Textos na Categoria 'Trabalho em Grupo'

Uma Chave Para Compreender O Zohar

Dr. Michael LaitmanSe quisermos entender O Livro do Zohar, temos que imaginar as relações entre nós: como a intensidade da conexão aumenta e diminui de acordo com nossas ações e esforços. A rede que nos une é descrita em detalhes no TES (Talmud Eser Sefirot): Keter, Hochma, Bina, Zeir Anpin e Malchut ou os Partzufim de Atik e Arich Anpin que é Keter, Abba e Ima, que é Hochma e Bina, e ZON, que é Zeir Anpin e Malchut.

Nós estamos ligados por esta rede, incluídos nela. Quanto mais clara esta rede se torna, mais alto podemos subir. Quanto menos clara ela se torna, mais baixo descemos. É assim como atuamos.

Assim, todo o nosso trabalho é evocar a conexão mais forte possível com as dez Sefirot em que existimos. Deste modo, cada um vai se ver como Malchut que opera todas estas dez Sefirot, até que todas elas assumam sua forma final, a forma do mundo de Ein Sof (Infinito).

Portanto, o TES, e especialmente O Livro do Zohar, foram escritos para nos incitar a ver que estamos em Malchut do sistema superior, do qual queremos evocar todo o sistema.

Nós somos parte de uma rede, e devemos estimular esta rede. Então, cada um será impressionado e sentirá o outro, e também será capaz de analisar e entender como operar todo este sistema.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 02/06/13, “O Livro do Zohar, Introdução”

Pertencer A Um Órgão Espiritual

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, “Um Discurso para a Conclusão do Zohar“: Nossos sábios disseram, “Faça um Rav para mesmo si e compre para si mesmo um amigo”. Isto significa que a pessoa pode criar um novo ambiente para si mesma. Este ambiente irá ajudá-la a obter a grandeza de seu Rav através do amor dos amigos que apreciam o Rav. Através da discussão dos amigos sobre a grandeza do Rav, cada um recebe a sensação de sua grandeza. Assim, a doação ao Rav se tornará recepção e motivação suficiente, de forma que levará a pessoa a se envolver em Torá e Mitzvot Lishma.

Eles disseram que, “A Torá é adquirida por quarenta e oito virtudes, ao servir os amigos e pelo rigor dos sábios”. Isto é assim porque além de servir o Rav, a pessoa precisa do rigor dos amigos, bem como da influência dos amigos, ou seja, que eles irão lhe afetar ao elevar a grandeza de seu Rav. Isto é assim porque obter a grandeza depende inteiramente do ambiente, e uma única pessoa não pode fazer nada com relação a isso.

Sem a pressão do grupo, sem sentir que o ambiente valoriza muito o mentor espiritual, a pessoa não pode estimá-lo. O egoísmo não lhe permite fazê-lo. É claro que aqui precisamos da ajuda da sociedade; só ela pode obrigar-nos a ter a atitude correta para com o professor, através do qual teremos ajuda de Cima.

O professor é um grau superior, e o grupo deve incutir na pessoa a importância deste grau superior. A diferença entre o mundo material e o espiritual é que basta que o aluno siga as instruções do professor, realize alguns trabalhos materiais juntamente com ele, e isso já vai conectá-lo ao professor, mesmo que ele não tenha atingido as mesmas propriedades espirituais. Uma ajuda simples é suficiente para fazer uma conexão com o grau superior e para começar a receber a Luz que Reforma.

No entanto, tudo isto é possível somente sob a condição de que a pessoa venere o professor. E isso está em desacordo com a natureza humana, e esta é a razão pela qual isso só pode ser conseguido devido à influência do ambiente. Quanto mais o ambiente venera o professor, mais fácil é para a pessoa curvar a cabeça diante dele e, portanto, receber ajuda de Cima, de acordo com a ordem dos graus espirituais.

As dez Sefirot do vaso de espiritual da pessoa são seus amigos, e a fonte superior da qual eles recebem a Luz é o professor. Assim, a pessoa sobe os degraus da escada.

Estar neste mundo imaginário nos dá uma oportunidade única, através da utilização de nosso desejo egoísta, para entrar em contacto com o grau espiritual superior e também para construir nossa união espiritual através da conexão material com os amigos. Caso contrário, não haveria nenhuma chance de conectar-se ao desejo de doação do fundo do nosso egoísmo.

