Textos com a Tag 'Torá'

Ouve Tua Esposa

laitman_543_02A Torá, Gênesis, 21:12: Porém Deus disse a Abraão: Não te pareça mal aos teus olhos acerca do moço e acerca da tua serva; em tudo o que Sara te diz, ouve a sua voz; porque em Isaque será chamada a tua descendência.

Pirkei Avot (Ética dos Pais) 1:5: Yossi ben Yochanan de Jerusalém, disse: Seja a tua casa espaçosamente aberta, trate os pobres como membros de sua família. E não prolongue em conversar com uma mulher. Eles o dizem a respeito da própria esposa, quanto mais a esposa do próximo.

Pergunta: Por um lado, está escrito: “…em tudo o que Sara te diz, ouve a sua voz”, e por outro lado, está escrito: “não prolongue em conversar com uma mulher”. Como podemos entender essa contradição?

Resposta: Uma pessoa é feita de diferentes desejos que são divididos em dois níveis: o desejo de receber, o qual significa atrair tudo para mim, para a minha própria satisfação egoísta, e o desejo de doar, pelo qual eu doo, dou e me conecto com outras pessoas. Cada um deles também é correspondentemente chamado de desejo feminino de receber e desejo masculino de doar.

A doação refere-se a atitude de uma pessoa em relação aos outros, seu esforço de doar, de dar, e de se conectar com todos num todo único, que é o esquema correto do estado final corrigido da humanidade. Naturalmente, existem desejos egoístas entre os desejos masculinos e femininos quando a doação é realizada com a intenção de conseguir em troca e ganhar alguma coisa, e há desejos de dar sem receber algo em troca.

Entre os desejos femininos há o desejo de tomar indiscriminadamente, tanto quanto possível, e existe o desejo de receber mais essencial apenas a fim de existir; então, ele como que ajuda o desejo masculino em doação.

Pergunta: O que significa “…em tudo o que Sara te diz, ouve a sua voz”?

Resposta: Sara representa o desejo que opera a fim de doar e ajuda seu esposo. Para si mesma as necessidades básicas são suficientes, e tudo o resto é para os outros. Abraão era conhecido por sua hospitalidade, convidando cada transeunte para a sua tenda. Ele falava aos seus hóspedes sobre a singularidade do Criador e oferecia que eles poderiam fazer parte de uma aliança que ele chamava Yashar El (direto ao Criador), ou seja, direto à meta de conexão e união entre as pessoas. Essa aliança era baseada na conexão absoluta entre as pessoas, a fim de se tornar um todo único, e Sara ajudou nisso.

No entanto, ao mesmo tempo, diferentes fontes dizem: “…não prolongue em conversar com uma mulher”, e também se diz: “Eles o dizem a respeito da própria esposa, quanto mais a esposa do próximo”. Isso se refere ao desejo feminino, ao desejo de receber com o qual a pessoa deve ter o mínimo contato possível. Tome dele apenas o que pode ajudá-lo no desejo de doar.

Portanto, não há contradição, mas simplesmente o aprimoramento dos nossos desejos que todo mundo tem: ambos os sexos masculino e feminino. Dois desejos masculinos e dois desejos femininos, apenas um total de quatro, existem em cada um de nós. A conexão correta entre eles é o nome de quatro letras do Criador.

De KabTV “Conversas com Michael Laitman” 19/01/16

Nova Vida – Torá E Mitzvot: Não É O Que Você Pensava

Nova Vida #673 – Torá e Mitzvot: Não É O Que Você Pensava
Dr. Michael Laitman numa conversa com Oren Levi e Tal Mandelbaum ben Moshe

Resumo:

A humanidade vive em seu mundo sem estar ciente do sistema que a gerencia, e por isso leva uma surra. Esse sistema é o que chamamos de “Torá”. A Torá descreve as 613 forças que gerenciam uma pessoa, e os 613 desejos que são desejáveis ​​como uma reação correta às forças ativas. A situação é como uma pessoa que se encontra num quarto escuro com um tesouro; e ela está com fome e triste, não vendo nada. Só se ela implementar a Torá e Mitzvot (mandamentos) de acordo com a definição de Mitzvot na sabedoria da Cabalá, irá corrigir seus desejos e descobrir a Luz.

