Textos na Categoria 'Novas Publicações'

Ynet: “Quem Está Por Trás Da Revolução Do Mundo A Se Desenvolver?”


Da minha coluna no Ynet: “Quem Está Por Trás Da Revolução Do Mundo A Se Desenvolver?”

A cadeia mundial de ataques terroristas, o despertar do extremismo islâmico, o declínio da União Europeia, e o aprofundamento da polarização entre os setores e comunidades estão revelando que o mundo está se desintegrando. Quanto mais cedo nos tornamos conscientes deste desenvolvimento, mais cedo estaremos prontos para a mudança, evitando desastres.

Para iniciar uma revolução social eficaz, precisamos apenas de uma coisa: o desejo de mudar instantaneamente as interações sociais insuportáveis.

Para a maior parte, essa mudança é resultado de uma demanda por um determinado grupo social que atrai as massas a um objetivo claramente definido, mas nem todos os esforços geram necessariamente uma revolução real. Quando ocorre isso? Só depois que novas relações são criadas, as quais provocam uma reorganização da estrutura social e das suas instituições. Quando esta mudança se torna permanente, é possível dizer que uma revolução ocorreu. Na verdade, ao longo da história, é assim que a maioria das grandes revoluções no mundo começou: a Revolução Americana, a Revolução Francesa, a Revolução Bolchevique, as revoluções da “Primavera Popular” na Europa, e a onda de revoluções da “Primavera Árabe” no Oriente Médio.

A questão é: como devemos responder na situação oposta, quando revoluções, revoltas, e crises irrompem, mudando a face da sociedade humana, e pela primeira vez não temos capacidade de controlar o que está acontecendo? O resultado já apareceu diante de nossos olhos. O mundo está se desintegrando e a humanidade está afundando em confusão.

Uma Chamada De Despertar Global

Dia após dia, o mundo fica ao mesmo tempo surpreso e consternado com os acontecimentos dramáticos no sistema internacional, em particular pelas turbulências extremas nas nações desenvolvidas: os terríveis ataques terroristas na Europa que estão incentivando um aumento acentuado no nacionalismo de direita, o “Brexit” que sinaliza o fim iminente da UE, o aprofundamento dos expurgos após a tentativa de golpe na Turquia, ondas de imigrantes muçulmanos que vagueiam entre os continentes, e a campanha eleitoral nos Estados Unidos que se deteriorou a níveis muito baixos. A instabilidade global gerou o caos, a relação esperada entre causa e efeito simplesmente não existe, e na medida em que o ritmo dos acontecimentos estranhos continua a crescer, é difícil, se não impossível, tomar decisões.

Apesar da tecnologia avançada e dos sofisticados meios de comunicação, é impossível prever um resultado desde o início, estabelecer programas governamentais, planejar estratégias de longo prazo, elaborar orçamento e gerenciar. A apreensão com a erupção de uma terceira guerra mundial toma conta de muitos e está crescendo à luz das experiências passadas que se acumularam e comprovaram que mesmo alianças, acordos e tratados de segurança podem ser violados em um momento crucial. De incidente em incidente, a falta de controle torna-se clara para todos os políticos tomadores de decisão, desde os principais líderes, consultores e gerentes, aos funcionários mais subalternos. É claro para todos que liderar no século XXI é gerir o mundo inteiro.

Da Linearidade ao Global, Do “Eu” para “Nós”

Ao analisar os processos que conduzem à atual crise global, devemos considerar um outro jogador que entrou em campo: uma rede global e integral de comunicações está gradualmente começando a transformar cada elemento da sociedade, onde cada um se torna parte inseparável do todo, assim como os órgãos do corpo humano. Esse não é um processo familiar de globalização que existe para ser usado para criar uma cooperação internacional de empresas; mas em um nível mais profundo de relações entre nós. O desejo comum estava oculto de nossos sentidos e agora está ficando claro como uma rede estável e unificada de apoio mútuo.

Em uma estrutura tão harmoniosa, as leis de conduta trabalham de forma diferente: ninguém é mais ou menos importante do que outros, nenhuma nação é mais ou menos importante do que outras. Todos consideram a todos e de forma igual, em uma preocupação resultante da comunhão entre nós. O rabino Yehuda Ashlag (Baal HaSulam) escreve na Introdução ao Livro do Zohar: “Na verdade, quando todos os seres humanos concordarem em abolir e erradicar o seu desejo de receber para si mesmos, e não tiverem nenhum outro desejo além de doar a seus amigos, todas as preocupações e perigos no mundo vão deixar de existir, e todos vão ter a certeza de uma vida plena e saudável, uma vez que cada um de nós terá o mundo todo se preocupando conosco, pronto para preencher nossas necessidades. No entanto, enquanto cada um de nós tem apenas um desejo de receber para si mesmo, essa é a fonte de todas as preocupações, sofrimentos, guerras e massacres dos quais não podemos escapar”.

Enquanto continuarmos a nos agarrar à nossa percepção egoísta natural e falharmos em nos adaptar à nova realidade global, a dissonância vai continuar a crescer. Como resultado, há uma elevada volatilidade, as crises nos atacam uma após a outra, e a única esperança que nos resta é a visão dos líderes mundiais que se encontram impotentes, e não podem prever os desenvolvimentos e tomar uma ação preventiva.

Como Se Comportar em um Mundo Conectado?

Nós devemos parar de enterrar a cabeça na areia. A ordem mudou, e é impossível deter ou negar a nova realidade e a futilidade do sistema atual. Se no passado, sentíamos um desejo natural e interno por mudança, e a força da revolução trazia a transformação da sociedade humana, hoje o mundo está nos empurrando para um canto e nos pressionando a mudar e a construir novas relações: entre pessoa e pessoa, entre marido e mulher, entre pais e filhos, entre empregado e empregador, entre banqueiros e industriais, e entre os políticos e os cidadãos.

As ondas de crises que nos afetaram nos últimos anos e se intensificaram nos últimos meses são apenas um reflexo das relações egoístas entre nós. Elas são uma expressão das ligações quebradas na rede de conexões entre nós, que temos que corrigir. É por isso que o comunismo falhou, o sonho americano quebrou e a União Europeia desmorona. Todo o sistema – incluindo sistemas socioeconômicos – que já floresceu ou despareceu é resultado direto das relações entre nós.

O ponto da virada da humanidade depende de uma revolução radical sem precedentes, mas a revolução é conceitual, material e espiritual, suficiente para causar uma revolução no coração de cada pessoa. Em vez da preocupação para com a gente mesmo, precisamos estar preocupados com os outros: em vez de “Eu”, “Nós”!

A Tendência à Unidade Global

“Eu estou contente por ter nascido em tal geração em que é permitido divulgar a sabedoria da verdade. …. Nós a consideramos como dependente não da grandeza do sábio, mas do estado da geração” (Baal HaSulam, O Ensino da Cabalá e sua Essência).

Nossa geração individualista é obrigada a começar a andar no caminho da unidade e apoio mútuo. Só então estaremos adaptados à rede global de conexão que está sendo revelada. Para evitar passar por cima da beira do abismo, devemos prestar atenção nos sinais de alerta que aparecem no caminho, nos levando a desenvolver a sensibilidade pelo outro e a se conectar uns com os outros de forma madura e responsável.

A sabedoria da conexão, ou seja, a Cabalá, é a resposta precisa ao aprofundamento constante da separação entre nós. Este é o método que tem a capacidade de desenvolver em nós a necessidade da responsabilidade mútua e alcance mútuo. Rav Kook escreve em louvor a essa sabedoria: “Precisamente em um momento de grande perigo e crise devemos tirar o melhor da cura” (Cartas, Volume 2). Quanto mais cedo, melhor será para nós abrir os livros de Cabalá para aprender a construir as relações corretas entre nós, de modo que vamos agir de acordo com as leis da natureza, que sempre aspiram à harmonia e equilíbrio. Então, vamos saber quais sistemas de vida são essenciais para a nossa existência e como construí-los para tornar nossa vida melhor.

Do artigo no Ynet 8/2/16

Ynet: “Como Aproveitar O Melhor Dos Dois Mundos?”


De minha coluna no Ynet: “Como Aproveitar O Melhor Dos Dois Mundos?”

Parece que precisamente agora, quando temos tudo e em abundância, as crises simplesmente aumentam. É assim que o ambiente está nos dizendo: “Pessoal, chegou a hora de crescer!” O Rav Michael Laitman explica como devemos lidar com as leis globais da natureza e agir de acordo com elas no dia a dia.

Havia um grande rei que teve um filho na velhice, e gostava muito dele. Assim, desde o dia em que o filho nasceu, o rei só pensava em coisas boas para ele. Ele recolheu os livros mais finos, mais sábios e preciosos no reino e construiu-lhe uma escola. Ele enviou os melhores construtores e construiu palácios de prazer. Ele reuniu todos os músicos e cantores e construiu-lhe salas de concerto, e chamou os melhores padeiros e chefs para prover-lhe todas as iguarias do mundo.

Mas, infelizmente, o filho cresceu para ser um tolo, sem nenhum desejo por educação. Ele era cego e não podia ver ou sentir a beleza dos edifícios. Era surdo, incapaz de ouvir os poemas e a música. Era doente, podendo comer apenas pão de farinha grossa. (Os Escritos do Baal HaSulam – “A Essência da Religião e seu Propósito”).

