Textos na Categoria 'Torá'

Não Há Terra De Israel Sem A Nação De Israel

Dr. Michael LaitmanA Torá, “Levítico”, 25:1 – 25:5: Então disse o Senhor a Moisés no monte Sinai: “Diga o seguinte aos israelitas: Quando vocês entrarem na terra que lhes dou, a própria terra guardará um Shabat para o Senhor. Durante seis anos semeiem as suas lavouras, aparem as suas vinhas e façam a colheita de suas plantações. Mas no sétimo ano a terra terá um sábado de descanso, um sábado dedicado ao Senhor. Não semeiem as suas lavouras, nem aparem as suas vinhas. Não colham o que crescer por si, nem colham as uvas das suas vinhas que não serão podadas. A terra terá um ano de descanso.

Nós vimos pela primeira vez o conceito de “a terra terá um Shabat (sábado) de descanso, um sábado dedicado ao Senhor” na seção semanal da Torá, Ba’har, já que não há Shabat da terra. Mas quando uma nação que obedece às leis espirituais vive naquela terra, tudo abaixo dessa nação, o mundo inanimado (a terra), vegetal e animal começam a adquirir os atributos dessa nação e seu efeito.

Portanto, não há terra de Israel sem a nação de Israel. Quando eles se reúnem nesse lugar, há um fenômeno correspondente com a nação de Israel na terra de Israel. As leis que operam sobre a terra são uma réplica das leis espirituais das pessoas que vivem nela.

Isso significa que os costumes dos povos que vivem lá se aplicam ao seu ambiente e, em particular, o seu dia de descanso, o Shabat. Este não é um período de férias, um dia de descanso, mas um dia inteiro de esforços, um estado espiritual especial, uma vez que existem correções muito especiais feitas no Shabat que as pessoas não podem fazer em qualquer outro dia.

Quando os estados espirituais de uma pessoa são replicados até os níveis mais baixos do inanimado, vegetal e animal (ou partes de nosso mundo), tudo muda e é definido de forma diferente. Por exemplo, uma semana, torna-se um ano. Porque a terra é um ano de prosperidade, um ano especial quando estamos absolutamente proibidos de trabalhar a terra. é um ano de Shmita.

Nos tempos antigos, este mandamento foi observado em Israel mais de 2000 anos atrás, antes da destruição do Templo. As colheitas do sexto ano foram o suficiente para os três anos que se seguiram, o que parecia acalmar todo mundo, “Não se preocupem, vocês terão colheitas suficientes por vários anos até que tenham uma nova colheita”.

Comentário: Mas a mente humana se opõe a este ditado: “Você tem que colher as colheitas a cada ano, como posso fazer uma pausa ?!”

Resposta: Nós estamos falando do estado espiritual de toda uma nação onde não se aplicam as leis de nosso mundo.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 13/08/14

Tudo Começa A Partir Da Terra

laitman_740_01As leis do comportamento de uma pessoa são examinadas na Torá sob a condição de sua correta integração na natureza geral. Afinal, uma pessoa não é subordinada à natureza, ela tem livre arbítrio. Suas hesitações trazem desequilíbrio não só na sociedade, mas também na natureza que a rodeia.

Visto que a sociedade humana é a parte mais importante da natureza, o comportamento impróprio de uma pessoa afeta a natureza por perturbar o foco e o significado de sua evolução.

Esta é a razão da Torá nos dar as principais leis de comportamento adequado da sociedade humana, graças ao qual ela deve estar integrada harmoniosamente com o ambiente que a rodeia: a natureza inanimada, vegetal e animal. Esta é a única maneira do sistema poder atingir o estado final que inicialmente foi planejado.

O desejo humano é feito de quatro níveis do ego. Sua correção é chamada “trabalhar com a natureza inanimada, vegetal, animal e humana” numa pessoa. Por conseguinte, o trabalho inicial é se relacionar adequadamente com o nível da natureza inanimada.

