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Como A Criação Se Torna Independente

232.03Se uma pessoa conecta corretamente as linhas direita e esquerda, de modo que se complementem ao máximo, sem que uma suprima ou domine a outra, isso é chamado de verdadeira oração. É preciso garantir que ambas as linhas estejam na combinação adequada e com a máxima intensidade possível. Só então se pode chamar isso de oração.

Para uma oração desse tipo, a pessoa já recebe o que é conhecido como a linha média. Não sei exatamente o que é a linha média. Ela representa o nascimento de algo novo. Ou seja, embora eu possa compor uma oração dentro de mim, receber uma resposta a ela significa receber algo divino que eu nunca possuí antes.

O que recebo do alto é chamado de vaso (Kli) da minha alma, um anseio por espiritualidade que agora é verdadeiramente meu. Não pertence nem ao Criador (a linha direita) nem à criação (a linha esquerda), ou seja, à natureza da qual me originei. É algo absolutamente novo, um fragmento do meu verdadeiro eu dentro do mundo espiritual. Este é o início da alma, um novo Kli.

Dessa forma, a pessoa começa a crescer. Esse Kli constitui o “eu” da pessoa. Ela começa a ver essas duas linhas e a se relacionar com elas como dois anjos, dois parâmetros, duas forças e duas naturezas distintas — a natureza do Criador e a natureza da criação — que lhe são dadas para que ela possa usá-las corretamente em conjunto.

Isso é necessário para que a pessoa gere um terceiro elemento. A linha média representa esse terceiro elemento, algo que nunca existiu antes, algo que a pessoa traz à existência. Obviamente, o Criador faz isso através da luz, mas a necessidade de preencher o Hisaron (a carência) deve partir da pessoa. A sensação do Hisaron, a consciência dele e a preparação para ele devem vir dela. Até que isso exista dentro da pessoa, nada pode nascer.

O Kli nascido na linha média é algo completamente novo, algo que nunca existiu na realidade antes. E aqui a criação realmente se sente independente. O Kli é a tela e a luz refletida, e este é verdadeiramente o “eu”. Sinto neles que este é o meu “eu”, e que o meu “eu” é, em essência, o desejo de doar, o desejo de ser semelhante ao Criador.

Não há vergonha, nem sentimento de baixeza ou desconforto ali. Todas as sensações negativas de uma pessoa não vêm do seu “eu”, mas do Hisaron da linha esquerda, que nos é dado inicialmente, porque o Criador o criou como “existência a partir da ausência” (Yesh Mi Ayin) apenas para que pudéssemos usá-lo para perceber sua completa oposição ao Criador.

A única escolha que uma pessoa tem é chegar à combinação correta das linhas direita e esquerda, que cria a oração. O que significa oração? Significa a formação de um Hisaron, para o qual recebemos uma resposta do alto. Quando a luz vem para preencher um desejo específico, o Kli apropriado, a tela (Masach) e a luz refletida (Ohr Hozer) são formados. A tela e a luz refletida são o vaso com o qual a criação já começa a trabalhar independentemente.

Da Lição Diária de Cabalá 13/08/26, Rabash, “O que é Não Adicionar e Não Tirar no Trabalho?”

Conectando As Qualidades Do Criador E Da Criação

571.01Pergunta: O que significa a conexão correta entre as linhas direita e esquerda?

Resposta: A conexão correta consiste em tomar as qualidades do Criador e as qualidades da criação para que, com base nelas, a criação possa alcançar o Criador. O que acontece ao final da correção? Toda a linha direita e toda a linha esquerda, e tudo o que é revelado no processo de alcançá-las, se unem em uma só. O que estou fazendo agora? Agora eu as utilizo, na medida do possível, para iniciar a correção e pedi-la.

Como isso é feito? Baal HaSulam diz que você deve conectar a si mesmo, suas qualidades (“Quem sou eu e o que sou eu?”), com as qualidades do Criador (“Quem é Ele e o que é Ele?”). Em outras palavras, sua ação presente deve ser direcionada para unir esses dois aspectos.

