Textos na Categoria 'Corpo e Alma'

Não Há Tal Coisa De Desejos Supérfluos

Dr. Michael LaitmanSem a intenção correta, a Luz não pode entrar num desejo e ele permanece em sua imundície. Apenas a intenção purifica o “corpo” do desejo e permite que a Luz entre.

A intenção surge quando o corpo percebe a impureza em que se encontra, quer a unidade com o Criador e faz ações para atrair a Luz que Reforma. Então, a Luz da Torá corrige o desejo com a intenção de doar e se veste nele.

Primeiro a pessoa deve revelar sua intenção egoísta. Isso também é uma realização. Depois ela precisa da Luz para mudar a sua intenção para doação.

Pergunta: Essa intenção é formada pelo ambiente certo?

Resposta: Não, a intenção é formada pela Luz, enquanto o ambiente apóia este processo, para que a pessoa venha a exigir a correção da Luz.

Pergunta: Então isso significa que apenas a oração vai ajudá-la a conseguir isso?

Resposta: Sim, a oração, o pedido ou a exigência dirigida à fonte; em outras palavras, uma necessidade.

A oração (MAN) é uma necessidade, um desejo não realizado que vem de Nukva que está incluída em Bina. É daí que vem o nome MAN – Mey Nukvin, literalmente, “Águas femininas”. Bina cria Nukva, a qualidade feminina, a partir do desejo de doar, enquanto Nukva deseja tornar-se semelhante à Bina a partir do seu desejo de receber. Estas são as duas etapas: primeiro, ao quebrar, Bina inclui-se em Nukva, ou seja, Malchut, e depois, quando Malchut é corrigida, inclui-se em Bina.

Pergunta: Então, por que são necessárias todas essas ações físicas que fazemos neste mundo?

Resposta: Sem elas eu não posso prover minha existência. Mas se eu adiciono a intenção correta ao meu desejo de viver e me satisfazer, eu permito que ela seja corrigida. Eu dirijo toda a minha vida à correção.

Pergunta: É possível adicionar a intenção a cada ação?

Resposta: Sim, até a uma ação “grosseira”. Em virtude da intenção, qualquer ação se torna espiritual. Qualquer desejo pode ser corrigido, mesmo o mais insignificante, mais baixo e estúpido. A Luz vai emitir um “certificado de validade” a cada desejo.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 29/10/12, “Matan Torá“

Não Basta Descer Da Árvore: Você Deve Se Elevar Acima De Si Mesmo

Dr. Michael LaitmanPergunta: Hoje as pessoas já entendem que as coisas só vão piorar no mundo. Mas a Cabalá ainda está longe das massas. Como nós podemos cobrir essa distância? E por que ela existe?

Resposta: Ela existe para dar a nós e à humanidade a oportunidade de fazer um esforço. Esta separação permite a nós e à sociedade externa fazer um trabalho mútuo entre nós. A distância foi criada com um propósito: aqui você deve investir seu conhecimento, compreensão, entendimento e pensar no que lhe impede continuar o processo natural.

Uma vez os macacos desceram das árvores e com o tempo tornaram-se povos primitivos. Seguiu-se a era da escravidão, a Idade Média e o período do capitalismo. E hoje, quando esse desenvolvimento acabou num colapso, as pessoas chegaram à compreensão da necessidade da boa união. Então, por que o desenvolvimento não continua automaticamente?

Porque o ser humano nunca iria aparecer. Seria o mesmo primata que desceu das árvores, impulsionado por seu egoísmo. Nós não percebemos que estamos totalmente sob o controle do nosso amor-próprio. Se me mostrassem o sistema em que todos nós existimos, eu veria que não faço nada sozinho. Nessa situação, a criatura não vai surgir. Passe alguém pelo filtro da independência, e nada restará dele – nada, a não ser a força superior, que estava lá inicialmente.

