Textos na Categoria 'Torá'

Sintonizar-Se Com O Criador

Dr. Michael LaitmanPergunta: Às vezes nós dizemos que o Criador está dentro de nós, outras vezes dizemos que Ele está na conexão entre nós. Como podemos ligar essas duas noções?

Resposta: Não há dilema aqui. Como o Criador pode ser encontrado? Como podemos considerar e avaliar a nós mesmos? O que nos faz nos consideramos bons ou maus, fortes ou fracos? Para isso, precisamos de uma ferramenta de medição externa, um padrão com o qual podemos medir a nós mesmos.

A fim de sermos capazes de medir a nós mesmos, devemos ver as propriedades dos que nos rodeiam e comparar nossas qualidades com a deles. Para nos direcionar corretamente, temos que manter inúmeras ligações: remotas e próximas, odiosas e benevolentes. Devemos lidar com os adversários e simpatizantes, ou seja, toda a humanidade.

Um alvo é insuficiente para atingir a meta. É essencial sintonizar-se em conexão com o Criador. Para isso, precisamos envolver os níveis inanimado, vegetal, animal e falante da natureza. Se conseguirmos definir corretamente nossas mentes e se o nosso comportamento for totalmente certo e positivo, com certeza iremos alcançar o Criador.

Todas essas propriedades estão dentro de nós. Nós só podemos alcançar o Criador nos relacionando positivamente com todos os quatro níveis da natureza, já que o Criador é a soma de bondade, amor e doação.

Pergunta: Quando você fala sobre auto-orientação positiva, eu imagino imediatamente a vastidão da humanidade, da natureza, das pedras, dos céus, e todo o cosmos. Será essa uma tarefa viável?

Resposta: Chegar a uma mentalidade correta é muito fácil. Você tem que convencer todas as suas propriedades internas (inanimada, vegetal, animal e falante), de que tudo o que o rodeia está saturado de amor mútuo e é a melhor maneira possível de existência. Se você tiver êxito, se você conseguir corrigir as propriedades que parecem externas a você, vai atingir o estado desejado.

Pergunta: Será que isso significa que eu deveria trabalhar com coisas ou pessoas que são hostis a mim?

Resposta: Seu inimigo demonstra mais claramente a você suas próprias imperfeições e propriedades negativas. Isso é chamado de ajuda contra você. Com sua ajuda, nós avançamos.

Pergunta: É dito na Torá: se alguém vem matá-lo, mate-o primeiro. Como devemos nos relacionar com isso?

Resposta: Assim que a pessoa encontra uma qualidade que é incapaz de superar, não importa o quanto tenta lidar com ela com amor, compreensão e um senso de unidade, e ainda falha em corrigi-la, é preciso matá-la. Esta é uma correção. Nós matamos nossa própria propriedade que é impossível melhorar quando ela se levanta contra nós.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 10/08/14

Atributos Da Terra E A Raiz Da Alma

Dr. Michael LaitmanA Torá, “Levítico” 25:23: A terra não poderá ser vendida definitivamente, porque ela é minha, e vocês são apenas estrangeiros e imigrantes.

O Criador nos deu um desejo (terra), de modo que devemos corrigi-lo e não usá-lo da maneira como gostaríamos. É como se Ele o alugasse para nós.

Nós não temos nada nosso neste mundo, e, portanto, quando fazemos um negócio, temos que entender que compramos a terra apenas para uso temporário, ou para alugar. Nós realmente não compramos a terra. Nós alugamos a terra e, portanto, podemos trabalhar por um determinado período de tempo. Nada é eterno e nada nos pertence.

Comentário: Acontece que as nações que se instalaram neste planeta não são seus donos.

Resposta: De acordo com a raiz da sua alma, um dono é uma pessoa que é compatível com uma parte ou outra da terra em que vive. Portanto, parte desta terra tem que voltar para seus donos. Isso se refere às nações que saíram da Babilônia e se estabeleceram em todo o globo. O assentamento em Israel tem que ser de acordo com a Torá, e toda a tribo e família têm a sua parte predeterminada e ela é eterna. É porque os atributos interiores da família ou tribo coincidem com o atributo dessa parte da terra. É assim que a correção do desejo é realizada.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 13/08/14

Emprestando O Desejo: A Terra

Dr. Michael LaitmanA Torá, “Levítico”, 25:25 – 25:27: Se alguém do seu povo empobrecer e vender parte da sua propriedade, seu parente mais próximo virá e resgatará aquilo que o seu compatriota vendeu. Se, contudo, um homem não tiver quem lhe resgate a terra, mas ele mesmo prosperar e adquirir recursos para resgatá-la, calculará os anos desde que a vendeu e devolverá a diferença àquele a quem a vendeu; então poderá voltar para a sua propriedade.