O nível da natureza inanimada é caracterizado por trabalhar com a categoria da terra, porque até mesmo o nome Adão deriva da palavra hebraica “Adama – Terra”. Tudo decorre da terra.

Quando uma pessoa trabalha neste nível, ela deve incluir tudo o resto nela, porque os quatro níveis em nós não operam por si mesmos, mas apenas em relação mútua com os outros, assim como toda a natureza. Portanto, quando nós trabalhamos até mesmo no nível mais baixo com a terra, nós também operamos os níveis vegetal, animal e falante em nós.

Baal HaSulam nos fala sobre isso na Introdução ao Livro do Zohar, enfatizando que mesmo no mundo de Assia, que é o nível da natureza inanimada em si, nós realizamos ações ao atrair todos os outros tipos de Luz.

Não é só a Luz de Nefesh , mas também as luzes de Ruach, Neshamah, Haya e Yechida que estão vestidas no mundo da Assia, mas apenas temporariamente. Somente a Luz de Nefesh atua permanentemente no nível do mundo de Assia, o nível da natureza inanimada.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 16/07/14

Destruindo Os Ídolos Dentro De Mim

Laitman_115_05O Zohar, Comentário Sulam, Capítulo “Behar“, Item 69: Abraão se arrependeu e quebrou os ídolos do paganismo e a comida que tinha sido colocado diante deles.

Tudo o que é considerado sagrado e sublime no nível anterior, pelo qual valia a pena viver, trabalhar, e me dedicar, precisa ser quebrado. Todas as ações que são executadas em nosso mundo para o bem do nosso ego, para nossos filhos, para a humanidade, e para a natureza pertencem a isso.

Infelizmente, nós vivemos simplesmente para sobreviver, dizendo: “Vamos viver em paz os anos que nos foram dados de cima, e eu não me importo com o que pode acontecer depois”. Isso é o que todo mundo pensa, não percebendo que se enganam dessa forma. Tal atitude é prejudicial e destrutiva.

Abraão acreditava que o nosso mundo não foi criado a fim de apaziguar os ídolos -nosso trabalho, nossos estudos, nossos filhos, e a boa vida, após o que podemos deitar e morrer em paz, mas que o nosso mundo foi criado para que alcancemos o próximo mundo nesta vida.

Noé foi o primeiro que rompeu com o passado. Ele construiu uma arca e se escondeu nela. Ele percebeu que tinha que ser salvo deste mundo e criou sua própria proteção, um abrigo contra os pensamentos e tentações que o cercavam, e navegou para longe deles. Portanto, todos os seus sentimentos, pensamentos e desejos egoístas morreram durante o dilúvio.

O ponto é que nós precisamos perceber a natureza inanimada, vegetal e animal, e a humanidade como um todo. Apenas uma parte deste todo, chamada Noé, sobreviveu ao dilúvio, o que significa que esta parte já tinha sido corrigida sob a influência da Luz Circundante (a arca é a Luz de Hassadim). A parte que não pode ser corrigida dessa maneira morreu. No entanto, mais tarde ela passa por sua própria correção de uma maneira diferente e renasce numa nova forma.

A mesma coisa aconteceu com Abraão. As partes que não podiam ser corrigidas permaneceram na Babilônia, enquanto Abraão quebrou, queimou e jogou fora todos os ídolos e deixou Babilônia. Ele tinha uma compreensão maior do que Noé: que tudo o que pertencia ao seu estado egoísta estava no nível da natureza inanimada e que não havia Luz superior na nela. Ele discerniu e distinguiu o nível superior do inferior e cortou a camada da natureza inanimada, vegetal e animal e o nível humano que estão dentro de sua alma. Ele não poderia se livrar da dominação de Nimrod (o ego), e assim ele partiu.

