Textos com a Tag 'Educação'

Causa E Efeito

Dr. Michael LaitmanPergunta: A ilha do Haiti demonstra muito bem a irreversibilidade das leis da natureza. Durante muitos anos, ela foi um país florescente com um clima maravilhoso e uma infra-estrutura relativamente desenvolvida. No entanto, cinco anos atrás o terremoto a atingiu, e a comunidade internacional investiu trilhões de dólares na restauração da ilha.

A ONU organizou ajuda global, e parecia que tudo ia ficar bem e a vida na ilha iria voltar ao normal. Mas descobriu-se que mesmo os enormes recursos que foram dirigidos a ela não puderam evitar o caos e a destruição.

Este é um exemplo claro que uma vez passado certo ponto, a natureza humana torna-se irreversível.

Resposta: Isso confirma mais uma vez que, antes de tudo, é necessário educar a população. Somente então, dependendo da extensão da formação, dirige-se mais a população no sentido da formação da nova interação social. O problema da ilha do Haiti não pode ser resolvido apenas com a injeção de dinheiro. Se esses fundos não tivessem sido fornecidos, os habitantes da ilha teriam saído sozinhos dessa situação.

Comentário: Nem toda a ilha sofreu danos com o terremoto. Mas aqueles que ainda tinham casas e podiam se alimentar da pesca se mudaram para cidades de tendas da ONU onde o alimento era dado gratuitamente. Clãs controlados pela máfia colocaram toda a ilha sob seu poder. Tropas da ONU se movem apenas a luz do dia em tanques porque os bandidos estão por toda parte. Esses bandidos aniquilam cada tentativa da ilha de sair da situação atual.

Resposta: É o que já foi feito na África.

Vou repetir de novo: a educação, um sistema de educação universal, deve preceder todas as transformações. Se não quisermos que a humanidade avance através de brutais crises e guerras mundiais, nós temos que primeiro organizar um sistema de educação por nós mesmos!

Você diz que a causa de tudo é a crise. Portanto, nós devemos mudar a sociedade e a natureza humana, torná-las integrais e interconectadas. Eu acho que aqui as nossas opiniões diferem sobre qual é a causa e qual é o efeito.

Do meu ponto de vista, a causa é o movimento da força da natureza que está constantemente empurrando-nos para o novo estado evolutivo. Uma vez que já passamos por todos os nossos estágios evolutivos anteriores, agora estamos nos movendo em direção ao próximo. A próxima etapa da humanidade é a globalidade, a integralidade. A natureza está movendo tudo para a integração, para a equivalência consigo mesma.

Assim como tudo na natureza (como, por exemplo, os diferenciais de pressão e temperatura) está se movendo em direção à coordenação e entropia, o mesmo processo está acontecendo com a humanidade. Ela tem que se mover em direção à integração, porque a natureza está nos forçando e, assim, causando em nós a crise que temos hoje.

Não fomos nós que causamos isso, mas o contraste do nosso estado atual da sociedade com o estado que devemos alcançar. Isto é o que nós sentimos como crise.

Do programa de TV “Cidade Experimental: Saindo da Crise” 03/02/12

O Novo Modelo De Homem

Dr. Michael LaitmanPergunta: Qual é o papel do guia, do moderador, num grupo de educação e formação integral?

Resposta: É muito mais fácil estudar a teoria do que gerenciar pessoas e ensinar-lhes lições práticas, levando-as a conclusões que não podem chegar por si mesmas. Pelo contrário, aqueles que estudam de acordo com este método chegam a estas conclusões e experimentam este método por si mesmos e inventam um método de reforma pessoal, quando de repente começam a sentir que o grupo é o “artista” que esculpe algo totalmente novo deles.

Com um sentimento e impressão inesperados, eles percebem o quanto podem mudar. Além disso, o que antes parecia ilógico de repente torna-se comum, e o que era imperceptível antes de repente é percebido e aceito mais facilmente, e até mesmo coisas que discordavam de repente parecem diferentes.

