Textos na Categoria 'Torá'

Pessach E A Noite Do Êxodo

Dr. Michael LaitmanO início deste post está em: Pessach É Um Lembrete Do Futuro

A maturação do atributo de Moisés numa pessoa e na nação nos leva a um confronto direto com o Faraó. A Torá descreve esses estados como as dez pragas do Egito, as dez pragas do ego, com a demanda: “Deixa meu povo ir”. Eles se desenvolvem no contexto da impotência e, ao mesmo tempo, da necessidade desesperada de se libertar .

A Hagadá nos diz sobre esta noite interna: “Como essa noite difere de todas as outras noites?” No Egito, nós tivemos que sair do atoleiro do amor-próprio e nos voltar e mover rapidamente para cima, ainda sem qualquer poder de se unir, mas com o poder de escapar.

Todo mundo tenta escapar das perseguições, das disputas e conflitos internos. Assim, nós nos encontramos mais longe do Egito até chegar ao Monte Sinai, onde podemos concluir o que começamos.

É assim que o Faraó, o ego, nos leva a um novo nível de amor. No final, toda a humanidade terá que subir a este nível, mas nós somos os primeiros a fazer isso. É o laboratório da nação judaica, uma fase essencial na sua formação.

No Serviço Do Criador

laitman_572_03A Torá, “Levítico” 1: 1 – 1: 2: E chamou o Senhor a Moisés, e falou com ele da tenda da congregação, dizendo:

Fala aos filhos de Israel, e dize-lhes: Quando algum de vós oferecer oferta (sacrifício) ao Senhor, oferecerá a sua oferta de gado, isto é, de gado e de ovelha.

Nós precisamos suprir todos os desejos (inanimado, vegetal, animal e falante) em benefício da sociedade de uma forma completamente altruísta, sem qualquer doação para nós mesmos, direcionando todos os nossos objetivos e pensamentos à preocupação com os outros, da mesma forma que uma mãe só pensa no bem-estar de seu filho.

Se uma pessoa consegue dirigir-se de tal maneira, ela transfere parcialmente o seu desejo do lado da recepção para o lado da doação. No entanto, este é um trabalho muito longo numa sociedade, num grupo, com o estudo do sistema que atrai a Luz da correção.

Vamos supor que eu tenha desejos dentro de mim com os quais já havia tentado receber benefício próprio, tirando partido dos outros, e agora com esses desejos eu estou trabalhando com um determinado sistema onde a Luz doa a mim e altera esses desejos de receptores (egoísta) para o benefício de doar (altruísta). No entanto, este não é o altruísmo do nosso mundo, embora seja como podemos chamá-lo, porque não temos outras palavras.

Na verdade, é doação e amor absoluto para com os outros, sem qualquer benefício para si. Quando uma pessoa começa a trabalhar neste nível, ela “se sacrifica”, o que significa que ela desprende as partes de seu desejo e os transfere para o serviço altruísta dos outros.

Desejos de todos os níveis participam disso: inanimado, vegetal, animal e falante. Além disso, os níveis inanimado, vegetal e animal servem ao homem, como em nosso mundo, e os do nível falante (homem) servem ao Criador . Dentro do homem estão todos os desejos inanimado, vegetal e animal, e ele os eleva em seu trabalho para a completa doação e amor, sem o Egito e sem receber uma recompensa.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 13/11/13

O Fogo Perpétuo É Um Chamado À Ação

Dr. Michael LaitmanO Livro do Zohar, “Tzav”, item 50: Ele não vai sair. É claro que o fogo da Torá não se extinguirá, uma vez que a transgressão não extingue a Torá, mas uma transgressão extingue uma Mitzva, e aquele que comete uma transgressão extingue uma Mitzva, o que é chamado de “uma vela”. Assim, a pessoa extingue sua vela de seu corpo, ou seja, a alma, da qual foi dito: “A alma do homem é a vela de Deus”.

