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A Ciência Sobre Si Mesmo

Dr. Michael LaitmanPergunta: Ao que devo me agarrar durante a leitura do Livro do Zohar, ao grupo, ao Criador ou ao Rabi Shimon?

Resposta: Não há Rabi Shimon, Criador, grupo ou Luz, nada. Há uma impressão interior de uma pessoa que está dividida em tais termos.

Eu não sei o que existe fora de mim. Eu só sei que existe algo chamado “Eu” e eu não sei o que é. Esse “eu” está impressionado com alguma coisa. Eu também não sei o que o impressiona.

Assim, eu estou em certo estado chamado “minha realidade”. Agora, eu preciso investigar essa realidade: quem sou eu e o que eu sinto? A ciência da Cabalá fala sobre isso: como revelar este estado.

Nós começamos a partir daqui. Isso é chamado de “compreender o significado da vida”. Não estamos falando de nossa vida na terra por várias décadas, mas sobre atingir a própria essência da realidade na qual eu e o que eu sinto são, a saber, esta presença em minha primeira realização: “Eu” e “sinto”.

Toda a ciência da Cabalá é destinada à pessoa revelar a verdadeira realidade – o que acontece a você quando você tem uma noção do que ela é, o que este mundo imaginário que você vê apresenta e, em geral, toda a realidade, a vida e a morte, impressões boas e ruins.

Por que eles surgem? Para que você comece a formar a si mesmo: quem você é, o que você sente, como, e assim por diante, até você começar a descobrir o ponto de estabilidade, a partir do qual você será capaz de ver e começar a organizar toda a realidade. Isto é o que significa a ciência da Cabalá.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 02/01/12, O Zohar

É Um “Modo Especial” De Novo?

Dr. Michael LaitmanOpinião: (Sergei Kurginyan, cientista político, do iarex.ru): “O caminho do desenvolvimento moderno, que o Ocidente tem trilhado por 500 anos, acabou. Foi um grande caminho, mas a humanidade o completou hoje. Nós precisamos de um caminho diferente.

“O único país no mundo que é familiarizado com ele é a Rússia. Nós temos uma verdadeira experiência ao vivo. Afinal de contas, a União Soviética estava se desenvolvendo. Mas a valiosa experiência da União Soviética é proibida. Eu sei que o mundo acumulou grande desprezo em relação à Rússia por rejeitar a si mesma – na Índia, China e Vietnã.

“Mas, ao mesmo tempo, há uma esperança de que os russos estão prestes a acordar e inventar algo novo de novo. Claro, eles podem cometer loucuras, e depois o mundo roubaria essas idéias e as melhoraria. E quando a esperança morre, a Rússia será finalmente condenada”.

Meu comentário: Eu sou pessoalmente a favor de levar a experiência da ex-URSS e construir uma nova sociedade e humanidade integral, mas certamente com uma implementação preliminar da educação integral e da educação para todos. Especificamente, a falta de educação e formação da população, e a substituição de sua participação consciente por uma participação forçada sob o terror vermelho, criaram todos os pré-requisitos para o fracasso da grande idéia comunista.

Sinergética: A Ciência Das Leis Do Caos

Opinião: (Nikolay E. Ablesimov, de neablesimov.narod.ru): “Uma das principais características no desenvolvimento das ciências modernas é o desejo pela integração, combinação de métodos de várias ciências, e o estabelecimento de leis gerais.

“A ordem em qualquer sistema pode estar tanto em equilíbrio como em desequilíbrio. No caso anterior, os parâmetros do sistema são idênticos ao ambinte. No último caso, os parâmetros são diferentes. Os sistemas económicos e sociais são também descritos através de parâmetros.

“A ordem equilibrada é mais estável, e a resistência a distúrbios é inerente à sua natureza. A capacidade de voltar ao seu estado original é a propriedade dos sistemas de auto-regulação.

“A ordem desequilibrada é de uma origem artificial e existe apenas devido à aplicação de energia externa. De facto, o desequilíbrio dos sistemas e dos ambientes provoca fluxos de matéria e energia; para manter a ordem, perdas têm de ser compensadas de fora. Se o fornecimento de energia é parado, o sistema chegará ao equilíbrio.

“Na Física, uma tendência em direcção ao equilíbrio é conhecida como o princípio da menor acção, na biologia como a lei da sobrevivência, e na economia como a lei de oferta e procura. A sua essência é tal que o sistema tende a mudar dessa forma para minimizar distúrbios exteriores e para fugir de mudanças com as menores perdas. Todos os princípios sugeridos costumavam governar a estabilidade dos fenómenos e pertencer à organização.

