Textos na Categoria 'Percepção'

No Meio Do Fogo Cruzado

Dr. Michael LaitmanEscritos do Rabash, Volume 2, “O Que é a Proibição de Saudar Outro Antes de Saudar o Criador, no Trabalho”: A parte mais difícil do trabalho é a ordem do trabalho que consiste em duas coisas que se contradizem, e é difícil entender como ambas podem ser verdadeiras, quando atribuímos o trabalho ao Criador, acreditando que o Criador aceita o nosso trabalho, não importa como nós o vemos.

Isso significa que não importa se a pessoa trabalha pela grandeza da razão e do entendimento, se ela atribui o trabalho ao Criador, o que significa que ela trabalha com a intenção “a fim de doar”, o Criador aceita de bom grado o seu trabalho. Isto significa que a pessoa tem que seguir a linha direita, que é considerada a plenitude, orar ao Criador, e agradecer-Lhe, mesmo que ela não encontre nenhum desejo de espiritualidade nela. Caso contrário, como ela pode agradecer ao Criador e dizer que o Criador ouve o que ela diz a Ele?

Se ela consegue agradecer ao Criador, ela sente alegria, e de “Lo Lishma (não em Seu nome), ela chega a Lishma (em Seu nome)”, e, portanto, se eleva de seu estado de plenitude. Como a gratidão que ela sente em relação ao Criador faz a pessoa sentir que é plena, e conforme a alegria que sente, ela continua, ela é capaz de subir ao próximo nível.

O estado em si não muda, é constante. Apenas a atitude da pessoa em relação a ele muda, a sua percepção dele, e isso acontece na medida em que ela esclarece e interpreta corretamente este estado, sua reação ao estado constante em que ela existe o tempo todo.

Novos Reshimot (registros espirituais) são revelados nela cada vez, e ela julga a Luz superior, o nível de doação que lhe é revelado. Portanto, ela está constantemente passando por mudanças internas, o que significa que a sua avaliação dos atributos, como doação, conexão e amor, de todos os atributos que pertencem à espiritualidade, à ideia do Criador, também muda.

Isto é revelado nos desejos (vasos) quebrados ou parcialmente corrigidos da pessoa e, portanto, todas as mudanças ocorrem apenas internamente. Portanto, tudo depende de como ela corrige seus vasos e os aproxima da Luz. Tudo depende da equivalência de forma, na medida em que os Reshimot, que são constantemente revelados, correspondem à Luz. A única maneira de torná-los equivalentes à Luz é através do ambiente, que serve como um adaptador entre os Reshimot que são revelados e a Luz.

Se a pessoa usa corretamente o ambiente e seus Reshimot, ela pode chegar à adesão com a Luz muito rapidamente em cada estado. Então, ela pode sentir que seu estado é bom. É claro que ela faz isso não para se sentir bem, mas para se parecer com a Luz e desconectar-se das análises egoístas, para se tornar verdadeiramente quem doa. Aqui ela sobe os níveis de consciência, da compreensão, e da valorização da Luz.

Nós devemos amarrar essas duas sensações juntas, os dois fatores que se contradizem, a contradição que descobrimos, e isso só é possível quando a pessoa transcende a si mesma. Por um lado, tudo é “contrário” à doação, e por outro lado, tudo é “a favor” dela, e a pessoa não sabe o que fazer. Este é o mundo; é assim que a pessoa é internamente. Portanto, como podemos amarrar esses dois opostos? É impossível, a menos que um terceiro fator venha e decida entre eles. Isso exige estudo e muita experiência, para que a pessoa entenda que esta é a única maneira de avançar.

Por um lado, ela sente um desamparo absoluto, tensão e não entende como pode sair desse estado e ser salva da ameaça do “Faraó”. Por outro lado, ela entende que não há espaço para tais estados no amor e na doação, onde tudo tem que ser agradável, bom e perfeito!

