Textos na Categoria 'Torá'

Nós Dependemos Uns Dos Outros

Pergunta: Existe uma razão para todos os nossos problemas?

Resposta: Se houver um conflito com nosso cônjuge, nossos filhos, nossos vizinhos, no trabalho, e até mesmo dentro de nós mesmos, isso significa que o nosso ego, chamado Faraó, nos domina.

Pergunta: Mas a escravidão no Egito, de que a Torá nos fala, só foi em tempos antigos e terminou há muito tempo.

Resposta: O Faraó nos domina o tempo todo, até mesmo agora. Os eventos descritos na Torá não estão relacionados a um determinado período de tempo e não são uma estória histórica. Nós ainda estamos escravizados ao mesmo ego, à nossa natureza egoísta, que não nos permite viver uma vida normal.

Nós vivemos em um mundo especial hoje, em um momento especial. Estamos todos conectados em uma rede, num mundo integral, uma economia integral, e dependentes uns dos outros. Se a comunidade internacional impõe certas sanções contra qualquer país, ela corta as suas ligações com aquele país, como o Irã, por exemplo, este estado cai, já que todo mundo depende de todo mundo. [Leia mais →]

Liberdade Completa!

Dr. Michael LaitmanO Livro do Zohar, “Bahar” (no Monte Sinai), artigo 85: …”E Ele me disse, ‘Tu és Meu servo, Israel, por quem hei de ser glorificado’”. “E Ele me disse, ‘Tu és Meu servo’ é o grau de escravo, a linha esquerda, Malchut. “Israel” é o grau do filho, a linha direita, ZA. Quando eles são incluídos como um, porque está escrito: “Em quem hei de ser glorificado””.

As duas linhas: a esquerda, o nível do escravo (Malchut), e a direita, o nível do filho (Israel), devem ser unidas e glorificadas, o que significa ser reveladas.

Por um lado, nós temos que nos submeter totalmente e nos escravizar ao governo superior. Nós podemos dizer, é claro, que agora Ele nos governa e que estamos totalmente escravizados a Ele e que não podemos fazer nada sem Ele, mas este é o atributo de um mau escravo.

A linha esquerda tem que ser leal ao seu mestre, afirmando: “Eu quero ser seu escravo. Eu quero que Ele me governe internamente através dos desejos sobre os quais não tenho controle”. Esta é a minha liberdade. A minha liberdade é escolher permanecer sob o domínio do Mestre ou deixá-Lo. Eu escolho o Seu domínio porque não posso me sentir mais livre do que quando estou sob Seu governo.

Mais tarde, quando eu subo ainda mais, o nível do escravo entra para o nível do filho. A diferença entre o nível do escravo e o nível do filho é que eu faço tudo o que meu Pai deseja e não o meu Mestre. Agora eu quero realizar todas as suas ações de forma consciente, mesmo que Ele não me obrigue a fazê-lo. E mesmo que Ele não sabia sobre isso, aqui eu trabalho sem conexão com Ele, e sou como Ele.

Esses dois estados devem ser claramente sentidos por uma pessoa e, assim, o terceiro estado aparece entre eles, a linha do meio, quando eu não sou nem escravo nem filho. A linha do meio não existe na natureza. Ela é criada e aparece na conexão entre as linhas direita e esquerda, dando a pessoa uma sensação de liberdade completa. É como estar num vácuo, onde a primeira condição do escravo não funciona ou não tem qualquer impacto sobre mim, e o mesmo ocorre com a segunda condição do filho.

Eu posso me desconectar totalmente de qualquer conexão com o Criador e ser independente em todas as minhas ações, desejos e pensamentos. Liberdade total!

É disso que trata o pensamento da criação, que está levando a pessoa à sensação de liberdade que leva à sua escolha do estado para estar onde o Criador existe e ansiar por Ele. Se eu anseio por que isso em 10%, 15%, ou 20%, eu gradualmente me transformo nessa imagem exata, a mesma réplica, e, nessa medida, eu sou chamado de Adam, um ser humano.

