Textos na Categoria 'Torá'

Sobre Lealdade E Infidelidade No Mundo Espiritual

laitman_293A Torá, “Levítico” (Kedoshim), 19:29: Não profanarás a tua filha, fazendo-a prostituir-se; para que a terra não se prostitua e não se encha de maldade.

Pergunta: Por um lado, é dito: “não profanarás tua filha”, e depois, é dito: “para que a terra não se prostitua”. Qual é a conexão entre a filha e a terra?

Resposta: A pessoa dá à Luz aos desejos masculino e feminino do próximo nível. Portanto, os trabalhos devem ser dispostos de modo que sejam capazes de se tornar a base do próximo nível superior. O termo “terra” refere-se à pátria (terra, desejo), que é um desejo que não deve ser profanado ou impuro.

A inclinação (desejo) feminina é considerada a base de todos os níveis: ela dá à Luz, traz à tona a prole, e formata o próximo nível. Portanto, o desejo deve ser guardado, “não profanarás tua filha, fazendo-a prostituir-se”.

Cada nível geralmente produz, simultaneamente, as inclinações masculina e feminina, mas a Torá só fala em dar à Luz a filhos, uma vez que a referência a um filho sempre incluí o nascimento de uma filha. Um não pode existir sem o outro de acordo com as leis espirituais: nove Sefirot e a décima Sefira, que é Malchut (a inclinação feminina).

Pergunta: O que significa tornar seu próximo nível uma prostituta?

Resposta: Torná-lo uma prostituta significa receber para mim mesmo. Há apenas dois estados: você trabalha para o ego externo dos outros, de acordo com a regra “ama teu amigo como a ti mesmo”, independentemente do fato de que eles possam ser egoístas ou não. Quando você os preenche, você se corrige. Ao mesmo tempo em que eles recebem a Luz através de você, eles também são corrigidos por ela.

Por outro lado, se você não faz isso, a terra, que significa o desejo geral, torna-se preenchida com prostituição, com recepção para mim mesmo.

Pergunta: Existe uma diferença entre um homem ou uma mulher “fazendo… prostituir-se?”

Resposta: Uma mulher “fazendo-a prostituir-se” é muito mais forte do que o homem, visto que o masculino é uma fase, enquanto o feminino produz a partir dos próximos níveis de geração, porque eles imediatamente se espalham e multiplicam (procriam).

Comentário: Em nosso mundo um homem toma seu ser infiel levianamente, enquanto que para uma mulher este é considerado um estado muito profundo.

Resposta: Isso acontece porque a décima Sefira pertence às primeiras nove Sefirot. A parte masculina (as primeiras nove Sefirot) procura a Malchut adequada e pode ter muitas, até mesmo mil.

Se falamos sobre o poder da energia da radiação, o que vem de um homem pode preencher milhares de pessoas. Para receber essa energia, uma mulher tem que ser como Malchut para ZeirAnpin para ele, o que significa pertencer a ele. Portanto, o atributo da parte feminina deve se aderir a ele e ser leal, deve ser fiel a ele.

Se esse atributo não existisse para se conectar a ZeirAnpin, as próximas gerações não nasceriam corretamente. Todas as leis em nosso mundo derivam das leis físicas do mundo espiritual e são, na verdade, a sua réplica, seu reflexo.

Comentário: Mesmo em nosso mundo, um bebê que nasce como resultado de um caso é chamado de bastardo…

Resposta: É um estado muito difícil, pois da perspectiva da conexão espiritual, um filho bastardo é alguém com uma alma deficiente. Ele não está conectado ao correto sistema geral e é considerado lixo, a escória da sociedade. Portanto, é desacreditado pela sociedade.

Em nossos dias, no entanto, é uma coisa na sociedade humana, enquanto que no mundo espiritual isso exige uma grande correção, se ele pode ser corrigido, a fim de trazê-lo de volta ao sistema geral para ser igual aos outros.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 16/04/14

Descobrindo A Força Do Amor

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como os nossos esforços ao longo de nosso desenvolvimento espiritual coincidem com o plano da criação?

Resposta: Sem pedir nossa permissão, esse plano nos ajuda a avançar pelas forças da natureza, assim como os níveis inanimado, vegetal e animal.

