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A Contradição Que Traz Equilíbrio

Laitman_707Até o momento, os estudos sobre a evolução da Terra permitem concluir que tudo tem sido gerido pela extensão e conexão. Extensão é a dispersão “generalizada”, enquanto que a conexão significa comunicação, a reunião das partes.

Essas duas forças estão agindo no nosso mundo e devem ser equilibradas. Durante a evolução e a correta integração entre elas, estas forças estabelecem sistemas muito complexos, que depois evoluem numa base de extensão e conexão do seu lado. Um não pode existir sem o outro.

Do lado da natureza, este programa funciona em perfeita harmonia entre dispersão e unificação das partes. No entanto, o ser humano insere muitas distorções no processo.

Tudo é baseado no equilíbrio entre a expansão e contração, resfriamento e aquecimento, e em outros fenômenos derivados dessas forças básicas. Elas também agiram no momento da criação da crosta da Terra quando o fogo irrompeu de debaixo dela. E depois disso, quando a Terra novamente se resfriou e se tornou sólida.

Esse ciclo continuou até que o equilíbrio foi criado: o calor se reuniu no interior da Terra, o resfriamento criou um envoltório duro e tornou possível a evolução das formas de vida vegetal e animal. De uma forma ou de outra essas forças foram projetadas para criar um determinado tipo de conexão, de modo que o aquecimento e resfriamento colaboraram entre si de uma forma equilibrada. Portanto, para onde está nos levando tudo isso? Qual deve ser o nosso próximo estado?

Aqui nós chegamos a um pensamento surpreendente. Os seres humanos estão vivendo na sociedade humana; nisso eles diferem da natureza inanimada, vegetal e animal. De um aspecto social, nós estamos nos tornando uma humanidade única e global onde tudo está integralmente conectado a tudo o resto.

Isso significa que, aparentemente, nós temos que proteger e criar um equilíbrio entre as duas forças: a força centrífuga (que foge do centro para fora), que nos distancia um do outro, e a força centrípeta dirigida para o centro, conectando-nos uns com os outros. Esses dois fatores, para fora e para dentro, devem estar em equilíbrio.

Mesmo que um deles ocasionalmente supere o outro, é assim que nós avançamos em nosso desenvolvimento, movendo um pé e depois o outro. De qualquer forma, manter um equilíbrio entre as duas forças cabe a nos.

E aqui reside o problema. Nós realmente usamos a força de conexão e a força de distanciamento, mas as exploramos egoisticamente. Por exemplo, eu estou pronto para me conectar com outras pessoas para bater em alguém ou conseguir alguma coisa. Em outras palavras, nós não nos conectamos com o propósito da evolução, mas para extrair benefício da luta entre nós.

A verdade é que nós também vemos uma luta constante na natureza, ainda que no nosso nível humano os conflitos não sejam geridos instintivamente. Aqui cabe a nós integrar essas duas forças básicas de uma maneira diferente, conectando uma com a outra. Aqui estamos falando da construção de uma espécie humana totalmente diferente: a nova sociedade.

Primeiro de tudo, a nossa unificação geral humana deve ser completa e absoluta. Ela deve utilizar todas as forças de distanciamento, separação, ódio, etc.

Em princípio, esta conexão é projetada para criar a partir da sociedade humana em todo o mundo um todo único que vai viver em outro nível de compreensão e realização como uma única entidade, como um só corpo. Então nós seremos “células” desse “corpo” coletivo e vamos sentir uma nova forma mais elevada de existência do que aquela quando cada um de nós estava separado. Esta é a conclusão que podemos tirar do que vemos hoje.

De KabTV “Uma Nova Vida” 02/03/14

Os Filhos Do Universo, Parte 10

Dr. Michael LaitmanPergunta: Você está dizendo que até agora nós temos estudado a natureza de uma forma limitada, subjetiva, já que baseamos nossos estudos em nosso ego que limita cada pesquisa.

