Textos na Categoria 'Nações do Mundo'

Contos: Subir O Monte Sinai

laitman_740_03Depois de passar por todas as fases da vida no Egito e no êxodo do Egito, o povo de Israel chega a um estado chamado Monte Sinai. Eles começam a entender que estão enfrentando uma enorme montanha do mal, a palavra “Sinai” deriva da palavra “ódio” (ódio mútuo) em hebraico, a profunda repulsa que as pessoas sentem uma em relação a outra, que é muito maior do que o que sentiram no Egito.

Enquanto estavam no Egito ou na antiga Babilônia eles não entendiam isso e não estavam plenamente conscientes disso; agora o mal é revelado a eles de forma plena.

Como resultado, o povo se sente perplexo, desamparado, e não pode sequer imaginar o que deve fazer. Moisés, porém, acalma sua mente, prometendo-lhes organizar e corrigir a conexão entre eles e o Criador. Este é o seu papel, pois ele é o elo entre o povo de Israel e a força superior. O povo não seria capaz de fazer algo sem a sua ajuda e orientação, sem a sua conexão com o Criador.

Ele sobe o Monte Sinai enquanto o povo não sente esta conexão e está pronto para voltar ao Egito. A principal coisa para eles é sentir que têm alguma coisa, alguma coisa para se segurar! O ódio assusta o povo simples.

Imagine que você está vivendo num prédio de apartamentos em que todo mundo lhe odeia profundamente. Você tem medo de sair de seu apartamento, de abrir uma janela, você sente correntes de grande ódio por todos os lados, não consegue dormir e está perdendo seu apetite. Esta é uma situação terrível! É exatamente isso que o povo no pé do Monte Sinai sente. A verdadeira natureza de seu ego é revelada a eles, e eles percebem que não podem superá-la de forma alguma, já que a conexão com o Criador, que os ajudou a pouco tempo atrás, se foi.

Moisés, porém, lhes promete que vai subir até este nível de conexão, estabelecer o contato entre eles e tirá-los desse ódio. Só ele pode subir acima da montanha do ego, mas ele é apenas um pequeno atributo em nós.

No momento em que ele se desprende do povo, eles perdem a esperança de se conectar com o Criador e a única esperança que veem está na criação do bezerro de ouro, que acreditam poder aproximá-los. Não há mais nada em que possam se segurar.

Eles estão prontos para tirar suas joias de ouro e doá-las, para que algo os una. Porque em comparação com o profundo ódio que sentem, o pequeno ego que se materializa egoisticamente no bezerro de ouro os conecta, pelo menos até certo ponto.

Quando ele desce do Monte Sinai, Moisés se aproxima do povo desejando conectá-los ao Criador por meio dele e estabelecer o contato entre eles, mas vê que mais uma vez eles se curvam ao seu ego (o bezerro de ouro). Em seguida, ele quebra as duas tábuas da aliança recebida no Monte Sinai, que agora é inadequada para as pessoas, uma vez que elas caíram num nível diferente.

Moisés sobe a montanha, ou seja, o ego novamente, e quando se conecta ao nível superior de amor e doação acima dele, recebe uma segunda instrução do Criador. Quando ele desce deste nível espiritual, ele traz ao povo o plano para a unidade: a revelação do Criador por sua aproximação na unidade interna entre si.

O plano inclui todas as grandes leis da Torá, e a mais importante é “ama o teu próximo como a ti mesmo”, e o povo está pronto para mantê-la e se unir.

O dia em que Moisés desce pela segunda vez do Monte Sinai é chamado de Yom Kippur (Dia do Perdão). Ele traz ao povo as duas tábuas, ou seja, as dez condições em contraste com as dez pragas do Egito. Ao cumprir essas condições no nível espiritual, eles atingem um nível de unidade entre si onde o Criador é revelado e eles se fundem em completa união com Ele. Este é o propósito da sua correção.

De KabTV “Contos” 22/10/14

Contos: A Evolução Do Grupo De Abraão – Isaac

Dr. Michael LaitmanDepois que Abraão fundou sua escola, ele começou a desenvolver o método Cabalístico com os alunos que se juntaram a ele. Assim, ele criou três sistemas: um sistema de estudo, um sistema de disseminação, e um sistema de cumprir a sabedoria da Cabalá.

