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O Papel Da Nação De Israel

Dr. Michael LaitmanPergunta: Qual é o papel de Israel hoje e dos judeus em particular?

Resposta: O papel de Israel foi descoberto pela primeira vez na antiga Babilônia, quando um dos grandes sábios daquela geração, o sacerdote babilônico Abraão, proveu uma resposta para o que estava acontecendo lá.

Naquela época, a Babilônia estava passando os mesmos processos que o mundo está passando hoje: uma pequena sociedade de três milhões de pessoas, que era quase a civilização do mundo na época, de repente começou a se afundar em ódio mútuo por causa da erupção repentina do ego.

Até então, os babilônios viviam como uma pequena sociedade entre os rios Tigre e Eufrates, e tudo estava bem. Porém, quando o grande ego entrou em erupção, descobriu-se que, por um lado, eles estavam integralmente conectados entre si, e por outro lado, não poderiam existir em conjunto egoisticamente. Portanto, o termo da Torre de Babel simboliza o ego que, literalmente, cresceu para o céu.

Isto é o que está acontecendo hoje. Por um lado, nós descobrimos que as pessoas estão mutuamente conectadas entre si e, por outro lado, se odeiam. As duas forças que operam mutuamente dentro de nós precisam de uma solução, pois, caso contrário, vamos chegar a um beco sem saída.

Uma dessas duas forças, a força da natureza, nos une e nos mostra a globalização e a conexão mútua entre todos e para com todos. Essa força nos fecha integralmente e nos mostra que somos um corpo inteiro. A segunda força é a força humana egoísta que nos separa desde dentro, nos separa, e não nos permite ser um todo.

Estas duas forças foram estudadas pela primeira vez na antiga Babilônia e houve duas respostas à pergunta “o que devemos fazer?”.

A primeira resposta foi dada por Nimrod, o rei de Babilônia, que decidiu que os babilônios não tinham escolha, exceto se separar e se afastar uns dos outros. Ele desintegrou seu reino temendo que seus súditos começassem a se destruir mutuamente. Este é o lugar de onde vem o conceito da construção da Torre de Babel, e seu resultado foi a dispersão das pessoas e a mistura das línguas, que era um sinal de que as pessoas deixaram de se entender.

Essa foi a maneira de resolver o problema, mas hoje, os babilônios modernos não têm para onde ir, pois não temos outro planeta. Por isso, nós lidamos com a questão que temos que responder.

A segunda solução foi dada por Abraão, um dos principais sacerdotes na antiga Babilônia. Abraão entendeu que o ego nos separa do interior, enquanto as forças externas da natureza, que nos aproximam, foram dadas a nós de propósito para que possamos subir acima delas e nos assemelhar à natureza. Isso significa que vamos trabalhar contra o nosso ego na conexão entre nós.

Como isso pode ser feito? Como a pessoa pode se opor à sua própria natureza? Abraão sugeriu a organização de pequenos grupos de pessoas que começariam a se conectar, e em suas tentativas de se conectar, iriam extrair a força externa da natureza que seria revelada internamente entre elas, corrigindo e elevando-as acima de si mesmas.

O principal objetivo da natureza é levar a humanidade ao estado de “Ama teu amigo como a ti mesmo”, quer gostemos ou não. O problema da separação deve ser resolvido imediatamente, e somente desta maneira.

Cerca de cinco mil seguidores se juntaram a Abraão. O grande filósofo do século XII, Rambam, escreve sobre isso, e isso também está contido em escritos anteriores, como no Midrash Raba e outras fontes.

O Sefer Yetzirah (Livro da Criação) é o único livro remanescente escrito por Abraão, e ele nos fala sobre todo o sistema da natureza que afeta toda a sociedade humana.

Liderados por Abraão, 5000 pessoas deixaram a Babilônia e foram para a terra de Canaã, a terra da Israel moderna. Abraão ensinou-as a subir acima do ego na conexão entre si de acordo com os antigos mandamentos judaicos de “ama teu amigo como a ti mesmo”, “não faça aos outros o que é odioso para você” e “ser como um só homem em um coração “, etc. Este grupo é conhecido pelo nome de Israel, o que significa Yashar-El, direto ao Criador, assemelhar-se à natureza. Afinal, o Criador não é um quadro na parede ou um vovô sentado numa nuvem. O Criador é a natureza! Toda a natureza é chamada de Criador.

As 5000 pessoas que deixaram a Babilônia com Abraão foram chamadas de nação de Israel, decorrente da palavra “Yashar-El“, direto ao Criador. É uma nação que não cresceu como resultado das raízes biológicas como todas as outras nações, mas de acordo com uma ideologia, um propósito que define para onde ela está indo e como ela vai estabelecer uma sociedade.

Apesar de sermos os descendentes biológicos das pessoas, infelizmente não nos parecemos com elas, porque perdemos essa ideologia. Portanto, nosso estado atual é chamado de exílio do nível espiritual que elas tinham alcançado.

Quando o povo judeu deixou o Egito e vagou pelo deserto, ele trabalhou constantemente em sua conexão. Seu ego continuou crescendo, assim como o ego da humanidade cresce de geração em geração (que é o que nos torna diferentes dos animais), e as pessoas trabalharam nele.

Isto continuou até que o ego de repente explodiu na medida em que se desenvolveu. Foi o que aconteceu na véspera da destruição do Segundo Templo, no último ano A.C.. As pessoas não podiam subir acima dele na boa conexão entre si e caíram no nível egoísta.

O Templo se refere à santidade, doação, amor ao próximo e à incorporação de todos num todo. Quando a nação judaica caiu desse nível, ela determinou o resto de sua história de 2000 anos de exílio.

Da entrevista com V.Kanevsky em Toronto, 05/08/14

Cuidar Dos Negócios

Taking Care Of BusinessPergunta: Quando o povo de Israel caiu do grau do Templo, eles se moveram como ovelhas que ficam juntas em face do perigo. Este perigo foi despertado pelo antissemitismo, que nos seguiu por toda parte. Por que foi assim?

Resposta: Isso começou quando caímos do grau do Primeiro Templo. O antissemitismo surgiu quando, tendo construído o primeiro templo, deste ponto mais alto, os filhos de Israel despencaram.

Mas isso se manifestou muito lentamente – na medida em que desciam. No começo não havia nenhuma oposição óbvia, e ainda assim, o antissemitismo já estava se manifestando durante os tempos do exílio babilônico entre o Primeiro e o Segundo Templos, na época de Nabucodonosor, a rainha Ester e Hamã.