Se uma pessoa peca na espiritualidade, ela pode extinguir o fogo da Mitzva (mandamento) como resultado. Mas seu ego e a Luz Circundante (Ohr Makif) ainda acarretarão o surgimento da vela, a conexão entre os atributos do Criador e os atributos da pessoa. Então o atributo da pessoa será gradualmente corrigido de acordo com o Criador.

Este estado é muitas vezes mencionado na Torá, como na história dos Macabeus, por exemplo, que tinham apenas um pequeno frasco de óleo que durou oito dias, embora, logicamente, ele deveria ter sido suficiente apenas para um dia. Isso significa que o fogo perpétuo simboliza o desejo permanente pela meta, a conexão contínua, a compreensão contínua, assim como o fogo perpétuo que é aceso em memória daqueles que já não estão entre nós.

Esta é a memória eterna, que deve ser um chamado à ação para nós. Nós temos que proteger este fogo em nós e estar em contato permanente entre a Luz Superior, o Criador, e o nosso desejo egoísta. É porque a Luz ilumina por causa do nosso desejo, que gradualmente diminui e serve como combustível para a Luz.

O Criador (a Luz) aparece somente quando podemos subir ao seu nível e nos transformarmos num fogo ardente. Até então não há um Criador e esta é a razão pela qual Ele é chamado de “venha e veja”, Bo-re.

Quando tentamos nos transformar no atributo de amor e doação, uma névoa sobe do óleo através do pavio e a vela é acesa Assim, a forma da vela não é apenas a forma do Criador, Seu atributo, mas também a forma da pessoa, a forma de Adão (homem/ser humano), que se assemelha ao Criador, já que agora eles combinam e estão em adesão.

Como resultado, o elemento que não queima por natureza começa a queimar. Sem ele não há fogo, mas ele só aparece quando anseia em alcançar a equivalência de forma com o Criador. A Luz realmente surge como resultado disso, porque sem ela, não há nível superior e nem mundo superior.

O mundo espiritual surge quando o criamos dentro de nós a partir dos materiais que temos. Primeiro é o grupo que anseia pela conexão, a fim de descobrir o atributo de amor e doação na conexão entre si. Se tal atributo desperta entre nós, então, como resultado da compressão entre nós, da pressão e do desejo de se conectar, existe uma ignição. Então, surge a Luz, que é a imagem do Criador que surge entre nós.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 27/11/13

O Mundo Inteiro Está Dentro De Nós

Dr. Michael LaitmanA Torá aborda somente os seres humanos e fala sobre coisas que são internas para nós: o Criador, Moisés, pessoas, etc. Cada um de nós deve organizar esses elementos, porque não importa o que sentimos, nós sentimos dentro de nós.

Você pode continuar a dizer mil vezes que um copo existe fora de você. No entanto, como isso é possível, se você o percebe internamente? “Não! Eu o vejo em cima da mesa!” Portanto, isso significa que você sente tanto o copo como a mesa dentro de você.

Por conseguinte, tudo o que falamos, o mundo inteiro, está dentro de nós, incluindo o Criador.

Isso explica porque quando retratamos o Criador na Cabalá, a primeira coisa que desenhamos é o ponto (ponto) da letra “Yod” e só depois nós escrevemos “Yod Hey Hey Vav“, os quatro estágios de desenvolvimento do desejo que começam com este ponto. A quarta etapa é um desejo completo que parece tangível, sério e maduro para nós.

A última fase do desejo foi instigada desde o ponto inicial, semelhante a todo o universo que se originou de uma pequena centelha que continha energia suficiente para alimentar este mundo e cada um de nós até hoje. Nesse ponto minúsculo reside toda a informação e toda a matéria do universo.

É um ponto que instigou tudo o que apareceu como resultado de uma explosão e é o começo da letra “Yod“. É por isso que se diz na Torá que cada pessoa é um pequeno mundo que engloba tudo.

