Textos na Categoria 'Educação'

O Direito De Escolher, Parte 3

laitman_269Era uma vez um país governado por um rei cuja palavra era lei e obrigatória para todos, sem exceção. E foi assim que a humanidade progrediu até o século XX seguindo cegamente um líder que estava acima de tudo e dava ordens: esquerda, direita, para frente, para trás. A pessoa não tinha livre arbítrio; ela era impulsionada apenas por golpes.

No entanto, chegou o momento em que nós somos convidados a chegar a um acordo com o programa da natureza. Nós devemos compreendê-lo e, de acordo com o nosso livre arbítrio, vamos com ele. Neste novo modelo de sociedade, cada pessoa é seu próprio rei.

Pergunta: Todo mundo tem seu próprio egoísmo, e todo mundo puxa todo mundo para o seu lado. É claro que é impossível chegar a um bom resultado se todo mundo se sente como um rei. Como pode alguma estabilidade pode ser alcançada nesta superestrutura instável, onde cada um está buscando apenas o seu interesse estreito, ignorando os outros? Quando não podemos concordar com os vizinhos, não é tão ruim. Quando esse transtorno abrange todo o país e todo o mundo, o que nos espera depois?

Resposta: Então nós estamos aguardando um desastre, a menos que forneçamos uma nova educação para todos, ensinando-lhes sobre o sistema integrado, de modo que as pessoas entendam o mundo em que vivem hoje. Afinal de contas, elas não sabem.

Os políticos participam das eleições se preparando para dirigir a sociedade, mas eles não entendem a sociedade moderna ou o mundo moderno em que ela existe. Ninguém entende isso, não importa qual seja o seu partido, de um extremo ao outro. Nenhum deles sabe em que tipo de mundo nós vivemos.

Pergunta: Como é possível governar uma sociedade onde todo mundo se sente como um rei?

Resposta: É possível se cada um se sentir responsável por todos, enquanto sente toda a elevação e poder, como o pai das crianças. Um rei não é um vilão que fica sentado todo o dia e desfruta tudo à custa dos cidadãos. É um trabalho duro ser um rei.

Algum tempo atrás eu li sobre a rotina diária da rainha da Inglaterra; ela não tem um momento livre: compromissos, reuniões, visitas a creches, viagens para outras províncias. Ela não pertence a si mesma, mas executa seus deveres. E tem sido sempre assim; não devemos pensar que os reis apenas se divertiam em bailes, como descrito nos romances.

Pergunta: Se o povo de Israel deve servir de exemplo ao mundo inteiro, isso significa que o seu líder tem uma missão muito importante?

Resposta: Certamente. O homem que está na cabeça da sociedade israelense deve entender o programa da criação, o programa da natureza, e conduzir o povo de Israel ao jogo preciso do seu lugar neste programa.

Assim era desde o momento da construção do Primeiro Templo até a destruição do Segundo Templo. Naquele tempo o povo de Israel tinha líderes que alcançaram o programa de criação, a força que age dentro da natureza. Eles sentiam essa força superior, entendiam e trabalhavam com ela.

Quando uma pessoa olha para o mundo, é preciso ver as forças que agem no mundo. É preciso ver o programa global onde estas forças agem no futuro por vários anos, até o fim da correção. É dever do líder, e é por isso que o povo de Israel foi conduzido pelos Cabalistas, pessoas com a realização espiritual.

Pergunta: Há algumas qualidades especiais que se deve possuir para ser tal líder?

Resposta: Claro. Uma qualidade muito simples é necessária: “ama o próximo como a ti mesmo”. Isso é tudo.

Pergunta: O que significa “ama o próximo”?

Resposta: Significa que o líder deve amar os outros, pelo menos tanto quanto a si mesmo. A pessoa é obrigada a ter a propriedade de doação absoluta.

De KabTV “Uma Nova Vida” 09/12/14

A Inclinação Ao Mal, Para O Bem Dos Outros

laitman_207Pergunta: O “Cântico dos Cânticos” foi escrito pelo Rei Salomão, o mais sábio dos homens, a partir de seu conhecimento e consciência de toda a natureza. Por que ele escolheu a forma de um romance entre um homem e uma mulher para a sua história?