Mas, por outro lado, nós recebemos a Torá, a sabedoria da Cabalá, entendemos esse processo e sabemos quais as fases e estados que nos aguardam. Cada um deles é a essência da revelação do mal na natureza humana. Ele acabará por ser revelado, mas a questão é como?

Se ele é revelado sem a minha preparação, eu me torno pior em comparação a todos, e o mesmo vale para todos os outros.

Mas se eu uso a sabedoria da Cabalá, ouço e aceito a ajuda dos professores, sábios e grandes Cabalistas que continuam a nos ensinar, eu descubro o mal de uma forma diferente.

Eu sei que o mal vai aumentar agora, e com os outros, eu me preparo e me concentro para isso com antecedência, para que o ódio não entre em erupção e seja libertado. Ele está fervendo, mas nós estamos no controle e sabemos o porquê e para que isso está acontecendo. Nós trabalhamos em nós mesmos, a fim de contê-lo.

Depois, a inevitável revelação do mal acontece de uma forma diferente, e em contraste com isso, nós descobrimos a força do amor. Está escrito que “o amor cobre todos os pecados”. Assim, nós podemos corrigir todo o mal dentro de nós de uma maneira boa e positiva.

Isso é possível se nós entendemos o que está acontecendo e se cada lado evita cair no ódio. Mas, para fazer isso, nós temos que unir a nação, fortalecer a boa conexão mútua entre as pessoas, ouvir os sábios, e ser bem organizados.

De KabTV “Uma Nova Vida” 25/12/14

A Correção Do Shabat

Laitman_633_4Torá, “Levítico” (Kedoshim), 19:30: Guardem os Meus sábados e reveren­ciem o Meu santuário. Eu sou o Senhor.

O Shabat (sábado) é o fim da correção privada em cada nível. Cada nível sofre uma correção durante seis dias, seis subníveis: Hesed, Guevura, Tiferet, Netzah, Hod, Yesod, e, assim, todas as realizações são somadas a um nível geral, que é chamado de Shabat.

A soma dos níveis, a combinação entre eles, e a correta conexão mútua entre eles são feitas sob a influência da Luz Superior. Uma pessoa não pode se expressar de forma alguma, corrigindo e coletando esses estados. Não está em nosso poder. Nós só executamos correções privadas, preparando-as para a unidade, e a Luz Superior conecta tudo.

Acontece que a pessoa não trabalha no sétimo nível. Este estado é chamado de Shabat, o qual significa descanso, um ano sabático (descanso completo), que aparece quando você não está envolvido no último processo que resume os seis níveis. Portanto, o Shabat simboliza santidade.

Como resultado da Luz Superior, do fim da correção de todos os níveis e a soma de todos os Shabats num único Shabat, o mundo inteiro atinge um estado único de repouso completo. Não há mais nada para corrigir. Não há mais nada para descobrir, para esclarecer ou para conectar. Um esboço final da alma é criado, que é chamado de último Shabat do mundo.

Portanto, se você guarda espiritualmente todos os Shabats privados corretamente, você tem a sensação do último estado perfeito. No entanto, isso se refere apenas àqueles que têm atributos espirituais.

Comentário: Às vezes, as pessoas religiosas dizem que se todos os judeus guardassem o Shabat o tempo todo, haveria o sentimento do fim da correção, do último Shabat.

Resposta: Mesmo duas vezes é suficiente. Se nós repetíssemos esse estado pelo menos duas vezes consecutivas, transcenderíamos dois níveis superiores do estado não corrigido anterior. No terceiro nível, já é o fim da correção, visto que o pedido geral sobe ao superior e, em seguida, para o superior do superior, e então todo mundo entra no mundo de Ein Sof (Infinito).

Em nosso mundo, o Shabat simboliza o fim da semana, mas nós devemos entender que o termo “Shabat” refere-se a certa correção de uma pessoa durante seis níveis, e não dias. Cada um destes níveis pode durar muitos meses e mesmo anos, e também pode durar alguns momentos.