Comece a fazer isso agora e observe como é a sua resistência interna, as explosões que surgem dentro de você. É assim que as forças da oração são criadas dentro de você. O fato de que hoje você não consegue conectar essas duas linhas, mas, mesmo assim, se esforça para conectá-las, isso em si já é uma oração.

A oração não é de forma alguma o estado em que você já conectou tudo: tudo está, graças a Deus, bem, e agora você está no controle da situação. Todas essas ações apenas precedem a oração.

Da Lição Diária de Cabalá 13/08/26, Rabash, “O que é Não Adicionar e Não Tirar no trabalho?”

Como A Criação Se Manifestou

144O trabalho só pode ser discutido onde há um lugar para o trabalho. Em que se pode trabalhar? A única coisa que existe em toda a criação é o desejo de receber. Como o Criador criou esse desejo? Através do fato de Ele ter se afastado dele, e um vazio ter permanecido como consequência. Este é o desejo de sentir a presença do Criador. Este é o primeiro Kli.

É claro que este Kli ainda não possui nenhuma independência, apenas uma necessidade (Hisaron) da presença do Criador. O Criador é a totalidade da natureza, e o Kli é sua cópia, o Hisaron dessa natureza. E daí? Afinal, ainda não há criação, porque a criação é algo independente, algo que age fora do programa do Criador, fora de Seu desejo.

O que significa “fora”? Oposto ao Criador, oposto a Ele. Como pode esse desejo, criado graças à presença do Criador e sendo Sua impressão, no qual não há absolutamente nenhuma independência e que não sente nada separado do Criador em si mesmo, adquirir alguma qualidade que seja completamente independente d’Ele?

A questão é: se desde o princípio existe uma única força, um único desejo, como pode surgir outra coisa completamente separada dela? Pareceria que deveria haver alguma conexão, acompanhada de controle, observação e orientação. Mas, nesse caso, como podemos chamar de criação uma criação que, em determinado momento, se separou do Criador, se inicialmente ela não existia?

Para esse propósito, o Criador criou um estado no qual duas qualidades coexistem: a Sua e a qualidade oposta a Ela. Da comparação dessas duas qualidades, surgiu a criação. A criação é o resultado da sensação do Criador e da ausência dessa sensação. A atitude em relação à presença do Criador, baseada na diferença entre “sentir” e “não sentir” o Criador — essa é a criação.

A Criação é chamada de tela, intenção e, claro, foi formada a partir de Hisaron. Mas este Hisaron deve ser especial: a falta de sensação da presença do Criador se desenvolve em uma necessidade de sentir o Criador e chega a um desejo de estabelecer uma relação com o próprio Criador.

Aqui, existem três parâmetros: Hisaron, o prazer, e aquilo que estabelece a relação entre eles. Tudo isso é chamado de Kli, a luz, e a tela entre eles. Podemos falar da existência da criação somente quando temos esses três parâmetros. Mas se um deles estiver faltando, o conceito de “criação” não pode existir.

Assim, tudo depende do desejo dirigido à presença do Criador, da relação entre essas duas entidades diametralmente opostas. Uma pessoa é um Kli preparatório, mais precisamente, ainda não um Kli, mas o que deve se tornar um Kli, uma criação. E se o desejo correto não começar a se formar dentro dela, isto é, o desejo pela presença do Criador, ela não poderá, em seu trabalho, começar a determinar a intenção: em que forma ela está pronta e concorda com a Sua presença.

Da Lição Diária de Cabalá 22/07/26, Rabash, “O que são os “vasos de um leigo” no trabalho?”

O Papel Da Influência Do Ambiente Na Criação Dos Filhos

945Comentário: Lembro-me claramente de como, quando criança, era profundamente apegado aos meus pais. Dependia muito deles e ouvia suas opiniões. Para uma criança, o que o pai, a mãe ou os avós dizem é extremamente importante. Mas chega uma fase em que, independentemente de como foi criada, ela se distancia dos pais e muda.