Isso significa que não devemos inventar novos telescópios, microscópios e aceleradores de partículas, mas sim algo que seja totalmente diferente. Que tipo de instrumento nós precisamos para estudar o universo?

Resposta: Nós precisamos de um novo programa para a humanidade. A natureza nos fez egoístas, e, nesse sentido, não somos muito diferentes do nível animal. Nós só inventamos diferentes ferramentas e instrumentos e agora temos bombas atômicas e outras armas em nossas mãos, em vez de um pedaço de pau. Nós temos avançado na mesma direção através da nossa evolução.

Mas, se quisermos realmente sair de nossa bolha e não continuarmos sendo o verme que vive no interior do rabanete amargo, que percebe isso como todo o seu mundo, nós precisamos prestar mais atenção e fazer mais esforços para a aquisição de uma segunda natureza. Nós temos que tentar nos programar de novo nesse sentido, de modo que os dois tipos de natureza serão integrados dentro de nós: tanto a nossa velha natureza que recebe e a nova natureza que doa e dá.

Então, nós vamos ver realmente a outra metade do universo, do mundo, ou mesmo mundos, e também vamos ver a razão para tudo o que acontece. Na verdade, ao estuda a natureza da doação é que nós atingimos e aprendemos sobre nossa raiz e seu plano. Caso contrário, se ficarmos dentro, não vamos descobrir ou saber nada sobre nós mesmos e simplesmente continuaremos a melhorar os nossos brinquedos mecânicos e tecnológicos e nada mais do que isso.

O novo nível é a tecnologia interior de uma pessoa, sem quaisquer truques inteligentes que criamos com o ego. É um método de aquisição do poder de doação, e é a parte da natureza que nós só temos que adquirir para que ela esteja vestida em nós e forme o sistema de uma percepção paralela dentro de nós.

Pergunta: Como isso afetará nossas vidas diárias?

Resposta: Em primeiro lugar, nós vamos descobrir como e para que devemos viver e como melhorar nossas vidas. O próprio universo se originou a partir destas duas forças, e estabelecendo a cooperação mútua destes dois sistemas de recepção e doação dentro dele, nós nos elevamos sobre eles até o pensamento que criou o universo. Assim nós realmente ascendemos, e não apenas simbolicamente, ao estado infinito eterno.

De um modo geral, nós nos desenvolvemos rumo a esta questão básica de um jeito ou de outro. Não é apenas uma questão sobre a razão de nossos sofrimentos e o sentido da nossa vida amarga, mas sobre a razão básica inicial, sobre a sua finalidade. Só o universo será capaz de nos fornecer uma resposta quando subirmos acima da atração egoísta, que, por enquanto, é simbolizada pelo nosso planeta Terra.

Pergunta: Onde está o campo de trabalho onde podemos desenvolver adequadamente as forças de doação dentro de nós? Trata-se das minhas relações com o universo ou com outras pessoas?

Resposta: Trata-se de relacionamentos com outras pessoas, porque elas são, na verdade, a matéria mais desenvolvida. É pela cooperação mútua e por minhas interações com elas que eu posso desenvolver uma segunda natureza.

Isto me permite descobrir coisas novas no universo. Quando eu saio de mim mesmo, eu vejo uma dimensão diferente através do prisma da força de doação em que o espaço não tem significado. Eu olho para o mundo acima da matéria.

De KabTV “Uma Nova Vida” 02/03/14

Os Filhos Do Universo, Parte 8

laitman_527_03Hoje nós estudamos a natureza apenas com o poder de receber, que é o nosso atributo inicial, primário. Eu sempre aspiro a receber o que é bom para mim. É assim que eu vivo e é assim que eu sou; este é o meu pensamento consciente e meu inconsciente e não posso pensar de outra maneira.

Isso é porque eu nasci como resultado da evolução da natureza inanimada, vegetal e animal. Cada matéria aspira a se diferenciar e classificar da maneira mais eficiente ao resistir a qualquer coisa que possa causar-lhe mal, descansando em paz o melhor e mais seguramente possível em relação às outras partes. Portanto, eu me preocupo constantemente em como fornecer tudo o que preciso na melhor, mais segura e mais confortável maneira em relação aos outros.

