Textos na Categoria 'Egoísmo'

Combustível Egoísta Por Um Propósito Altruísta

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, “O Arvut (Garantia Mútua)”: Porque a Torá não foi dada a eles antes que todos de Israel respondessem se tomariam para si a Mitzva (mandamento) de amar aos outros na medida completa, expressa nas palavras: “Amai ao amigo como a ti mesmo” (como explicado nos Itens 2 e 3). Isso significa que todos em Israel tomariam para si a responsabilidade de cuidar e trabalhar por cada um dos membros da nação, e de satisfazer todas as suas necessidades, nada menos do que na medida impressa nele para cuidar de suas próprias necessidades.

Esta condição parece clara. No entanto, toda a realidade está oculta aqui, tudo o que a vida pode nos dar. E uma vez que existe apenas uma condição diante de nós que deve ser mantida, “E amarás ao amigo como a ti mesmo”, tudo o que acontece na minha vida pessoal, com relação a mim mesmo, a minha família, ao ambiente próximo e distante, a humanidade, ao mundo, tudo o que aconteceu comigo até este momento, deve ser direcionado apenas a uma única meta. E a cada momento eu preciso verificar: será que eu tenho vivido para alcançar o amor ao próximo?

Se eu começo a me avaliar, é compreensível que a cada momento surjam muitos questionamentos: “Por quê? Para quê? Como uma coisa está ligada a outra? O que eu ganho com isso?”, etc. Rejeição e resistência vão crescer, mas se eu realmente quero esclarecer o que deve ser esclarecido e corrigido, então tudo vai ser considerado de acordo com um único critério, de acordo com a frase: “E amarás ao teu amigo como a ti mesmo”.

Está escrito que esta é uma grande regra na Torá. Em outras palavras, este é o princípio que inclui toda a realidade, todas as minhas encarnações, e, em geral, tudo o que existiu. Portanto, a pessoa que está pronta para aceitar este princípio como base, como uma vara de medição para sua vida, está pronta para aceitar a Torá, o método de correção. Você vê, toda a Torá é projetada apenas para perceber este princípio.

Por outro lado, a pessoa que não se orienta nessa direção, não precisa da Torá. Ela pode lê-la, estar interessada nela como um historiador, ou usá-la de alguma outra forma. Ao longo da história, todo mundo já vagou por ela como lhe convinha. Dito isto, a verdadeira Torá é revelada a mim, me move, e abre o caminho diante de mim com a condição de que eu aspire ao “E amarás ao teu amigo como a ti mesmo”.

Desta forma, eu começo à distância, da maior resistência, de uma absoluta falta de entendimento, do lugar mais distante, até que, gradualmente, começo a entender que isso é importante, que isso está ligado a toda a realidade, ao mundo, a todas as outras pessoas e ao meu ego. Eu começo a me interessar por este princípio, pelo menos de uma forma egoísta, com a esperança de ganhar algo com isso. Então, eu já tenho algo no que me agarrar; esta expressão se torna importante aos meus olhos, porque eu vejo isso como um meio para receber prazer, o conhecimento de si mesmo, uma oportunidade de começar algo novo. E mesmo se essa conexão não estiver organizada como eu gostaria, e passa pelo lado inverso, isto ainda é uma conexão, e é muito importante.

Um estado como este é chamado de “Lo Lishma“, e é um nível elevado onde já estou mantendo o princípio do “E amarás ao teu amigo como a ti mesmo”, e através dele, o amor pelo Criador, que pode ser encontrado no outro, na comunidade, como está escrito: “Eu vivo no meio do meu povo”. Portanto, tudo é para mim, exceto a intenção.

Em primeiro lugar, do meu “saudável” e materialista desejo egoísta, eu entendo este princípio fortemente; então, é possível falar sobre a intenção. Primeiro de tudo, é necessário construir uma relação saudável, como está escrito: “Educar os jovens de acordo com a sua maneira”. E quanto mais cruel o seu desejo de realizar-se, melhor, porque então você pode abrir o caminho diante dele e explicar a ele do que depende o progresso.

Em geral, todos os passos que levam tanto à pureza quanto à impureza estão sujeitos à mesma dependência e encontram-se no mesmo caminho. Apenas a relação é diferente. Sobre isso está escrito: “O Criador fez isso oposto aquilo” (Eclesiastes, 7). Nós usamos os mesmos Kelim tanto para ações egoístas quanto altruístas, e apenas em intenção essas ações são opostas.

Diante de mim está o sistema das minhas relações com o grupo. Eu me entrego a ele e através dele ao Criador, que está dentro dele. Eu quero me aderir a Ele e, assim, me encher com toda a Luz do Infinito. Esta é a abordagem desejada, útil e imperativa.

