Textos na Categoria 'Torá'

Tornando-se Livre Da Dominação Do Ego

A Torá, “Levítico” 25:44 – 25:46: O seu escravo ou escrava a quem você pode ter das nações que estão em seu entorno, a partir deles você pode adquirir um escravo ou uma escrava. E também dos filhos dos moradores que vivem no meio de vós, deles você pode adquirir [escravos] e de suas famílias que estão com você, que foram gerados na vossa terra, e eles tornar-se-ão sua herança. Você deve prendê-los como herança para seus filhos depois de ti, como os bens adquiridos, e pode, assim, tê-los atendendo-o para sempre. Mas, como para os vossos irmãos, os filhos de Israel, um homem não deve fazer trabalhar o seu irmão com rigor.

A Torá nos diz sobre os diferentes estados egoístas a que somos submetidos, um dos quais é a escravização ao nosso ego.

Não devemos perceber o que a Torá nos diz como uma história sobre as relações mútuas entre as pessoas, uma vez que as relações mútuas neste mundo são preenchidas automaticamente de acordo com os nossos atributos naturais. A Torá nos diz apenas sobre os nossos estados internos. [Leia mais →]

Liberdade E Dependência

A Torá, “Levítico” 26: 1 – 26: 2: Vocês não devem fazer ídolos para vós mesmos, nem devem estabelecer uma estátua ou um monumento para vós mesmos. E na vossa terra vocês não podem colocar um pavimento de pedra onde prostrar-vos, pois eu sou o Senhor, vosso Deus. Vocês devem manter os Meus sábados e temer Meu Santuário. Eu sou o Senhor.

Não prostrar-se significa tentar ser o mais independente possível-livre.

Este é um paradoxo, mas a liberdade e independência devem ser formatados sob o slogan, “pois eu sou o Senhor, vosso Deus”, o que implica absoluta falta de liberdade. É nesta absoluta falta de liberdade que eu compreendo que devo ser totalmente livre, o que significa subir acima de mim mesmo, e unir-me com o Criador.

Na verdade, é na unidade com Ele que eu consigo a independência completa. É difícil perceber esse paradoxo devido à sua dualidade, mas existe. Os cientistas que lidam com a física quântica também estão começando a perceber essa dualidade. Embora eles não percebam, teoricamente, eles entendem que isto é assim.

No entanto, como podemos integrar esses dois opostos? É absolutamente impossível. É impossível na percepção unidimensional. Não podemos sequer imaginar o que significa ser livre de acordo com a nossa unidade com a força do Criador. A fim de fazer isso, nós precisamos ter um sistema interno que combina os dois opostos.

Pergunta: Isso significa que eu tenho que estar livre de todos os ídolos e imagens de escultura que eu sigo?

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As Leis Da Natureza Contém Tudo O Que É Bom

laitman_761_2A Torá, “Levítico” 26:3 – 26:4: Se andardes nos meus estatutos, e guardardes os meus mandamentos, e os cumprirdes, eu vos darei as chuvas a seu tempo, e a terra dará a sua colheita, e a árvore do campo dará o seu fruto.

Os mandamentos do Criador são as leis da natureza – tanto as leis da natureza do nosso mundo que parcialmente vemos, entendemos e sabemos, como as leis da natureza superior que está oculta de nós – que se baseiam nos atributos de amor e doação, cooperação mútua e compreensão.

E a debulha durará até a vindima, e a vindima durará até a semeadura; e comereis o vosso pão a fartar, e habitareis seguros na vossa terra. (Levítico 26: 5).

Isso significa que tudo vai voltar ao seu estado normal, não só na nossa vida corporal, quando uma pessoa tem tudo o que precisa, mas também na vida espiritual. Se começarmos a manter as leis da Torá, receberemos uma recompensa no nível que nós as cumpramos, seja no nível espiritual ou corpóreo, ou em ambos os níveis juntos.

O sistema é construído de modo que se normalmente nos incluímos nele e cumprimos o nosso papel, tomando nosso lugar na natureza, toda a natureza opera harmoniosamente, preenchendo cada um de nós com harmonia.

