Textos na Categoria 'Egoísmo'

Pegar Serpentes É Uma Profissão Corajosa

Dr. Michael LaitmanNo decurso de todo nosso caminho espiritual, nossa vara constantemente se torna uma serpente, e depois se torna uma vara novamente, que nos apoia na caminhada espiritual. Isso quer dizer, ou nós andamos com a fé abaixo da razão, na razão, ou acima da razão.

Quando você ascende novamente, depois que caiu, e começa a julgar com sua mente o que é bom para você, você tem que ter cuidado para que a volta para a fé acima da razão não seja uma decisão egoísta, que a mente o obriga fazer. De outra forma, se revelará que você está andando através da fé abaixo da razão ao invés de acima dela, e que sua fé, que está dentro da razão, desce ainda mais baixo.

Esse é um discernimento muito acurado e fino que golpeia nosso coração. Nós temos que ser capazes de olhar a verdade nos olhos, de modo que o Criador não será capaz de nos enganar e nos forçar a cair. Afinal, nós temos que pegar essa “serpente” pela cauda e tirá-la do chão, para que ela possa se transformar em uma vara outra vez, ao invés de cair sob o peso desses estados, sob o peso dessa serpente.

Leva tempo para a pessoa formar esses conceitos interiormente e começar a entender se ela está nesse trabalho ou não, se ela faz esses discernimentos. Trabalhar com a “vara e a serpente” já é trabalhar com seu egoísmo, quando a pessoa está entre essas duas forças que a influenciam – o Faraó e o Criador.

Tudo depende do que ela faz com sua vara – irá jogá-la no chão ou pegá-la? Ao fazer o último ela constrói seu próprio vaso (Kli) espiritual, seu “eu”.

Isso não significa simplesmente ser um bom psicólogo ou saber como aparentemente sair de si mesmo e olhar para si mesmo de fora, para checar o que está acontecendo. Esses são truques puramente psicológicos, mas não um trabalho espiritual interno.

Estamos falando dos discernimentos que acontecem na pessoa que já estabeleceu algum tipo de atitude para com o Criador e consigo mesma. Desses dois pontos ela começa a construir o Faraó e o Criador, e a si mesma no meio.

Então, ela pode lutar contra o amor por si mesma, que aspira tão fortemente eliminá-la, e devido a esse ódio por essa qualidade egoísta, ela pode ascender acima do seu egoísmo.

Da 1a parte da Lição Diária de Cabalá 13/04/11, Shamati

O Que É Isso Em suas Mãos: Uma Vara Ou Uma Serpente?

Dr. Michael LaitmanShamati 59, “Sobre a Vara e a Serpente”: “E Moisés respondeu e disse: ‘Mas, observe, eles não acreditarão em mim’”, etc.. “E o Senhor disse a ele: ‘O que é isso em tua mão?’ E ele disse: ‘Uma vara’. E Ele disse: ‘Atire-a no chão…’ e ela se tornou uma serpente; e Moisés fugiu da frente dele”. (Êxodo 4)

Precisamos entender que não existem mais do que dois graus, ou Kedusha (Santidade) ou Sitra Achra (Outro Lado). Não há um estado intermediário, mas a mesma vara se torna serpente, se for jogada no chão.

…Esse é o significado da pergunta: “O que está em tua mão?” A mão significa alcance, das palavras “e se a mão alcança” . A vara (Mateh em Hebreu) significa que todo o alcance de uma pessoa é construído no discernimento da importância inferior (Mata em Hebreu), que é fé acima da razão. Isso porque a fé é considerada com tendo importância inferior, como baixeza…

Existe um discernimento muito belo que é feito constantemente, e que a pessoa tem que fazer para avançar no caminho da correção da alma. Ele é chamado “a vara e a serpente”. Você pode analisar a si mesmo dessa maneira: se eu tenho um desejo forte de fazer algo e não está claro que é para o meu benefício, e eu entendo que é assim que o meu egoísmo se expressa, que está queimando dentro de mim, então eu entendo isso nesse momento e tenho que tentar subir acima disso.

Mesmo que eu tenha um grande desejo interno de julgar meu amigo para decidir se devo me aproximar ou me afastar dele, ainda assim, acima de tudo isso eu tenho que fazer um esforço e elevar todo o meu ódio, repulsão, desapontamento e expectativas dos outros – os amigos, o professor, e o Criador, e avançar pela fé acima da razão.