É esta forma material e imaginária que nos permite usar nosso desejo egoísta para subir os graus espirituais com a ajuda de ações físicas. Isso acontece até o topo da escada espiritual: a mesma atitude permanece para com o grupo e o professor. Quanto mais a pessoa sobe, mais alto ou mais baixo sente a si mesma, dependendo do seu estado. Ela aprecia mais o grupo e ama os amigos, ou vice-versa, odeia-os mais. Da mesma forma, o professor parece-lhe mais insignificante, ou mais exaltado.

Esta conexão nunca é perdida. Não importa em que mundos os amigos e professores existem, neste mundo, ou se parte deles já entrou no outro mundo, ou seja, perdeu sua forma material. Em geral, sua conexão com os outros é preservada para sempre na estrutura da alma, como se eles pertencessem ao mesmo órgão espiritual.

Da Preparação para a Lição Diária de Cabalá 05/06/13

O Que É Odioso Para Você, Não Faça Aos Seus Amigos

Dr. Michael LaitmanExistem dois princípios: Hillel disse: “O que você odeia, não faça ao seu amigo”, e o rabino Akiva disse: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. O primeiro princípio refere-se à Bina, que é dividida em duas partes:

• Uma é neutra, a principal coisa para ela é não prejudicar ninguém. Eu sempre vigio a mim mesmo, a fim de ser um “bom menino”, aparentemente para “pairar sobre a terra”, sem envolver o meu ego. Eu não tenho nenhuma camisa? Bem, eu não preciso disso. Eu moro na “floresta”, longe de todos, e não me comunico com ninguém. Assim, sigo o princípio: “O que você odeia, não faça ao seu amigo”. Evito causar qualquer dano aos outros, assim como não gostaria de ser prejudicado por eles. Estas são as três primeiras Sefirot de Bina.

• Isto me leva à “continuação da frase original”, para as sete Sefirot inferiores de Bina, para os vasos de recepção. Agora, eu verifico a mim mesmo com relação ao assunto de “falsificar”: Talvez eu, de alguma forma, prive os outros? Talvez eu não contribua para o bem que eles poderiam receber? Isso ainda não toca meu “principal capital egoísta”. Eu não estou pronto ainda que sacrificar alguma coisa de mim, mas já me sinto a necessidade de ajudar os outros. Enquanto eu não corrijo o meu desejo de receber, eu já adiciono algo ao desejo de doar. Devido às fases anteriores da correção, eu começo a reconhecer as oportunidades para beneficiar os outros: “Ah, ele pode ganhar aqui e isso vai trazer-lhe bem”. Eu contribuo para essas oportunidades. Esta é a fase de transição que vai me levar à verdadeira dádiva.

Por enquanto, não é a doação real, nem abnegação em prol do outro. Por exemplo, eu ganhei cinco mil dólares no mês passado, e só dois mil é suficiente para mim. Surge a pergunta: Se eu seguir o princípio “o que você odeia, não faça a seu amigo”, eu devo dar três mil dólares para o outro?

A resposta é não. Afinal de contas, eu não trabalho com os vasos de recepção, não renuncio aos meus, mas continuo totalmente na propriedade da misericórdia (Hassadim) e apenas contribuo para o bem dos outros. Eu tenho um bom coração e estou pronto para ajudar os outros, mas não à minha custa. Assim, eu trabalho com o egoísmo no nível 0, nível 1 e, parcialmente, no nível 2 de Aviut (a “espessura” do desejo), mas não no desejo do AHP, que pertence aos níveis 2, 3 e 4.

A parte superior do meu vaso, o meu desejo total de desfrutar, são os vasos de doação (248 desejos), e na parte inferior são os vasos de recepção (365 desejos). Os vasos de doação estão no estado de Hafetz Hesed (HH), na propriedade de misericórdia, e querem doar a fim de doar, mas os vasos mais baixos recebem a fim de doar. Assim, na primeira parte, eu realizo a “purificação”, e na segunda parte a correção, tornando-me semelhante ao Criador pelas propriedades. Aqui, eu já formo a minha semelhança humana: a imagem humana, semelhante ao Criador.

Em geral, esse desejo corrigido com a intenção altruísta é chamado de “alma”.

Assim, o princípio de Hillel pertence à parte superior do vaso, e o princípio do Rabi Akiva à parte inferior. Claro que, em qualquer caso, eu trabalho com o meu egoísmo e deve superá-lo. No entanto, o trabalho de acordo com o primeiro princípio não exige que eu sofra prejuízos, desista de meus bens, e esta é a sua diferença fundamental.