A terra deve retornar aos seus donos originais e a pessoa não deve fazer um esforço para conquistá-la. Ela não deve ser tomada de volta à força, mas sim devolvida conforme acordos que levam em conta todos os detalhes.

Basicamente, não se trata de um pedaço de terra, mas de uma pessoa e seu desejo. É difícil entender o que significa alugar o desejo. Será que eu deixo o meu desejo a alguém e ele trabalha nele? O que eu ganho com isso? Como ele pode me pagar?

Por exemplo, há pessoas que podem corrigir o meu desejo no nível espiritual do trabalho agrícola, e há aquelas que possuem a terra e podem se beneficiar dela alugando seus desejos aos outros para que eles trabalhem e recebam a colheita.

A fim de compreender o significado de alugar os meus desejos a alguém, nós temos que pensar em como as pessoas devem se relacionar entre si, a fim de alcançar a correção juntas. Como elas compram e vendem? Como elas se conectam e se incorporam uma na outra, a fim de atingir o jubileu?

Comentário: Se dissermos que nada é meu, eu viso o jubileu de qualquer maneira. Eu tenho um objetivo, que é chegar ao Templo, Bina, e ignoro o fato de que o caminho para isso é sujo e que bêbados estão deitados na calçada, por exemplo, uma vez que estou caminhando para a meta.

Resposta: Não, você não vai alcançá-la se não olhar para os lados, já que atingir Bina significa ser incorporado em todos, levando-os à correção em suas costas. Então, onde está o seu atributo de doação? Com que base você o cultiva, organiza e aumenta? Afinal de contas, não é uma caminhada rumo à Bina, mas criá-la dentro de você. Ela não existe fora de você.

Pergunta: Será que isso significa que eu só posso subir se incluir tudo dentro de mim e processá-lo?

Resposta: É claro! Tudo dentro de você deve ser organizado de tal maneira que você é levado ao atributo de Bina. Isto significa que, internamente, você alcançou um estado que você elevou dentro de si e que não existe fora em nenhuma forma ou lugar, já que o mundo inteiro está dentro de você. Portanto, você não pode ignorar os bêbados e a sujeira e não corrigi-los. É muito fácil fazer isso mutuamente. A principal coisa é alcançar a reciprocidade.

O primeiro nível é o mais difícil. Depois disso, tudo se torna muito mais fácil e simples, e ao mesmo tempo muito mais difícil. É porque quanto mais elevado o nível de uma pessoa, maior o seu desejo e as interrupções que ela encontra. Por um lado, ela já tem um livro guia interior que a ajuda a compreender e encontrar o caminho de volta, mas, ao mesmo tempo, há uma maior confusão e problemas maiores.

Pergunta: Qual é o significado de alugar minha terra ou vender minha terra?

Resposta: Significa agarrar-se a outras pessoas, para que junto com elas, que parecem estranhas, eu possa corrigir a terra, pois, caso contrário, não posso corrigi-la sozinho.

Somente ao se conectar com outra pessoa é que eu posso corrigir a parte da natureza inanimada do meu desejo, que é a terra, e, depois, nós dois podemos nos tornar donos temporários da terra. A fim de fazer isso, nós temos que aceitar os desejos dos outros como desejos comuns e, portanto, cultivar a terra (a Terra). Isso significa que tudo é destinado ao amor ao próximo, à conexão com os outros, até que nos tornemos um todo comum. Todas as leis da Torá apontam nesse sentido.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 13/08/14

E Então Vocês Ouvirão Música

Dr. Michael LaitmanA Torá, “Levítico 25:19”: Então a terra dará o seu fruto, e vocês comerão até fartar-se e ali viverão em segurança.

Se nós estivermos em conformidade com o programa geral da natureza, nós começaremos a viver em harmonia com ela. Nada vai ficar confuso na natureza: você vai semear o campo, a chuva vai cair, virá o tempo para a colheita das culturas, o sol vai sair, e tudo ficará normal.