Minha Resposta: É o ambiente! Ela está sob a influência de um ambiente diferente.

Mas em nossa comunidade é diferente. Aqui, uma criança e seus pais compartilham a mesma visão de mundo, o mesmo objetivo na vida, os mesmos valores e o mesmo senso de importância. Portanto, não há conflito. A criança passa por todas essas etapas com muita tranquilidade. Ela percebe que não há contradição: o que ela vivencia em casa, na escola e com as outras crianças é tudo a mesma coisa.

Deixe-a ver o mundo! Nada lhe é oculto. Ela verá que nossa visão de mundo é sóbria e verdadeira.

Educamos nossos filhos para que, aos dezoito anos, tenham concluído tanto o ensino fundamental e médio quanto o ensino superior.

Comentário: Suponha que a terminologia que usamos soe estranha quando dita por eles. As pessoas de fora podem reagir de forma diferente a essas crianças.

Minha Resposta: Não creio. O que poderia haver de incomum neles? Que não usem a linguagem chula ouvida nas ruas? Então, simplesmente falarão de forma diferente. O mundo de hoje é muito diverso.

Comentário: Mas mesmo assim serão diferentes das outras crianças.

Minha Resposta: Eles se diferenciarão por serem mais equilibrados, mais calmos, menos influenciados por pressões externas e por saberem o porquê e como viver. Serão muito benéficos para todos. Será uma geração completamente nova, devidamente formada.

Tudo isso é possível porque possuímos tanto o método quanto a força, a luz, que atuará sobre eles. Mas não podemos simplesmente entregar isso a pessoas de fora e dizer: “Peguem e usem”. Elas não possuem esse sentimento interior.

Portanto, as crianças que cresceram dentro do nosso método educacional e atingiram a idade adulta aos dezoito ou vinte anos tornam-se um verdadeiro trunfo para a humanidade. Elas formarão a camada de instrutores que a humanidade tanto precisa. Você consegue imaginar o quanto elas serão necessárias?

Comentário: Mas também terão um ego enorme. Será que não poderiam, mesmo assim, ceder a todas as tentações deste mundo?

Minha Resposta: Não! Isso não acontecerá em hipótese alguma! Vemos isso em nossos próprios jovens. Aqueles que foram criados dessa maneira, a luz faz tudo; não nós.

Aqueles que podem sucumbir às tentações deste mundo são pessoas que vêm de fora. Houve indivíduos que tentaram construir seus próprios negócios com base na Cabalá. Quantos foram ao longo das décadas de nossa existência? Apenas alguns. Simplesmente não acontece.

Isso não interessa à pessoa. Ela não pode pensar: “Quem me respeitará lá? O que ganharei com isso? O que me darão?”, porque possui um sistema de valores completamente diferente dentro de si. Você pode ver por si mesmo como vivemos.

Comentário: Quero dizer que às vezes as pessoas têm recaídas devido a predisposições pessoais, algumas em relação ao álcool, outras em relação a outra coisa.

Minha Resposta: Se estivermos falando de alguém que veio de fora e tem um histórico de problemas com drogas, alcoolismo ou algo semelhante, então sim. Mas estou falando de pessoas que foram criadas entre nós desde o nascimento. Elas simplesmente não têm essas tendências.

Isso se reflete em nossas crianças. Elas não se interessam por outros lugares. Dizem: “Queremos passar tempo com nossas próprias moças, construir famílias entre nós, organizar um clube para nós. Não queremos conhecer pessoas de fora. Não temos nem assunto para conversar com elas”, e assim por diante.

Já temos crianças que cresceram aqui, formaram suas próprias famílias e agora têm seus próprios filhos. É assim que a próxima geração começa a surgir — a geração que veio do Egito, a geração que já dá frutos.

Pergunta: Você deposita grandes esperanças nas crianças?

Resposta: Sim! Acredito que esta seja a coisa mais importante. A mais importante!