Não importa o que sentimos, isso está dentro de nós. É por isso que a ciência moderna, que tem avançado um bilhão de anos-luz, mais uma vez retoma a exploração dos seres humanos e se concentra em nosso potencial e nas particularidades de nossa percepção. Coisas que pareciam remotas e fora de nós devem de fato ser exploradas dentro de nós.

A falta de compreensão da maneira como nós percebemos as coisas externas nos impede um maior avanço e se opõe ao entendimento da essência da vida e da organização da nossa existência futura. Em um futuro próximo, todas as ciências vão acabar estudando Cabalá.

Vai se tornar óbvio para o mundo científico que sem essa sabedoria é impossível estabelecer uma base sólida que permita aos seres humanos se relacionar corretamente às nossas sensações, noções e cognição.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 08 /10/14

Sintonizar-Se Com O Criador

Dr. Michael LaitmanPergunta: Às vezes nós dizemos que o Criador está dentro de nós, outras vezes dizemos que Ele está na conexão entre nós. Como podemos ligar essas duas noções?

Resposta: Não há dilema aqui. Como o Criador pode ser encontrado? Como podemos considerar e avaliar a nós mesmos? O que nos faz nos consideramos bons ou maus, fortes ou fracos? Para isso, precisamos de uma ferramenta de medição externa, um padrão com o qual podemos medir a nós mesmos.

A fim de sermos capazes de medir a nós mesmos, devemos ver as propriedades dos que nos rodeiam e comparar nossas qualidades com a deles. Para nos direcionar corretamente, temos que manter inúmeras ligações: remotas e próximas, odiosas e benevolentes. Devemos lidar com os adversários e simpatizantes, ou seja, toda a humanidade.

Um alvo é insuficiente para atingir a meta. É essencial sintonizar-se em conexão com o Criador. Para isso, precisamos envolver os níveis inanimado, vegetal, animal e falante da natureza. Se conseguirmos definir corretamente nossas mentes e se o nosso comportamento for totalmente certo e positivo, com certeza iremos alcançar o Criador.

Todas essas propriedades estão dentro de nós. Nós só podemos alcançar o Criador nos relacionando positivamente com todos os quatro níveis da natureza, já que o Criador é a soma de bondade, amor e doação.

Pergunta: Quando você fala sobre auto-orientação positiva, eu imagino imediatamente a vastidão da humanidade, da natureza, das pedras, dos céus, e todo o cosmos. Será essa uma tarefa viável?

Resposta: Chegar a uma mentalidade correta é muito fácil. Você tem que convencer todas as suas propriedades internas (inanimada, vegetal, animal e falante), de que tudo o que o rodeia está saturado de amor mútuo e é a melhor maneira possível de existência. Se você tiver êxito, se você conseguir corrigir as propriedades que parecem externas a você, vai atingir o estado desejado.

Pergunta: Será que isso significa que eu deveria trabalhar com coisas ou pessoas que são hostis a mim?

Resposta: Seu inimigo demonstra mais claramente a você suas próprias imperfeições e propriedades negativas. Isso é chamado de ajuda contra você. Com sua ajuda, nós avançamos.

Pergunta: É dito na Torá: se alguém vem matá-lo, mate-o primeiro. Como devemos nos relacionar com isso?

Resposta: Assim que a pessoa encontra uma qualidade que é incapaz de superar, não importa o quanto tenta lidar com ela com amor, compreensão e um senso de unidade, e ainda falha em corrigi-la, é preciso matá-la. Esta é uma correção. Nós matamos nossa própria propriedade que é impossível melhorar quando ela se levanta contra nós.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 10/08/14

Atributos Da Terra E A Raiz Da Alma

Dr. Michael LaitmanA Torá, “Levítico” 25:23: A terra não poderá ser vendida definitivamente, porque ela é minha, e vocês são apenas estrangeiros e imigrantes.