É somente quando nós gradualmente passamos por todos os seis níveis – coletando todos os nossos desejos com os quais tentamos realizar ações espirituais de disseminação dos atributos de amor e doação à força única externamente – é que atingimos o estado de sábado.

No entanto, não é o prazer do descanso, mas um trabalho muito sério que não termina nas ações de correção, mas na coleta de todas as partes corrigidas num todo único. A Luz faz isso, mas nós precisamos esclarecer com antecedência, unir, colocar, mostrar tudo, e elevar este estado à Luz Superior.

Portanto, o trabalho no Shabat não é o esclarecimento da falta de correção, mas trabalhar em plenitude. Tudo o que fazemos durante a semana se acumula na formação correta no sábado. Este trabalho é chamado de correções do Sabath.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 16/04/14

Se Soubéssemos Ao Menos Para Quem Estamos Trabalhando!

Dr. Michael LaitmanA Torá, “Êxodo” 2:23: E aconteceu que no decorrer de muitos dias o rei do Egito morreu. Nós temos que entender que temos que olhar para dentro e não para fora de nós mesmos. Este é o meu Faraó e o meu Egito, e está tudo dentro de mim. No entanto, eu quero construir um novo eu dentro de mim e, para fazer isso, eu tenho que trabalhar duro e matar certos desejos dentro de mim e fazê-los colidir uns com os outros.

Imaginem o estado de Moisés, a pequena centelha de doação que cresceu no enorme ego chamado palácio do Faraó.

Chega a hora e o rei do Egito morre e eu estou no estado em que o meu ego finalmente morre. Eu entendo que não há nenhum uso para ele e quero me livrar dele, mas, por enquanto, não posso. Eu vejo que esse ego está morto. Eu quero fugir, mas não sei como me libertar dele.

“Que o rei do Egito morreu”, significa que o ego deixou de existir, assim como as pessoas morrem em nosso mundo. Ele deixa de existir apenas aos meus olhos, na minha avaliação, e perde o seu controle sobre mim. Eu não quero ser seu escravo! Ele ainda me domina, mas já é contra a minha vontade. Tanto quanto eu estou preocupado, ele morre como outros grandes governantes fazem e eu já não o levo em conta.

Eu ainda não posso me livrar de seu controle, mas já não o considero grande e não concordo em respeitá-lo e realizar todos os seus caprichos. Eu não sou mais seu escravo fiel.

Olhe para o mundo e como as pessoas tentam fazer tudo para o seu ego. Se elas apenas soubessem que ele é um estranho para elas. Se apenas entendessem e vissem que estão trabalhando para um mentiroso que astuciosamente leva tudo o que ganham de manhã à noite por seu trabalho duro. A pessoa tenta e se esforça, mas 99% do fruto do seu trabalho duro é roubado dele pelo Faraó que só deixa migalhas miseráveis ​​para que ela não morra e continue trabalhando dia após dia.

Tudo é disposto e organizado em torno da pessoa. Televisão, publicidade, imprensa e eleições agem para torná-la um escravo que não tem como escapar. Mas, aos poucos, a pessoa começa a entender que ela é um escravo, e é isso que está acontecendo agora com a nação de Israel. A pessoa percebe que tem que se libertar e escapar deste círculo vicioso, mas não sabe como.

Isto é muito semelhante à nossa situação atual; nós percebemos que se deixarmos as coisas do jeito que estão, vamos nos enterrar no nosso ego, mas não sabemos como escapar. Nó precisamos da força de Moisés!

De KabTV “Os Capítulos da Torá com Shmuel Vilozny”, 15/12/14

“Sereis Santos…”

laitman_740_03A porção “Kedoshim” (“Santidade”) da Torá explica que todos nós temos que atingir o nível de santidade.

“Serei santos, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo” (“Sereis santos, porque eu, Adonai vosso Deus, sou santo”), ou seja, nós temos que chegar a completa renúncia de nossos egos. A pessoa é incapaz de se livrar de seu egoísmo, mas pode se elevar gradualmente acima dele ao nível de santidade e transformar toda a profundidade de seu egoísmo em altruísmo, doação e amor. Ao mesmo tempo, o egoísmo não desaparecerá. No entanto, por causa dele nós atingiremos este estado elevado.