Nós vemos que aqui também a alma geral distingue e deixa de lado certa parte que não pode ser corrigida, e segue o seu próprio caminho. Assim como Noé se separou de todo o mundo, Abraão também se desprendeu dele. A parte dos babilônios permaneceu e se desenvolveu seguindo um caminho diferente.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 18/06/15

Um Lugar Para Trazer Um Sacrifício

laitman_749_04Pergunta: Na transição dos cinco sentidos do mundo para os cinco sentidos para sentir o Mundo Superior, onde há um lugar para “trazer um sacrifício”?

Resposta: No início, a pessoa não tem nada. Nós começamos a trazer sacrifícios durante o êxodo do Egito, quando o Criador parece exigir que se traga sacrifícios, a construção do tabernáculo para as “tábuas da aliança” e assim por diante.

Se a pessoa já se encontra num determinado grau de realização, é como se eles lhe dissessem: “O seu desejo é egoísta nesse grau, e outro desejo – em outro grau. É necessário cortá-lo neste grau aqui, e de lá – para outro grau”. Isso significa que eles lhe mostram como, em que medida, e com que acomodação aos outros desejos ela pode usar cada um de seus desejos com uma intenção em prol da doação.

Quando a pessoa sente claramente que está passando de um mundo para o outro, ela começa a sentir uma espécie de distanciamento do mundo. Isso já é aparente em algum grau nas pessoas que vêm estudar a sabedoria da Cabalá.

Depois disso um desejo claro pelo próximo estado é revelado, a descoberta do Criador. Mas a pessoa ainda não entende o que o Criador é, que tipo de característica é – doação e amor, e o que ela deve sacrificar para descobrir o Criador, que ela quer muito depois de tudo.

É claro que a pessoa precisa de um grupo, a fim de se desenvolver corretamente, para olhar para os outros e manter a sua inveja e desejo dentro dela, sua aspiração de avançar. Ela precisa sentir que não está sozinha.

Ela faz um Tzimtzum (restrição) em si, e se esforça para frente em todos os níveis. E os problemas são constantemente despertados dentro de si, que, aparentemente, a puxam para trás: retirada, indiferença e desculpas. Depois disso, ela dá um salto para frente; ela passa por experiências difíceis na forma das pragas do Egito, a divisão do Mar Vermelho, o deserto, e assim por diante.

Mas o principal é que só depois é que ela recebe instruções e orientações sobre o que fazer. Afinal de contas, ela não recebe imediatamente instruções sobre como trazer sacrifícios.

Em primeiro lugar, nós entendemos a importância do desapego deste mundo em que apenas o nosso corpo físico existe. E nós, com os nossos desejos, intenções e esperanças, avançamos para a realização do mundo superior, a característica de doação e conexão entre todos.

Como investigadores sérios nós queremos descobrir como os níveis  inanimado, vegetal e animal da natureza estão conectados, onde estão as forças que existem entre eles.

Nós gradualmente descobrimos tudo isso em duas etapas. Na primeira etapa, nós não queremos nada para nós mesmos, nós tentamos estar completamente separados da característica de recepção, e, desta forma, adquirimos uma característica chamada “Hassadim” (misericórdia).

Na segunda etapa, nós subimos totalmente ao nível de Hassadim, ao nível de Bina, depois de fazer uma correção em nossos desejos, quando eles são encontrados em separação total da recepção e de qualquer realização. Depois disso, nós começamos a transformar esses desejos em características de doação e amor. É aqui que o lugar para o sacrifício é revelado. Em outras palavras, nós devemos esclarecer a forma de santificar cada um dos nossos desejos, tudo o que está dentro de nós: inanimado, vegetal, animal, e falante.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 20/11/13

O Pensamento Da Criação Através Das Figuras Na Torá

Dr. Michael LaitmanAdam HaRishon (primeiro homem) é a estrutura da alma única que foi criada e que sofreu grandes mudanças após a quebra. Primeiro, ele existia no estado de Hafetz Hesed, e não recebia nada e não queria nada para si.

Este estado é chamado de Jardim do Éden (céu) ou um anjo.

Um anjo é uma força que não tem qualquer ego. Ele executa todo o trabalho que é necessário para a força geral da natureza. É dito que um anjo é parte do Criador.