No início do século XXI, a sociedade humana vive nas melhores condições desde o desenvolvimento da humanidade na Terra. Como o filho do rei, nós temos tudo que precisamos para viver bem, em paz e com confiança: alimento abundante, medicina avançada, indústria desenvolvida, agricultura, comércio internacional, uma rede de transporte em todo o mundo, Internet disponível, etc.! Apesar de todos os imensos benefícios e todas as melhorias feitas, ainda continuamos a absorver golpes e a suportar sucessivas crises. Quando haverá um fim para o sofrimento? Quando vamos crescer ….

Uma Nova Vida Está Surgindo

Quando um novo bebê nasce, é totalmente envolto em calor e amor. Seus pais cuidam dele fiel e conscienciosamente e fornecem tudo que é necessário para o bom desenvolvimento: um teto sobre sua cabeça, alimentos, roupas e brinquedos. Mesmo que a criança cresça, eles não param de estar preocupados com ela por um instante, e a vigiam até que ela seja capaz de sobreviver por conta própria. Eles continuam a cuidar dela, brincar com ela e apoiá-la até que suas emoções amadureçam e as conexões corretas em seu cérebro sejam criadas que a ajudam a reagir corretamente à realidade que o rodeia.

A adolescência, a transição entre a infância e a juventude, é um período problemático. O jovem tenta imitar os adultos à sua volta e faz de tudo para ser como eles em seu comportamento externo, enquanto ainda mantém a mesma “criança pequena” dentro dele que tenta se sacudir sendo investida e assumindo responsabilidade, exigindo que eles continuem a cuidar dele e a mimá-lo tanto quanto possível. Mas a vida é mais forte e rígida – viver requer trabalho, criar uma família requer ser um provedor, trazer filhos ao mundo requer o desenvolvimento da devoção. A pessoa pode optar por continuar a desfrutar de jogos e experiências emocionantes, mas como a maioria de nós já experimentou na própria carne, o ambiente vai nos empurrar com força suficiente para nos motivar a se levantar do lar confortável, assumir a responsabilidade, e se preocupar com nossas próprias necessidades.

A Idade da Maturidade da Humanidade

Hoje a humanidade está se desenvolvendo como um adolescente. Por milhares de anos a natureza se ajustou a nós e preparou um ambiente confortável para o nosso desenvolvimento. Agora a tarefa está concluída. O mundo tornou-se global e a interdependência entre nós atingiu o ápice. Nós crescemos; chegou a hora de mudar. Dia após dia a conexão entre nós se torna mais estreita, nos obriga a aprender as regras do novo mundo global e conectado. Agora precisamos ser independentes, nos adaptar à natureza que nos rodeia, e começar a integração no verdadeiro sistema da vida. Este é precisamente o momento em que a humanidade se encontra: “adolescência”.

Como um adolescente que quer se sentir adulto e, simultaneamente, continuar a ser uma criança, enquanto o ambiente o força a amadurecer e incita-o a agir, dessa forma a humanidade também recebeu tudo e agora sofre uma crise após outra. Esse é o caminho do ambiente, sinalizando-nos que chegou a hora de crescer…. “A natureza, como um juiz hábil, nos pune de acordo com o nosso desenvolvimento”, escreve o Rav Yehuda Ashlag (Baal HaSulam), no artigo “A Paz”. “Pois podemos ver que na medida em que a humanidade se desenvolve, as dores e tormentos que circundam nosso sustento e existência também se multiplicam”.

A quebra das conexões sociais em todas as áreas da vida e as tentativas artificiais em manter as conexões entre uma pessoa e outra, entre marido e mulher, entre pais e filhos, entre empregado e empregador, e assim por diante, falham sucessivamente. É exatamente por isso que, especificamente, tem sido revelada a sabedoria da Cabalá nos nossos dias. É o método que ensina as leis globais da natureza e como devemos nos comportar de acordo com eles na vida cotidiana. Apenas o seu poder pode nos ajudar a criar um ambiente bonito, bom e seguro aqui.

Se construirmos conexões adequadas entre nós para a vida no mundo conectado de hoje, vamos ganhar uma compreensão e um sentimento que nos ajudarão a tomar as decisões corretas, e vamos ter sucesso em toda a nossa caminhada. Quando construímos relações entre nós com base na preocupação e responsabilidade mútua, todos os problemas e aborrecimentos cessarão e vamos ganhar todos os tesouros que a natureza tem destinado para nós, como o príncipe na famosa parábola.

O Rav Dr. Michael Laitman encabeça o movimento “Cabalá para o Povo” e dá aulas diárias de Cabalá que são transmitidas no Canal 66 (Israel) e na Internet. O movimento convida todos a vir e aprender a sabedoria da conexão com base na regra fundamental geral do nosso povo, “E amarás o teu amigo como a ti mesmo” (Levítico 19:18).

Do Artigo no Ynet 04/08/16

Ynet: “Simchat Torá Para Iluminar O Ano Novo”


Da minha coluna no Ynet: “Simchat Torah Para Iluminar O Ano Novo”

Alguns de nós são avessos a ela, outros são curiosos, e às vezes ela desperta controvérsia. Uma coisa é certa, é impossível ficar completamente indiferente a ela. O provocativo artigo do Rav Laitman sobre a alegria e a força interna da Torá.

“Regozijo em Simchat Torah” é o hino não oficial das celebrações de Simchat Torá, um antigo costume de celebrar o dia em que completamos a leitura da porção semanal da Torá (Parashat HaShavua) e começamos a lê-la novamente. Mas há algo no livro mais popular da história humana que nos deixa tão felizes e alegres? Riqueza? Saúde? Bem-estar da família? Se não for para nos trazer alegria, para que serve a Torá?

A Torá não é apenas um pergaminho decorado enrolado na Arca Sagrada, ou um sinônimo para os cinco Chumashim. De acordo com a sabedoria da Cabalá, há uma força espiritual interna, uma força superior, escondida na Torá, ou como os Cabalistas chamam: a Luz, que é a fonte de todo o bem no mundo.

O ARI abre seu livro, A Árvore da Vida, com as palavras: “Eis que antes das emanações serem emanadas e as criaturas criadas, a Luz simples superior preenchia toda a existência”. A Luz é a força que precedeu a criação, que criou a matéria do universo no Big Bang 14 bilhões de anos atrás e se espalhou em todas as direções.

Os Cabalistas descrevem a Luz como uma espécie de força, uma lei da natureza, ou um atributo que pode doar abundância infinita. A Luz é a força posta à nossa natureza egoísta, a qual aspira apenas a receber mais e mais prazer. Como resultado do atributo da Luz de doar, dar e gerar vida, as galáxias, as estrelas, e toda a natureza inanimada, as plantas e os animais, e, finalmente, nós, seres humanos, fomos criados para recebermos bondade eterna e absoluta. Mesmo que não estejamos conscientes disso, toda a nossa vida gira em torno da Luz. Nós a exploramos com as ferramentas que temos, mas mesmo quando atingimos o ápice da pesquisa global pela física moderna e parece que estamos prestes a revelar a essência da Luz, de decodificar o segredo da vida, e de ascender à nova dimensão, o oposto é revelado: a Luz tem atributos que a nossa limitada psicologia não pode perceber.

Doação versus Recepção

Ao contrário dos cientistas, os Cabalistas exploram as leis da criação e a realidade espiritual. Tendo atingido a bondade eterna e absoluta, eles nos descrevem a realidade que sentiram: a cada momento a Luz nos fornece abundância infinita, mas como os nossos atributos são opostos ao atributo da Luz, não podemos receber o prazer dela. Eles nos dizem que uma pessoa naturalmente opera apenas para desfrutar, e que vai se sentir bem, mesmo se a conquista desse prazer envolve ferir os outros, abusar deles, ou prejudicá-los. “Todas as aflições que uma pessoa sente são apenas devido ao seu inato atributo de receber” (Baal HaSulam). É assim que nascemos; essa é a nossa natureza, e não há nada de errado nisso. O problema começa quando a força de doação e a força de recepção se chocam e nos sentimos mal …

Hoje nós estamos em um ponto de transição para uma nova era no desenvolvimento humano, como os Cabalistas nos dizem. Para ser exato, já estamos vivendo em uma realidade que une toda a humanidade em um único sistema global. É um sistema fechado em que somos afetados uns pelos outros e estamos conectados não só por infinitas estações de retransmissão e canais de comunicação, mas também em nossos corações. As leis de doação fazem o sistema girar de acordo com o atributo de doação da Luz Superior. Nós vivemos em um mundo que é gerido por certa regularidade, que não compreendemos. Se quisermos conhecer essas leis, agir de acordo com elas, e sermos capazes de desfrutar de uma vida melhor, teremos que descobrir novos sentidos por nós mesmos e desenvolver atributos que sejam semelhantes à Luz. Enquanto continuarmos mantendo nossos atributos egoístas, haverá um confronto contínuo entre forças opostas, ou em outras palavras, estamos em uma crise.