Então, primeiro eles começam a estudar a influência que a sociedade tem sobre a pessoa. Ao mesmo tempo, cada um descobre, surpreendentemente, como é dependente do ambiente e em que medida que pode ser manipulado pelo ambiente.

Nós podemos comparar isso a um grupo do tipo Vigilantes do Peso, Alcoólicos Anônimos, ou de pessoas tentando parar de fumar, etc. Não se trata de abandonar certo hábito e formatar uma personalidade totalmente nova: não se trata de você “se formatar” de acordo com o mesmo padrão egoísta, mas da aquisição de uma perspectiva totalmente nova, uma nova natureza, um novo código de comportamento, da mudança das pessoas.

Às vezes isso pode ser bastante desagradável, ou pelo menos surpreendente, porque a pessoa não pensa que pode mudar a si mesma tão facilmente usando o ambiente.

O ambiente está disposto a ajudá-la nisso. Se este age de acordo com determinado método, e explica às pessoas no que elas têm que se transformar, então existe uma cooperação mútua precisa no grupo, quando todas brincam juntas e este jogo coletivo, assim como num teatro, transforma-as em pessoas totalmente novas. Além disso, o papel que elas estão jogando continua a fazer parte delas.

Há muitos “mas” aqui; a questão é se o papel que elas começam a jogar continua a fazer parte delas para sempre. Isso se torna parte delas como a memória permanente de um computador? Ou é temporário e pode mudar por diferentes atributos, funções e outros papéis? Isso depende da orientação que a pessoa recebe e a orientação do grupo, e se estes grupos vão se tornar um incentivo constante que influencia as pessoas.

Da “Discussão sobre Educação Integral” 27/02/12

Uma Mudança Interna

Dr. Michael LaitmanO simples fato da pessoa estudar de acordo com o método da educação integral a muda de tal forma que o seu paradigma e seus sentimentos mudam o mundo em que vive, e ela sente o mundo como um lugar totalmente diferente. Nós podemos dizer que criando um mundo imaginário para uma pessoa, podemos mudar os seus parâmetros internos naturais e psicológicos. No geral, hoje nos desenvolvemos de forma absolutamente bestial e vemos que não podemos continuar existindo desta forma. Isto significa que podemos mudar o mundo apenas pela nossa percepção, e é isso que estamos fazendo.

Aqui nós já começamos a sentir que uma mudança interna real e profunda está ocorrendo na pessoa, e podemos ver como ela muda internamente e todo o mundo se torna diferente. A vida é basicamente um sentimento de algo que realmente não existe, é simplesmente como você sente.

Portanto, nós temos que constantemente realizar um trabalho psicológico muito sério nos workshops, travar relações em nossos sentimentos, nas definições: O que realmente significa isso, de forma relativa e objetiva, o que é a sociedade, quem sou eu, e qual é o status ao qual devemos nos agarrar, uma vez que tudo está mudando constantemente e é muito vago? De repente o mundo e eu nos tornamos algo que é indefinido, dependente, e onde você pode levar uma pessoa na direção que você deseja: Onde estamos?

Nós temos que ter esse sentimento, porque por um lado ele se relaciona com as opções que a pessoa tem. Por outro lado, esses sentimentos devem ser livres, e a pessoa deve sentir que pode mudar o mundo e a si mesma e conectar-se a outros. Os outros também percebem que este mundo é realmente uma pequena imagem que congelou na nossa imaginação, na nossa impressão, e que pode ser alterada.

O importante é retratar a imagem certa para uma pessoa e o que deveria ser: a saída total de si mesma para fora e a sensação da força única da natureza, que é a força de doação e o amor, de bondade e cooperação mútua. Quando nós estabilizarmos esta imagem, este sentimento, na mente de uma pessoa e a sociedade a apoia, nós começaremos a mudar sem medo, e haverá realmente uma transição interna da percepção egoísta da realidade (em mim), para a percepção externa (a partir de mim).

