Pergunta: Normalmente uma pessoa nasce e percorre um determinado caminho na vida. Na maioria das vezes, aos trinta anos, a pessoa entra em estado de estupor, quando todos os seus planos começam a tremer um pouco e então ela começa a pensar sobre o sentido da vida.
Você chegou à sabedoria da Cabalá aos 30 anos, e antes disso houve, por assim dizer, um período de preparação?
Resposta: Talvez, embora eu não diria isso sobre mim. Eu queria começar a estudar Cabalá, parece-me, com seis ou sete anos de idade.
Pergunta: A geração atual tem essa oportunidade?
Resposta: Realmente não depende da geração. Claro, a geração atual tem isso. Mas também depende de como a pessoa se sente. Pelo que me lembro, sempre senti que precisava disso.
Não sou uma pessoa excepcional. Só tenho uma atitude tal perante a vida, perante o mundo, que não tolera nada supérfluo, tudo deve estar bem organizado; caso contrário, este mundo é uma bagunça tão grande que eu simplesmente não quero existir nele. Não porque “minha cabeça seja pequena”, mas porque não quero tolerar a desordem; devo colocar tudo em um sistema.
Em princípio, a aspiração mais importante de tal pessoa é trazer tudo o que sente no mundo para uma estrutura coerente, para uma imagem coesa. Só então o mundo faz sentido para ela e a pessoa desfruta da perfeição, da harmonia, da interconexão de todas as coisas e da sua definição mútua, o que no nível humano chamamos de garantia mútua.
Para ela, o sistema é algo que engloba o nosso universo como parte integrante. Ela deve compreender a estrutura de interação, funcionamento, gestão, movimento e desenvolvimento. Sem esse sentimento ela se sente mal, não se sente bem. Ela sente sua conexão com todo o sistema, com todo o cosmos (embora seja mais do que o cosmos) e não pode deixar de chegar à percepção da harmonia universal.
Essa é a necessidade interior que comecei a sentir aos quatro ou cinco anos de idade, e quando tinha doze a treze anos, isso ficou absolutamente claro. As pesquisas pela fonte da criação me levaram a estudar paleontologia em um momento e depois astronomia no momento seguinte.
É muito difícil para uma pessoa navegar em nosso mundo onde não há flexibilidade. Isso a obriga a buscar a harmonia interior porque começa a ajudá-la a perceber o mundo em sua rigidez externa como harmonioso.
A falta de flexibilidade do mundo leva a pessoa a entrar no sistema da criação, a encontrar ali a integridade, para que tudo possa ser bem percebido de fora, e então ela poderá viver. Caso contrário, será muito difícil para as pessoas procurarem a harmonia interna no nosso mundo.
De KabTV, “Eu Recebi uma Chamada. A Infância de Laitman”, 14/02/12
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