Esse atributo é típico de todas as formas de matéria, incluindo a natureza inanimada que passivamente se protege. No nível vegetal, o ambiente já é utilizado: os organismos produzem substâncias úteis do solo, consomem oxigênio ou dióxido de carbono, etc.

Processos metabólicos ocorrem neles, e eles sabem como usar o ambiente a fim de crescer à sua custa. Criaturas no nível animal crescem não só graças ao ambiente inanimado, mas também graças ao vegetal e o animal. Os animais comem as plantas e outros animais.

Ao mesmo tempo, todos os organismos se desenvolvem e se multiplicam, e tudo é baseado no desejo inicial de se proteger o máximo possível, afastando-se de qualquer coisa que seja prejudicial e aproximando-se do que é benéfico. Tudo isso é a essência da força egoísta de recepção que está em todas as criaturas.

Quanto ao homem, ele conseguiu nesse sentido mais do que todos os outros níveis. Ele tem prazer ao tomar recursos de outros, mesmo que não precise deles, uma vez que isso o eleva e torna mais importante quando comparado com outros ao seu redor. Ele se livra e se afasta daqueles que podem prejudicá-lo e mantém próximos somente aqueles de quem pode se beneficiar. Ele não se avalia no âmbito do ambiente mais próximo, mas em relação a todo o mundo ao longo do tempo.

O ego humano é altamente desenvolvido, e sua percepção, a sua visão do mundo, está enraizada em nosso programa interno. Não importa o que eu percebo com os meus sentidos, eu só vejo o que quero ver e não o que realmente acontece na realidade.

Eu não presto atenção em nada que não pertença a minha existência corpórea, ao meu desejo de receber. Coisas neutras que não são prejudiciais ou benéficas para mim não estão no meu campo de visão. Eu simplesmente não posso identificá-las.

De KabTV “Uma Nova Vida” 02/03/14

Os Filhos Do Universo, Parte 9

Dr. Michael LaitmanNós somos muito limitados. Nós estudamos todo o universo e a nós mesmos através dos nossos cinco sentidos, calculando nosso ganho e perda.

Isso nos limita muito, porque não vamos além de nós mesmos e não vemos realmente o que está do lado de fora. Em vez disso, nós passamos tudo através do nosso sistema interno e decidimos se ele nos faz sentir bem ou mal.

Como resultado, há muitos fenômenos que não vemos e nós não distinguimos as muitas forças no nosso universo ou em universos paralelos. É porque elas simplesmente não nos interessam e não afetam o nosso ego, o nosso desejo de receber prazer.

Se eu pudesse identificar a conexão entre uma coisa e meu sucesso, eu certamente iria estudá-la e descobrir um novo fenômeno. Se eu não vejo essa conexão, eu sou cego para qualquer fenômeno.

A razão é que eu não tenho uma segunda força, a força de doação. Eu sou totalmente feito de força de recepção.

Comentário: Mas há também fenômenos nos quais vemos a conexão, mas não podemos distingui-los. Por exemplo, nós gostaríamos muito de saber sobre os desastres naturais com antecedência para que pudéssemos nos proteger deles. Isto é muito benéfico, mas ainda estamos desprotegidos em face de furacões, terremotos, etc.

Resposta: Claro que existem fenômenos que acreditamos existir, mas eles são como a matéria escura. Nós assumimos que eles existem e que são relacionados a nós, mas não podemos identificá-los. Mas isso é uma questão de busca num nível diferente.

Eu, por outro lado, estou falando de uma falha fundamental em nossa percepção, sobre o fato de que não está em nosso poder realmente ver de forma alguma, nem mesmo teórica ou hipoteticamente.

Se adquiríssemos a força de doação, a força para sair de nós mesmos e se pudéssemos remover a limitação de nossas mentes e desejos egoístas, nós estudaríamos verdadeira e objetivamente o que é externo a nós. Nós estudaríamos isso com uma mente e coração externos.