É importante lembrar que estamos falando de uma pessoa que quer aderir ao Criador (C), e é por isso que ela pergunta: “Como posso conseguir a adesão? Como posso entrar no mundo superior, na espiritualidade?”. Primeiro essas perguntas empurram a pessoa nos vasos de recepção, para a linha de esquerda, e depois a levam ao princípio de Hillel. Mais tarde, esta decisão a leva novamente e a deixa trabalhar com seus desejos egoístas.

Este caminho é descrito no exemplo de um convertido que vai a um sábio para pedir conselhos. Primeiro, ele pede que Shamai o ensine a amar o próximo como a si mesmo, mas é recusado porque é impossível atingir a meta de uma só vez. Em seguida, ele vai a Hillel e pede a ele para explicar todo o método Cabalístico enquanto ele está sobre um pé, ou seja, para descrever os meios de avanço por uma única regra. Em resposta, Hillel formula o princípio de “o que você odeia, não faça a seu amigo”, ou seja, ele esclarece que ações são necessárias para isso.

Assim, de acordo com a lei da criação, o princípio ou adesão com o Criador é dividido em duas partes:

• “O que você odeia, não faça a seu amigo”;

• “Ama o teu próximo como a ti mesmo”.

Se eu avançar de forma consistente de acordo com esta ordem, eu vou finalmente atingir o amor pelo Criador.

Pergunta: Seguindo o princípio “o que você odeia, não faça a seu amigo”, eu realizo ações físicas. Como posso combinar isso com a intenção correta?

Resposta: O mesmo princípio funciona em nosso mundo, no mundo espiritual, na vida cotidiana e entre os amigos. Não importa em que ambiente eu esteja, eu devo ficar no nível desse ambiente e tentar me comportar da mesma forma como eu quero que eles se comportem em relação a mim. Consequentemente, no grupo, eu sigo os desejos dos amigos e seu objetivo, e no trabalho, eu ajusto minha atitude aos desejos dos meus colegas. E eu faço isso em todos os lugares.

Eu me coloco na situação do outro e, assim, meço a minha atitude com relação a ele, e isso já é doação. Na verdade, eu não desejo mal a mim mesmo, e assim, com certeza trarei benefício para o outro.

Isso é mais do que um exercício; isso já é uma ação, a correção. Não importa se eu atuo egoisticamente. Não pode ser de outra forma. Minhas ações sempre resultam do egoísmo. No entanto, com essa abordagem, elas atraem para mim a Luz que Reforma e, então, eu mudo. É por isso que é dito que o coração segue as ações. Primeiro, eu atuo de acordo com o ditado de Hillel, e, depois, a Luz vem e me corrige.

Pergunta: Portanto, nós poderíamos dizer que o critério do meu avanço é a medida do amor ao próximo que eu alcanço?

Resposta: Claro, como poderia ser de outra forma? Os graus espirituais são diferentes justamente na sua medida de doação.

Pergunta: Nos últimos quatro ou cinco anos, eu só fui capaz de entender que não sou bom. A única coisa que posso fazer é tentar não prejudicar os outros. Nada mais.

Resposta: Se você está pensando em como não causar danos aos outros, você chegou longe. A aceitação deste pensamento na sua cabeça é uma grande conquista.

Pergunta: Na verdade, doar a fim de doar também é egoísta, porque no final, eu desejo o bem para os outros apenas porque desejo o bem para mim. Isso só me fornece uma vida mais confortável.

Resposta: Então, por que a humanidade ainda não adotou esse princípio? O problema é que isso é repugnante à nossa natureza, que exige que os outros se sintam mal. Nós vemos como países inteiros chafurdam em conflitos bobos, a base dos quais é o orgulho primitivo. Isto custa uma quantidade enorme de recursos, bilhões em investimento, um monte de nervos e problemas. Não obstante, em geral, o mundo age egoisticamente, e nada nele poderia ser chamado de “doação em prol da doação”.

Pergunta: Eu acho que a “doar a fim de doar” é algo ingênuo, abstrato. O que é isso na realidade?

Resposta: É uma ação dirigida contra a vontade, contra meu egoísmo. Ela exige que eu incline a minha cabeça, sinta o outro, fique no seu lugar, “experimente a mim mesmo” e ele em mim mesmo. Aqui, você precisa de um profundo entendimento de psicologia.

O princípio “o que você odeia, não faça ao seu amigo” compõe a metade de todo o método, metade da correção da alma. Tendo implementado-o, eu subo para o nível do Partzuf Abba ve Ima do mundo de Atzilut, eu obtenho as Luzes de Hassadim. Elas contêm a iluminação de Hochma, porque eu anulo o meu egoísmo.