Eu preciso, ao invés, entender que precisamente as condições que me foram dadas são a “vara” que tenho que pegar e tomar em minhas mãos.  Então, ela se tornará um símbolo de minha fé e irá me ajudar a avançar.

Porém, se eu jogo a vara no chão de acordo com meu desejo (“terra” – Aretz, é igual a desejo – Ratzon), ela se transforma em serpente.

Eu tenho que fazer esse discernimento para sentir que esses dois pontos dentro de mim, que estão constantemente presentes, se contradizem. Meu ego está queimando e quer julgar a todos – os amigos, o professor, e o Criador. E suas queixas e raiva são completamente justificáveis. Ele está sinceramente indignado interiormente contra todos eles. Mas, acima disso, eu trabalho para amá-los, justificá-los, e dar a eles todo o meu coração aberto através da fé acima da razão.

Quando eu sinto esses dois pontos juntos, significa que eu me equilibrei corretamente em meu estado atual. Esses pontos são o que constroem meu caminho em direção à meta da criação.

Nesse caminho eu verei que sou continuamente dominado por novos cálculos e críticas, novos desacordos entre mim e o ambiente, e isso acontece para me fazer pensar mais uma vez que estou certo e que eles estão errados. Esse trabalho começa já, tão logo o grupo se organiza.

Ou as pessoas avançam através da fé acima da razão, ou elas irão se afogar nesses desacordos e irão caminhar junto com a serpente, jogando sua vara no chão; isto é, ao invés da fé acima da razão, no caminho elas irão através da fé dentro da razão ou abaixo dela. Então, a única coisa que restará fazer será esperar que elas acordem, o que pode tomar um longo tempo – de fato, ninguém sabe quando isso pode acontecer.  

Da 1a parte da Lição Diária de Cabalá 13/04/11, Shamati

Os Problemas Do Faraó

Dr. Michael LaitmanPergunta: Quando a pessoa tenta sair do Egito, isto é, do amor próprio, ela recebe golpes que consegue ultrapassar somente pedindo ajuda ao Criador. Mas, além disso, também existe o egoísmo material, terreno, que recebe golpes no seu nível, tais como problemas com suas famílias, saúde, rendimento, e etc.. Como podemos nos relacionar com esses problemas?

Resposta: Não importa que tipo de problema apareça em minha vida, primeiro e principalmente eu preciso vê-los como uma perturbação que vem do Criador. Mesmo se estou com dor, eu ainda preciso subir acima dessa perturbação através da fé acima da razão. A despeito de tudo, eu sei que tenho que fazer cálculos acima do distúrbio e não sob seu peso. Eu preciso estar em contato com seu “remetente”, o Criador.

Quanto a ações responsáveis, no âmbito desse mundo eu tenho que resolver todos os problemas através dos métodos comumente aceitos. Quanto a banco, trabalho, família, e saúde, eu tenho que tomar conta de tudo tal qual qualquer pessoa em nosso mundo.

Assim, você constrói uma atitude bilateral quanto aos problemas.

– Primeiro de tudo, eles vêm do Criador e você está lidando somente com Ele. Você quer ter essas perturbações porque elas dão a você a oportunidade de subir acima do conhecimento e ficar em contato com o Criador. Então você está tratando corretamente as perturbações e você mesmo começa a amá-las e respeitá-las. Afinal, não importa quanto elas o perturbem, não importa quanto sal elas colocam em suas feridas, e não importa quanto angustiantes elas são; isso é exatamente o que o ajuda a subir acima delas.

-Em segundo lugar, você resolve os problemas que chegam da forma costumeira no mundo material.

Ambas as dimensões precisam estar presentes em sua atitude. Você atribui os problemas ao Criador, e ao mesmo tempo você quer trabalhar com eles. Nós não expulsamos o Faraó de nossas vidas, mas nós apreciamos seus problemas. Afinal, somente através deles nós o podemos rejeitar e nos separar dele, e assim ascender cada vez mais alto.

O Faraó é minha carne mais preciosa, meu centro, meu ponto mais sensível, minha criança, a corda mais importante e admirável dentro de mim.

Pergunta: Mas o Faraó resiste à união dos amigos. O que os problemas materiais tem que ver com isso?

Resposta: Eles também me distraem do trabalho interno. Não é por acidente que tantos Cabalistas experimentaram problemas materiais. O Criador deliberadamente os fez ficar doentes e serem desprezados pelas pessoas ao seu redor. Isso foi para dar a eles um lugar onde eles pudessem superar.