Pergunta: Qual é o significado de: “e comereis o vosso pão a fartar, e habitareis seguros na vossa terra”?

Resposta: Refere-se aos dois níveis. Um nível é o nosso nível humano, que sentimos a fim de nos trazer e nos adaptar para o segundo nível, o nível espiritual. Pão é a personificação do atributo de Hassadim (doação, Bina). “E comereis o vosso pão a fartar” significa se conectar a Bina e alcançar plenamente esse atributo. A palavra “terra” deriva da palavra “desejo” (Ratzon). “E habitareis seguros na vossa terra”, significa que temos que cumprir todas as condições em nosso desejo, e, assim, todos os desejos serão satisfeitos.

A Torá descreve a estrutura do sistema que opera e nos influencia, chamado sistema dos mundos espirituais: Adam Kadmon, Atzilut, Beria, Yetzira e Assia. Nós avançamos neste sistema, e a nossa cooperação mútua com ele só é possível quando estamos conectados mutuamente de uma maneira correta, harmoniosa, complementando um ao outro e criando uma esfera plena com toda a humanidade dentro dela.

Se mantemos esta condição, nos encontramos em total harmonia com o sistema externo como resultado de nossos desejos comuns (desejo = terra), e tudo o que é bom nos preenche. Nós sentimos este sistema de uma maneira perfeitamente precisa, e ele nos sente da mesma maneira, e, portanto, nós trabalhamos juntos.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 12/11/14

Nunca Interfiram Com As Leis Da Natureza

laitman_764_3Pergunta: Como nos relacionamos com as intimidações poderosas e em vários níveis que são abundantes na Torá, como “Se você não vai seguir as Minhas leis… etc.”?

Resposta: A Torá nunca intimida ninguém. É uma instrução claramente escrita, e como qualquer outra ela explica o que e em que ordem as coisas devem ser feitas.

Eu me lembro uma vez em que profissionais mostraram uma especificação técnica a um cientista. Ele olhou-a e disse: “Se vocês seguirem essa instrução, terão um acordeão, em vez de um submarino”. Todos ficaram perplexos, entreolharam-se e, silenciosamente, se afastaram do cientista. Mais tarde, as coisas acabaram acontecendo como o cientista previu. Em outras palavras, conhecer as leis significa: “Se agirmos de certa maneira vamos obter certos resultados…”.

Comentário: Você quer dizer que semelhante a esses “profissionais”, toda a humanidade não ouve “o cientista”? Nós somos advertidos: “Não invertam os rios. Isso vai arruinar a ecologia!”. No entanto, nós ainda fazemos o que queremos.

Resposta: Sim, você está certo. Foi um projeto comunista. O mundo estava com medo de que eles realmente invertessem o fluxo dos rios. Não há nada que você possa fazer com um país incontrolável que, de repente, estava preocupado com uma ideia maluca. Se eles tivessem implementando esse plano, isso teria mudado a ecologia mundo e transformado a Terra num planeta sem vida. A água e a vida desapareceriam da face da Terra.

Felizmente esses projetos grandiosos são rapidamente esquecidos. É incrível que eles tenham considerado esse plano em primeiro lugar. A humanidade deve escolher um caminho diferente de avanço. Há outras maneiras de conseguir uma maior colheita.

Quando eu estava em Krasnoyarsk, alguém me perguntou: “Será que é possível com a ajuda da Cabalá corrigir o que aconteceu após a estação hidrelétrica de Krasnoyarsk ter sido construída?” Os moradores nos disseram que após a construção da barragem os peixes pararam de desovar. Tudo em torno da construção morreu; as coisas não são como costumavam ser. Nós nunca devemos interferir com as leis da natureza.

De KabTV “Uma Nova Vida” 12/11/14

Sob A Autoridade Do Superior

laitman_624_05_0A Torá, “Levítico” 25:51: Se ainda faltarem muitos anos, conforme a eles restituirá, para seu resgate, parte do dinheiro pelo qual foi vendido.