Então nós poderíamos revelar mundos inteiros e completar a imagem distorcida e fragmentada que vemos hoje.

Agora parece que vivemos numa bolha que é totalmente atraída para dentro e colapsa em si mesma. Nós vemos, sentimos e estudamos somente o que é percebido pela gravidade egoísta. É também onde existe o nosso universo, que parece tão imenso e infinito para nós. É tudo dentro dessa pequena bolha de nossa percepção.

A menos que adquiramos uma segunda força que nos permitirá sair dos limites de nossos atributos, não vamos descobrir o que está do lado de fora.

De KabTV “Uma Nova Vida” 02/03/14

Os Filhos Do Universo, Parte 6

Laitman_077Nós vemos o sistema solar e os planetas que orbitam outras estrelas e o fato interessante é a complexidade dos sistemas em que cada parte influencia as outras. Por séculos as pessoas têm encontrado diferentes sinais dessas influências ao olhar para o céu, e estes sinais são verdadeiros.

Nós temos, por exemplo, alguma ideia de como a lua nos afeta. Certos fenômenos são conhecidos, mas não temos qualquer conhecimento real.

De um modo geral, muitas forças certamente operam e nos influenciam, e nós temos que continuar a estudá-las. A influência do universo é imensa, mas está oculta de nós por causa de nossas próprias limitações.

Na verdade, nada é escondido na natureza, mas depende da essência do pesquisador. Infelizmente, nós não prestamos atenção suficiente a este aspecto. Caso contrário, saberíamos muito mais sobre o universo, incluindo, por exemplo, a influência da lua sobre o nível dos oceanos, o ar, as nossas doenças, e assim por diante.

Mas não, o homem é atraído para o que ele pode usar mais tarde na indústria, guerras, etc. Este tipo de conhecimento parece valioso para ele, enquanto os objetos celestes, próximos e distantes, estão além do nosso controle e não parecem oferecer qualquer benefício porque não atraem nossas mentes e corações e, portanto, não atraem recursos suficientes. Este tipo de pesquisa foi considerado mais valioso do que no passado.

Um dos elementos básicos do universo é a lei da gravidade. O que é isso? Ninguém sabe. A natureza da força da gravidade e sua causa são um mistério para nós.

No seu conjunto, nunca sabemos as verdadeiras razões para o que vemos e apenas estudamos o resultado dos fenômenos que encontramos, que resume toda a nossa ciência. Não perguntamos por que, mas o que e como. Em outras palavras, aprendemos a usar as forças do universo, incluindo sua matéria. Sabemos como fazer isso no curto prazo, mas não conseguimos alcançar e compreender as razões principais, a natureza básica dessas forças.

Mas, basicamente, é outra coisa. Nossa limitação torna-se um problema quando descobrimos que sem conhecimento do sistema geral, não conseguimos ter sucesso nem em nosso pequeno planeta.

É surpreendente que a natureza inanimada, vegetal e animal não tenha perguntas como: “viver ou morrer?” ou “como viver?”. Todas as criaturas se dão bem com o seu ambiente instintivamente, e da melhor maneira possível, sem dominar e governá-lo, aspirando a obter o máximo pelo mínimo esforço. A natureza contém todos estes níveis de uma forma egoísta tão simples.

Mas o homem não pode conviver de forma semelhante; ele aspira a mudar de ambiente, mudar os outros. Portanto, ele é forçado a aprender, estudar, explorar e avançar. Este impulso interno está em nossa natureza e devemos prover a nós mesmos com a quantidade necessária de informações, opções e potencial.

Além disso, nós temos tal sede de saber qual o significado da vida, que alguns de nós até olham para o universo repetidamente, uma vez que é a fonte do nosso nascimento. A Terra é o seu resultado, o nosso berço, mas, na verdade, nós vimos do espaço exterior, onde começamos. Como podemos conhecer a nós mesmos, se não sabemos a nossa origem, as forças e as razões que formaram o nosso planeta e tudo o que está nele, inclusive nós mesmos?