A crise simboliza o fim da atual fase do nosso desenvolvimento, o último ponto após o qual seremos capazes de nos desenvolvermos ainda mais. Isso não significa que a partir de agora não vamos continuar a melhorar a nossa vida, mas é uma fase delicada no processo da evolução humana que significa o ponto profundo e qualitativo da crise. Basta olhar para toda a abundância que temos desenvolvido nas últimas décadas, a fim de perguntar para onde tudo isso está nos levando? Será que somos mais felizes ou alegres? Será que a grande quantidade de bens que acumulamos preenchem nossas vidas com satisfação e interesse? Mesmo quando se trata de responder a essas perguntas, as humanidades, ciências sociais e a economia chegaram a um beco sem saída.

Com a Ajuda da Luz

A palavra “crise” tem uma conotação negativa de dificuldades e quebra, mas de acordo com os sábios, também pode ter um significado positivo em hebraico: o assento onde a mulher dá à luz, o lugar onde uma nova vida é criada. Em grego antigo, a palavra “crise” significa uma decisão ou uma virada, ou seja, renascimento. Em chinês, a palavra “crise” significa perigo combinado com oportunidade. Da mesma forma, a crise que passamos hoje, em todos os aspectos da vida: ciência, política, educação, sociedade, e até mesmo a vida dos indivíduos e a vida comunitária, está em uma espécie de trabalho de parto, uma fase intermediária que se destina a acelerar o nosso desenvolvimento e nos ajudar a renascer para uma nova vida.

Por gerações, os Cabalistas nos abriram o caminho para a próxima fase usando um método confiável e sério, o método da conexão, a sabedoria da Cabalá. Em todos os seus escritos, eles dizem, de forma aberta ou oculta, que a pré-condição para o nosso progresso é estreitar a unidade entre nós. Se nós mudarmos apenas a nossa natureza egoísta de amor próprio para amor ao próximo, e amarmos ao invés de odiarmos, se nos aproximarmos e nos conectarmos em vez de nos afastarmos, seremos capazes de experimentar prazer infinito, assim como a Luz. Nós só podemos mudar a nossa natureza pela força da Luz que está oculta nos escritos dos Cabalistas.

Ao tentar se sentir como um, como uma força, um ponto minúsculo de contato com a Luz superior, com a força da Torá, desperta. Assim, nos tornamos gradualmente preenchidos com o sentimento de vida. Assim como as chamas de uma fogueira aquecem todos que se sentam em torno dela, a conexão entre nós ilumina e aquece os corações. Mas para acender a chama, temos que desistir cada vez mais de partes egoístas e adicioná-las ao fogo. Somente quando gradualmente erradicarmos todas as partes ocultas em nós que pedem para si mesmas, vamos alcançar o amor geral entre nós, a Luz da Torá, ou como se diz: “ama teu amigo como a ti mesmo é a grande regra da Torá”.

Então o que podemos fazer agora? Nesse ponto, basta tentarmos unir nossos pequenos desejos em um único desejo comum. A influência da Luz em nós vai crescer de acordo com a intensidade da conexão entre nós, e em vez de nos forçar a conectar devido a problemas e crises, a Luz simplesmente vai iluminar e nos atrair a ela como um
objeto brilhante. Está em nossas mãos. Quanto melhores e mais atenciosas forem as relações entre nós, mais a Luz irá nos afetar e vamos nos tornar seres humanos, Adão, (Homem) da palavra hebraica “Domeh”, “assemelhar-se ao de cima” (Isaías 14:4). Portanto, vamos começar a viver uma vida eterna e sentir dimensões que estão acima das limitações de tempo, espaço e movimento, assim como os atributos da Luz.

Para O Seu Próprio Bem

Perto do final da temporada de férias, é importante que nós resumamos o nosso autoexame nessa época. Devemos esclarecer um ponto importante: o nosso desejo opera para o nosso próprio bem ou para o bem dos outros? Não nos preocupamos com aqueles que nos rodeiam, assim como nos preocupamos com nossos próprios filhos, ou estamos talvez motivados em se preocupar com o nosso próprio benefício? Isso é exatamente o que nos separa do sentimento de felicidade, da Luz que ansiamos.

Mesmo se após o autoexame nós descobrimos que nos preocupamos apenas conosco, por um milésimo ou mesmo um centésimo por cento, há espaço para alegria. Por quê? Porque descobrimos uma oportunidade de atrair a Luz Superior para agir sobre nós, para corrigir as relações corruptas entre nós de amor próprio em amor ao próximo. Cada pequena mudança que nos aproxima, também nos aproxima da sensação da Luz Superior. Quanto mais agirmos em garantia mútua, como a nação de Israel deve agir, mais vamos cumprir o nosso papel no mundo e ser uma Luz para as nações do mundo, e a Luz Superior vai se espalhar através de nós para toda a humanidade. “Os filhos de Israel tornaram-se responsáveis uns pelos outros, a fim de corrigir o mundo inteiro pela força da Torá, já que tudo depende dos filhos de Israel. Todos os seres criados irão segui-los na medida em que eles próprios se corrigem” (Sefat HaEmet).

A conexão entre nós é uma fonte de vida, e as boas relações entre nós geram a alegria da Torá. Na verdade, hoje, ao contrário da época em que vivíamos no exílio, nós podemos alcançar grande alegria. Não é só como resultado do cerco da sinagoga, ao cantar e dançar com os rolos da Torá em Simchat Torá, mas a verdadeira alegria que deriva da conexão com a fonte da Luz, com a Torá.

De acordo com o Livro do Zohar, a Torá é Luz e uma pessoa que se envolve na Torá recebe a Luz superior. A Luz da Torá é a força que nos reforma da divisão para a conexão; é a força que nos constrói como uma nação, que nos preenche de amor e calor, que nos eleva para completar a vida eterna, e que garante alegria.

“Uma vez que a parte que cada membro de Israel tem na Torá é a sua própria Torá, e todos e cada um com a sua parte e seu livro estão incluídos em um, a Torá é plena e os Dinim (julgamentos) no mundo são mitigados, e quando todos se tornam um, é uma grande alegria, a alegria da Torá, Simchat Torah (“Likutei Halachot“).

Do Artigo no Ynet 20/10/16

Ynet: “Será Que Nós Perdemos O Nosso Caminho Como Nação?”


Do meu artigo no Ynet: “Será Que Nós Perdemos O Nosso Caminho Como Nação?”

Será que a decisão de negar a nossa relação histórica com o Monte do Templo é apenas o tiro de advertência antes da iminente deslegitimação do Estado de Israel em todo o mundo? Será que a verdadeira razão para essa decisão é o conflito entre palestinos e colonos na Cisjordânia, ou nós perdemos o nosso caminho como a nação de Israel? (Rav Laitman sobre o verdadeiro legado da nação judaica).

A grande ansiedade sobre o destino do Estado de Israel não me permite ficar de braços cruzados. A decisão da UNESCO, que nega a estreita ligação entre o povo judeu e o Monte do Templo e o Muro das Lamentações não é o que me incomoda, mas o fato de que este é o primeiro passo e uma boa forma de negar a legitimidade do Estado de Israel.

O povo judeu tem uma memória de longo prazo. Nossa ligação histórica com a herança judaica ou a terra de Israel não será cortada por organizações internacionais e declarações diplomáticas. Nós ainda nos lembramos muito bem do Holocausto a que fomos submetidos, a grande tensão pouco antes da declaração da fundação do Estado de Israel, a grande alegria nas praças da cidade, e o anúncio comovente de Mota Gur da ONU (“Monte do Templo está em nossas mãos”) no final da Guerra dos Seis Dias. Nós nos esquecemos apenas de uma coisa importante: o nosso papel na história da humanidade.

As Nações Unidas e a Nação que Une

De acordo com a sabedoria da Cabalá, a relação entre Israel e as nações do mundo não mudou nem um pouco nos últimos 3.500 anos. A nação judaica foi fundada na antiga Babilônia quando diferentes indivíduos, famílias e tribos que eram estranhos entre si concordaram em seguir a ideia espiritual revolucionária conduzida por Abraão, o pai da nação. A divisão social naquela época atingiu picos sem precedentes devido ao ego em erupção, e o ódio mútuo e a repulsão tornaram-se parte da vida diária. Abraão, um estudioso babilônico único, recusou-se a aceitar a situação como inevitável, e começou a explorar a natureza e o sistema da criação. Ao estudar a si mesmo e com sua profunda pesquisa, ele descobriu que a humanidade está ligada por uma rede de laços, e na base deste sistema nós podemos ver apenas duas forças: positiva e negativa. A força positiva está constantemente trabalhando para reunir e conectar todos os indivíduos em um todo, enquanto a força negativa opera para separar e dividi-los.

Abraão concluiu que a regularidade interna que existe em um indivíduo é verdadeira no que diz respeito aos sistemas da natureza. Ele concluiu que a solução imediata para a sociedade babilônica em crise era restabelecer o equilíbrio para com as más relações entre eles através do fortalecimento da força positiva na natureza. Assim, ele gradualmente orientou os babilônios e lhes ensinou como desenvolver a unidade entre eles como o valor supremo e subir acima da natureza egoísta que os separava. “Abraão começou a chamar toda a nação para que eles soubessem que há um Deus no mundo. Como eles costumavam se reunir em torno dele e fazer-lhe perguntas, ele costumava falar com todos de acordo com o seu nível de compreensão, até trazê-los de volta ao caminho da verdade, até que milhares e centenas de milhares de pessoas se reuniram em torno dele, e esse é o povo da casa de Abraão. E ele plantou esta grande ideia em seus corações e escreveu livros, e esta ideia cresceu e se desenvolveu entre os filhos de Jacó e seus seguidores e uma nação que conhece o Senhor foi fundada no mundo” (Rambam, “Mão Forte”). Assim, o método de conexão entre as pessoas se desenvolveu: o antigo método chamado sabedoria da Cabalá.