O Criador nos deu um desejo (terra), de modo que devemos corrigi-lo e não usá-lo da maneira como gostaríamos. É como se Ele o alugasse para nós.

Nós não temos nada nosso neste mundo, e, portanto, quando fazemos um negócio, temos que entender que compramos a terra apenas para uso temporário, ou para alugar. Nós realmente não compramos a terra. Nós alugamos a terra e, portanto, podemos trabalhar por um determinado período de tempo. Nada é eterno e nada nos pertence.

Comentário: Acontece que as nações que se instalaram neste planeta não são seus donos.

Resposta: De acordo com a raiz da sua alma, um dono é uma pessoa que é compatível com uma parte ou outra da terra em que vive. Portanto, parte desta terra tem que voltar para seus donos. Isso se refere às nações que saíram da Babilônia e se estabeleceram em todo o globo. O assentamento em Israel tem que ser de acordo com a Torá, e toda a tribo e família têm a sua parte predeterminada e ela é eterna. É porque os atributos interiores da família ou tribo coincidem com o atributo dessa parte da terra. É assim que a correção do desejo é realizada.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 13/08/14

Emprestando O Desejo: A Terra

Dr. Michael LaitmanA Torá, “Levítico”, 25:25 – 25:27: Se alguém do seu povo empobrecer e vender parte da sua propriedade, seu parente mais próximo virá e resgatará aquilo que o seu compatriota vendeu. Se, contudo, um homem não tiver quem lhe resgate a terra, mas ele mesmo prosperar e adquirir recursos para resgatá-la, calculará os anos desde que a vendeu e devolverá a diferença àquele a quem a vendeu; então poderá voltar para a sua propriedade.

A terra deve retornar aos seus donos originais e a pessoa não deve fazer um esforço para conquistá-la. Ela não deve ser tomada de volta à força, mas sim devolvida conforme acordos que levam em conta todos os detalhes.

Basicamente, não se trata de um pedaço de terra, mas de uma pessoa e seu desejo. É difícil entender o que significa alugar o desejo. Será que eu deixo o meu desejo a alguém e ele trabalha nele? O que eu ganho com isso? Como ele pode me pagar?

Por exemplo, há pessoas que podem corrigir o meu desejo no nível espiritual do trabalho agrícola, e há aquelas que possuem a terra e podem se beneficiar dela alugando seus desejos aos outros para que eles trabalhem e recebam a colheita.

A fim de compreender o significado de alugar os meus desejos a alguém, nós temos que pensar em como as pessoas devem se relacionar entre si, a fim de alcançar a correção juntas. Como elas compram e vendem? Como elas se conectam e se incorporam uma na outra, a fim de atingir o jubileu?

Comentário: Se dissermos que nada é meu, eu viso o jubileu de qualquer maneira. Eu tenho um objetivo, que é chegar ao Templo, Bina, e ignoro o fato de que o caminho para isso é sujo e que bêbados estão deitados na calçada, por exemplo, uma vez que estou caminhando para a meta.

Resposta: Não, você não vai alcançá-la se não olhar para os lados, já que atingir Bina significa ser incorporado em todos, levando-os à correção em suas costas. Então, onde está o seu atributo de doação? Com que base você o cultiva, organiza e aumenta? Afinal de contas, não é uma caminhada rumo à Bina, mas criá-la dentro de você. Ela não existe fora de você.

Pergunta: Será que isso significa que eu só posso subir se incluir tudo dentro de mim e processá-lo?

Resposta: É claro! Tudo dentro de você deve ser organizado de tal maneira que você é levado ao atributo de Bina. Isto significa que, internamente, você alcançou um estado que você elevou dentro de si e que não existe fora em nenhuma forma ou lugar, já que o mundo inteiro está dentro de você. Portanto, você não pode ignorar os bêbados e a sujeira e não corrigi-los. É muito fácil fazer isso mutuamente. A principal coisa é alcançar a reciprocidade.