Resposta: Nós simplesmente não temos outras palavras. Só com uma linguagem assim é que nós podemos descrever nossa boa atitude em relação a alguém. Que outras palavras eu posso encontrar, se quero satisfazer alguém, me conectar com ele, abraçar, beijar? Eu anseio por estar mais perto dele, constantemente adicionando e provendo bem. Isto é o que se chama amor. O amor é uma expressão geral de cuidado por uma pessoa.

Pergunta: O amor aqui descrito é o amor entre uma pessoa e quem?

Resposta: É por todos. É por toda a realidade que eu sinto fora de mim. Anteriormente, eu olhava para a realidade com o desejo de engolir tudo, ao passo que agora é como se eu colocasse óculos. Eu adquiro uma nova atitude e olho para o ambiente com um desejo de satisfazer e completar tudo. Eu quero que todos sintam bondade, prazer e diversão adicional na vida a partir de mim. Isso é o que é chamado de amor.

Portanto, em cada momento da vida, infinitas possibilidades e oportunidades se abrem diante de nós. Se eu desfruto do prazer que os outros têm quando eu lhes dou prazer, então minha vida é preenchida. Uma pessoa deve pensar em: Qual é o sentido da vida? O que eu desfruto? A quem eu dou prazer? Estas perguntas a levam ao nível de Adão – Homem (da palavra “Domeh“- similar), pois ela quer se assemelhar à totalidade da natureza, que é chamada de Criador.

Pergunta: O Rei Salomão descreve a conexão com estas palavras: A sua mão esquerda esteja debaixo da minha cabeça, e sua mão direita me abrace. (Cântico dos Cânticos 8: 3). O que significa isso?

Resposta: A conexão é feita através de duas forças que existem dentro de nós: uma força negativa e uma força positiva. A força negativa, a força da esquerda, são meus desejos não realizados e as necessidades estranhas, o desejo de explorar os outros. Em contraste com isso, eu devo completar e satisfazer os outros através da força positiva de doação, que é a força da direita. Segue-se que eu me agarro no outro através dos meus sentimentos negativos e o satisfaço e completo através dos sentimentos positivos. Abraçar e satisfazer só é possível com ambas as “mãos”.

Se não houvesse nenhuma inclinação ao mal, eu não seria capaz de sentir o outro. Por natureza, os seres inanimados, vegetais e animais não sentem os outros. Eles só sentem a si mesmos: eu devo devorar alguém para estar satisfeito, mas se isso é bom ou ruim para a vítima, eu não sei.

Nossa inclinação ao mal é construída de tal forma que nós sentimos quando fazemos algo ruim para outras pessoas. Eu quero diminuir os outros, dominá-los, ser mais inteligente, mais confiante e mais rico. Pelo menos alguma coisa, mas eu quero ser mais: eu sinto prazer e satisfação se os outros são menos do que eu.

A capacidade de sentir o outro como próximo de si mesmo pode desenvolver outras características em mim que levam ao uso correto da minha natureza. É especificamente essa a intenção das palavras “A sua mão esquerda esteja debaixo da minha cabeça”: eu me agarro ao outro por querer entender o que lhe falta, mas já com uma boa relação para com ele. Eu uso minha inclinação ao mal para aprender e explorar os desejos dos outros, e depois disso, “e sua mão direita me abrace” (abraçando-o com a mão direita).

Pergunta: Mas se eu quero descobrir e saber o que lhe falta, a fim de satisfazer e completá-lo, porque isso é mal? Isso é bom!

Resposta: Para começar, a inclinação ao mal desperta e me empurra para verificar o que o outro tem e para tirar isso dele, para sentir prazer por ele ter perdido isso. Não importa se eu tenho isso; o importante é que ele não tem. A correção começa com sentir algo que o outro carece: eu não desfruto por ele não ter algo, mas sim que eu o completei.

De KabTV “Uma Nova Vida” 28/05/13

Sentir Amor E Não A Si Mesmo

Dr. Michael LaitmanPergunta: Um dos versos do “Cântico dos Cânticos” contém estas palavras: “Eu estou doente de amor”. De quem essa mulher está falando?

Resposta: Se eu me relaciono com a natureza e com toda a realidade de forma amorosa, eu começo a sentir a partir dela calor e uma atitude amorosa. Ela me abraça, acaricia, protege e rodeia com ondas boas e agradáveis que constantemente me suportam.