O desejo de sair de seu egoísmo se mostra sob a influência da pressão interna, que, por sua vez, depende da presença de uma alma. Se assim for, a pessoa começa cada vez a se elevar cada vez mais alto até que atinge o nível de Bina, a propriedade de doação, a qualidade de santidade, e começa a seguir as leis da Torá.

Depois, a pessoa progride mais, porque não é o fim da correção ainda, mas sim o começo, a primeira parte.

A observância das leis da Torá é o “redirecionamento” do nosso ego que usamos numa maneira oposta ao nosso egoísmo. Se anteriormente a pessoa se esforçava para receber e gostava de explorar os outros, agora ela se mantém para o bem dos outros. Isso é chamado de receber em prol da doação.

Pergunta: Será que a Torá diz como acontece o redirecionamento do egoísmo?

Resposta: Em geral, isso se refere à elevação acima do egoísmo. A primeira parte da Torá é dedicada aos meios para alcançar a santidade. Mais tarde, ela descreve a entrada na terra de Israel, a correção do ego. No entanto, a Torá descreve apenas as maneiras apropriadas para o povo de Israel, isto é, aqueles que atingem este estado.

Quanto à correção de todo o mundo, ela não é descrita na Torá, mas em outros livros Cabalísticos, como O Livro do Zohar e outros.

Pergunta: Será que isso significa que a Torá não é escrito para o mundo inteiro?

Resposta: Como fonte, a Torá é para o mundo inteiro, porque está escrita na língua universal que está disponível para toda a humanidade. Mas, para usar o texto da Torá diretamente, as pessoas têm que estar no nível de santidade, no qual, por exemplo, Moisés escreveu a Torá. É por isso que nós não entendemos o que está escrito nela.

Pergunta: Em outras palavras, depois de subir acima dos nossos egos, nós realmente entendemos e sentimos o que a Torá diz. Como ocorre a ascensão: consciente ou inconscientemente?

Resposta: A pessoa tem que agir conscientemente. A Torá nos dá uma direção: “Sereis santos”, que é buscar essa regra constantemente. É por isso que nós temos que dominar completamente o nosso egoísmo e elevá-lo ao nível de santidade.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 09/04/14

Tatuagens São Um Sinal De Uma Realidade Passada

Laitman_028_02A Torá, “Levítico” (Kedoshim), 19:28: …Não façam cortes no corpo por causa dos mortos nem marcas (tatuagens) em vocês mesmos. Eu sou o Senhor.

Uma pessoa envolvida no trabalho espiritual não tem permissão de eternizar uma realidade egoísta. Ela é temporária. Você sai desta realidade e ela não existe; ele deve se consumir!

E se você grava uma tatuagem em si mesmo, esta permanece até a sua morte. A pele é a camada superior do egoísmo, a parte egoísta mais externa. Portanto, a torá é escrita sobre a pele de um animal.

Neste caso, nós estamos falando sobre o fato de que você não tem o direito de usar a pele como um monumento de seus estados. Ao fazer isso, você aparentemente para o seu movimento, não quer ir além da mais alta substância egoísta.

Hoje em dia, as tatuagens no corpo tornaram-se muito populares. Nós estamos na fase final do desenvolvimento egoísta em que uma pessoa é atraída por tatuagens, mas elas são um reflexo das propriedades intrínsecas que precisamos percorrer para entrar no mundo superior.

Com Justiça Julgarás O Teu Próximo

Dr. Michael LaitmanPergunta: Em que nível deve estar um juiz para sentenciar uma pessoa?

Resposta: Esta é uma questão muito complexa. Afinal, tudo o que uma pessoa leva a cabo é feito quando o Criador faz vista grossa. O Criador lhe permite cometer uma transgressão em particular contra a sociedade e até mesmo contra o próprio Criador.

A questão que surge é como a pessoa pode reconhecer que o que aconteceu é a revelação do mal em prol da correção futura. Esta pergunta não é muito simples. Por que o Criador dispõe para todo mundo que essa revelação vai acontecer especificamente de uma maneira ruim como essa e não de uma maneira boa?