Os babilônios que ouviram o conselho de Abraão e reforçaram as bases da garantia mútua e do amor ao próximo descobriram um fenômeno natural que não conheciam antes. Eles descobriram que, quando os seus relacionamentos ascendem ao nível do amor incondicional, uma sensação de harmonia e plenitude se espalha entre eles, uma espécie de força superior que conecta todas as forças individuais separadas em uma só, que eles chamaram de Deus. As centenas de milhares de babilônios que compunham este grupo e que visavam diretamente à força de conexão que foi revelada entre eles, Yashar El, se chamaram povo de Israel.

A força que está escondida na nação judaica

Desde o dia em que a nação de Israel foi fundada sobre a base da unidade, eles receberam a missão de difundir o método de conexão entre as setenta nações do mundo, os babilônios que não escolheram seguir Abraão e que se dispersaram em todo o mundo. Uma vez que todo o mundo está ligado por uma rede harmoniosa de laços que se esforça em manter o equilíbrio constante, os destinos de Israel e das nações do mundo – as duas partes opostas que operam no sistema – são dependentes e conectados entre si. A parte chamada nações do mundo constantemente exige que a parte chamada Israel seja uma Luz para as nações e dê um bom exemplo de unidade, acima de todos os fatores de divisão, “já que o segredo da unidade do mundo está ocultado em Israel”, como diz Rav Kook.

Muito tem sido escrito sobre as ligações diretas e indiretas entre Israel e o mundo nas fontes Cabalísticas autênticas, especialmente no Livro do Zohar, que foi escrito há 2.000 anos: enquanto Israel manteve a força da conexão entre eles, a força positiva foi transmitida através deles ao mundo e foi bom para todos. Mas quando eles começaram a discutir entre si e perderam o sentido de unidade e garantia mútua, as nações do mundo se levantaram contra eles, com a demanda inconsciente pela vitalidade que a força oculta na nação judaica desperta.

O mundo sente inconscientemente que a fonte de todo o mal e a raiz do sofrimento que atravessa estão diretamente ligadas ao fato de que a nação de Israel não está cumprindo seu papel. O fato de Israel ser a nação mais odiada no mundo, seja por razões religiões, por motivos raciais, pelo capitalismo ou comunismo, pelo cosmopolitismo e muito mais, o ódio que está na raiz de todas essas razões é que todos desculpam seu ódio de acordo com a sua própria psicologia, como diz Baal HaSulam. Esse sentimento de ódio está se formando entre muitos e criando uma tendência refletida na atitude hostil em relação a Israel. As decisões da UNESCO sobre o Monte do Templo podem deteriorar até mesmo as decisões mais hostis e o entendimento de que o mundo estava errado quando votou a favor da criação do Estado judeu no coração do Oriente Médio, e que agora é hora de voltar atrás em sua decisão e agir no sentido de negar a legitimidade do único Estado judeu no mundo.

Rav Yehuda Ashlag nos avisou sobre isso uma centena de anos atrás, quando disse: “Nós precisamos dar aos gentios a sabedoria da conexão, justiça e paz, pois é apenas no que diz respeito a isso que eles são nossos alunos, e isso é o que eles têm esperado desde o nosso regresso a Israel. E a sabedoria da Cabalá é atribuída apenas a nós, e mostra a todos os gentios a justificativa de Israel em retornar à sua terra e até mesmo para os árabes. Mas o nosso retorno não impressiona os gentios hoje de forma alguma e nós temos que nos apressar, porque se não o fizermos, eles vão vender a independência de Israel para satisfazer as suas próprias necessidades, sem falar do retorno de Jerusalém”. (Os Escritos da Última Geração”, Baal HaSulam).

Nós determinamos o nosso próprio destino

A UNESCO, a ONU, a UE e outros organismos que nos condenam e votam contra nós são uma espécie de reflexo do nosso fracasso em cumprir o nosso papel. Em outras palavras, nós oferecemos a UNESCO os motivos de suas decisões, e as nações do mundo só executam essas decisões. A atitude do mundo em relação a nós depende apenas de nós, e cabe a nós determinar se o mundo vai continuar a demonstrar ódio e antissemitismo, ou se eles vão entender e respeitar a nossa presença na terra de Israel!

Cerca de dois anos atrás, eu me encontrei em Paris com a Sra Irina Bokova, secretária-geral da UNESCO, como parte dos meus esforços em estimular uma mudança positiva de atitude da organização em relação ao Estado de Israel. Embora eu já tivesse previsto o resultado da reunião antes da minha viagem a Paris, ainda sentia que era importante tentar. Infelizmente, o resultado da reunião provou o que os nossos professores, os grandes Cabalistas, têm dito: não há nenhuma razão em esperar qualquer tipo de mudança por parte dos fatores políticos. A decisão sobre o futuro do Estado de Israel, para melhor ou para pior, está em nossas mãos.

“O objetivo de Israel é o de unir o mundo inteiro como uma família” (Rav Kook). Tudo o que temos a fazer é decidir fazer uma mudança profunda em nossas relações interpessoais, se conectar como um homem em um só coração, e parar de se preocupar apenas com a gente. A força positiva que vamos criar entre nós vai equilibrar as forças que dividem e, assim, vamos trazer perfeição à rede de conexões entre as pessoas. A força da conexão irá permear entre as nações do mundo e obrigá-las a iniciar um processo semelhante, de se conectar e nos reconhecer como a fonte de conexão e bondade. “A nação de Israel foi feita para ser uma espécie de transmissor por meio do qual centelhas fluirão a toda a humanidade em todo o mundo até que elas se desenvolvam e sejam capazes de compreender a agradabilidade e tranquilidade que há no amor ao próximo. E quando os filhos de Israel forem preenchidos com pleno conhecimento, o fluxo das fontes de sabedoria transcenderá a fronteira de Israel e será derramado a todas as nações do mundo” (Escritos do Baal HaSulam).

Do Artigo no Ynet 18/10/16

Meus Artigos Na Mídia, 26.09 – 15.10.16

Em Inglês:

The Jerusalem Post:

“What Jonah tells us about anti-Semitism”
“Why Tishrei means a new life“

Haaretz:

“Beyond the Great Divide Between Israel and American Jewry”
“What Jonah Tells Us About Anti-Semitism”
“Absolute Truth Is Not Dead; It Never Existed!”
“Selichot (Forgiveness) and the Meaning of Life”
“European Jews Under Siege and Terrified“

Em Alemão:

The Huffington Post:

“Das Jahr der Veränderung”
“Wiewird man Israel los”, MittlerweilegestrichenerneuerKurs an der Berkeley Universität“

Em Francês:

The Times of Israel:

“Ce que l’histoire de Jonas nous apprend sur l’antisémitisme”
“PourquoiTishreisignifieune vie nouvelle”
“Les juifseuropéensterrifiés“

Em Italiano:

Blogactiv:

“Lo que Jonásnos dice sobre el antisemitismo”
“¿PorquéTishréisignificaunanuevavida?”
“Ebreieuropei: sotto assedio e terrorizzati”
“Judíoseuropeos: asediados y aterrorizados”
“Ebreieuropei: sotto assedio e terrorizzati”
“Antisemitismoistituzionalizzatoall’Università di Berkeley: fatti e dettagli”
“La scoperta di Merkel e Hollande: la UE stamorendo“

Em Espanhol:

Unidos con Israel:

“¿PorquéTishréisignificaunanuevavida?”
“El año del cambio“

The Huffington Post:

“Hemoscrecido, pero ¿hemosllegado a seradultos?“

Em Chinês:

The Times of Israel:

“Today is a Holiday – The Journal of a Spiritual Journey“

Ynet: “Desculpe-me, Do Que Somos Culpados?”


Da minha coluna no Ynet: “Desculpe-me, Do Que Somos Culpados?”

Elul é o último mês no calendário hebraico, por isso é considerado um mês de reflexão sobre o ano passado e uma preparação para o novo ano. Para quê e por quê devemos pedir perdão, e como devemos agir quando a razão é descoberta? Rav Michael Laitman ensina como realmente perdoar.

Quatorze bilhões de anos atrás, o Big Bang ocorreu e o universo foi criado. Uma enorme quantidade de energia que estava concentrada em um pequeno ponto explodiu em todas as direções e o universo começou a se expandir a uma velocidade tremenda. As muitas partículas que foram criadas se juntaram em átomos, e os átomos em estrelas e galáxias. Bilhões de anos depois, o planeta inanimado Terra foi formado, e as plantas e animais se desenvolveram nele até o nascimento da humanidade.