Desde o período da destruição do primeiro Beit HaMikdash (Templo), começou o declínio das gerações, e a ignorância se espalhou entre o povo de Israel sobre a compreensão da Torá e Mitzvot. Os filhos de Israel que caíram sob o controle do ego pararam de ver a vida espiritual e a atitude em relação à Torá e Mitzvot se tornou uma formalidade. Eles implementavam as Mitzvot em seu sentido literal, numa forma externa, como está escrito na Torá, sem tentar alcançar, “E amarás o teu amigo como a ti mesmo” (Levítico 19:18), e a conexão com a Luz que Corrige para corrigir a alma desapareceu.

Se voltarmos à implementação interna e correta da Torá e Mitzvot, outro mundo será aberto para nós, e vamos descobrir a Força Superior que é a força geral da natureza, e vamos entender como ela age em nós e para onde está nos levando. A reação correta de uma pessoa para com essa força a torna semelhante à força até que ela se torne um com a força.

Hoje, nós temos a obrigação de ensinar à humanidade qual o significado correto de Torá e Mitzvot, pois, de outro modo, a vida simplesmente vai continuar até um momento em que será possível alcançar a eternidade. De acordo com a percepção religiosa, a pessoa espera uma recompensa, um paraíso no outro mundo, enquanto que a sabedoria da Cabalá nos ensina que tudo depende da pessoa o alcança: “Você vai ver o seu mundo em sua vida”(Berachot 17a); e se desenvolvermos o amor um pelo outro, vamos descobrir o mundo superior.

No passado nós alcançamos o mundo superior, do qual entendemos como nos relacionar com tudo o que existe em todos os níveis de existência: inanimado, vegetal, animal e falante. Ao longo do tempo, o sentimento do mundo superior desapareceu e ficamos apenas com ações mecânicas sem qualquer correção do coração.

O ego humano está em constante desenvolvimento, o mundo continua a se tornar mais difícil, cheio de vazio, e a humanidade não sabe como se satisfazer. A gritaria será terrível até que, em última análise, todo mundo chegará à pergunta: Para que estamos vivendo? Daí, um novo mundo se abrirá diante de nós.

Com a ajuda da Luz que Corrige, nós corrigimos os 613 desejos em nós, do ego para o amor. Cada um de nós está conectado a outros com 613 fios, em nossa natureza egoísta queremos explorar um ao outro, e a correção é querer se conectar e doar bondade a todos.

De KabTV “Nova Vida” 14/01/16

Interpretações Interna E Externa Da Torá

laitman_219_01Pergunta: Existe uma conexão entre Israel, o povo judeu, o judaísmo e a Torá?

Resposta: Infelizmente, esses conceitos estão apenas ligeiramente conectados no momento.

O povo judeu é a nação que foi fundada de acordo com as leis da sabedoria da Cabalá, as leis da estreita cooperação, da ajuda mútua, e uma luta mútua sobre o egoísmo, para se elevar acima do egoísmo na conexão entre nós.

Para fazer isso, há todo um método que nos ensina a subir acima do nosso ego cada vez mais crescente. Quando alcançamos essa conexão, a conexão espiritual que aparece entre nós permite-nos ser uma nação.

O judaísmo moderno é dividido em duas partes:

  • O judaísmo que implementa a parte externa da Torá e se concentra na observação das Mitzvot (mandamentos) na forma corpórea terrena como os judeus ortodoxos fazem.
  • O judaísmo que implementa a parte interna da Torá e se concentra nas intenções: “Para que eu estou fazendo isso, qual é a minha meta?” O foco aqui não é na observação física, mas na observação interna das Mitzvot que visam a ascensão acima da nossa natureza, e a subida que se segue ao próximo nível de nossa existência, um nível em que nós existimos antes de nascermos e depois que morremos.

