Fique Confuso E Verifique

938.04Pergunta: Como uma pessoa sabe que o ambiente que ela cria é o ambiente certo?

Resposta: Uma pessoa não sabe nada. Este é o trabalho que ela deve fazer: ficar confusa e verificar, investigar e ficar confusa novamente, entender algo um pouco e recorrer aos livros, ao professor e aos amigos.

É assim que uma pessoa gradualmente toma conhecimento do sistema chamado governo do Criador sobre ela e começa a usá-lo por sua própria decisão. Isso significa que ela começa a governar o mundo.

Pergunta: Existe algum tipo de verificação nesse caminho?

Resposta: A verificação é necessária a cada segundo. Ela deve ser realizada em paralelo com o trabalho. Sem ela, é impossível ter sucesso.

Se uma pessoa não realiza a verificação, ela deixa de ser uma pessoa. Ela não sente onde está derramando a água que lhe foi dada ao longo do ano. “Água” significa a propriedade de Bina, a força superior, com a qual você se corrige, mas você a desperdiça em vão, mesmo que seja precisamente medida.

Ou seja, neste exato momento, você tem todas as oportunidades para alcançar a correção final. Neste segundo, chega o seu Rosh Hashana pessoal; é isso que a pessoa deve repetir para si mesma, e não importa quando aconteça. Pode ser no meio do inverno ou do verão.

O que significa o seu Rosh Hashana? Significa que dentro de você estão todas as forças, todos os dados, todos os sistemas, todas as fontes e oportunidades para alcançar a correção final. Você só precisa realizar um certo número de ações dentro de si para colocar todo o sistema em ordem; essa é a sua livre escolha.

Você deve pegar esses dados e usá-los corretamente. Se você fizer isso, significa que você é semelhante ao Criador. Você aprendeu com Ele o sistema de governo, tanto a fiscalização quanto a execução.

Isso significa que você está fundido com Ele: “Por meio de Tuas ações, nós Te conheceremos”.

Da Lição Diária de Cabalá 02/02/26, Rabash, “Pois o Homem é a Árvore do Campo – 1”

Elevar-se Dos Ramos Às Raízes

935Comentário: Em nosso mundo, vemos exemplos de amor, mas eles não são muito convincentes.

Minha Resposta: Em nosso mundo, podemos pegar um grupo de pessoas e, por meio de exercícios psicológicos, torná-las tão dedicadas umas às outras que nem mesmo a morte poderá separá-las. O grupo é trabalhado de tal forma que, durante uma ação coletiva, ninguém pensa em si mesmo; todos pensam no grupo e não conseguem imaginar a vida sem ele.

Há um caso conhecido de uma tripulação de submarino que sofreu um acidente e teve que abandonar a embarcação. Nem todos tiveram a chance de escapar, e a parte da tripulação que poderia ter partido optou por ficar e morrer junto com todos os outros.

No plano corpóreo, vemos que as raízes espirituais se manifestam nos ramos sem qualquer dificuldade. E essa é uma força humana; os animais não a possuem. Uma mãe pode dar a vida pelo seu filho, mas os animais não. Se um predador realmente ameaça a vida, a fêmea abandona a cria e foge. Tal acréscimo existe apenas no plano humano.

Isso indica que possuímos todos os ramos das raízes espirituais. Mas queremos alcançar essas raízes. E elas existem de tal forma que você não pode atingi-las diretamente a partir do seu ego. Você precisa se construir nessa forma a partir do zero. Isso significa que você precisa pedir para se tornar assim.

Você não precisa ter a força para se tornar assim, nem um plano de como alcançar isso, mas precisa ter o desejo de entrar nesse estado, de adquiri-lo para que se torne sua natureza de alguma forma; você tem a obrigação de encontrá-lo.

É exatamente aí que reside o problema. Se lhe fosse oferecido construir um grupo nos moldes da tripulação de um submarino, você o construiria. Mas, para concretizar isso no plano espiritual, você não tem capacidade para tal.

Para que o amor pelos amigos cresça dos ramos às raízes, só é possível através do nosso pedido. Não através da execução, mas especificamente através de um pedido.