“Como você cria um ser humano?”: eis a questão. Um ser humano só pode ser feito fornecendo-lhe a escuridão, um pouco de conhecimento e um pouco de força, para dar-lhe a oportunidade de encontrar uma maneira de prevalecer sobre sua natureza e construir algo oposto a ele fora da escuridão sem muito conhecimento ou compreensão. Então, ele vai querer tirar as partes necessárias do Criador e submeter-se voluntariamente ao ambiente, que vai obrigar a fazê-lo. Ele será capaz de adquirir uma forma sobrenatural através deste trabalho mútuo, uma forma que está acima de sua natureza. Esta forma é chamada de “Humano” (Adam), uma forma que ele criou sem utilizar as Reshimot (genes informativos), que ficaram nele desde os tempos que ele era um primata.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 19/09/2012, “Introdução ao Livro, Panim Meirot uMasbirot“

Não Se Esqueça De Comprar Pão Para A Alma

Dr. Michael LaitmanPergunta: O que eu posso fazer se nada me ajuda a despertar e estamos totalmente cercados por indiferença?

Resposta: Nós devemos entender que mesmo que eu não consiga despertar internamente eu ainda posso agir externamente, e assim eu desperto os amigos internamente. Se falarmos sobre a grandeza do Criador, nós vamos ser inflamados e despertaremos a nós mesmos. É assim que ocorre em cada ação. Bastaria contratar atores estranhos para produzir diante de nós sua admiração e excitação sobre a meta espiritual para que nós nos impressionássemos com isso.

Há uma história sobre um Cabalista que viveu em uma aldeia remota na Europa, que costumava convidar músicos de rua de Klezmer para tocar para ele. Sua esposa costumava gritar com ele por dar-lhes os últimos tostões, uma vez que eles não teriam o suficiente para os alimentos, e ele respondia que ele tinha que fazer isso para reviver a sua alma.

A esposa quis saber como ele poderia ser impressionado por eles. Afinal, ele era um grande homem, um respeitado rabino, e eles eram apenas bêbados vagabundos que usariam o dinheiro para comprar vodka e ficar bêbados. Mas ele respondeu que não importava. Eles tocavam por dinheiro, pois queriam beber, e ele ouvia porque queria ser estimulado ao trabalho espiritual.

Portanto, você também tem que encontrar amigos que atuarão diante de você, mesmo se for para o benefício pessoal deles, contanto que você fique impressionado.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 14/09/12, Escritos do Rabash

A Pergunta Que Preocupa A Todos

Dr. Michael LaitmanEm seu artigo, “Corpo e Alma”, Baal HaSulam explica uma confusão muito comum sobre o corpo e a alma. O tema diz respeito a todos. O que sou “eu” neste reino? O que vai acontecer comigo depois que eu morrer?

Os animais não se preocupam com essas coisas. Eles nunca têm pensamentos como esse, uma vez que não sentem o tempo fora de sua natureza, nem jamais subem acima de sua natureza, enquanto que no topo das sensações humanas de vida, há um sentimento adicional de distanciamento que causa dúvidas. O que acontece fora desta vida?

Na verdade, nós pertencemos à eternidade, e com o grau de nossa conexão pessoal com a eternidade, nós levantamos diferentes tipos de perguntas. Nossa busca varia em intensidade e força, mas cada um lida com estas questões de uma forma ou de outra.

Como resultado dessa busca, as pessoas apresetam múltiplas teorias e conceitos. Há vários milhares de religiões, crenças, costumes e assim por diante que o Baal HaSulam divide nas seguintes categorias:

• Alguns pensam que não há alma alguma e que o corpo é uma máquina, um saco de combinações químicas impulsionado por impulsos elétricos.

• Outros pensam o corpo como algo que possui uma alma que entra no corpo no momento do nascimento, e sai na morte.

• Alguns pensam que, apesar da alma existir, o corpo ainda pode viver sem ela. Nós sabemos como anexar partes do corpo que foram separadas e aprendemos a implantar novos órgãos, às vezes até artificiais. No futuro, nós possivelmente iremos criar nossos próprios corpos a partir de um conjunto de partes do corpo.

Para encurtar a história, as pessoas são muito confusas com relação a esta questão. Existe uma alma ou não? Ela está dentro ou fora do corpo? Ninguém sabe a resposta precisa, nem tem qualquer explicação científica sobre este assunto.