Se eu começo a me confundir com considerações supérfluas, eu só reduzo o meu desejo mesmo antes que ele cresça, para que eu possa ter algo a corrigir. A pessoa corrige apenas o que é descoberto por ela, e ela não deve ter vergonha ou ficar tímida por causa de suas aspirações espirituais egoístas. Isto é normal. A principal coisa é ter certeza, que, especificamente no sistema chamado de “grupo”, eu vou revelar o Criador.

Em geral, este sistema inclui toda a realidade, e mesmo que ele agora me pareça estar dividido, mais tarde eu vou ver que tudo está incluído dentro dele. Então, é importante ver o estado real, mesmo que nesta fase seja para o meu próprio benefício.

Este é o começo da auto-anulação; isso me coloca diante de questionamentos eternos: “Como eu posso ser incorporado no sistema? Como é que eu desfruto-o?”. Então, a Luz que Reforma age sobre mim. O sistema é construído de tal forma que o lado posterior da parte superior encontra-se no lado da frente da parte inferior, e, por conseguinte, mesmo se eu penso em subir egoisticamente, a parte superior aperfeiçoa meu defeito e me dá um remédio para o meu ego. Afinal, esse ego é direcionado para “E amarás ao teu amigo como a ti mesmo”.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 25/04/13, “A Garantia Mútua”

Uma Pedra Contra A Outra

Dr. Michael LaitmanRabash, Carta 40: E você deve perguntar: “O que a pessoa pode fazer se sente que tem um coração de pedra em relação ao seu amigo…”.

O conselho é muito simples: a natureza do fogo é que quando se esfrega uma pedra contra a outra, acende-se um fogo… E só quando ambos têm a intenção de dar um presente, e não por caridade, por meio do esgotamento dos corações, mesmo dos mais fortes, cada um vai extrair calor dos muros do seu coração, e o calor vai incendiar as centelhas de amor até uma vestimenta de amor se forme. Então, os dois vão ser cobertos por uma manta, ou seja, um único amor os cercará e envolverá, pois é sabido que a Dvekut (adesão) une dois em um.

Quando a pessoa começa a trabalhar num grupo, ela não sente repulsa pelos outros. Mas assim que ela sente a necessidade de se conectar com os amigos, já que este é o meio para atingir a meta, o vaso para a revelação do Criador, e através desta conexão ela alcança a doação e adesão, só depois é que estes outros são chamados de “amigos” e não antes. É neste momento que os problemas começam. Essas pessoas não parecem mais estranhas: todas assumem uma determinada cor, uma forma, e tornam-se versáteis e cheias de emoções diferentes.

Os amigos evocam nela emoções muito complexas e não é fácil se conectar com eles. Ela não quer se conectar com eles. Ela não quer abraçá-los e sentar-se à mesma mesa com eles para uma refeição ou para dançar juntos. Diferentes pensamentos ruins a vencem no que diz respeito às suas relações com os outros e ela começa a sentir que é muito difícil se conectar com eles.

Quanto mais ela compreende a necessidade de se conectar, mais distante e irreal isso lhe parece. Novas interrupções são cada vez mais evocadas. É sobre este tipo de trabalho que a Torá nos fala, primeiro na história de Abraão e Isaac, e depois sobre Jacó, os filhos de Jacó e José. Por fim, este trabalho torna-se o exílio no Egito, quando a pessoa sente essa distância terrível dos outros, que é impossível ignorá-la, e é impossível se conectar.

Quanto mais a pessoa tenta superar o seu ego e se conectar com os outros, menos ela consegue. Ela experimenta “sete anos de saciedade” e “sete anos de fome”, no que diz respeito à conexão, uma vez que toda a guerra contra a inclinação ao mal refere-se apenas à conexão. Depois, há as pragas do Egito, as pragas do Faraó, que forçam a pessoa a finalmente entender que somente a Luz superior pode ajudá-la.

Ela decide que não pode viver mais sem o amor absoluto, que vai quebrar o seu coração e os cacos do seu coração irão penetrar o coração dos seus amigos. Esta é a única coisa que ela quer e nada mais que isso. Assim, ela começa a trabalhar no amor que não se transforma imediatamente no amor verdadeiro, mas começa a partir de algumas conexões preliminares, mas esta é, pelo menos, certa conexão.

Da Preparação para a Lição Diária de Cabalá 16/05/13

As Imagens Da Realidade Que Ganham Vida

Dr. Michael LaitmanA verdadeira realidade é o Criador, porque Ele existe por conta própria, independente de qualquer força adicional. Ele simplesmente existe e pronto! No entanto, a existência de qualquer outra realidade exceto o Criador depende de duas forças opostas.