“Processos auto-regulados são estudados na “sinergética”, a teoria da acção colectiva. Se a cibernética estuda a sustentabilidade do uso do feedback negativo, e uma teoria geral dos sistemas, os princípios da sua organização (discretos, hierárquicos, e por aí fora), a sinergética estuda o desequilíbrio e instabilidade como estados naturais, assim como os seus desenvolvimentos múltiplos e ambíguos.

“A sinergética estuda o mundo desequilibrado na incerteza e na natureza alternativa do seu desenvolvimento, no caos no qual a ordem futura aparece.

“Há uma multiplicidade de caminhos de desenvolvimento vindo do estado atual do sistema (o ponto de bifurcação). Então, todos eles convergem no próximo estado estável (o ponto atractor).

“A sinergética estuda as propriedades de divergência e convergência, bifurcação e atractores, padrões de desenvolvimento de sistemas abertos auto-regulados, e transições do caos para a ordem e da ordem para o caos”.

O Benefício Inestimável das Excursões

Dr. Michael LaitmanPergunta: Que outras secções estão incluídas no curso de educação integral?

Resposta: A parte mais importante nos nossos estudos é perceber, em teoria e prática, a integração de todas as pessoas entre elas próprias, independentemente da idade ou género: homens, mulheres, e crianças. Estudos, treinos psicológicos, levar esta mensagem às massas e a grupos menores, e a criação de novos meios de comunicação social que eduquem uma pessoa em fez de a deformarem, tudo isto deve ser o nosso curso prático principal e primário.

Os outros cursos que discutimos também incluem estudos práticos com crianças e adultos, conduzidos por um psicólogo. Mas os cursos mencionados acima são os principais.

Também incluídas como componente principal na educação das crianças estão as excursões a fábricas, planetários, e outros locais. Introduzimos as crianças à agricultura e ao reino animal para lhes mostrar como a natureza existe na sua forma pura, por que os níveis inanimado, vegetal e animal da natureza se desenvolvem da forma como o fazem em relação a uns e outros. As ferramentas que usamos para este fim incluem filmes educacionais, excursões às florestas, ao lago, ao mar, e por aí fora ,com explicações e conclusões muito precisas e correctas sobre a integração e a interconexão na natureza.

Depois continuamos com o estudo da sociedade humana: como ela evoluiu da parte animal da natureza, saiu das grutas, desceu das árvores, e o que alcançou no seu desenvolvimento, isto é, o que construímos para nós próprios para substituir as tocas que eram as nossas casas, as empresas que fundámos para não ter nunca mais de caçar mamutes, e como estabelecemos a nossa assistência e suporte interligado, mútuo. Nós estudamos a estrutura de todo o tipo de instituições médicas, financeiras, industriais, e de pesquisa, como a oferta e a procura funcionam, e como a humanidade está conectada através de todos estes sistemas. E, com certeza, estudamos o universo.

Nos nossos esforços para examinar a vida e o mundo, conduzimos excursões muito sérias, e não apenas para crianças. Nós vemos como as excursões expandem a perspectiva das crianças e as transformam em adultos pensadores. Depois de cada excursão pedimos às crianças que façam um relatório: onde elas foram, o que elas viram, e porquê as coisas funcionam desta ou daquela forma. Isso é seguido por uma discussão. Todas estas coisas juntas asseguram um olhar muito completo do material. Uma excursão por si mesma não pode acontecer mais do que uma vez por semana porque leva tempo para discuti-la, escrever composições sobre os assuntos, e por aí fora.

O mesmo se aplica aos adultos, que são também da opinião que pastéis nascem nas árvores, ou seja, que não estão familiarizados com processos de produção e não fazem idéia do que a humanidade faz por eles. Excursões para adultos também levam à integralidade e interdependência, razão pela qual o entendimento de que você existe graças ao mundo inteiro que trabalha para o seu benefício é crucial do ponto de vista da educação, suporte moral, e o sentimento de cooperação. Se nós apresentamos esta informação à pessoa desta forma, a sua perspectiva de tudo no mundo muda drasticamente.

A parte mais importante que vem destas excursões é que então nós analisamos se precisamos desta empresa em particular ou não, se é uma necessidade ou um prazer sem o qual podemos viver sem ser à nossa custa, mas simplesmente porque não iríamos ter saudades dela se fosse abandonada. Assim nós ensinamos gradualmente à pessoa a prestar mais atenção ao mundo interior, e não ao exterior.