Portanto, as pessoas escolheram teorias de acordo com os seus gostos. Inúmeras hipóteses foram criadas no século passado que trouxeram um monte de dinheiro para seus autores. No entanto, até agora, nenhuma dessas teorias fornece uma resposta verdadeira para a questão, uma vez que não revelamos o tópico na íntegra.

Aqui, a sabedoria da Cabalá intervém. Ela divulga a realidade em sua total capacidade: o Criador, a alma, etc.; em outras palavras, tudo! Nada é escondido de nós aqui.

É por isso que a Cabalá é chamada de “sabedoria secreta”. Ela estuda as coisas que estão ocultas de nós e as torna óbvias para aqueles que estudam esta ciência. Claro, a pessoa precisa investir muito esforço, mas ela será recompensada de acordo com seu esforço. É um lugar onde a veracidade pode ser descoberta, embora devamos lembrar que a revelação da Cabalá é condicionada a mudanças internas do estudante.

A sabedoria da Cabalá não lida com atividades externas, tais como rituais, amuletos, ou cerimônias secretas. De um modo muito preciso e claro, exige que a pessoa mude internamente.

A demanda é muito rígida. Sendo controlados por nossos desejos de receber, nós sempre pensamos que cuidamos de nós mesmos. Isto nos faz “animais egoístas”. Pense nisso, analise, compreenda sua inclinação ao mal, e a transforme em seu oposto: a intenção em prol da doação. Há um poder especial que realiza a correção quando trabalhamos no grupo.

De uma forma ou de outra, a implantação dos princípios da Cabalá deve ser muito clara e fácil para quem quer conhecê-los. O problema é, digamos, ser preguiçoso. Por isso, não há muitas pessoas que conseguiram revelar a verdade até agora.

A sabedoria da Cabalá afirma que não há alma habitando o corpo. Há um vaso da alma, que também é chamado de “corpo da alma”, o desejo de receber que é totalmente orientado à doação. É um vaso corrigido pela alma, isto é, pela Luz que o preenche de acordo com a lei de equivalência das propriedades e que é chamada de “Luz da alma”.

Assim, se a pessoa se transforma num vaso que recebe a Luz, e daí a Luz entra nele. Depois disso, ela obtém uma alma que lhe pertence e que reflete o nível dos desejos com os quais ela trabalhou.

Há cinco níveis da Luz da alma: Nefesh, Ruach, Neshamah, Haya e Yechida . Em geral, a pessoa deve atingir uma alma grande e comum, e reconhecer a sua realização espiritual em tudo ao seu redor.

Quanto aos valores materiais, eles desaparecem, deixam de existir, uma vez que os sensores materiais são imaginários. Eles foram dados a nós temporariamente para que escape desta realidade e partamos para a espiritualidade.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 07/09/12, “Corpo e Alma”

Nós Temos 228 Anos Para Pensar?

Dr. Michael LaitmanPergunta: Será que o mundo tem a chance de chegar à correção nos 228 anos que nos restam até o fim dos 6.000 anos que nos foram dados para isso, e como é que vamos sentir isso?

Resposta: Ninguém pode dizer quanto tempo nos resta até o Gmar Tikkun (fim da correção). Isso foi falado tanto pelos profetas, que falaram sobre isso em alusões ocultas. Isso significa que eles também não sabiam quando isso iria acontecer porque se relaciona com o nosso livre arbítrio. O Baal HaSulam pensava que o Gmar Tikkun viria amanhã, se não hoje, já que tudo está pronto para ele de Cima!

Nós também achamos que isso vai acontecer em breve. Nós podemos basear a nossa crença no que está acontecendo no mundo hoje, embora ninguém saiba nada ao certo. Diz-se que a correção levará 6.000 anos, o que significa que há 228 anos restantes. Mas será que é realmente este o período de tempo que temos para alcançar o Gmar Tikkun, de uma forma boa ou má?