O mundo está dividido em dois exércitos: as forças do mal (conflitos, ódio e separação) estão enfrentando as forças boas e positivas (da conexão e do amor), e não há nada entre elas. Tudo isso é para que o terceiro participante venha e decida entre elas. Somente o Criador pode fazer as pazes entre as duas partes hostis, que é chamado, “Meus filhos Me derrotaram”. Diz-se: “Aquele que fizer as pazes no Céu vai trazer a paz para nós”. Isso já é um trabalho em três linhas.

Da Preparação para a Lição Diária de Cabalá 19/04/13

Tudo É Alcançado Pela Equivalência De Forma

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, “Introdução ao Livro do Zohar“, Item 41: Tenha em mente que a realidade de todos o mundos é geralmente dividida em cinco mundos, chamados: a) Adam Kadmon, b) Atzilut, c) Beria, d) Yetzira, e e) Assia.

Esses “mundos” são os níveis da minha proximidade interna com o Criador, com a doação. É como se eu olhasse através do prisma deles. Ao mesmo tempo, eu posso aceitar a doação em certo nível de Aviut (espessura), de zero a quatro. Em geral, estes são todos os níveis de realização até a adesão total.

Pergunta: Para que nós precisamos desses mundos, dessas ocultações?

Resposta: Para que descubramos gradualmente o Criador de acordo com a nossa equivalência de forma com Ele. É uma lei: cada fenômeno na realidade só pode ser alcançado de acordo com uma equivalência de forma. Enquanto eu, de acordo com a minha natureza egoísta, sou externo a ele e não sou compatível com ele, eu não posso senti-lo. Quando o ponto no coração desperta em mim, eu começo a sentir minha oposição ao Criador, e posso crescer, aumentar meu ponto e minha proximidade com Ele. Mas até então, eu estou desconectado Dele pelo meu ego: Ele é doação total e eu sou recepção total, e eu não tenho nenhuma conexão com Ele. É assim que funciona a lei da equivalência de forma.

Pergunta: Podemos dizer que os níveis de equivalência refletem minha sensibilidade para com os outros?

Resposta: Sim. Minha atitude para com os outros ou para com o Criador é, na verdade, a mesma coisa. O mais importante é a direção de mim para fora.

Nós devemos entender que estamos num estado chamado “mundo de Ein Sof (Infinito)”, ou “Malchut de Ein Sof“. Mas nós estamos separados por cinco níveis de opacidade dos sentidos. Masachim (telas) especiais os enfraquecem como filtros que são vestidos na percepção do mundo de Ein Sof. Como resultado, nós sentimos apenas o “mundo externo”, embora tudo realmente aconteça dentro.

A realidade é fixa, mas ela é descrita para nós sob a forma deste mundo. A única diferença é a imprecisão, no embotamento dos sentidos.

Pergunta: Como podemos aguçar nossos sentidos?

Resposta: Depende da sua sensibilidade para com os outros em sentir o outro e se eu posso sentir que ele é tão importante como eu sou. Portanto, diz-se: “Ama o teu amigo como a ti mesmo”.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 14/04/13, “Introdução ao Livro do Zohar

Os Atores E Os Espectadores

The Actors And The SpectatorsPergunta: Por um lado, eu devo corrigir minha atitude para com os amigos, não importando como percebo a relação deles em relação a mim, mesmo que pareça que eles me odeiam. Mas, por outro lado, eu não posso aspirar à correção se não recebo suporte e garantia dos amigos. Como essas coisas funcionam?

Resposta: É necessário ver a realidade assim: existe Malchut do mundo Infinito e toda ela sou eu. Malchut é dividida em duas partes: agora eu sinto um lado como eu mesmo, e o outro lado como aquilo que está fora de mim. Ainda que, na verdade, estes sejam Kelim (desejos) externos, próximos e distantes, constituindo um complexo sistema de várias relações entre eles e até mesmo entre eu e eles. Todo este sistema, tudo o que me parece como “eu” e “eles”, na verdade é, de fato, eu mesmo. Tudo isso junto é meu. Mas, neste momento, eu preciso ver uma imagem dupla: minha própria parte e a parte que é oposta, contrária a mim.