O sistema de disseminação leva em conta o nível de desenvolvimento de uma pessoa. Tudo depende de como as pessoas podem perceber a ideia espiritual, até que ponto ela está perto delas e pode responder às suas expectativas, e em que medida elas podem ver que este sistema é benéfico para si.

Mais tarde, quando elas ascenderem e se desenvolverem, elas estarão prontas para entender as outras opções que a sabedoria lhes oferece. Portanto, uma pessoa deve sempre ser abordada em seu nível, numa linguagem que ela entenda, de modo que possa ser atraída ao saber que você pode realmente ajudá-la a perceber o que quer.

É nisso que Abraão se envolveu quando explicou que o objetivo final da nossa evolução é amor e doação, e aqueles que desejam alcançá-la internamente, pelo menos até certo ponto, devem vir com ele.

Foi assim que começou o próximo estágio de desenvolvimento da escola de Abraão. Neste ponto, ele foi chamado de grupo de Abraão, já que todos os membros do grupo começaram a trabalhar na conexão entre si, aceitando o fato de que a unidade está acima da separação.

Quando o salto do ego ocorreu na antiga Babilônia e as pessoas quiseram construir uma torre para alcançar o céu, isto é, a força superior, foi pressionando a força negativa.

Abraão, porém, afirmou que a força negativa decorre da mesma força positiva e deve ser operada de forma diferente, absorvendo-a como o que chamamos de linha esquerda (a força negativa). Ele acreditava que o ego que surge nas pessoas deve ser estudado e trabalhado corretamente. Esta é a razão pela qual o período que se seguiu ao desenvolvimento do grupo de Abraão é chamado de Isaac.

O uso correto do ego é chamado de sacrifício de Isaac, o que significa que nós ligamos nosso ego e ameaçamos matá-lo, totalmente prontos para sacrificá-lo, apesar de entender que não vamos alcançar o Criador sem ele. Por outro lado, a semelhança e equivalência com o Criador só pode ser alcançada se limitarmos o ego corretamente. Para nós, é como cortar nossa própria carne.

Nós aprendemos a controlar o nosso ego, a atá-lo, controlá-lo e colocá-lo sob o atributo do amor e doação sem destruí-lo e sem ameaçá-lo, e nós nos preparamos para romper com nós mesmos (uma vez que o ego é todo o eu). Este processo faz parte de nossa evolução, e quando o realizamos, temos a oportunidade de um trabalho correto, produtivo e focado com nosso ego. Esta é a essência da história do sacrifício de Isaac.

De KabTV “Contos” 15/10/14

Quando A Sanidade Leva Ao Caos

Dr. Michael LaitmanPergunta: Em que caso o método de Abraão, que ainda é retratado como irracional, será aceito?

Resposta: Hoje a humanidade está pronta para aceitar qualquer coisa ilógica, porque está começando a entender que a nossa racionalidade atual é realmente bestial e não funciona no nível da sociedade.

Curiosamente, agora há uma decepção total na lógica, na capacidade da sanidade do consumidor moderno de superar os problemas que continuam acontecendo. O egoísmo em si terminou; Marx estava certo sobre isso, e não há nada para falar sobre sua perspicácia.

Tudo o que resta é agir no nível da lógica elementar, explicar abstratamente para as pessoas ao lado: “É bom para todos nós estarmos conectados juntos por bons laços? Ótimo. É bom ganhar apenas o necessário e mais nós simplesmente não precisamos? Ótimo. É bom ter um único padrão de vida ideal para todos? Sim. E que tal nenhuma fome e doença, nem um enorme abismo entre ricos e pobres? Ótimo. O mundo inteiro se preocupa com a ecologia? Ótimo”.

Mas como nós podemos fazer isso se todos somos tão maus?

Aqui nós temos que mostrar às pessoas que existe um poder que pode perceber isso. De qualquer forma, mais cedo ou mais tarde, nós devemos chegar a este estado e quanto mais cedo for, menos sofrimento haverá. Se conseguirmos transmitir corretamente nossa mensagem, a humanidade já estará pronta para aceitar esta lógica.

Pergunta: Será que todos os judeus precisam retornar fisicamente à terra de Israel?

Resposta: Eu não penso assim. Eu creio que não importa onde a pessoa vive. É dito que a terra de Israel vai se expandir às fronteiras do mundo inteiro. Figurativamente falando, ela se estenderia ao longo de todo o globo.