Essas duas partes da Torá são opostas: a parte interna da Torá é chamada de sabedoria da Cabalá e a parte externa é chamada de manutenção das Mitzvot corpóreas.

A sabedoria da Cabalá será gradualmente revelada não só pelos judeus, mas também a todas as pessoas no mundo, porque no final todo mundo tem que chegar à cooperação mútua completa entre si graças à sabedoria da Cabalá, pois, caso contrário esse mundo não tem o direito de existir.

O ano de 5776, de acordo com o calendário hebreu, está agora chegando ao fim. De acordo com a Torá, a humanidade tem que chegar à conexão mútua total no final do ano 6000. Restam 224 anos para atingir o estado em que seremos capazes de nos sentir como órgãos num corpo saudável, vivendo em cooperação completa entre nós. Você consegue imaginar isso? Todo mundo conectado a sete bilhões de outras pessoas.

Isso é o que temos que fazer. É possível no nível espiritual. Quando você ascender um pouco com a ajuda da sabedoria da Cabalá, você começará a ver uma dimensão totalmente diferente, o sistema de liderança do nosso mundo em cooperação mútua. Na verdade, você pode escolher o seu futuro.

A Luta Pelo Direito De Primogenitura

Dr. Michael LaitmanPergunta: A proposta de Balaque tocou os interesses pessoais de Balaão que não queria nada no mundo, exceto ferir os judeus. Balaão era neto de Labão e acreditava na calúnia dos filhos de Labão que diziam que seu pai Jacá assaltou e levou tudo com ele.

Resposta: Realmente, Jacó roubou o direito de primogenitura que Esaú tinha que receber através do engano. Até hoje, essa é a razão do ódio de todas as nações para com os judeus.

De acordo com fontes islâmicas, os muçulmanos não têm e não tinham ódio. Embora Abraão tenha enviado Hagar com Ismael, eles receberam isso como um ato de um grande profeta, porque Abraão era seu pai. A esse respeito, eles não têm queixas em relação a Israel.

Aqui se fala sobre o que Jacó fez com Esaú, ou seja, reivindicações dirigidas à linha do meio. Os cristãos basearam suas reivindicações em Israel para expor esse problema: “Você tirou nosso direito de primogenitura”. E quando seu profeta Jesus chegou, tudo parece ser restaurado. Esse é um problema muito grande que é baseado em forças espirituais.

Imagine que uma herança vem até você, e alguém a toma de você. Seus netos ficam pobres, e os descendentes daquele que roubou a herança de você estão prosperando e desfrutando de uma boa vida em todas as gerações. Curiosamente, por um lado, os cristãos compreendem isso, mas, por outro lado, o Criador os repreendeu, para que eles não viessem até nós com as Cruzadas. Como pode haver uma coisa dessas se eles sentem ódio em relação a nós porque nós crucificamos seu Deus, ou mais corretamente seu profeta?

Em todas as gerações se vê claramente a mão de Deus: quando de cima é dada uma ordem para os massacres, eles os executam no tempo e lugar estabelecidos. Quando não há nenhuma ordem, eles não fazem nada. Afinal, logicamente, eles deveriam ter nos aniquilado se não pelo nosso papel histórico, para revelar a sabedoria da Cabalá e transferi-la ao mundo. Isto é, até hoje, nós somos a base de seus problemas, a fonte de seus sofrimentos, e tudo isso vem de lá.

Por isso é preciso entender Balaão, que está no nível de Moisés. Em comparação com a nação de Israel, olhe para a condição que essas nações estão que ele honra; ele é o seu guardião, as conecta com o Criador. E o que ele está fazendo agora? Em vez de maldição, ele é bênção!

Se pararmos todas essas oposições, veremos que não há maior tragédia na história da humanidade que toca tantas civilizações através de milhares de anos! Não é uma coisa simples.