Pergunta: Quando é que chegamos a fazer um pedido deste tipo?

Resposta: Quando o grupo lhe mostra que é assim que as coisas realmente são, ele lhe diz que, ao deixarmos de amar a nós mesmos, conquistamos algo grandioso.

E mesmo que isso não seja verdade para você, o grupo pode influenciá-lo de tal forma que se tornará verdade.

Da Lição Diária de Cabalá 02/02/26, Rabash, “Pois o Homem é a Árvore do Campo – 1”

Trabalho E Recompensa

571.08No entanto, existe uma lei natural que diz que ninguém é tão sábio quanto o experiente, e antes que alguém tente realmente fazer tudo o que pode, é totalmente incapaz de alcançar a verdadeira humildade, na medida real, como dito acima.

É por isso que devemos trabalhar arduamente em Kedusha [santidade] e pureza, como está escrito: “Tudo o que a tua mão puder fazer com a tua força, faça”, e compreender isto, pois é verdadeiro e profundo  (Baal HaSulam, Carta 57).

Ao trabalhar na unificação para formar um vaso para a doação, a pessoa cai em desespero. Então, surge nela um pedido genuíno, em resposta ao qual o vaso chega. Em outras palavras, a verdadeira necessidade de unidade também vem do alto. Nós, por nós mesmos, somos incapazes de alcançá-la.

Por mais que nos esforcemos, por mais que desejemos, estamos apenas nos preparando para um clamor, e o Criador nos dá o desejo. Neste mundo, uma pessoa não tem e não pode ter necessidade de unidade, por mais que se esforce. O esforço é necessário apenas para pedir.

Revelei esta verdade a você apenas para que não fraqueje nem desista da misericórdia. Embora nada veja, pois mesmo quando a medida do trabalho estiver completa, é tempo de oração, mas até lá, acredite em nossos sábios: “Não trabalhei e encontrei, não acredite”.

Quando a medida estiver cheia, sua oração estará completa e o Criador concederá generosamente, como nossos sábios nos instruíram: “Eu trabalhei e encontrei, acredite”, pois antes disso a pessoa não é digna de uma oração, e o Criador ouve uma oração (ibid.).

Em suma, o resultado do nosso trabalho é alcançar o pedido correto. Então chega o instrumento, o desejo correto de união.

Em geral, neste mundo, esperamos pela realização. Mas, no trabalho espiritual, a realização é o esforço. Se eu puder trabalhar para receber algo, se eu me esforçar, isso em si já é a minha realização. Portanto, não há restrições nem limitações a ela.

Contudo, no meu estado atual, sou incapaz até mesmo de considerar tal coisa. Afinal, todos os meus esforços são necessários para que eu queira doar aos outros, não para sequer começar a doar, mas para sentir a necessidade disso. Será isso possível? No entanto, este é precisamente o vaso espiritual.

É por isso que, em nosso trabalho, passamos por diversas etapas de preparação. Os Cabalistas já escreveram sobre isso mais de uma vez: na espiritualidade, o que nos parece uma recompensa é, na essência, trabalho, e o que nos parece trabalho é, na verdade, a recompensa.

Contudo, como resultado de nossos esforços, esse mesmo vaso nos é revelado, o desejo correto.

Do Congresso no Arava, Lição 6, 25/02/12

Fortaleça-se Ao Longo Do Caminho

530O Criador dá inspiração a uma pessoa, graças à qual ela vem à nossa comunidade, senta-se, escuta, arde de entusiasmo por dentro e olha para os outros: “Por que eles estão dormindo? Que tipo de grupo é este?”

Então, de repente, depois de algum tempo — um mês, dois ou três — a energia acaba, ela está exausta e, inesperadamente, começa a se ver como imperfeita, a sentir-se sem forças e incapaz de se mover a tal ponto que fica deitada na cama sem conseguir mexer um dedo. Ela também é incapaz de pensar; sua cabeça está vazia; não há um único pensamento nela, nem mesmo o menor.

Dessa forma, de cima, você percebe que toda a energia, toda a motivação, literalmente tudo, está sendo tirado de você. Então você recebe um espaço para o esforço, para o trabalho persistente. Isso significa que a pessoa vê onde começa seu próprio trabalho, quando deve se fortalecer ao longo do caminho, fazendo esforços colossais.