Nós precisamos dirigir o vasto organismo da natureza, de modo que ele nos influencie positiva e beneficamente na saúde, família, animais, colheita, e em tudo. Diante de nós, está um imenso mecanismo e nós podemos direcioná-lo de modo que a chuva caia ou o sol saia.

Tudo vai soar harmonioso, como um instrumento musical bem afinado. É necessário investir apenas um pouco de esforço, mas principalmente entender como alcançar a harmonia. E depois de entendermos isso, vamos dedilhar algumas cordas e você vai ouvir a música.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 13/08/14

A Limpeza Diária No Coração

Dr. Michael LaitmanPergunta: Por que é tão importante celebrar Pessach (Páscoa Judaica) e observar suas condições?

Resposta: Este feriado judaico não é para comemorar um determinado dia na história. Pelo contrário, cada dia você tem que sentir como se saísse do Egito, tudo de novo.

Sair do exílio não é um evento antigo que nunca vai acontecer de novo. Todos os dias você tem que subir ainda mais acima de seu egoísmo e unir-se com outras pessoas através de laços de bondade.

O que nós celebramos em Pessach é o fato de que temos esta oportunidade. Nenhuma nação além de Israel tem a oportunidade de subir acima de seu egoísmo, para se unir e começar a sentir realmente como nós subimos acima da nossa natureza.

Pergunta: Então, os feriados são um tipo de lembrete?

Resposta: Os feriados são um programa com o qual temos que trabalhar dia após dia. Tudo depende de qual nível a pessoa se encontra. Nós estamos sempre em movimento, através de estados interiores especiais chamados Pessach, Sucot, Shavuot, Tu Bishvat,  dia 9 de Av, e assim por diante.

Pergunta: Por que há uma tradição que é passada de uma geração para a outra de realizar a refeição festiva de Pessach, quando os pais dizem aos seus filhos sobre o êxodo da escravidão no Egito?

Resposta: É porque nós precisamos aprender – ensinar os outros – sobre a ordem de sair do Egito, ou a ordem em que nos elevamos acima do nosso egoísmo e nos unimos com os outros, alcançando finalmente a garantia mútua e a unidade em torno do Monte Sinai (a montanha de ódio mútuo). O pai tem que ensinar seu filho a maneira certa de se unir com os outros.

Tanto pai quanto filho (meu estado ontem e meu estado hoje) estão dentro de mim todos os dias. Tudo acontece dentro da pessoa e no interior da nação.

Pergunta: O que você diria a uma pessoa moderna que não vê qualquer outra coisa neste mundo que não seja ela mesma e seu telefone celular? Como você lhe diria sobre a conexão entre as pessoas, sobre os diferentes tipos de relacionamentos? Que tipo de nova vida você pode prometer-lhe?

Resposta: A harmonia universal, a conexão entre as pessoas, é semelhante a um time de futebol perfeitamente coordenado, ou até mesmo a máfia, que estão ligados por laços estreitos. Esta conexão sempre faz a pessoa se sentir confiante, feliz, lhe dá um bom senso de unidade e de inclusão mútua nos desejos dos outros. Ela pode chegar a uma unidade de tal magnitude que desde dentro ela vai saber tudo o que os outros sabem.

Como todos nós estamos dentro de um sistema, o conhecimento e as sensações do mundo inteiro podem fluir entre nós, sem qualquer limitação. Os cientistas estão revelando que o nosso cérebro é um modem conectando-nos ao repositório comum de informação que está no ar.

Pergunta: Por que as crianças de hoje não são tão felizes?

Resposta: Porque elas atingiram um nível de egoísmo que não podem encontrar satisfação. No passado, se uma família tinha um quarto para morar, isso era suficiente para que eles fossem felizes. Mas hoje cada pessoa precisa de um apartamento separado e um carro para dar uma volta sozinha. Nós estamos sempre nos isolando e cada pessoa se encerra dentro de si.

Ninguém se sente feliz, e a razão para isso é o nosso isolamento. A felicidade só pode ser sentida quando você sente como  a energia, a força, e o calor fluem dentro da nossa conexão com o outro.

A solidão é a escravidão egípcia e vale a pena sair dela.