Além disso, existe um Criador que constrói este estado. Para quê? Para desenvolver minha mente e sentimentos. Afinal, eles são desenvolvidos somente através do trabalho entre nós, ou seja, entre eu e os outros.

Se a imagem da realidade fosse inteiramente retratada dentro de mim, eu estaria abaixo do nível inanimado. É porque mesmo o inanimado sente o ambiente, enquanto eu seria apenas um ponto de matéria primordial. Eu ficaria ainda mais distante do nível vegetal, que sente o ambiente mais fortemente, consome, absorve e excreta substâncias e se reproduz; em suma, vive, mesmo que pague por isso com a sua morte. Isso é ainda mais relevante em relação aos níveis animal e falante. Pessoas não apenas interagem, elas superam grandes distâncias, descobrem novos meios de comunicação e fazem esforços extraordinários para transcender tempo e espaço.

Portanto, tudo é medido de acordo com a força da conexão entre uma determinada criação e seu ambiente. A intensidade do nosso desenvolvimento depende da quantidade e capacidade de conexões entre nós, em outras palavras, da interdependência, garantia mútua e integração reveladas em todo o mundo.

É impossível alcançar o Criador se não vejo todos como opostos a mim e opondo-se a mim, odiados por mim e me odiando. Em cada detalhe eu devo me elevar acima da habitual abordagem superficial para um nível superior. Eu preciso pedir ajuda ao Criador e construir um apoio num grupo, imaginando-o como parte minha.

Na verdade, o mundo inteiro, todas as pessoas, animais e plantas, tudo no nível inanimado da natureza, o universo inteiro, é minha alma. Mas eu estou separado dela pelo poder da imaginação que o Criador inseriu em mim e assim não posso perceber a proximidade entre nós. Isso é demais para mim.

Mas os Cabalistas sugerem que eu use um grupo, uma pequena parte do mundo que posso imaginar como minha alma. Isso significa que eu preciso me aderir aos meus amigos com meu coração, unir-me a eles, e trazer estes Kelim (desejos) de volta para mim, ao contrário do poder da minha imaginação que os retrata como estando fora de mim.

Compreensivelmente, eu não posso fazer isso sozinho; a Luz superior é necessária aqui. Ela me separou destes Kelim. Portanto, deixe-a corrigir agora a minha “visão” atual e trazê-la de volta para dentro. Assim, eu vou sentir que estou recebendo de volta a minha alma. Eu mergulho nos amigos, fundo-me neles ou os abraço e os coloco dentro, não importa como dizer isso. A principal coisa é fazer com que isso aconteça: união , unicidade, garantia. Conforme eu construo uma conexão mútua entre nós, até esse grau eu sinto o que é sentido na alma: a revelação do Criador.

Sobre o período atual, a nossa época, um pequeno grupo não é suficiente. Nós precisamos nos conectar com os grupos espalhados por todo o mundo e, em seguida, com todo o mundo. Esta é a tarefa que recebemos.

Em sua essência, a geração atual está pronta e é chamada para corrigir toda alma compartilhada. Isto é evidente a partir da crise mundial, do despertar do povo e da correção contínua em todos os tipos de lugares.

Mas a coisa mais importante que precisamos entender é que o grupo é a alma. Mesmo que na realidade a alma inclua todos os níveis, todos os mundos, Malchut do Infinito, pelo menos agora nós devemos nos concentrar em nós mesmos, nos membros do grupo. Um amigo é alguém que trabalha juntamente comigo e quer chegar à união como eu, para que nenhum “vácuo”, nenhuma separação, nada permaneça entre nós. Exatamente desta forma nós temos que definir e marcar os limites do grupo.

Nesse caso, se há centenas de milhares de nossos partidários no mundo, o grupo mundial pode contar apenas com algumas centenas de pessoas, aqueles que entendem a ideia, trabalham nela sem questionar e usam sua resistência natural para criar uma conexão ainda mais forte. Afinal, tudo contém seu oposto, o que torna possível a sua própria existência. Assim, nós precisamos ficar felizes quando os defeitos são descobertos — afinal, o amor é revelado acima deles.