Desta forma, eu não falo do lado do “homem”, ou seja, uma atitude em relação à natureza com amor, mas do lado da “mulher”, recebendo a atitude em resposta. Em última análise, nós estamos falando de uma pessoa que se sente dando e recebendo.

Aquele que preenche é chamado de um homem. Quem recebe de outro em resposta é chamado de mulher. Acontece que estar em boas relações com o mundo é chamado de um homem, e receber ondas de calor e amor do mundo é chamado de uma mulher.

Pergunta: Não importa se eu sou um homem ou uma mulher?

Resposta: Claro que não. Nós estamos falando de uma pessoa que corrigiu a inclinação ao mal em si mesma e adquiriu a inclinação ao bem através de trabalho em grupo e educação integral.

Agora, ele está sentindo doação e recepção em relação ao conjunto da natureza e toda a humanidade. Esse sentimento lhe traz um sentimento de perfeição e eleva-o acima de todas as desvantagens, de modo que os conceitos de tempo, espaço e movimento desaparecem.

Pergunta: O que significa “Eu estou doente de amor?”

Resposta: Uma nova sensação o prende e preenche de tal forma que ele não sente a si mesmo. Ele sente o amor que o preenche, mas não a si mesmo recebendo esse amor. Ele sobe ao sentimento da natureza geral, sai de si, não existe e não está presente.

Só há um sentimento de amor universal. Esse é o ponto de sua unidade, adesão e conexão superior com a natureza, com o Criador. A fraqueza reside no fato de que o amor governa.

Pergunta: Por que isso é uma doença?

Resposta: Quando algo vem de fora, me preenche e me domina, essa força externa é chamada de doença. Esta é a expressão do amor que vem e me preenche completamente.

Pergunta: Mas é bom estar doente de amor?

Resposta: Exato. Apenas deve-se ressaltar que não há limites. Você está sob essa força externa por sua própria vontade e devido ao trabalho constante que você executa com grandes esforços. Você chegou a este estado, mas, como resultado, está no poder do amor.

De KabTV “Uma Nova Vida” 28/05/14

Se Os Jovens Soubessem

Dr. Michael LaitmanNosso mundo é dividido em quatro categorias: os níveis inanimado, vegetal, animal e o humano, não na forma material, mas no reino espiritual. Afinal, o que nos torna diferentes dos animais? É a nossa essência interior, o nosso desenvolvimento interno. No entanto, fisiologicamente, nós pertencemos ao mesmo mundo animal.

Nós precisamos ir além dos conceitos de tempo, espaço e movimento que são inerentes aos três primeiros níveis – inanimado, vegetal, animal – e viver no nível humano. Nós não compreendemos este nível ainda, mas ele está esperando por nós.

Pergunta: Olhando para o passado, no final de sua vida, os idosos lamentam o tempo perdido na corrida fútil pelo gozo material. Eles começam a sentir que a força que preenche o mundo é o poder de doação e amor, e lamentam terem trabalharam muito duro e não dado tempo suficiente para os filhos, família e amigos.

O que idosos sentem olhando para trás e o que não é revelado aos jovens que ainda têm suas vidas inteiras pela frente? Que tipo de sabedoria prática as pessoas maduras adquirem e, portanto, lamentam o tempo perdido e que os jovens não conhecem no início de suas vidas?

Resposta: Velhos e jovens têm uma diferença nos meios de diversão e fontes de prazer. Os jovens pensam que as fontes de prazer são comida, sexo, família, dinheiro, honra e conhecimento, e todos querem alcançá-las. E os idosos já entendem que não há verdadeira satisfação em tudo isso.

Há uma satisfação material por comida, sexo, família, riqueza, fama e conhecimento, mas a verdadeira realização está apenas numa boa comunicação entre as pessoas, no amor e relacionamentos sinceros. Eles lamentam que não investiram o suficiente para atingir tal interconexão, para apreciá-la e deleitar os outros com ela.

Portanto, a educação integral deve proporcionar às pessoas não só o conhecimento disso, mas também a prova, porque os jovens não querem ouvir. Para eles, toda a sua vida agora reside em obter o máximo de prazer com as coisas programadas internamente, tais como comida, sexo, família, dinheiro, honra e conhecimento. Na realidade, o verdadeiro prazer não depende de tempo e não é limitado pelo espaço, mas sim depende de relações sinceras entre pessoas e amor ao próximo.