Eu me desconecto do Criador na linha do meio, porque caso contrário não tenho livre-arbítrio. Esta não é uma ilusão de liberdade. Eu preciso sentir que estou totalmente livre. Além disso, esse sentimento vem de encontro a uma cacofonia de todos os tipos de desejos, anseios e tentações egoístas. O orgulho, a inveja, o desejo de fazer o que quiser, e de ser o mestre do universo crescem numa pessoa.

Imagine que você está imerso em água e na superfície, em vez de água transparente, o fundo turvo de repente sobe, e é todo seu, as ondas de seus pensamentos e desejos egoístas. Na verdade, é sobre este pano de fundo que você começa a fazer um ser humano de si mesmo.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 18/06/14

De Um Jubileu Para Outro

Dr. Michael LaitmanUm novo ciclo de venda da terra começa depois do jubileu. Eu posso vendê-la para alguém por 10 anos, a outra pessoa por 20 anos, e assim por diante, até o ano do jubileu, quando a terra mais uma vez torna-se minha.

Eu não posso vendê-la novamente, visto que esta terra não pode ser propriedade de outra pessoa até o ano do jubileu. O indivíduo sente que é um estranho, um estrangeiro na terra e que a terra não é sua, mas pertence ao Criador que estava apenas alugando-a a ele. A razão é que a terra simboliza nosso desejo.

Pergunta: O que significa isso num nível mais interno de entendimento? Como eu posso vender o meu desejo?

Resposta: Você pode fazer o que quiser com ele, a fim de obter a colheita correta dele, mas você deve saber que, no final, você tem que devolver o desejo corrigido ao Criador sob a forma de doação. O jubileu simboliza a compatibilidade completa com o Criador. O jubileu é comum e compartilhado por toda a nação. Todo mundo sabe sobre ele; você não pode enganar ninguém, e não há necessidade de apresentar quaisquer documentos. É assim que a contagem da terra sempre foi feita: de um jubileu para outro e no momento em que tudo volta ao início.

Comentário: Isto é sentido como um ponto muito profundo, e tudo é muito complicado. Nós, que existimos nessa dimensão, achamos difícil de entender.

Resposta: Se você está conectado ao Criador, à força geral da natureza, e sabe que está subordinado a ele, nada é complicado ou difícil.

Hoje nós começamos a sentir de forma bem acentuada que somos governados pela natureza e que não temos escolha. Nós não controlamos as coisas e todas as nossas noções ingênuas de que somos os mestres da natureza e que podemos ter tudo o que queremos dela à força estão desaparecendo gradualmente.

Nós somos como crianças pequenas que, sem a mãe e o pai, começam a perceber que foram deixadas sozinhas numa caixa de areia gigante sem saber o que fazer a seguir e que a corrompemos a tal ponto que brincar nela é impossível. Todos os jogos de crianças acabaram; é hora de crescer.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 13/08/14

À Terra Ou Ao Céu…

Laitman_712_03A Torá, “Levítico”, 25:14 – 25:15: Se vocês venderem alguma propriedade ao seu próximo ou se comprarem alguma propriedade dele, não engane o seu irmão.

O que comprarem do seu próximo será avaliado com base no número de anos desde o Jubileu. E fará a venda com base no número de anos que restam de colheitas.

Pergunta: É dito “não engane a seu irmão…”. Qual é o significado de enganar?

Resposta: Primeiro a pessoa engana a si mesma. Se pudéssemos sentir em cada ação que fazemos que tudo é temporário e não víssemos nossas ações e relações como um componente eterno, percebendo em que medida elas são condicionais e frágeis, tudo seria muito mais fácil e simples.

Mas cada vez nós nos agarramos ao nosso desejo, a nossa opinião, ao nosso menor estado de espírito temporário, e acreditamos que essa é a coisa principal, uma vez que opera em mim num determinado momento e me preenche, e este é o meu pequeno mundo.