Da “Discussão sobre Educação Integral” 27/02/12

Não Afunde Os Outros Hoje, Para Que Eles Não Afogarem Você Amanhã

Dr. Michael LaitmanEu passei a minha vida inteira cuidando de mim mesmo, tanto interna e instintivamente, quanto conscientemente, intencionalmente e deliberadamente. Neste caso, como eu faço para mudar completamente a minha natureza? Como posso aprender a amar o próximo? Afinal, amar o próximo significa pensar apenas nele, colocar todo o meu corpo ao seu serviço, todos os meus meios, habilidades e geralmente tudo o que eu tenho. E fazer isso a tal ponto que não vou ter nada exceto esse ponto do desejo de doar para ele e implacavelmente cuidar dele para que ele se sinta tão bem quanto possível.

É assim que uma mãe cuida de seu filho. A própria Natureza a dirige incansavelmente para cuidar da criança, e a única coisa que lhe interessa na vida é que esses quilos de carne se sintam bem. Ela só pensa em como arrumá-lo confortavelmente, com que alimentá-lo, quando mudar a fralda, e no geral, o que fazer com ele para que ele se sinta ainda melhor. Não existe outro cuidado para ela.

Como podemos seguir o seu exemplo para que possamos tratar toda a humanidade da mesma maneira, com a mesma devoção? Isso é impraticável!

Mas, poderia a Natureza realmente definir condições impossíveis diante de nós? Por que, então, chegamos a um estado completamente oposto? Por que estamos totalmente imersos no interesse próprio? Além disso, embora os animais constantemente também se preocupem consigo mesmos, as pessoas, além disso, querem lucrar à custa dos outros, usá-los, impor seu poder e opiniões sobre eles, dobrá-los à sua vontade. Uma pessoa se deleita em se elevar sobre os outros. Além disso, ela gosta quando se sentem um pouco pior do que ela, quando ela está num estado mais vantajoso em relação a eles. Uma pessoa avalia constantemente a si própria em relação àqueles em torno dela, e só através disso é que ela estabelece a extensão da sua satisfação.

Se o egoísmo me levou ao ponto onde me sinto acima de todos e onde preciso deles somente para sentir a minha superioridade, como posso mudar essa natureza e mudar para um estado oposto? Talvez seja vantajoso para eu imaginar uma situação utópica em que me preocupo com meu próximo e recebo prazer disso, como uma mãe que cuida de seu bebê? Suponha que eu amasse os outros da mesma forma que ela faz e gostasse de estar constantemente cuidando deles, então, talvez, eu sentiria absoluta realização pessoal com isso?

No entanto, não vejo qualquer meio para conseguir isso. O que me obrigaria a isso?

Na verdade, a humanidade ponderou isso por milhares de anos. Ao longo da história, muitos livros foram escritos, muitas tentativas foram feitas para implantar algo semelhante: construir um bom ambiente, formar organizações correspondentes. Mesmo centenas de anos atrás, os utopistas tentaram criar as condições para as boas e afáveis relações entre as pessoas em diferentes cantos do mundo. No entanto, eles não tiveram sucesso na implantação dessas iniciativas.

No curso de nosso desenvolvimento, estamos nos tornando mais inteligentes e conhecendo a natureza humana cada vez melhor, e agora entendemos que somos incapazes de nos levantar acima da nossa própria natureza. Talvez seja mesmo uma coisa boa. Talvez isso nos dê algo especial. Mas, a construção de tal sociedade é impossível: uma ideia utópica, de fato.