Segue-se que as situações eram incorretas desde o início e o trabalho nelas é incompleto, tanto pela pessoa como pela sociedade. A fim de descobrir a situação errada que existe entre si, elas devem primeiro passar por algum tipo de transgressão e depois pela correção.

Suponha que alguém cometeu um assassinato e foi pego. Este é um problema da sociedade como um todo, uma vez que existem condições particulares nela para a realização de um ato como este. Como é que a partir das circunstâncias atuais, nós atingimos sua completa correção amanhã?

Todos nós estamos conectados num único sistema. Este sistema divide-se como se faz em mecânica: existe algum tipo de problema num motor e uma das partes está quebrada (análogo ao homicídio). Segue-se que não é uma parte que se deve culpar, mas sim sua coordenação com as outras partes.

Por isso, é necessário ter um novo olhar sobre o motor inteiro e descobrir por que esta parte quebrou. Talvez isso não tenha acontecido por causa do motor! Ou seja, o Criador arranjou tudo isso para nós.

A correção só vem ao se cobrir a parte quebrada. Como ela foi revelada desta forma na sociedade e ajudou-a a determinar o seu defeito integral geral, todos os membros da sociedade devem realizar as correções necessárias ao trabalhar com ela, tomando o seu defeito para si mesmos e se conectando com ela como se fosse uma parte corrigida.

Segue-se que a sociedade deve dar a garantia a um ladrão ou assassino e corrigir-se para que, sob a pressão da sociedade, em conjunto com ela, eles subam para outro nível. Este é o lugar onde o reconhecimento geral do mal acontece: a descoberta do erro global, o defeito geral. Por que eles não viram isso? Por que não descobriram isso a tempo?

Há um trabalho coletivo aqui. Nada é privado ou individual! Você não pega o assassino e transporta-o para o tribunal onde o juiz imediatamente o sentencia de acordo com as leis punitivas: não há pena de morte ou dez anos de prisão. Do que ele é exatamente culpado?

Só um sistema integral está preparado para dar a resposta certa para um erro como este. Além disso, quando encontramos a solução certa, a conclusão certa, descobrimos adesão com o Criador dentro deste quadro.

O sistema egoísta do nosso mundo é baseado no transgressor ser culpado e por isso deve ser descartado. Cabe a ele expressar remorso, sentar-se e sofrer. E qual é o fim da questão? Ele toma para si o defeito geral da sociedade e absorve todo o colapso da sociedade em si mesmo, e assim segue-se que ele aparentemente é culpado.

Junto com isso, a sociedade acumula partes não corrigidas como estas dentro de si e atrai todo o mal da sociedade sobre si mesma, de geração em geração. A sociedade obriga os transgressores a sofrer em seu lugar, quando é purificada disso egoisticamente: “Vá e sofra em vez de nós”.

Pergunta: Nas nossas condições físicas, nós podemos realizar um sistema jurídico diferente?

Resposta: Nós podemos moral e espiritualmente estabelecer um sistema equilibrado? Nós podemos dizer como ele deve parecer no estado aperfeiçoado e como o desequilíbrio, a perda de proporção e tensão interna, é criado nele? Para isso, cabe a nós ver este sistema.

Pergunta: Será que isso significa que apenas uma pessoa que se encontra num nível espiritual pode ser um juiz?

Resposta: Um juiz é a Luz de AB SAG, Ohr Hochma e Bina. Juntas, elas trabalham no desejo e o revelam em dois lados: Din (julgamento) e Rachamim (misericórdia). Somente a integração adequada de todos eles pode revelar o Kav Smol (linha esquerda), que possibilita que uma pessoa seja juiz.

Mesmo os antigos gregos representavam a deusa da justiça segurando uma balança em sua mão, tentando equilibrar-se entre o bem e o mal. Este é o impulso humano natural. No entanto, não é possível encontrar o Kav Emtzai (linha do meio) no mundo, uma vez que é mais elevado do que as características humanas.

O juiz deve ser imparcial. De modo a garantir isso, eles lhe dão um bom salário, pois assim ele supostamente não exigiria dinheiro adicional. Mas, a verdade é que um juiz deve ser uma pessoa que é necessariamente ainda mais autossuficiente e simplesmente não exige qualquer outra coisa. Em vez disso, você o perturba com dinheiro. Esta é uma abordagem totalmente diferente.