O primeiro nível é o mais difícil. Depois disso, tudo se torna muito mais fácil e simples, e ao mesmo tempo muito mais difícil. É porque quanto mais elevado o nível de uma pessoa, maior o seu desejo e as interrupções que ela encontra. Por um lado, ela já tem um livro guia interior que a ajuda a compreender e encontrar o caminho de volta, mas, ao mesmo tempo, há uma maior confusão e problemas maiores.

Pergunta: Qual é o significado de alugar minha terra ou vender minha terra?

Resposta: Significa agarrar-se a outras pessoas, para que junto com elas, que parecem estranhas, eu possa corrigir a terra, pois, caso contrário, não posso corrigi-la sozinho.

Somente ao se conectar com outra pessoa é que eu posso corrigir a parte da natureza inanimada do meu desejo, que é a terra, e, depois, nós dois podemos nos tornar donos temporários da terra. A fim de fazer isso, nós temos que aceitar os desejos dos outros como desejos comuns e, portanto, cultivar a terra (a Terra). Isso significa que tudo é destinado ao amor ao próximo, à conexão com os outros, até que nos tornemos um todo comum. Todas as leis da Torá apontam nesse sentido.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 13/08/14

E Então Vocês Ouvirão Música

Dr. Michael LaitmanA Torá, “Levítico 25:19”: Então a terra dará o seu fruto, e vocês comerão até fartar-se e ali viverão em segurança.

Se nós estivermos em conformidade com o programa geral da natureza, nós começaremos a viver em harmonia com ela. Nada vai ficar confuso na natureza: você vai semear o campo, a chuva vai cair, virá o tempo para a colheita das culturas, o sol vai sair, e tudo ficará normal.

Nós precisamos dirigir o vasto organismo da natureza, de modo que ele nos influencie positiva e beneficamente na saúde, família, animais, colheita, e em tudo. Diante de nós, está um imenso mecanismo e nós podemos direcioná-lo de modo que a chuva caia ou o sol saia.

Tudo vai soar harmonioso, como um instrumento musical bem afinado. É necessário investir apenas um pouco de esforço, mas principalmente entender como alcançar a harmonia. E depois de entendermos isso, vamos dedilhar algumas cordas e você vai ouvir a música.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 13/08/14

A Limpeza Diária No Coração

Dr. Michael LaitmanPergunta: Por que é tão importante celebrar Pessach (Páscoa Judaica) e observar suas condições?

Resposta: Este feriado judaico não é para comemorar um determinado dia na história. Pelo contrário, cada dia você tem que sentir como se saísse do Egito, tudo de novo.

Sair do exílio não é um evento antigo que nunca vai acontecer de novo. Todos os dias você tem que subir ainda mais acima de seu egoísmo e unir-se com outras pessoas através de laços de bondade.

O que nós celebramos em Pessach é o fato de que temos esta oportunidade. Nenhuma nação além de Israel tem a oportunidade de subir acima de seu egoísmo, para se unir e começar a sentir realmente como nós subimos acima da nossa natureza.

Pergunta: Então, os feriados são um tipo de lembrete?

Resposta: Os feriados são um programa com o qual temos que trabalhar dia após dia. Tudo depende de qual nível a pessoa se encontra. Nós estamos sempre em movimento, através de estados interiores especiais chamados Pessach, Sucot, Shavuot, Tu Bishvat,  dia 9 de Av, e assim por diante.

Pergunta: Por que há uma tradição que é passada de uma geração para a outra de realizar a refeição festiva de Pessach, quando os pais dizem aos seus filhos sobre o êxodo da escravidão no Egito?

Resposta: É porque nós precisamos aprender – ensinar os outros – sobre a ordem de sair do Egito, ou a ordem em que nos elevamos acima do nosso egoísmo e nos unimos com os outros, alcançando finalmente a garantia mútua e a unidade em torno do Monte Sinai (a montanha de ódio mútuo). O pai tem que ensinar seu filho a maneira certa de se unir com os outros.