Naquele tempo, eu diria que ele se manifestava no plano ideológico, no nível dos sacerdotes, a nível governamental, mas não no nível das pessoas comuns que ainda não entendiam essa oposição, não a viam, como podemos ver no livro de Ester.

Porém, na medida em que descemos e ficamos mais distante do princípio do “ama teu próximo como a ti mesmo”, o antissemitismo continuou a aumentar e se espalhar através das nações do mundo.

Parece que o antissemitismo é irracional em sua natureza. O povo judeu sobreviveu apesar das provações, humilhação e destruição. A tendência de assimilar não funcionou: mesmo que muitos quisessem ser como todo mundo, ainda assim não foram capazes de se tornar como os outros. Também os intelectuais nos países da diáspora eram frequentemente mais antissemitas do que as pessoas normais.

Aqui nós devemos entender que as pessoas educadas lideram o movimento antissemita, porque entendem e percebem a diferença entre as ideologias, a diferença na abordagem da vida na profundidade da realização e percepção. Eu iria inclusive mais longe falando sobre a diferença na filosofia interna do povo judeu e as outras nações.

Uma pessoa normal não pode dizer a diferença. Ela pode dizer: “Ed aí que eles são mais espertos, mas eles são mais fracos. Eles não são como nós”. Afinal de contas, há diferenças entre todas as nações e, em geral, as pessoas comuns não têm uma compreensão especial sobre estes assuntos. Mas é possível assustá-las através de insinuações contra os judeus, o que tem acontecido até mesmo em nosso tempo.

Tudo isso é muito irracional. Uma vez eu disse a uma mulher idosa na Sibéria que eu era judeu, e ela não acreditou em mim: “Os judeus têm chifres”, disse ela. E o interessante é que eu não tinha nada a dizer. Ela disse isso de uma forma tão ingênua e honesta que eu só ficava quieto. Então, se eu não tenho chifres, eu não sou um judeu.

Mas não é disso que se trata. O antissemitismo é uma consequência da descida do povo judeu do nível de sua maior conquista, o grau do “ama a teu próximo como a ti mesmo”. Se tivéssemos ficado lá em cima, ninguém teria problema conosco, não haveria nada, exceto a inveja, o bom tipo de inveja. Eles desejariam aprender conosco.

Mas assim que começamos a cair a partir deste nível, negligenciando esta altura, descendo, o antissemitismo apareceu de imediato.

Portanto, a solução é a seguinte: se nós desconsideramos a condição do “ama o teu próximo como a ti mesmo”, que devemos levar ao mundo, as pessoas começam a nos odiar conforme a nossa negligência dessa condição. Elas querem nos ver realizar este mandamento e ensiná-las.

Se nós mostrar a eles que nós observamos essa condição e que estamos preparados para ser seu professor, veremos que qualquer nação do mundo está preparado para ser nosso aluno. Esta é uma parte da natureza, não há nada que pode ser feito sobre isso. Esta preparação está enraizada neles, ea única coisa que está faltando é a nossa confiança e altura espiritual. Temos de subir para o nível de amor teu próximo como a ti mesmo e ensiná-la às outras nações. Ensine-os a amar em vez de ensiná-los a viver.

O mundo não precisa de mais nada – só deste conhecimento, desta capacidade de estar juntos devidamente interligados entre todos.

Mas, em vez disso, nós ensinamos aos outros como viver, entramos em seus negócios: ciências, arte, cultura, apesar de nenhum deles, essencialmente, ser o nosso negócio. É por isso que eles não gostam de nós, não nos querem, nos pressionam, perseguem. Esta é a forma como todo este sistema de forças funciona; na verdade, eles nos afastam inconscientemente: “Vá cuidar de seu negócio”.

Se desde o momento da nossa chegada a Israel, nós cuidássemos do nosso negócio, trabalhássemos para atingir o grau de “amar ao próximo” e iluminássemos a humanidade, todas as nações se tornariam nossos alunos leais. E não é tarde demais para começar.

De KabTV “Babilônia, Ontem e Hoje” 24/09/14

O Segredo Essencial Dos Judeus, Parte 68

Do livro, O Segredo Essencial dos Judeus, M. Brushtein

Seis Passos

Não podemos nem imaginar como nós, povo do planeta Terra, estamos próximos uns dos outros.

Você sabe quantas pessoas existem, por exemplo, entre um tecnólogo da Índia e um arquivista da Estónia? Apenas seis.

Em 2002, o sociólogo americano Duncan Watts e seus colegas conduziram um experimento impressionante.

Uma tarefa foi dada a mais de 98000 voluntários. Através de seus conhecidos, espalhados por todo o mundo, eles tinham que enviar uma mensagem de e-mail para um destinatário desconhecido, escolhido arbitrariamente para esta finalidade.

A lista de destinatários continha um professor universitário, um arquivista da Estónia, um engenheiro da Índia, um policial australiano, um veterinário do exército norueguês, e outros. Havia dezoito pessoas ao todo.

A experiência mostrou que, em média, foi necessário transmitir seis vezes a mensagem para que ela chegasse ao seu destino.

“Esta progressão de seres humanos de tal condição aparentemente anárquica para agregações cada vez maiores e ordenadas – de bandos, aldeias, cidades e estados – pode, de fato, ser entendida como um aumento gradual no tamanho e complexidade das redes sociais. E hoje esse processo continua a se desdobrar na medida em que nos tornamos hiperconectados”. (Nicholas Christakis e James Fowler, Conectados)

Nós estamos conectados através de uma rede. Nós influenciamos uns aos outros, direta ou indiretamente. Por exemplo, o café colhido no Brasil, como a vodca produzida na Rússia, as pessoas bebem em todos os lugares, com todas as consequências positivas e negativas que se seguem. Pode-se dizer que essa é uma ligação direta entre os países.

Relações indiretas incluem todas as que se relacionam com o desperdício associado com a produção do mesmo café e vodca, bem como a produção de energia necessária para isso. Tudo isso tem sido conhecido por um longo tempo.

“A humanidade, como uma substância viva, está intrinsecamente ligada com os processos materiais-energéticos do envelope geológico específico da Terra – sua biosfera. Ela não pode ser fisicamente independente dela por um minuto”. (Vladimir I. Vernadsky, “Algumas Palavras Sobre a Noosfera”)

Tendências para a unidade e a interdependência estão aumentando a cada ano, quer queiramos ou não. Quer estejamos conscientes disso ou não. O termo “globalização” há muito tempo se tornou uma palavra diária em todas as línguas. O embaixador Wu Jianmin, Presidente da universidade de Negócios Estrangeiros da China, diz o seguinte sobre isso:

“O mundo do século XXI é diferente daquela em que vivíamos antes. Nós passamos da destruição mútua assegurada à interdependência econômica.