A pessoa só sente uma satisfação genuína quando está conectada a outras pessoas, e a conexão entre elas começa a revelar uma relação sincera e uma doação recíproca.

Nesse contexto, elas revelam um sentido de vida eterna, e isso está relacionado com o nível humano, que está acima do nível animal. Este grau não está no nosso mundo e nós precisamos reconhecê-lo, construí-lo, formá-lo e habitar nele. Afinal, ele não está conectado com o corpo, mas está conectado a uma nova consciência, uma nova matriz de percepção.

Pergunta: O que você aconselharia um jovem que quer gerir o seu tempo? Qual é a melhor coisa que ele deve fazer na vida?

Resposta: Cuidar de todas as necessidades da vida material e depois dedicar o resto do tempo à implementação do plano espiritual, o nível do Homem/humano (Adão), que é doação e amor.

De KabTV “Uma Nova Vida” 22/04/14

Assimilações Incontroláveis

Pergunta: Se o povo judeu começar a implementar o método cabalístico, o que vai acontecer no mundo? Como isso afetará o anti-semitismo no mundo?

Resposta: Em vez de sentir o anti-semitismo, as pessoas começarão a tratar-nos com simpatia, respeito e amor. As nações do mundo vão levar-nos em seus braços, porque vamos dar-lhes o método para a vida eterna perfeita.

A sabedoria da Cabala explica como devemos trabalhar corretamente com o nosso ego para que ele não seja apenas uma força do mal, mas uma ajuda contra nós, uma ajuda que vem de sua oposição. Quando cumprimos esse trabalho, vamos atingir o pico de nossa evolução.

Pergunta: Há pessoas que oferecem diferentes soluções para o problema do anti-semitismo, como o que sugere que todos os judeus devem vir para Israel ou, pelo contrário, assimilar-se às nações. O que você pode dizer sobre isso?

Resposta: Absurdo. Tais planos não funcionarão. É porque a própria natureza está a gerir todo o processo. Mais cedo ou mais tarde, teremos de descobrir o potencial escondido em cada um de nós e tornaremo-nos professores para toda a humanidade. [Leia mais →]

A Pessoa Amada É Sempre Bonita!

Laitman_201_01Pergunta: Os livros sagrados muitas vezes se referem à beleza de uma mulher, seja em sua aparência, seu caráter, sua maternidade, etc. Mas não há nenhuma descrição detalhada da perfeição de uma mulher, como no “Cântico dos Cânticos”. O que o Rei Salomão quer nos ensinar?

Resposta: Ele quer dizer que a nossa realidade: a natureza inanimada, vegetal, animal e humana, é bela, boa e perfeita, e é apenas a minha correção pessoal que determina se vou ser capaz de me relacionar com ela com amor absoluto.

É sobre a nossa atitude em relação a natureza como um todo e a correção do homem: até que ponto eu completei e cobri minha inclinação ao mal com este amor. Então eu vejo que não há falha na realidade e que tudo é como uma mulher bonita.

Nós não temos outras palavras para expressar o amor, incluindo o tipo certo de amor. É porque nós entendemos apenas como amar alguém usando essa pessoa. É o tipo de amor em que eu estou disposto a dar e preencher na medida em que recebo prazer.

Aqui, por outro lado, é um amor oposto: eu dou e preenche uma outra pessoa, porque quero fazer o bem a ela. Mas eu preciso da inclinação ao mal, a fim de testar a minha atitude em relação a essa pessoa: eu opero acima do ódio, do desprendimento e da repulsa?

Eu posso fazer isso? É assim que eu verifico se é um amor verdadeiro e real que decorre da inclinação ao bem e não um amor egoísta que decorre da inclinação ao mal. Este tipo de amor é chamado de amor independente. Independente de que? De receber, uma vez que é baseado na doação. De onde vem o nome do livro do “Cântico dos Cânticos”? Numa canção comum nós costumamos falar de prazer: “Eu te amo e quero desfrutar você”. No “Cântico dos Cânticos”, por outro lado, isso significa que eu quero fazer o bem aos outros.