Eu posso entrar num acordo com o meu proprietário e gradualmente “comprar-me”. Ele vai me deixar ir sob a condição de que, para cada ano de liberdade, eu lhe retribua a quantidade de prata que é igual à soma que ele pagou para me comprar. Em outras palavras, eu vou devolver “a tela” para o meu dono. “Prata” em hebraico é “kesaf“, que deriva da palavra “kisuf“, que significa “uma cobertura, uma tela”.

Pergunta: Se tudo o que a Torá fala acontece dentro de nós, o que significa o meu irmão que eu posso vender?

Resposta: Existe uma condição: aproxime-se de mim e eu lhe pagarei. Em outras palavras, eu posso ir a uma loja e tomar o que preciso, mesmo que eu não tenha dinheiro. No entanto, o meu nome será adicionado ao livro da dívida. Eu poderei tomar infinitamente, desde que eu use tudo o que tomo da “loja” para melhorar a minha elevação espiritual. Mais uma vez, eu posso tomar da loja espiritual tudo o que quero. A principal condição é que eu devo usar corretamente o que quer que eu tome de lá.

Assim que eu começo a usar de forma errada as coisas que tomo da “loja”, as coisas que recebo e mantenho são consideradas minha dívida e estão registradas numa categoria especial. No Dia do Juízo, é feito um cálculo: o quanto eu recebi e quanto devolvi.

No meu caminho espiritual, eu sempre devo usar essa oportunidade para o meu avanço. É por isso que a Torá diz que se um proprietário comprou um escravo, este último pode ser libertado sob a condição de que eles cheguem a um acordo de que o escravo gradualmente, dia após dia, mês após mês, ano após ano, devolva o preço pelo qual ele foi comprado.

Isso significa que a pessoa deve se agarrar ao Partzuf superior e este último irá alimentá-la. A pessoa fica sob a tela do Superior. Ela trabalha com a Luz Superior, e ao anular seu egoísmo ela trabalha em conjunto com o Partzuf superior como um feto ou como um Partzuf menor.

Ela só pode sair da influência do Superior se ela lhe “paga”. No entanto, há um problema aqui: Quem vai cuidar dela? Será que ela deve sair da autoridade do Partzuf superior? Ela ainda é muito pequena. Isso significa que seus parentes devem ter a sua guarda e que ela tem que fazer a transição de uma governança para outra. Este tipo de transição é chamado de “uma mudança” de uma fonte para outra. É como se você estivesse se movendo de um país para outro que tem um sistema totalmente diferente de governança.

Isso não é fácil, já que a pessoa altera os meios de sua elevação espiritual com a ajuda dos quais ela se eleva.

Pergunta: Que tipo de desejo joga este jogo conosco?

Resposta: O desejo de ser independente e de usar a nós mesmos de forma otimizada em cada momento dado de nosso avanço. Sair da autoridade do proprietário de outra pessoa e encontrar o nosso próprio proprietário é um grande passo em frente.

A fim de compreender quem é o “proprietário de outra pessoa em nós”, nós temos que conhecer a lei da relação inversa entre desejos e luzes. Assim, ser ao máximo independente do proprietário de outra pessoa significa que eu faço um grande trabalho que é igual, digamos, à força multiplicada pela distância. Quanto maior a distância entre nós, mais esforço eu aplico, obtendo assim uma tela maior e atraindo mais Luz.

Cada um que lê essa passagem deve interpretá-la em sua língua interna e começar lentamente a “moer” e limpar a si mesmo.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 19/11/14

Servos Do Seu Próprio Livre Arbítrio

Dr. Michael LaitmanA Torá, “Levítico”, 25:39 – 25:41: Quando também teu irmão empobrecer, estando ele contigo, e vender-se a ti, não o farás servir como escravo. Como diarista, como peregrino estará contigo, até o ano do jubileu te servirá. Então, sairá do teu serviço, ele e seus filhos com ele, e tornará à sua família e à propriedade de seus pais.