Para não causar danos ao outro, eu devo parar, trabalhar em mim mesmo. Eu lhe faço um favor — não apenas às minhas custas, sem entregar os meus bens, mas pelo comprometimento e concordando em seu benefício. Em nosso mundo, essas ações são pensadas para ser generosas e benevolentes, e ainda pensamos que somos capazes de realizá-las altruisticamente.

De qualquer forma, com a abordagem correta, com a ajuda da Luz que Reforma, elas gradualmente me guiam ao longo do caminho. Cada vez, o meu desejo de doar cresce, enquanto eu busco o meu próprio interesse, busco recompensa, mas a Luz me leva ao verdadeiro pagamento.

Eu repito, nós devemos realizar ações, a Luz vai seguir as ações, e mudanças virão depois da Luz. No início, eu purifico meus vasos da intenção egoísta. Assim, mesmo as minhas piores ofenças se transformam na categoria de equívocos. Então, eu prossigo diretamente para a correção, construindo minha equivalência humana a partir de um “material” limpo.

Assim, “o que você odeia, não faça ao seu amigo”. Este é todo o método, e se você tomar esse caminho, ele vai levar você à meta.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 30/05/13, Escritos do Baal HaSulam

Um Caminho Inevitável

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, “O Amor do Criador e o Amor dos Seres Criados”: A fase imediata após o “ama ao teu amigo como a ti mesmo” é a adesão.

O mandamento do amor ao próximo nos leva ao nível do amor do Criador. É um caminho seguro, com todas as oportunidades, estados e meios que precisamos. É impossível escapar dele por diferentes desculpas, como dizer que não sabíamos ou que não podíamos agir já que todo mundo recebeu o que precisa.

A correção do “ama teu amigo como a ti mesmo” inclui todas as outras correções e é a mais odiosa, porque é oposta à nossa natureza, embora não tenhamos escolha, exceto entender que ela é a nossa única base. Enquanto não descobrirmos a necessidade dessa correção, não poderemos entrar no caminho que conduz à meta.

Pergunta: Como podemos dar satisfação ao superior ao tratar os outros bem?

Resposta: Basicamente, é a mesma coisa. Imagine que todos os seres criados, todas as pessoas são “filhos do Criador”. Isso é o que diz as fontes. Então, se você faz o bem para o filho, você certamente satisfaz o pai.

Uma vez o Criador disse a Jonas, o profeta, que Ele não podia simplesmente abandonar a grande cidade de Nínive, com 250.000 habitantes, apesar de seus pecados. A mensagem é clara: “Se você os tratar com amor e os salvar, você vai me dar satisfação”.

O Criador não tem vaso (Kli) para receber satisfação de nós, de modo que os meios para isso é toda a realidade que se espalha entre nós, entre cada um de nós e o Criador. E nesta realidade as outras pessoas vêm em primeiro lugar.

Portanto, a disseminação do método de correção e a preocupação com o mundo inteiro são as ações mais preciosas que nos foi autorizado realizar e nós temos que nos concentrar nelas. É claro que primeiro nós temos que corrigir a nós mesmos, a fim de saber como nos relacionar com o mundo.

O cálculo é o seguinte: “Eu faço tudo para dar satisfação ao Criador. Eu expresso esse desejo ao me preocupar com o mundo, ou, mais precisamente, ao me preocupar com as pessoas. Os níveis inanimado, vegetal e animal da natureza também vão participar de sua correção. A fim de cuidar das pessoas, eu tenho que me corrigir e por isso tenho que começar por me corrigir”.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 02/06/13, Escritos do Baal HaSulam

Cobrindo A Lacuna Entre Os Opostos

Dr. Michael LaitmanPergunta: Nós já temos um grande grupo mundial, um professor e as fontes primárias. Por que é tão difícil perceber a lei do “ama ao próximo como a si mesmo”?

Resposta: Na verdade, não pode ser tão oneroso ouvir sobre isso, mas o problema é a sua realização. Inicialmente, nós precisamos entender e nos tornar cientes do fato de que as duas partes diferentes, “positiva” e “negativa”, devem estar conectadas entre si. No nível físico da natureza, tudo é mais simples: do nível mais elevado, o Criador obriga vários elementos a se conectarem e, em geral, eles constroem a estrutura atômica.

O que é isso? Por que as partículas não se dispersam? O fato é que existem forças que as obrigam a interagir, apesar da oposição entre si. As forças negativas que as repelem pertencem à matéria do “vaso” (Kli), e estas são as forças de rejeição, ódio, e polaridade. As forças positivas que precisam ficar juntas são as forças do amor. É por isso que se diz: “O amor cobre todas as transgressões”. É o amor que cobre a lacuna entre os opostos.