Mas se ao mesmo tempo eu pudesse incluir todo o mundo dentro de mim, a esfera maior, e agir em conformidade, apesar do fato de que estou sob o domínio do meu pequeno desejo, eu teria certa conta com o nível superior e certamente poderia sentir e me sintonizar de uma maneira totalmente diferente.

Uma pessoa não tem nada seu. Meu melhor estado é quando eu não sinto que meu corpo é meu, sem falar de coisas mais externas.

Eu só tenho um ponto interno e o adoro. Isso significa que eu quero anexá-lo ao Criador a partir do meu próprio lugar pessoal, aderir a minha terra, ao meu pequeno quadrado que é a combinação de todos os meus atributos internos, a combinação das linhas direita e esquerda.

É parte minha, uma pequena célula do corpo geral, e ao se conectar a ela eu volto à minha origem, ao meu lugar. Este é o estado mais perfeito, o fim de todas as correções.

No entanto, para fazer isso, eu tenho que sentir todo o corpo geral. Só então é que posso encontrar meu lugar no que diz respeito a todos os outros pontos, todos os outros pequenos quadrados como o meu, de onde a imagem do Criador é feita. Ela na verdade não existe, mas nós reunimos essa imagem ao reunir nossos desejos corrigidos numa imagem, numa forma que tem volume, e adaptando-nos um ao outro.

Se nós pudéssemos entender que este é o papel e a meta da existência de uma pessoa em nosso mundo, nós realizaríamos todas as nossas ações com uma intenção diferente. Portanto, por um lado, todas as nossas ações teriam um peso totalmente diferente, mas, por outro lado, nós os concentraríamos em alcançar o estado espiritual e eles perderiam seu significado momentâneo e adquiriam um significado eterno.

Nós renunciaríamos ao benefício momentâneo menor em prol de uma causa maior, eterna, e nos comportaríamos de uma maneira totalmente diferente, usando cada momento não para agarrar rapidamente alguma coisa, mas para dar mais um passo em direção ao nosso ponto eterno de conexão com o Criador.

Pergunta: Ao mesmo tempo, conceitos como a minha casa, o meu trabalho, o meu território, e “é necessário passar aos filhos”, desaparecem…

Resposta: Existem leis para tudo isso, as leis da Torá, que explicam cada ação que eu faço: como eu devo lavar, vestir, andar e me comunicar com as pessoas e com os animais, com tudo e todos.

É porque eu tenho que ser compatível não com o que eu quero ou o que eu imagino no momento, mas com o estado eterno perfeito que eu deveria alcançar. Embora eu realmente não saiba disso agora e não veja ou entenda, esta é a razão com pela qual me foram dadas as instruções da Torá, para que eu pudesse avançar no caminho certo que foi pré-determinado, mesmo que eu não entenda as coisas.

É como voar num avião de acordo com o que os instrumentos mostram e não ver nada além disso. Eu me concentro no objetivo de acordo com os instrumentos, em contraste com o que sinto no estado atual, o que significa que nós recebemos dois estados que orientam uma pessoa: um estado temporário e um estado eterno, e eles são considerados como o cumprimento das leis da Torá.

O problema é que eu me torno totalmente dedicado ao estado temporário e acredito que é a parte principal. Eu mergulho nele de cabeça e me perco nele. Ele simplesmente me suga.

A fim de sair, eu preciso de poderes especiais que vêm de cima, que gradualmente me tiram um pouco e me permitem decidir. Eu estou no meio, no ponto de decisão: Será que volto para a terra ou avanço para o céu?

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 13/08/14

O Desejo É A Única Imagem De Uma Pessoa

Dr. Michael LaitmanA Torá, “Levítico”, 25: 6-7: Mas os frutos do sábado da terra vos serão por alimento, a ti, e ao teu servo, e à tua serva, e ao teu diarista, e ao estrangeiro que peregrina contigo; e ao teu gado, e aos teus animais, que estão na tua terra, todo o seu produto será por mantimento.

