Textos na Categoria 'Corpo e Alma'

Devoção À Natureza Oposta

Dr. Michael LaitmanA devoção é exigida de nós ao longo do caminho; nós somos obrigados a nos anular, para “assumir o fardo do Céu”, que significa devoção.

Nós vemos qualidades semelhantes nos animais: se algo de ruim acontece com seu dono, ou se o seu dono tem um problema, o cão sente isso e é muito dedicado a ele. Essa é a mesma devoção que falamos aqui, ou não?

Qual é a diferença entre a devoção nos níveis da natureza inanimada, vegetal e animal, e o nível “falante”? O escravo se acostuma com seu dono, sente a sua dependência dele e é dedicado a ele, como um cão. De que maneira ele é diferente de um servo do Criador?

Ser escravizado ao Criador é devoção a uma natureza que é oposta à natureza da pessoa. Eu estou num estado de submissão e auto-anulação, entre dois polos que se dividiram. Dentro de mim, há meu desejo de receber, e nele, eu sinto meu ego, reivindicações de diferentes problemas e decepções. Eu sinto tudo isso e não os anulo, eles vivem dentro de mim, mas, acima de tudo isso, eu gradualmente adquiro o reconhecimento e a devoção espiritual, entendimento opostos à minha propriedade egoísta.

A diferença entre estas duas formas da natureza que estão dentro de mim é clara, compreensível e familiar. Minha devoção sobe acima da minha razão e quanto maior o desejo, mais alto eu subo acima dele. De maneira oposta, a diferença, a tensão, a distância entre a natureza egoísta e a natureza altruísta, entre a intenção de receber e a intenção de doar, para mim ou para o Criador, a diferença entre esses dois polos, cresce cada vez mais.

Diz-se: “Aquele que é maior do que seu amigo, seu desejo é ainda maior” e “uma pessoa não pode cumprir uma Mitzva, a menos que tenha falhado em cumpri-la antes”. Isso significa que temos que cair e sentir uma maior profundidade do nosso ego, da inclinação ao mal, da cobra, e só a partir daí podemos subir para níveis mais elevados de desprendimento e devoção completa.

Estes dois pontos se não anulam. Em vez disso, nós podemos preencher a distância entre eles com o reconhecimento, a compreensão e o nosso amor que se eleva acima do ódio: “O amor cobrirá todas as transgressões”. Esta é a diferença entre a nossa devoção espiritual e a devoção religiosa.

A religião exige que o indivíduo siga com os olhos fechados, e quanto menos ele entende, mais devotado é o crente. Ele faz tudo o que lhe é dito, sem tentar entender. Quanto menos dúvidas ele tem, com mais certeza avança com a bandeira na mão e o olhar fanático no rosto, mais respeitável ele é considerado.

Na sabedoria da Cabalá, no entanto, é a dúvida, a confusão, os diferentes problemas e esclarecimentos internos que geram discernimentos ricos, pensamentos e ideias internas. Eles são todos opostos ao Criador e o trabalho para doar, mas acima deles, a pessoa constrói sua devoção, pois graças a eles, ela pode entender e sentir.

Baseado nisso, ela constrói o entendimento e o sentimento, percebe o mundo de uma ponta à outra nas duas formas, em todos os sentimentos e entendimentos possíveis. Ela não tem uma perspectiva estreita e não avança com os olhos fechados, mas reconhece totalmente o ego e assim constrói sua atitude em relação ao atributo de doação, compreendendo a propriedade do Criador.

Ela eleva o atributo de doação acima do atributo de recepção. De forma independente e consciente, ela consente em se entregar para servir e amar. Isto se torna seu Criador.

Da Preparação para Lição Diária de Cabalá 22/01/13

Uma Discussão entre Dois Desejos

Pergunta: O ponto no coração está ligado ao nosso corpo corporal?

Resposta: O corpo é controlado pelo desejo. Às vezes eu caio de forma impotente, durmo, incapaz de me forçar a me mover. Ao mesmo tempo, estou fisicamente saudável, minha pressão arterial, o meu nível de açúcar no sangue, o meu coração, os pulmões, está tudo bem, então por que não posso me mover? Porque eu não tenho vontade. Eu não quero nada, e é uma espécie de sentimento melancólico. Às vezes, mesmo se a minha temperatura estiver alta e eu me sinto tonto, eu corro loucamente o dia inteiro, a fim de resolver um determinado problema.