Vemos o que Moisés fez com o povo que saiu do Egito. Aquela geração que ele conduziu para fora do Egito teve que morrer no deserto. Somente aqueles que nasceram no deserto entraram na Terra de Israel. O mesmo princípio se aplica aqui.

Acredito apenas em educar uma pessoa desde o início e dar-lhe a direção correta na vida; isso é tudo. Isso a acompanhará por toda a vida. Não a abandonará, porque a própria vida lhe mostrará continuamente que ela foi formada corretamente.

Dessa forma, essas crianças receberão educação e formação, se tornarão profissionais em diversas áreas e poderão se integrar ao nosso sistema e trabalhar conosco. Caso contrário, poderão exercer qualquer outra profissão que escolherem.

De KabTV, “Eu Recebi uma Chamada. Cabalá para Adolescentes”, em 12/10/10

Nada É Criado Sem Um Propósito

766.1Comentário: Em uma das lições, você disse que é impossível progredir por meio de ações proibidas.

Minha Resposta: Não existe nada no mundo que o impeça de progredir. Tal coisa é impossível, pois faz parte da nossa alma. Em todos os casos, qualquer ação é um progresso. Você não encontrará nada que o impeça de avançar.

Nada é criado sem propósito! Não o vemos e não podemos nos relacionar com ele. Por exemplo, acabei de dar um passo em alguma direção, digamos, em direção ao objetivo, quer eu queira ou não, mas no caminho, pisei em uma formiga e a esmaguei. Isso também tem a ver com o objetivo. Não há nada que você não possa conectar com Malchut do mundo do infinito, que inclui toda a criação.

Da Lição Diária de Cabalá 11/05/26, Rabash, “O Significado da Proibição Estrita de Ensinar a Torá a Idólatras”

Do Que A Criação É Capaz De Sentir?

115.05A única coisa que existe na criação é a força superior, chamada de “Uma, Única, Eterna”. Ela criou algo que pudesse senti-la.

Esse “algo” é chamado de vaso, Kli, alma ou criação; ele percebe apenas o que o rodeia e o preenche, ou seja, a própria força superior que o criou.

Essa sensação começa a aparecer no Kli como uma sensação muito simples e tênue, uma leve impressão da força superior. É uma reação natural inerente à natureza do Kli e não requer nenhum esforço da parte dele para surgir. Essa tênue impressão natural é denominada este mundo.

A força superior tem um programa específico em relação ao Kli que criou; o Kli está destinado a perceber a força superior até um certo grau chamado infinito. O Kli foi criado com uma prontidão inerente precisamente para essa medida de percepção, e a força superior guia seu desenvolvimento para que ele possa, em última instância, percebê-Lo em Sua plenitude infinita.

O Kli desenvolve gradualmente um grau crescente de sensibilidade à força superior. Seu desenvolvimento ocorre em estágios; esses estágios são chamados de mundos. No total, existem cinco estágios de desenvolvimento.

Inicialmente, o Kli encontra-se em um estado de completa inconsciência em relação à força superior, muito semelhante a um embrião no útero materno. Designamos essa sensação específica como este mundo, que, em um contexto mais amplo, representa o grau mais baixo do mundo de Assia.

Posteriormente, o Kli pode desenvolver uma sensibilidade aguçada e, assim, perceber a força superior como os mundos de Assia, Yetzira, Beria, Atzilut, o mundo de Adam Kadmon e, finalmente, como o Infinito. Referimo-nos às impressões experimentadas pelo Kli  pelos nomes das luzes NRNHY (Nefesh, Ruach, Neshama, Haya e Yechida). O Kli só pode sentir suas próprias propriedades e como, por meio dessas propriedades, alcança a força superior. Isso é tudo o que ele é capaz de sentir.

Da Lição Diária de Cabalá 27/04/26, Rabash, “A paz após uma disputa é mais importante do que não ter disputas”

Tudo Foi Criado Para Nós

715Pergunta: Se eu alcançar o propósito da criação, há alguma diferença se eu o alcançar por um caminho longo ou por um curto?