É por isso que em nossas sociedades nos limitamos às leis de conduta, de modo a não prejudicar muito o nosso próximo. Nós temos advogados, contadores, sociólogos, psicólogos, políticos, e assim por diante, e eles padronizam as leis sociais. Nós nos unimos com os outros, mas apenas a fim de receber serviços. Por exemplo, um município se preocupa com a ordem na cidade, com a limpeza do lixo e outros serviços, como creches, escolas, centros culturais e assim por diante. Nós estamos dispostos a contar com as necessidades de todos e, neste caso, vale a pena nos unir. Afinal, graças a isso cada um paga uma quantia relativamente pequena para uma ampla gama de serviços. Essas coisas são claras para nós, pois através delas recebemos um benefício real, calculável.

Mas, quando se trata de mudar as atitudes das pessoas no reino dos sentimentos e emoções, de modo que a pessoa leve em consideração o seu próximo ao invés de ouvir seu próprio coração, isso é algo que não podemos fazer.

E aqui chegamos a um entendimento do estado especial da crise que estamos hoje. É uma crise muito estranha, e em sua essência, ela pertence às relações entre nós. Usando todas as mesmas formações egoístas já tentadas, buscou-se construir uma sociedade mais confortável para todos, tendo em conta os interesses comuns de uma forma ou de outra. Nós entendemos que um excesso de pessoas descontentes vai levar a confrontos e conflitos irreconciliáveis, e isso ameaça provocar guerras civis. Ao longo de todas as épocas, temos tido conhecimento de que o nosso egoísmo precisa ser bem refreado para que não nos devoremos uns aos outros.

No entanto, todos esses cálculos foram construídos sob um “guarda-chuva egoísta”: Nós entendemos que essa é a nossa natureza e que temos de nos conter dentro de certos limites. Mesmo que nosso mundo brilhe com facetas egoístas, ele ainda requer um mecanismo único, a fim de evitar os surtos que ameaçam destruir todas as nossas realizações. Foi assim que a humanidade chegou a criar o Banco Mundial, a ONU e outras organizações internacionais, e como chegamos a uma maior comunicação e a contabilidade mais completa de interesses.

Em particular, durante o último século percebemos que é necessário levar mais em consideração o outro. As duas guerras mundiais mostraram-nos que ninguém ganha na guerra desenfreada, pelo contrário, todo mundo sofre uma perda como resultado, e todo mundo paga um preço caro por isso.

É por isso que a humanidade criou todos os tipos de comunidades e canais de comunicação. Há ainda “botões vermelhos” em Moscou e Washington para o estabelecimento de contato de emergência em caso de uma ameaça global. Existe certa forma de confiança aqui simplesmente porque está claro para todas as partes envolvidas que ninguém sairia de um conflito incólume e proveitosamente. Assim, percebendo que não há alternativa, armados com uma base acumulada, podemos agora estabelecer certas interações e comunicação.

Por um lado, essa ainda é uma abordagem egoísta, mas por outro lado, tal processo ainda leva à proximidade entre nós. Mesmo que cada vez mais nós nos odiemos e queiramos matar os outros, está se tornando claro que eles são tão fortes, e, portanto, é vantajoso levarmos o outro em consideração.

De KabTV “Uma Nova Vida” #13, 11/01/12

Veja-se De Fora

Dr. Michael LaitmanPergunta: Suponha que filmemos uma classe de educação integral. Será que os instrutores, assistirão a si mesmos no trabalho?

Resposta: Eu acho que isso é o que mais importa, o instrumento principal. É por isso que nós introduzimos a gravação de vídeo em toda parte. Quando uma pessoa olha para si mesma de fora, é muito mais fácil para ela ver seus “pontos cegos”, as falhas em seu comportamento, que ela geralmente não consegue perceber.

Comentário: Mas nós devemos tratar isso com cuidado.

Resposta: Como regra geral, nós não costumamos apontar diretamente para o “ponto cego”. Isso não funciona, pois só pode quebrar a pessoa. Nós temos que levar a pessoa à percepção de que ela deve subir acima de si mesma (fazê-lo por conta própria, de forma independente), mas também fazê-lo com a ajuda de outros, extraindo o exemplo deles, sempre sentindo que está debaixo deles.