Nenhuma delas sozinha pode fornecer essa existência. Só devido à sua conexão é que eles produzem grãos de nossa realidade artificial, temporária e de curta duração, o que é chamado de criação (Beria), porque está fora (Bar), fora do Criador, e existe apenas sob certas condições. Esta realidade artificial é a nossa vida hoje.

No entanto, o Criador nos deu a oportunidade de entender e conectar a criação de baixo para cima com a ajuda de duas forças opostas: doação e recepção. Assim, nós podemos completar o universo, que foi criado pela propagação destas duas forças de cima para baixo, acrescentando-lhe o nosso próprio consentimento de baixo para cima. Acontece que nós aparentemente damos vida à criação artificial que foi criada pelo Criador, tornando-a real.

Graças ao nosso consentimento, aceitando o pensamento do Criador a fim de nos reunir a partir de duas forças opostas em cada etapa de baixo para cima, nós damos à criação a verdadeira força, sendo parceiros do Criador como iguais, no mesmo grau. Afinal de contas, nós tomamos Sua mente, Sua direção e Sua atitude, e adicionamos essa mente divina superior e a atitude em relação às formas que se espalham de cima para baixo, devido a que elas aparentemente sobem de baixo para cima.

As duas formas, recepção e doação, vêm até nós já preparadas. Nós não somos responsáveis ​​pelo mal, a natureza egoísta e, além disso, pela afável natureza de doação. No entanto, devido ao nosso desejo de boas propriedades, nós damos a nossa própria contribuição, alcançando a compreensão, o conhecimento, acrescentando a nossa atitude pessoal que está se tornando unida com o Criador.

O que importa não são as duas forças em si, recepção e doação, mas sua conexão – consequência, “derivativo”- a noção de união que nasce do trabalho da mente e do coração.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 16/05/13, Escritos do Rabash

A Tecnologia Da “Sabedoria da Multidão”: Uma Imagem Unificada

Pergunta: Num grupo integral todos precisam ser humildes para com os outros e ao mesmo tempo estar acima de todos. O que é que isso significa?

Resposta: Quando discutimos algo, unimo-nos entre nós, nutrimo-nos uns aos outros. Suponha que o nosso amigo está falando. Assim, por um lado, aparentemente tentamos compreendê-lo, senti-lo, estar junto com ele. Por outro lado, quando estou falando, então todos estão incluídos dentro de mim.

Acontece que quando o meu amigo se expressa, eu me anulo completamente e tento absorver tudo o que ele está a sentir e a pensar, no coração e na mente. E quando é a minha vez, eu trago tudo de mim, e todos estão incluídos em mim de forma idêntica. Este é a primeira e a mais pequena condição.

Adicionalmente, as pessoas precisam entender que eles têm de subir acima do ego e não olhar para os rostos dos outros: Eu não gosto dos teus óculos, eu não gosto do nariz dele, do seu cabelo, e assim por diante. Isto significa, que me despojo completamente, na minha participação na conversa, da aparência externa. Nós tentamos reunir nossas emoções, coração e mente juntos. E quando este coração partilhado e esta mente partilhada, ou seja, os sentimentos e pensamentos que representam cada indivíduo se unem, isto cria uma imagem unificada, que é chamada de “multidão” ou um “grupo”, caso contrário, isto não é nenhuma multidão.

No nosso mundo, consideramos como uma multidão a população que se reúne na praça da cidade para bater em alguém. É muito fácil de influenciar uma multidão comum. Isto não é assim na sociedade integral. Neste grupo de pessoas, uma proteção clara aparece. Na verdade, nenhuma força externa pode- lhes fazer alguma coisa, porque eles sobem para um outro nível, trabalhando numa outra frequência.

Quando as pessoas criam uma imagem unificada, todos os nossos estereótipos terrenos usuais, perturbações e influências não os afetam – eles têm outro nível de percepção.

Do programa “A Sabedoria da Multidão” 06/05/13 de KabTV

Bem-Vindo Ao Cruzeiro Eterno

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam diz no artigo “O Arvut (A Garantia Mútua)”que se a sociedade se preocupar com cada um de seus membros, ela pode neutralizar o desejo egoísta de uma pessoa.

Suponha que eu vá num prazeroso cruzeiro com “tudo incluído”, despreocupado, já que o serviço realmente inclui tudo o que eu possa pensar. Eu descanso na minha cabine me preparando para passar duas semanas de puro prazer. No entanto, quando partimos, dizem-me que vai ser um cruzeiro eterno. Portanto, eu vivo, e tudo é preparado para mim: café da manhã, almoço e jantar são servidos no horário certo, a minha cabine está sempre arrumada, há uma biblioteca, uma sala de cinema, internet, piscina, e assim por diante. Tudo está a meu dispor.