Tudo o que pertence a uma pessoa, a seu vaso, que é formado das partes dos níveis inanimado, vegetal, animal e falante, dividido horizontalmente, verticalmente e para cima, tem que estar incluído em seu trabalho. Ela tem que preparar os seus desejos para que eles estejam prontos para ser preenchidos com a Luz Superior. Um servo, uma empregada, o gado e os animais são todos partes de uma pessoa.

Quando chegarmos a esse estado, veremos que todas as outras partes da natureza (o inanimado, vegetal e animal), que sentimos externamente a nós, serão preenchidas com a mesma Luz e ficará claro que não são externas, mas que todas existem internamente. Nós vamos descobrir que o nosso mundo externo e interno é um mundo geral, completo. Isto significa que a minha parte animal e todo o mundo animal que me rodeia, a minha parte vegetal e todo o mundo vegetal que é externo a mim, a parte da natureza inanimada em mim e todo o universo, são, na verdade, um único todo.

Acontece que a figura humana singular que criamos quando nos conectamos totalmente inclui toda a criação no seu interior, que nós sentimos como um todo. Não há divisão em eu e outros. Os seres humanos, animais, plantas e a natureza inanimada, todos se tornam um único desejo, onde o conceito de um Criador é atingido, que é a força singular da natureza. Isso é tipificado pelo sétimo milênio.

E a atitude do Criador em relação a isso – a realização do pensamento de Sua criação, o plano, Suas ações, Seu principal desejo inicial de criar o ser criado em Sua forma e imagem – já é os próximos três milênios: o oitavo, nono e décimo. Então tudo é encerrado num todo único que não é dividido em milhares de anos, e o ser criado entra em outra dimensão, sobre a qual não sabemos nada. Mas ela existe, uma vez que temos pistas disso nos escritos de grandes Cabalistas, mas nada mais.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 13/08/14

A Verdadeira Religião E A Religião Do Exílio

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como eu o compreendo, a sabedoria da Cabalá veio do judaísmo e todos os Cabalistas do passado eram muito religiosos. Qual é a verdadeira conexão entre a sabedoria da Cabalá e a religião?

Resposta: A sabedoria da Cabalá é o fundamento da verdadeira “religião”. Baal HaSulam escreve sobre isso no artigo, “A Essência da Religião e Seu Propósito”.

As três principais religiões – Judaísmo, Cristianismo e Islamismo – são baseadas nos ensinamentos de nosso pai Abraão. Mas Abraão, especificamente, descobriu a sabedoria da Cabalá, que é a base de todas as religiões, e ele descreveu sua descoberta no livro Cabalístico, Sefer Yetzirah (Livro da Criação).

O princípio fundamental da religião que foi descoberto por Abraão é “E você deve amar o seu amigo como a si mesmo”. Assim também está escrito: “E amarás o teu amigo como a ti mesmo é a grande regra geral da Torá”. Em princípio, este é entendido em todos os sentidos. Ou minimamente: “O que é odioso para você, não faça ao seu amigo”.

Toda a Torá fala sobre as boas relações entre as pessoas. Relações deste tipo existiam entre o povo de Israel antes da destruição do Segundo Beit HaMikdash (Templo) 2000 anos atrás, que foi destruído por causa da súbita erupção do ódio infundado.

Tudo gira em torno de apenas um ponto: boas ou más atitudes entre os judeus determinam o que vai acontecer com eles e todo o mundo em geral. Esta é precisamente a razão para o antissemitismo; é porque o povo judeu não pode chegar a um acordo entre si, e por isso o mundo inteiro sofre.

A sabedoria da Cabalá está envolvida apenas com a forma de atingir a conexão correta entre nós, e este é o fundamento de toda a religião. E o que tem sido considerado religião nos últimos 2000 anos é a manutenção de todos os tipos de tradições que parecem ser suficiente para as pessoas.

Esta é a forma que a religião adquiriu no exílio quando estávamos separados do princípio “E amarás o teu amigo como a ti mesmo”, do desejo de se unir. Esta é a forma em que o povo judeu teve que amadurecer por 2000 anos, para sair às nações do mundo e ser misturado com elas, e depois disso voltar à sua terra.