Pontos de espiritualidade ocorrem em todo o mundo. Não importa onde a pessoa se encontra. Além disso, essas pessoas devem se tornar professoras para o mundo inteiro. Afinal, a humanidade anseia por algum método para a existência correta. Nós vemos que agora ela não existe em nenhum lugar; todo mundo vive só pelo hoje, temendo considerar o amanhã ou simplesmente não pensar nele. Ninguém tem uma estratégia realista de longo prazo e não há sequer uma tática normal para a conexão recíproca por causa de algum objetivo comum. Em vez disso, nós testemunhamos o movimento totalmente caótico de cada pessoa. Por isso, a nossa lógica será clara para a humanidade.

Junto com isso, há um pequeno truque aqui: a humanidade só será capaz de aceitar essa lógica e realizá-la depois que o povo de Israel se tornar o primeiro a aplicá-la à vida. É assim que o sistema geral está organizado; é especificamente essas pessoas, odiadas, teimosas, egoístas, etc., que devem, em primeiro lugar, perceber o método em si mesmas e proporcionar um exemplo. Assim que fizerem pelo menos um pouco, todo mundo vai começar a estudar com elas.

Isso ocorre porque a propensão de aprender com os judeus é latente em todas as nações do mundo. A base de seu ódio não é respeitada, mas há uma consciência básica que neste povo há algo superior, que é especificamente o que eles querem tanto aniquilar. Isso não deixa as nações descansar, já que está em seu caminho. Esta é uma reação natural, mas, no lado oposto, existe uma disposição interna em adoptar o que é novo e aprender. Assim, o nosso único problema está em criar a sociedade correta.

De KabTV “Babilônia Ontem e Hoje” 24/09/14

Ser Como Todo Mundo Não É A Nossa Natureza

Dr. Michael LaitmanPergunta: O atual retorno do povo judeu à terra de Israel é uma fase natural?

Resposta: Claro.

Pergunta: Por que eles deveriam voltar a esta terra em particular?

Resposta: Nós não entendemos ainda. No entanto, as pessoas que estão num nível espiritual entendem as diferenças e a singularidade da raiz espiritual em cada um dos seres criados, incluindo animais e, além disso, das diferentes regiões da terra.

Assim, apesar do fato de que a terra aqui não seja fértil e não exista nada “santo” nela, ainda é dominada por certas forças espirituais, assim como um ramo que cresce de uma raiz espiritual.

Pergunta: O que devemos fazer sobre a forte resistência árabe?

Resposta: É perfeitamente natural. Afinal, se nós voltamos a esta terra, nós temos que voltar às nossas raízes espirituais. Em outras palavras, nós temos que cumprir a condição do “ama teu amigo como a ti mesmo”. É com base nesta condição que nós viemos aqui há muito tempo. Moisés nos trouxe até as fronteiras desta terra e faleceu em sua fronteira. Em seguida, seu discípulo, Josué, nos conduziu.

Nós chegamos a esta terra e quando nos estabelecemos aqui, tivemos que dar o exemplo para toda a humanidade, e mostrar como deve ser uma nação que vive corretamente em sua terra. Depois, nós começamos a construir o Templo e cumprir esta missão.

No entanto, nossas ações de hoje são totalmente opostas ao que temos que fazer e, consequentemente, é claro, nós somos constantemente confrontados com problemas de nossos vizinhos próximos e distantes.

Pergunta: Por que o ambiente árabe recebeu este papel?

Resposta: Isso foi escrito há muitas gerações, quando Abraão foi pai de Ismael e mandou-o embora com Hagar. A partir desse momento, há uma espécie de “competição” entre os dois irmãos Isaac e Ismael. Não há nada que possamos fazer sobre isso; o conflito será ainda maior, mas deve ser cumprido no nível espiritual.

Isto significa que, como nação, nós temos que subir ao nível do amor ao próximo, estar em boas relações com o outro, e ser um exemplo para toda a humanidade. Nesse caso, vamos ver imediatamente como tudo ao nosso redor se acalma. Primeiros nossos primos, os árabes, e depois o mundo inteiro vai acalmar a ira, e o ódio no mundo cessará.

Assim, as nações do mundo vão entender que há algo que elas realmente precisam aqui e que podem receber de nós o método para o renascimento da alma, que é o conhecimento que pode torná-las seres eternos. Elas vão começar a perceber que podemos levá-las a uma vida melhor, não só neste mundo, mas para sair para uma dimensão totalmente diferente, além das estruturas deste mundo. Tudo depende apenas de nós e eu acho que nós vamos chegar a isso.