Além disso, todo mundo me trata muito bem e é muito atencioso, e não há nada com que se preocupar. As pessoas ao meu redor estão prontas para me ajudar a qualquer momento e de qualquer maneira. Estes são os princípios sociais neste barco, e se aplicam a todos, sem exceção.

Portanto, como a minha natureza vai reagir a isso? É possível que o ego entre em erupção sob tais condições? As pessoas ao meu redor me ensinam a me anular por sua atitude em relação a mim, e eu não procuro formas para preencher e satisfazer-me mais.

Por exemplo, eu não perambulo em bares e restaurantes em busca de iguarias que ainda não provei, mas me sinto satisfeito com uma simples alimentação saudável. Luxos não me excitam como antes. Lá, um buffet de sobremesas está aberto diariamente, e rapidamente freia minhas demandas. Depois de alguns dias, eu já restrinjo meu “consumo diário”, e depois de uma semana, estou satisfeito com uma xícara de café e um biscoito. A atmosfera está cheia de Luzes Circundantes que estão constantemente prontas para conter e acalmar o meu ego.

A questão principal aqui é o exemplo que eu tomo dos outros e a atitude que eles me ensinam. Eu estou na companhia de pessoas que estão satisfeitas com pouco. Isto é o que é aceito entre elas, e pronto. Elas realmente não precisam de mais do que isso. Elas preferem desfrutar as boas relações, que eu agora tomo em porções, em vez de alimentos. Se eu me sinto triste e retiro uma porção do “nosso amor”, estou imediatamente cheio de amor.

Isso porque eu estou numa rede de relações sociais, humanas, cuja mensagem clara é que nunca me faltará nada. Na verdade, o sentimento em si é o suficiente, e nada mais. Inicialmente, pela nossa natureza, nós dependemos do ambiente, e não há compromissos aqui. Assim, se o grupo irradia a atitude certa em relação a mim, imbuído de tranquilidade, paz e boa vontade, então, menos de um dia depois, eu também sinto que tudo é exatamente como deveria ser. No entanto, se eu me encontrasse em alguma gangue, eu também iria absorver seus princípios.

Existe uma inclinação natural dentro de uma pessoa de se adaptar ao ambiente. Eu simplesmente não tenho meios e não há como combater essa inclinação. Assim, dentro de um par de horas, eu fico incorporado na atmosfera geral da garantia mútua e paro de me preocupar comigo. As pessoas ao meu redor são a minha rede de conexões e estão mais próximas de mim. Eu não posso resistir a sua opinião, já que também faço parte da rede geral.

Portanto, quando é a minha vez de revelar o Criador, a raiz da minha alma, eu sou levado a um novo tipo de conexão, a um grupo. A mesma lei opera aqui: o grupo me diz que não há nada com que se preocupar e que eu vou parar de me preocupar com isso. Mas, além disso, ele tem que transmitir a mensagem de que eu tenho que me conectar com os amigos e aderir ao Criador. É porque a autoanulação não basta, eu também preciso da direção certa, e eu também receberei esta mensagem.

Meu livre arbítrio não é tirado de mim no grupo, já que eu simplesmente vou me anular. Na espiritualidade, as opiniões de outras pessoas não são transmitidas automaticamente. Este é outro barco que eu tenho que escolher sozinho. O Criador me leva até a escada, mas cada passo exige grande esforço e fortalecimento ao longo do caminho. No entanto, será que eu fico mais forte? Eu realizo o meu livre arbítrio? Sem o livre-arbítrio, eu nunca vou desenvolver o ser humano dentro de mim.

O “ser humano” (Adam) é só aquele que pressiona a si mesmo para entrar no grupo e ser incorporado aos amigos. Então, eu recebo tudo o resto deles automaticamente, já que não tenho mais qualquer controle sobre isso.

Em suma, nós podemos escolher apenas uma coisa: o ambiente. A primeira e principal condição é a garantia mútua. Se nós estamos conectados em garantia mútua e proporcionamos a todos tudo o que eles precisam para a autoanulação, então não precisamos de mais nada para começar.

A segunda condição é ter certeza de que todos tenham estímulos e incentivos para que certamente se prendam aos amigos. Isso garante a boa sorte de uma pessoa.

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabalá 30/04/13, “A Garantia Mútua”

Substituição Para A Dependência Egoísta

Dr. Michael LaitmanPergunta: Onde as pessoas podem encontrar força para fazer a transição para a motivação integral? Nós costumamos falar da crise e de outros problemas, o que nos empurra para a unidade, mas talvez haja um toque suave ou uma transição em fases para o sistema integral?

Resposta: Na verdade, isso não pode ser feito mecanicamente. Esta é a primeira vez que a natureza se expressa muito nitidamente como uma única lei de um único sistema em relação à humanidade.