Quer você goste ou não, a globalização está ganhando força e torna o nosso mundo profundamente interdependente. Um exemplo notável é a relação entre a China e os Estados Unidos…

Em 1972, o volume de comércio entre os dois países totalizou 5 milhões de dólares, e em 2012 chegou a 500 bilhões de bilhões

Em 1972, os investimentos norte-americanos na economia chinesa foram zero, e agora eles são de até 60 bilhões de dólares”. (Assuntos Globais).

Interconexões são uma coisa boa. É difícil argumentar. No entanto, uma consequência direta de tais relacionamentos profundos é a interdependência. Ela é carregada de consequências, e nem sempre agradável. É devido a essa relação e interdependência que a crise financeira eclodiu em 2008.

O que podemos fazer, como podemos conectar o que aparentemente não pode ser conectado? Nós precisamos de alguma metodologia especial para resolver este problema aparentemente insolúvel. Mas esta metodologia tem circulado por um longo tempo. Com a sua ajuda, Abraão conectou pessoas completamente diferentes numa única nação com um destino único.

“O conflito entre o bem e o mal que prossegue incessantemente no seio da humanidade em lugar algum atinge tal intensidade como na raça judaica. A natureza dual da humanidade em lugar algum é mais fortemente ou mais terrivelmente exemplificada”. (Winston S. Churchill,” A Luta pela Alma do Povo Judeu”)

Como Ovelhas Diante De Lobos

Dr. Michael LaitmanPergunta: Depois que o Primeiro e o Segundo Templos foram destruídos, será que o povo judeu sentia e lembrava a sua fundação criada por Abraão? Será que os filhos de Israel se lembravam em torno do que eles foram criados e consolidados? Será que esta fundação vivia entre eles?

Resposta: Sim e não.

Após a destruição do Segundo Templo, o povo caiu de ver a imagem interna da realidade, as forças governantes, tudo o que acontece no mundo, e, novamente se encontrou em ódio mútuo, rejeição mútua e distância mútua entre si, com uma indiferença que nos caracteriza até hoje.

Exilados da terra de Israel, nós passamos por muitas terras e nos voltamos para o oeste, para a Europa, para o leste, para as nações árabes, e começamos a afundar em apatia. Desde então, o que nos manteve juntos não é o poder do amor, nem pertencer a uma ideia, nem reciprocidade, conexão e ajuda mútua, nem qualquer cálculo, mas apenas o desejo de sobreviver. Nós ficamos presos um ao outro como ovelhas num rebanho diante de lobos, mas não nos mantivemos juntos.

Basicamente a nossa situação tem sido assim durante todo o exílio até o dia de hoje, que é todo os dois mil anos.

Pergunta: Que papel a religião cumpriu nisso?

Resposta: A religião ajudou as pessoas neste estado de absoluto desprendimento das fontes espirituais, da compreensão, de tudo. Ela simplesmente reforçou e os apoiou neste estado baixo e abjeto para que as pessoas pudessem estar envolvidas na realização de algum tipo de atividades mundanas, também chamado de Mitzvot, e, assim, manter-se desta maneira. A religião é o que resta e o que foi dado ao povo depois da destruição do Templo, em vez da sabedoria da Cabalá.

A sabedoria da Cabalá abre os céus, revela o Criador, e revela o poder da unidade ao povo. Ao realizá-la entre eles, eles descobrem o Criador, que é encontrado entre eles e que torna possível para eles viverem dentro de uma sensação de uma realidade completamente diferente.

E quando tudo isso se perdeu, nós adquirimos nossa forma atual. Isto diz respeito a todos, com exceção de alguns Cabalistas em cada geração que escreveram livros e desenvolveram esse método, e que continuaram a trabalhar para alcançar o Criador e a unidade entre nós.

De KabTV “Babilônia Ontem e Hoje” 24/09/14, Parte 7

Os Judeus Foram, São E Serão Culpados Por Tudo

Dr. Michael LaitmanDe M. Brushtein:

Durante esses últimos dias de calor, os mísseis do Hamas, acompanhadas por alarmes, visitaram regularmente todo o território da nação de Israel. Enquanto isso, o sistema antimíssil, a cúpula de ferro, foi bem sucedido em interceptar os hóspedes não convidados. Em seguida, o IDF (Força de Defesa Israelense) iniciou uma operação terrestre.

Junto com isso, no fundo de nossos corações, todos entenderam que não havia solução militar, política ou outra solução racional para este problema. Foi possível tentar diminuir o problema na agenda, confundir todo mundo ou fingir que ela não existia, mas não havia nenhuma solução verdadeira, e não haverá.

Por que é impossível convencer, relaxar, ou, em última instância, aniquilar aqueles que odeiam Israel? É porque todo mundo sente, ou pelo menos assume, que Israel e os Judeus são sempre os culpados por tudo.

Os judeus foram, são e serão culpados por tudo. Todos eles são os culpados, mesmo aqueles que estão apenas prestes a nascer. Os judeus são os culpados pelo estabelecimento da polícia soviética, e também são culpados por destruir esta polícia. Os judeus que saem são os culpados por sair, e os judeus que ficam são os culpados por ficar. (V. Boinovich, autor russo, poeta e dramaturgo)

Há aqueles que pensam que o povo aprendeu uma lição no Holocausto. Certamente agora, todo mundo odeia os sionistas e não os judeus. Eles odeiam Israel e tudo relacionado a ele.

Pouco tempo atrás, a Liga Anti-Difamação (ADL) publicou um relatório estatístico sobre o nível de antissemitismo. De acordo com os dados, mais de um quarto da população do globo sente grande hostilidade para com os judeus. Em palavras simples, eles são antissemitas. As estatísticas estão erradas, porque há muito mais antissemitas. Simplesmente, alguns admitem isso e alguns ainda não.

Todas as pessoas entre as quais vivemos, todas juntas e cada uma separadamente são antissemitas, expressos ou implícitos. (Chaim Weitzmann, primeiro presidente da nação de Israel).

Tanto os judeus como os que não são judeus devem, em última análise, reconhecer que a fonte desta atitude para com os judeus está além de toda compreensão racional.

Quem, por exemplo, no final dos anos quarenta, pregaria de forma séria e aberta que o ódio dos judeus seria semelhante ao que está acontecendo hoje na Alemanha? (Coleção Literária Histórica).