Pergunta: Nós vemos que há referência a beleza ao longo deste livro. O que é expressado pelo conceito de beleza? Por que o mundo parece bonito para uma pessoa que ama?

Resposta: Isso é chamado de “o amor cobre todos os pecados”. Você já viu como uma mãe pega o bebê e mostra: “Olha como ele é bonito!” Ela está orgulhosa dele e isso é perfeitamente natural. A pessoa amada é sempre bonita, e, portanto, nós não temos nenhum padrão para a beleza.

Se eu quero preencher o outro e desfruto esse desejo, quanto mais ele não tem, mais eu posso preencher e completa-lo, mais eu o amo como resultado da minha preocupação, e mais bonito ele é aos meus olhos. Então, tudo nele se torna belo. Os pais de crianças adotadas as amam não menos e às vezes até mais do que os seus próprios filhos biológicos. Eles tentam dar-lhes mais, a fim de atingir o seu amor, preenchê-las mais e, assim, as amam ainda mais.

É dito: “o amor cobre todos os pecados”. O amor não pode surgir a menos que haja uma disputa que o preceda. Deve haver um sentimento de desapego, conflito, resistência, e acima disso há conexão, abraço e amor. Assim, a beleza aparece como resultado: a pessoa que é amada parece bonita como um bebê aos olhos de sua mãe.

Pergunta: O Rei Salomão diz: “Uma é minha pomba, a minha preciosa”. Qual é o significado da expressão “uma”?

Resposta: Não há nada além disso. É uma criação, um sistema perfeito. Na verdade, é graças à conclusão de todos os atributos positivos e negativos existentes em conjunto que a beleza aparece. A beleza é a totalidade. A totalidade aparece quando eu vejo que as coisas boas e ruins se complementam e não podem existir de forma independente. A bondade não pode existir sem o mal e o mal é a base para a revelação da bondade.

Agora nós descobrimos apenas o mal nessa mulher, ou seja, em toda a criação, uma vez que olhamos para as coisas só da nossa inclinação ao mal e não podemos ver nada de bom. Mas esta é uma fase essencial, pois até o “Cântico dos Cânticos”, a pessoa tem que descobrir todas as falhas, todos os pecados, e só então pode revelar o amor em cima disso.

De KabTV “Uma Nova Vida” 28/05/14

Amor Terreno É Inútil Desde O Início

Laitman_070Pergunta: (Cântico dos Cânticos 1: 1) No Cântico dos Cânticos, o rei Salomão é talvez o símbolo mais marcante do amor. Basta olhar para a lista de obras de arte que foram baseadas em citações do “Cântico dos Cânticos” para entender o grau de influência deste livro sobre as emoções e a imaginação das pessoas desde o momento em que foi escrito até hoje. Imediatamente surge a pergunta: para quem foi escrita esta canção maravilhosa?

Resposta: Ela foi escrita para uma pessoa que já sente que toda a vida e toda a natureza é amor, e a regra geral, “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”, é a força geral que rege o mundo. Aqui está se falando sobre um homem que em seu desenvolvimento já atingiu uma compreensão e consciência de que a bondade o rodeia e que toda a realidade é organizada e construída de acordo com a meta final desde o início, para alcançar a totalidade.

Totalidade não é agir sob a influência de hormônios e chamar isso de “amor”, como da minha experiência em sentir prazer com algo e dizer que o amo. Por exemplo, eu amo (adoro) peixe. Mas não podemos amar um peixe que não seja para comê-lo. Se uma pessoa entende que ama com sua essência, ou seja, com a inclinação ao mal, então isso é natural, amor terreno.

Através desse amor ela destrói o mundo, porque se aproxima o que é bom para ela e rejeita o que é ruim para ela. Desta forma, ela não sobe acima de seu desejo egoísta. Segue-se que o nosso amor é inútil desde o início.

A pessoa deve subir para um amor completamente diferente: para a conexão. Ela deve se conectar com todos, com a substância dos níveis inanimado, vegetal, animal e seres humanos acima de suas atitudes naturais. Se eu me volto ao mundo dessa forma, que é inteiramente amor, isso significa que eu participo dos desejos e sofrimentos gerais. Eu sinto o que é imprescindível e necessário a todos, e quero preencher e completar isso: “E amarás o teu próximo como a ti mesmo”.