Ele é gerido pela força superior que opera e avança toda a criação em direção à meta, para alcançar o atributo de amor e doação.

Pergunta: Existe um Reshimo (reminiscência) do estado de Adam HaRishon em nós?

Resposta: Existem Reshimot, genes espirituais, de todos os estados em nós. É porque nós descemos ao nosso mundo a partir do nível espiritual de plenitude absoluta, e agora temos que subir uma vez mais por nós mesmos usando os Reshimot que foram preservados em nós, mas devemos fazê-lo de forma consciente ao atrair a força superior e corrigir a nós mesmos por ela. Esta força é chamada de Torá, da palavra hebraica “Ohr” (Luz).

Nós gradualmente aceitamos a Luz Superior, pois ela chega de forma gradual, de acordo com a nossa ascensão. O sistema superior de iluminação nos formata e afeta, nos eleva e corrige pela reintegração de todos numa estrutura geral que é a mesma alma geral que foi inicialmente criada.

Isso resume toda a história da nossa descida de cima para baixo e nossa ascensão de baixo para cima. A subida de baixo para cima começou quando a alma geral chamada Adão foi quebrada e descobriu que era totalmente egoísta, e que não estava pronta para o contato com a Luz, com o Criador. Isso é chamado  pecado de Adam HaRishon e a expulsão do Jardim do Éden.

O Criador desapareceu dos sentimentos das pessoas, e elas foram deixadas para vagar pela terra na escuridão corporal. Esta é a razão pela qual todos nós estamos totalmente quebrados, separados e distantes um do outro neste mundo.

Vinte gerações de Cabalistas após Adão tentaram corrigir esta situação, mas as primeiras dez gerações entenderam seus problemas e que não podiam fazer nada até que Noé aparecesse. Noé foi salvo durante o dilúvio, enquanto a maioria das pessoas morreu.

Esta não foi uma morte e perda, mas a purificação, porque não há morte real. As pessoas que morreram simbolizam os desejos egoístas que não podemos usar num determinado momento.

Esta é a razão deles serem considerados mortos. No entanto, mais tarde, eles voltam à vida na forma corrigida e, portanto, aparentemente aparecem nas próximas gerações.

Eles são os mesmos desejos que passaram por fases de purificação através da morte em sua forma egoísta anterior e depois voltaram à vida de uma forma altruísta. Assim, as dez gerações que se seguiram a Noé já são gerações que estão mais perto de Abraão, do reconhecimento do correto avanço espiritual.

O último nível antes de Abraão foi seu pai Terach. Terach é o sentimento do ego que nós queremos usar e gozar, enquanto Abraão é o reconhecimento de que esse ego é mau, o que significa o seu lado oposto.

Abraão e Terach são um único conjunto, mas a parte chamada Terach quer trabalhar com o ego e a parte chamada Abraão já entende que está proibida de trabalhar com o ego e que isso significa a morte.

É por isso que eles se separam. Abraão muda sua atitude perante a vida, em relação ao mundo chamado Terach e torna-se Abraão, ou seja, o pai da nação em hebraico. Isso significa que ele se torna o pai de todos os desejos que, no final, serão corrigidos.

De KabTV “Segredos do Eterno Livro” 18/06/14

Leve O Bem Ao Povo

Laitman_931-01O Zohar, “Comentário Sulam“, Capítulo “Be-ar“: “Viva no campo…” “Viva no campo” refere-se ao campo mais elevado, Malchut, pois não há homem no mundo que possa viver em Malchut até que o bem desperte nele, Yesod de Zeir Anpin, uma vez que Malchut sem Yesod é cheia de julgamentos duros.

Quando um homem o despertou com suas boas obras, parecia que ele tinha “criado” o bem por conta própria. Depois, eles dizem, “viva no campo”, viva dentro dele, que está em Malchut, e coma os seus frutos e seja feliz com ele.