Afinal de contas, tudo isso é o resultado do endurecimento do coração do Faraó. O desejo gradualmente se revela dentro de você e em conformidade a ele você experimenta vários problemas, nos outros e em você mesmo.

Pergunta: Eu tenho que pedir ajuda nesses casos? Afinal, o Criador nos ajuda somente com respeito a uma coisa – a unificação.

Resposta: Está correto, e os problemas dificultam que você faça isso. Quando você está doente, é difícil para você se concentar no amor pelos amigos. Provavelmente, você esquece tudo isso. E isso significa que você precisa pedir ajuda. Não há ninguém além d’Ele. Tudo vem do Criador, mas isso acontece através de canais diferentes.

Você tem que alcançar a meta, mas seu corpo, seu “pequeno burro”, está doente e não pode carregar você. Assim, o que devemos fazer? Deixá-lo morrer? Mas, você precisa dele no caminho.

Por que você percebe esse mundo separadamente do trabalho espiritual? Mesmo pequenas perturbações podem ser úteis se você trabalha com elas corretamente. Não importa o que nos aconteça, o importante é que isso vem de uma única Fonte, até que realmente sintamos que estamos no exílio espiritual.

Da 1a parte da Lição Diária de Cabalá 13/04/11, Shamati

“Vestido” Em Outra Pessoa

Dr. Michael LaitmanPergunta: Por que o caminho do amor é tão difícil e confuso?

Resposta: Nós é que somos confusos.

Eu sou dirigido pelo desejo egoísta e tudo que sinto e penso está dentro dele, para meu próprio benefício. Portanto, como posso fazer um cálculo diferente – não para meu benefício?

Imagine que você se “veste” em outra pessoa e começa a fazer cálculos  a partir da perspectiva dela. Foi apenas a 100 anos que as pessoas começaram a entender tais conceitos. Não é um acidente que esse período foi resumido por Freud e Einstein, que não só fizeram descobertas originais, mas também tiveram amigáveis conexões um com o outro.

Depois de centenas de milhares de anos de desenvolvimento, foi cerca de um século atrás que as maiores mentes da humanidade finalmente inventaram a psicanálise – em outras palavras, começaram a analisar o homem internamente no nível material. Somente então, eles começaram a pesquisar a percepção humana, “Eu e o mundo circundante, eu e o próximo”.

Isso não é simples. Levou um longo período de tempo para se acessar a alma animada do homem, e isso não está nem perto da espiritualidade. Todo o problema é que nós não podemos e não queremos nos vestir nos outros. A sociedade tem que assegurar que cada pessoa irá fazer isso, que cada pessoa tentará fazer isso e começará discernir como ela aparece aos olhos do próximo e o que o próximo deseja.

Isso é muito difícil, mesmo que só envolva exercícios psicológicos no plano do nosso mundo, que ainda nem se relaciona com a espiritualidade. Você quer mais? Vá em frente. Organize um ambiente que irá finalmente começar a influenciar você.

O caminho é longo exatamente porque ninguém influencia você. Não há progresso sem influência social. Onde a pessoa poderia pegar os detalhes espirituais de percepção? Somente do ambiente.

Da 1a parte da Lição Diária de Cabalá 13/04/11, Shamati

A Primeira Inovação

Dr. Michael LaitmanEscritos do Rabash, “A Primeira Inovação”: Todas as inovações começam somente depois que a pessoa sai do amor próprio. Desta forma, a Torá não pode ser ensinada aos idólatras. Quando a pessoa está no Egito, ela não pode ser um Judeu porque está escravizada ao Faraó, o rei Egípcio. Enquanto a pessoa é uma escrava do Faraó, não poder ser uma escrava do Criador.

Isto está escrito com respeito a: “Os filhos de Israel são para Mim”, eles são Meus escravos e não escravos de escravos. Quando a pessoa serve a si mesma, ela não pode ser escrava do Criador, porque é impossível servir a dois reis ao mesmo tempo. Somente depois que a pessoa sai do Egito, isto é, do egoísmo, ela pode ser a serva do Criador. Então, ela pode receber a Torá. Acontece que a primeira inovação é a saída do Egito.

A pessoa que está dentro do seu desejo egoísta é chamada um “Judeu-novo”. Aquele que sobe acima de seu desejo egoísta, isto é, que sai do Egito, é chamado “Judeu” (Yehud) porque alcança a união (Ihud) com a Luz, o Criador.