Se eu tenho desejos que não estão prontos para existir separadamente, devo mantê-los comigo e com toda a seriedade, “fazer com que caminhem com suas próprias pernas”. Depois de terminar todo o trabalho em todo o aglomerado de desejos, eles se separam e se afastam de mim de forma independente e continuam a sua existência independente.

Nós estamos sempre falando de desejos e não de corpos. Isso se refere a um esquema no qual um imenso desejo explodiu em 600000 partes que devem ser reconectadas umas com as outras para se transformar novamente num todo geral, embora o egoísmo e a rejeição mútua estejam queimando dentro deles. Tudo isso permanece, mas é coberto e neutralizado pelo amor.

Segue-se que este enorme ego e o enorme amor, que foi criado entre eles graças ao ego, permanecem e reúnem intensidade, realização interior, e unidade interna com o Criador. Portanto, todos os problemas só são necessários para revelar de forma mais óbvia o estado de nossa união com o Criador. Tudo gira em torno disso; não há mais nada.

Os servos são os desejos que não podem ser independentes, de modo que parecem ter sido vendidos como escravos. Ou seja, eu concordo que preciso, como uma criança pequena, ser governado por alguém grande, porque há mal em mim e eu quero alguém mais maduro do que eu para me controlar, senão vou continuar num mau caminho. Então, eu concordo com isso voluntariamente.

A pessoa que não pode servir e cuidar de seu ego por si mesma é subordinada a outra pessoa (um ego maior), e se estiver aderida a ela, está pronta para trabalhar com ela por o seu ego, porque, neste caso, aquele que é maior protegerá e cuidará dela. É como uma criança que compensa seus pais, dando-lhes prazer. É assim que a natureza nos criou. Eu dou ao meus pais prazer e em troca eles cuidam de mim. E se a natureza não tivesse me criado de tal forma que apenas com a minha existência eu desse prazer a meus pais, eles não se preocupariam em me cuidar. Portanto, o servo dá prazer ao seu dono e está pronto para trabalhar por ele. E o mestre assume a responsabilidade por ele, por sua vida e a satisfação de suas necessidades.

Em nosso mundo, nós entendemos errado a escravidão. A escravidão é um estado onde a pessoa entra por seu próprio livre arbítrio. Enquanto eu quiser ser um servo, eu continuarei a ser um servo. E se eu provar que quero ser libertado dos grilhões da servidão, isso vai acontecer imediatamente. Nós vemos isso no exemplo do Êxodo do Egito, que representa a servidão egoísta. Se você quiser abandonar o ego, então, por favor, tudo o que resta é mostrar aos seus desejos: para que você está pronto.

Eu estou pronto para viver de forma independente, sem o ego, e obter satisfação e comida para mim, para trabalhar no desenvolvimento deste processo? Eu entendo que isso não é em prol do ego, mas e prol do Criador? Como isto deve ser realizado? Se eu provo tudo isso, então, o caminho está aberto.

Pergunta: Mas, de um ponto de vista espiritual, um servo quer ter um mestre, pois isso é doce para ele, é uma boa situação. Por que ele deveria abandonar isso?

Resposta: A propósito, assim que aconteceu. A escravidão não era submissão e subjugação! Mas eu tenho que mostrar que amadureci, que quero e posso cuidar de mim e minha família. Eu já não tenho a necessidade de um mestre que me governe; eu estou pronto para me controlar. E o ego que me controla, sussurra-me: “Para que você quer isso, por quê? Viva com conforto!”

Nós vemos que sete bilhões de pessoas querem ser escravas. Não há ninguém que queira se tornar independente no lugar do Criador, ou seja, se preocupar com todos. Ninguém quer isso! Todo mundo quer a prosperidade material convencional, rodando entre eles, ajudando uns aos outros dentro de seu pequeno círculo fechado. Este é o seu pequeno mundo, e o que está fora dele não lhes interessa. Afinal, em um pequeno círculo, eu me sinto todos como eu. Enquanto que, num grande círculo, eu preciso saie dos limites do meu eu. Segue-se que a sociedade ainda não está suficientemente desenvolvida.