Neste caso, não há professor e estudante. Aqui, o estudante pode parecer maior do que o professor aos olhos do professor. Na realidade, o professor vai sempre sentir como ele é menor do que os alunos. Todo aquele que realmente está um grau mais elevado do que os outros vai sentir como é menor do que os outros. E isso vai ajudá-lo a elevr-se e ser maior. Assim, aqui o egoísmo trabalha para nós, ele começa a nos ajudar.

Da “Discussão sobre Educação Integral” 27/02/12

O Método Para Revelar O “Ponto Cego”

Dr. Michael LaitmanPergunta: Quando especialistas trabalham com pessoas, eles frequentemente encontram qualidades numa pessoa que é óbvia para todos, mas que a própria pessoa não percebe que as tem. Em psicologia, este fenômeno é referido como um “ponto cego”. Essas qualidades podem ser discutidas e reveladas para as pessoas nos grupos de educação integral?

Resposta: Isto não vai funcionar. Você só pode falar sobre isto de uma forma totalmente indireta, dizendo que todos nós experimentamos este estado, e não você ou eu.

Está escrito em todos os artigos sobre educação integral, que durante o processo de transição de um estado egoísta para um estado altruísta, nós começamos a entender, perceber e compreender que há coisas que atualmente não percebemos, certos “pontos cegos” peculiares. Mas eles realmente existem. As pessoas à nossa volta os vêem em nós; elas entendem que, até agora, não percebemos que nós existimos nestes “pontos cegos”. É como se uma grande luz estivesse me cegando e eu não fosse capaz de ver nada, mas os outros pudessem ver muito bem a mim e tudo à minha volta.

Geralmente, a pessoa sempre existe num estado como este, mas nós só podemos falar disso de acordo com o nível da pessoa. Não podemos apontar diretamente para esse “ponto cego”, mas podemos guiá-la indiretamente a este estado, levando-a a uma rota alternativa. Mas nunca diretamente, isso não vai funcionar; pelo contrário, só vai piorar o estado.

Ela deve perceber isto através dos outros, indiretamente, e experimentá-lo. Primeiro, ela deve encontrar os sentimentos necessários para este estado. Ela precisa aprender que não entende coisa alguma aqui, que há algo que ela não sente, e isso precisa doer.

Uma vez que isto começar a doer dentro dela, ela vai se sentir decepcionada, como se não entendesse coisa alguma, estivesse desorientada, e visse que algo está acontecendo em outras pessoas e ainda não está acontecendo nela; em outras palavras, ela deve começar a sentir inveja, ciúmes e orgulho. São esses sentimentos que normalmente a cegam, não a deixam ver. Todo mundo tem esses estados. Eles acompanham as pessoas até a completa correção. Sempre!

Mas nós devemos entender que esses “pontos cegos” são os estados que devemos corrigir. Este “ponto cego” deve sempre nos guiar para frente como a luz de uma lanterna. É por isso que o grupo e todos devem de alguma forma usar suas qualidades, atitudes e relacionamentos para descrever-me a sensação do “ponto cego”, que eu falho em perceber em mim, e o fato de que estou cego pelo meu orgulho, meu egoísmo tolo e minha limitação, e é aqui que eu tenho que me elevar acima de mim mesmo.

Este é um método muito complicado. Nós falaremos sobre isso no futuro e discutiremos as diferentes abordagens e soluções para ele. Nós temos que ajudar cada pessoa e toda a humanidade a ver este “ponto cego” diante deles. Em outras palavras, devemos ajudar a todos a perceber que esta “área ainda não ativada de compreensão” é o seu próximo grau; é através da compreensão do mal, da compreensão do bem, que você começa a perceber a bondade por trás do mal.