Se estivéssemos envolvidos seriamente nisso, aprenderíamos alguma coisa, mas, em vez disso, olhamos para o nosso pequeno planeta como crianças numa caixa de areia: quem tem mais, quem foi bem sucedido e quem não… Nós nos recusamos a aceitar o ponto de vista da nossa evolução fora da caixa de areia, não no sentido planetário, mas num sentido muito mais amplo.

De KabTV “Uma Nova Vida” 02/03/14

A Resolução Da Alma

Dr. Michael LaitmanÉ muito importante verificar-se: “O que me preocupa?” Cada momento que eu me sinto vivo e bem, eu estou cheio de preocupações. Então o que me preocupa?

Eu estou preocupado com meu próprio bem-estar, tranquilidade, realização, o que vai me fazer mais feliz: paz, segurança, comida e bem-estar familiar?

Ou eu estou preocupado com os amigos, como uma mãe com um bebê, buscando o que lhes falta e o que deve ser feito por eles? Eu me preocupo com o grupo como uma fiel babá? Isso significa que tenho que verificar a intenção das minhas preocupações.

Toda a criação desceu gradualmente ao nosso mundo no qual existimos na forma física e na situação mais inferior. Nós sentimos como se estivéssemos desconectados do mundo espiritual, quando, na verdade, isso não pode acontecer. Portanto, este mundo é chamado de mundo imaginário.

Nós achamos que existimos num mundo vasto, cheio de objetos físicos. No entanto, na verdade, é tudo espiritual, mas nós não reconhecemos ou sentimos isso.

Portanto, é muito importante verificar com que eu estou preocupado em cada momento. Entrar no mundo espiritual significa continuar a se preocupar com o que é essencial e vital na vida: comida, sono, saúde, dinheiro e relacionamentos com as pessoas, mas no fundo, eu sempre estou preocupado com o pensamento de como organizar o grupo para que ele se torne a Shechina (Divindade), um local para descobrir o Criador.

Eu devo me habituar a ser feliz com a minha preocupação com o grupo. Se eu paro de me preocupar com isso, então eu me preocupo porque não estou preocupado com os amigos. Isto deve se tornar habitual. Em nosso mundo, o hábito se torna uma segunda natureza.

Suponha que eles me dão um bebê que é um estranho, por quem não tenho sentimentos. Mas eu não tenho outra escolha, sou obrigado a me preocupar com ele dia após dia. Eu começo a me preocupar com ele, e ele se torna importante para mim. Em última análise, eu começo a pensar o tempo todo. É a mesma coisa em relação ao grupo. Nós devemos atingir este estado que é possível apenas graças à determinação, e retornar constantemente aos meus pensamentos sobre o grupo.

E depois de todos esses bons planos sobre como cuidar do grupo, sobre o meu apoio a ele ao atrair a Luz até ele, sobre o Criador e dar-Lhe satisfação, eu devo me perguntar onde Ele está e onde eu estou inconscientemente. Eu sempre devo esclarecer porque estou fazendo tudo isso. Certamente, eu espero receber alguma recompensa, mas o que exatamente?

Pode ser que nesse meio tempo, eu não esteja pronto para imaginar uma recompensa para mim. Pode ser que eu entenda que depois, pelo meu esforço, eu exija controle, respeito e transcendência da vida e da morte, algo tangível e muito importante para mim. E aqui eu devo examinar o que é mais importante para mim: a minha recompensa ou a capacidade de dar satisfação aos amigos e o Criador?

Será que eu posso renunciar à recompensa, ou pelo menos parte dela? E quando me abstenho de uma recompensa, não a substituo por algo mais, além de fama e da busca por honra?

O que significa dar prazer ao Criador? De que forma eu posso fazer isso e com quais desejos eu sinto isso? Através do que eu vou sentir que o Criador recebe prazer de mim? É necessário tentar separar meus desejos e a separação em tantas partes quanto possível e ver como trabalhar com eles. Quanto mais parâmetros eu tiver, mais vou desenvolver minha percepção.