Eu só sinto parceria com alguém que é igual a mim e não me envergonho disso. A principal coisa é que eu vou ser como ele e ele vai ser como eu. Nós aspiramos a isso e prestamos muita atenção nisso. Todo o objetivo de nossa existência é alimentar a nossa besta (o corpo físico), e levar a pessoa a um estado de absoluta igualdade com todos. Isso cria uma situação muito interessante, um comunismo natural, onde existem pessoas de acordo com as leis da natureza, satisfeitos apenas com as necessidades mínimas de existência.

Suponha que eu plantei cenoura, repolho e batata no meu jardim. Para o inverno, eu tenho cinco sacos de batatas, dois sacos de repolho e não preciso de mais nada. Por que eu deveria trabalhar mais e trabalhar para outra pessoa? Seria pelo modo como os vizinhos olharão para isso?! Por que, de repente, eu deveria derrubar os limites do meu círculo? É assim que vivemos.

Comentário: É incrível, mas 70% – 80% das pessoas realmente não querem nem expandir seu lote de terra, porque o que elas têm é suficiente para elas.

Resposta: E este é um comunismo natural que se revela no nível animal. Afinal, os animais na florestal procuram sua comida para aquele dia, e no dia seguinte eles procuram outra coisa. Enquanto que, entre as pessoas, isso é revelado um pouco diferente. Elas sabem de antemão o mínimo que precisam para viver.

É possível superar esse estado? Deve-se tentar fazê-lo com a ajuda da sabedoria da Cabalá, que começa a desenvolver os desejos não no sentido negativo, no sentido do ego, mas no sentido positivo, no sentido do altruísmo. Componentes igualmente altruístas e egoístas vão crescer nas pessoas. É assim que elas gradualmente crescem.

Comentário: É interessante que os sociólogos têm tentado despertar as pessoas, convidando-as a desenvolver um negócio, e percebendo que não podem motivá-las a fazer isso.

Resposta: Negócios para pessoas como essas simboliza sair do seu equilíbrio normal. Elas sentem que estão na situação certa que é boa para elas; elas não precisam de mais nada. Elas têm algo para vestir, o que comer, e isso é o suficiente. E se algo está quebrado em algum lugar, elas vão fazer um pequeno concerto, colocar algum tipo de placa e é assim que vão continuar a viver. Como é dito num provérbio russo: “Um camponês não vai atormentar-se antes de começar a trovejar”. Somente uma necessidade urgente irá forçá-lo a fazer alguma coisa.

A sabedoria da Cabalá fala precisamente deste nível, mas não de uma forma tão anarquista, quando a pessoa é completamente irrelevante. Ela explica que o próximo estado corrido da humanidade é a preocupação consigo e com os outros. Mas isso é apenas num nível de existência necessário para a vida; tudo o resto é dirigido para o desenvolvimento espiritual.

Portanto, se os Cabalistas chegam a essas pessoas e trabalham em seu desenvolvimento interior, sem tirá-las da mesma boa situação em que estão, a alma começará a ser desenvolvida nelas. Se uma pessoa trabalha para si mesma, acreditando que não tem mais nada, ela vai continuar a trabalhar para si mesma, e os Cabalistas irão desenvolver a sua alma, acrescentando o egoísmo espiritual, não físico.

Pergunta: É possível chamar a presente existência dessas pessoas de escravidão?

Resposta: Não, pois essas pessoas têm uma sensação de liberdade. Eu cuido de mim, eu ajudo meu próximo porque ele vai me ajudar, por sua vez. Nós dependemos uns dos outros. Nós somos como uma família. Eu não penso em nada além disso. Portanto, eu sou livre!

Pergunta: E se adicionarmos um componente espiritual a isso, é possível expandir o círculo gradualmente?

Resposta: Não. Não é necessário expandir o círculo, mas apenas aumentar a conexão entre as pessoas. Afinal de contas, as pessoas vivem para se sentir bem em si mesmas e apreciar uma a outro. Mas, na verdade, é especificamente os Cabalistas que criam esse componente de prazer entre elas.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 12/11/14

O Desejo Superior, “Moisés”

laitman_740_03Quando, de todas as pessoas, o Criador chamou apenas Moisés e ninguém mais, isso significava: “Moisés, eu sei que você está chateado que lhe foi negada a oportunidade, como todos os outros, de contribuir com a construção do Tabernáculo da Aliança.