Malchut de Atzilut é esta alma comum, única. Se, ao correr pela bondade e amor, e desejando-lhes a todo o resto, eu posso me conectar com todas as criaturas (natireza inanimada, vegetal, animal e humana) numa única entidade, então eu vou ser incluído em Malchut.

É perfeitamente possível que, num primeiro momento, eu possa junta-lo com um pouco do meu egoísmo, talvez com a sua décima parte. Isto é, quanto eu vou ser capaz de conectar a Malchut, fazendo-a se mover em direção ao próximo nível, Zeir Anpin, onde há a maior Luz. ZeirAnpin vai preencher a parte que eu criei em Malchut pela sua boa intenção.

O objetivo da nossa correção é a chegada completa na alma plena, em Malchut. Portanto, se eu desperto o desejo comum na alma pela bondade e amor, eu tomo o meu próprio lugarzinho nela, o meu ponto. Então, a minha motivação sobe acima e manifesta a Luz superior sobre esse ponto, a Luz que se acumula dentro de Malchut.

Isto é, nós subimos a ela desde baixo, e a Luz Superior desce lá de cima, e, assim, ela é preenchida com os nossos bons desejos e a Luz Superior. Isso encerra nossa existência terrena, e nós nos tornamos habitantes do mundo do Infinito.

O objetivo de cada um de nós é que nos corrijamos até este estado e subamos ao mundo do Infinito. Nós estamos no caminho para a meta, conectando-nos com Malchut em todos os sentimentos, pensamentos, desejos, e atravessando gradualmente os 125 graus espirituais, porque há 125 limiares egoístas dentro de nós.

Pergunta: A fim de subir, nós precisamos manifestar um estado de amor e bondade. Como isso se relaciona com a unidade entre nós?

Resposta: Apenas a unidade com todos os outros e o esforço em se conectar com o mundo para levar o bem às pessoas através de mim, é que ter a oportunidade de entrar em Malchut. Só assim eu vou poder entrar em contato com a minha alma. Caso contrário, eu não tenho uma alma. Caso contrário, eu sou apenas um egoísta, um animal.

Através do amor do meu próximo eu me movo rumo ao amor pelo Criador, e, no desejo de levar o bem aos outros, eu corro para receber a Luz superior, a fim de passá-la através de mim a eles. Só neste caso eu posso conquistar uma parte da minha alma.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 18/06/14

Um Juramento Que Não Pode Ser Quebrado

laitman_528_02A Torá, “Levítico”, 23:24-23:25: …No dia primeiro do sétimo mês vocês terão um dia de descanso (Shabat), uma reunião sagrada, comemorada com toques de trombeta (Shofar). Não realizem trabalho algum, mas apresentem ao Senhor uma oferta preparada no fogo.

A pessoa é um desejo de receber, de desfrutar. Não há nada nela, exceto um desejo egoísta. Isso significa que ela tem que se limitar de alguma forma e sacrificar seu ego. Eu, por exemplo, parei de fumar, se é que isso pode ser contado como um sacrifício de certos prazeres.

Na verdade, não é um sacrifício, mas um cálculo simples: eu quero ser mais saudável, o que significa que sob a influência do ambiente a pessoa calcula o que é mais benéfico e o ambiente aumenta os benefícios desta ação específica. Foi o que aconteceu quando eu parei de fumar. Eu estava com um casal de amigos e nós juramos um ao outro que iríamos parar de fumar. Todo mundo jogou seu maço de cigarros no centro do círculo e nós juramos que nos empenharíamos em manter o juramento.

Em outras palavras, se eu prometi aos meus amigos no círculo, eu tenho que manter a minha promessa, uma vez que se tratava de uma ação espiritual que eu estava prestes a realizar com os amigos com quem cheguei a esta decisão unificada. Eu queria estabelecer uma conexão ainda maior com eles através dessa ação, que é a preparação para o sentimento da revelação do Criador, e assim eu vejo isso como uma ação espiritual.