Nós observamos esses mecanismos em átomos e moléculas, onde as coisas se tornam muito mais complicadas devido aos cálculos das etapas anteriores e posteriores do desenvolvimento, etc. De qualquer maneira, os cálculos são sempre feitos de acordo com o mesmo princípio, tornando-se cada vez mais difícil com o tempo.

Vale a pena ver todo o universo dessa forma. Ninguém nos ensina a amar; nós estamos falando justamente da lei da natureza. Certa vez, Abraão descobriu isso; diz-se que ao olhar para o céu, ele fez perguntas sobre quem criou o mundo e para quê. Ele foi motivado por conflitos crescentes daquela época entre os babilônios. O ódio mútuo foi crescendo e Abraão tentou entender: Por quê? De onde poderia extrair o poder da unidade contra as forças de separação?

Analisando internamente a natureza inanimada, vegetal e animal, ele percebeu que a toda a criação, exceto o homem, está imbuída da lei de unidade que obriga todas as partes da criação a estar juntas. É por isso que elas vivem e se desenvolvem. As pessoas é outra coisa: o confronto entre positivo e negativo está aumentando constantemente nelas. Onde, então, está a força oposta de conexão e o amor no nível humano? Como isso poderia ser posto em ação?

Aparentemente, Abraão entendeu que o Criador confiou este trabalho ao homem. Nós mesmos devemos adicionar esta parte e toda a criação. É por isso que se diz que o Criador começa e o justo termina.

Portanto, se não nós começamos a trabalhar no amor ao próximo, a conexão entre nós é cortada. Por exemplo, na Europa de hoje, o processo de unificação não continua no caminho certo e o continente está dilacerado. A ausência de “adições de unidade” por todos os lados leva ao crescimento da oposição e, por fim, a uma explosão. Essa é a perspectiva da humanidade em todos os níveis, seja na família, educação dos filhos, etc.

É por isso que devemos trabalhar na unificação correta, ou seja, acima do “positivo” e “negativo”. Não toque neles, porque todos vão ficar com suas propriedades inatas. Trabalhe apenas no “o amor cobre todas as transgressões”.

Nós precisamos entender que o positivo e o negativo não podem viver um sem o outro. Teoricamente, não existe Criador sem criatura e não existe criatura sem o Criador. Eles só podem existir em conjunto. Neste caso, os dois opostos sempre se repelem, e, em seguida, a terceira força resolve suas contradições, reforça a sua ligação. Este mecanismo dá origem ao desenvolvimento, à vida.

Por muitos anos, os cientistas têm se esforçado em resolver o mistério do surgimento da vida. De onde é que vêm as células vivas? O que as gerou? Um excesso de amor as gerou. A força que sustenta a natureza inanimada, como resultado de um excesso de amor, começa a desenvolver desejos adicionais e, em seguida, nós exigimos mais. Eu não me contento com a mera existência, eu quero entender, sentir e compreender toda a realidade, e essa necessidade me dá a vida, que começou com os corais e evoluiu para as estruturas mais complexas.

Em última análise, é o Criador, que ilumina um pouco a matéria morta, e ela se torna vegetal. Um pouco mais de Luz, e ela se transforma em animal. Só mais um pouco, e o grau humano emerge.

Assim, cobrindo o positivo e o negativo com amor, eu formo com eles um sistema, um átomo, por exemplo. Se eu adiciono a ele um poder maior de amor, eu afeto fortemente o positivo e o negativo e, assim, causo desequilíbrio. Aparentemente, existe um excedente de energia e, além de salvar o relacionamento, eles “pensam” em algo maior. A centelha que eu trouxe leva-os a procurar; o excesso de força os atrai para frente. Esta é a sua força de vida.

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabalá 28/05/13, Escritos do Baal HaSulam

Meu Coração Está Trancado E Há Alguém Batendo Do Lado De Fora

Dr. Michael LaitmanPergunta: Quando é que a realidade corpórea se torna uma realidade espiritual para a pessoa?

Resposta: Isso acontece quando ela consegue se relacionar com o outro como consigo mesma, quando a fronteira entre os dois é apagada.

Na verdade, nós não podemos sequer dizer que adquirimos o atributo de doação, embora essa transição seja descrita dessa forma. Nós não podemos realmente adquirir novos atributos. Nossa essência, como um harware de informática, permanece inalterada.