Nós chegamos a um estado em que crescemos egoisticamente. Nós temos nos desenvolvido como egoístas ao longo de muitos anos, e, desta forma, a natureza estava nos empurrando para frente.

É por isso que em vez de exibir a integralidade, a rede de conexão comum sempre mostrou sua interdependência egoísta: um queria ganhar mais dinheiro, ter uma vida melhor, outro queria governar, conquistar alguém, e assim por diante. E nós percebemos todas essas coisas. Esta rede de conexão sempre aparecia entre nós, e à medida que ela manifestou através da comunicação humana, novas nações e continentes se juntaram a ela, mas nada disso era integral. Não havia nenhuma dependência mútua entre elas.

Considerava-se que quando eu conquisto alguém, este se torna dependente de mim, e vice-versa, e isto se aplica a tudo: arte, ciência, tecnologia, guerra e política. O egoísmo sempre nos controlou de uma forma simples e direta. Eu pressiono e recebo o que preciso.

Esta rede consiste de uma combinação de forças egoístas que estavam numa luta constante entre si, desta forma; elas controlavam nações, a humanidade e a civilização num certo grau.

No entanto, a partir do século XX, uma dependência completamente diferente começou a se manifestar: especificamente a dependência entre essas forças, e não simplesmente uma inclinação para estar uns contra os outros que força a humanidade a combater sem piedade. De repente, nós começamos a entrar em sintonia com o outro de alguma forma.

Acontece que você não pode simplesmente destruir uma pessoa, porque ao fazê-lo, você destrói uma parte de si mesmo, um potencial do seu próprio desenvolvimento e existência. Em outras palavras, nós descobrimos uma forte necessidade de cada nação em cada elemento da rede comum.

Isto pode ser muito bem visto utilizando o exemplo da ecologia. O que nós receberíamos se destruíssemos as moscas? Qual seria a consequência da destruição dos lobos? No entanto, esta não é a forma como as coisas costumavam ser. Acontece que nós não tínhamos tanto poder sobre a natureza. Nós não tínhamos a capacidade de fazer com ela o que quiséssemos.

Principalmente, não havia integração. Não havia manifestação de qualidade dela. Nós só começamos a descobrir esta mútua dependência no início do século XX. Vladimir Vernadsky começou a escrever sobre isso naquela época.

A integralidade está aumentando e continuará a se manifestar. É por isso que precisamos pensar sobre como podemos ajudar a humanidade a perceber isso.

De KabTV “A Sabedoria das Massas” 06/05/13

Quando As Massas Se Tornarão Sábias?

Dr. Michael LaitmanPergunta: A força motriz da evolução é a descoberta da rede global da humanidade. Nos últimos anos, esta descoberta tornou-se expressa numa forma interessante chamada de “sabedoria das massas” ou “crowdsourcing”, quando as pessoas se conectam não apenas para falar, mas para produzir um determinado resultado. Isto é, esta é uma verdadeira conexão que produz alguma coisa. O resultado desta conexão está sempre num nível mais elevado do que a soma das suas partes.

O que é a inteligência coletiva, a sabedoria das massas? Porque a inteligência do grupo é maior do que a inteligência de uma pessoa?

Resposta: A inteligência coletiva começou a se manifestar apenas recentemente.

Em princípio, a rede coletiva que nos conecta sempre existiu entre nós. O universo inteiro tem sido considerado pelos filósofos, físicos, e muitos outros investigadores da natureza, como um todo. Como pode o universo não ser um todo unificado se ele nasceu de um ponto e gradualmente começou a se estender?

Na natureza, não há caos, ele só pode existir na nossa mente. Quando examinamos a natureza, vemos leis claras que agem nela, e se não vemos essas leis até o fim, de forma geral ou específica, isso só reflete a nossa falta de conhecimento. Quanto mais descobrimos sobre a natureza, mais descobrimos a conexão absoluta que existe nela.

Essa conexão existe em todos os níveis da natureza. O indivíduo e a sociedade não são exceção. Eles são um produto da natureza. De certo modo, nós não criamos isso e nos tornamos assim, embora desejássemos pensar que somos totalmente independentes. Pelo contrário, quanto mais avançamos, mais as leis da evolução da sociedade humana nos são reveladas. Nós vemos como essas leis são objetivas. Nós não podemos fazer nada sobre elas, só podemos especificar os fatos.

Portanto, a rede que liga a parte inanimada, vegetal, animal e humana da natureza, é uma só. No nosso tempo, a última parte da natureza, a mais desenvolvida, está sendo revelada. A sociedade humana está começando a descobrir que também está incluída numa rede global, integral, e esta rede é tão interconectada que se nós vemos as coisas através dela, podemos ver que é mesmo impossível imaginar a liberdade de escolha de uma pessoa. Nós podemos ver que não há nada de acidental aqui, e assim por diante.