Tanto pai quanto filho (meu estado ontem e meu estado hoje) estão dentro de mim todos os dias. Tudo acontece dentro da pessoa e no interior da nação.

Pergunta: O que você diria a uma pessoa moderna que não vê qualquer outra coisa neste mundo que não seja ela mesma e seu telefone celular? Como você lhe diria sobre a conexão entre as pessoas, sobre os diferentes tipos de relacionamentos? Que tipo de nova vida você pode prometer-lhe?

Resposta: A harmonia universal, a conexão entre as pessoas, é semelhante a um time de futebol perfeitamente coordenado, ou até mesmo a máfia, que estão ligados por laços estreitos. Esta conexão sempre faz a pessoa se sentir confiante, feliz, lhe dá um bom senso de unidade e de inclusão mútua nos desejos dos outros. Ela pode chegar a uma unidade de tal magnitude que desde dentro ela vai saber tudo o que os outros sabem.

Como todos nós estamos dentro de um sistema, o conhecimento e as sensações do mundo inteiro podem fluir entre nós, sem qualquer limitação. Os cientistas estão revelando que o nosso cérebro é um modem conectando-nos ao repositório comum de informação que está no ar.

Pergunta: Por que as crianças de hoje não são tão felizes?

Resposta: Porque elas atingiram um nível de egoísmo que não podem encontrar satisfação. No passado, se uma família tinha um quarto para morar, isso era suficiente para que eles fossem felizes. Mas hoje cada pessoa precisa de um apartamento separado e um carro para dar uma volta sozinha. Nós estamos sempre nos isolando e cada pessoa se encerra dentro de si.

Ninguém se sente feliz, e a razão para isso é o nosso isolamento. A felicidade só pode ser sentida quando você sente como  a energia, a força, e o calor fluem dentro da nossa conexão com o outro.

A solidão é a escravidão egípcia e vale a pena sair dela.

Do Programa da Radio Israelense 103FM, 15/03/15

O Segredo Da Passagem Para A Vida Eterna

laitman_744A coisa mais importante para nós é realizar a nós mesmos na forma correta neste mundo. E realizar o nosso destino significa sacrificar este mundo inteiro, isto é, o nosso egoísmo, tudo que desejamos em nosso mundo, e fazê-lo de modo que o sentimento do mundo superior seja a coisa mais importante para nós, e ser capaz de trocar este mundo pelo mundo superior.

Embora este mundo não desapareça, nós não perseguimos mais todas as tentações e realizações que ele oferece. Elas deixam de ser o objetivo da nossa existência. Nós queremos trocar as percepções do mundo e alcançar a realidade superior.

Quando tenho a intenção de fazer alguma coisa, no que estou prestando atenção em primeiro lugar? Nas coisas mais importantes para mim, e eu não me relaciono com o que não é importante para mim. Eu nem sinto. Como se diz, um gato vê apenas o rato e não presta atenção no belo mundo que o rodeia.

Por isso, cada pessoa vê algo diferente, ou seja, cada um os vê o mundo de forma diferente; a ordem de prioridades que podem satisfazer a nos e nossas sensações, é diferente para cada um.

Portanto, eu devo chegar a um nível tal que vou parar de prestar atenção neste mundo, embora todos os meus vasos de absorção permaneçam: visão, audição, olfato, tato e paladar. Em vez de tudo isso eu vou ver só a qualidade de doação, amor e conexão entre todos os detalhes. Então eu vou revelar o Criador, porque Ele é a força única de conexão da natureza.

No entanto, enquanto isso, eu não estou prestando atenção à conexão entre todos os detalhes da natureza. Eu estou interessado numa ação completamente oposta, tomar para mim o máximo possível. Essa inclinação egoísta é oposta à qualidade de doação, conexão, mutualidade, amor, as qualidades do Criador. Por causa disso, eu não sou capaz de revelar essa força.