Interpretamos esses estados incorretamente. O Criador lhe deu algo no início; agora você deve retribuir. Surge então a questão: “Uma pessoa é capaz de retribuir ou não?” Somos incapazes de retribuir. Sabe-se que, num estado em que algo nos é tirado de cima, não podemos alcançar por nós mesmos a luz que nos vivifica.

Uma pequena gota que emanou de nós é essa mesma luz vivificante, a mesma luz de Hochma, porém muito fraca, apenas um pequeno brilho, uma tênue iluminação chamada de “vela tênue” (Ner Dakik). Essa é a razão de todas as decepções e depressões que observamos hoje em muitas pessoas no mundo. Nós não somos a fonte da luz; a fonte da luz é somente o Criador.

Portanto, naturalmente, num estado em que Ele nos retira até mesmo uma gota de luz, e nós, teoricamente, precisamos fazer esforços, somos incapazes de realizá-los. Contudo, como resultado disso, forma-se um Kli (vaso).

Mas depois de sairmos da descida e subirmos, possuindo o Reshimot que nos foi deixado, durante a subida, um acerto de contas é feito conosco. Durante a descida, não há nenhuma exigência sobre nós; simplesmente nos são mostradas nossas lacunas, os vazios que existem dentro de nós. Mas durante a subida, devemos já nos esforçar para nos fortalecer ainda mais neste caminho, para nos conectarmos mais com o grupo, para nos conectarmos com tudo o que é necessário para isso.

Ou seja, preservando a memória de como era o estado durante a descida, sou obrigado a trabalhar durante a subida. E aqui ocorre o teste: durante a subida, estou em uma espécie de nirvana onde me sinto bem, tudo está bem, o Criador é Bom e está fazendo o Bem por mim, não há nada a fazer e o bem-estar é garantido? Ou me relaciono com esses bons estados como uma oportunidade que me é dada para um maior progresso, e utilizo verdadeiramente os Reshimot do passado, de descidas anteriores, de forma eficaz e produtiva, como se os estivesse anexando ao AHAP de Aliyah? Isto é, à subida que o Criador está me enviando agora, a este espírito de vida, devo anexar, acrescentar de mim mesmo os estados anteriores.

Esse trabalho é feito durante a subida, e durante a descida, não há nada que eu precise fazer. Durante a descida, devo me colocar sob a influência do grupo da maneira mais simples possível para atravessar esse estado mais rapidamente. Fazer esforços, escolher e todo o trabalho em geral ocorrem durante a subida. Baal HaSulam escreve sobre isso no livro Shamati,  no artigo que se chama exatamente isso: “O Tempo da subida”.

Da Lição Diária de Cabalá 27/01/26, Rabash, “Lishma e Lo Lishma

Onde O Verdadeiro Poder Começa

214Pergunta: Ainda precisamos entender que, no plano terreno, neste mundo, não podemos fazer nada por nós mesmos com estas mãos ou com esta cabeça. É isso mesmo?

Resposta: Não podemos.

Comentário: E todas as nossas tentativas agora para tornar a sociedade melhor, para tornar o mundo melhor…

Minha Resposta: De novo, as mesmas palhaçadas de sempre.

Comentário: Os mesmos jogos que não levam a lugar nenhum. E a humanidade continua à procura de algum líder terreno que…

Resposta: Simplesmente não sabe como usar as forças da natureza! É isso que a Cabalá nos dá, o que a Cabalá nos explica. A Cabalá nos ensina como alcançar essa força positiva da natureza, como atraí-la constantemente para nós e, assim, transformar o mundo.

O que significa “mundo”? É tudo aquilo que vejo e sinto ao meu redor, seja com meu olho ruim ou com meu olho bom — é a isso que chamo de mundo.

Então, como posso mudar minha atitude negativa em relação ao mundo para uma positiva? Essa é toda a ciência da Cabalá, a ciência de receber, de perceber corretamente o lugar onde você está: este mundo.