É como pixels numa tela de computador que determinam a sua resolução: em um centímetro quadrado pode haver 200 pixels, poderia haver mil ou dez mil. Quanto mais pontos existirem, melhor, e mais clara se torna a imagem.

Acontece a mesma coisa também com nossos desejos. Quanto mais nós os examinamos, mais perto chegamos da verdade, da verdadeira percepção.

Da Convenção em Los Angeles “Dia Dois” 01/11/14, Lição #4

Os Filhos Do Universo, Parte 4

Dr. Michael LaitmanAs pessoas que estudam as leis do universo sentem que todo o universo é um programa, um pensamento. A característica mais importante desse sistema é que ele é unificado. Todas as suas partes estão interconectadas. Isto é verdadeiro mesmo no âmbito de nossas atuais mentes racionais.

Cada parte do sistema originado pelo Big Bang continua a se desenvolver em várias direções, dando assim origem a uma multiplicidade de fenômenos. No entanto, todos os seus elementos agiram de acordo com as leis do sistema.

Não existe tal coisa como a coincidência. A anarquia, que é tão típica na sociedade humana, não é possível na estrutura do universo. Tudo o que existe tem causas e consequências. Isso significa que, de acordo com a lei de interação entre os diversos elementos e forças, os efeitos depois do Big Bang constituem um sistema unificado, fechado.

Não é por acaso que no tempo antigo as pessoas sabiam como prever o seu destino, previram os grandes eventos que ocorreram na face da Terra, previram o clima e outros fenômenos que ocorreram sob a terra e no ar só de olhar para as estrelas. Isso significa que as experiências ao longo de milhares de anos de exploração do céu, da natureza, do clima, e dos seres humanos lhes permitiu rastrear conexões que existiam entre todos os elementos. Eles foram capazes de criar várias tabelas que refletem vários campos do conhecimento, tais como astrologia, astronomia e muitas outras ciências.

No longo prazo, todos nós estamos buscando a conexão, uma vez que, consciente ou inconscientemente, reconhecemos que tudo o que existe constitui um sistema unificado, global.

Nós temos que admitir que o progresso do universo não é apenas com relação ao nascimento ou difusão de partículas de matéria que ainda existem hoje. Para ser franco, essa é a nossa percepção subjetiva, ao passo que a questão mais importante é totalmente ignorada: isso é realmente assim ou é algo que imaginamos em nossos órgãos de percepção?

A pessoa deve julgar de acordo com o que os seus olhos veem. Assim, as partículas que se espalharam começaram a se reunir em grupos. Com o tempo, a energia inicial gerou vários tipos de massas e objetos. Não importa se eles eram nuvens de gás, estrelas, ou material planetário, etc. Todas estas partículas foram reunidas por uma força de concentração e atração entre as substâncias. Em outras palavras, por um lado, o processo de difusão dos elementos continua, mas, por outro lado, eles se reúnem e se unem.

A tendência de difusão destina-se a preencher o universo. O Big Bang criou o lugar, ou seja, o espaço que consideramos sem fim (ainda que não exista justificativa deste fato). É como se nós olhássemos num buraco escuro e disséssemos que é sem fundo. A questão permanece: será que o nosso universo realmente se expande ou o modelo de engrandecimento reflete apenas a nossa percepção dele? Nós devemos sempre ter isso em mente.

O problema é que quando nós tomamos medidas do universo, não adicionamos a ressalva de que o fazemos apenas de acordo com a nossa percepção humana.

Assim, há uma tendência de preencher o espaço onde as partículas foram criadas pela energia explodida de acordo com o programa universal de base. Como podemos ver, o processo de criação da matéria se refere a partículas, pedaços de matéria, reunindo-se em blocos maiores e tomando várias formas (positivas e negativas) ao se aproximar ou desconectar e se afastar uma da outra.