Quando a sabedoria da Cabalá começar a ser revelada às nações do mundo, tudo será revelado. Por um lado, elas, por assim dizer, terão reivindicações contra os judeus. Mas, por outro lado, precisamente essas reivindicações irão ajudá-las a entender tudo o que aconteceu. Por que a história foi tecida de cima precisamente dessa forma? Onde está a razão oculta para isso? Por que isso tem que acontecer através da mentira da venda do direito de primogenitura?

Todo esse entrelaçamento durante as gerações e as alegadas falsas ações dos judeus contra os cristãos deve ser revelado no decorrer do tempo.

Todos esses truques não são nada mais do que o engano do ego que está mentindo para nós; não há mais nada aqui. É impossível ir diretamente contra o ego. É possível enganá-lo.

É uma força contra a qual nada pode ser feito. Nós veremos como todos os povos do mundo (muçulmanos e cristãos) se levantarão contra Israel. Eles vão nos apagar de todo o mapa do mundo. Na Europa Oriental alguns países já não indicam Israel nos seus atlas; é assim que seus egos se revoltam. Como você irá diretamente contra o ego se o mundo inteiro está contra você? O que você pode fazer? Logicamente, uma bomba nuclear cairia aqui de modo que não restaria nada de nós.

Pergunta: O que impede o mundo de fazer isso?

Resposta: A nossa designação superior e a liderança superior do Criador. Embora os povos do mundo não sintam isso, inconscientemente eles sentem que não podem se permitir nos atacar. Se há tal ordem, como no tempo das Cruzadas, do exílio, da Idade Média, e de Hitler, é outro assunto. Mas se não há uma ordem como essa, ou seja, a nação de Israel está em movimento para a correção, então suas mãos estão atadas.

Mas hoje nós estragamos toda a imagem, e, portanto, ela tem que alcançar um estado que o mundo inteiro estará completamente contra nós! Essa é a guerra de Gogue e Magogue.

Pela primeira vez na história da humanidade, a nossa missão espiritual é claramente manifesta, quando, como resultado desse problema entre as linhas direita e esquerda, o Criador será revelado como a linha do meio. Esse será o ponto crítico, porque a luta entre as linhas direita e esquerda é o confronto entre as duas forças, Balaão e Moisés.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 24/06/15

Balaão E Moisés: Duas Forças Com Possibilidades Idênticas

laitman_610_2Das palavras do “Midrash Rabba”, Parshat “Balaque”: Para a maior parte, Balaão tem pouquíssimo interesse em suas maldições. Ele trabalhava única e exclusivamente em troca de dinheiro, e se o acordo lhe assegurasse um lucro, ele podia amaldiçoar qualquer pessoa a quem ele tinha anteriormente abençoado e vice-versa.

Balaão age como um político contemporâneo; ele só faz o que é útil num dado momento, sem qualquer envolvimento emocional.

Comentário: No entanto, Balaão confrontou o Criador; ele podia sentir o “dono da casa”.

Resposta: Moisés muitas vezes confrontou o Criador também. Ele bateu na rocha com uma vara (cajado) e pediu para ser levado e o povo poupado. Basicamente, ele teve muitas discussões com o Criador, assim como Balaão. Ambos, Moisés e Balaão, tiveram a possibilidade de se voltar ao Criador com uma chamada, uma súplica, um pedido, e mesmo com uma demanda.

Por Que As Pessoas Cometem Erros?

Dr. Michael LaitmanTorá, “Números”, 22:28: Então o Senhor abriu a boca da jumenta, e ela disse a Balaão: “Que foi que eu lhe fiz, para você bater em mim três vezes?”

A palavra “jumenta” (burra), como a palavra “burro” (Hamor), vem da palavra hebraica “Homer” – matéria, e se refere à natureza egoísta de uma pessoa. O Criador opera como a força vital direta sobre os níveis inanimado, vegetal e animal da natureza, de modo que não se opõe a isso. Mas, no momento em que a jumenta começa a falar, ela é elevada ao nível humano, o nível do próprio Balaão.

Em comparação com os outros níveis, é possível cometer erros no nível humano, porque o Criador está oculto. O Criador não está oculto da natureza em si, e de fato as leis que são reveladas na matéria são a revelação direta do Criador.