Pergunta: Será que isso significa que há um significado em todas as reclamações que ouvimos contra nós?

Resposta: Elas só servem para nos unir e conectar. Se nossos vizinhos não pressionassem, nós nos destruiríamos e nunca nos uniríamos, mesmo no nível que estamos hoje. A pressão externa sobre nós, a rigidez e o ódio, tudo depende apenas da repulsão mútua que sentimos em relação um ao outro. De um modo geral, nós realmente determinamos o nível de ódio que as nações do mundo sentem em relação a nós.

Pergunta: Portanto, inconscientemente, as nações do mundo querem nos obrigar a ser os professores da humanidade?

Resposta: Sim. É assim que toda a humanidade se relaciona conosco. Todo o seu ódio é apenas para que acabemos por compreender que temos que fazer alguma coisa e que querer ser como eles, como todo mundo, é um “truque” bobo. Esta filosofia, esta abordagem, nos leva completamente no sentido errado.

A origem de Spinoza, a rebelião contra a singularidade independente não é a nossa raiz. Claro, foi proibido permanecer no nível anterior, naqueles tempos, uma vez que tinha chegado o momento para o desenvolvimento espiritual, e espiritual não no sentido que a humanidade imaginou, mas de acordo com as nossas raízes.

Comentário: Por outro lado, você falou sobre o fato de que os judeus também lideraram o desenvolvimento conceitual de toda a humanidade na Babilônia.

Resposta: Eles deveriam ter liderado isso muito tempo atrás, durante o êxodo da antiga Babilônia. Se tudo tivesse corrido bem, a espiritualidade deveria ter se espalhado amplamente após o Primeiro Templo e, gradualmente, todas as nações do mundo teriam aceitado o método da revelação do Criador. Eles teriam se unido e tudo teria terminado ali. Mas isso era impossível porque os babilônios ainda não tinham a raiz que a humanidade precisava. Eles tinham que recebê-la e só foi possível recebê-la quando o povo judeu foi quebrado e dividido entre si.

De KabTV “Babilônia, Ontem e Hoje” 24/09/14

Contos: Cruzar A Fronteira Egípcia

laitman_749_01Depois que o grupo de Abraão trabalhou na unidade, eles começaram a descobrir um novo nível de ego e começaram a se afastar de novo, exatamente como fizeram na Babilônia.

Eles foram dominados pelo poder do Faraó, o ego gigante que os pressionava, e as relações entre eles se tornou “a escravidão no Egito”.

Foi nessa época que surgiu o próximo líder da nação, Moisés. Moisés foi educado na casa de Faraó desde muito jovem, mas mesmo assim, um grande desejo de ascender acima de sua criação despertou nele. Ele fugiu da presença de Faraó e se voltou ao povo, convocando-os a deixar o Egito.

O povo, no entanto, era muito fraco. Por um lado, eles entendiam que tinham que deixar a escravidão egoísta, caso contrário não haveria chance de se conectar e se unir para reproduzir a ideia de Abraão, que os ajuda a avançar na conexão entre eles, para revelar o Criador.

Por outro lado, o Criador está oculto de seus sentimentos. Assim, a escravidão no Egito é como noite para eles, visto que eles não sentem a vida espiritual. Mas eles já provaram e sentiram o que significa um estado espiritual: a vida sem quaisquer limitações, um sentimento do espaço exterior, uma dimensão diferente.

Por isso, eles foram primeiro bastante passivos, e Moisés teve que agravar o Faraó (o ego), de tal forma que as pessoas sentiriam sua dominação rígida. Só então eles viram as aflições que o ego causou neles e, assim, se prepararam para deixar o Egito, porque não queriam mais se identificar com seu ego. Eles não tinham força para romper com ele, mas, de repente, sentiram o desejo de fazê-lo.

Ao mostrar-lhes a crueldade e a astúcia do ego, Moisés eleva o povo e tira-os do estado egoísta. Agora eles estão prontos para superar todas as brigas, disputas e conflitos e ascender acima deles de acordo com a condição “o amor cobre todas as transgressões”. Então, eles rompem com a escravidão no Egito, sobem sobre ela e deixam o Egito.