Mas depois que voltamos fisicamente para a terra de Israel, precisamos reviver a sabedoria da Cabalá, para que ela viva entre nós e nos ajude a construir um povo e uma nação da mesma forma como era antes: com amor e unidade entre nós.

Não há restrições nisso. Se uma pessoa estuda o método de conexão, não faz diferença se ela é religiosa ou secular, de que país ou comunidade ela veio, ou se é um homem ou uma mulher. Todos devem estudar este método e o mais rapidamente possível, porque o nosso bom futuro depende disso.

A sabedoria da Cabalá nos ensina a perceber essa unidade, e de uma maneira prática possibilita sentir isso durante os workshops e na conexão nos círculos de discussão que levamos a toda a parte. Milhares de pessoas já participaram de nossas mesas redondas, e elas sentem que dentro de meia hora de discussão de acordo com o método da sabedoria da Cabalá, de repente experimentaram um sentimento estranho, uma iluminação, um despertar de inspiração e calor. E esse sentimento se espalha a todos os participantes.

Comentário: Eu fui capaz de participar dessas mesas-redondas que foram transmitidas de acordo com a antiga sabedoria da Cabalá. E eu me lembro que no início as pessoas que se reuniam eram muito céticas e até mesmo cínicas, lamentavam o tempo que estavam perdendo. Mas, ao final da noite, as pessoas simplesmente flutua´ram de excitação e emoção, foram às lágrimas e se abraçaram. Este foi um surto de força vital e calor que derreteu todo o gelo e a indiferença que separa nossos corações.

Do Programa na Radio Israelense 103FM, 15/02/15

Um Shabat De Descanso Solene No Sétimo Ano

Dr. Michael LaitmanPergunta: A que se refere o seguinte versículo: “Levítico 25: 3-4: Durante seis anos semeiem as suas lavouras, aparem as suas vinhas e façam a colheita de suas plantações. Mas no sétimo ano a terra terá um sábado de descanso, um Shabat dedicado ao Senhor. Não semeiem as suas lavouras, nem aparem as suas vinhas”?

Resposta: Todos os seis anos de trabalho na terra são seis anos de correção do nosso desejo quando constantemente trabalhamos nele. E no sétimo ano o desejo corrigido será preenchido com a Luz do Criador.

Então não precisamos fazer nada, já que a Luz preenche o desejo geral e conecta, enfraquece e domina-o de tal maneira que a principal coisa para nós é não interferir.

O que significa que todas as ações que competem a nós devem ser dirigidas de tal forma que não perturbemos o Criador de mergulhar em nós, preencher, conectar e nos colocar juntos como um único pacote, onde todas as características do Criador nos níveis inanimado, vegetal, animal e falante são conectadas pela primeira e única Luz num único conjunto.

E isso é chamado de sétimo ano, que é o ano do descanso solene. Portanto, isso é chamado de Shabat (sábado), a liberdade e a cessação do trabalho. Mas, na verdade, há um trabalho interior muito forte, só que é dirigido no sentido oposto, na medida em que eu me anulo e não faço nada, possibilitando que o Criador atue.

Ao mesmo tempo, eu estou junto com Ele em pleno acordo e união. Eu trabalho, mas o meu trabalho se resume numa ação sincronizada com o Criador, e isto é muito complicado e difícil.

Então eu tenho que me preparar para o descanso de modo que toda a densidade do ego, todos os seis anos durante os quais eu o corrijo, me levarão ao sétimo ano, o ano do descanso solene, o ano da Shmittah (desapego) .

Depois disso virá o oitavo, nono, décimo anos (milenares), o que corresponde à conquista do nível de GAR, os níveis de Bina, Hochma e Keter. Neles eu atinjo a mente do Criador, Seus planos, e Ele, Ele mesmo. Este é o nível mais alto, chamado os segredos da Torá.

O que se quer dizer com os segredos da Torá? Depois que eu alcanço o sétimo milênio, todas as minhas imagens, todo o aparato da minha compreensão e consciência está tão transformado que só então eu serei capaz de entender o que os três níveis superiores simbolizam: o oitavo, nono e décimo milênios.