As perguntas, dúvidas e especulações chegam ao nível humano, e assim a pessoa comete erros e se corrige e, depois, comete erros novamente, e se corrige de novo.

A jumenta representa a matéria em todos os níveis da vida; ela representa a natureza, que é controlada por forças positivas e negativas que estão instintivamente equilibradas, dirigidas às ações esclarecedoras de acordo com a lei da natureza.

No nível humano existem dúvidas e problemas que devem ser resolvidos. Essa é a razão da jumenta ser muito mais esperta do que Balaão, porque o Criador é revelado no nível animal que ela se encontra, enquanto Ele está oculto no nível falante e não é revelado.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 12/08/15

Duas Ações Espirituais

laitman_545A Torá, “Números”, 22:18-22:19: Balaão, porém, respondeu aos conselheiros de Balaque: “… Agora, fiquem também vocês aqui esta noite, e eu descobrirei o que mais o Senhor tem para dizer-me”.

O que isso está falando é que não só o ego não se recusa a participar no processo de correção e limitar-se, mas também se inclui nesse processo e começa a trabalhar com a doação. Isso significa que o desejo de receber agora funciona como o desejo de doar, recebendo a fim de doar.

Pergunta: Mas por que Balaão diz, “Agora, você também, por favor permaneça aqui durante a noite, e eu sei que o Senhor vai continuar a falar comigo”.

Resposta: É porque essa não é uma ação direta pelo ego. Pelo contrário, o ego está começando a agir contra si mesmo. Há um estado de doação em prol da doação, que é a característica de Bina que é construída acima do egoísmo, e há um estado de recepção em prol da doação, que é o próximo nível que é construído em cooperação com o ego.

Pergunta: Segue-se que a primeira reação do ego é um Tzimtzum (restrição) completo, quando ele diz: “Eu não tenho nada”.

Resposta: Tudo começa com o Tzimtzum, e esse estado é chamado de estado de Katnut (pequenez). Então Balaão disse: “Agora, fiquem também vocês aqui esta noite, e eu descobrirei o que mais o Senhor tem para dizer-me”. Isso significa que o trabalho com o ego já começou.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 12/08/15

O Caminho Para O Objetivo Da Criação

Dr. Michael LaitmanA Torá, “Números”, 22:22-22:27: Mas acendeu-se a ira de Deus quando ele foi, e o anjo do Senhor pôs-se no caminho para impedi-lo de prosseguir. Balaão ia montado em sua jumenta, e seus dois servos o acompanhavam. Quando a jumenta viu o anjo do Senhor parado no caminho, empunhando uma espada, saiu do caminho e foi-se pelo campo. Balaão bateu nela para fazê-la voltar ao caminho. Então o anjo do Senhor se pôs num caminho estreito entre duas vinhas, com muros dos dois lados.

Quando a jumenta viu o anjo do Senhor, encostou-se no muro, apertando o pé de Balaão contra ele. Por isso ele bateu nela de novo. O anjo do Senhor foi adiante e se colocou num lugar estreito, e não havia espaço para desviar, nem para a direita nem para a esquerda. Quando a jumenta viu o anjo do Senhor, deitou-se debaixo de Balaão. Acendeu-se a ira de Balaão, que bateu nela com a sua vara.

Nós vemos que o espaço para uma pessoa existir se torna estreito. Primeiro é um campo, depois uma estrada, e depois um lugar ainda mais estreito através do qual é impossível passar.

Esta é uma indicação dos Dinim (julgamentos) e da dificuldade de manter as leis. Primeiro, a pessoa usa o ego sem qualquer limitação em todas as situações da vida; depois, ela gradualmente descobre como o ego a aproxima de uma realização, movendo-a contra a sua vontade para a realização do objetivo da criação.

É possível dizer que, no início, o ego puxa a pessoa para a frente e a seduz com benefício egoísta, assegurando-lhe que tudo será dela e por causa dela. Isso é o que Balaão queria, e assim ele continuou andando com a sua jumenta, e, depois, começa a fase da realização, a restrição do ego.