Desnecessário dizer que nós estamos simplesmente usando os termos que fazem parte do nosso vocabulário corrente. Até agora, este processo demonstra uma dinâmica rápida, que continua a uma velocidade que está muito além da nossa compreensão.

De KabTV “Uma Nova Vida” 02/03/14

Filhos Do Universo, Parte 5

Dr. Michael LaitmanNós encontramos muitas surpresas quando estudamos os atributos físicos do universo. Se antes nós acreditávamos que a radiação e as partículas não podiam penetrar sólidos, nós sabemos agora que isso não é assim.

O microcosmo abriu uma imagem verdadeiramente surpreendente diante de nós. Muita coisa mudou em nossa compreensão do universo e do lugar do homem nele.

Além disso, é tudo porque nós nos recusamos a seguir toda uma abordagem ideológica, concordando que não entendemos, sentimos ou conhecemos a criação, e que temos que estudá-la desde o início. Assim, a ciência tem se afastado da religião e deixou suas limitações, o que foi muito útil.

Essa luta durou séculos e até hoje os ecos da igreja e as objeções de outras instituições religiosas a uma grande variedade de abordagens científicas ainda são ouvidos. Embora este estudo não acompanhe sua fé, as crenças básicas foram aceitas, uma vez que ajudaram a controlar as pessoas e as coisas. O nosso conhecimento do universo é muito limitado, e ultimamente temos chegado à conclusão de que a nossa visão da realidade é parcial e fragmentada. Mesmo que fôssemos capazes de compreendê-la como um todo, os dados da investigação indicam que pode haver universos paralelos. Nós simplesmente ver isso sem pressupostos, nossas fórmulas não concordam, e por isso temos de levar em conta esta possibilidade.

Depois, há dúvidas sobre a conexão entre os universos, e sobre a passagem de um para outro num nível mais elevado que nos rodeia, mas que não é acessível em nossa percepção. Caso contrário, os nossos dados atuais não se alinham.

É claro, nós estamos buscando vida inteligente em outros planetas. Na minha opinião, ela não está lá, e o nosso pobre planeta é o único onde vivem seres inteligentes, poluindo e estragando a natureza inanimada, vegetal e animal.

Que planeta maravilhoso ele poderia ser se fosse simplesmente coberto com plantas. Nós também podemos adicionar alguns animais, mas algumas pessoas já é demais.

Falando de forma séria e geral, a vida neste planeta é de fato um fenômeno raro. Para que a vida surgisse, tinha que haver combinações muito específicas de diferentes parâmetros e forças da natureza que permitiram que partículas se conectassem em novas formas e adquirissem atributos novos e únicos de procriação no processo de evolução biológica. Este é um nível totalmente novo em relação ao resto do universo.

De KabTV “Uma Nova Vida” 02/03/14

Assim O Tempo Não Escorrega Por Entre Os Dedos

laitman_423_02Pergunta: No nosso tempo, a maioria das pessoas sente que o tempo aparentemente escorrega por entre os dedos. Nós lidamos com questões prementes e urgentes, e o que é mais importante nós deixamos para mais tarde. Como podemos usar o tempo para perceber cada minuto de forma otimizada? Existe o conceito de “perda de tempo”?

Resposta: Claro! Mas tudo é relativo. A humanidade tem evoluído ao longo da história por milhares de anos. A pergunta é: Será que eu posso crescer mais rápido do que a minha geração, acelerar o tempo como se saltasse ao longo de décadas? Se não, será que eu posso perceber com sucesso o tempo na minha geração?

Eu vivo no período de tempo em que nasci. Será que eu posso usar esse tempo de forma mais eficaz? E o que significa “mais eficaz”?

Suponha que eu possa preencher a minha vida satisfazendo os desejos básicos por comida, sexo, família, riqueza, fama e conhecimento, inerentes a cada pessoa numa determinada combinação, dependendo de qual importância ela atribui a cada um deles. Esta combinação de seis desejos, definindo o propósito na vida, nos torna diferentes uns dos outros.