Alguém que é capaz e está pronto para trabalhar dessa forma é chamado de “amigo”. E os outros, nesse meio tempo, são “espectadores”… Claro, eu não subestimo ninguém — todos devem examinar onde estão.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 07/04/13, Escritos do Rabash

Quando Tudo É Para O Melhor

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, “Introdução ao Livro do Zohar“, Item 42: Como já esclarecemos com o inanimado, vegetal, animal e falante corpóreos neste mundo (Itens 35-38): as três categorias (inanimado, vegetal e animal) não se expandem por si mesmas, mas apenas a quarta categoria, que é o homem, pode desenvolver e subir através delas. Portanto, o seu papel é apenas servir ao homem e ser útil a ele.

O mesmo ocorre em todos os mundos espirituais. As três categorias (inanimado, vegetal e animal) surgiram apenas para servir e ser útil à categoria falante, que é a alma do homem. Portanto, considera-se que todas elas cobrem a alma do homem, ou seja, o servem.

Portanto, nós estamos no centro de toda realidade. Tudo é designado para o desenvolvimento da alma do homem, a fim de levá-lo ao bem, o que significa levá-lo à totalidade dos meios mais eficientes. É por isso que toda a realidade foi criada e é para isso que serve o seu software. Portanto, nós temos que avançar da melhor maneira interna possível em direção ao melhor estado.

No entanto, há um problema quando se trata de nossa participação no processo. Por isso, cada um de nós, e todos nós juntos, nos vemos num estado imperfeito em todas as fases do nosso desenvolvimento. No estado completo, nós poderíamos sentir a nós mesmos no mundo de Ein Sof (Infinito) a cada passo do caminho, se usássemos os meios que nos foram dados corretamente. Nós poderíamos implantar a fase atual que nos encontramos e não sentiríamos quaisquer limitações, assim como em Ein Sof, quando o Criador é revelado em todo desejo. Mais tarde, camadas adicionais são reveladas, no momento em que o desejo é perfeitamente corrigido por toda a Masach (tela) e toda a Luz.

Assim, nós não precisamos sofrer o “caminho todo” esperando o final da estrada, o fim da correção. Se nos satisfizermos corretamente agora, vamos sentir que ninguém pode nos prejudicar e que não há ninguém cruel no palácio do rei, mas apenas o Criador, que preenche todo o mundo. É assim que ocorre em cada nível. Além disso, vamos também perceber as descidas como subidas. Então, sobre o que é dito: “A escuridão vai iluminar como a Luz”.

No entanto, na realidade, nós não chegamos à aceleração máxima e avançamos, via de regra, na linha do “meio”, recebendo alguns golpes relativamente fracos e tentando se alinhar com a linha do meio…

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 14/04/13, “Introdução ao Livro do Zohar

Esta Não É Mais Uma Fórmula Árida

“… Seu sentimento religioso toma a forma de um assombro arrebatador na harmonia da Lei natural, a qual revela uma inteligência de tal superioridade que, em comparação com ele, todo o pensar sistemático e o agir dos seres humanos é uma reflexão totalmente insignificante.

Albert Einstein, “O Mundo como Eu o Vejo”

Dr. Michael LaitmanPergunta: Muitas vezes, os físicos são obrigados a enquadrar os resultados de suas pesquisas na linguagem de fórmulas. No entanto, a perfeição e a harmonia dos fenômenos que eles pesquisam não podem se limitar a fórmulas. Eles se manifestam em sensações que vêm da natureza e são muito mais importantes do que os números áridos.

Resposta: Há uma lei da física que pode ser definida como segue: “A tensão do campo é inversamente proporcional ao quadrado da distância entre os objetos”. Esta lei abrange vários fenômenos independentemente de quais os tipos de campos de energia a que pertencem. Aqueles que conseguem entender esta lei também podem sentir isso. Usando nossa terminologia, nós diríamos que a cada passo nós recebemos duas vezes mais Luz.