Da “Palestra sobre a Educação Integral” 12/12/11

Os Elementos De Uma Realidade Integral

Dr. Michael LaitmanPergunta: A psicologia comportamental fala do chamado “triângulo de compreensão mútua”.  Dois de seus cantos representam a comunicação e a empatia, e o terceiro é a realidade compartilhada. Na educação integral a comunicação é conduzida num círculo. Do ponto de vista da psicologia comportamental, supõe-se que no processo de crescimento da compreensão mútua, a empatia também aumente. Agora, surge uma pergunta: essa própria integralidade é uma realidade compartilhada?

Resposta: Nós temos que existir dentro dela. Não dentro de nós mesmos, mas fora do eu, dentro desta realidade compartilhada que nós criamos, porque isso é exatamente o que significa a realidade objetiva. Tudo o que existe dentro de mim é subjetivo, isto é, pura mentira. Eu minto para mim mesmo sobre a construção do meu próprio eu. Esse mundo é totalmente irreal, inventado por mim.

Às vezes, eu estou conversando com alguém e admiro como nós percebemos o mundo de forma diferente. Eu estou falando de uma coisa, e ele vê uma imagem completamente diferente e fala sobre outra coisa. Ele é totalmente sincero, assim como eu, porque cada um de nós vem de suas próprias sensações.

Assim, é necessário subir mais alto, no desejo comum, na mente comum, no coração e no cérebro comum, e observar o mundo de dentro da imagem coletiva do homem que representa a totalidade de todos nós. Então, nós veremos o mundo de forma totalmente diferente: não individualizado, não distorcido pelas nossas qualidades interiores intrínsecas.

Se o máximo possível de pessoas se reunirem no sistema comum do “homem” (a imagem conjunta do homem), então, naturalmente, vamos ver uma imagem completamente diferente do mundo, do universo e de nós mesmos. E esta vai ser muito diferente da que vemos hoje. Afinal, a imagem do mundo depende da percepção subjetiva, e os psicólogos sabem muito bem disso.

Nós só precisamos mostrar que se você pegar os seus desejos e qualidades internas e compará-los aos outros, isto é, à imagem coletiva emergente do homem como um todo, então, de dentro dela, você vai começar a observar um mundo verdadeiramente diferente.

Você se eleva acima de si mesmo e se distancia do seu corpo, de suas qualidades pessoais, de modo que o corpo não importa mais para você. Como vemos a partir da experiência, é muito provável que isto começará a ser percebido como algo estranho, como um animal que existe perto de você. Quando você entra nessa imagem coletiva do homem, você vê seu corpo existindo num nível animal. E a imagem generalizada do homem pertence ao nível humano.

Da “Palestra sobre Educação Integral” 12/12/11

Substituindo A Conexão Física

Dr. Michael LaitmanPergunta: Existe o mundo psicológico interno da pessoa, mas existe também um nível mais externo, social, que inclui a família e as interações com os entes queridos. Se a pessoa existe dentro deste sistema integral, será que ela percebe todos como se fossem seus entes queridos?

Resposta: A sensação de “proximidade animal”, chamada de proximidade por parentesco de sangue, desaparece completamente. Todas as pessoas tornam-se igualmente próximas. Com isso, nós apagamos totalmente todas as fronteiras.

Eu não estou falando dos pais e seus filhos – esses laços são muito estreitos, mas mesmo eles já se manifestam de forma diferente. Nós literalmente observamos isso em nossa experiência.

Nós vemos que no mundo de hoje as conexões naturais básicas estão em colapso, pois elas não são mais tão estreitas como eram antes. Os pais dão seus filhos para outras famílias criarem, adandonando-os. Os filhos deixam seus pais muito cedo, pois não sentem uma conexão especial com eles. A conexão entre as gerações está desaparecendo.

É como se a própria natureza nos impulsionasse em direção a esse estado desde dentro, para que pudéssemos perceber todos da mesma maneira. Naturalmente, a nossa educação eleva a pessoa acima da conexão animal.

Por “conexão animal” eu quero dizer a conexão física. Afinal de contas, de nascença, nós pertencemos ao nível animal. E o nível humano é o nível coletivo, geral, onde nos unimos num só desejo e ascendemos juntos acima de nossas qualidades inatas.