O homem viveu pacífica e calmamente, em equilíbrio com o resto da humanidade e com as forças da natureza, até que, de repente, uma outra explosão ocorreu. “O Big Bang da humanidade” quebrou a unidade pastoral na sociedade humana, e começou a distanciar as pessoas umas das outras, similar à forma como as estrelas no universo continuam a se afastar.

A força negativa, egoísta e inconsciente da separação que operava para nos distanciar foi identificada pela primeira vez por um ser humano chamado Adão. Ele entendeu que deveria curar o abismo entre seus contemporâneos. Visto que ele foi o primeiro a trazer uma mudança substancial no sistema de relações quebradas entre as pessoas, temos o costume de celebrar a sua descoberta em Rosh Hashaná.

Quatorze Bilhões de Anos Atrás, o Big Bang Aconteceu, e o Universo Foi Criado

Desde então, 5.777 anos se passaram. Nós os contamos de acordo com o calendário hebraico, e a cada ano estamos acostumados a reexaminar a essência de nossas vidas e o nosso papel neste mundo. Uma das perguntas que pode nos ajudar a definir a nossa situação é a seguinte: será que nos tornamos mais próximos entre nós este ano acima da nossa tendência natural que nos separa, ou não? Este exame de consciência é chamado de Slichot (pedir perdão) e para interiorizar o seu significado, nós devemos realizar uma curta viagem através do tempo.

Apresentando a Escolha de Israel

Vinte gerações se passaram desde que o ser humano desenvolveu suas observações e foi chamado de Adam HaRishon (O Primeiro Homem), até que a maioria da humanidade se estabeleceu no centro do mundo antigo, a antiga Babilônia.

Neste período, duas forças opostas naturais estavam trabalhando sobre a humanidade: a força da conexão, a força positiva que se esforça para desenvolver a sociedade através da manutenção de conexões de responsabilidade mútua, e oposta a ela, a força da separação, a força negativa que é controlada pela natureza egoísta. A força negativa é o que distanciou e separou os moradores de Babilônia a um nível previamente desconhecido até que, finalmente, pararam de se falar e se tornaram inimigos. Essas forças opostas da natureza que entraram em confronto uma com a outra causaram uma crise difícil, mas tal como uma planta brota de uma semente no solo que as rachaduras abrem, a partir da crise entre as pessoas, uma nova humanidade nasceu.

A fratura social continuou a se desenvolver, e a humanidade foi espalhada sobre a face da Terra. Apenas um pequeno grupo de pessoas decidiu desafiar as forças da natureza e, na verdade, se opôs ao processo de separação. Queimando dentro dessas pessoas estava uma unidade interior que as obrigava a se conectar.

Este grupo escolhido, chamava-se “Israel”, porque o seu desejo é ser Yashar – El (direto a Deus), como a característica da força eterna e completa da natureza. Em outros lugares, eles foram chamados de “hebreus” (Ivrim) porque já haviam se mudado (Avar) para agir de acordo com as leis da natureza, ou “judeus” (Yehudim) porque estavam agindo para se unir (Yichud) e se harmonizar com a natureza.

À frente deste grupo estava Abraão, um pesquisador intransigente que estava procurando o sentido da vida. Ele foi o primeiro a identificar a razão para a crise: o desenvolvimento do egoísmo que separa e distancia as pessoas. Abraão pediu aos seus alunos para serem fortes, para se levantar e fortalecer o espírito de unidade com todas as suas forças acima da terrível cisma. Seus esforços em se conectar despertou uma força positiva inerente à natureza. Esta força equilibrou a tendência negativa e os conectou em uma ligação forte que foi chamada de “um homem em um só coração”. A partir desses esforços, Abraão desenvolveu um método para a conexão que ele ensinou a todos os que vieram a ele. Esse método possibilitou que os membros do grupo começassem a desenvolver um sistema de relações entre eles com base em doação, amor e responsabilidade mútua que eles chamaram de Beit HaMikdash (Templo).

O Ponto de Viragem na História da Humanidade

Uma vez que os filhos de Israel atingiram um nível máximo de conexão entre eles, a situação deteriorou-se, e as conexões se enfraqueceram. Eles entenderam que, a fim de fortalecer as conexões entre eles, eles precisavam estar conectados a seus irmãos Babilônicos que tinham se dispersado e se tornado as setenta nações do mundo. O amor fraternal foi substituído pelo ódio infundado, levando não só à destruição do sistema de relações do “Templo”, mas também à destruição do Templo físico e continuou com a queda do reino unido de Israel. A força do ego continuou a dividir os Babilônios e semeou o ódio em todas as direções.

Um Ano Bom e Doce.

Por 2.000 anos, os judeus foram assimilados entre as nações do mundo. Por um lado, a centelha que Abraão semeou no povo de Israel começou a florescer no coração da humanidade, e, por outro lado, os Judeus absorveram novos desejos e opiniões egoístas. A conclusão da fusão mundial marca o ponto de partida para um processo real que está levando a um ponto de viragem na história da humanidade.

Slichah, O Erro Entre a Realidade e o Desejo

No mundo global e conectado dos nossos dias, o povo de Israel e as setenta nações do mundo estão imersos juntos em um problema comum, um pouco como Adam HaRishon 5.777 anos atrás, ou Abraão 3.500 anos atrás. A crise dramática que nos visitou, hoje, é resultado do mesmo desequilíbrio entre as forças opostas da natureza. O ego cria conflito e divisão, e nos leva a nos distanciar uns dos outros. Em contraste, o poder da conexão desenvolve as pessoas, consertando as peças quebradas em um sistema completo e harmonioso.

Nas primeiras gerações, não compreendíamos como as forças da natureza operavam porque não tínhamos as ferramentas em nossas mãos para fazer isso, mas uma vez que um ponto de conexão foi criado pela primeira vez na Babilônia, fomos obrigados a reforçar e a desenvolver quando confrontados com todos os estados de separação. Abraão nos deixou um método e uma missão: fornecer ao mundo o poder da conexão até que ele atinja um estado harmonioso e equilibrado.

A fim de não cometer um erro no caminho para o destino que a natureza colocou diante de nós, precisamos realizar uma limpeza diária na casa e analisar em profundidade o quanto temos avançado em direção à conexão entre nós e se ainda estamos a caminho para a mesma rede da completa conexão que Adam HaRishon descobriu.

Este esclarecimento essencial é chamado de Slichot, a descoberta da diferença entre as forças da natureza que aspiram à unidade e nossa falta de vontade em se unir. É simbolicamente habitual para nós, antes de Rosh Hashaná, esclarecermos juntos o quanto estamos agindo de acordo com as leis da natureza de todo o sistema. A esse respeito, nós confessamos que, “Nós somos culpados, traímos, roubamos …” e lamentamos a oportunidade que estava em nossas mãos de realizar a conexão entre nós e não o fizemos. Agora é o momento certo para considerar um novo caminho para a conexão.

Eu espero, desejo e oro por um ano de mudança, um ano da construção de um sistema de relações corretas entre nós.

Feliz ano novo a todos os filhos de Israel!

Do Ynet 02/06/16

Ynet: “O Soldado Não Tem Culpa: Nós Somos Responsáveis”


Da minha coluna no Ynet, “O Soldado Não Tem Culpa: Nós Somos Responsáveis”

Tão rápido, muito rápido, nós selamos o destino do soldado. No entanto, como sociedade, somos todos responsáveis ​​por sua culpa, uma vez que ela resulta da negligência e da nossa inferioridade como uma sociedade perante o mundo. Portanto, antes de corrermos para sentenciá-lo, é melhor julgar a nós mesmos em primeiro lugar.

A história do soldado Kfir Brigade que foi acusado de assassinar um terrorista reflete o estado da sociedade israelense. No momento em que o vídeo foi divulgado, o caso perturbou todo o país. As redes sociais ferveram e agitaram, e o debate sobre os valores da IDF [Forças de Defesa de Israel] e sua moralidade estiveram no centro do foco social.

Um documento chamado “O Espírito da IDF”, foi publicado em 1994, que declarou os valores e as normas que devem ser mantidos pela IDF. Ele incluía diferentes valores, incluindo responsabilidade partilhada, exemplo pessoal, amizade, missão partilhada, credibilidade e assim por diante. É surpreendente que esses valores não façam parte da nossa vida civil, e se eles surgem, é na verdade, no âmbito militar.

Esse caso levanta muitas questões. Quando nós perdemos a nossa consciência social, segundo a qual cada indivíduo é um representante do Estado? Quando deixamos de assumir a responsabilidade por aquilo que sai de nossas bocas ou de nossos teclados? O que aconteceu que paramos de sentir que cada soldado que vai para a guerra é como o nosso próprio filho? Será que esses sinais indicam que nós falhamos como sociedade?

Sem acesso à política

Um dos fenômenos mais preocupantes é a velocidade com que diferentes porta-vozes invadiram esse caso. Aqueles que sabem como espalhar suas promessas quando estão fora dos círculos influentes fizeram o melhor, mas uma vez que chegaram a uma posição onde têm uma palavra a dizer, tornaram-se mais moderados e desistiram dos princípios que defendiam.

Este não é o momento nem o lugar para ganho político, e certamente não antes de uma decisão ter sido tomada pelos responsáveis. Então, seria melhor se as figuras públicas se abstivessem do debate público até que todos os detalhes sejam investigados.