Do Programa da Radio Israelense 103FM, 15/03/15

O Segredo Da Passagem Para A Vida Eterna

laitman_744A coisa mais importante para nós é realizar a nós mesmos na forma correta neste mundo. E realizar o nosso destino significa sacrificar este mundo inteiro, isto é, o nosso egoísmo, tudo que desejamos em nosso mundo, e fazê-lo de modo que o sentimento do mundo superior seja a coisa mais importante para nós, e ser capaz de trocar este mundo pelo mundo superior.

Embora este mundo não desapareça, nós não perseguimos mais todas as tentações e realizações que ele oferece. Elas deixam de ser o objetivo da nossa existência. Nós queremos trocar as percepções do mundo e alcançar a realidade superior.

Quando tenho a intenção de fazer alguma coisa, no que estou prestando atenção em primeiro lugar? Nas coisas mais importantes para mim, e eu não me relaciono com o que não é importante para mim. Eu nem sinto. Como se diz, um gato vê apenas o rato e não presta atenção no belo mundo que o rodeia.

Por isso, cada pessoa vê algo diferente, ou seja, cada um os vê o mundo de forma diferente; a ordem de prioridades que podem satisfazer a nos e nossas sensações, é diferente para cada um.

Portanto, eu devo chegar a um nível tal que vou parar de prestar atenção neste mundo, embora todos os meus vasos de absorção permaneçam: visão, audição, olfato, tato e paladar. Em vez de tudo isso eu vou ver só a qualidade de doação, amor e conexão entre todos os detalhes. Então eu vou revelar o Criador, porque Ele é a força única de conexão da natureza.

No entanto, enquanto isso, eu não estou prestando atenção à conexão entre todos os detalhes da natureza. Eu estou interessado numa ação completamente oposta, tomar para mim o máximo possível. Essa inclinação egoísta é oposta à qualidade de doação, conexão, mutualidade, amor, as qualidades do Criador. Por causa disso, eu não sou capaz de revelar essa força.

Portanto, eu devo fazer todos os tipos de ações que irão me dirigir a olhar para essa força de conexão, similar aos cientistas que querem revelá-la. Eu faço a mesma coisa; eu sou um pesquisador. E não é religião; é a sabedoria da Cabalá. Por isso, eu olho para esta única força que conecta, preenche, e move tudo para um objetivo, desde o início até o final, de acordo com um determinado plano.

Eu quero saber qual é o segredo da morte. Será que ela existe ou não? Se eu olhar para este tema do ponto de vista da sabedoria da Cabalá, eu não entendo nada do que é a morte. É uma mudança de um desejo em outro desejo: o desejo de receber para o desejo de doar?

A questão da vida e da morte é uma questão crítica e que inconscientemente preocupa muitas pessoas. É possível explicá-la apenas parcialmente, mantê-la em segredo, a fim de atraí-las para frente e insinuar com isso, que aqui está a solução para vencer a morte e passar para a eternidade. Isto vai dar à pessoa a possibilidade de compreender a grandeza de sua existência.

Será que eu percebo o mundo através do meu corpo bestial, através de meus cinco sentidos que existem em mim? No entanto, a verdade é que o corpo não existe. Existem apenas os cinco sentidos que me dão a sensação do mundo e do eu, sentindo-o. Com essa abordagem, é muito fácil ignorar este mundo. Não seria terrível se eu não estivesse nele, e este próprio mundo não existisse; ele desaparece, e pronto.

Nós temos uma oportunidade de sair à existência eterna. Não há morte; existe apenas a transição, a troca de dez Sefirot. Agora, eu existo no sentimento de existência que é chamado de minhas mínimas dez Sefirot, e dentro delas eu sinto este mundo, eu, e tudo o que me rodeia.

Vamos supor que uma pessoa morre. O que é a sua morte? Sua morte significa que todas as suas dez Sefirot são esvaziadas, e em vez de Keter, Hochma, Bina, Zeir Anpin, e Malchut, ou visão, audição, tato, olfato e paladar, nada é deixado. O que resta é a informação chamada Reshimo.

Mais tarde, esse Reshimo é transferido para outro corpo biológico e começa a realizar-se nele. O próximo ponto se junta, um novo nível de desejo (Aviut, aspereza), e o que é chamado de Adam (Homem) cresce com esse desejo e o realiza.