De KabTV, “Notícias com o Dr. Michael Laitman”, 05/02/26

Substitua O Medo Animal Pelo Sofrimento Do Amor

276.02Esses dois tipos de medo — o medo da punição neste mundo e o medo da punição no outro mundo — não são a essência do medo e sua raiz” (Rabash, “Lishma e Lo Lishma”).

O medo é o que nos impulsiona para a frente. A medicina moderna lista 780 tipos de medo. Dizem que existem diversas técnicas que distinguem ainda mais esses tipos. Mas o que é o medo?

Em essência, o medo é um sentimento de insatisfação. Pode haver medo do passado, do presente e do futuro. O medo de me sentir mal agora e mais tarde, neste mundo e no mundo vindouro. O que mais poderia haver além disso? Apenas o medo da dor e do sofrimento.

No artigo “Lishma e Lo Lishma”, Rabash afirma que existe também outro medo: o medo não por si mesmo. Mas, mesmo assim, ainda tenho medo. Quando quero fazer algo de bom por alguém que amo, é como se eu estivesse comprando o desejo de receber dessa pessoa; ele se torna meu, e me preocupo em satisfazê-lo. Assim, tenho um medo relacionado ao desejo de receber que pertence a um ente querido, seja ele realizado ou não.

É semelhante ao medo de uma mãe por seus filhos. Ela se preocupa tanto com a sua própria felicidade, agora ou no mundo vindouro, quanto com a felicidade do filho, tanto agora quanto no mundo vindouro. O fato de uma pessoa se preocupar consigo mesma e com outro “animal” próximo, por ser parente e parte dela, é o mesmo tipo de medo.

No entanto, existe também o medo em relação ao Doador, ao Criador. Se eu adquirir o Seu desejo de dar, se eu O sentir, se eu tiver formado algum tipo de relacionamento com Ele, se eu começar a amá-Lo, começarei a me importar com o que Ele sente na mesma medida. Pelo que entendo, estou preocupado com o que será para Ele.

Claro, você pode dizer: “Este é o Criador, o que há para falar? O que significa ‘Como é para Ele?’ Ele é o único, o primeiro, o princípio de todos os princípios, Ele é perfeito, Ele é tudo!”

Mas, desde que compro Kelim Dele, sinto dentro de mim como se Ele dependesse de mim. E, uma vez que Ele depende de mim, preocupo-me em como satisfazê-Lo. Assim, tenho um tipo diferente de preocupação; em vez de me preocupar com o que acontecerá comigo agora e depois que esta vida terminar, preocupo-me com o que Ele recebe de mim.

Essas coisas se contradizem. Se penso no Criador, não penso em mim mesmo. Isso se chama substituir o medo animal, o medo humano, pelo medo do amor, chamado sofrimento do amor. Em vez de me preocupar com a minha própria realização, penso em realizar o Criador.

Da Lição Diária de Cabalá de 26/01/26, Rabash, “Lishma e Lo Lishma

O Mal Domina O Mundo

294.2O mal domina o mundo. E Deus nos livre, mas ainda assim podemos ver tudo isso.

Pergunta: E nenhuma proibição ajudará? Nenhum acordo ajudará? Absolutamente nada ajudará?

Resposta: Nada

Pergunta: A eliminação das armas nucleares também é impossível?

Resposta: É impossível. Como você pode eliminá-las? Você sabe quem as possui no mundo hoje?

Pergunta: Isso significa que o mundo está repleto de armas de destruição em massa?

Resposta: Claro.

Pergunta: Vai ficar ainda mais cheio?

Resposta: Ninguém nos impede. Quem pode nos impedir? Você não pode refrear o egoísmo, e é isso que você recebe em troca. Aqui, precisamos de uma esperança genuína em uma força superior que gradualmente nos trará de volta à realidade.

Pergunta: O que isso tem a nos dizer?

Resposta: Que não há outro caminho senão depor as armas e começar a estabelecer conexões positivas entre nós, nas possibilidades totalmente novas que se abrem para a humanidade.

Não podemos continuar trilhando os caminhos antigos, nem com o pensamento, nem com a mente, nem com os sentimentos, nem com nada! Tudo o que existiu no passado foi construído sobre o egoísmo absoluto. Não devemos mais nos apoiar nele.