Mas, em geral, o “ponto cego” é simplesmente o nosso egoísmo óbvio, que não nos permite sentir que estamos nele. Acreditamos que tudo é normal e certo, e não sentimos que parecemos tolos e limitados aos olhos dos outros. Se nós estivéssemos sentindo isto, estaríamos ardendo de inveja, ciúme e orgulho, que nos forçaria a sair do egoísmo.

É por isso que devemos explicar com muito cuidado a uma pessoa o método complacente de revelar o seu “ponto cego”.

Da “Discussão sobre Educação Integral” 27/02/12

Uma Transição Verdadeira

Dr. Michael LaitmanPergunta: Que parte da população precisa participar da educação integral, a fim de mudar a consciência de toda a sociedade?

Resposta: Eu acho que quando 20 a 30% da população se inspirar com a ideia anticrise – eu a chamaria inclusive de ideia da nossa salvação de um estado crítico – isso automaticamente se espalhará para os outros, que também vão se interessar, entender e compreender a necessidade de estudar o método integral. Além disso, à medida que as empresas e a demanda por determinados serviços continuarem a cair como consequência do esgotamento das capacidades materiais da população, as pessoas vão entender que realmente precisam pensar em certa transição.

Se houver um sério trabalho explicativo na população com relação à crise, suas causas, curso e consequências, e as formas de resolvê-la em escala local, regional e mundial, as pessoas vão realmente escutar. É por isso que, quando for oferecido às pessoas um método de educação integral como um meio para sair da crise, as pessoas vão leva-lo bastante a sério.

É necessário organizar discussões interessantes, convidar pessoas com pontos de vista diretamente opostos, onde elas vão tentar descobrir coisas durante o debate.

De KabTV “Cidade Experimental – Solução para a Crise” 02/03/12

O Critério Do Sucesso

Dr. Michael LaitmanPergunta: Quando uma pessoa estuda de acordo com o método integral, como ela pode depois avaliar se os seus estudos foram bem sucedidos?

Resposta: Se a pessoa foi capaz de estar em contato constante com seu ambiente, seja ele virtual ou físico, e se esse contato lhe serviu como forma de sair de si mesma em direção à sensação e o sentimento comum, o pensamento e o movimento comum, na busca da meta e da análise, então seu tempo definitivamente não foi em vão. Em outras palavras, sair de si mesmo para “fora de si mesmo” deve ser uma aspiração constante, o movimento da pessoa. Assim, a vida será diferente.

Da Palestra Introdutória “Para Ser um Homem, o Futuro da Educação” 27/02/ 12

Ser O Meu Próprio Instrutor

Dr. Michael LaitmanNós esperamos que gradualmente alcancemos um nível de concordância na sociedade (no Estado), e entre as pessoas, quando elas começarem a entender que ninguém pode mudá-las, exceto elas mesmas, e que não serão capazes de mudar o mundo sem mudar a si mesmas; que o mundo é a percepção da pessoa, o seu próprio reflexo, e é por isso que é necessário jogar como se estivesse no futuro, de modo que este futuro se torne o presente. Como Kozma Prutkov disse uma vez: “Se você quer ser feliz, seja feliz”. Em geral é assim que é.

É por isso que um instrutor deve ser também um tipo de psicoterapeuta. Ele deve entender as pessoas muito bem e saber tudo sobre isso. Os instrutores devem concluir cursos e terem muita experiência. Eles precisam estudar fórmulas exatas de comportamento, mudança e reações humanas. Em outras palavras, o fundamento da sua experiência deve conter cenários específicos com entradas e saídas apropriadas. Eles devem entender o que estão fazendo com as pessoas e os tipos de reações que as pessoas podem ter, e precisam saber exatamente o que precisam para alcançar a saída.