Cada nível espiritual é feito de dez subníveis. Cada subnível deve ser visto como uma fonte de perda, dor, sofrimentos e doenças terríveis. Sofrimentos que se acumulam gradualmente no reconhecimento da escravidão egoísta e convencem as pessoas a romper com o ego (mesmo à noite, no escuro, quando nada é entendido e nada pode ser visto); a principal coisa é manter a conexão entre elas.

A situação antes do êxodo do Egito e depois é semelhante ao atravessar uma fronteira. No Egito, nós dependemos uns dos outros, odiando um ao outro, mas no momento em que tomamos sobre nós a lei da misericórdia, da doação altruísta, da incorporação mútua, podemos atravessar a fronteira e fugir do Egito.

De KabTV “Contos”22/10/14

Contos: Jacó E O Desenvolvimento Do Grupo De Abraão

Dr. Michael LaitmanA restrição correta do ego que leva ao ponto médio entre o atributo de Abraão/Hesed (misericórdia) e o atributo de Isaac/Gevura (poder) é necessária para avançar espiritualmente e ter o que eles têm em comum.

O que eles têm em comum é a próxima fase no desenvolvimento do grupo de Abraão, que se chama Jacó, uma vez que a conexão entre a linha direita (Abraão) e a linha esquerda (Isaac) retrata gradualmente a linha do meio (Jacó).

Na verdade, é neste ponto que nós podemos falar sobre o início da verdadeira realização real do método da Cabalá, porque agora ela inclui as duas linhas, a direita e a esquerda, o atributo de Hesed (doação) e o atributo de Din (recepção), que criam uma terceira força que os conecta corretamente. A terceira força é chamada de Jacó.

A formação da linha do meio (o atributo de Jacó) no grupo Cabalístico que saiu da Babilônia é a base para o desenvolvimento da sabedoria da Cabalá. Cada movimento no desenvolvimento espiritual é gradualmente realizado e só é possível subir para o próximo nível quando adicionamos a linha esquerda à linha direita.

Se eu estou em certo nível, eu tenho que adicionar a linha esquerda e diferentes tipos de desejos e problemas egoístas e superá-los, a fim de subir para o próximo nível. Esta é a única maneira de eu entender o próximo nível. Em outras palavras, as áreas planas sobre os degraus da escada são os atributos da bondade e a ascensão de um nível ao outro são os atributos de dominação, respeito e poder, acima dos quais eu subo.

É assim como a escada da ascensão espiritual chamada escada de Jacó é construída. Jacó inclui tanto as forças do bem e do mal e as conecta corretamente ao realizar internamente o método da subida gradual da escada. Jacó é realmente o início do desenvolvimento espiritual que é proposital e correto.

Isso explica a existência da linha esquerda em nosso mundo. Ela decorre do Criador que nos dá a linha esquerda para que possamos subir mais alto acima de nós mesmos até que atinjamos Seu nível.

A combinação certa entre as linhas direita e esquerda, o atributo de Abraão e Isaac, está incluída no atributo de Jacó, que também é chamado de Israel. Se tomarmos essas duas forças da natureza e as conectarmos corretamente, subindo a escada de Jacó, nós nos tornamos Israel (Yashar- El), que significa direto ao Criador. Quando nós usamos essas duas forças, nós podemos focar com precisão a meta e constantemente visar, colocar e gerenciar a nós mesmos exatamente na linha média.

De KabTV “Contos” 15/10/14

A Geração De Quem Se Aguarda A Ideia

laitman_259_02Pergunta: Israelenses que falam russo passaram por muitas coisas e mudaram radicalmente suas vidas. Cerca de um milhão deles se reuniu aqui. Existe algo único sobre eles?

Resposta: Eu realmente acho que nós precisamos seriamente começar a trabalhar com eles. Basicamente, eles sempre foram a vanguarda da humanidade. Imigrantes russos que se espalharam por diversos países desenvolveram a cultura e a ciência onde quer que estejam. Em todos os lugares, eles serviram como motor do progresso.

Pergunta: Isso significa que você acha que eles podem se tornar a base para um avanço em todo o mundo?

Resposta: Eu espero que sim, mas não vai ser a geração que imigrou. Entre eles, apenas alguns estão prontos para fazer uma descoberta, centenas, talvez até milhares, mas não milhões. No entanto, mesmo que não pareça dessa forma, eu acho que os seus filhos vão se tornar especificamente aqueles entre nossos associados e colegas que realmente vão levar a nação e o mundo para frente.