Comentário: Só resta uma coisa: enxergar o ego como um inimigo e enxergar a outra pessoa como um amigo.

Resposta: Muito bonito.

De KabTV, “Notícias com o Dr. Michael Laitman”, 23/01/26

É Aqui Que Começa O Ponto De Partida

232.031Comentário: Nossos correspondentes nos escrevem dizendo que Laitman está sempre desmontando nosso mundo, não deixando uma única pedra de pé.

Minha Resposta: Mas é exatamente assim que as coisas são. O que significa eu estar desmontando tudo? O que tenho a ver com isso? Nosso mundo foi criado inteiramente no mal, e somente no mal, porque a pessoa relaciona tudo apenas a si mesma: se é bom ou ruim para mim, consciente ou inconscientemente, até mesmo inconscientemente.

Pergunta: Então, o que é o processo de educação? Se eu sou assim e não consigo mudar, o que é esse processo de educação de que você tanto fala?

Resposta: É para que você mude, para que atraia a força positiva da natureza, chamada Criador, para si, e ela começará a corrigir sua força negativa.

Pergunta: Então, sempre dizemos que para isso precisamos entender que existe apenas uma força negativa dentro de mim?

Resposta: Sim.

Pergunta: E acabar odiando-a de verdade?

Resposta: Claro.

Pergunta: É aqui que começa o ponto de partida? Então eu vou querer a força do bem.

Resposta: Sim, é só isso!

Comentário: E ela existe em algum lugar aqui mesmo.

Minha Resposta: Ela está ao nosso redor. Preenche completamente todo o espaço! Só que a afastamos porque não a queremos. Fomos criados assim deliberadamente para nos elevarmos acima de nós mesmos, para sairmos de nós mesmos em direção a essa força comum.

De KabTV, “Notícias com o Dr. Michael Laitman”, 28/01/26

Uma Sociedade Que Valoriza A Espiritualidade

938.03Pergunta: Como a pessoa pode usar o princípio ” Ame o seu próximo como a si mesmo” para escolher o ambiente certo ?

Resposta: Baal HaSulam escreve sobre isso no artigo “A Liberdade”. Uma pessoa deve encontrar um ambiente que corresponda exatamente à Hisaron (deficiência) que deseja adquirir.

Veja, em nossas vidas a sociedade dita o que devemos fazer. Como já temos desejos de desfrutar, a sociedade pode nos impor o que devemos desfrutar, por exemplo, Coca-Cola. Não sei o que é, mas de acordo com o que a sociedade me incute, vou e compro uma garrafa de Coca-Cola, na qual há uma certa quantidade de gramas de prazer.

Numa sociedade Cabalística, é diferente. Devo construir um ambiente que corresponda às minhas expectativas. Se eu almejo o mundo espiritual, algo sublime, e a sociedade me diz que vale a pena desejá-lo, ela me forçará a pensar constantemente em espiritualidade, e eu estudarei o método por oito horas por dia, mas meu pedido continuará sendo o de receber. Eu quero espiritualidade, deem-me! Tal exigência não é atendida de cima para baixo.

Claro, esta é uma etapa intermediária, e ela também existe. Mas a demanda que é atendida de cima é uma demanda pelas forças de doação.

Portanto, devo procurar uma sociedade que valorize este Hisaron. Mesmo que eu não saiba o que é (ainda não tenho esse desejo), quando a sociedade começar a me “doutrinar” com a mensagem de que isso é muito importante e que é exatamente o que me falta, receberei dela esse desejo; há a doação, algo que está acima da minha natureza, e é precisamente isso que devo exigir.

Começo a estudar livros que falam sobre espiritualidade e, por meio deles, quero desvendar o que ela é. Quero que me faça sentir bem. Quando recebo esse desejo do grupo, a luz ao meu redor começa a brilhar sobre mim e me transforma.

Lenta e gradualmente, o grupo deve me mostrar o que devo exigir durante o estudo, e então alcançarei o resultado desejado.