Adivinhe quando estas linhas foram publicadas. Foi no ano de 2014? Talvez tenha sido em 1980, mas não, foi no ano de 1880. Além disso, há cem anos, e mil anos atrás, a atitude em relação aos judeus não mudou. Na melhor das hipóteses, as pessoas toleravam eles, e, na pior das hipóteses, os aniquilariam. Por trás de todas as nossas tentativas de encontrar uma razão lógica para o ódio para com os judeus se oculta a esperança de encontrar uma solução racional para o problema.

Vale a pena parar de procurar por soluções lógicas e, pelo contrário, tentar procurar algo ilógico.

O antissemitismo é irracional e não está sujeito aos ditames da razão “(George Orwell, autor inglês e jornalista).

No ano de 1940, a primeiro (e, evidentemente, a última) edição do jornal, A Nação, foi publicado. Um trecho do artigo:

“Este jornal A Nação é uma nova criação. É um tipo de criatura que nasce nas angústias, nas difíceis e terríveis dores de parto: do veneno do ódio que se autorizaram as nações do mundo para nos aniquilar da face da terra, a ameaça de extinção de milhões de nossos irmãos, e ainda as suas mãos estão estendidas – esta criação sádica neles não conhece satisfação. E mais, o desastre duplica; não podemos nos iludir de que tudo isso é apenas um fenômeno passageiro temporário”. (Baal HaSulam).

E isso é o que o autor escreve sobre a solução para o problema:

“Portanto, eu disse que nós precisamos organizar uma única instrução para nós mesmos através de uma ampla campanha, para inserir em cada um de nós sentimentos de um toque de amor nacional de um indivíduo para com outro e destes indivíduos para com o todo, para restaurar e revelar o amor nacional que foi implantado entre nós quando estávamos em nossa terra como uma nação entre as nações. E este trabalho vem antes de qualquer outra coisa, pois além de ser fundamental, ele também dá estatura e sucesso a todos os tipos de atividades que queremos fazer neste campo”. (Baal HaSulam).

Uma solução como esta irá confundir qualquer pessoa normal. Qual é a conexão entre o que aconteceu com os judeus da Europa e a educação para o amor nacional entre os judeus que vivem na terra de Israel? É verdade que nós não vemos uma conexão direta, e, por outro lado, dizemos que não há nenhuma conexão direta e racional com o problema judaico.

A pessoa que sugeriu essa solução ilógica, Baal HaSualm (Rabino Yehuda Ashlag, 1884-1954), foi o maior Cabalista do século XX. Ele escreveu o comentário sobre O Livro de Zohar. É interessante que uma solução semelhante para o problema tenha sido sugerida não só pelos Cabalistas, mas por antissemitas.

“Uma obrigação é imposta ao povo judeu para cumprir as profecias antigas que estabelecem que todas as nações do mundo serão abençoadas por eles, e para isso eles são obrigados a começar a realizar este novo serviço”. (Henry Ford, fabricante de automóveis americano, imprimiu e distribuiu o “Protocolos dos Sábios de Sião”)

E assim nós somos obrigados a esclarecer que profecias ele está falando.

“Porque Eu vos tomarei dentre as nações, e vos reunirei de todos os países, e vos trarei para a vossa terra. E Eu espalharei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícies e de todos os vossos ídolos vos purificarei. Um novo coração também Eu vos darei, e um espírito novo porei dentro de vós; e tirarei o coração de pedra da vossa carne, e Eu vos darei um coração de carne”. (Ezequiel 36: 24-26)

Seja o que for, a nossa experiência histórica mostra que o problema do antissemitismo existiu e ainda existe. Não só os nossos vizinhos, mas todas as nações do mundo não vão nos deixar em paz. A solução racional é a paz para o território em troca de outra coisa que não vamos aceitar, que todo mundo sabe. Talvez valha a pena tentar resolver este problema de forma irracional, como Baal HaSulam escreve? Se outros acreditam nisso, por que não devemos acreditar?

“Eu acredito que um futuro maravilhoso será revelado aos judeus, e não como uma nação gerida por alguém, mas como a realização de grandes ideais da nossa civilização”. (Harry Truman, 33 º Presidente dos Estados Unidos).

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 08/10/14, Shamati # 5

O Segredo Essencial Dos Judeus, Parte 67

Do livro, O Segredo Essencial dos Judeus, M. Brushtein

Capítulo 5. Amarrados por Uma Rede

Tudo o que existe está conectado entre si de modo que um segue o outro e, além disso, um vem e nasce do outro. Tudo está amarrado num nó e é um ser total, que pode só atingir a perfeição se tem absolutamente todos os detalhes.

Unidade é o Objetivo da Natureza

Todos os líderes se voltam para seu povo com ideias de unidade. Estas ideias são sempre bem-vindas por todos. O problema é que a unificação que eles oferecem é muitas vezes visando derrotar alguém ou superar algo. O que há de errado com isso?

O fato é que ao derrotar alguém ou superar algo, nós chegamos à desunião e ou desintegração em outros níveis. Os exemplos não são difíceis de encontrar. Qualquer guerra, mesmo a mais libertadora, provoca vítimas. É assim que tem sido e também está acontecendo hoje. Nós não somos capazes de prever as consequências de nossa unificação.

Nós somos unidos pela Natureza de acordo com o seu próprio programa. Este processo iniciou-se após o Big Bang, e continua até hoje. A tendência de unir permeia toda a humanidade. Isso é conhecido por muitas pessoas; Fala-se muito sobre isso, especialmente hoje em dia, mas nós não tiramos conclusões e não queremos tirá-las.

“Com todas as opções, nós que temos a tendência inexorável da evolução humana a desde a era das sociedades até a era das supersociedades”. (Alexander Zinoviev, Rumo à Supersociedade)

Nós continuamos a viver de acordo com os nossos próprios interesses, que não são necessariamente os mesmos, se assim posso dizer, que os interesses da Natureza. De onde vem essa confiança? Tudo é muito simples. Nós nunca tentamos levar em conta esses “interesses naturais”. Na verdade, que interesses pode ter a Natureza? Não é só bobagem falar, mas mesmo pensar.

Nós devemos nos unir, porque esta é a diretriz da Natureza, e a própria Natureza tem que nos ajudar com isso. Na segunda parte do livro, nós discutimos em grande detalhe o método da unidade, que é baseado nas leis da Natureza. Agora, vamos colocar a pergunta sem rodeios: Por que precisamos nos unir? Onde podemos ver os benefícios de tal unidade na vida?

Nós podemos aprender algo sobre os benefícios da unidade com uma história que aconteceu em 1968.

Naquela época, o submarino nuclear americano Scorpion desapareceu em circunstâncias estranhas. O último contato via rádio com o Scorpion ocorreu no dia 21 de maio, quando o submarino foi localizado a 400 km a noroeste dos Açores, cinco dias antes de seu retorno programado para a Estação Naval de Norfolk. Havia 99 tripulantes a bordo.