Portanto, eu devo fazer todos os tipos de ações que irão me dirigir a olhar para essa força de conexão, similar aos cientistas que querem revelá-la. Eu faço a mesma coisa; eu sou um pesquisador. E não é religião; é a sabedoria da Cabalá. Por isso, eu olho para esta única força que conecta, preenche, e move tudo para um objetivo, desde o início até o final, de acordo com um determinado plano.

Eu quero saber qual é o segredo da morte. Será que ela existe ou não? Se eu olhar para este tema do ponto de vista da sabedoria da Cabalá, eu não entendo nada do que é a morte. É uma mudança de um desejo em outro desejo: o desejo de receber para o desejo de doar?

A questão da vida e da morte é uma questão crítica e que inconscientemente preocupa muitas pessoas. É possível explicá-la apenas parcialmente, mantê-la em segredo, a fim de atraí-las para frente e insinuar com isso, que aqui está a solução para vencer a morte e passar para a eternidade. Isto vai dar à pessoa a possibilidade de compreender a grandeza de sua existência.

Será que eu percebo o mundo através do meu corpo bestial, através de meus cinco sentidos que existem em mim? No entanto, a verdade é que o corpo não existe. Existem apenas os cinco sentidos que me dão a sensação do mundo e do eu, sentindo-o. Com essa abordagem, é muito fácil ignorar este mundo. Não seria terrível se eu não estivesse nele, e este próprio mundo não existisse; ele desaparece, e pronto.

Nós temos uma oportunidade de sair à existência eterna. Não há morte; existe apenas a transição, a troca de dez Sefirot. Agora, eu existo no sentimento de existência que é chamado de minhas mínimas dez Sefirot, e dentro delas eu sinto este mundo, eu, e tudo o que me rodeia.

Vamos supor que uma pessoa morre. O que é a sua morte? Sua morte significa que todas as suas dez Sefirot são esvaziadas, e em vez de Keter, Hochma, Bina, Zeir Anpin, e Malchut, ou visão, audição, tato, olfato e paladar, nada é deixado. O que resta é a informação chamada Reshimo.

Mais tarde, esse Reshimo é transferido para outro corpo biológico e começa a realizar-se nele. O próximo ponto se junta, um novo nível de desejo (Aviut, aspereza), e o que é chamado de Adam (Homem) cresce com esse desejo e o realiza.

O Reshimo se desenvolve sob a influência da Luz no mesmo nível, no mesmo patamar. Ele pode continuar até que o próprio homem queira subir ao próximo nível, ou sob a influência de golpes, porque a Luz o ressuscita o tempo todo (nós vemos o que acontece nas gerações) ou sob a auto-aspiração da pessoa a subir ao próximo nível.

A subida para o próximo nível significa que, em vez de receber uma pequena quantidade de Luz que é chamada de “a nossa vida”, o homem começa a receber uma Luz especial que o formata de forma diferente e o eleva de uma percepção interna em suas mínimas dez Sefirot à percepção exterior.

Obviamente, o problema da auto-existência desaparece. Se você troca os meios de auto-percepção para fora de si mesmo, então fora de você está o volume que existe constantemente como se você se espalhasse dentro dele, e sua existência se torna eterna e infinita. Com isso desaparece o sentimento de inferioridade, o sentido de que lhe falta algo como nos atuais cinco sentidos. A Luz Superior vai passar pelos outros.

Se o problema da existência no mundo é constantemente atrair, absorver, para dentro, a energia e o conhecimento através deste mundo, o problema da existência no próximo nível, o mais elevado, é transferir a energia, a força da vitalidade, através de você para o mundo inteiro e sentir que o mundo precisa de você constantemente.

É isso aí. Aqui, não há problemas com a vida e a morte. As pessoas precisam entender que, em princípio, não há outro caminho, e deste caminho, deste propósito, a pessoa não pode escapar. Ao contrário, na nossa frente está a maravilhosa oportunidade da vida eterna.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 20/11/13