Da “Palestra sobre a Educação Integral” 12/12/11

Cursos De Gestão Familiar

Dr. Michael LaitmanCada curso no sistema de educação integral carrega uma enorme carga de sentido na mudança de cada um de nós como uma personalidade e como um indivíduo integrante da sociedade. A partir daqui surgem mais cursos práticos sobre a gestão familiar. Isso envolve a conduta numa família, entre cônjuges, com os filhos e com os pais, a educação, e a gestão da casa. Uma grande quantidade de questões de natureza ética e moral surgem aqui.

Eu acho que todos esses cursos devem ser conduzidos por um psicólogo, com muitos exemplos de nossa vida: o que era e o que deveria ser, como construir uma ponte para fazer a transição dos nossos estados do passado (doméstica, conjugal, pertencente à manutenção da casa e a educação dos filhos) para os novos estados.

A educação das crianças e a influência dos pais sobre seus filhos são consideradas separadamente. Nós não desagregamos a família, não exercemos nenhuma pressão sobre os pais, e não os afastamos de seus filhos, como foi feito durante os tempos soviéticos, quando as crianças eram enviadas para o internado ou os kibutzim israelenses, quando eram simplesmente tiradas de seus pais e foram criadas separadamente. De um modo geral, eles perseguiram metas boas, mas tudo veio para exercer força sobre o indivíduo. Não deve ser desta forma.

Sob nenhuma circunstância nós destruímos a família. Nós simplesmente ensinamos às pessoas a inclusão correta entre si. Elas devem se fundir internamente, se conectar de tal forma que a família se torna um pilar da sociedade integral e incorpora uma unidade, um único sistema de pequeno porte que se une com outros sistemas.

Comentário: Como isso pode ser feito? Como eles podem ser unidos?

Resposta: Se tanto os pais como as crianças completarem, essencialmente, os mesmos cursos, exceto que cada um segundo sua idade e mentalidade, então não há problema deles começarem a mudar involuntariamente e discutir essas mudanças em seu círculo familiar. Vergonha e censura não têm lugar aqui, porque toda a sociedade é obrigada a mudar.

Agora todos nós temos que jogar este jogo especificamente, a fim de posicionar-nos sob a influência da natureza. Caso contrário, a natureza vai nos forçar a fazer isso com o seu desenvolvimento posterior mostrando nossa contradição com ela, e vamos experimentar tremendo sofrimento.

Da “Palestra sobre a Educação Integral” 12/12/11

Encalhar Ou Render-se Ao Fluxo?

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, “A Essência da Religião e Seu Propósito”: Neste artigo eu gostaria de resolver três questões:

A. Qual é a essência da religião?

B. É a sua essência alcançada neste mundo ou no outro mundo?

C. É o seu propósito beneficiar o Criador ou a criatura?”

Evidentemente, estas três questões cobrem o imenso tema da religião. Então, o que é religião?

Uma pessoa que vive neste mundo tem estas três perguntas sobre sua vida. Ela quer saber: “Quem sou eu? De onde eu venho? Quem me governa? Como é que eu existo? Para onde vou?”.

Os animais não estão preocupados com isso. Eles nascem naturalmente, vivem sob a regra de seus instintos, e morrem sem se fazer todas as perguntas. As perguntas despertam apenas na raça humana, e não em todos. Noventa por cento das pessoas não pensam sobre tudo isso. Elas aceitam o nascimento, a vida e a morte como dadas. O que acontece é óbvio e claro para elas.

No entanto, e se a pessoa pensa em algo maior, sobre a razão? Esta razão vem do Criador.

Como sabemos, cada etapa é dividida em quatro níveis de Aviut, isto é, a profundidade ou a aspereza do desejo. Se uma pessoa já alcançou um nível mais profundo, mais corrupto, ela tem mais perguntas. Ela experimenta vários medos, quer ganhar dinheiro, busca a verdade e se aprofunda. Assim, as pessoas tornam-se cientistas e filósofos, e, em geral, desenvolvem uma atitude particular em relação à vida.

Na última etapa desta escada, a pessoa começa a se relacionar com o que está acontecendo objetivamente, independentemente de si mesma. Não é apenas uma abordagem científica; ela quer descobrir o segredo da vida, apesar de grande interesse pessoal, mantendo-se o máximo possível independente em seu juízo.

Um cientista tradicional obtém dados, ignorando a si mesmo, sem revelar sua própria relação com o assunto. Ele estuda apenas a natureza material, na qual não há respostas às perguntas sobre o significado. É por isso que cientistas e filósofos não conseguem descobrir a dimensão que está acima desta vida, desdobrando-se nos cinco órgãos dos sentidos corporais.