O desejo leva a carne à ação. Isto significa que nos voltamos para a sabedoria da Cabala e vamos para a aula não com o nosso corpo, mas com o nosso desejo.

O corpo é apenas um “animal” que trazemos conosco. O cão encontra-se no tapete perto da cadeira de seu dono, e eu resolvo deixar o meu corpo em uma cadeira. Eu, entretanto, sou o desejo. A forma como eu trabalho comigo mesmo, o jeito que eu “me formato” é como opero o meu corpo. É apenas uma “máquina biológica”, e se for dado motivação suficiente, então, mesmo com a alta temperatura,  vai avançar para a meta junto comigo. [Leia mais →]

Nefesh, Ruach, Neshamah

Dr. Michael LaitmanAs qualidades espirituais recebem diferentes nomes: Nefesh (alma), Ruach (espírito), Neshama (alma). Nós começamos a entrar no mundo espiritual ao receber o nível de Ruach.

Nefesh, é o nível inanimado da Santidade, quando a pessoa não consegue se mover sozinha. Ela vem para a aula e acha que está tudo bem, que nada mais é exigido dela: hoje é igual à ontem e amanhã será igual à hoje. Ela não explode e não sente que permanece no mesmo estado, mas está feliz que mais um dia se passou e que está tudo bem. Ela aceita a rotina diária.

Mas também é uma conquista se a pessoa está no grupo, tentando não interferir com o seu avanço, pronta para se juntar a todos, e apoiá-los. Ela apoia o que os outros estão fazendo. Mas não demonstra nenhuma iniciativa especial; ela não tem o nível de Ruach. Não há nenhuma força nova crescendo nela. Assim, ela é chamada de Nefesh de Kedusha (da Santidade).

Mas ela ainda vem para as lições e os estudos. Eu queria que o mundo inteiro estivesse no nível de Nefesh da Santidade. No entanto, isso é chamado de “espiritualidade” do nível de Ruach. Ruach significa que a pessoa já tem algo a acrescentar. Ela não concorda em permanecer no nível inanimado da natureza. Se ela vê que nada mudou desde ontem e que não vai mudar amanhã, para ela é como estar morto.

Não é apenas um estado de imobilidade da natureza inanimada, mas uma sensação de morte, o que significa o pior estado. Portanto, ela se pergunta o que mais pode acrescentar. Enquanto isso, a única coisa que ela pode acrescentar é suas ações. Baal HaSulam diz no artigo “A Liberdade” que uma pessoa não tem outros meios para mudar seu estado, exceto escolhendo o ambiente certo.

A pessoa que escolhe uma forte influência do ambiente é digna de louvor. É através disso que ela pode avançar e não graças às boas ações. Ela não consegue fazer quaisquer boas ações, uma vez que não somos os senhores de nossas ações. Mas, graças a ter escolhido um bom ambiente que possa influenciá-la fortemente, ela começa a se mover.

Para começar a se mover sozinha e ir do nível inanimado para o nível vegetal, para subir do nível de Nefesh para o nível de Ruach, para se tornar uma pessoa espiritual, eu tenho que constantemente evocar os que me rodeiam e escolher um ambiente cada vez mais forte que me influencie mais e mais forte e me ajude a ser mais espiritual.

Por essas ações eu constantemente acrescento de mim mesmo ao grupo e isso me influencia constantemente, e eu anseio pela espiritualidade, a doação, cada vez mais. Acontece que eu acrescento à doação e, finalmente, alcanço o próximo nível que é chamado de Neshama.

Eu atuo em relação a todos os outros e sou influenciado por eles através do grupo que me influencia. Assim, com a sua ajuda, eu sempre influencio a mim e subo. O ambiente serve como uma alavanca para me elevar cada vez mais.