“Mas você deve saber que você tem uma outra tarefa, mais importante do que a deles. O trabalho deles está terminado; o seu trabalho está apenas começando agora. Exorto-lhe no Tabernáculo para lhe dar as instruções sobre os sacrifícios que você explica, e depois passá-las às pessoas. Seu ensino da Torá ao povo vale mais para mim do que as suas oferendas de ouro e prata”. [“O Grande Comentário”]

Isso se refere ao trabalho num nível mais elevado de realização. Suponha que uma pessoa construa sua casa e depois da construção do edifício, há o trabalho de acabamento e mobília da casa. A construção do edifício é uma tarefa fácil, que é geralmente realizada por trabalhadores da construção civil. E dentro da casa, uma ordem superior de trabalho é feita.

O mesmo ocorre com o trabalho espiritual; tudo depende do nível do desejo de receber: 0, 1, 2, 3 e 4. O trabalho de “Moisés” é o trabalho mais elevado do último nível que nós dividimos em muitos subníveis diferentes: Cohen, Levitas, etc.; tudo o que a pessoa faz com a ajuda de seu desejo superior é chamado de “Moisés”. Os desejos num nível inferior, constroem o tabernáculo. Num nível ainda mais inferior, os que se encontram ao redor do tabernáculo estão fazendo um trabalho em torno dele, e assim por diante. Assim, cada nível espiritual é completamente diferente em relação aos outros níveis.

Quando uma pessoa realiza ações espirituais em vários níveis, cada vez ela tem um novo entendimento. Por exemplo, o mundo de Assia (o nível mais baixo) é o nível da ação. O próximo mundo é o mundo de Yetzira, que é criar. O mundo de Beria se encontra num nível da criação em que a pessoa se torna parceira da força superior. Atzilut é o mundo das intenções. A pessoa que está envolvida em seu trabalho geral sobe gradualmente até a escada dos mundos e passa por todos os quatro níveis de trabalho, e seu nível mais elevado é o nível de “Moisés”.

Pergunta: Será que faz sentido que agora, quando o tabernáculo está pronto, é necessário começar a purificá-lo? Em outras palavras, quando Moisés purifica o tabernáculo, ele traz sacrifícios?

Resposta: Não, depois que tudo estiver pronto, o trabalho com o Kli preparado começa.

Isso ocorre porque o tabernáculo, o pátio, e tudo o que se encontra no tabernáculo, incluindo as decorações, não são partes físicas, mas partes da alma da pessoa. Eles já foram corrigidos e são compatíveis uns com os outros; os sentimentos e a intenção da pessoa estão num relacionamento especial e todos os seus desejos e pensamentos são direcionados para doar aos outros e através dos outros ao Criador, como se diz, “Do amor das pessoas ao amor do Criador”. Caso contrário, o amor aos outros (ao próximo) não vai trazer qualquer benefício e não atingiremos a meta, porque o outro é o Criador. De qualquer forma, nós devemos manter essa disposição o tempo todo, do amor aos outros (ao próximo) ao amor do Criador.

Portanto, nós temos que conectar toda a equação de modo que ela possa ser descoberta dentro da pessoa, ou seja, todas as emoções, os pensamentos, as relações com o ambiente, o grupo, as pessoas, num grupo pequeno ou grande de pessoas. Esta é a alma da pessoa.

Em nosso mundo, esta fórmula é realizada entre as pessoas. Mas quando uma pessoa começa a trabalhar com ela, começa a sentir não as pessoas, mas seus pensamentos e desejos interiores. E se ela se conecta com elas, apesar do seu ego, sente que tem uma resistência, chamada “inclinação ao mal”. Se ela a corrige, começa a sentir o Criador dentro dela. Assim, é dito que o morador se encontra dentro do tabernáculo.