No entanto, se uma pessoa percebe que ela deve revelar a essência da vida acima de sua natureza, para além de si mesma, ela deve se desligar desta vida, superá-la, e tornar-se um verdadeiro cientista. Ela não pode ficar prisioneira de sua própria natureza, que lhe dita a sua visão do mundo e comportamento.

Assim, na busca do sentido da vida, nós devemos chegar a um nível tal onde somos realmente independentes da nossa natureza, que é a coisa mais objetiva e completamente separada de tudo o que existe dentro de nós. Como pode ser isso? Este é um grande problema, e a sabedoria da Cabalá lida com isso acima de tudo.

Nosso progresso na vida é dividido em dois estágios. No primeiro estágio, nós temos que subir para o nível da independência, armados com todas as facilidades, ferramentas e detalhes de percepção necessários para ocupar a “terra de ninguém”, onde não devemos nada a ninguém: nem a este mundo, nem ao mundo futuro, nem ao egoísmo, nem à doação, nem a inclinação ao bem, nem a inclinação ao mal, nem ao Criador, ou à criatura. Nós devemos estar no meio, no lugar chamado Klipat Noga ou o terço médio de Tifferet.

Nós não entendemos como isso pode ser. Afinal, não há nada exceto o Criador e a criatura, nada, exceto a Luz e o Vaso. E já que estamos falando de nós mesmos, da criatura, então, por definição, nós estamos no vaso do desejo criado. Como podemos ser levados a um estado onde não dependemos nem de nós, nem da Luz? Como podemos caminhar no fio da navalha? Quem realmente toma decisões nesta situação, e de que lado nós podemos escolher se somos neutros?

Aqui, temos que entender que fazer uma análise imparcial da nossa vida só é possível se nos elevamos acima de nós mesmos, das nossas próprias propriedades. Assim, pairando no ar, nos tornamos independentes de nós mesmos em primeiro lugar. Então nós, possivelmente, vamos achar que estamos sob a autoridade do Criador e teremos de nos livrar disso também. Como poderia ser de outra forma?

Assim, para responder á pergunta sobre a essência da religião, é necessário entender a origem da minha vida, o que me controla, e para onde vou. Afinal, eu sou levado pelo fluxo, mas esse conhecimento pode me ajudar? Eu poderia mudar o meu destino para melhor?Revelando o sentido da vida, eu poderia melhorá-lo, ou ao contrário, é a minha ignorância uma bem-aventurança?

No final, o que será, será. Assim, a pergunta sobre a essência da religião é muito complexa, e ao abordá-la, temos que resolver algumas tarefas preliminares.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 24/11/11, “A Essência da Religião e Seu Propósito “

O Violino Vai Tocar Quando O Vento Soprar

Dr. Michael LaitmanAntes de começar a ler ou ouvir o texto que carrega a informação espiritual, é preciso primeiro harmonizar-se ao lugar onde a espiritualidade é revelada. Está escrito: “Do amor às criaturas (ou seja, do amor pelos amigos) a pessoa chega ao amor pelo Criador”. Portanto, desde o início, nós devemos imaginar o grupo, a conexão correta entre nós, dentro da qual aguardamos a revelação.

Toda ciência da Cabalá dedica-se à revelação do Criador às criaturas. E o sucesso depende de como eu imagino corretamente o lugar desta revelação, ou seja, suas condições: a aspiração a ela, a avaliação elevada, a gratidão e, ao mesmo tempo, o sofrimento. Impressões boas e ruins, ou seja, uma grande inspiração e um grande desespero. Tudo isso junto.

Porém, no final, eu me concentro numa realidade na qual espero a revelação do Criador: a qualidade de doação, que governa o universo inteiro a partir da ocultação. “Não há outro além Dele” – a força de amor e doação.

Uma vez que eu me sintonizo dessa forma, a fim de me apegar a esta qualidade, tanto quanto eu posso imaginá-la com todo meu coração e alma, no meu coração e mente, visando todos os meus pensamentos, desejos e forças para ela, então eu posso ler o texto. Ele poderia estar falando em termos técnicos, tais como o Talmud Eser Sefirot, ou ser uma lenda, isso não importa. Por trás de tudo isso, eu tento ver como ele descreve as relações entre eu e a força superior de doação, ou seja, o quanto eu correspondo a ela.

É sobre issoo que o livro ou a voz do leitor me dizem. Não importa qual a forma em que eu recebo informações sobre a revelação do Criador, eu vou estar pronto para percebê-la.