Tudo depende do observador. Conhecer (perceber) não faz parte da fórmula. Em vez disso, a fórmula se revela dentro das nossas sensações. Nós vivemos através dela e sentimos o seu impacto sobre nós. Se nós realmente soubermos o que significa esta fórmula, sentiremos os poderes que agem de acordo com ela.

Isto também se aplica na espiritualidade. Assim, ao adicionar a linguagem da Cabalá aos textos do Livro do Zohar, Baal HaSulam reforçou nossas sensações. Nós ainda não podemos ver como esta combinação nos influencia exatamente, mas, ao mesmo tempo, sabemos que ela permite que a Luz atue sobre nós de forma eficaz e, assim, nos faça avançar.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 29/03/13, O Zohar

Uma Rede De Segurança Ou Uma Apólice De Seguro

Dr. Michael LaitmanA pessoa tem que criar uma “rede de segurança” em torno dela para não quebrar quando a carga de trabalho for pesada, quando sua sensibilidade for aguçada e lhe for mostrado todo o mal dentro de si. O avanço é medido pela rapidez com que a pessoa desperta e se sente feliz por ter recebido o “endurecimento do coração”, como diz o Baal HaSulam: “Estou feliz com a revelação dos ímpios”.

A pessoa começa a trabalhar com os ímpios, com todas as interrupções: a sua falta de desejo, o pensamento sobre o quão difícil e inútil é o trabalho; ela critica os amigos e o professor e tem queixas sobre sua vida. O mundo em torno dela pode estar em ruínas e as pessoas podem se sentir deprimidas, mas quando ela olha para elas, elas parecem ser bem sucedidas. Ele vê uma imagem distorcida, e as pessoas na rua parecem cheias de vitalidade e sabedoria.

Tudo isso é um teatro e uma mentira, e a pessoa definitivamente precisa de uma rede de segurança que a fará se sentir segura e a fortalecerá para continuar a avançar. Há duas condições para isso: a primeira condição é o grupo que concentra a pessoa no Criador. A segunda condição é voltar-se imediatamente ao Criador para receber a força de doação que lhe permite estar acima da força de recepção que o Criador vai evocar nela na próxima vez. É assim que a pessoa avança.

Portanto, o Rabash diz que a Luz ajuda “apenas aqueles que querem deixar o domínio do mal”, ou seja, aqueles que se esforçam. Eu não posso esperar que a Luz corrija tudo por si só e que nada depende de mim, que não há razão em se dirigir aos amigos. A Luz não vai me influenciar se eu primeiro não fizer tudo o que estiver em meu poder.

Eu sou apenas capaz das coisas mais simples: cuidar dos amigos, me conectar com eles, abraçá-los e fazer algo por eles, mesmo com a intenção errada. Em resposta a estas intenções falsas e a essas mentiras, o Criador me dá o endurecimento do coração: eu começo a sentir um peso terrível e relutância em fazê-lo; eu não vejo nenhum sentido nisso. Isto significa que o Criador revela o mal em mim, e parece que estou ficando cada vez pior, mais distante da meta.

E a verdade é que faz sentido que em tudo o que a pessoa se esforça ela avança até certo ponto, mas não volta atrás. (Do artigo do Rabash “O que Significa que Antes do Ministro Egípcio Cair, Seu Clamor não foi Respondido na Obra”). É assim que coisas parecem para mim agora, já que eu acuso e julgo tudo no mundo pelas minhas corrupções.

E a desculpa é que a pessoa não volta atrás, mas sim avança em direção à verdade, o que significa que eu não me aproximo do objetivo falso, como o vejo em meu desejo egoísta, mas sim da verdade, e então eu vejo a que ponto o mal pode agir neles. Na medida em que o mal é revelado numa pessoa, ela pode voltar ao lugar certo com a ajuda do grupo, a fim de se voltar ao Criador.