Pergunta: É possível dizer que os seis anos de trabalho da terra são arar, elevar e transformar o ego?

Resposta: Sim, eu transformo o ego do mesmo modo que nós transformamos o solo quando o aramos antes da semeadura. As sementes espirituais da pessoa não podem crescer se ela não transformar seus desejos (a terra). Isto é realizado durante os seis anos, e no sétimo ano a realização acontece através da Luz do que foi plantado.

Pergunta: É só então que os brotos aparecem?

Resposta: Não, eles saem a cada ano. É que durante os seis anos (Hesed, Gevurah, Tiferet, Netzah, Hod e Yesod) eu trabalho no solo de tal forma que, no sétimo ano, tudo o que eu obtive na obra, que eu cavei em meu ego, está pronto para ser preenchido pela Luz.

Então a Luz percebe isso sem minhas ações. Agora eu termino meu trabalho através de ações opostas, visto que eu devo ajudar a Luz a fazer isso a partir do seu lado e não do lado do solo.

Pergunta: O que significa “o preenchimento pela Luz”?

Resposta: Quando os desejos da pessoa se transformam completamente para serem semelhantes à Luz em quantidade e qualidade, então ela sente que a Luz é encontrada dentro dela.

Na verdade, a Luz estava sempre nela, só que agora a pessoa começa a sentir isso porque preparou seus sentidos, sua compreensão, para isso. Ela vê que, mesmo antes disso, ela estava no mundo do Criador, e que tudo estava cheio de Luz, “não há outro além Dele”, mas agora ela sente e descobre isso. Este é o sétimo milênio.

Portanto, o Shabat é chamado de um dia santo, porque é a soma de todo o imenso trabalho que uma pessoa passa para alcançar o Criador, para descobri-Lo dentro de si.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 13/08/14

Recompensa Oculta

laitman_534Pergunta: Que recompensa eu obtenho pelos meus esforços? Afinal de contas, nós não vemos o caminho a frente, e o passado já se foi. Portanto, onde está a recompensa que possibilita que eu continue a avançar?

Resposta: Você recebe uma enorme recompensa, uma recompensa muito respeitável. Se as pessoas vissem o que você ganha, sentiriam muita inveja de você. Isso amargaria suas vidas. No entanto, você deve aprender a apreciar essa recompensa, porque mesmo que ela esteja bem na sua frente, você não a percebe. O mundo superior, o estado espiritual que você recebe, está muito perto, mas você não o sente. Você não tem as ferramentas com as quais pode apreciá-lo.

Se você tivesse que dar a uma criança um chocalho vermelho e algo de valor com uma cor não atraente, ela pegaria o chocalho e jogaria fora o objeto valioso. Nós também não sentimos o que recebemos.

Você se esforçou, veio para a aula de uma cidade distante. Portanto, você precisa ​​sentir que uma grande soma de dinheiro foi colocada em sua conta, pelo menos cem mil dólares. Se você sentisse isso, viria todos os dias, pois teria um incentivo suficiente! No entanto, a fim de não aumentar o seu desejo egoísta e pensar apenas na compensação e contar as notas todos os dias, você não pode ver a recompensa. Mesmo que haja uma recompensa, você não a vê, de modo a não correr atrás dela. Por isso, seu pagamento está sendo derramado constantemente de suas mãos, sendo reunido numa pilha grande. Você não precisa se ​​preocupar; nada será perdido. Você vai ter tudo quando souber como usá-lo corretamente. Então, você poderá tomar todo o pagamento que recebeu durante o período de Lo Lishma e usá-lo a fim de doar. A principal coisa é entender como chegamos à Lishma, em outras palavras, como podemos atrair a Luz que Reforma. Portanto, como está escrito: “Eu criei a inclinação ao mal, eu criei para ela a Torá como tempero, pois a Luz nela a reforma, pois a iluminação nela vai trazê-lo de volta ao bem” (Talmude Babilônico, Kiddushin, 30b, Eicha Rabbah).