Quando olhamos para nossa vida, também devemos tentar ver como revelar a atitude do Criador, que “se veste” no mundo. Antes de tudo, obviamente, no grupo. Ele desperta todos nós juntos, “dia e noite” (ou seja, em estados diferentes – subidas e descidas), de modo que finalmente nós O revelemos na conexão entre nós.

Todos nós juntos somos como um instrumento musical que deve ser ajustado bem e corretamente, estabelecendo as qualidades adequadas, as conexões mútuas, a harmonia entre nós, de modo que o instrumento seja tocado corretamente. Quando esse vento sopra, que tocou o violino de David, então, como esse violino, vamos tocar juntos.

Em geral, a pessoa deve tentar ver a expressão da força superior em todos os eventos de sua vida, mesmo que ela não entende porque e como as coisas acontecem. Por um lado, na vida normal, devemos tentar agir como normais e ser o mesmo que todos. Mas, ao mesmo tempo, internamente, devemos nos relacionar com tudo como se fosse a revelação do Criador para nós.

Por enquanto isso é como um jogo: não é real, porque você ainda não sabe exatamente como decifrar a imagem que aparece para você, mas ainda assim, você tem que procurar.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 03/01/12, Escritos do Rabash

Amor E Dano São Incompatíveis

Dr. Michael LaitmanPessoas que têm a realização espiritual conhecem as leis do universo e compreendem a natureza das massas. Elas não têm apenas conhecimento, mas também a experiência do seu próprio desenvolvimento, que também começou a partir do nível mais baixo, inanimado. Elas passaram por correções internas e aprenderam a empatia, as concessões, o amor. Elas adquiriram o “kit de ferramentas” necessário para cuidar das massas. Elas sempre agem para o bem das pessoas e não para seu próprio benefício, porque vivem numa natureza diferente, espiritual.

Pergunta: A preocupação delas com o mundo visa a quê?

Resposta: Elas querem “criar um rapaz a sua própria maneira”. À sua maneira, mas criá-lo, ou seja, para gradualmente fazê-lo avançar por meio do estudo, explicações e exemplos, ao invés do sofrimento. Esses sábios realizam o trabalho principal, atraindo a Luz, enquanto as massas recebem o benefício dela.

Hoje, as massas sofrem: algumas ficam sem emprego, algumas estão com fome, algumas têm saúde ruim, problemas com suas famílias, crianças e assim por diante. Nesse ínterim, os sábios atraem a Luz que reforma e ensinam as pessoas num nível simples e acessível, permitindo que a Luz flua para as massas e as corrijam.

Como resultado, as pessoas recebem as Luzes de Nefesh e Ruach, enquanto as Luzes de Neshama, Haya e Yechida permanecem com os sábios em seus graus mais elevados, de acordo com a ordem inversa das Luzes e vasos.

Assim, as massas recebem a satisfação que corresponde exatamente aos seus desejos. As pessoas querem bons filhos, bem-estar de suas famílias, uma pensão segura, saúde, atividades, uma boa casa, férias agradáveis, segurança, etc. Elas não têm desejos de um nível diferente, e também não precisam deles.

Só mais tarde, como parte do processo geral, as massas começarão a se juntar aos sábios, e, assim, ocorrerá uma inclusão mútua. Mas, novamente, ela será passiva na extremidade das massas.

Assim, os grandes descem para servir as pessoas, mas eles não descem em seu interior. Precisamente seu alto grau lhes permite elevar as massas, nível após nível.

Pergunta: Será que isto não implica o risco de causar danos involuntariamente?

Resposta: Pode uma mãe amorosa causar dano a seu bebê? Afinal de contas, nós não colocamos um policial em cada mãe. Esta é a natureza da mãe: cuidar do bebê. E a mãe não apenas cuida do bebê, mas está impregnada de seus desejos. Assim, ela pode prejudicá-lo? Todos os seus pensamentos estão focados no que lhe dará prazer, o que o beneficiará. Qual o leite em pó, a temperatura na sala, na garrafa de água – a mãe não se desconecta dessa onda de amor por um momento sequer.

Da mesma forma, o superior não tem seus próprios desejos. Ele recebe os desejos do inferior e trabalha sobre eles. O amor o obriga a fazer o que é bom para aquele que ele ama. Eu posso amar tanto ele quanto eu. Se eu amar o próximo, eu subo acima do amor próprio, e uso tudo que tenho para servi-lo, deixando apenas o necessário para mim.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 03/01/12, “A Liberdade”