Não há maior traição do que quebrar um juramento (promessa), porque é trocar um estado pelo outro quando elevamos a decisão terrena ao nível espiritual. De um modo geral, com tal anseio pela unidade nós podemos nos comprometer com qualquer coisa e isso vai ser alcançado. Isso já depende das pessoas.

Pergunta: Por que as pessoas às vezes quebram seus juramentos (promessas)?

Resposta: A pessoa se desprende do círculo. Existem duas abordagens que ela deveria constantemente renovar internamente e até mesmo cultivar: primeiro, ela se agarra ao ponto de vista de que agora ela é muito mais do que plena, perfeita, mais pura e superior em comparação com o estado em que estava antes, quando fumava, por exemplo, e, assim, atinge um novo nível. Em segundo lugar, ela tem que sentir constantemente que está na frente de seus amigos e que não pode traí-los, já que o Criador é um testemunho desse juramento.

Se eu continuo me encorajando de que estou num nível superior ao que estava antes, ou que estou diante dos amigos e prometo-lhes (na verdade, não para eles, mas para mim mesmo) que nunca mais vou fumar um cigarro, isso me dá energia e eu sinto que nada é tão difícil. Eu sei que poderia sofrer muito se não fosse pelos amigos, uma vez que a fisiologia de uma pessoa não muda. Mas é, na verdade, porque eu imagino que estou comprometido com eles que não tenho nenhum problema.

Para nós foi uma lembrança de Israel. Nós entendemos que havíamos nos reunido não simplesmente para parar de fumar, mas que também pudéssemos usar este meio (o grupo), a fim de nos purificarmos ou até mesmo para percebermos que isso era possível, com a ajuda da sabedoria da Cabalá e nosso avanço.

Pergunta: A que se refere o toque do Shofar neste caso?

Resposta: O toque do Shofar refere-se a algo que não pode ser expresso, que decorre do coração, não de um indivíduo, mas de todos juntos. O toque do Shofar simboliza esse estado, que decorre de Malchut que quer que o Criador apareça, a fim de realizar uma conexão espiritual e dar à Luz ao próximo nível.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 11/06/14

A Luz Da Torá E A Influência Da Mitzvah

laitman_527O Zohar com o “Comentário Sulam“, “Parshat Tzav“, parágrafo 50: Além disso, “O fogo arderá continuamente sobre o altar…”. Esta é a Torá; isso é o que é dito sobre ela. “Certamente, as minhas palavras são como fogo”, diz o Criador, você certamente não vai extingui-las, pois uma transgressão não extingue a Torá. Mas uma transgressão extingue uma Mitzvah….

Há Torá e há Mitzvah. Torá é a Luz geral que age sobre nós e nos faz avançar. Este é o sistema geral.

Suponha que no mundo físico, a física e as leis em que nós existimos nos ajudam a explorar algum espaço. O mesmo ocorre com a Luz da Torá. Ela nos mantém em níveis espirituais o tempo todo; não faz diferença se estamos acima, abaixo, numa descida ou subida. Nós estamos em descidas e subidas o tempo todo, uma vez que devemos cair constantemente no ego e transformá-lo em altruísmo até nos movermos por todo o nosso ego e corrigi-lo por meio do altruísmo.

As intenções “a fim de receber” são deixadas de lado e nós movemos nossos desejos para o outro lado com as intenções “a fim de doar”. A queda no ego e a nossa saída dele são semelhantes ao movimento de um pistão para cima e para baixo, do menor ponto crítico ao ponto mais alto onde nos encontramos em estados contrastantes: com uma intenção altruísta ou uma intenção completamente egoísta. A fim de sair deste estado existe uma força geral chamada Torá, a Luz que nos avança.