De uma forma boa, nós pudemos alcançar a correção amanhã, ou mesmo hoje. Não há limites aqui. Se quisermos ser corrigidos, o nosso desejo imediatamente evocará sobre nós a influência do campo superior. Nenhum acordo especial por parte do Criador é necessário. Nosso desejo é o suficiente para evocá-lo. Nós somos os mestres dos estados em que nos encontramos.

Não podemos saber quando isso vai acontecer, mas como estamos perto do Gmar Tikkun, após a revelação do mundo superior, que é chamado de nascimento espiritual, continuamos a sentir este mundo em todos os 125 graus da ascensão espiritual. No momento em que atingimos a correção geral e todo mundo está corrigido, há uma conexão de todos os vasos, de todos os desejos espirituais individuais. Então, o nosso mundo desaparece, uma vez que existe um vaso geral para todos os desejos de receber.

Quando sua última partícula se move para a doação, não resta um único desejo que não esteja corrigido para doar. Portanto, o sentimento deste mundo, que só existe dentro do desejo egoísta sem uma Masach (tela), desaparece! E só o mundo superior permanece!

Uma vez que todos os desejos estão conectados, todos os mundos se unem e se tornam um mundo superior geral, no nível de Ein Sof (Infinito). Então, ao atingir o Gmar Tikkun juntamente com todo o mundo, você deixa de sentir o mundo. Você não vai precisar dele! Além disso, você não terá vasos para percebê-lo, visto que você corrigiu o seu último desejo egoísta. Então, essa realidade irá desaparecer da sua sensação.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 21/06/12, Shamati # 30

Uma Aliança Na Luz De Retorno

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como podemos fazer uma aliança entre amigos?

Resposta: Uma aliança (pacto) entre amigos só é possível se houver uma parte superior garantindo sua manutenção. Uma só aliança pode ser mantida quando todos se conectam com a força superior, que proporciona a união.

Não há como mantermos essa aliança por nós mesmos; porém, se nos conectarmos, poderemos exigir isso do Criador: se fizermos isso por Ele.

O resultado é que “Israel” (as pessoas que anseiam pelo Criador), a Luz que Reforma (a Torá) e o Criador estão unidos, e o Criador mantém a aliança de acordo com o nosso pedido.

Quando a escuridão, separação e conflitos vêm, esta aliança é revelada e existe entre nós. Mas enquanto tudo está bem, é impossível testá-la. O teste é só quando nos sentimos mal.

Quando nos sentimos bem, não precisamos de qualquer aliança, já que exista a Luz: ela conecta todas as partes. A parte difícil é fazer isso quando a Luz desaparece, manter essas partes juntas. Isto é chamado de aliança.

Mas como você pode obter a Luz em um tempo de escuridão? É impossível. Mas nós queremos chegar a um estado em que mesmo quando não sentirmos a Luz em nossos vasos de recepção, sentiremos a Luz na nossa Masach (tela) e a Luz de Retorno: uma satisfação  nos vasos de doação em vez de uma satisfação egoísta.

Hoje, eu sou um escravo fiel do meu desejo de receber, e quero servir a fim de preencher outra pessoa da mesma maneira. Isto será um prazer para mim. Isso significa que eu quero fazer uma aliança.

A aliança só é testada no escuro, quando eu não consigo satisfação, mas ainda quero manter as mesmas boas relações que tinha antes. Em vez de um prazer egoísta, quero restringir o meu ego: uma Masach e a Luz de Retorno.

Isso é chamado de aliança: é um estado no qual eu não trabalho para mim, mas sim para doar. Isso significa que eu mantenho a mesma atitude não só quando me sinto bem, mas quando me sinto mal também. Quando os bons estados retornam, eu não quero ser confundido e escravizado pelo desejo de receber repetidamente, e assim  eu faço uma aliança para esse fim.

Eu quero sentir prazer nos vasos de doação, quero restringir meu desejo de receber e trabalhar com o prazer ao construir uma Masach (tela) e a Luz de Retorno acima desta restrição. Eu me dirijo ao amigo com esta Luz de Retorno e me conecto com ele. Isso é chamado de aliança.