É possível estudar a Torá, isto é, as maneiras de doação, somente ascendendo, saindo do Egito. Por isso está escrito que a Torá não pode ser ensinada aos idólatras, onde “não pode” significa é impossível. Isso é porque enquanto você permanece no desejo egoísta, você não entende nada da espiritualidade e não tem a menor chance de alcançá-la. Nos seus desejos e pensamentos você não pode se agarrar com força à ponta de qualquer corda que se estende desde o mundo espiritual.

Você precisa de meios auxiliares, e somente ao usá-los corretamente você alcançará o que deseja. Desta forma, todas as inovações e mudanças espirituais são possíveis somente depois de sair do Egito, isto é, do egoísmo. Até lá, não é possível entender nada. Até lá nós estamos em total escuridão e só podemos avançar com nossos olhos fechados de acordo com o conselho dos Cabalistas.

Isso é tudo que nos resta – entender quão oposto nosso mundo é do mundo espiritual. Para ascender da escuridão à Luz, não nos irá ajudar dar uma volta de 180 graus. Isso é porque nossa escuridão é a escuridão do Egito, que não se dirige à Luz. Somente gradualmente, por meio de ações corretas, alcançamos o desejo correto. Mesmo que ele também seja egoísta, ainda assim, devido a influência da Luz, nós podemos sair do Egito para a intenção altruísta de Lishma (Em Nome Dele).

Está se falando de estados que estão totalmente separados entre si. A pessoa que está no mundo mais inferior, isto é, no estado egoísta, na intenção “para a recepção”, é incapaz de entender os planos e ações daqueles que são movidos pela doação. Um não tem qualquer contato com o outro. Eles são programas completamente diferentes que não se cruzam um com o outro de forma alguma.

Em relação ao mundo espiritual, nosso mundo não existe. Ele é manifestado somente na imaginação da pessoa como uma realidade preliminar e imaginária que é necessária para entrar na realidade espiritual, que é a única que existe. Tudo que vemos e imaginamos aqui é semelhante às visões de uma pessoa que está inconsciente.

Desta forma, todas as inovações, alcances, e cálculos verdadeiros começam com a saída do Egito.

Da 4a parte da Lição Diária de Cabalá 12/04/11, Escritos do Rabash

Acabar As Palavras Do Criador Por Ele

Dr. Michael LaitmanNós somos egoístas e somos apenas capazes de fazer o que for importante para o nosso ego. Como, então, podemos livrar-nos dele?

É por isso que cumprimos os conselhos dos Cabalistas. Temos duas possibilidades:

  1. Mover-nos sob os golpes da nossa natureza, ou seja, desenvolver-nos devido a não ter outra escolha, até que desejemos livrar-nos do sofrimento. Contudo, o caminho de fugir constantemente do mal é muito longo e difícil.
  2. Usar a lupa da mente sem esperar que os golpes cheguem. No artigo “A Essência da Religião e o Seu Propósito” o Baal HaSulam explica que nós podemos fazer crescer a nossa percepção e reconhecer entusiasticamente os sinais no caminho, semelhante a ser capaz de perceber uma palavra antes de acabada. Uma pessoa sábia vê coisas que os outros nem reparam.

Algumas pessoas escrevem conselhos sábios mas não os deixam passar pelos seus corações. Há todo o tipo de casos. Cada pessoa tem o seu “destino”. Na medida em que uma pessoa ouça o que lhe é dito, isso é o quanto ela avançará se estiver pronta para obter uma distinção entre o seu ego e o caminho espiritual, se ela interpretar adequadamente o significado de “exílio” e “redenção” e estiver disposta a ser persistente e obstinada, muito embora seja desagradável para o seu egoísmo.

Uma pessoa trabalha de forma a aumentar a importância de ascender acima do egoísmo, muito embora lhe cause dor e lhe pareça uma perda. Ela discerne coisas novas uma e outra vez, e a cada nova pancada a perda do egoísmo não mais lhe parecerá penosa comparada com a realização espiritual que se revela. Então ela recebe outro carvão adicional na fornalha do amor-próprio, tudo isso de forma a que atinja a próxima ascensão.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 13/4/11, Escritos do Rabash

Seja Mais Sério Na Caixa de Areia!