A queda num estado inferior é chamada de pecado. A subida para o estado mais elevado é chamada de Mitzvah, correção. Nós estamos constantemente entre o pecado e a correção, pecado – correção. Por isso, diz, “Não há Tzadik (justo) na terra que faça o bem e não tenha pecado” (Midrash Rabá Kohelet 7), e só depois que ele corrige o pecado é que se torna um Tzadik. O estado em que eu me encontro no ponto alto depois de ter corrigido o pecado é chamado de Mitzvah. É assim que a ignição é criada em mim. Da mesma maneira que um êmbolo que atinge o ponto mais alto quando comprime a mistura de combustível e entra em ignição, a Luz também aparece em mim, que é uma força adicional pela qual eu avanço.

Graças a esse poder de movimento, eu começo a entender mais, a reconhecer, a ver, ser integrado em tudo. É exatamente isso que me ajuda e me obriga a descer para a próxima situação, num ponto ainda mais baixo, num ego maior. Afinal, se eu acumular energia suficiente, eu posso descer, perceber meu desejo egoísta, descer na escuridão absoluta, passar pelo ponto mais baixo e subir novamente.

A Mitzvah é um estado elevado, uma Luz adicional que é criada como resultado da queima do meu poder egoísta, transformando-o em altruísmo. Isto significa que na Luz geral da Torá é adicionada a Luz chamada Mitzvah. Tanto a Torá como a Mitzvah existem apenas na parte superior. A Luz adicional possibilita que eu desça na parte mais baixa e egoísta. Mas quanto mais eu desço, o poder da Luz da Mitzvah também desce. Então, quando eu chego à parte inferior, eu estou pronto para passar por ela só porque tenho uma pequena Ohr Makif (Luz Circundante) geral, que é chamada de Luz da Torá. Ela me atinge a partir do ambiente, do grupo, tal como um líquido que flui de um vaso para outro.

Pergunta: Por que não podemos explicar isso às pessoas?

Resposta: Depende da própria pessoa a produção de todos esses estados dentro de si. Caso contrário, as minhas palavras só vão continuar sendo um bom exemplo para ela. Depois de um dia ou dois, mesmo depois de dois minutos, ela vai esquecer tudo. Mas, apesar de tudo, ela ainda deve pesquisar e se obrigar a passar por esses estados, como uma criança que recebe intencionalmente uma tarefa de modo que sue e tente, e assim cresça. Os exemplos prontos não ajudam.

Pergunta: Mas será que uma pessoa está preparada para lidar com isso sozinha?

Resposta: Não, ela só pode fazer isso com a ajuda do grupo. Para onde eu iria dirigir a Luz que recebi depois que desci? Ao grupo, assim como um receptáculo.

Por exemplo, o torque do virabrequim opera o pistão. O torque rotativo que acumula a energia é o grupo. Portanto, eu sempre posso avançar para cima e para baixo através de movimentos para trás e para frente em relação ao grupo.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 27/11/13

Sobre A Beleza Interna

laitman_543_02A Torá, “Levítico”, 21:16-21:18: Disse ainda o Senhor a Moisés: Diga a Aarão: Pelas suas gerações, nenhum dos seus descendentes que tenha algum defeito poderá aproximar-se para trazer ao seu Deus ofertas de alimento. Nenhum homem que tenha algum defeito poderá aproximar-se: ninguém que seja cego ou aleijado, que tenha o rosto defeituoso ou o corpo deformado;

Do ponto de vista espiritual, um “defeito” é uma falha, a corrupção interna de uma pessoa, uma falha no seu anseio espiritual pela conexão e unidade.

Pergunta: Como é determinada a falha interna de uma pessoa?

Resposta: É impossível determiná-la externamente, já que ela está oculta até mesmo da pessoa até que ela a descubra dentro dela sozinha. Isto é chamado de sabedoria oculta ou conhecimento oculto. É apenas na medida em que a pessoa pode revelar o defeito dentro dela e suportá-lo que ela pode realiza-lo corretamente.

O defeito é totalmente não sentido e não pode ser visto de fora, já que ninguém sabe quais são as intenções de uma pessoa. Ela pode executar ações que podem parecer totalmente estúpidas e até prejudiciais, totalmente insípidas e egoístas, de fora, mas, na verdade, tudo é totalmente diferente, porque o caráter e a qualidade da ação determinam a intenção.