Tudo está incluído com precisão absoluta neste programa de evolução que nos mostra a interdependência absoluta entre nós e, à medida que o descobrimos, entendemos que estão incluídos dentro dele, e ele nos obriga a agir em conformidade.

De acordo com pesquisas da física, uma pessoa que está olhando para algo que está acontecendo no espaço exterior ou dentro do microcosmo traz a si mesma a este evento, e, portanto, este evento está sujeito a alterações. Este fenómeno também demonstra a dependência total entre os diferentes níveis, neste caso, entre o ser humano e os níveis inanimados da natureza.

Esta rede de completa dependência mútua foi descoberta por nós gradualmente, e, assim, ela desenvolve a humanidade, levando-a a sua integração. No momento em que esta rede for descoberta, nós devemos corresponder a ela. Caso contrário, conforme o grau de nossa falta de equivalência com ela, na medida em que diferimos dela, nós experimentamos todos os tipos de problemas, que, em geral, chamamos de crise.

Portanto, pela primeira vez, nós chegamos a uma crise de longo prazo, que já dura há décadas. Os primeiros que viram isso a perceberam cerca de cinquenta anos atrás. Eles eram membros do Clube de Roma, que começou a publicar vários artigos sobre o assunto. Desde então, a crise continuou a evoluir, tornando-se uma crise na família, na educação, na cultura, e assim por diante.

Nós estamos diante de um novo sistema integrado. No entanto, uma vez que somos individualistas, egoístas, não conseguimos nos acomodar a ele. Aqui, são necessárias mudanças dentro do indivíduo. Como essas alterações ainda não ocorreram em nós, a crise vai continuar, é claro. Nós vemos como ela continua a crescer. A rede de conexão entre nós é descoberta mais e mais, mas nós ainda não entendemos o quanto somos diferentes dela. Portanto, ainda é muito cedo para falar sobre crowdsourcing (a sabedoria das massas).

Quando nós nos reunimos, vemos que a soma de todos os nossos esforços e ações é muito maior do que a soma usual. Um tipo diferente de adição é criado aqui. Além disso, esta adição é muito significativa. É como se a sua a sabedoria viesse do próximo nível, como se fosse uma profecia, ou seja, como se estivéssemos vendo um pouco mais, além do tempo, além do que podemos ver, porque através do nosso esforço conjunto, nós entramos numa espécie de equivalência com a rede integral.

Isso está acontecendo entre pequenos grupos de pessoas que ainda são egoístas. Se pudéssemos reunir um grupo que fosse verdadeiramente integral, ou seja, que as pessoas dentro dele subissem para um nível de integração mútua, como é exigido pela rede, então eles se encontrariam em outra dimensão, para a qual a natureza quer nos empurrar.

Afinal de contas, de acordo com a natureza, nós ainda estamos no nível animal da evolução, preocupados apenas com o nosso corpo. Quando nós conseguimos nos preocupar com a inteligência coletiva, a realização coletiva, a nossa existência integral, então conseguimos falar de uma verdadeira sabedoria das massas.

Esta existência integral é a imagem de um ser humano unificado, Adam. Esta não é uma imagem física. Pelo contrário, é uma imagem espiritual, uma reunião supraegoísta de todas as nossas características.

De KabTV “A Sabedoria das Massas” 06/05/13

Veneno Na Ponta Da Espada

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, “Introdução ao Livro, Panim Meirot uMasbirot“, Item 19: O anjo da morte vem com uma espada desembainhada com uma gota de veneno em sua ponta, a pessoa abre a boca, ele joga a gota dentro, e ela morre.

O anjo da morte é o nosso ego que nos isola e nos afasta da espiritualidade o tempo todo. Obviamente, ele faz isso de acordo com esse método, de acordo com o plano geral pelo qual precisamos avançar. Ele tem que crescer para justificar o seu nome, o anjo da morte.

Atualmente, nós vemos que uma crise mundial foi revelada. A humanidade está gradualmente começando a entender que o problema não está numa economia ruim, nem na família quebrada, mas sim na própria natureza humana. Isso significa que não vamos sair da crise através de uma simples mudança do sistema externo. Finalmente, nós chegamos a um entendimento de que o anjo da morte vive dentro de nós e está nos matando. Nós devemos matá-lo nós mesmos, antes que ele nos mate. Com frequência, ele intencionalmente nos isola cada vez mais da boa vida, para que possamos sentir que temos que matá-lo.

A espada do anjo da morte é a influência da Sitra Achra, chamada de “Herev” por causa da separação que cresce de acordo com a medida da recepção, e a separação a destrói.