Foi realizada uma busca num raio de 20 milhas e a uma profundidade de mais de mil metros.

Um dos oficiais da Marinha, John Craven, propôs a aplicação de uma maneira incomum de calcular as coordenadas do submarino. Ele reuniu um grupo formado por matemáticos, mergulhadores, socorristas e outros profissionais.

O grupo recebeu toda a informação conhecida sobre o submarino. A informação era muito escassa e ninguém sabia o principal: o que aconteceu com o barco, qual era a sua velocidade e qual o curso que ele tomou.

A essência da técnica de Craven foi a seguinte: o grupo organizou discussões em conjunto, onde simularam vários cenários sobre o que tinha acontecido.

Na fase final de discussão, cada participante apresentou sua versão do que aconteceu. Craven reuniu todos os cenários e montou uma previsão coletiva das coordenadas do submarino, que, aliás, não coincidia com qualquer cenário.

Cinco meses se passaram. O submarino afundado foi descoberto a uma profundidade de 3.000 metros. A localização do barco acabou por ser apenas 183,4 metros de distância do ponto que o grupo de Craven indicou.

Conclusão: individualmente, cada membro não sabia nada, e, ao mesmo tempo, o grupo sabia tudo. A consciência coletiva do grupo é maior do que a consciência de um único indivíduo.

“Os enigmas desconcertantes que na Natureza nós chamamos de capricho, e na de vida humana de chance, são estilhaços de uma lei revelada a nós em vislumbres”. (Victor Hugo, O Homem Que Ri)

No The New York Times: “O Que Os Judeus Devem Ao Mundo”


Meu segundo artigo, “O Que Os Judeus Devem Ao Mundo”, foi publicado no The New York Times dia 10 de outubro de 2014:

O Que Os Judeus Devem Ao Mundo

Por: Michael Laitman

Comprando Nosso Próprio Céu

O dia mais sagrado do ano para os judeus é o Yom Kippur (Dia do Perdão), quando eles jejuar e oram. Uma parte essencial da oração é ler o livro do profeta Jonas. Curiosamente, muitos judeus praticantes acreditam que comprar o privilégio de ler o livro vai torná-los bem-sucedidos para o resto do ano.

Naturalmente, apenas os mais ricos na comunidade podem se dar ao luxo de competir por isso. As quantias variam de acordo com a riqueza da comunidade, e em alguns casos, o privilégio é vendido por bem mais do que meio milhão de dólares.

Decifrando o Código

O que as pessoas não estão cientes, no entanto, é a verdadeira razão pela qual o livro de Jonas é tão importante. Os Cabalistas determinaram que essa leitura é a mais importante do ano, porque ela detalha o código para salvar a humanidade, e isso, aos olhos dos Cabalistas, é mais importante do que qualquer coisa.

A história de Jonas é especial porque fala de um profeta que primeiro tentou se esquivar de sua missão, mas finalmente se arrependeu. Outro aspecto especial da história de Jonas é que a sua missão não era para advertir o povo de Israel, mas para salvar a cidade de Nínive, cujos moradores não eram judeus. À luz do atual estado precário do mundo, nós devemos dar uma olhada mais atenta nesta história e o seu significado para cada um de nós.

Tome Jeito ou Saia Daqui

Deus ordena Jonas a dizer ao povo de Nínive, cujos habitantes se tornaram muito maus uns aos outros, para corrigir as relações entre si se quisessem sobreviver. No entanto, Jonas caiu fora de sua missão e foi para o mar, num esforço de escapar da ordem de Deus.

Como Jonas, nós judeus temos fugido de nossa missão nos últimos 2000 anos. No entanto, não podemos nos dar ao luxo de continuar evitando-a. Nós temos uma tarefa que foi passada para nós quando Abraão nos uniu numa nação baseada no amor ao próximo, e é nosso dever dar o exemplo de unidade para o resto do mundo. Abraão queria unir toda a humanidade, mas na época ele só conseguiu estabelecer um pequeno grupo. (Para saber mais sobre isso, veja o meu artigo, “Quem É Você, Povo de Israel”, publicado dia 20 de setembro de 2014, no The New York Times).

Esse grupo, ou seja, o povo de Israel, ainda deve se tornar um modelo para o mundo. Rav Avraham Itzhak HaCohen Kook (o Raiah), o primeiro rabino-chefe de Israel, coloca isso poeticamente em seu livro, Orot Kodesh (Luzes Sagradas), “Visto que fomos arruinados pelo ódio infundado, e o mundo foi arruinado conosco, vamos ser reconstruídos pelo amor infundado, e o mundo será reconstruído conosco”.

Dormindo no meio da Tempestade

Na história, a fuga de Jonas de sua missão através do navio fez o mar rugir e quase afundou o navio. No auge da tempestade, Jonas foi dormir, desprendo-se do tumulto e deixando os marinheiros se defenderem sozinhos. Aos poucos, eles começaram a suspeitar que alguém entre eles foi a causa da tempestade. Eles tiraram a sorte e descobriram que era Jonas, o único judeu a bordo.

De muitas maneiras, o mundo de hoje é semelhante ao navio de Jonas: ele se tornou uma aldeia global, como se todos nós estivéssemos no mesmo barco, e o mar que nos rodeia está furioso. E os marinheiros – toda a humanidade- estão culpando os judeus a bordo por todos os seus problemas.

Como Jonas, nós estamos dormindo. Embora nós estejamos começando a despertar para a existência do ódio contra nós, ainda temos que perceber que não realizar a nossa missão, assim como Jonas, é a razão para o ódio. Se não acordarmos logo, os marinheiros nos lançarão ao mar, como fizeram com Jonas. Nas palavras do Rav Yehuda Ashlag, autor do Comentário Sulam (Escada) sobre O Livro do Zohar: “Cabe a nação de Israel qualificar a si mesma e o resto das pessoas no mundo… evoluir para assumir este trabalho sublime de “amor ao próximo” (“O Arvut” [Garantia Mútua]).

Chamado para Despertar

Os marinheiros no barco de Jonas fazem uma tentativa desesperada de acalmar o mar, e por ordem de Jonas, o jogam ao mar. Uma vez que ele está na água, a tempestade se acalma, mas uma baleia vem e engole Jonas. Durante três dias e três noites, ele faz uma introspecção em seu abdômen. Ele implora por sua vida e promete realizar a sua missão.