Pergunta: O que significa que o Criador se volta a Moisés com relação ao trabalho mais importante, que é explicar as leis de sacrifício ao povo?

Resposta: Moisés é essa parte da nossa alma que está em contato com o Criador. Através dela nós recebemos todos os comandos, descobertas e esclarecimentos, tudo o que é necessário para nós nos assemelharmos ao Criador e ascendermos ao nível de doação e amor, ao nível de “Adão”, o nível da “Árvore do Conhecimento”.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 13/11/13

Ao Pé Da Montanha

Dr. Michael LaitmanA porção semanal da Torá BaHar (Sobre a Montanha) nos fala sobre as leis que o Criador deu à nação através de Moisés. Estas são as leis que uma pessoa tem que cumprir dentro dela. Há uma montanha de egoísmo em cada um de nós, que é a mesma Torre de Babel, mas que agora é retratada a nós como o Monte Sinai (Sina – ódio).

A força superior está acima de seu cume e nos ajuda a satisfazer o ego e transformá-lo numa montanha sagrada, no Monte do Templo. Então nós construímos o Templo em cima dele, o Criador é revelado no vaso acima do nosso ego.

Se ficarmos ao pé da montanha e estivermos prontos para amar um ao outro, ser mutuamente responsáveis um pelo outro e ser como um homem em um só coração, recebemos a Luz da correção, chamada de Torá, e podemos transformar toda a montanha de ódio numa montanha de amor. É somente em cima dela que podemos construir a casa do Senhor.

Durante a entrega da Torá, apenas Moisés pôde subir o Monte Sinai. Então ele perde completamente sua santidade, pois o Monte Sinai é sagrado somente quando a pessoa recebe a Torá. Caso contrário, é apenas uma pilha de egoísmo. É por isso que a Torá nos diz alegoricamente como transformar a montanha de ódio numa montanha onde construímos o Templo.

De Kab TV “Segredos do Livro Eterno”12/11/14

Conexão Fraternal

laitman_943A Torá, “Levítico” 25:35 – 25:36: Se o teu irmão empobrecer e não puder sustentar-se, ajudem-no como se faz ao estrangeiro e ao residente temporário, para que possa continuar a viver entre vocês. Não cobrem dele juro algum, mas temam o seu Deus, para que o seu próximo continue a viver entre vocês.

Entre todos os desejos que foram quebrados após a quebra da alma comum e que agora tem que se reconectar, existe um sistema de remontagem. As relações mais próximas entre os desejos quebrados são chamadas de “a conexão fraternal”.

“Um irmão” significa qualquer estado intimamente relacionado que está associado conosco dentro do sistema que existe entre as almas, com as quais interagimos a fim de produzir ações comuns.

Além disso, a noção de um irmão tem uma raiz que significa “todos nós nos elevamos a um Pai”; assim, todos nós somos irmãos. Ao subir um degrau, aparece entre nós uma intensidade diferente de proximidade e interdependência mútua. Mais tarde, todos nós nos fundimos e nos tornamos um todo.

Um “escravo”, um “recém-chegado” (um estranho, um convertido) e “outras nações” significam vários estados da alma que têm que alcançar a unidade quando não há mais “irmãos, pais ou filhos”. Em vez disso, todo mundo vai ser um todo inseparável.

Nossas relações se tornarão permanentes. Elas não estarão sujeitas a mudanças porque todos vão sofrer o processo de correção e alcançarão a perfeição completa.

Por enquanto, a separação e o desprendimento ainda existem entre nós. Nós precisamos nos redirecionar da interioridade para tipos externos de conexões porque é mais fácil corrigir ligações internas do que impactar as externas. Nós devemos sempre progredir de estados mais fáceis para os mais difíceis no processo de correção.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 12/11/14

Anulando As Fronteiras Dentro De Mim

laitman_627_1A Torá, “Levítico”, 25:30: Se não for resgatada antes de se completar um ano, a casa da cidade murada pertencerá definitivamente ao comprador e aos seus descendentes; não será devolvida no Jubileu.