Da Lição Diária de Cabalá de 02/02/26, Rabash, “Pois o Homem é a Árvore do Campo – 1”

Crie O Ambiente Certo

938.01Chuvas significam água, e não há água senão a Torá.

Quando Israel se mostrou completamente perverso no início do ano, recebeu pouca chuva, mas no final se arrependeu. É impossível acrescentar algo, visto que a sentença já foi proferida, mas o Criador os faz descer no tempo certo sobre a terra que deles necessita (e Rashi interpretou: “Sobre a terra que deles necessita: nos campos, nas vinhas e nos jardins”)…

A Torá lhe dá força e poder para realizar Mitzvot e boas ações… (Rabash, “Pois o Homem é a Árvore do Campo – 1”).

Existimos em uma determinada realidade na qual devemos crescer. Não escolhemos como nascer, para quem ou com quais qualidades. Não escolhemos nosso ambiente ou como ele nos influenciará. Neste mundo, essencialmente, não podemos mudar nada sobre o nosso destino. Portanto, uma pessoa que vive neste mundo, confinada à vida animalesca, não tem livre arbítrio e, consequentemente, não há recompensa nem punição. Ela não realiza uma única ação de forma independente e, portanto, não se diz dela que possui Rosh Hashana.

Rosh Hashana pertence àquele que deseja ser judeu, isto é, àquele que anseia alcançar a comunhão com o Criador. Então, a pessoa sente que possui um ponto no coração, que se relaciona com o reino espiritual. Esse desejo é determinado pelo Alto, e não há nada a mudar nele; contém tudo o que é necessário para esse ponto, incluindo os estágios de seu desenvolvimento. O que lhe falta é um ambiente, um grupo, visto que o Criador está oculto.

Portanto, uma pessoa deve construir um ambiente propício para o desenvolvimento do seu ponto no coração. No plano corpóreo, as qualidades, os desejos e o ambiente de uma pessoa são predeterminados. No plano espiritual, ela recebe um germe da alma, o ponto no coração, mas não recebe o ambiente externo. A forma como uma pessoa constrói o ambiente para o seu ponto no coração é o que determina o seu progresso.

Se utilizarem isso corretamente, todas as forças que lhes forem dadas contribuirão para o desenvolvimento desse ponto, e eles começarão a se desenvolver e crescer espiritualmente. Encontrarão o caminho certo e cada um de seus passos será muito benéfico — no estudo, na disseminação, em todas as suas ações — desde que dediquem todas as suas forças à criação do ambiente adequado.

Mas se não se esforçarem o suficiente para criar esse ambiente e investirem seus esforços apenas nos estudos, mesmo que estudem os livros certos, não adiantará. Choverá forte, mas em um deserto, em vez de uma chuva fina irrigando um campo ou jardim que precisa de água. Aliás, chuvas fortes podem até ser prejudiciais. Tudo precisa estar em equilíbrio, tanto o local quanto a quantidade.

Ao mesmo tempo, uma pessoa não deve questionar o que lhe foi determinado de cima: o número de horas de estudo, sua vida “difícil” na qual deve ter uma família, ganhar a vida e cuidar da saúde. O Criador determina o quanto cada um precisa, com absoluta precisão e da forma mais benéfica.

E uma pessoa deve organizar o que lhe foi determinado: as forças que a despertam, os amigos que lhe são próximos e colocados à sua disposição, e assim por diante. Se organizar isso corretamente, de acordo com o objetivo, ela avançará da maneira mais eficaz.

Este é o cálculo que uma pessoa deve fazer em Rosh Hashana. Ela deve coroar o Criador como Rei e abençoá-Lo por ter lhe providenciado todas as condições necessárias.

Uma pessoa coroa o Criador como a meta que deve alcançar. Então começa o ano sabendo que, ao longo de todo o ano, tudo foi predeterminado no início, exceto o seu trabalho. E se o cumprir, alcançará a meta; mas se não, então, apesar de todas as condições lhe terem sido dadas antecipadamente em Rosh Hashana, perde este ciclo, que é chamado de ano.

Da Lição Diária de Cabalá de 02/02/26, Rabash, “Pois o Homem é a Árvore do Campo – 1”