Comentário: Mas em nosso mundo tudo é oposto à Torá, que se refere apenas às intenções quando fala sobre uma pessoa.

Resposta: Essas limitações não se referem à aparência externa da pessoa, claro. Moisés, por exemplo, é descrito como muito bonito, alto e fortemente estruturado. Pode uma pessoa de 120 anos de idade realmente parecer dessa maneira? Trata-se apenas da sua pureza e beleza interna.

Eu entendi isso pela primeira vez quando estudei com o Rabash. Ele me pediu para ajudar a encontrar um par para certa garota… e eu decidi apresentá-la a um cara que estudou com a gente. A menina era muito inteligente, muito esperta e uma pintora talentosa que mais tarde deu uma de suas pinturas como presente para o Rabash. Eu convidei o garoto e a garota para almoçar na minha casa e eles conversaram; depois, eu fui dar uma volta e duas horas depois ele veio para a aula e me disse que não gostou da aparência dela. Eu passei esta informação para o Rabash, vitos que o futuro da garota era muito importante para ele. No começo ele não entendeu o que tinha acontecido, mas quando eu expliquei-lhe, ele perguntou: “Então, ele apenas olhou para sua externalidade?!” O cara não conseguiu subir acima de sua razão, e, no final, a vida não deu certo para ele ou para a garota. Ele se casou e teve cinco filhos, mas eles se divorciaram depois de um tempo. Ela se casou e teve um filho e se divorciou do marido.

Rabash sempre disse simplesmente: “O amor é um tipo de animal que é construído por concessões mútuas”.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 28/04/14

Nutrição Humana

laitman_560A Torá, “Levítico”, 23:14: Vocês não poderão comer pão algum, nem cereal (feito de farinha) tostado, nem cereal novo, até o dia em que trouxerem essa oferta ao Deus de vocês. Este é um decreto perpétuo para as suas gerações, onde quer que morarem.

O pão representa a característica de Hassadim (misericórdia), de modo que a correção de uma pessoa ocorre precisamente em torno destes estados.

Em nossa correção espiritual antes do Omer (feixe), nós estamos envolvidos com tudo, não só com pão. Pão é alimento humano. Aqueles que corrigem o Omer dentro deles — ou seja, aqueles que colhem, reúnem, amarram e o transformam em produtos cozidos feitos com farinha — alcançam o nível de doação completa.

Pastelarias (produtos cozidos feitos de farinha) referem-se à realização de desejos egoístas que crescem do chão, do estado mais baixo, onde a pessoa pode cultivá-los e transformá-los na característica de doação.

Como regra geral, características egoístas no nível inanimado são encontradas em cada um de nós, para que possamos corrigi-las sem qualquer problema. Mas aqui isso está falando sobre como desenvolver as características egoístas dentro de nós mesmos que se transformam em alimento para o nível espiritual, Adam.

Com isso, nós criamos nossa investigação pessoal interna porque sabemos como desenvolver o ego dentro de nós, como gerenciá-lo, como ele crescerá nas linhas esquerda e direita, e, assim, podemos corrigi-lo, comparando e combinando-as, avançando na linha do meio.

Tudo o que é mencionado na Torá é destinado apenas para a nossa conexão e unificação e ensina em que nível, em que condições, quais partes do nosso desejo, estão conectadas e se completam mutuamente com semelhança e equivalência com o Criador. Isto é tudo o que uma pessoa precisa fazer neste mundo além da satisfação mínima de suas necessidades básicas.

Quando nós terminarmos nossa correção espiritual, provendo-nos com os níveis inanimado, vegetal e animal através dos “frutos da terra”, este mundo desaparece. E nós continuamos existindo num estado eterno e corrigido. Nós tentamos alcançar isso enquanto ainda estamos vivos neste mundo. A sabedoria da Cabalá nos foi dada para esse propósito.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 28/05/14