Mas se falarmos sobre a realização do meu desejo geral no qual, por exemplo, 10% do desejo é por comida, 20% por sexo, 10% por família, 20% por riqueza, 40% por poder e conhecimento, a questão que surge é se eu fico nos mesmos desejos com os quais eu nasci? Nós vemos que não. Minhas aspirações dependem da sociedade em que estou, na medida de sua influência sobre mim.

Eu posso usar minhas propriedades, inclinações e desejos de acordo com o ambiente. Ou seja, o ambiente influencia a maneira como vou usar todas as minhas inclinações para atingir o prazer. De fato, os desejos por comida, sexo, família, riqueza, honra e conhecimento são as fontes de prazer com as quais eu quero me satisfazer. Em essência, eu sou o desejo de desfrutar.

A questão é como a sociedade em que existo me afeta. O entorno pode de repente aumentar o meu desejo pela ciência, poder ou dinheiro, e comida, sexo e família vão perder a sua antiga importância para mim, e eu vou usá-los apenas para alcançar fama ou poder. E isso pode acontecer de maneira oposta.

Depende de como a pessoa se realiza na sociedade. Embora suas inclinações naturais sejam muito importantes e com o tempo ainda dirijam uma pessoa para um determinado nicho, que lhe é peculiar.

Mas há sempre uma luta entre o indivíduo e a sociedade. O indivíduo quer se realizar, tanto quanto possível com a ajuda da sociedade, e a sociedade quer absorver a identidade e usá-la em seu próprio benefício, tanto quanto possível e não levar em conta as personalidades. Afinal, a pessoa não tem valor intrínseco para a sociedade; só importa como eles estão integrados nela.

Se eu quiser gerir o meu tempo, eu devo estar desenvolvido o máximo possível, tanto em termos pessoais como sociais, porque só na conexão entre eles ou em sua fronteira eu vou encontrar a minha realização pessoal ideal.

Afinal de contas, eu deveria sentir para onde a sociedade está caminhando, qual o seu objetivo, para onde eu sou direcionado de acordo com as minhas inclinações naturais, qual seria o objetivo se eu pudesse mudar o mundo inteiro para o meu próprio benefício, o que poderia existir na conexão entre eu e a sociedade, e como eu me realizo com a ajuda da sociedade em que existo.

Isso significa que eu vou gerir o tempo da minha vida, percebê-lo da forma mais eficaz.

De KabTV “Uma Nova Vida” 22/04/14

A Partir Da Ilusão Da Perfeição

Laitman_703_04Pergunta: Como um Cabalista sente a nossa vida?

Resposta: Um Cabalista sente a nossa vida apenas como meio de entrada numa dimensão mais elevada e crescente na escada de níveis espirituais.

Tudo o que existe no nosso mundo e em sua própria vida é apenas uma condição para uma maior elevação espiritual. Portanto, um Cabalista se relaciona com o nosso mundo de uma forma prática, clara e estrita.

Claro, ele pode desfrutar de todas as coisas materiais: música, literatura, arte, natureza, etc. Mas dentro dele há sempre uma diretiva muito clara: eu faço isso para avançar na realização do mundo superior. Ele sente toda a fragilidade, insignificância e ilusão do nosso mundo, e entende que isso surge em sua mente de propósito.

Assim como as imagens que vemos na tela do computador não são senão sinais elétricos que criam imagens no plasma, da mesma forma, vários sentimentos humanos são apenas sinais elétricos, nada mais. O Cabalistas entende a ilusão de qualquer sentimento material: positivo ou negativo. Ele vê que tudo o que nos rodeia existe apenas em nossa percepção, dentro de nós.

Portanto, ele não tem medo da morte. Ele sabe que seu corpo físico deve morrer, mas a realização do mundo superior, a chamado alma, vai existir na medida em que for corrigido ainda no corpo e puder continuar ainda mais a sua correção.

De KabTV “Contos” 22/10/14