Como Jonas, cada um de nós carrega internamente algo que está atiçando o mundo. Nós, o povo de Israel, carregamos um método para alcançar a paz através da conexão. A unidade é a própria raiz do nosso ser. Este DNA é o que nos torna um povo, e hoje é preciso reacendê-lo, porque onde quer que vamos, esse poder inexplorado está desestabilizando o mundo à nossa volta, para nos obrigar a unir.

A unidade entre nós vai inspirar, mesmo obrigar, o resto das nações a seguir o exemplo, assim como a separação vigente entre nós projeta a separação de toda a humanidade. Esta é a razão para todos os nossos problemas, incluindo o anti-semitismo. Quando nos unirmos, vai dotar a humanidade com a energia necessária para alcançar a unidade em todo o mundo, onde todas as pessoas vivem “como um homem com um coração”. Assim, a única questão é se nós assumimos nossa responsabilidade, ou preferimos ser jogados ao mar, apenas para acordar posteriormente para realizar nossa tarefa.

Na verdade, se quisermos acabar com os nossos problemas e nos livrar do antissemitismo, se quisermos transformar o julgamento em misericórdia e ter uma vida segura e feliz, temos que nos unir e, assim, dar um exemplo de unidade para todas as nações. É assim que vamos trazer paz e tranquilidade ao mundo. Caso contrário, o ódio das nações em nossa direção vai continuar crescendo. Agora nós podemos ver por que as pessoas estão dispostas a pagar muito para ter o privilégio de ler o livro de Jonas no Yom Kippur.

Eu gostaria de concluir este ensaio com outra citação do Rav Kook (o Raiah): “Qualquer turbulência no mundo vem apenas para Israel. Agora nós somos chamados a realizar uma grande tarefa de bom grado e conscientemente: construir a nós mesmos e todo o mundo arruinado junto conosco”(Igrot [Cartas]).

O Segredo Essencial Dos Judeus, Parte 63

Do livro: O Segredo Essencial dos Judeus, M. Brushtein

Se você cavar mais fundo em busca dos autores do crime, o círculo de suspeitos começa a se estreitar. É claro que é os judeus. Existe realmente um candidato melhor?

Por exemplo, o famoso compositor grego Mikis Theodorakis tem certeza disso.

Os judeus americanos estão por trás da crise econômica mundial que também atingiu a Grécia. (The Global Jewish News Source)

Pesquisas realizadas na Europa indicam isso. Em sete países europeus, foram entrevistadas 3500 pessoas. Cerca de um terço dos entrevistados, 31%, respondeu que os autores da crise financeira são os judeus. (Lenta)

Pesquisas, feito nos EUA têm mostrado os mesmos resultados.

“A fim de avaliar o preconceito explícito em relação aos judeus, nós perguntamos diretamente aos entrevistados ‘Quanto se deve culpar os judeus pela crise financeira?’… Entre os entrevistados não judeus, uma impressionante alta de 24,6% dos americanos culparam os judeus uma quantidade moderada ou mais e 38,4% atribuíram pelo menos algum nível de culpa ao grupo”.(Boston Review)

Um paradoxo surpreendente. Por um lado, os judeus são acusados ​​de todos os pecados mortais, e, por outro lado, “O judeu é um pioneiro da cultura. Desde tempos imemoriais, a ignorância era impossível na Terra Santa, mais ainda do que hoje em dia na Europa civilizada. Além disso, no momento em que a vida e a morte de um ser humano não valia nada, o rabino Akiva falou contra a pena de morte, que agora é considerada uma punição aceitável nos países mais civilizados”. (Leo Tolstoy “O que é um Judeu?”)

Adicionalmente,

“Eu admiro a firmeza espiritual da nação judaica, seus idealismos viris, a sua fé inquebrantável na vitória do bem sobre o mal, na possibilidade de felicidade na terra.

“Os judeus – velho e forte fermento da humanidade – têm sempre exaltado o seu espírito, trazendo ao mundo ideias nobres e inquietas, incitando os homens a embarcar numa busca de valores mais finos” (Maxim Gorky, Sobre os Judeus)

E, finalmente,

“Algumas pessoas gostam dos judeus e outras não; mas nenhum homem pensante pode duvidar do fato de que eles são sem dúvida a raça mais formidável e marcante que já apareceu no mundo”. (Winston S. Churchill, “A Luta pela Alma do Povo Judeu“)

É tudo isso coincidência? A crise foi um acidente? São os judeus culpados pela crise, por acaso? Os comentários elogiosos sobre os judeus são aleatórios? Talvez, um tijolo cai na cabeça de alguém por acidente?

“‘Um tijolo não é aqui nem lá’, o estranho interrompeu de forma persuasiva. ‘Um tijolo nunca cai na cabeça de alguém. Você em particular, eu lhe asseguro, não está em perigo do que isso. Sua morte vai ser diferente'”. (Mikhail Bulgakov, O Mestre e Margarita)

Eu posso tomar muito tempo para provar que não existem coincidências, e essa é uma atividade sem sentido. Vamos nos concentrar agora no compromisso proposto por um dos grandes nomes. Um acidente é uma regularidade não compreendida.

A Sociedade Do Futuro

Dr. MIchael LaitmanO processo revolucionário em que estamos participando começou com o Big Bang e continuou através de uma conexão cada vez mais forte: de partículas fundamentais a átomos, de átomos a moléculas, de moléculas a estruturas cada vez mais complexas, até o surgimento do corpo humano, incluindo o sistema cognitivo, o sistema nervoso, e sistemas adicionais. Alguns deles não são conhecidos e alguns não são entendidos por nós.

Em geral, esse processo evoluiu em duas direções: extensão e conexão.

Tudo aspira à conexão, e somente os seres humanos, suas sociedades e sua natureza, recebem uma forma oposta. Numa sociedade, nós nos tornamos cada vez mais conectados. No entanto, por outro lado, nós nos opomos uns aos outros, porque o ego nos separa. Como resultado disto, não podemos construir uma sociedade coesa baseada na ajuda mútua, de acordo com o princípio de cada organismo vivo, inclusive o nosso. Em vez disso, construímos algo muito estranho, e nossa sociedade torna-se como um câncer que, finalmente, se devora e morre.

Basicamente, nós não sabemos o que fazer. Estudos científicos das forças e mecanismos que nos movem descobriram que não temos possibilidade de evitar uma terceira guerra mundial e o caos. Os cientistas sabem disso e escrevem que não há solução real para esse caminho de desenvolvimento, e o que resta é apenas submeter-se à misericórdia do processo que nos leva em direção a um futuro desconhecido.

Nós estamos destruindo o planeta, esgotando os recursos naturais, e fazendo com a natureza e a ecologia o que quer que nos agrade. Tudo isso não é porque isso veio até nós, mas porque não sabemos como construir sistemas que consistem de opostos que se conectam numa única estrutura. Essa união de opostos é precisamente a lei essencial de sistemas complexos.