O Infinito preenche tudo, mesmo que não sintamos isso. Por enquanto, ainda precisamos usá-lo como a Luz que Reforma, e, depois, ele vai construir um Tzimtzum – Masach, Ohr Hozer, Rosh, um novo Partzuf – em nós e nos ensinará a receber a Luz dentro do Partzuf.

A Luz faz tudo, e eu só a atraio. Só depende de mim saber que ação deve ser feita, e a Luz Superior vai me trazer inclusive a inteligência. Cabe a mim estar em constante contato com a Luz e exigi-la, passo a passo, ação após a ação.

Desta forma, eu me apego ao que é superior, a construção da minha alma, meu Kli de doação, de dentro do meu desejo de receber.

Da 1ª  parte da Lição Diária de Cabalá 23/05/14, Shamati # 8

O Dia Da Revelação Do Criador

laitman_933Pergunta: A leitura semanal da Torá, Shemini (oito), fala sobre isso, que após sete anos de dedicação, no dia do início do serviço no Tabernáculo, Moisés chama a Aarão e seus filhos para fazer sacrifícios especiais. Moisés e Aarão saem para abençoar o povo, e a grandeza do Criador aparece diante de todo o povo de Israel. Qual é o significado do “oitavo dia”?

Resposta: Os primeiros sete dias correspondem às Sefirot: Hesed, Gevura, Tiferet, Netzah, Hod, Yesod e Malchut, enquanto o oitavo dia é a realização, a elevação de Malchut à Bina. Bina é a descoberta do início da divindade entre nós .

No Pirush HaGadol, é dito que o povo estava preocupado se o Criador seria revelado. Dependeria de como eles iriam percorrer os primeiros sete dias, em outras palavras, da absorção das características inferiores que são encontradas numa pessoa (Hesed, Gevura, Tifferet, Netzah, Hod, Yesod), que entram em Malchut, e como Malchut reage e absorve estas características, cujo resultado Bina será revelada nela. Isso é chamado de revelação do Criador, porque o Criador não existe por Si mesmo; Ele não existe.

Nós devemos entender a relatividade dos nossos discernimentos, nossa percepção da realidade. Quando dizemos que o Criador não existe, queremos dizer que não podemos percebê-Lo, que não podemos defini-Lo. Do nosso ponto de vista, Ele não existe, enquanto não nos tornarmos equivalentes a Ele com as características de doação e amor através da conexão entre nós.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 18/12/13

O Ano Do Criador

A Torá, “Levítico”, 25:1 – 25:5: E o Senhor falou a Moisés no Monte Sinai, dizendo: Fala aos filhos de Israel e você deve dizer-lhes: Você pode semear seu campo por seis anos, e por seis anos você pode podar a sua vinha, e colherás os seus frutos, mas, no sétimo ano, a terra deve ter um descanso completo, o sábado do Senhor; você não semeará seu campo, nem podará a sua vinha. Você não deve colher o que crescer depois de sua colheita, e você não deve escolher as uvas que você tinha reservado [para si], [devido à] este deve ser um ano de descanso para a terra.

À primeira vista, parece que na seção semanal da Torá Ba’har nos são dadas leis que nos dizem como trabalhar a terra, plantar e cultivar a terra. Mas se examinarmos esta seção a partir da perspectiva dos nossos desejos interiores, que são divididos nas naturezas da natureza inanimada, vegetal, animal, e falante (os quatro níveis dos desejos egoístas), podemos compreender como nos focar na correção, no nosso trabalho espiritual.

Os desejos no nível da natureza inanimada, por exemplo, não se desenvolvem ou desenvolvem tão lentamente que não sentem o seu desenvolvimento durante a sua existência, o que significa durante um ciclo de vida inteiro. Os desejos, que se mantêm a um nível fixo, pertencem ao nível da natureza inanimada. Eu não quero que eles mudem, mas eu tenho que fazer esforços, a fim de conseguir isso.