No trabalho espiritual existem leis de tal forma que, se eu não corrigir totalmente as minhas características (49 = 7 x 7 características, 49 anos), então, no 50o ano elas são todas renovadas e eu vou começar a trabalhar novamente. É interessante que, de acordo com as leis da Torá, é proibido vender ou comprar qualquer coisa por mais de 49 anos. Eu posso comprar uma casa, campo ou campo arado para uso temporário, e depois isso vai voltar para o proprietário de qualquer maneira. Isto significa que a pessoa que possui terra (Eretz) deve corrigir esse desejo (Ratzon) por si mesma e se ela o “transmite”, o que significa que ela usa outras características para a sua correção, este é apenas um estado temporário.

Assim, em nosso mundo, essas leis estão mostrando uma forma muito interessante, pois em última análise tudo volta ao seu estado anterior e o proprietário continua a ser o proprietário. Quando cada tribo entrou na terra de Israel, eles receberam a sua herança; todas as seções foram claramente indicadas e ninguém tinha o direito de alterar os limites. Além disso, ninguém tinha o direito de se casar com alguém de outra tribo.

Mas nós devemos entender que a Torá não está falando de casas, ovelhas ou escravos, mas de leis espirituais. Se o povo de Israel começar a usar essas leis internamente, quando eles voltarem para a terra de Israel eles também manifestarão essas leis em sua forma exterior.

Pergunta: Na Torá é dito que se você vender uma casa, depois de certo período você pode comprá-la de volta. Qual a necessidade da compra e venda?

Resposta: No final do desenvolvimento todos devem realizar um desejo comumente compartilhado; O Criador irá revelar este desejo sob a forma de uma corrente de desejos, um dentro do outro, e as conexões entre eles.

Portanto, nós precisamos casar, ter filhos, estar em relações de compra e venda entre nós, ter conexões familiares, etc. Isso significa que as conexões devem preencher toda a sociedade humana com um grande número de conexões, de modo que todas as nossas características de doação ao outro serão realizadas, e através disso o poder único e singular, o Criador, será revelado.

Comentário: Isto é, tudo o que acontece dentro de mim, a compra e venda, o fluxo de desejo para outro, isso é o que estamos vendo agora no mundo…

Resposta: Hoje nós realmente alcançamos isso, porque nenhuma nação e nenhum indivíduo pode se dar bem sem usar o mundo inteiro. Se tomarmos cada um de nós e vermos como ele se veste, o que ele usa em sua casa, no trabalho, na rua, vemos que estamos totalmente conectados com o mundo inteiro! Este é o resultado da mistura dos desejos dentro de uma pessoa.

Assim, nós chamamos o nosso mundo de global, integral. Nós estamos caminhando para um estado onde o mundo vai existir sem fronteiras, sem governos. Porque, se eu dependo de todos os outros, o que o governo pode me dar? Eu já não dependo dele. Os governos começarão a se esgotar e desaparecer.

Em última análise, os relacionamentos humanos plenos e mutuamente dependentes irão abranger o mundo inteiro, e nós precisamos descobrir isso aqui num aspecto que não é tão bom, porque as relações que existem entre nós agora são totalmente egoístas. Se o sistema está mutuamente conectado, ele deve ser recíproco, e, por enquanto, não temos reciprocidade.

Segue-se que, por um lado, nós estamos sob rigorosas condições egoístas, mas, por outro lado, a mesma força que nos governa, e que já nos tem atraído a avançar até ela, é totalmente altruísta. Essas são duas forças opostas e aqui nós precisamos produzir dentro de nós um enorme número de correções.

Nós vamos alcançar isso. Por um lado, seremos obrigados a anular as fronteiras, e, por outro lado, veremos que é impossível fazer isso. Desta forma, nós entendemos que a ideia não se refere às fronteiras; pelo contrário, se refere a nós mesmos. Nós temos que mudar a nós mesmos, anular as fronteiras dentro de nós, o que significa que temos que aniquilar a distância entre eu e os outros. Será claro para nós que não podemos fazer isso por nós mesmos. Vamos precisar do Criador.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 08/10/14