A luta sem fim entre a direita e a esquerda também é inútil nesse caso. Cada lado continua a aderir às suas bancadas. Aqueles da direita acreditam que podemos vencer pela força, enquanto os da esquerda acreditam no poder da concessão. No entanto, mesmo que as duas ideologias possam se juntar, elas não nos levam ao estado que todos nós desejamos.

A alma judaica anseia

De acordo com a sabedoria da Cabalá, cada judeu está enraizado em um sentimento de culpa, uma espécie de sentimento de inferioridade em relação ao mundo, que o obriga a examinar a si mesmo constantemente. Esse fenômeno resulta de uma fonte espiritual superior.

As nações do mundo estão apontando o dedo acusador para nós afirmando que somos a fonte de todo o mal no mundo, desde libelos de sangue imaginários, a Protocolos dos Sábios de Sião, a acusações infundadas, alegando que os judeus estão por trás dos ataques terroristas em Bruxelas. Pode parecer irreal e irracional, mas, surpreendentemente, no fundo, nós aceitamos este sentimento.

De acordo com a sabedoria da Cabalá, a raiz desse complexo de inferioridade decorre do fato de que devemos ser uma Luz para as nações, o que significa estar unidos e dar o exemplo de um modelo de sociedade para o mundo inteiro. Enquanto tentarmos fugir dessa missão, seremos responsabilizados por todas as aflições que o mundo sofre.

Nem direita nem esquerda: a garantia mútua acima de tudo

O novo caminho do meio dourado começará no cruzamento entre direita e esquerda. Esse caminho do meio é pavimentado quando conseguimos, mesmo um pouco, ascender acima do nosso egoísmo que nos separa. Esse caminho é a solução. Sem ele, não seremos capazes de construir uma sociedade unida em Israel, e nosso Estado pode se desfazer em pedaços por causa da guerra interna entre nós.

Assim como os profetas disseram, a missão de transmitir o método de conexão ao mundo e conectá-lo nos obriga a implementar novamente a abordagem básica: “O amor cobre todas as transgressões”.

De acordo com esse método, não faz diferença que lado do mapa político a pessoa se encontra. Todos podem continuar a aderir a sua posição, e, ao mesmo tempo, trabalhar para conexão com os outros. No momento em que começarmos a nos conectar, apesar das nossas diferenças de opinião e partidos políticos, vamos estimular a força de um nível superior que pode equilibrar e construir um novo nível acima da esquerda e da direita. Elas não vão desaparecer, e não devem, mas quando nos conectamos acima deles, criamos o caminho do meio dourado.

Em prol da unidade

Decidir o destino do soldado é decidir o nosso destino, pois a sua culpa é nossa responsabilidade como sociedade, uma vez que decorre da nossa negligência. É melhor julgar a nós mesmos em primeiro lugar e só então condená-lo. Assim como os pais às vezes discordam dos filhos e ainda tentam manter a família unida, nós temos que subir acima de nossas disputas e procurar o que for possível para aumentar a consciência das pessoas em relação a um valor importante na nossa vida, a unidade e, assim, poupar a nós mesmos e o mundo de qualquer sofrimento desnecessário.

De Ynet 28/03/16

Ynet: “O Segredo Para Um Ano De Sucesso”


Da minha coluna no Ynet, “O Segredo Para Um Ano De Sucesso”

Por que é costume ler o Livro de Jonas no Yom Kippur? Será que a baleia realmente engoliu Jonas ou é apenas uma alegoria? Qual é o segredo de como expiar as nossas ações e bloquear todas as flechas de ódio dirigidas a Israel? Guia dos Perplexos dos Rav Laitman para Yom Kippur.

Alguma vez você já parou para perguntar por que você jejua no Yom Kippur, por que vai à sinagoga no Yom Kippur, por que pede a um amigo ou a alguém que tenha prejudicado para perdoá-lo? Nós temos nos acostumado a manter esses costumes desde a nossa infância, e parece que a principal razão para isso é que todos nós queremos ser considerados inocentes, pelo menos em algum grau, no Yom Kippur.

Aqueles que têm recursos inclusive competem com uma soma em dinheiro para pagar pelo direito de ler o Livro de Jonas em público, um mérito bem conhecido para riqueza e sucesso nos negócios no próximo ano. As somas sobem de ano a ano, mas eles entendem o que estão pagando?

A história do profeta Jonas começa com a missão que ele recebe de Deus: advertir os gentios, o povo de Nínive, a se arrepender de seu mau caminho, do ódio infundado ao amor ao próximo. Assim como no passado, assim como Jonas, assim como nós, o povo de Israel hoje têm um papel que não podemos evitar. O mesmo papel que nos acompanha desde o tempo da antiga Babilônia quando Abraão nos uniu em uma nação com base no amor ao próximo, para estabelecer entre nós a unidade que irá servir como exemplo para o mundo inteiro. Cumprir este papel é o nosso direito de existir.

Nós temos experimentado como essa lei opera em toda a nossa história: quando estamos unidos, nós prosperamos e o mundo prospera também. Quando caímos no ódio infundado, recebemos golpes e o mundo se deteriora. Com o tempo deixamos de construir a conexão entre nós a tal ponto que não acreditamos que podemos restabelecer as boas relações entre nós novamente. Ficamos indignados ao ouvir que o nosso papel é ser uma Luz para as nações do mundo. Nós esquecemos o nosso papel e quando fugimos dele a tempestade chega ….

A Tempestade

Jonas escapa de sua missão, embarca num navio e navega para além mar. Sua fuga gera uma tempestade, e os marinheiros percebem que a razão para o seu sofrimento é o judeu que está a bordo de seu navio. Eles o jogam ao mar.

No mundo global de hoje, as nações do mundo também nos culpam por toda crise que existe. O destino da nação de Israel é inevitável. Os marinheiros da história mudam a cada vez, mas o nosso destino é o mesmo. Se não despertarmos de nosso sono profundo e concordarmos em cumprir nossa missão, chegará o momento em que certamente seremos lançados ao mar.

Jonas foi lançado ao mar e engolido por uma baleia. No final de sua autoanálise, ele concorda em cumprir a missão que recebida, e só depois é que o peixe o leva para uma praia segura, Nínive.

O Acordo

Como Jonas, nós carregamos dentro de nós um método para se conectar.  Esse é o genoma nacional que nos une em uma só nação e não podemos fugir dele. Quando nos conectarmos, serviremos como exemplo de unidade para todas as nações. A única questão é se vamos ser responsáveis o suficiente ou se, Deus nos livre, seremos lançados nas profundezas do oceano para que possamos concordar em cumprir o nosso destino.

Nosso papel é transformar o ódio infundado em amor mútuo, mas em vez de ser uma Luz para as nações, fazemos tudo para sermos como todas as outras nações. Mas o rolo compressor do desenvolvimento faz com que mais e mais pessoas e nações inconscientemente sintam que os judeus são responsáveis ​​por todas as suas angústias, e assim as nações não vão mudar a sua atitude em relação a nós para melhor até que cumpramos o nosso dever.

O objetivo do Yom Kippur é nos permitir fazer alguma introspecção profunda, e é uma oportunidade para assumirmos a nossa missão e chegarmos à decisão de se conectar e ser uma Luz para as nações do mundo. Só então a turbulência global em torno de nós se acalmará e toda a humanidade viverá em paz, e uma Sucá da paz será espalhada por todos nós.

Um bom ano novo e que todos em Israel sejam assinados e selados no Livro da Vida!

De Ynet 10/10/16

Ynet: “Antissemitismo: A Mesma Melodia Uma E Outra Vez”


Na minha coluna sobre Ynet – “Anti-Semitismo: A Mesma Melodia Uma E Outra Vez“

Setenta por cento dos judeus da Europa não vão comemorar juntos a época de feriados por causa do medo do antissemitismo. “Nossa nação está acostumada a ser perseguida, a desculpa para nos odiar muda, mas é a mesma melodia uma e outra vez”. O Rav Laitman explica a lei do antissemitismo, por que ela se repete em todas as gerações, e como podemos evitar a próxima onda de ódio.

A onda de terrorismo emergiu novamente na semana passada em Israel e despertou a preparação e a tensão novamente. Mas o medo não permeia apenas Israel, mas também os nossos companheiros judeus na Europa.

De acordo com uma nova pesquisa preocupante realizada pela Associação Judaica Europeia e o Centro Rabínico da Europa, 70% dos judeus europeus têm medo de ir às orações e celebrações públicas em Rosh HaShaná e Yom Kipur, devido ao aumento de incidentes antissemitas, apesar do aumento das medidas de segurança e policiamento em torno das instituições judaicas. “O desafio dobrou nos últimos meses”, diz o CEO da associação, “nós também estamos lidando com um aumento da perseguição dos judeus pelos muçulmanos e um aumento significativo do poder de movimentos de extrema direita.