A partir de hoje, muitos ainda não “atravessaram a doença” dos antigos ideais. Eles ainda pensam que a superioridade agressiva, o conhecimento tecnológico, as armas, o dinheiro, e assim por diante, são críticos.

Esta geração ainda não se desiludiu completamente com os quadros anteriores. Eles ainda estão preocupados com a formação. Eles ainda precisam ver, finalmente, que não há mais desenvolvimento; precisam pensar sobre o outro, não numa base pragmática, mas ideológica, não com base na força da matéria, mas no espírito. Então você pode conversar com as pessoas.

Enquanto isso, o espírito do pequeno capitalismo primitivo ainda vive em parte deles, e as garras de uma vida simples e uma mente estreita matam. Eu não culpo ninguém por nada. Eu sinto isso tanto em mim como em meus parentes que trilharam o mesmo caminho. No entanto, apesar de tudo, não haverá a necessidade de subir acima disso.

Isto é porque nós somos o povo de uma ideia, e eu espero que seus filhos sejam capazes de aceitar esta ideia expandindo seus horizontes para além das suas necessidades diárias normais.

De KabTV “Babilônia Ontem e Hoje”, Parte 8, 24/09/14

A Nova Barbárie

Dr. Michael LaitmanQuem pensaria que as atrocidades e o antissemitismo que estamos testemunhando hoje pudessem ocorrer no século XXI e levar a humanidade a um estado tão miserável em que parece estar afundando novamente num abismo escuro? É como se o nosso ego estivesse caindo e nossa mente estivesse totalmente perdida, anulando toda a experiência da humanidade e de toda a sua existência por gerações.

A selvageria está levantando sua cabeça novamente. Parecia que houve uma época em que aprendemos alguma coisa depois de tantos séculos e erros! Mas não, a barbárie é novamente revelada e, além disso, está num nível totalmente diferente e desconsidera qualquer outra coisa. Isso está ocorrendo em conjunto com um desenvolvimento sem precedentes de armas que podem destruir toda a humanidade. Será que vamos ser capazes de alcançar a ordem, utilizando-as agora?

Por que é assim? O iluminismo passou e todo mundo viu o caminho para a felicidade futura. Mas hoje nós descemos muito mais baixo no nível de nossos valores e expectativas.

Em cem a cento e cinquenta anos de estudo, a ciência, arte e cultura em geral foram valorizadas e respeitadas. As pessoas com seus sessenta anos ainda se lembram das obras-primas da poesia e da literatura, e das noites de discussões e debates. Se uma pessoa não estava interessada nisso, ela era considerada ignorante. Ela tinha vergonha de admitir que não lia ou participava destas atividades.

Objetivo do jovem era absorver todas as pérolas da humanidade e suas realizações culturais. A ciência pode não ter atraído todos, mas havia uma aceitação geral da demanda por cultura, que apelava a todos.

Além disso, se supunha que a absorção da cultura seria de tal forma que faria de você algo e o educaria para que as pessoas vissem que você era inteligente. Enquanto na década de 1930 isso era vergonhoso, era respeitado na década de 1960.

Ao mesmo tempo, era vergonhoso mostrar que você era forte fisicamente. Pelo contrário, se uma pessoa fosse magra e fraca, mas parecia intelectual, ela era um modelo para os outros. Meninas a admiravam e não outros tipos.

Quando eu era estudante, autores como Vazenski e Yavtushenko ainda eram jovens e novos. A literatura estava em ascensão, e poetas como Akodjeba e Wisotzky nasciam diante de nossos olhos.

Eu também fazia parte de um pequeno grupo em Leningrado e participava de clubes literários, artísticos e musicais. Olhando com esperança para o futuro brilhante da humanidade, não poderíamos imaginar que essa barbárie voltaria e que as pessoas iriam se matar sem sequer contar as vítimas.

Em suma, há pouco tempo tudo era exatamente o oposto, mas as décadas seguintes trouxeram desequilíbrios terríveis. Meio século se passou e tudo mudou totalmente, de uma forma que ninguém jamais poderia ter imaginado.

Vemos que as leis da natureza são fixas. Elas são reveladas a nós alternadamente, exibindo as mesmas imagens para que possamos aprender com todas essas transformações e ver o que é importante: que devemos entender essas leis e usá-las corretamente. Não podemos simplesmente fluir com a corrente, mas devemos aplicar essas leis e não esperar por um futuro melhor e mais brilhante. Nós devemos construí-lo com todos começando consigo mesmos.