Nós não estamos preocupados com seu estado interior e suponha que depende de nós encher seus bolsos de dinheiro para que ele não seja tentado a aceitar um suborno. Pelo contrário! É assim que destruímos juízes.

Além disso, os juízes não podem ser completamente independentes, porque vivem dentro da sociedade e dependem dela. Mas, na verdade, o juiz deve estar completamente separado da sociedade. Isto é o que nós estamos cultivando dentro de nós: a qualidade de julgamento, o juiz.

O juiz é a pessoa mais elevada numa sociedade! É uma pessoa que está pronta para estar conectada com o Criador; e deste alto nível, quando entende o que o Criador está fazendo com a sociedade, ele pode trazer correção para a sociedade porque o julgamento é apenas um sistema de correção.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 02/04/14

Não Se Arrependa De Um Nível Corrigido!

laitman_238_02A Torá, “Levítico” (Kedoshim), 19:28: Não fareis lacerações na vossa carne…

É proibido lamentar suas perdas egoístas no trabalho espiritual.

No passado, você queria conquistar o mundo e tomar tudo: riqueza, dominação, honra e conhecimento; controlar tudo, desfrutar tudo, e que tudo deveria ser seu.

Agora, no entanto, quando você cruza o ponto sem volta no sentido oposto, em direção aos atributos superiores de amor e doação, quando todas as forças, desejos, aspirações e esperanças se voltam para doação aos outros, você não deve, em nenhuma circunstância, lamentar os desejos mortos no estado onde você os deixou. Isso é chamado de “Não fareis lacerações na vossa carne“.

Muitas vezes nós ouvimos uma pessoa se queixar: “Que pena eu tenho sofrido por tantos anos…” Ela lamenta seus queridos desejos mortos e os anos que foram desperdiçados em vão: “Tenho investido toda a minha vida neles!” Esta é a forma como nosso ego funciona.

Portanto, em cada nova etapa, não devemos lembrar o passado. O passado não existe! Você corrigiu o nível recebido, como uma plataforma numa nave espacial, e deve ansiar em avançar.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 16/04/14

Um Desejo Tempestuoso Para Com A Luz

laitman_276_01A Torá, “Levítico” (Kedoshim), 19:27: Não cortareis o cabelo, arredondando os cantos da vossa cabeça, nem danificareis as extremidades da tua barba.

Cabelo simboliza a forma como a Luz de Hochma se espalha de uma unidade especial do mundo de Atzilut, do Partzuf de Arich Anpin. Nós devemos acrescentar constantemente o desejo de subir a este sistema.

A palavra “Se’arot” (cabelo) vem da palavra hebraica “Sauer” (tempestade), que significa excitado e animado em seu desejo. Portanto, nós devemos sempre tentar manter certo nível de tensão, de anseio pela corrente da Luz de Hochma, e, assim, ela vai descer.

É dito: “Não cortareis o cabelo, arredondando os cantos da vossa cabeça, nem danificareis as extremidades da tua barba”, especialmente o cabelo que desce do alto da barba. A questão é que nós podemos distinguir 13 partes da barba no trabalho espiritual, cada uma das quais necessita uma correção especial, uma vez que é uma descida gradual da Luz Superior aos inferiores, às nossas almas.

A Luz de Hochma, que aparentemente flui num sistema de enfraquecimento, é como uma estação de energia e diferentes subestações de transformadores em nosso mundo, que mudam gradualmente a alta tensão de digamos 50.000 volts para 220 volts ou 115 volts. Assim, você precisa controlar constantemente este processo para manter o seu desejo em suspense, já que a descida da Luz depende disso.

Existem muitos sistemas de back link (ligações de entrada) hoje, como contadores que determinam o consumo de energia elétrica nas diferentes horas do dia. Um pequeno computador está instalado que calcula o consumo de energia elétrica, e na estação de energia eles sabem quantos quilowatts você consome num determinado momento durante o dia ou a noite. Isto significa que você está ligado à estação de energia.