Da 1a parte da Lição Diária de Cabalá 17/06/12, Shamati #76

Escravidão É A Falta Da Qualidade De Doação

Dr. Michael LaitmanQuando o homem é sucessivamente rejeitado da união e anseia por ela novamente, ele está passando por uma cadeia de situações chamada de “exílio”. Ele começa a sentir cada vez mais que este é o exílio. Exílio de quê?

Aqui há toda uma série de esclarecimentos: o exílio do bom estado, o exílio da compreensão e exílio do que pode satisfazer o meu ego. Mas eu começo a receber tudo, apesar disso tudo. Para mim não importa o que eu deveria sentir. Mesmo se eu não sentir nada, o principal é que eu vou subir acima deste estado, de modo que o exílio para mim vai ser a falta da qualidade de doação em mim.

Quando eu me anulo, eu paro de sentir o meu estado. Se eu anulo o meu “eu” (a minha personalidade), eu não existo, só o Criador existe. É como se eu desaparecesse Nele, eu não me sinto. A única coisa que eu quero é entrar na qualidade de doação, esse amor que preenche tudo em volta de mim. Se eu fizer um esforço, eu começo a sentir que realmente trabalho com ela em harmonia. Este movimento já é consciente e é expresso como o exílio correto.

Eu começo a mudar meus valores. Se antes eu sentia satisfação, compreensão, um sentimento bom, e todas as coisas pessoais eram sublimes, eu já não o sinto agora.

Agora, a coisa mais importante e principal para mim é o anseio pela qualidade de doação. Melhor ainda se eu me esforço por ela acima de situações imperfeitas, porque isso me dá plena confiança de que não é o meu ego que me empurra para frente.

Ele me enfraquece, eu me sinto mal, me sinto fora do lugar, mas, apesar de estas situações, eu sou atraído à qualidade de doação, ao Criador, a este campo que preenche tudo que está ao redor. Anulando-me, eu me torno transparente em relação a este campo e a Luz superior passa por mim.

De repente, é revelado que o Criador me acompanha, como se dizendo a Moisés (ao meu ponto no coração), “Venha ao Faraó”. Isto é, eu começo a ver que quando Ele desperta o ego em mim, Ele ao mesmo tempo me ajuda a estar conectado a Ele. Por quê? Porque quando Ele desperta o meu ego, Ele desperta grande sofrimento. Agora, se eu posso ser atraído à qualidade de doação, isso não ocorre pela satisfação, porque vai contra o meu ego: assim, ele me ajuda a fazer a minha primeira restrição (Tzimtzum) e assim eu avanço todo o tempo aumentando meus esforços na direção da qualidade de doação, a despeito do que sinto.

A questão principal aqui é a anulação de nós mesmos e estarmos atraídos à qualidade de doação. Neste caso, eu já estou construindo acima do vaso (o desejo) uma tela e a Luz Refletida. Este é o primeiro estágio espiritual.

Depois de eu dirigir a mim mesmo, eu chego a um nível tal que subo acima do “Faraó”. Este estado é chamado “Fuga do Egito”. Eu me elevei acima do meu ego; certamente, eu não fujo dele para qualquer lugar, pois ele existe em mim, mas sob a “tela”, e eu acima dele. Este é o significado do “Êxodo do Egito”, quando eu, no meu sentimento, não estou na escravidão do meu ego.

De KabTV “Fundamentos da Sociedade Integral” 01/04/12

Olhando Para Nós Mesmos, Os Estranhos, A Partir Da Linha Média

Dr. Michael LaitmanPor que o Criador criou tudo de forma tão estranha? Ele construiu um palácio, convidou todos os Seus convidados queridos e, em seguida colocou guardas e policiais ao redor do palácio que estão testando e verificando os convidados, não os deixando passar e causando-lhes dor e sofrimento. O Criador sabia de antemão quem seria leal a Ele, quem O amaria e quem não?  Por que o Criador rejeita todos nós? É assim para que somente aqueles que conseguem superar todos os obstáculos passem, a fim de provar sua lealdade e prontidão?