A questão é até que ponto eu “tomo” o outro como se fosse eu mesmo. Eu opero acima do meu ego crescente, pois caso contrário haveria uma proximidade natural entre eu e o outro, assim como entre um casal ou entre parceiros que se preocupam com o outro por causa de interesses comuns ou interdependência. Esta é a razão pela qual a resistência do ego deve ser construída, acima da qual eu ainda trago o outro para perto de mim, até que ele, na verdade, se torne como eu, de acordo com os princípios de “não faça aos outros o que é odioso para você”, e “ama teu amigo como a ti mesmo”.

Isso não signfica que eu saio de mim mesmo. Mais precisamente, eu “engulo” os atributos do outro, o que parece externo a mim. Então, o mundo inteiro é meu.

Comentário: O problema é que quando eu olho para o meu Grupo de dez, eu não quero “engoli-lo”…

Resposta: Isso ocorrerá, e você vai sentir que os amigos são as pessoas mais próximas a você, e que ninguém está mais perto do que eles. Até mesmo seus parentes, sua família, vão parecer muito mais distante do que os amigos. Afinal, os amigos estão perto de sua alma e a família está mais perto do seu corpo. A família é como um contrato que temos que manter, e a garantia mútua entre os amigos é muito dinâmica, em constante mutação, ao se juntar, aproximar-se cada vez mais de você…

Por fim, eu repito: você não vai sair, mas vai realmente deixar todos os amigos entrar em você.

Pergunta: Como eu posso acelerar este processo? Uma vez que ele volta e bate em mim repetidamente…

Resposta: É isso mesmo, o futuro está batendo em sua porta, e você não o deixa entrar e, assim, sente dor. Você tem que abrir a porta com antecedência, antes que batam nela, antes que seja tarde demais.

Diz-se no “Cântico dos Cânticos”: “Abra a porta para mim, minha amada”. Mas sua amada não está pronta, ela não quer receber o seu amado, e sua porta está trancada. Quando ela abre, o amado já se foi, e está escondido: “Eu procurei por ele, mas não o encontrei, eu o chamei, mas ele não me respondeu”.

Portanto, você deve abrir a porta com antecedência, abrir-se ao Criador juntamente com os amigos.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 03/06/13, Escritos do Baal HaSulam

É Uma Grande Honra Estar Na Companhia De Pessoas Tão Grandes

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como eu posso sempre ver os amigos como maiores do que eu?

Resposta: O amigo é grande especialmente porque eu dependo dele! A meta que eu quero alcançar depende dele, e por isso ele é tão importante para mim. Em segundo lugar, ele é grande já que é o Criador que nos aproximou, e deu-lhe a mim como um meio para atingir a meta.

Em terceiro lugar, eu respeito a “parte Divina do Alto” nele, já que o Criador está nele, evocando-o e levando-o em direção à meta. Portanto, é isso que eu respeito, a parte divina e não seus atributos corporais. Aos poucos nós vamos descobrir o que o conceito de um “amigo” realmente significa. Quando começarmos a ver a verdade, vamos ver o que é.

Eu não valorizo o amigo em si, mas a parte Divina dentro dele que lhe dá um grande peso e faz dele o maior em nossa geração. Não é um exagero e não apenas palavras agradáveis. O rabino Yossi Ben Kisma, sem dúvida, via seus alunos como os melhores em sua geração e maiores do que ele.

Para não ver as deficiências do amigo, eu tenho que despertar o amor em mim. Por isso, diz-se que “o amor cobre todos os pecados”. Você não deve considerar quem é mais inteligente, você ou o amigo. O amor deve vir em primeiro lugar.

A lição deve começar quando cada um de nós se vê sentado entre grandes pessoas. Você deve sentir que você é como um bebê que felizmente passou a estar na companhia de grandes Cabalistas, tremendo de emoção diante de sua grandeza. Esta é realmente a maneira como ele se sentiu, e eu não estou exagerando.

Este deve ser o sentimento interior, enquanto externamente podemos mostrar desrespeito e jogar um jogo oposto. Assim como o Criador esconde Seu amor e nos mostra a atitude oposta, nós também podemos mostrar-lhe a atitude externa oposta. Nós vamos aprender depois este jogo, quando ficarmos mais fortes, mas, agora, ainda é muito cedo para jogar este jogo, uma vez que seremos atraídos pelo desrespeito.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 22/05/13, Escritos do Rabash

Elevação Acima Das Diferenças Entre Os Sexos

Dr. Michael LaitmanComentário: Há não muito tempo, provou-se cientificamente a existência da inteligência do grupo. Várias das principais universidades dos EUA organizaram um experimento no qual dividiram as pessoas em pequenos grupos. Foi estabelecido que um dos fatores essenciais que influenciou o resultado foi a quantidade de mulheres no grupo. Talvez você possa responder a isso.