A crise de refugiados muçulmanos tem incomodado os 27 líderes da UE ao longo do último ano. É a principal causa do aumento de partidos radicais de direita que pedem para deportá-los e que está aterrorizando os judeus que vivem na Europa. Os judeus estão atualmente expostos aos ataques de grande escala, incitação à violência e abuso verbal, e apesar de suas promessas, os líderes europeus simplesmente não podem garantir a sua segurança. Metade dos incidentes racistas na França são dirigidos aos judeus; na Alemanha, o presidente do Conselho Judaico, Dr. Joseph Shuster, alertou as pessoas a não usar o solidéu em regiões muçulmanas; na Holanda, Mezuzot foram removidas das portas, e a mídia britânica está envolvida em um ataque antissemita sem precedentes contra Israel e os judeus, mas, curiosamente, 85% dos incidentes antissemitas não são relatados…

Como De Costume, Os Judeus São Os Culpados

Europa está acostumada a acusar os judeus. É o reduto do movimento BDS, que opera contra Israel, e campanhas de incitação como a “Semana do Apartheid Israelense” são lançadas nas capitais europeias, e dezenas de milhares de declarações antissemitas são publicadas diariamente on-line acusando os judeus de todo o mal no mundo. Com esse tipo de coisas acontecendo, não seria surpreendente se em breve um novo comitê internacional fosse nomeado com a “iniciativa de formular uma estratégia para impor a paz no Oriente Médio”, que concluiria que a solução para os problemas da Europa é a deslegitimação de Israel. Eles podem de repente decidir que a solução operacional para a crise dos refugiados na Europa é reassentá-los ao nosso lado na terra de Israel, o país que eles próprios atribuíram no Plano de Partilha da ONU em novembro de 1947.

Não deixem que a política os engane. O que está acontecendo na Europa agora é apenas uma nova expressão externa do padrão recorrente de ódio que tem sido parte da nossa história por gerações. Infelizmente a história nos ensina que os antissemitas têm vencido esta luta como atestam os milhões de judeus que foram assassinados inspirados em libelos de sangue desde 1144 até hoje. A principal expressão do antissemitismo hoje é anti-Israel, “o moderno libelo de sangue” sob o disfarce de antissionismo.

Por que explicações racionais sobre a situação no Médio Oriente não convencem nenhum intelectual? Por que nunca seremos capazes de escapar da nossa identidade? Por que o ódio a Israel continua a emergir apenas como tem sido à gerações? Por que é que, ao contrário de qualquer outra nação na história, quanto mais eles tentam nos destruir, não serão capazes de completar o trabalho?

A Lei do Antissemitismo

De acordo com a Cabalá, o antissemitismo não é um fenômeno passageiro, mas uma lei da natureza que pode ser medida. Quando nos unimos acima de todas as disputas e divergências, a força positiva que pode fazer maravilhas se espalha no mundo. Por outro lado, quando estamos divididos e emocionalmente distantes uns dos outros, invocamos a força negativa no mundo, que retorna e nos atinge com uma explosão de antissemitismo.

Mesmo que eles não estejam cientes disso, no fundo de seus corações os antissemitas sentem que temos a chave para o seu futuro brilhante, mas nossos ouvidos são surdos e nós sequer ouvimos quando alguns deles dizem abertamente que se apenas nos conectássemos, a sua atitude em relação a nós iria melhorar dramaticamente. Henry Ford, um dos maiores antissemitas da história, escreveu em seu livro O Judeu Internacional: O Problema Mais Importante Do Mundo, “O judeu há muito tempo tem se acostumado a pensar em si mesmo como o único requerente ao humanitarismo da sociedade; a sociedade tem uma grande reclamação contra ele que ele abandonará a sua exclusividade, deixará de explorar o mundo, de criar grupos judaicos, o fim e todo o seu ganho, e começará a cumprir, em certo sentido, a sua exclusividade, mas que nunca lhe permitiu cumprir, a antiga profecia de que ele se gaba: de que por meio dele todas as nações da terra seriam abençoadas”.

O ódio irracional que surge agora nos lembra da maneira mais difícil que temos um papel, e embora pudéssemos ficar felizes em se livrar dele, é impossível. Mesmo se assimilarmos ou tentarmos esconder nossa identidade israelense, permaneceremos sempre judeus. Nós somos uma nação que carrega uma ideia, um ideal social de amor ao homem, à nossa nação e ao mundo. Nós nos tornamos uma nação com base no altruísmo expresso pela regra “Ama o teu próximo como a ti mesmo”, e apenas o retorno ao amor pode derrotar o ódio que o mundo sente em relação a nós. Os Cabalistas nos dizem que nós judeus decidimos o destino do mundo. “Assim como os órgãos de um corpo não podem existir mesmo por um instante sem o coração”, como está escrito no Livro do Zohar, “as nações do mundo não podem existir sem Israel”. Através da unidade entre nós, obrigamos o mundo a se unir e a abundância começa a fluir. Enquanto estamos divididos, nós os separamos e isso entope os tubos de abundância e leva a guerras e ódio.

Baal HaSulam (Rav Yehuda Ashlag), o grande Cabalista do século XX, escreveu que “a nação de Israel recebeu um transmissor, e na medida em que todos em Israel estão conectados, transmitem a sua energia às outras nações do mundo”. Ele também escreveu “Nós somos os filhos do ideal”, e somente quando nós o cumprirmos e nos unirmos, seremos capazes de viver em paz.

Não Há Para Onde Fugir

A pressão que pode ser colocada em nós pela Europa, e com isso por todas as nações do mundo, pode nos levar de volta aos anos em que vagávamos de um lugar para outro, na melhor das hipóteses, ou à nossa destruição, assim como há 80 anos, na pior das hipóteses. Embora possa parecer que o povo judeu tem uma casa na terra de Israel hoje, “Todas as ideias sionistas vão ser anuladas”, escreveu Baal HaSulam em “A Última Geração”. Com grande tristeza, ele descreve o processo de declínio do nosso futuro se não cumprirmos o nosso papel e transmitirmos ao mundo a força de conexão através de nós. “Esse Estado será muito pobre e seus habitantes vão sofrer muito, e muitos deles ou seus filhos, sem dúvida, deixarão gradualmente o país e apenas um número insignificante será deixado, que também irá finalmente ser absorvido pelos árabes”. Depois, não haverá realmente nenhum lugar para fugir.

Em tempos de crise, nenhum país, nem mesmo os EUA, vai nos apoiar ou receber. A mesma coisa aconteceu nos dias da Alemanha nazista, quando os judeus que se sentiam ameaçados pelo antissemitismo tentaram escapar temendo o grande desastre que se aproximava. Alguns até navegaram o infame St. Louis à América do Sul, mas quando chegaram à Cuba que o governo lhes disse que eles não eram bem-vindos e se recusaram a recebê-los. Eles navegaram para os EUA, onde foram recusados de novo, e não tendo escolha voltaram para a Europa e a maioria deles foi morta no Holocausto.

O Diagnóstico Está Feito

Baal HaSulam, que conhecia a lei do antissemitismo e todas as leis da natureza que atuam em nossa realidade, alertou as pessoas que o Holocausto estava se aproximando, “Eu já publiquei a maioria dos meus pontos de vista, em 1933. Eu também falei com os líderes da geração, e as minhas palavras não foram aceitas. Embora eu gritasse e advertisse que o mundo ia ser destruído, isso não impressionou, mas agora, após a bomba nuclear e de hidrogênio, eu acredito que o mundo vai acreditar que o fim do mundo está muito próximo e que Israel será o primeiro a se queimar, da mesma forma que foi na guerra anterior. Por isso, é certo despertar o mundo de hoje, para que eles recebam o único remédio que existe, vivam e sobrevivam” (“A Última Geração”).

O grito de Baal HaSulam ainda está ecoando hoje e é mais relevante do que nunca. Mesmo assim, quando a Europa era próspera, os judeus preferiram dançar complacentemente ao som de uma valsa em Berlim ou mastigar tranquilamente schnitzel apesar do grande perigo iminente. As ondas de antissemitismo moderno que lavam a Europa hoje devem servir como lembrete de nosso papel: se unir e ser a luz para as nações do mundo, ser um exemplo da sociedade corrigida em que todos vivem em amor fraternal acima de todas as nossas diferenças. Hoje nós também estamos chegando a escolha fatal, assim como fizemos quando nos tornamos uma nação pela primeira vez no encontro no Monte Sinai e fomos confrontados com uma decisão semelhante, quando diante de nós havia uma escolha inequívoca: se unir ou aqui será o nosso local de sepultamento, garantia mútua ou ódio infundado, tudo ou nada. Nós fizemos um esforço enorme, conquistamos o monte de ódio entre nós, e nos conectamos como um homem em um só coração.

A mensagem é clara: nós devemos culpar apenas a nós mesmos pelo ódio que o mundo sente em relação a nós. Enquanto formos cruéis uns aos outros, o mundo será cruel em relação a nós. Lá no fundo, cada judeu sente que “Todos de Israel são amigos”.

Se nos conectarmos como um feixe, vamos aproveitar o antissemitismo para a nossa vantagem. Uma vez que “o principal protetor contra a calamidade é o amor e a unidade, quando Israel sente amor, unidade e fraternidade para com o outro, não há espaço para o desastre afetá-lo (Maor VaShemesh).

Ynet 22/09/16

Ynet: “Hoje É Feriado: O Diário De Uma Viagem Espiritual”


Meu artigo recente no Ynet: “Hoje É Feriado: O Diário De Uma Viagem Espiritual”

Qual é a razão para todos os costumes que tão constantemente realizamos: comer o peixe tradicional que a mãe cozinha para Rosh Hashaná, o jejum no Yom Kippur, e as decorações suspensas em uma Sucá? Eu explico os feriados de Tishrei de acordo com a sabedoria da Cabalá, e revelo como podemos mudar nossas vidas para melhor com a sua ajuda.