No trabalho espiritual há uma ligação semelhante com a fonte de Luz. Você precisa concentrar seus desejos de modo que graças a eles a Luz será extraída da fonte e descerá. A menos que seus desejos pela Luz alcancem a fonte, ela não começará a gerar energia e ser focada em você.

Esta é uma ação chamada “Se’arot“, quando você sofre querendo que a Luz da correção desça sobre você e permita que você trabalhe para doar.

Comentário: Apesar de sua falta de compreensão destes processos internos, uma pessoa ainda anseia em mantê-los num nível corpóreo. As pessoas religiosas, por exemplo, mantêm estes mandamentos, pelo menos externamente.

Resposta: Não devemos fazer analogias entre os dois mundos. Nós somos o que somos e devemos ser apenas como nascemos.

Primeiro, nós temos que pensar em como nos assemelhar à figura espiritual, enquanto a externalidade é um conceito relativo.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 09/04/14

Ganhando O Jogo Contra O Ego

Dr. Michael LaitmanToda a Torá trata apenas dos estados interiores de uma pessoa. A família de Jacó com apenas setenta pessoas atinge o Egito e se estabelece entre os egípcios. Os setenta representantes da nação de Israel são os setenta principais atributos altruístas que descem ao desejo de receber, ao seu ego.

Primeiro eles atingem altas posições no Egito e se tornam administradores, mas aos poucos os egípcios, ou seja, os desejos egoístas de uma pessoa, começam a escravizar seus atributos altruístas e a subjugá-los.

Pergunta: Por que a nação de Israel desce ao Egito?

Resposta: A questão é que é impossível se desenvolver espiritualmente neste mundo e avançar para o mundo espiritual se você não subir para novos níveis na escada espiritual, que é suportada pelo seu ego. Os níveis da escada espiritual são construídos com a matéria do ego humano, e quanto mais o ego cresce, mais a pessoa sobe ao superá-lo. Esta é a única maneira de ascender deste mundo para o nível do mundo superior, de Malchut à Bina.

Portanto, é impossível administrar sem a escravidão no Egito, sem o Faraó, e sem todas as figuras perversas que são reveladas na Torá. Todos estão em seu coração.

Os filhos de Israel descem ao Egito porque há fome na terra de Israel, ou seja, não há nenhum lugar para avançar na espiritualidade se você não anexar cada vez o seu ego a isso, corrigi-lo, e depois subir. Esta é a única maneira dos níveis espirituais serem construídos. Por isso a família de Jacó não tem escolha a não ser ir para dentro do ego.

No entanto, eles não levaram em conta que um novo rei sobe no Egito, “um novo rei que não conhecia a José”. O novo Faraó é o mesmo desejo de receber que, de repente, começa a crescer acentuadamente numa pessoa. A pessoa quer desenvolver o atributo de doação dentro dela, sonha em ascender nesta vida a uma forma mais sublime de existência. De repente, ela vê surgir nela apenas pensamentos e desejos que a afastam disso e que a agarram pelos braços e pernas.

Ela sente como se uma carga pesada fosse colocada sobre seus ombros. Isto significa que um novo rei sobe no Egito, que não conhecia a José. O novo ego não quer jogar com a pessoa, não tem contas com ela, e só quer uma coisa: que você trabalhe para ele como um escravo.

Ele lhe obriga a viver como todos os outros neste mundo, como todos os egípcios, e a ser ainda mais egoísta do que eles. Infelizmente, os israelenses hoje conseguem ser escravos leais do ego.

Os judeus ganham prêmios Nobel e são muito bem sucedidos em todo o mundo e até mesmo têm orgulho com o fato de que são mais bem sucedidos corporalmente do que todos os outros. Nós temos tido o maior orgulho em sermos os campeões europeus de basquete, aprendemos jogos dos gregos e começamos a jogar estes jogos corporais ainda melhores do que eles.

Nosso ego está pronto para trabalhar em seu próprio benefício e isso é chamado de Faraó. Se os desejos por doação, espiritualidade, conexão e unidade, que devem ser um exemplo para todos, são revelados dentro de nós, o Faraó, que é a força do ego que nos gere, imediatamente os mata.

De KabTV “A Torá – Capítulos com Shmuel Vilozni” 15/12/14