Resposta: Há o caminho da Torá e o caminho do sofrimento. Eu avanço tanto recebendo golpes quanto me esforçando para me tornar semelhante ao Criador. Em ambos os casos, o objetivo é o mesmo. Diz-se que a loja está aberta e o lojista mantém a conta. Você pega dessa loja de qualquer maneira, quer queira ou não. Você deve pegar, você deve viver, você deve receber prazeres.

Uma pessoa é cobrada por aquilo que leva, esteja ela ciente disso ou não. Baal HaSulam escreve sobre isso no artigo “A Paz”. “Que diferença faz se uma pessoa está ciente ou não?”, ele pergunta. “Não vejo o comerciante e simplesmente pego da loja, desta vida (já que é assim que sou feito)? Ou sei que existe um comerciante e que o que levo, levo a crédito e devo pagar no final?”

A diferença é que o lojista não se importa com a quantidade que você leva; a loja é para você, tudo é para você. Não é por acaso que, no final do artigo, diz-se que tudo está pronto para a festa. Tudo foi criado para você desde o princípio e, claro, no final, você receberá tudo.

Mas o que importa para o lojista é que você se relacione com todas as suas “compras” neste mundo, nesta loja, de forma intencional. Porque dessa forma, você se relacionará com a criação como Ele se relaciona e alcançará o nível Dele. Este é o verdadeiro prazer: estar na posição do Criador; Ele quer que você a alcance.

Da Lição Diária de Cabalá 25/02/26, Rabash, “O que significa que a Criação do Mundo foi por doação?”

A Lógica Superior Do Programa Da Criação

278.01Pergunta: Por que alcançar o propósito da criação é um processo tão complexo e multifásico que inclui descida, subida e quebra?

Resposta: Porque desde o princípio ele consiste em dois componentes opostos: a luz e o desejo (o vaso, Kli), que estabelecem uma conexão entre si com base em sua natureza oposta.

O processo de desenvolvimento parte de duas condições e dita uma única lei do desenvolvimento: o que inicialmente são dois opostos deve, em última análise, chegar à completa semelhança.

Todo o processo decorre inevitavelmente dessas condições inicial e final. Não podemos substituir nada nele nem agir segundo uma lógica diferente. As condições são rígidas: a condição inicial e a condição final.

Condição 1: Existe uma distância infinita entre eles.

Condição 2: Há a sua união completa até o fim, o próprio fim.

Inicialmente, um é totalmente doador e o outro totalmente receptor. Por um lado, existe um abismo infinito entre eles e, por outro, existe um ponto final onde se fundem em um só. Agora, tente escrever uma fórmula pela qual, a partir da primeira condição de completa oposição, se possa alcançar a segunda condição de completa equivalência.

No Mundo do Infinito, tanto a separação desses dois componentes quanto a sua união já existem. Embora haja luz e desejo ali, eles estão fundidos e se complementam. Essa fusão é mantida pelo poder da luz superior.

Ou seja, a condição final é inicialmente assegurada pelo poder da luz, o Criador. Isso nos permite revelar a fórmula de como realizar essa transição de um estado para outro.

As condições potenciais foram criadas, agora a realização deve começar. E toda a realidade está agora se desdobrando sequencialmente, cena por cena, diante de nossos olhos; são essas mesmas criações que existem no Mundo do Infinito. Nós nunca o abandonamos.

Neste único lugar (o desejo) criado pelo Criador, existem a luz, o desejo e a condição de sua união; e tudo isso está agora sendo implementado. Portanto, nós mesmos somos chamados de ações do Criador, resultados de Sua obra: criações, obras, seres.

É impossível mudar qualquer coisa aqui: as próprias condições, as iniciais e as finais (“o fim da ação está contido no pensamento inicial”), já determinam tudo o que acontecerá, inclusive a quebra.