O Reshimo se desenvolve sob a influência da Luz no mesmo nível, no mesmo patamar. Ele pode continuar até que o próprio homem queira subir ao próximo nível, ou sob a influência de golpes, porque a Luz o ressuscita o tempo todo (nós vemos o que acontece nas gerações) ou sob a auto-aspiração da pessoa a subir ao próximo nível.

A subida para o próximo nível significa que, em vez de receber uma pequena quantidade de Luz que é chamada de “a nossa vida”, o homem começa a receber uma Luz especial que o formata de forma diferente e o eleva de uma percepção interna em suas mínimas dez Sefirot à percepção exterior.

Obviamente, o problema da auto-existência desaparece. Se você troca os meios de auto-percepção para fora de si mesmo, então fora de você está o volume que existe constantemente como se você se espalhasse dentro dele, e sua existência se torna eterna e infinita. Com isso desaparece o sentimento de inferioridade, o sentido de que lhe falta algo como nos atuais cinco sentidos. A Luz Superior vai passar pelos outros.

Se o problema da existência no mundo é constantemente atrair, absorver, para dentro, a energia e o conhecimento através deste mundo, o problema da existência no próximo nível, o mais elevado, é transferir a energia, a força da vitalidade, através de você para o mundo inteiro e sentir que o mundo precisa de você constantemente.

É isso aí. Aqui, não há problemas com a vida e a morte. As pessoas precisam entender que, em princípio, não há outro caminho, e deste caminho, deste propósito, a pessoa não pode escapar. Ao contrário, na nossa frente está a maravilhosa oportunidade da vida eterna.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 20/11/13

Nós Dependemos Uns Dos Outros

Pergunta: Existe uma razão para todos os nossos problemas?

Resposta: Se houver um conflito com nosso cônjuge, nossos filhos, nossos vizinhos, no trabalho, e até mesmo dentro de nós mesmos, isso significa que o nosso ego, chamado Faraó, nos domina.

Pergunta: Mas a escravidão no Egito, de que a Torá nos fala, só foi em tempos antigos e terminou há muito tempo.

Resposta: O Faraó nos domina o tempo todo, até mesmo agora. Os eventos descritos na Torá não estão relacionados a um determinado período de tempo e não são uma estória histórica. Nós ainda estamos escravizados ao mesmo ego, à nossa natureza egoísta, que não nos permite viver uma vida normal.

Nós vivemos em um mundo especial hoje, em um momento especial. Estamos todos conectados em uma rede, num mundo integral, uma economia integral, e dependentes uns dos outros. Se a comunidade internacional impõe certas sanções contra qualquer país, ela corta as suas ligações com aquele país, como o Irã, por exemplo, este estado cai, já que todo mundo depende de todo mundo. [Leia mais →]

Liberdade Completa!

Dr. Michael LaitmanO Livro do Zohar, “Bahar” (no Monte Sinai), artigo 85: …”E Ele me disse, ‘Tu és Meu servo, Israel, por quem hei de ser glorificado’”. “E Ele me disse, ‘Tu és Meu servo’ é o grau de escravo, a linha esquerda, Malchut. “Israel” é o grau do filho, a linha direita, ZA. Quando eles são incluídos como um, porque está escrito: “Em quem hei de ser glorificado””.

As duas linhas: a esquerda, o nível do escravo (Malchut), e a direita, o nível do filho (Israel), devem ser unidas e glorificadas, o que significa ser reveladas.

Por um lado, nós temos que nos submeter totalmente e nos escravizar ao governo superior. Nós podemos dizer, é claro, que agora Ele nos governa e que estamos totalmente escravizados a Ele e que não podemos fazer nada sem Ele, mas este é o atributo de um mau escravo.

A linha esquerda tem que ser leal ao seu mestre, afirmando: “Eu quero ser seu escravo. Eu quero que Ele me governe internamente através dos desejos sobre os quais não tenho controle”. Esta é a minha liberdade. A minha liberdade é escolher permanecer sob o domínio do Mestre ou deixá-Lo. Eu escolho o Seu domínio porque não posso me sentir mais livre do que quando estou sob Seu governo.

Mais tarde, quando eu subo ainda mais, o nível do escravo entra para o nível do filho. A diferença entre o nível do escravo e o nível do filho é que eu faço tudo o que meu Pai deseja e não o meu Mestre. Agora eu quero realizar todas as suas ações de forma consciente, mesmo que Ele não me obrigue a fazê-lo. E mesmo que Ele não sabia sobre isso, aqui eu trabalho sem conexão com Ele, e sou como Ele.