Sem um grupo a pessoa não tem chance de se lembrar que tem que se voltar ao Criador. Ela vai esquecer isso e vai perder a chance que recebeu de Cima. Ela não vai ser capaz de usar o despertar recebido e simplesmente vai cair e se afogar no mal dentro dela. Portanto, nós precisamos de um ambiente que eleve a pessoa para o bom estado e lhe mostre em que direção ela deve agir para sair da descida.

O grupo age como uma mãe que apoia a criança que está aprendendo a andar, e ela só precisa dar um passo à frente, assim. Então, ela dá um passo após o outro, até que reconhece todo o mal dentro dela, e o Criador a ajuda. Então nós vemos que o Criador ouve a oração da pessoa o tempo todo, e é o Criador quem colocou a pessoa em ambos os estados bons e os maus.

… E por isso nós temos que ser muito fortes e não fugir, mas sim acreditar que o Criador ouve cada oração. A pessoa tem que tentar se manter em cada situação na direção do Criador e ter certeza de que tem o apoio necessário. A coragem não está em lutar contra a minha preguiça, meus sentimentos ruins, o desespero, a fadiga ou a impotência; todos os meus esforços devem se concentrar em conseguir o apoio certo para mim, ou seja, ficar pronto.

Assim, a pessoa se “assegura” e se coloca, com antecedência, numa posição que não depende dela. É como se ela comprasse uma apólice de seguro. Eu não sei o que vai acontecer num determinado momento e quero ter certeza que quando eu ficar mais fraco e não for capaz de me controlar, alguém poderoso vai cuidar de mim. Ele, sem dúvida, vai me ajudar e fazer tudo o que é bom para o meu bem.

Eu faço uma apólice de seguro para mim mesmo com antecedência: através do estudo, do meu compromisso com o grupo, e da minha participação nas tarefas. Eu organizo tudo para que quando eu cair, eu não vou estar completamente desprendido e não vou me perder. Esta é a única maneira que podemos avançar.

Da Preparação para a Lição Diária de Cabalá 27/03/13

Um Mundo Tecido Com Ondas De Luz

Dr. Michael LaitmanPergunta: O mundo nos é retratado agora através de nossos sentidos. Mas à medida que avançamos espiritualmente, ele gradualmente se dissolve. Como isso acontece?

Resposta: É muito simples. Até hoje muitos artigos científicos foram escritos sobre o assunto.

Nós sentimos tudo dentro de nós. A Luz superior constrói esses sentimentos em nós. As ondas físicas ou espirituais (não faz diferença como elas são chamadas, uma vez que todas têm a mesma natureza) executam determinadas ações sobre nós, e nós as sentimos. Segue-se que tudo o que sentimos depende dos nossos Kelim (vasos), nossos sentidos.

Se nossos sentidos estão no nível mais inferior, neles nós sentimos diferentes faixas, objetos e eventos, que chamamos de nosso mundo. Mas se os sentidos forem expandidos, em vez destes volumes nós começamos a sentir faixas adicionais que englobam as atuais. Em última análise, tudo se dissolve, tudo desaparece nas ondas.

Baal HaSulam apresenta um exemplo muito simples. Se esfriarmos a água, ela se transforma em gelo, o que equivale a dizer que a partir de um estado líquido ela passa para um estado sólido. Se aquecermos a água, ela evapora, se transforma em vapor, numa névoa. Mas esta é a mesma entidade que estava antes no estado líquido ou sólido e que agora se transforma em estado gasoso. Ou seja, tudo muda em relação a nós.

Se tivéssemos outros sentidos, poderíamos, por exemplo, sentir o ar como se fosse concreto, como um obstáculo intransponível. Segue-se que são os nossos sentidos que retratam o mundo como ele é para nós.

Leia o que os cientistas têm escrito sobre a percepção da realidade. Depois de Einstein veio Everett e outros grandes físicos que escreveram que tudo é percebido em relação ao observador, e isso foi provado experimentalmente.

Portanto, se nossos sentidos mudam, até mesmo a matéria torna-se diferente. É apenas uma onda de luz. Enquanto que nós precisamos estar envolvidos com a aspiração ao Criador, a esta força, já que a sua descoberta é que realiza todas as mudanças em nós.