A pessoa não está preparada para se abster de utilizar o seu ego. Nós vemos que as pessoas continuam a se comportando egoisticamente, mesmo que saibam que estão prejudicando a si mesmas. No entanto, elas são obrigadas a usar o seu desejo de receber e, finalmente: a pessoa é obrigada a abrir a boca, já que é preciso receber a abundância para o sustento e persistência de suas mãos.

Portanto, nós estamos nos matando de geração em geração, retornando repetidamente a este mundo com um desejo cada vez maior por prazer e, novamente, engolindo aquela gota mortal: No fim das contas, a gota amarga na ponta da espada a alcança, e isso completa a separação até a última centelha do seu espírito da vida.

As pessoas devem finalmente entender que usar o desejo de receber as mata. Não importa o quanto nós ardemos com uma nova esperança de explorá-lo, procurando diferentes formas e tentando superá-lo, apesar de tudo isso, nós entendemos que a nossa natureza está nos obrigando a matar a nós mesmos.

O anjo da morte se mata, mostrando-nos o que está nos fazendo morrer. Ele nos desperta para lutar contra ele. Isso lembra a história do exílio do Egito. No começo, parecia que o Faraó era bom! Com sete anos de fartura, abundância absoluta, parecia que tínhamos conseguido controlar o anjo da morte, e ele estava do nosso lado.

No entanto, no final, nós começamos a sentir os sete anos de fome. Este não era mais o mesmo Faraó. O anjo que nos levou durante toda a vida de repente se tornou cruel. Nós costumávamos pensar que tudo na vida está na nossa frente: com todas as oportunidades do “sonho americano”, vamos continuar progredindo, recebendo mais e mais da vida. Parecia-nos que o mundo inteiro se abria diante de nós para o nosso benefício.

De repente, nós descobrimos que estamos presos dentro deste mundo. Cada dia se torna mais e mais escuro, apertado e horrível, ameaçando nos matar, e por fim, percebemos que o problema não está no mundo. Pelo contrário, está em nós, na natureza egoísta que se encontra dentro de nós e nos inspira a vida, no nosso anjo, ou seja, o nosso poder interno.

Assim, ele está, basicamente, cumprindo o seu papel, como o Faraó que aproximou os filhos de Israel do Criador. Este é o anjo que, por meio da oposição, realiza seu trabalho fiel. Um anjo é uma força da natureza que não tem escolha, uma parte do programa global que age até que, finalmente, sentimos que não temos escolha, e devemos fugir dele.

Da Convenção dos Homens “O Próximo Passo” 26/4/13, Lição 1

Sensibilidade Em Vez De Guerra

Nós nos reunimos com o objetivo de união, de ajudar um ao outro mutuamente a superar o amor próprio. Todo mundo tem que pensar em anular seu egoísmo, parar de se preocupar com a sua própria realização, e só se esforçar para amar ao seu próximo, quando possível. Em outras palavras, ao longo de toda a Convenção, a partir deste momento em diante, nós precisamos pensar na elevação acima de nós mesmos e sair do nosso egoísmo. Esta é a única maneira da pessoa sentir a necessidade e o desejo de adquirir a nova qualidade chamada desejo de doar.

Quando egoístas como nós se unem e olham uns para os outros, eu começo a perceber que o meu egoísmo é muito sabiamente feito. Basicamente, ele é feito de uma forma que me ajuda a sair dele. Na realidade, nada na minha vida pessoal interfere com a espiritualidade. Com a atitude correta para com a minha natureza, eu vou revelar qualidades nela que me ajudam a atingir o mundo espiritual.

A rejeição que eu sinto pelos outros é dada a mim para me mostrar o quanto distante estou de ter qualidades espirituais. Além disso, há inveja em mim. Quando eu vejo como os outros se conectam, e que cada pessoa tenta sair de si mesma e torna-se mais próxima das outras, eu as invejo. A inveja é uma força enorme, egoísta, mas, basicamente, ela começa a trabalhar para o meu benefício, ajudando-me a me elevar acima do meu egoísmo. [Leia mais →]

Credores

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, “A Paz”: O rabino Akiva descreve dois tipos de pessoas: as primeiras são do tipo “loja aberta”, que consideram este mundo como uma loja aberta, sem um lojista. Ele diz sobre elas, “O livro está aberto e a mão escreve”. Ou seja, apesar de não ver que há uma conta, todas as suas ações são, no entanto, escritas no livro, como explicado acima.

Nós existimos num sistema geral, e o influenciamos através de todas as nossas ações. Não importa o que eu penso ou o que faço, tudo influencia imediatamente o todo, do qual sou parte integrante.