Isto é o que é chamado de “amor”, e não o desejo de desfrutar do mundo em volta e, consequentemente, determinar o que me agrada e o que não me agrada. Eu me separo desse amor natural, subo acima dele, e começo a amar a todos, porque de acordo com a lei geral da natureza, eu devo estar conectado com todos. Isto é alcançado com a ajuda de uma educação única, no decurso da qual eu começo a entender e a me conscientizar de que tudo está conectado e é interdependente, que há um destino para todos, e nós o guiamos.

Se eu alcanço uma relação assim com a natureza, eu vejo que, na verdade, a força do amor está agindo em tudo. E o “Cântico dos Cânticos” começa com isso: “Beije-me com os beijos da sua boca” (Cântico dos Cânticos 1: 2), o que significa que eu já estou conectado com toda a natureza e começo a estudar como continuar a desenvolver minha conexão de amor.

Em outras palavras, a “canção” desde o início me eleva a um nível muito alto. Eu entendo que devo preencher e completar a criação onde os seres humanos existem em oposição: “a imaginação do coração do homem é má desde a sua mocidade” (Gênesis 8:21). Isto significa que em vez de explorar o mundo que existe fora de mim, eu preciso me conectar a ele e complementá-lo de tal forma que vai ser bom para ele.

Isso significa que o amor é expresso em eu querer que as coisas sejam boas para todos. É assim que nos relacionamos com os filhos. Nós pensamos constantemente sobre o que podemos acrescentar mais à nossa preocupação com eles, preenchendo e criando um bom estado de ânimo. Esta é a expressão do amor. Eu não desfruto do objeto, como geralmente acontece em nossa vida; em vez disso, eu desfruto sendo bom para ele. A partir do momento que eu estou voltado para isso, a história começa.

De KabTV “Uma Nova Vida” 28/05/14

Agradecer Pelo Sofrimento É Superior A Agradecer Pelo Bem?

laitman_628_4Comentário: Sabe-se que o conselho dos sábios em relação ao sofrimento e a atitude em relação a isso é que “uma pessoa tem que agradecer tanto pelo mal quanto pelo bem”. Esta atitude semelhante em relação ao bem e ao mal parece masoquismo.

Resposta: Em primeiro lugar, é importante compreender que tudo o que acontece é para nos ensinar alguma coisa. Eu cresci numa família de sobreviventes do Holocausto.

Eu vejo que crianças e adultos vivem com este trauma e constantemente falam sobre isso em casa, no seio da sociedade, na cidade, e ainda não têm ideia do que fazer com este trauma. Ainda assim, eles continuam a viver como antes, organizando suas vidas no que diz respeito à sociedade e à natureza de acordo com os impulsos naturais, sem qualquer cálculo adequado.

Pergunta: Eu tenho que “agradecer”? Eu entendo que o evento não aconteceu por acaso. Por isso, será que eu ainda tenho que aprender alguma coisa?

Resposta: O que mais se não fosse por isso; Isto é bom para quê? Por exemplo, houve um período antes do Holocausto ou algum outro choque. Durante este período, houve algo que eu deixei de fazer, de modo que o choque ocorreu. Este golpe deve me ensinar a não permitir que isso aconteça, a mudar o meu comportamento. O que eu devo mudar?

Eu não vi que havia um conselho de pessoas criadas a partir do Holocausto, pelo menos entre os judeus, para investigar por que isso aconteceu conosco, e por que razão. Não, nós só pensávamos em como estarmos mais bem localizados em diferentes lugares.

Se agora nós chegamos a um nível tal em que claramente compreendemos o propósito da criação, se entendemos que estamos num mundo global interconectado, e continuarmos a destruí-lo com a nossa interconexão, como um câncer levando à morte, será que não provocamos com isso o próximo impacto?

Pergunta: Mas como isso se relaciona com o sofrimento humano pessoal?

Resposta: A pessoa deve se perguntar por que isso está acontecendo. Caso contrário, ela não é um homem, mas um animal escapando do perigo. Portanto, não podemos fugir da vida.

Eu tenho que investigar como e por que o mal surge, entender que essa força me direciona para o bem. Eu preciso alcançar um equilíbrio, chegar à doação, ao amor e à conexão entre todos. Eu tenho que satisfazer a natureza, corrigir a inclinação ao mal e torná-la boa. Afinal, toda a natureza, exceto as pessoas, é o poder de amor e conexão.