Da Lição Diária de Cabalá 18/08/10, Baal HaSulam, “Introdução ao Livro Panim Meirot uMasbirot”

Você Não Precisa Perder A Cabeça, Nem Mesmo Na Espiritualidade

222A criação é um desejo vazio, enquanto o Criador é Luz. Como pode esse vazio estar conectado à Luz, sendo que são dois opostos completos? Caso contrário, a criação, cuja própria natureza é um desejo de receber vazio, permaneceria vazia para sempre.

Como podem esses dois opostos se unir? Afinal, segundo a lei da equivalência de forma que rege toda a natureza, eles não podem se aproximar ou se unir, como polos opostos. Portanto, é necessário combinar o desejo de receber com o desejo de doar.

Na cabeça (Rosh), surge a intenção de receber com o propósito de doar. Mas no corpo (Guf) desperta a força egoísta, de receber para si mesmo. Assim, ocorre uma quebra entre a cabeça e o corpo, uma perda de conexão entre eles, a incapacidade de pensar e agir em uníssono.

Um pensamento reside na cabeça, mas um desejo completamente diferente reside no corpo. O coração e a mente já não estão unidos.

Da Lição Diária de Cabalá 07/07/10, Escritos do Baal HaSulam, “Introdução ao Livro Panim Meirot uMasbirot”

A Vida Em Prol Do Encontro Entre O Criador E A Criação

250Em todo o sistema geral da realidade, existem apenas duas coisas: o Criador e a criação, a luz superior e o desejo que Ele criou dentro de Si como um ponto negro que Ele desenvolve. Esse ponto se desenvolveu até um estado em que começou a se sentir como existente independentemente, isto é, como um ser humano vivendo neste mundo e entregue à sua própria sorte.

Ele deixou de perceber que está dentro da luz superior que o governa, o impulsiona e age constantemente sobre ele. Este ponto negro, o ser humano deste mundo, não tem ideia de que toda a sua existência — tudo o que faz, diz, pensa, sente e decide — é ditada pela luz, pela força superior. Nós vivemos em tal ocultação.

E todo o nosso trabalho consiste em revelar essa força superior e perceber que ela age dentro de nós e não nos deixa liberdade em nada, exceto em uma coisa: desejar que ela retorne e assuma o poder sobre nós, como de fato acontece, só que sem que tenhamos consciência disso.

Portanto, existem dois mundos: o mundo inferior, no qual supostamente somos deixados à nossa própria sorte, e o mundo superior, onde revelamos que tudo vem somente de cima, da luz, do Criador. O principal neste trabalho é determinar o lugar da nossa liberdade de escolha, onde realmente podemos, através da ocultação e da revelação, encontrar a nossa liberdade entre esses dois mundos. Somente nele existimos verdadeiramente como criação.

Fora disso, nós estamos sob o controle total do Criador, seja inconscientemente ou com consciência disso. Mas em algum lugar entre um e outro, existe um ponto especial no qual podemos estabelecer nossa independência. Ele só pode ser encontrado ao tentarmos caminhar com a fé acima da razão. Então, gradualmente, a importância do Criador se revela, que é superior à importância do ser humano.

Isso se revela do alto, e a pessoa começa, pelo menos às vezes, a sentir que o Criador é mais importante do que ela mesma, e está pronta para investir toda a sua vida, toda a sua força, Nele. Esse sentimento vem, desaparece e reaparece. Tal obra é chamada de fé acima da razão, doação acima da força de recepção. Antes disso, tudo se baseava no desejo de receber prazer, que se revelava dentro da pessoa.

É chamado de “o velho e insensato rei”, mas também cresce constantemente com a força da fé, em oposição a ela, a fim de criar uma oportunidade para que a pessoa entre essas duas forças estabeleça sua independência como uma linha média. Ali, no meio, na linha média, o Criador e a criação se encontram.

A realização deste trabalho só é possível dentro do grupo, dentro da dezena. Portanto, a obtenção de garantia mútua e unificação em torno do Monte Sinai é um pré-requisito necessário para receber a força da fé do alto.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 03/06/18, “Trabalhe com Fé Acima da Razão”