Vamos dizer que eu tenho que, constantemente, amar e preocupar-me com os meus amigos. Ou seja, o meu nível de interação com eles é constante e não-vivente, porque eu não os desenvolvo. Mas, ao mesmo tempo, o nível desenvolve-se, pois trabalho constantemente na sua estabilidade. Assim, ele avança e as relações mútuas com os meus amigos mudam. Quando permanecem no nível da natureza inanimada o nosso caráter não muda, mas nós ascendemos a um nível ainda mais elevado. Portanto, nossa mutualidade, amor e nossa incorporação no outro, o entendimento de que partilhamos e o apoio muda constantemente.

Pergunta: Será que isso significa que as relações mútuas entre os amigos tornam-se mais fortes se atingirem um nível ainda mais alto?

Resposta: Eles se tornam mais fortes, mas isto é quando eu concentro todas as minhas ações em manter a estabilidade da natureza de nossas relações mútuas. Imaginem em que medida o nível da natureza inanimada está verdadeiramente vivo, uma vez que pertence a mim e não à natureza externa que o rodeia.

Pergunta: Então, o que simbolizam nossos desejos no nível vegetativo do vegetativo? A Torá diz: Você pode semear seu campo por seis anos, e por seis anos você pode podar a sua vinha, e colherás a sua produção.

Resposta: Isso significa que eu processo o nível vegetativo do desejo, o que significa que eu incluo todos os meus pensamentos independentes e desejos, a fim de manter as relações com o amigo na unidade bilateral mais forte, em garantia mútua.

Eu desenvolvo-os sobre os próximos níveis quando eu os crio a partir do nível inanimado ao nível vegetativo e depois para o nível animal e nível falante. Em relação a estes níveis eu, constantemente, certifico-me de que todas as minhas ações pertencem à natureza inanimada é assim que eu mantenho o nível fixo de relações mútuas.

O sétimo ano é uma ação muito especial, que, graças ao fato de que eu tenho trabalhado em todos os meus seis parâmetros (Hesed, gevura, Tiferet, Netzach, Hod, Yesod), recebo, do Alto, o próximo nível de subida.

Eu salto sobre ele como um número no balcão, sem qualquer esforço adicional de minha parte. No sétimo ano, eu não faço nada, já que tudo vem a mim do Alto.

Em outras palavras, o nível inanimado da natureza só parece ser a natureza inanimada para nós, já que todos os outros níveis originam-se dele. A fim de avançar eu tenho que trabalhar com o nível inanimado, primeiro, que é simbolizado pela terra.

Então, eu tenho que trabalhar com o nível do vegetativo sobre a terra, a fim de produzir frutos para me alimentar. A fim de fazer isso eu aro e semeio a terra com a ajuda de um tipo especial de nível animal (animais) que foram criados para que possamos usá-los, a fim de nos desenvolver.

Quando recebemos o fruto da terra, temos que usá-los, a fim de nutrir a terra na forma de fertilizantes. Isso é feito tanto pelo nível animal ou pelo nível vegetativo. Então eu transformo-os em alimento para o vegetal, animal, e os níveis humanos.

Acontece que o nível inanimado da natureza alimenta todo o ciclo, e então, quando eu chegar ao sétimo ano eu não trabalho, porque Malchut conecta e opera na Luz de Retorno (Ohr Hozer) e tudo o que eu tenho feito entra em erupção a partir de baixo. Assim, quando eu conecto o trabalho que tem sido feito eu posso entrar em contato com o Criador.

Esta é a razão que o sétimo ano é chamado o ano do Criador. Tudo o que eu criei pelo meu esforço é vertido para este ano, recebendo o poder da Luz que me suspende para o próximo nível. Não posso ascender a ele por mim. Quando eu cumprir internamente todos os esforços sobre os quatro tipos de desejos, eu completo o trabalho e vou para o próximo nível, onde acontece a mesma coisa, mas de uma qualidade diferente, e eu passo por uma experiência totalmente diferente.

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De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 16/7/14

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