Da Convenção Europeia na Alemanha 23/03/13, Lição 3

Um Escudo Para Um Verdadeiro Herói

Dr. Michael LaitmanPergunta: O que significa pedir a conexão com o Criador numa situação difícil, em vez de tentar superar a situação difícil por conta própria?

Resposta: A sabedoria só vem com a experiência. Nós precisamos sentir a escuridão muitas vezes, e depois luz, e novamente a escuridão e a luz. Ou seja, é preciso passar por muitas sensações desagradáveis ​​e agradáveis, onde eu me sinto mal ou bem através de todos os tipos de razões espirituais e materiais, e não posso fazer nada sobre isso.

Milhares dessas experiências devem mudar em mim até eu começar a perceber que a minha percepção depende da minha avaliação, da importância que eu atribuo às propriedades espirituais de conexão, amor, e da minha relação com os outros. Eu já começo a adivinhar o que está escondido na escuridão e a senti-lo. Eu não me sinto simplesmente bem ou mal, mas bem e mal devido à minha relação com o grupo, porque não o considero importante ou não trato bem os amigos.

Há muitos degraus neste caminho, muitos pequenos estágios, ainda não espirituais, mas barreiras psicológicas que devem ser superadas. Depois vem o entendimento de que ao despertar da escuridão, eu começo a pensar na tela, no momento em que posso estar acima desses sentimentos.

Nós temos que avançar através dos bons e maus sentimentos, dia e noite, até o fim da correção. Embora todo mundo passe por isso em seu próprio caminho, no final, eu começo a sentir a necessidade de me elevar acima desses sentimentos. Eu não quero mais depender deles e ser seu escravo, mas quero ser protegido contra eles com um escudo.

Deixe que várias impressões internas surjam em mim, mas elas não devem afetar a minha atitude em relação aos amigos, ao caminho espiritual, à importância da meta e do Criador. Eu quero ser independente nisso do meu desejo egoísta e seus sofrimentos. Esta exigência está nascendo em mim: eu quero estar acima do sofrimento do egoísmo, semelhante ao comportamento de um verdadeiro homem neste mundo que bravamente sustenta a sua posição, e nada pode abalá-lo, nenhuma influência externa.

A partir deste momento, eu tenho uma conexão direta com o Criador porque começo a exigir Dele. Até agora, eu só pedi sentimentos bons, estados agradáveis, suaves satisfações, isto é, eu exigi pelo meu egoísmo. Agora, eu exijo elevar-me acima do meu desejo egoísta, e esta é a solicitação correta ao Criador. Eu quero me relacionar com o Professor igualmente bem, na mesma direção, enquanto me mantenho acima das emoções, acima dos sofrimentos do meu ego. Isso é chamado de “tela anti-egoísta” (Masach).

É claro que estas telas têm um número de níveis e funções, mas o trabalho com a Luz começa a partir desta primeira tela. Eu quero restringir o meu desejo de desfrutar. Naturalmente, eu sinto tudo o que acontece nela e a preocupação em mim mesmo. Mas todas essas emoções, cozinhando no meu estômago, não afetam a minha visão, meu coração e mente. Há uma divisão (Parsa) entre eles, que eu sinto como um diafragma dentro do meu corpo. Sob esta divisão, no “estômago”, algo é cozido e acontece, mas eu quero me identificar com o que está acima deste diafragma: com os pulmões, o coração e o cérebro.

Da Preparação para a Lição Diária de Cabalá 28/03/13

Harmonia De Fatos E Números

Dr. Michael LaitmanPergunta: Qual é a diferença nas intenções quando nós estudamos O Livro do Zohar ou O Estudo das Dez Sefirot?

Resposta: Em princípio, não há nenhuma diferença. Os dois livros foram escritos a partir do nível de GAR do mundo de Atzilut. Estas duas linguagens simplesmente se completam e nos ajudam nesse sentido.