Aqui, nós chegamos à sabedoria da Cabalá. Este problema surgiu inclusive há 3500 anos na antiga Babilônia. Por um lado, os seus habitantes eram muito próximos uns dos outros e dependiam uns dos outros. Por outro lado, não podiam se suportar. Eles se odiavam e sentiam repulsão mútua. E não havia nada que pudessem fazer sobre isso, a própria estrutura da sociedade era tal que estava devorando a si mesma.

Foi então que um homem sábio chamado Abraão descobriu que a transição para um novo nível de desenvolvimento estava escondida aqui. Basicamente, não havia nada de especial nesse estado. Assim como a transição do nível inanimado para o vegetal, ou do vegetal para o animal, também é a transição do nível animal para o nível falante. Esta transição exige que nós atinjamos o poder de conexão entre opostos, de modo que eles possam estar conectados e formar um sistema completamente harmonioso. Apesar das polaridades, apesar do ódio e da rejeição entre nós, nós podemos utilizar uma força única, uma rede única, a fim de alcançar o equilíbrio entre ambas e construir uma vida.

Nós realmente não entendemos o significado deste passo. Nós não entendemos o que é a fonte da vida e como dois opostos podem se conectar. No entanto, é precisamente as polaridades absolutas entre positivo e negativo que formam o átomo, um sistema estável no qual eles são opostos e ainda se conectam simultaneamente.

Para continuar, de acordo com esse princípio, combinações cada vez mais complexas são construídas, possuindo a capacidade de evoluir. Positivo e negativo são combinados entre si, a fim de atrair o que é útil para o desenvolvimento e o equilíbrio entre eles, e para repelir o que é prejudicial para esse equilíbrio. Assim, por meio de absorção e de repulsão, a vida é criada. Há um desenvolvimento cada vez mais complexo, até que haja a necessidade da construção de um novo sistema que os Cabalistas chamam de sistema espiritual. Em outras palavras, ele é mais elevado do que os sistemas que nos são familiares.

Abraão descobriu que existe uma lei universal na natureza que abrange todos os sistemas, que os mantém e desenvolve. É possível chama-la de poder da Luz, o poder do Criador, o poder superior. No entanto, ele tem um objetivo: manter todas as partes da realidade em harmonia e conexão mútua.

É possível atrair e usar essa força mesmo agora, quando queremos subir para o novo nível e nos tornar um sistema. Com isso, nós despertamos a força universal, e construímos o equilíbrio tão esperado entre nós.

Na Cabalá, a lei que Abraão descobriu é a chamada de lei da equivalência de forma. Se eu sou pessoalmente atraído à força única de equivalência de forma, nessa medida eu desperto sua influência sobre mim e ela constrói a conexão entre eu e outras pessoas a quem sou atraído. Ela constrói entre nós um sistema harmonioso e equilibrado entre todas as partes.

Abraão descobriu a camada mais profunda dessa lei geral integral da natureza, que já era conhecida e a qual ele chamou todos os babilônios a se juntar a ele.

Maimonides, filósofo do século XII, disse que Abraão escreveu uma série de livros e fez um grande trabalho de disseminação para que as pessoas oudessem entender o que ele descobriu e que ele estava falando especificamente sobre uma lei da natureza que não se deve opor. É assim que nós evoluímos, sem possibilidade de escapar de seu fluxo, da tendência natural ao equilíbrio, conexão e harmonia.

No nível inanimado, vegetal e animal, nós chegamos ao equilíbrio espontaneamente, sem liberdade de escolha. No entanto, no nível falante, isso já não tunha êxito, porque nós precisamos participar conscientemente na construção do equilíbrio e de um sistema humano universal. Cabe a nós entender, reconhecer, querer se esforçar e optar por tentar organizar corretamente a fim de avançar.

Então, graças a esses esforços, nós despertamos a força universal singular da natureza, que é o Criador, a Luz. Não importa como você a chama. Em resposta aos nossos esforços, ela vai nos influenciar e realizar a ação correta de conexão em nós. Isto é o que Abraão ensinou às pessoas.

A história posterior é conhecida. Algumas pessoas ouviram e compreenderam o método por um tempo, mas depois, e apesar de tudo, se retiraram do processo. É impossível construir um sistema harmonioso e equilibrado, se todo o resto da humanidade está quebrado. É por isso que nós chegamos à situação atual, onde a crise babilônica da separação retornou.

Por que especificamente hoje? Isso ocorre porque a humanidade, da mesma forma que naquela época, está descobrindo que está conectada num sistema universal. Nós estamos fechados dentro de um sistema, uma sociedade, uma família, sobre a face da Terra, e estamos todos ligados uns aos outros.

Hoje, nós não precisamos lutar. Basta romper as conexões com alguma nação e esta não vai suportar o isolamento. Armas modernas são as mesmas clavas bárbaras primitivas numa forma sofisticada. Ninguém precisa delas num sistema global que é como uma aldeia global. Hoje, as conexões comerciais, industriais, financeiras e logísticas determinam tudo. Se você cortar estas artérias para uma nação, é como desconectar algum órgão do corpo. É claro que ela não vai sobreviver sozinho.

Isso é também o que aconteceu na antiga Babilônia, na Mesopotâmia, o berço da humanidade, quando ela se tornou uma sociedade. A mesma coisa está acontecendo hoje.

Os Cabalistas, alunos de Abraão em todas as gerações, falaram sobre isso e inclusive fizeram um cálculo numa linha do tempo de acordo com a lei do desenvolvimento humano para compreender que a humanidade iria retornar à mesma situação. A lei de unificação começou a ser esclarecida no final do século XIX, e de acordo com todos, chegou a esclarecimento no final do século XX. Mais precisamente, os Cabalistas escreveram sobre isso como sendo desde o ano de 1995.

Esta é a situação atual. Quando eu comecei a estudar a sabedoria da Cabalá em 1975-76, eu não acreditava que isso iria realmente acontecer. No entanto, houve na realidade uma transição muito forte, e de repente havia uma conversa sobre um sistema unificado, uma humanidade unificada, uma aldeia global e uma dependência absoluta mútua, etc.

Junto com isso, o mal da natureza humana foi revelado mostrando o quanto nós somos opostos uns aos outros e não estamos prontos para nos conectar de forma correta. Afinal, apesar das oposições entre nós no nível inanimado, vegetal e animal, a força universal nos conecta de tal forma que as polaridades são transformadas num dipolo que nos conecta e nos mantém em equilíbrio e harmonia.