Imagine que todo o universo e a natureza sejam a força boa. E só na humanidade, numa pequena área, o mal se aninha, para que possamos preenchê-lo com a força do bem. Quando nós temos o bem e o mal, nós podemos agradecer tanto o mal como o bem. Enquanto não aprendermos totalmente isso e não o cumprirmos totalmente, a natureza continuará a nos enviar sofrimento, literalmente o sofrimento de Jó.

Um Tribunal Sem Preconceito

Dr. Michael LaitmanA Torá, “Levítico” 19:15: Não farás injustiça no juízo; não respeitarás o pobre, nem honrarás o poderoso; com justiça julgarás o teu próximo.

A Torá nos adverte para não corrompermos nossos sentimentos e que não devemos tratar as pessoas como o impiedoso ego dita.

Cada um de nós é um juiz. Você deve julgar uma pessoa sem preconceito e sem olhar para ela. Ela pode ser preta ou amarela, feia ou bonita, ou pode falar de uma maneira incrível e levá-lo às lágrimas e assim por diante.

Como pode um juiz certificar-se de que pode realizar um julgamento sem prejuízo? A fim de fazer isso, ele tem que julgar a si mesmo. Afinal de contas, se você julga outra pessoa de acordo com a perspectiva de que está livre de preconceito, o que significa que você se veste no Criador em seu nível, e o veredicto é errado, então você deve assumir a culpa do acusado e pagar a sua dívida a toda a sociedade, a toda a alma geral.

Se você envia um ladrão para a prisão e depois de cumprir sua pena ele é liberado e rouba novamente, isso significa que você tem que ser preso no lugar dele, porque esta sentença estava incorreta. Se ele não se reformou por diferentes razões na prisão e rouba novamente, isso significa que você é o culpado, e não ele, já que você e a sociedade deveriam tê-lo corrigido e não o fizeram.

Assim, quando ele é libertado, você enfrenta o problema do que fazer com ele, enquanto nós sabemos exatamente o que fazer com você: nós o colocamos na prisão ou recorremos a outras formas de correção.

Comentário: Se seguíssemos este princípio, todos os juízes estariam na prisão agora, pois, como nós sabemos, a prisão não reforma.

Resposta: Não há nenhuma menção de prisões na Torá. Na verdade, a prisão não reforma e nós vemos isso de acordo com o que acontece hoje. Os sábios sabiam disso há 5000 anos.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 02/04/14

Ódio É A Falta De Amor

laitman_283_01Pergunta: A história de Jó capta a essência do sofrimento humano. Quando uma série de infortúnios fatais recai sobre ele, o Criador diz a Jó: “Onde você estava quando fundei a terra?” O que significa essa pergunta?

Resposta: Sinta que você é um ser humano, maior do que tudo, e, portanto, obrigado a tomar o desenvolvimento em suas próprias mãos, para governar o mundo. Jó simplesmente não querer olhar para nada, exceto o que ele tem. Assim, é claro, ele continua a sofrer.

Pergunta: Acontece que o Criador diz a Jó: “Você não entende como a natureza é controlada; como você pode entender o que aconteceu com você?” Então, o que uma pessoa tem que aprender: o Criador, Satã (inclinação ao mal), ou ambos?

Resposta: Isso é a mesma coisa: as duas formas opostas da mesma força agindo no mundo. Só a força do amor age no mundo, de modo que toda a natureza é conectada, amável e harmoniosa, com exceção de uma pequena área, chamada natureza humana.

Esta força está faltando em nós intencionalmente, de modo que nós, de forma consciente, por nossas próprias mãos e ações, a criemos entre nós. Assim, nós seremos semelhantes (Domeh) ao Criador, semelhantes a toda a natureza, e seremos chamados de Adão (Homem).

Pergunta: O que acontecerá com Satã? Será que ele vai desaparecer?

Resposta: Ele não existe! A inclinação ao mal, ou seja, o ódio, se manifesta em nós por causa da falta de amor. O ódio não tem existência própria; é a falta de amor, conexão, cooperação e garantia mútua. Se preenchermos este lugar, haverá apenas bem. Isto é o que a história de Jó descreve.

De KabTV “Uma Nova Vida” 28/05/14