Esses dois estados devem ser claramente sentidos por uma pessoa e, assim, o terceiro estado aparece entre eles, a linha do meio, quando eu não sou nem escravo nem filho. A linha do meio não existe na natureza. Ela é criada e aparece na conexão entre as linhas direita e esquerda, dando a pessoa uma sensação de liberdade completa. É como estar num vácuo, onde a primeira condição do escravo não funciona ou não tem qualquer impacto sobre mim, e o mesmo ocorre com a segunda condição do filho.

Eu posso me desconectar totalmente de qualquer conexão com o Criador e ser independente em todas as minhas ações, desejos e pensamentos. Liberdade total!

É disso que trata o pensamento da criação, que está levando a pessoa à sensação de liberdade que leva à sua escolha do estado para estar onde o Criador existe e ansiar por Ele. Se eu anseio por que isso em 10%, 15%, ou 20%, eu gradualmente me transformo nessa imagem exata, a mesma réplica, e, nessa medida, eu sou chamado de Adam, um ser humano.

Eu me desconecto do Criador na linha do meio, porque caso contrário não tenho livre-arbítrio. Esta não é uma ilusão de liberdade. Eu preciso sentir que estou totalmente livre. Além disso, esse sentimento vem de encontro a uma cacofonia de todos os tipos de desejos, anseios e tentações egoístas. O orgulho, a inveja, o desejo de fazer o que quiser, e de ser o mestre do universo crescem numa pessoa.

Imagine que você está imerso em água e na superfície, em vez de água transparente, o fundo turvo de repente sobe, e é todo seu, as ondas de seus pensamentos e desejos egoístas. Na verdade, é sobre este pano de fundo que você começa a fazer um ser humano de si mesmo.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 18/06/14

De Um Jubileu Para Outro

Dr. Michael LaitmanUm novo ciclo de venda da terra começa depois do jubileu. Eu posso vendê-la para alguém por 10 anos, a outra pessoa por 20 anos, e assim por diante, até o ano do jubileu, quando a terra mais uma vez torna-se minha.

Eu não posso vendê-la novamente, visto que esta terra não pode ser propriedade de outra pessoa até o ano do jubileu. O indivíduo sente que é um estranho, um estrangeiro na terra e que a terra não é sua, mas pertence ao Criador que estava apenas alugando-a a ele. A razão é que a terra simboliza nosso desejo.

Pergunta: O que significa isso num nível mais interno de entendimento? Como eu posso vender o meu desejo?

Resposta: Você pode fazer o que quiser com ele, a fim de obter a colheita correta dele, mas você deve saber que, no final, você tem que devolver o desejo corrigido ao Criador sob a forma de doação. O jubileu simboliza a compatibilidade completa com o Criador. O jubileu é comum e compartilhado por toda a nação. Todo mundo sabe sobre ele; você não pode enganar ninguém, e não há necessidade de apresentar quaisquer documentos. É assim que a contagem da terra sempre foi feita: de um jubileu para outro e no momento em que tudo volta ao início.

Comentário: Isto é sentido como um ponto muito profundo, e tudo é muito complicado. Nós, que existimos nessa dimensão, achamos difícil de entender.

Resposta: Se você está conectado ao Criador, à força geral da natureza, e sabe que está subordinado a ele, nada é complicado ou difícil.

Hoje nós começamos a sentir de forma bem acentuada que somos governados pela natureza e que não temos escolha. Nós não controlamos as coisas e todas as nossas noções ingênuas de que somos os mestres da natureza e que podemos ter tudo o que queremos dela à força estão desaparecendo gradualmente.

Nós somos como crianças pequenas que, sem a mãe e o pai, começam a perceber que foram deixadas sozinhas numa caixa de areia gigante sem saber o que fazer a seguir e que a corrompemos a tal ponto que brincar nela é impossível. Todos os jogos de crianças acabaram; é hora de crescer.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 13/08/14

À Terra Ou Ao Céu…

Laitman_712_03A Torá, “Levítico”, 25:14 – 25:15: Se vocês venderem alguma propriedade ao seu próximo ou se comprarem alguma propriedade dele, não engane o seu irmão.