Além disso, ao trabalhar com um grupo de adultos, também temos que transformá-los em instrutores enquanto trabalhamos com eles, porque cada pessoa, em geral, é seu próprio instrutor. E quando ela interage com os outros, verifica-se que todos estão instruindo uns aos outros. Em outras palavras, este trabalho tem dois lados, é o trabalho da parceria entre todas as pessoas.

E mesmo que no início haja instrutores, educadores, professores e metodólogos trabalhando com o grupo, o grupo recebe todo o método deles, toda a cadeia de mudanças que deve experimentar, todo o programa, todas as leis exatas de comportamento, as leis de influência e de permuta entre si. No final, todos no grupo chegam a um ponto em que podem aplicar este método em si e nos outros, e ativamente interagir com o restante, tendo compreensão exata de como se transformar sob a influência do grupo.

Em outras palavras, quando uma pessoa termina em qualquer cenário, ou até mesmo num cenário ocasional, ela sente exatamente como se comportar e corrigir esta situação para que ela possa influenciá-lo e fazê-lo ter uma influência correta sobre ela. Desta forma, ela sempre será capaz de trabalhar corretamente com o ambiente e, simultaneamente, torná-lo um instrumento para si e para o grupo que ela influencia.

Da “Conversa sobre Educação Integral” 27/02/12

Ensine Mas Não Quebre

Dr. Michael LaitmanQuando eu estou incluído na sociedade, eu quero doar a todas as outras almas todos os desejos que estão fora de mim. Mas o que eu posso doar a elas? Então Eu (I) recebo uma Luz muito grande do Criador, a Luz de Ein Sof (Infinito) (∞) que passa através de mim para os outros.

Teach But Don't Break

No final, cada um de nós se torna semelhante ao Criador em sua relação com os outros -Aquele que doa, que se sente todos e os preenche.

Ao mesmo tempo, nós somos todos diferentes e ninguém pode tomar o lugar do outro. Todo mundo tem suas próprias habilidades especiais que lhe permitem se juntar a outros e dar-lhes algo que só ele pode dar. É essa capacidade que torna uma pessoa semelhante ao Criador em sua atitude para com os outros.

A sabedoria da Cabalá nos diz que uma pessoa não deve ser pressionada ou oprimida. A educação deve ser gratuita: nós ensinamos às pessoas a garantia mútua, as conexões mútuas, a ajuda e satisfação mútua, mas sem coerção. Se ordenarmos a uma pessoa qualquer outra coisa que não isso, vamos privá-la da capacidade de se conectar com os outros corretamente e trazer sua contribuição única em benefício de todos. Ela não será capaz de ser como o Criador em sua atitude para com o mundo e não será capaz de elevar-se ao nível do Criador, ao nível Daquele que doa.

“Doação” é quando eu recebo do Criador e passo através de mim a Luz que serve aos outros. A fim de permitir que uma pessoa faça isso, nós temos que lhe dar a educação correta, sem qualquer pressão ou opressão, de acordo com o princípio: “Educar a criança a sua própria maneira”. Em outras palavras, desenvolva seus atributos, mas não pressione, obrigue ou quebre.

Este é um método especial e nós temos que aprender a usá-lo. Se nós educarmos nossos filhos dessa maneira, eles se tornarão pessoas íntegras e bem sucedidas. Isso porque nós vamos ensiná-los a se conectar facilmente com os outros e, assim, proporcionar-lhes os meios para se aproximar da Luz. Graças a isso será mais fácil para eles identificar a força geral que está oculta  na natureza. Esta é a singularidade de nossa educação.

A uma pessoa nesse mundo falta-lhe apenas uma coisa: saber como se conectar com as outras pessoas. Ao aprender como se conectar, ela vai, sem dúvida, ter sucesso em tudo. Esta é a correção do mundo. Todas as nossas outras negociações são apenas mentiras. Nós nos confundimos com sucessos imaginários, após os quais há sempre decepções, e as crises e os nossos problemas só continuam a crescer.

Da Convenção no Brasil 5/05/12, Lição 4