A restrição do ego acontece gradualmente, por níveis: Shoresh, Aleph, Bet, Gimel e Dalet, onde esses níveis se tornam mais estreitos. Quanto mais o ego se aproxima da realização, mais compactadas se tornam as condições e, finalmente, o ego se rende ao desejo da pessoa e se torna a base sobre a qual a pessoa deve realizar todas as suas ações. Ou seja, ela começa a trabalhar com o ego em sua direção oposta.

O ego está pronto para ser usado com uma intenção em prol da doação, e não na forma que ele originalmente queria trabalhar, para seu próprio bem. Assim, a ação de restrição é para mostrar à pessoa para onde ela deve ir.

Pergunta: A pessoa deve entender isso temporalmente?

Resposta: Mesmo que ela não ouça ou entenda, em última análise, o aumento contínuo do sofrimento fará com que ela ouça e lhe dará uma direção clara e precisa. Nós vemos como a humanidade se desenvolveu e tornou-se mais sábia como resultado de tudo o que aconteceu ao longo da história, voluntariamente ou não, mesmo que isso aconteça muito lentamente e de forma muito desagradável.

Pergunta: Se Balaão tivesse escutado a voz do Criador, esse não teria sido o caminho do sofrimento para ele?

Resposta: Não, ele ainda teria passado por todo esse sofrimento, de outra forma teria sido impossível avançar! Baal HaSulam escreveu que existe um caminho ideal correto e um caminho ideal incorreto, mas o verdadeiro caminho é entre eles, e se chama Derech Eretz (o caminho da terra).

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 12/08/15

Como As Religiões Originaram-se Da Cabalá?

Pergunta: Se no início havia apenas a Cabalá, então como é que as religiões apareceram dela?

Resposta: Isso aconteceu exatamente porque elas abandonaram o trabalho contínuo de unir-se (dentro de um grupo, dentro de uma nação) e permitiram o egoísmo a aparecer nas relações entre as pessoas. Isso fez com que o selo exterior – o judaísmo originar-se de Cabalá. O judaísmo regula as ações exteriores que uma pessoa executa com seu corpo (é por isso que é chamado de “Torá Externa” – “Hitzhoniuta Torá”), enquanto que a Cabala refere-se apenas às ações internas (portanto, ela é chamada de “parte interna da Torá – “Pnimit aTorah”).

Isso significa que a Cabalá mostra como, através da união no grupo, pode-se alcançar uma elevação acima do seu egoísmo e, nesta anulação mútua do egoísmo, pode revelar o Criador. A diferença entre a Cabalá e a religião não é apenas na ação (quer seja mecânica ou em intenção), mas também no resultado (a pessoa espera receber uma recompensa após a morte ou espera revelar o Criador nesta vida).

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A Sabedoria Da Cabalá Não É Uma Religião

Qual É A Diferença Entre A Cabalá E Religião?

O Jumento de Balaão

Torá, “Números”, 22:20 – 22:22: Deus veio a Balaão, de noite, e disse-lhe: “Se estes homens vierem a chamar por você, levante-se e vá com eles, mas a palavra que eu disser a você – esta você deve fazer”. De manhã Balaão levantou-se, selou sua mula e partiu com os dignitários moabitas. A ira de Deus chamejava porque ele ia, e o anjo do Senhor postou-se na estrada para frustrá-lo, e ele ia montado na sua mula, e dois de seus servos estavam com ele.

“Hamor” (jumento) é da palavra “Homer” (substância), esta é a substância de toda a natureza e o jumento simboliza, sobretudo, a parte feminina chamada Nukva; estas são todas as deficiências, todos os desejos, e tudo o que está incluído em  nossa natureza egoísta.

Balaão usa todo o seu ego aqui e, portanto, as condições mais estritas, a Dinim (julgamentos), trabalharam contra ele, pois quando uma pessoa começa a usar o ego, ela aparentemente “anda no fio da navalha”. [Leia mais →]