Dr. Michael LaitmanPergunta: Mesmo que o nosso mundo seja uma realidade imaginária, os Cabalistas o levam muito a sério. Porquê?

Resposta: Porque nós crescemos e agimos ao mesmo tempo que estamos dentro dele. Mesmo que esta realidade seja realmente imaginária, você tem que levá-la a sério e organizar as coisas nela como se realmente existissem.

Imagine que você se juntou a um grupo de crianças para brincar com elas com a maior seriedade possível, tornando real o jogo da forma como o fazem. Os pequeninos estão correndo em volta, tentando juntar alguma coisa e discutindo sobre brinquedos; mas, para eles, isso é vida. E você participa da vida deles, ajudando-os a juntar seus mimos, para que eles crescam rápido e corretamente nesta “caixa de areia”.

Isto exige uma atitude séria. É preciso um grande esforço para educar uma criança neste mundo, e a pessoa deve tratar a si mesma exatamente da mesma maneira. Esta é a forma como ela deve tratar o filho espiritual que está crescendo dentro dela. Você não pode fazer nenhum compromisso a esse respeito: eu cuido de mim, da minha família, do filhos, dos pais, e de todas as necessidades materiais. E mesmo que tudo isso seja obviamente uma ilusão, não importa.

As imagens do mundo material são descritas em meu cérebro pelo desejo egoísta e eu não posso corrigir esse desejo, porque ele está no nível inanimado. Até mesmo o grande Cabalista Rabbi Shimon tinha que comer, beber, ganhar a vida e cuidar de seus alunos. Você realmente acha que eles estavam flutuando nas nuvens, não se preocupando com suas famílias e em colocar o pão na mesa?

Este mundo é parte do meu crescimento, “incluindo as dores de dente”, como o Rabash costumava dizer. A única diferença é que devemos aspirar cada vez mais alto em direção à doação, ao mundo espiritual. Os Cabalistas têm um problema diferente: como permanecer sério nesta caixa de areia de crianças. Eles são obrigados a fazer isso. É por isso que eles têm uma atitude tão responsavel em relação à educação e outras áreas no mundo material. A pessoa tem de cuidar de todas as suas necessidades vitais.

A corporalidade só desaparece das nossas sensações no final da correção, quando não há mais necessidade deste jogo da imaginação.

Da 4a parte da Lição Diária de Cabalá 12/04/11, Escritos do Rabash

Exercícios De Doação

Dr. Michael LaitmanEscritos do Rabash, “O Propósito da Sociedade”: Para alcançar a doação ao Criador, é necessário primeiro doar ao homem, o que é chamado amor ao próximo.

Nossa natureza é completamente oposta ao amor ao próximo. Eu amo somente a mim mesmo. Todos os meus cálculos, conscientes e inconscientes, são construídos exclusivamente em benefício próprio.

O jeito que eu me sento, o jeito que eu aparento, o jeito que eu penso, e o que vejo – tudo isso é canalizado através do filtro do meu egoísmo, deixando-me somente com as coisas que podem me beneficiar ou me colocar em perigo. Tudo tem que servir ao meu bem-estar pessoal. Essa é minha natureza.

Porém, eu tenho que alcançar a doação universal, o amor universal, a eterna força do Criador, a vida eterna. E para fazer isso, eu preciso fazer exercícios preliminares no grupo. Por isso Rabash continua:

O Amor ao próximo é possível somente quando você se rejeita.

Um vem no lugar do outro. Doação e recepção não podem viver juntas uma com a outra.

Eu tenho 613 desejos e, como um todo, meu desejo atua somente para seu próprio benefício. Essa é a situação no começo. Então, eu começo a eliminar “parte por parte”, começando com os desejos mais fáceis e progredindo para os mais difíceis.

Porém, eu tenho que alcançar a doação universal, o amor universal, a força eterna do Criador, a vida eterna. E para fazer isso, preciso fazer exercício preliminaresno grupo. É por isso que o Rabash continua:

É assim que eu me corrijo, passo a passo, e no lugar de parte do desejo egoísta, eu adquiro o desejo de doar. Nesse meio tempo, no resto dos meus desejos eu ainda permaneço na intenção “para meu próprio benefício”. É assim que eu corrijo partes de mim.

Porém, há uma condição: se eu corrigi pelo menos um dos meus desejos pela doação, então o resto não pode mais permanecer na intenção egoísta. Por isso eles têm que passar por uma restrição.