O que comprarem do seu próximo será avaliado com base no número de anos desde o Jubileu. E fará a venda com base no número de anos que restam de colheitas.

Pergunta: É dito “não engane a seu irmão…”. Qual é o significado de enganar?

Resposta: Primeiro a pessoa engana a si mesma. Se pudéssemos sentir em cada ação que fazemos que tudo é temporário e não víssemos nossas ações e relações como um componente eterno, percebendo em que medida elas são condicionais e frágeis, tudo seria muito mais fácil e simples.

Mas cada vez nós nos agarramos ao nosso desejo, a nossa opinião, ao nosso menor estado de espírito temporário, e acreditamos que essa é a coisa principal, uma vez que opera em mim num determinado momento e me preenche, e este é o meu pequeno mundo.

Mas se ao mesmo tempo eu pudesse incluir todo o mundo dentro de mim, a esfera maior, e agir em conformidade, apesar do fato de que estou sob o domínio do meu pequeno desejo, eu teria certa conta com o nível superior e certamente poderia sentir e me sintonizar de uma maneira totalmente diferente.

Uma pessoa não tem nada seu. Meu melhor estado é quando eu não sinto que meu corpo é meu, sem falar de coisas mais externas.

Eu só tenho um ponto interno e o adoro. Isso significa que eu quero anexá-lo ao Criador a partir do meu próprio lugar pessoal, aderir a minha terra, ao meu pequeno quadrado que é a combinação de todos os meus atributos internos, a combinação das linhas direita e esquerda.

É parte minha, uma pequena célula do corpo geral, e ao se conectar a ela eu volto à minha origem, ao meu lugar. Este é o estado mais perfeito, o fim de todas as correções.

No entanto, para fazer isso, eu tenho que sentir todo o corpo geral. Só então é que posso encontrar meu lugar no que diz respeito a todos os outros pontos, todos os outros pequenos quadrados como o meu, de onde a imagem do Criador é feita. Ela na verdade não existe, mas nós reunimos essa imagem ao reunir nossos desejos corrigidos numa imagem, numa forma que tem volume, e adaptando-nos um ao outro.

Se nós pudéssemos entender que este é o papel e a meta da existência de uma pessoa em nosso mundo, nós realizaríamos todas as nossas ações com uma intenção diferente. Portanto, por um lado, todas as nossas ações teriam um peso totalmente diferente, mas, por outro lado, nós os concentraríamos em alcançar o estado espiritual e eles perderiam seu significado momentâneo e adquiriam um significado eterno.

Nós renunciaríamos ao benefício momentâneo menor em prol de uma causa maior, eterna, e nos comportaríamos de uma maneira totalmente diferente, usando cada momento não para agarrar rapidamente alguma coisa, mas para dar mais um passo em direção ao nosso ponto eterno de conexão com o Criador.

Pergunta: Ao mesmo tempo, conceitos como a minha casa, o meu trabalho, o meu território, e “é necessário passar aos filhos”, desaparecem…

Resposta: Existem leis para tudo isso, as leis da Torá, que explicam cada ação que eu faço: como eu devo lavar, vestir, andar e me comunicar com as pessoas e com os animais, com tudo e todos.

É porque eu tenho que ser compatível não com o que eu quero ou o que eu imagino no momento, mas com o estado eterno perfeito que eu deveria alcançar. Embora eu realmente não saiba disso agora e não veja ou entenda, esta é a razão com pela qual me foram dadas as instruções da Torá, para que eu pudesse avançar no caminho certo que foi pré-determinado, mesmo que eu não entenda as coisas.

É como voar num avião de acordo com o que os instrumentos mostram e não ver nada além disso. Eu me concentro no objetivo de acordo com os instrumentos, em contraste com o que sinto no estado atual, o que significa que nós recebemos dois estados que orientam uma pessoa: um estado temporário e um estado eterno, e eles são considerados como o cumprimento das leis da Torá.

O problema é que eu me torno totalmente dedicado ao estado temporário e acredito que é a parte principal. Eu mergulho nele de cabeça e me perco nele. Ele simplesmente me suga.

A fim de sair, eu preciso de poderes especiais que vêm de cima, que gradualmente me tiram um pouco e me permitem decidir. Eu estou no meio, no ponto de decisão: Será que volto para a terra ou avanço para o céu?

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 13/08/14