De KabTV “Babilônia Ontem e Hoje” 24/09/14

Contos: O Pai Espiritual Da Humanidade

Laitman_115_04O nome de Abraão (AB-am) significa “pai da nação”. Abraão é realmente o pai espiritual de toda a humanidade, pois não foi apenas o fundador de muitas nações, mas o criador de um método espiritual da correção do mundo. A ideia principal do seu método era a indicação de que o Criador é a força singular e unida da natureza, que gerencia toda a criação, que “não há outro além Dele”.

Os atributos do Criador foram determinados por ele como o “bom que faz o bem”. De acordo com seus ensinamentos, o papel da humanidade era obter a adesão com o Criador de acordo com a regra “ama teu amigo como a ti mesmo”.

Ele passou este método para seus alunos da Babilônia que se juntaram a ele e chamaram sua comunidade de “a casa de Abraão” (Beit Abraão), que se refere aos seus alunos e à sua família. Mais tarde, Abraão levou seu grupo de alunos para fora da Babilônia, o que significa que se desprendeu de todos os outros estudos e alcançou o Criador e estabeleceu um método independente que ele expressou no Livro da Criação (Sefer Yetzirah), o qual, em grande parte, complementou a obra de Adão, O Anjo Raziel (Sefer Raziel HaMalach).

Abraão colocou os fundamentos do método para a obtenção correta do Criador, para a obtenção de Seu nível e adesão a Ele. Todos os outros Cabalistas só desenvolveram a sua teoria adicionando o seu trabalho prático. Como o ego continuou crescendo em todas as gerações, isso permitiu o desenvolvimento do método de Abraão nos próximos níveis de acordo com as condições num determinado período de tempo.

Portanto, não podemos dizer que temos algo novo hoje. Tudo o que é revelado é revelado pelos Cabalistas, começando com Adão até os nossos tempos, mas o caminho certo começa com Abraão, embora exista o nascimento espiritual único em todos os níveis ao longo deste caminho chamado de “filhos de Abraão”.

De KabTV “Contos” 15/10/14

Contos: A Fonte Das Práticas Espirituais

Dr. Michael LaitmanA antiga Babilônia foi o berço de diferentes correntes e métodos espirituais. Antes da idade de Abraão, os babilônios viviam em paz, amor e amizade, como os seguidores de Noé lhes ensinaram. No entanto, após o crescimento do ego, eles começaram a se afastar uns dos outros e se dividiram em vários grupos.

Cada grupo começou a adorar outro deus (atributo ou força), como resultado de sua inclinação interior. Não era uma simples adoração de pedras e árvores, mas das forças da natureza. Assim, muitos deuses que incluíam magia negra e branca, astrologia e outros métodos, apareceram e existem até hoje.

Abraão experimentou uma verdadeira tragédia quando percebeu que precisava se desprender de todos e criar uma escola radicalmente nova. A diferença entre a sua escola e outras escolas era enorme, pois sua metodologia baseava-se no uso de poderes negativos para atingir uma elevação positiva. Os ensinamentos de todas as outras escolas foram construídos sobre um método para aplacar as forças negativas da natureza e viver em concordância e harmonia com elas.

Abraão acreditava que não há nada de negativo no mundo. Se algo parece negativo, é apenas porque o utilizamos incorretamente. No momento em que começamos a usar corretamente as forças negativas, ascendendo acima delas, com a ajuda das forças positivas, nós imediatamente começamos a subir. Assim, as forças negativas são realmente essenciais, uma vez que todas derivam do Criador, que é bom e benevolente. É apenas o uso dessas forças que está errado. O sistema espiritual obriga uma pessoa a trabalhar sobre si mesma, a fim de posicionar corretamente os seus atributos positivos e negativos.

Ao disseminar e explicar o seu método, Abraão encontrou períodos muito sérios de conflito com seus compatriotas. Como resultado, ele teve que deixar a antiga Babilônia e separar-se totalmente de tudo no coração e na mente que ele conhecia sobre o nível anterior, ou seja, renunciar totalmente ao politeísmo e todos os tipos de práticas espirituais. Ele sabia que há apenas o homem, a sociedade onde o homem quer se parecer com o Criador, e o próprio Criador.

De KabTV “Contos” 10/10/14