Costuma-se pensar que os feriados marcam eventos históricos, a vitória na guerra, o nascimento ou morte de uma pessoa especial. De acordo com a sabedoria da Cabalá, os feriados de Israel são essencialmente diferentes dos feriados de outros povos, e descrevem estações no caminho para o desenvolvimento espiritual de cada pessoa.

Os feriados de Israel e seus costumes foram introduzidos pelos grandes Cabalistas milhares de anos atrás. Os Cabalistas são pessoas como nós, que através do estudo da sabedoria da Cabalá conseguiram alcançar uma vida de amor ao próximo e através disso o amar ao Criador: a força geral de amor que existe na realidade. Eles descobriram que existe um único objetivo para essa força superior: nos levar a ser conectados, felizes e cheios de amor como Ele enquanto ainda estamos vivos. Essa força recebeu vários nomes: Criador, Luz, Natureza, Amor e até mesmo Rei, como é costume chamá-la nos Dez Dias de Arrependimento: “Não temos rei, exceto você” (Ta’anit 25b).

Para descrever as estações que o Rei nos passa no caminho para o Seu reino mágico, para se familiarizar com Ele e descobrir todo o bem que Ele preparou para nós, os Cabalistas estabeleceram o calendário hebraico e o ciclo das festas e festivais nele. Assim, um momento antes de mergulhar a maçã no mel e pendurar decorações em uma Sucá, vamos parar e esclarecer de uma vez por todas por que nos incomodamos tanto a cada ano e como podemos extrair desse costumes algo melhor para todos nós.

A Primeira Estação: Rosh Hashaná

“Rosh (cabeça) é considerada uma raiz … De acordo com a raiz e a Rosh que uma pessoa estabelece para si mesma em primeiro lugar, ela continua a sua vida” (Os Escritos do Rabash , “Carta 29”).

A primeira estação na jornada espiritual da pessoa é Rosh Hashaná – “O princípio da criação da pessoa” (Os Escritos do Rabash, “Dargot HaSulam” 882). Nesta fase, a pessoa é como um recém-nascido. Ela olha as coisas boas e ruins que passou na sua vida e se pergunta: O que é tudo isso? Por que estou viva ano após ano? Quem está gerindo esta realidade e qual é o propósito da existência?

Se tiver sorte, essas questões não a deixarão partir e vão levá-la à meta, à estação final e significativa da viagem: a descoberta da rede de conexão harmoniosa entre as pessoas dentro da qual ela vai sentir o poder positivo da conexão em toda a sua intensidade – a Força superior que gere a sua vida.

O primeiro Rosh Hashaná foi “comemorado” pela primeira vez 5777 anos atrás, quando um ser humano fez perguntas semelhantes. O nome dessa pessoa era Adão. Como uma criança que quer crescer e ser como seus pais, nós precisamos ser como a força que nos criou e quer ser descoberta. Todo esse desejo vai nos dar o poder para superar nossa natureza egoísta limitada, acima da preocupação particular por nós mesmos, e nos tornar “filhos de Adão”.

Os Cabalistas chamam o desejo de saber por que estamos vivos pelo nome de “ponto no coração”. O “coração” representa a totalidade dos desejos egoístas da pessoa que continuam a crescer, começando com os desejos mais básicos – por sexo, alimentação e família, até os desejos mais desenvolvidos – por dinheiro, respeito, e conhecimento. O ponto no coração é o desejo espiritual mais desenvolvido em uma pessoa na escada dos desejos. E quando é despertado, ele sopra em uma pessoa o espírito de vida e um novo desejo de autorealização. Este desejo não é satisfeito por dinheiro, respeito ou conhecimento, mas apenas pela realização do propósito da vida. E quando pela primeira vez a mudança é sentida dentro de uma pessoa, ela celebra Rosh Hashaná.

De Rosh Hashaná em diante, a pessoa aumenta o ritmo de sua jornada. Equipada com novos poderes, ela se esforça para chegar a um verdadeiro ponto de conexão com os outros e perceber o ponto que está ardendo em seu coração. Mas a esperança é uma coisa e a realidade é outra. Em vez de unidade, ela descobre uma grande separação, o mais terrível julgamento de todos. “O dia do julgamento foi criado em Tishrei, uma vez que estes são dias de desejo. E esse desejo desperta em nós naquela época a cada ano, e é necessário despertar para completar o arrependimento mais do que durante todo o ano. E a essência do arrependimento é se unir com todos com amor e com um só coração” (” Meor veShemesh “). Essa descoberta leva a pessoa à próxima estação na viagem, Yom Kippur.

A Segunda Estação: Yom Kippur

“Nós vemos a verdade através de Rosh Hashaná, depois a pessoa pode pedir a expiação. Portanto, Yom Kippur é depois de Rosh Hashaná “(Os Escritos do Rabash”, Dargot HaSulam”, 891).

No Livro do Zohar está escrito: “‘… na medida em que luz é mais excelente do que as trevas’ (Eclesiastes 2:13), pois o benefício da luz não vem senão da escuridão”. Não há luz sem escuridão, não há doce sem amargo, e não há bem sem mal. Para alcançar o bem, também temos que descobrir o mal. De acordo com a sabedoria da Cabalá, Yom Kippur é o reconhecimento de que a nossa natureza egoísta é má desde a sua juventude. Mas é precisamente este reconhecimento que nos possibilita atingir o bom. Se em Rosh Hashaná o desejo de se conectar com outras pessoas é despertado em nós, tudo bem é produzido através da conexão com elas. Assim, durante os Dez Dias de Arrependimento, somos gradualmente introduzidos na força egoísta negativa que nos impede de alcançar a unidade. Afinal de contas, em Yom Kippur não há lugar para se esconder a quebra e o ódio mútuo que nos dividem. Assim já é possível pedir a correção de nossa inclinação ao mal, o que é bom.

“Israel não tinha feriados como o 15º dia de Av e como o Yom Kippur” (Mishná Ta’anit 4: 8). Por quê? Porque esse era um dia especial de introspecção e profundo exame de consciência. Um dia de remorso em que era costume pedir perdão “Pelo pecado que fizemos em sua presença através da inclinação ao mal” (oração de Yom Kippur).

A sabedoria da Cabalá explica que “perdão” não é apenas um pedido verbal, “Nós temos sido culpados, traídos, roubados ….”; ao contrário, é uma fase em que a pessoa se torna consciente do seu verdadeiro estado – quão longe está da conexão correta com os outros, e, como resultado disso, de conexão com a força do bem que controla sua vida. Essa difícil revelação realmente deixa a pessoa feliz, porque, como resultado, um grito irrompe dela pela mudança interior. Este pedido particular de perdão é esperado de nós, e quando chega, é atendido.

A Terceira e Quarto Estações: Sucot e Simchat Torah

“… A festa de Sucot explica todas as perguntas, mesmo as mais difíceis e piores ….” (Os Escritos do Rabash , “Carta 36”).

Na terceira estação na jornada espiritual, chamada “Sucot“, a resposta ao pedido interno chega e nós temos uma força positiva especial que transforma o mal em nós em bem. Está escrito no Talmude: “Deixe a sua morada permanente e habite em uma morada temporária” (Sukkah 2a). A mudança pela qual devemos passar é deixar a morada permanente, ou seja, o narcisismo, para uma nova morada, ao altruísmo. Então, a nossa imagem da realidade é alterada. Nossos sentidos são aparentemente invertidos. O cérebro e o coração mudam de direção: do narcisismo para o altruísmo, e a imagem de toda a realidade se revela diante dos nossos olhos. A pessoa começa a obter uma resposta ao pedido em seu coração, e todos os seus desejos que se opunham à conexão entram na “Sucá“.

A Sucá simboliza a forma completa que cada pessoa vai alcançar no futuro. As leis da sua construção simbolizam a maneira pela qual a pessoa se eleva acima do seu ego e adquire a capacidade de amar e doar. Assim, por exemplo, o Shach (palha) em uma Sucá deixa mais sombra do que luz, como está escrito: “A sua sombra é mais do que seu sol” (Mishná Sucá 2:2). Esse costume simboliza uma ação na qual a pessoa “esconde”, restringe, o uso de seu ego para que possa sair dele em direção à Luz, para a conexão e o amor.

Então, ela está pronta para Simchat Torah: ela desenvolve a capacidade de ler os textos de Cabalá e atrair para si a Luz Superior, que também é chamada de Torá, para elevar a conexão entre nós até o ápice da escada de valores, e mudar a sua vida para melhor. Isto é porque a Torá é a força que está preparada para corrigir o ódio e a separação entre nós e transformá-los em conexão e amor, que é uma descoberta chamado de “Simchah” (felicidade). Então, a pessoa sente dentro de si toda a vasta extensão ao seu redor, e ganha uma vida eterna, plena e feliz.

Eu espero, desejo e oro por um ano de mudança, um ano de construção de sistemas adequados de relações entre nós.

Um bom ano para todo o povo de Israel!

Ynet 29/09/16