Resposta: Eu não conheço estes experimentos. Por isso, não posso responder sobre eles. Eu, pessoalmente, não tenho dados sobre este assunto.

Eu só posso dizer uma coisa: uma vez que a nossa sociedade é composta principalmente de mulheres, certamente precisamos incluí-las nas discussões. Os grupos poderiam ser divididos em grupos de homens, mulheres e mistos.

A ideia é que o desejável é dividir os grupos compostos por dez pessoas de acordo com o sexo. Apesar de tudo, as diferenças entre os sexos influencia o curso do nosso pensamento muito significativamente e, portanto, é necessário tentar fazer isso para que os homens não desviem a atenção das discussões, porque eles se sentem obrigados a desempenhar um papel particular no que diz respeito às mulheres ou as mulheres quanto aos homens.

Nós precisamos adaptá-los a esse tipo de condição, em que eles não vão prestar atenção ao caráter sexual um do outro, mas verão apenas amigos na frente deles, a fim de formar um novo nível de relações mútuas que não depende dos relacionamentos sexuais. Com a palavra “sexo” estou me referindo às características tanto físicas como mentais, tudo que está ligado aos termos “homem” e “mulher”. Isso não é apenas externo, mas uma imagem completa: a forma de pensamento, a abordagem, tudo. Nós somos muito diferentes uns dos outros.

Portanto, primeiro é necessário realizar workshops separados para homens e mulheres, e apenas depois disto, na medida em que eles se elevam acima de si mesmos e se conectam a importância da tarefa, será possível ter grupos mistos. Isto só acontecerá depois de se discutir muitas vezes questões sobre educação, conhecimento, relações dentro da sociedade, relação da pessoa com a natureza, ou melhor ainda, o que é desconfortável para eles.

Se uma mulher está na minha frente, eu imediatamente passo para outro nível de comunicação. Eu tento não machucá-la, tento me relacionar com ela com respeito, em algum tipo de discussão nesse meio tempo, escutar… Este é um sistema completo. Níveis completamente diferentes de comunicação estão incluídos aqui, que não estão em conformidade com o intelecto, e nem com a natureza essencial. Nós somos diferentes e um adaptador especial de comunicação surge entre nós. Nós precisamos superar essa diferença para que ela não venha a existir nesta forma, de modo que olharei para uma pessoa com quem estou conversando como “unisex”. Isso significa que nos tornamos iguais em tudo, apesar de nossas diferenças físicas.

Às vezes é o contrário: suponha que quando estamos discutindo questões como família, nós precisamos “destacar” os problemas. Então, nós já não somos iguais em construir algo maior, que esclareça de que forma ainda permanecemos desiguais no nível da nossa unidade integral: homens – mulheres, marido – esposa. Afinal de contas nós não nos elevamos completamente sem um corpo! Nós subimos dentro da nossa natureza e isso nos dará toda uma gama de problemas. Nós esclarecemos diferenças entre homens, mulheres e crianças num formato diferente de “mesa redonda” e, gradualmente os levamos para onde eles subirão acima de suas diferenças e começarão a trabalhar para o bem do próximo objetivo, a unidade integral.

De KabTV “Sabedoria das Massas” 14/05/13

Um Empréstimo Em Termos Espirituais

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, “A Paz”: Estas são as palavras do rabino Akiva: “O livro está aberto e a mão escreve”. Qualquer estado em que a geração se encontre é como um livro, e todos os malfeitores são como mãos que escrevem pois cada mal é gravado e escrito no livro até que eles acumulem a uma quantia que o público não o mais pode suportar. Nessa altura, eles arruínam esse estado mau e reorganizam-se num estado mais desejável. Então, toda ação é calculada e escrita no livro, isto é. no estado.

E ele diz, “Todos os que desejam pedir emprestado podem vir e pedir emprestado”. Isto significa que ele acredita que este mundo não é como uma loja aberta sem um dono, mas que há um dono presente, um lojista que permanece na sua loja e exige de cada cliente o preço certo pela mercadoria que ele está a levar da loja, isto é labuta na Sua obra enquanto ele é nutrido por essa loja, de uma maneira que é certa a o trazer ao propósito da criação, como Ele deseja.

Sua meta é atingir a doação. No entanto, a pessoa requer poderes para perceber isso, e ela não tem esses poderes. Ela os toma a título de empréstimo, mesmo que pretenda tudo para a doação. O mesmo ocorre se ela quiser reembolsar, isto é, não usar qualquer coisa para si. Ela usa o mundo inteiro para doação.