Isto é feito através da lei do desenvolvimento impressa na Criação contra a vontade da humanidade, onde as obras dos próprios maus necessariamente instigam as boas ações…

Como isso é possível? Como pode um ato mau me corrigir e gerar boas ações? O caminho do sofrimento existe para este propósito. Se eu gero uma série de problemas, se eu não mantenho a direção do objetivo da criação, a fim de julgar a mim mesmo e o mundo inteiro à escala de mérito, então minhas más ações e metas opostas trazem o sistema para tais distorções que, como resultado, me influencia como a fonte do mal e me obriga a mudar o meu estado e se torna uma parte boa e útil.

Isso significa que, no final, os meus maus atos certamente irão voltar para mim duas vezes mais forte que o dano que causei ao sistema e vai me forçar a mudar para melhor.

O caminho do sofrimento é indesejável. Ele é prolongado e contínuo, já que todos os meus atos passam pelo sistema até que este responda. Isso leva tempo, mas certamente vai acontecer, uma vez que o sistema não muda.

Portanto, meus maus atos certamente irão me influenciar e, no final, me corrigir. No entanto, eles me só corrigem para que eu possa entender que sou um fator negativo no sistema geral e, portanto, sinto-me mal. Ele não me muda ou corrige. Diz-se sobre isso: “O próprio Criador coloca a mão da pessoa na boa sorte e diz-lhe: ‘Escolha isso por si mesmo’”. Eu sou apenas trazido ao lugar onde posso escolher, mas o sistema não escolhe nada para mim. Ele só me leva à decisão que eu tenho que fazer boas ações.

“As pessoas do segundo tipo são chamadas de “aquelas que querem tomar emprestado”. Elas levam o lojista em consideração, e quando tomam alguma coisa da loja, apenas o tomam como um empréstimo”.

Então, de onde é que vêm essas pessoas boas e inteligentes? Tal como o primeiro tipo, elas também têm sofrido, já que nenhuma recebe qualquer tratamento especial, e a mesma força de bem e de mal existe em todos nós. Se a sua inclinação ao mal é grande, nesse sentido, você tem suficiente inteligência, sabedoria e persistência. Assim, no fim da correção, nenhuma vai sentir que está desprovida em relação aos outros, mas sim que cada um tem seus próprios atributos especiais e que eles são compatíveis uns com os outros, enquanto que na relação ideal eles são iguais.

Há pessoas que passaram por grandes dificuldades nesta ou numa vida anterior e tornaram-se mais sábias, não em suas mentes, mas em sua interioridade. Elas já têm a preparação interior que lhes permite compreender que estão num sistema geral e que devem ser atenciosas com todos, pois não há outra maneira. Isso vale a pena, já que sofrerão menos desta forma.

Elas querem curar o sistema ou até mesmo amarrá-lo ao Criador, dependendo do seu nível atual, o qual, por fim, é determinado pelo nível de dor que elas experimentaram. Assim, não é de se admirar que, relativamente, a nação de Israel sofra muito mais do que as outras. Isto é determinado pelas condições do sistema geral.

“Elas prometem pagar ao lojista o preço desejado, ou seja, alcançar o objetivo através disso”.

Este é o preço. Eu peço, exijo que o Criador me dê uma mente, sentimentos e o poder de fazer exatamente o que Ele exige de mim. Eu vou me esforçar, vou conseguir me convencer, e então, vou ver que realmente vale a pena se comportar precisamente dessa maneira. Nesse meio tempo, eu avanço sob a pressão dos golpes que recebo, mas depois, aos poucos vou mudar meu ponto de vista, à medida que reconsidero o que está acontecendo e não vou avançar “sob pressão”, mas pela singularidade que está na doação, no amor ao próximo.

Assim, eu peço um empréstimo. Eu peço ajuda, o que é chamado de elevar MAN, um pedido de correção, à medida que quero preencher o desejo do superior. Isso sempre requer uma subida acima da razão. Eu tomo uma decisão que não é baseada em meus desejos egoístas, mas nos desejos que estão acima deles.

As do primeiro tipo, cuja dívida é recolhida pelos coletores do desenvolvimento, pagam sua dívida sem saber, mas as ondas de tempestade vêm sobre elas, através do forte vento do desenvolvimento, e as empurra por trás, forçando-as a dar um passo à frente.

Assim, a sua dívida é recolhida contra a sua vontade e com grandes dores pelas manifestações das forças do mal, que as empurram por trás. Mas as do segundo tipo pagam sua dívida, que é a realização consciente do objetivo, por vontade própria, ao repetir as ações que aceleram o desenvolvimento do sentido de reconhecimento do mal.

É claro que elas recebem a força positiva que as puxa para cima em direção ao objetivo, mas são elas que despertam como se realmente avançassem de acordo com o seu próprio livre arbítrio.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 03/05/13, “A Paz”