A questão é que é nessa luta que o nosso desejo é formado; um vaso para receber a satisfação no palácio do Rei é construído e estabilizado. Caso contrário, como poderíamos ser capazes de construir o vaso? Afinal, ele não nos foi dado de antemão pelo Alto. Se não podíamos passar sem uma razão, isso teria que ser justificado? É como se eu ansiasse pelo Criador com todo meu coração, e aqui alguns guardas me jogassem montanha abaixo.

O ponto é que eu sou totalmente oposto aos atributos necessários para atingir o topo da montanha. Eu não sou a pessoa que eu deveria ser para me tornar um hóspede no palácio do Rei. É apenas graças aos guardas que eu mudo constantemente, ao me tornar cada vez mais adaptado.

Estas forças, certamente, são retratadas no meu ego como guardas naus e cruéis que não me deixam passar. O Criador é o mais cruel de todos eles, porque Ele é o único que colocou todos estes guardas e policiais. Ele criou a minha inclinação ao mal e todos os problemas e sofrimentos que se relacionam com ela. É como se Ele tivesse dado à luz uma criança pobre, doente e em vez de sentir pena dela. Ele mesmo batesse nela, como se a criança fosse culpada de alguma coisa.

Aparentemente, todas as nossas queixas são justificadas, mas a questão é que a única maneira de construir o vaso correto é com a ajuda dos atributos certos que nós recebemos, que não temos desde o início. Assim, a abordagem correta é dividir-me em dois. De uma perspectiva você vê o que há em seu desejo egoísta. A partir de uma segunda perspectiva, você vê o que há em seu desejo de doar, em sua ânsia de se parecer com o Criador, ou seja, de acordo com a subida da montanha, no topo da qual existe o palácio do Rei.

Seguir estas duas perspectivas chama-se “linha do meio”. Com relação ao seu desejo de receber essa é a maneira mais terrível na qual não há justiça, mas apenas o oposto! Você não será capaz de justificar o desejo de doar ou apoiá-lo tanto. Isto é porque nós devemos nos esforçar em ambos os lados, tanto do lado do ego quanto do lado da aspiração pela doação.

O importante é que você está olhando para estes dois pontos de forma independente, a partir de uma zona neutra. É como se você subisse a Keter e de lá você estivesse assistindo a esta máquina, como o Criador. Ela não pertence a você, mas é sua somente se isso ajuda você a se parecer com Ele. Graças a ela, você pode se tornar semelhante a Ele, chegar à adesão com Ele, e olhar para tudo como um meio para alcançar isso.

Assim, você pode justificar, compreender e passar por todas esses testes “acima da razão”: tanto como egoísta bem como aquele que doa. Isto porque a doação também é totalmente baseada na recepção.

Você quer se aderir ao Criador em vez de estar consetado ao seu desejo de receber. O desejo de receber é apenas uma ferramenta para você alcançar o Criador. Com a ajuda da Torá (a Luz que Reforma) você tem que transformar essa inclinação ao mal em uma inclinação ao bem com a qual você irá se aderir ao Criador.

Para se aderir ao Criador, você precisa da inclinação ao bem, mas para que esta inclinação ao bem seja capaz de ajudá-lo a se aderir a ela, você deve abordá-la a partir da inclinação ao mal usando a Torá. Toda a criação foi criada para alcançar a adesão com o Criador. A partir desse ponto de adesão, que queremos alcançar, temos que olhar todo o processo pelo qual estamos passando. Então, você vai se desprender da perspectiva egoísta e não vai olhar para si mesmo através do seu desejo de receber, através do seu ego. Você vai sempre estar acima dele e olhar para ele de fora, como um meio para atingir a meta.

É por isso que é tão importante elevar constantemente a grandeza da meta, o Criador, o grupo e os amigos. Porque isso vai ajudá-loca se relacionar com todos como com as ferramentas.

Da 3a parte da Lição Diária de Cabalá 15/05/12, O Estudo das Dez Sefirot

Permaneça Focado

Dr. Michael LaitmanPergunta: Pode um desejo físico, por exemplo, um desejo sexual, impedir meu avanço espiritual?

