priori, sem qualquer prova, e deve ser tomado com base na fé, sem tentar compreendê-lo. Isso não é feito no nível do ser humano.

A pessoa deve observar os níveis de doação e amor mútuo entre nós, revelar, estudar e trabalhar com eles. Ela deve compreender plenamente, entender e sentir o sistema com o seu coração e mente. Só então ela pode dizer que não adora ídolos, nem aceita qualquer coisa de forma aleatória.

Apesar do fato de que esta é uma vida muito difícil, o Criador coloca esses problemas diante de nós para que possamos alcançar o nível de Adão (humano) e não permaneçamos no nível animal.

Portanto, não podemos nos dar ao luxo de aceitar algo como verdadeiro. O Criador quer que O estudemos: “Conhece o Deus Teu Pai, e serve-O”; ou seja, o maior ponto de nossa ascensão é a percepção e a conquista do Criador.

Comentário: Às vezes, a pessoa quer se desconectar de tudo, de modo que possa simplesmente ser levada adiante.

Resposta: É assim como o nosso egoísmo funciona dentro de nós. Por um lado, o ego sempre nos acompanha durante o correto desenvolvimento. Por outro lado, há a necessidade de uma distinta realização espiritual, desenvolvimento e absorção, caso contrário ela não se saciar sua sede ou sente a si mesma.

Doação é a fonte de água limpa que sacia a sede.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 23/03/14

Duas Propriedades Que Geram Luz

Dr. Michael LaitmanTodo homem deve temer sua mãe e seu pai [Honra teu pai e tua mãe]… a Torá, “Levítico”, 19:3.

Na correção espiritual é necessário usar corretamente as propriedades de uma mãe e de um pai, recepção e doação, que devem ser equilibradas mutuamente. Recepção vem de uma mãe, enquanto doação vem de um pai, e juntos eles trabalham na alma de uma pessoa.

Cada um de nós tem que colocar e combinar as propriedades internamente. Portanto, quando são misturadas, elas trabalham corretamente; de outro modo, sem elas não podemos nos conectar com ninguém.

As propriedades de recepção e doação, ou seja, as partes masculina e feminina, trabalham junto como um plugue e uma tomada, onde uma parte se dirige a outra e vice-versa. De acordo com uma simples analogia, a Luz aparece apenas quando o plugue entra na tomada, ou seja, nós devemos sempre agir da seguinte forma: eu tenho que receber, a outra pessoa tem para dar, e vice-versa. Isso acontece com todos, sem exceção.

Pergunta: Por que está escrito: “Temer a sua mãe e temer o seu pai?”

Resposta: A fim de desenvolver a propriedade de recepção a fim de doar, a pessoa deve sempre sentir se tem outra chance de fazer isso e se desiste disso. Este estado é chamado de “temor”.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 26/03/14