De acordo com os padrões do nosso mundo, é impossível declarar que uma pessoa como esta esteja tomando algo como empréstimo. Você percebe que nós pegamos um empréstimo para benefício pessoal. Aqui, tudo é diferente. A propósito, a proibição da Torá contra emprestar com interesse deriva disso. No mundo espiritual, nenhum empréstimo deve ser pago de volta com mais do que aquilo que foi recebido.

Portanto, as forças que eu não tenho no início eu tomo por empréstimo, mas não estou tomando para mim mesmo. Elas não são minhas. Eu só acrescento a elas um desejo pela doação. Em vez do Criador, eu doo a todos, e todo o meu objetivo é apenas transmitir essa doação de forma habilidosa, como se fosse de Suas mãos. Eu não tenho nada meu além do meu eu altruísta que contrai o desejo egoísta dentro dele e age acima dele. Portanto, eu não tenho nada a retornar.

Pergunta: Apesar de tudo isso, não está claro: Como uma pessoa pode pedir um empréstimo para si na espiritualidade?

Resposta: Eu disse que este é outro tipo de empréstimo. Você vê, eu não tenho os meus próprios poderes de doação. Além disso, eu (especificamente, eu) quero dar da mesma forma que o Criador. Eu tenho que transmitir e dar aquilo que Ele deseja para o mundo.

Este estado é descrito alegoricamente com uma metáfora que diz que o Criador quis dar às nações do mundo o método de correção. No entanto, elas não podiam aceitá-lo. Então, Ele usou um grupo de transição chamado Israel, que significa “direto ao Criador”. O povo de Israel é como um intermediário que conecta a Luz superior com o AHP. Graças a isso, Malchut pode subir à Bina e ser “adoçada” lá, de modo a passar a Luz de cima para baixo.

Isso é chamado de empréstimo só porque a pessoa não tem o poder de doação, e ela recebe isso do Criador. No entanto, ela não o utiliza para si, como é habitual no nosso mundo egoísta. Neste mundo, a pessoa procura primeiro beneficiar a si mesma, e depois, ela pensa no benefício dos outros, seja em questões financeiras, bem-estar ou prazer. Na espiritualidade, eu não peço para mim. Eu quero participar da vida do Criador. Esta participação se destina inteiramente à doação. Por isso, eu ativo todo o meu desejo no nível máximo. Tudo o resto eu mantenho temporariamente “fechado” sob a restrição.

Pergunta: Portanto, por que é necessário pedir um empréstimo como este para a meta de doar?

Resposta: Isso é chamado de subida, uma solicitação de correção (MAN). Do Criador, eu peço poder para ser capaz de examinar e corrigir a própria ação. Eu quero que Ele faça isso, como está escrito: “Revista-se em mim e realize a ação de doação”. É como uma criança que pede ajuda à sua mãe ou simplesmente chora e a mãe vem e ajuda. O problema todo é transformar num “choro infantil” internamente. E leva tempo para se aprender isso….

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 19/04/13, “A Paz”

Com Os Amigos Sob A “Sucá Da Paz”

Dr. Michael LaitmanPergunta: O que há de tão especial no amor dos amigos que me permite cobrir todos os pecados?

Resposta: O amor dos amigos cobre todos os pecados. Afinal, se nós trabalhamos para conectar nossas centelhas no grupo, então todos os outros desejos se rendem à Luz do amor, apesar do fato de serem tão opostos entre si, de tal forma que realmente se odeiam. Esta Luz age em nós desde Cima, do nível superior, quando ela nos cobre como um cobertor, um guarda-chuva, uma Sucá de paz, e obriga todos a se unir, embora internamente continuemos muito diferentes.

Pergunta: Eu escolho o amigo uma única vez ou de novo todos os dias?

Resposta: Eu não escolho de acordo com critérios corporais. Entretanto, nós não sabemos por que fomos trazidos para um grupo desde Cima, ele e eu. Depende da raiz da alma, da sentença das almas, sobre as quais vamos aprender mais tarde. Porém, como estamos num grupo, temos de cumprir o nosso livre arbítrio e nos conectar num único sistema, num único grupo.

Escolher um amigo significa ser leal a ele, apesar da repulsa e das dúvidas. Eu não deveria sentir qualquer diferença entre eu e ele. A cada momento o pensamento e o desejo mudam em mim e eu tenho que escolhê-lo exatamente da mesma maneira, eu analiso a mim mesmo e a ele.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 22/05/13, Escritos do Rabash