Eu tenho um grande vaso e, a princípio, ele é inteiramente dirigido ao autobenefício. Primeiramente, eu faço uma restrição e somente então sou capaz de transformar o primeiro, o menor desejo, em doação aos outros.

Assim, eu tenho um grande desejo. Eu faço a restrição nele e corto uma camada mais fina de mim mesmo. A partir desse pedaço, eu sou capaz de efetuar a doação. Enquanto isso, as restrições dominam todos os outros desejos. Então, eu corto uma segunda camada, depois uma terceira, e é assim que eu as corrijo uma após a outra.

Dois desejos não podem co-existir em uma pessoa: um dirigido para si mesma e um dirigido para a doação. Afinal, eles são opostos entre si. Para a pessoa ser capaz de adquirir até mesmo o menor desejo de doação, todos os outros desejos têm que ser restringidos.

Da 5a Lição da Convenção NÓS! 02/04/11

Erguendo-se Acima do Problema Para Resolvê-lo

No nível humano deste mundo nós podemos estudar, conhecer e controlar um pouco dos níveis inanimado, vegetativo, e animado da natureza. Apesar de não ser da melhor maneira possível, nós, no entanto, somos capazes de compreender e mudar a natureza a um certo nível.

Contudo, não podemos controlar a humanidade, a sociedade humana e hoje ela se manifesta cada vez mais claramente, em tudo que fazemos. Somos incapazes de criar uma nova geração, nossos filhos, corretamente. Antes, nós não pensávamos nisso, mas hoje estamos enfrentando um problema: é uma geração de jovens completamente fora de nós, e somos incapazes de fazer qualquer coisa com eles.

Se pudéssemos transformá-los em gente boa, razoável (embora nós mesmos não saibamos o que isso significa), então pelo menos os nossos filhos teriam uma vida boa. Todas as gerações esperavam que a sua vida difícil fosse pagar-se com o sucesso dos seus filhos. Mas hoje estamos em um período de transição: Nós, como se estivessemos caindo do pico das expectativas, começamos a descer, tendo perdido qualquer esperança de que a vida da próxima geração seria melhor do que a nossa. É por isso que as pessoas já não querem começar uma família e ter filhos.

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O Momento da Verdade

Pergunta: Por que a sabedoria da Cabala foi escondida durante o milênio?

Resposta: A sabedoria da Cabala estava escondida há milhares de anos porque o nosso desenvolvimento egoísta neste mundo tinha que chegar ao seu último limite. Chegamos a um estado em que cada um de nós, sendo um egoísta isolado, atravessamos as aspirações egoístas por comida, sexo, família, riqueza, fama, poder e conhecimento, e agora sentimos que nenhum dos prazeres terrenos pode nos realizar.

Este é o problema do desenvolvimento egoísta: Não importa o quanto nós avançamos no nosso egoísmo, não podemos deixar de nos sentirmos insatisfeitos. Afinal, eu sou incapaz de me satisfazer peloo meu ego pois o prazer com o qual eu estou tentando preencher meu desejo imediato sacia o desejo devido à sua oposição, como em um curto-circuito.

O desejo é uma falta de realização, um sinal de “menos”, enquanto o prazer é satisfação, um “mais”. Ao entrar em contato, eles se neutralizam. Por esta razão sentimos que no instante em que chegamos a qualquer satisfação de comida, sexo, ou de outros prazeres mundanos, ele começa a diminuir.

Mas em qualquer caso, todas as nossas tentativas para ter prazer na comida, sexo, família, riqueza, honra, poder ou conhecimentos eram necessários. E agora nós temos que nos elevar a partir deste estado egoísta com o nível de unidade entre nós. Isto é, a um menor ou menor grau, já estamos dispostos a admitir que esta vida não nos traz prazer e, finalmente, sentimos um vazio, um “menos”.

Então nos aproximamos de uma nova etapa. Nós mostramos que qualquer célula do organismo em geral é capaz de existir apenas em conexão com as outras. É por isso que a sabedoria da Cabala foi escondida até o surgimento de uma necessidade premente de se unir.

Hoje, em todas as áreas da nossa vida, descobrimos que estamos todos interligados e não podemos fugir da nossa interdependência global. Nunca em toda história da humanidade nos sentimos tão dependentes uns dos outros. Assim, a sabedoria da Cabala está sendo divulgada agora, em especial, a fim de apresentar o método da unificação correta.

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Da Lição 1, da Convenção NÓS de 01/04/2011

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