Resposta: Desejos físicos por comida, sexo, família, dinheiro, honra, poder e conhecimento não podem impedir o avanço espiritual de uma pessoa. Não devemos lidar com o que pertence separadamente ao corpo.

Nós só devemos nos preocupar com o ódio que sentimos em relação aos amigos e depois com o mundo inteiro.

Se você quiser comer cinco porções em vez de uma, isso é prejudicial para o organismo, mas não interfere no caminho espiritual. O mesmo vale para o sexo.

Então, pense apenas na conexão com o Criador através dos amigos, e você deixará de se preocupar com o resto.

Da Convenção no Brasil 06/05/12, Lição 5

Uma Aliança De Almas Relacionadas

Dr. Michael LaitmanPergunta: Não está claro como pessoas modernas que não querem ter filhos, de repente, tenham esse desejo.

Resposta: É graças ao fato de que começamos a nos conectar mutuamente em todo o mundo. Através da formação de conexões com base no amor acima da repulsa e do desprazer, começamos a entender o poder interno que está oculto nestas relações. Nós veremos em que medida a doação aos outros nos preenche

Então, a mulher vai gostar de estar em tal relacionamento com seu marido, com certo esposo, e não algum parceiro aleatório, como nós vemos nos dias de hoje. Em seguida, eles serão capazes de estabelecer uma relação mútua e construir uma família, não no nível biológico, sexual, mas no nível da conexão espiritual. Em tal família eles vão sentir que é possível expandir o relacionamento, realizá-lo através das crianças. Este é o resultado da aprendizagem de uma pessoa para se conectar com o mundo.

Nós sempre vivemos egoisticamente. Nós demos e recebemos egoisticamente, mas agora o mundo inteiro vai chegar a uma conexão altruísta. Primeiro, é sob a forma de “doação a fim de doar”; depois, é sob a forma de “receber a fim de doar”. Vamos entender que vale a pena chegar a uma forma de receber, a fim de aumentar nossa doação.

Pode parecer uma linguagem sublime, mas de acordo com o ritmo do nosso desenvolvimento esse futuro está muito próximo. Claro, é muito difícil compreender isso, visto que a pessoa não muda. Mas mudando gradualmente, começamos a compreender o nível em que estamos e um pouco acima dele.

Eu acho que quanto mais a pessoa se corrige, tornando-se mais integrada e conectada aos outros, ao tratar os outros com amor, doação, preocupação, compreensão mútua e garantia mútua, a sua atitude para com o outro sexo, para com seu parceiro ou parceira, também será alterada, bem como suas atitudes em relação aos laços familiares e às crianças.

Afinal, nós nunca sentimos o que é amor. Nós agimos de acordo com nossos instintos naturais e, dessa forma, escolhemos o cônjuge direito. Mas agora nossos relacionamentos mais próximos serão baseados num sentimento interno, depois que aprendermos a viver acima do nosso ego.

A Natureza nos obriga a estabelecer tais relações globais em todo o mundo. Assim, nós não vamos olhar para o outro sexo no plano animal, físico, onde a família já entrou em colapso. Vamos criar uma aliança familiar num nível espiritual mais elevado, e estabelecer conexões de doação mútua.

Através dessa doação eu vou começar a me sentir de forma diferente em relação ao meu cônjuge e ele vai se sentir da mesma forma em relação a mim, de modo que haverá uma nova conexão entre nós, como se diz: “um homem e uma mulher, se tiverem sido agraciados, a Divindade está entre eles”, o que significa uma conexão especial. Graças a esta conexão, vamos começar a pensar em filhos. Esta será uma família totalmente diferente, não vamos voltar ao que era no passado, mas sim aumentar a nossa conexão, do nível material e físico, ao nível das almas, ao nível espiritual.

A família terá a mesma forma: um homem, uma mulher e filhos, mas o significado e o objetivo serão totalmente diferentes.

Da “Conversa sobre uam Nova Vida” #19, 02/02/12