No entanto, no nível falante, nas relações humanas entre nós, cabe a nós despertar em nós a influência da força universal e participar do equilíbrio entre positivo e negativo, entre os dois extremos. Isso exige de nós um trabalho específico.

Em primeiro lugar, cabe a nós compreender e reconhecer a situação em que nos encontramos e continuar a investir esforços compartilhados, a fim de construir o ambiente certo. Na Cabalá, esses esforços são chamados de elevar MAN, ou seja, fazer um pedido de conexão. Com isso, nós despertamos a influência da força universal sobre nós que nos conecta num sistema e em harmonia com toda a sociedade humana.

Isto é certo para o atual momento histórico. Hoje, a sabedoria da Cabalá, a ciência que Abraão descobriu, foi aberta diante de todo mundo. Isso porque todos nós devemos utilizar o sistema que foi criado e começar a usar corretamente as condições que foram criadas para a construção da sociedade do futuro. Caso contrário, a humanidade corre o risco de ser destruída.

Assim, os Cabalistas, as pessoas que estão envolvidas com este problema e sua solução, nos advertem sobre a verdade da nossa situação e do nosso futuro. Eles nos dizem que, de qualquer forma, nós estamos chegando a um equilíbrio coletivo. No entanto, se não despertarmos a força única da natureza que traz a nossa unificação e a conexão correta entre nós, então ela será revelado como o poder único que nos conecta e reúne, mas sem a nossa inclinação e desejo. Nesse caso, nós teremos que obedecer a essa lei contra a nossa vontade, e isso vai nos levar às situações muito desagradáveis ​​através de desastres, epidemias e guerras.

Esta é uma força boa, pois conecta a totalidade do sistema em um. No entanto, se nos opomos a ela, nós despertamos em nós mesmos a influência de forças opostas que atuam sobre nós como desastres.

Os Cabalistas tentam levar esse conhecimento a toda a humanidade e ensiná-la como chegar ao entendimento correto de conexão, despertando em nós uma atração em direção a ela, e de acordo com nosso desejo, estimular a descoberta da força única sem despertar desastres. Como necessidade, nós chegaremos mais perto do correto estado singular integral e avançaremos da forma mais agradável e desejável. Tal esforço é o que é exigido de nós.

Os problemas mais difíceis hoje estão sendo descobertos na sociedade humana, apesar de tudo de bom que existe no mundo. O avanço científico e tecnológico atingiu o seu pico, mas eles não se atrevem a mostrar um pouco dessa tecnologia moderna para a humanidade. Caso contrário, as pessoas não precisarão trabalhar e não haverá qualquer necessidade de se esforçar.

Basicamente, nós já saímos para um novo nível de desenvolvimento, mas ainda não estamos prontos para realizá-lo por causa da nossa incapacidade. Nós temos as ferramentas em nossas mãos, mas não estamos prontos para integrá-las corretamente no novo nível, porque a nossa abordagem não é integral, ou seja, a nossa estrutura interna não é integral. Pelo contrário, somos egoístas, e nossa tendência é estarmos distantes um do outro e não nos conectarmos em harmonia.

Como resultado, nós olhamos com temor para o estado futuro da humanidade unida, e não sabemos o que fazer com sete bilhões de seres humanos que não vão trabalhar. Não temos qualquer conceito de outra forma de existência e sobre uma conexão diferente entre nós enquanto subimos para outro nível de percepção, para diferente vida e maneira de viver.

Há uma infinidade de surpresas escondidas por trás da nova situação, mas ainda não estamos prontos para digeri-las, porque a nossa percepção não é integral.

A principal coisa no sistema integral é renunciar à visão individualista do eu contra o mundo. Em vez disso, eu devo adquirir uma percepção integral e ver uma imagem completa onde todos nós estamos conectados e completando um ao outro. Só então eu descubro o estado futuro em que a humanidade deve existir, e, assim, entendo e sinto essa vida que é esperada num momento propício.

Cabe a nós alcançarmos essa percepção, e é isso que a sabedoria da Cabalá nos ensina.

Da Convenção no México 01/08/14, Lição 1

Exílio: À Beira Da Luz E Da Escuridão, Parte 6

Laitman_006Pergunta: O que os antissemitas de todas as gerações querem dos judeus?

Resposta: Eles querem parar de sentir que os judeus “mandam” neles; eles se esforçam em acabar com a sensação de que os judeus são a razão de todos os seus problemas. Suas reivindicações para com os judeus são muito naturais e corretas.

Pergunta: Corretas?!

Resposta: Sim! De acordo com a natureza, tudo o que eles dizem é certo. Os judeus são os portadores da ideologia que prejudica todo o mundo.

“O que há de errado conosco? Nós não prejudicamos ninguém”, os exclamam os judeus. Na verdade, sem saber, eles estão mentindo. Eles são culpados. Hoje, eles trazem desastres ao mundo porque estão separados. Assim, se eles conseguirem mudar, eles vão atrair imensa felicidade a este mundo.

O mundo pensa que pode se livrar dos judeus, mas isto é um erro de pensamento. Nós temos que mostrar ao mundo a verdadeira saída deste problema.

O antissemitismo, a questão da atitude em relação aos judeus, e tudo relacionado com esta questão, continuarão a se expandir, a se tornar mais forte, e em breve irão substituir todos os outros problemas mais óbvios e evidentes em todo o mundo. Aconteça o que acontecer, seja qual for o problema ou desastre – guerras, aflições – tudo será culpa dos judeus. “Se não há água na torneira, os judeus beberam a água…” (canção satírica da Rússia). Nada pode ser feito; é uma lei da natureza.

Por quanto tempo vai durar esta situação? Ela vai continuar até que nós, judeus, mudemos a tendência das coisas, de modo a que todos atinjam equilíbrio completo com o Criador e subam para seu nível. Até lá, suas acusações, de fato, serão naturais e corretas.

Eles só têm que entender exatamente o que exigem dos judeus. Assim que nós compreendermos essas questões e começarmos a nos mover na direção certa, eles vão entender isso através de nós e nos ajudar. Desta forma, nós vamos atingir o nível que Abraão queria chegar na antiga Babilônia.

Por isso, atualmente nós estamos no ponto mais crítico. Aqui está! Está bem em frente de nós! Isso está acontecendo enquanto nós falamos! Deste ponto em diante, nós temos que começar a crescer muito rapidamente. Em outras palavras, nós vamos ter que nos conectar e mostrar ao mundo inteiro o caminho para alcançar a paz definitiva, o melhor estado eterno e benevolente.

De KabTV “Babilônia Ontem e Hoje” 03/09/14, Parte 6