Se  lermos livros que foram escritos apenas no idioma do Midrash, então não está claro para nós quanto ao que atribuir a eles. Uma pessoa poderia captar detalhes isolados e procuraria um sentido para eles, outra tentaria traçar paralelos, e assim por diante.

Portanto, a fim de estabelecer, de estabilizar-nos com a abordagem certa e não transformar O Livro de Zohar no que tem sido feito com a Torá, onde todo mundo acha o que gosta: psicologia, sociologia, história, direito, e assim por diante, o Baal HaSulam inseriu uma espécie de “física” ou “mecânica” de atividades espirituais mútuas em nossa aprendizagem. Graças a isso, nós sabemos realmente o que ele estava falando. Seus livros descrevem de forma metódica um sistema espiritual de conceitos, e mesmo que eu não esteja lá emocionalmente, eu já posso imaginar exatamente a essência: as 10 Sefirot, a relação entre elas, suas ações em relação à Luz superior encontrada acima delas, como elas se identificam com ela e são preenchidas por ela.

Assim, desde o início, eu posso me manter na direção certa, sem fugir; depois disso, eu posso começar a esclarecer por que o autor escreve assim, transmitindo emoções como estas, usando palavras como essas do nosso mundo. Baal HaSulam comunica o sistema superior a mim, onde tudo é determinado de acordo com a natureza das coisas encontradas na parte inferior do sistema, onde eu vejo a natureza inanimada, vegetal e animal, e os seres humanos em toda a sua diversidade e riqueza e todas as conexões recíprocas entre eles. Meus sentimentos são derivados do mundo em que me encontro, mas, simultaneamente, Baal HaSulam descreve o mundo superior para mim: “Veja como ele é construído”. Assim, sem escolher fazê-lo, eu começo a receber algum tipo de estímulo, começo a conectar detalhes aparentemente separados, e assim avanço.

Há muitas coisas escondidas lá que nós não sabemos. Quando começamos a ficar um pouco mais sensíveis, mesmo que inconscientemente, com um sentimento um pouco maior, nós recebemos uma iluminação que nos desenvolve…

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 29/03/13O Zohar

Substituindo-Me Pelo Resto Do Mundo

Dr. Michael LaitmanConforme eu me anulo, meu ego, o velho “eu” desaparece. Em vez disso, eu adquiro todo o sistema que se torna meu. Não me afogo no sistema, como se deixasse de existir; em vez disso eu adquiro todos!

Eu começo a sentir que tudo no sistema são meus desejos, minhas intenções, minha vida. Eu vivo este sistema, eu mato meu desejo de receber e assim começo a sentir o desejo do sistema, sua mente, a força que o coloca em funcinamento.

Eu não posso estar sob duas autoridades ao mesmo tempo: eu posso estar sob meu domínio ou sob o domínio do Criador, um dos dois. Então, eu tenho que elevar meus vasos dos mundos de BYA até a conexão com Malchut de Atzilut, até a Shechina (Divindade).

Os mundos de Beria, Yetzira, Assiya (BYA), são os desejos de HBD, HGT, NHY que estão sob o Parsa. Primeiro nós elevamos nossos vasos do mundo de Beria para Atzilut, depois os desejos do mundo de Yetzira para Atzilut, e depois do mundo de Assia para Atzilut. Nesse sentido, os estados de Ibur (gestação), Yenika (sucção) e Mochin (mente) formam-se em nós.

Assim, nós subimos para Malchut de Atzilut, erguendo-nos na “fé acima da razão”. Tudo o que é externo a mim está separado de mim por uma barreira, pelo Parsa, atrás do qual há o mundo de Atzilut. Deste lado do Parsa, existem os mundos de BYA que são chamados vasos de separação, onde eu sinto o meu “eu”. Mas, na verdade, não é o meu “eu”, são os vasos quebrados que estavam conectados anteriormente e depois caíram. Portanto, agora eles são retratados a mim dessa maneira.

Da 1ª parte da lição diaria de Cabalá 20/03/13, “Matan Torá (A Entrega da Torá)”