Eu subo através do ambiente e quero começar evocando a mim mesmo, para me conectar a ele da maneira mais eficiente e prática. Eu quero aumentar a minha influência sobre espiritualidade para não ser passivo sob sua influência e esperar que ela me mude, mas quero doar ao ambiente por mim mesmo, para torná-lo mais forte, de modo que ele vai me influenciar mais fortemente. Então nós nos conectamos com o ambiente e subimos juntos ao mundo espiritual. Isso significa que eu alcanço o nível de Neshamah.

A questão principal aqui não é para relaxar, de modo que “cada dia seja como o outro”. Deve haver renovação constante, a cada momento, se não, você vai cair imediatamente num estado de morte. Não é tão fácil subir a partir do estado de morte. É impossível fazê-lo por um salto, a fim de retornar ao estado anterior. É impossível voltar ao mesmo estado. Nós temos que fazer uma correção: um novo nascimento e um novo crescimento, tudo de novo.

Mas se a pessoa não sente que tem que subir de novo, isso significa que nem sequer sente a sua morte, mas que realmente perdeu a consciência.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 28/12/13, Escritos do Rabash

Por Que Os Justos Se Lamentam?

Dr. Michael LaitmanPergunta: Está escrito que os justos lamentam a falta de sofrimento em suas vidas, uma vez que é a dor que expande o vaso de percepção.

Resposta: Não se trata do sofrimento do ego, quando uma pessoa, olhando para trás para a vida que viveu, se sente mal em relação às oportunidades perdidas: “Lá eu perdi a oportunidade de ficar rico, aqui, de fazer amor e aqui de fazer uma pausa!”, e assim por diante, para que na sua velhice ela possa se censurar e devorar a si mesma. Este é um estado terrível!

Espiritualmente, não há tal coisa, pois podemos discernir onde na minha vida, eu fui incapaz de fazer um esforço extra para a conexão com os outros, para a correção deles e a minha, para subir acima do nosso egoísmo, para um nível mais elevado, o nível humano.

Mas isto não é sofrimento, porque na medida em que eu estou experimentando isso agora, imediatamente o corrijo.

Pergunta: Então, o que os justos querem dizer com “sofrimento”?

Resposta: Eles se preocupam com as oportunidades perdidas e imediatamente as satisfazem.

Afinal, eles ainda experimentam desejos. Por outro lado, eles conseguem captar onde deixaram alguns “assuntos inacabados” na vida. Por exemplo, neste momento, desejo ver meus alunos em perfeito estado. Este é o meu maior desejo, e ele já está implantando o resto.

De KabTv “Bases da Sociedade Integral” 11/03/12

A Perfeição Dos Opostos

Pergunta: O que acontece com a individualidade de cada um durante a unidade do grupo mundial? Existe alguma importância para os nossos atributos, quando o Criador nos separa, nos une, ou requer algum tipo de esforço nosso? Ou eles não fazem qualquer diferença?

Resposta: Imagine que uma vez havia um corpo e esse quebrou-se em pequenas partes. Como é possível agora, de todas essas partes, criar o mesmo corpo?

Cada um de nós é responsável por uma determinada parte deste corpo geral que é chamado Adam HaRishon (o primeiro homem). Eu sou uma pequena parte do seu fígado, e você é uma pequena parte dos seus pulmões, e outra pessoa é uma pequena parte dessa coração, etc

Então,como podemos mudar a nossa fundação? É impossível!

Por isso, cada um tem de ficar com os atributos iniciais. Ele mantém seu caráter com todos os seus atributos inatos. É tudo seu. É precisamente graças a essa individualidade que ele se expressa.

Entanto, esta imagem toda maravilhosa é composta especificamente de opostos, das diferenças de cada um de nós, que é completamente o oposto do seu amigo. E assim todos eles podem ligar-se para atingir esse composto, como um corpo em geral que será perfeito especificamente graças a cada um complementando o outro. Sob nenhuma circunstância eles precisam ser idênticos.

Só uma coisa é necessária de uma pessoa, que é a conexão com as outras em outorga a todas as outras! Seguindo esta condição, cada um se realiza de forma individual para os outros. E deste sai um enorme,integral Kli (navio / desejo) que é completo.

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Da Lição Virtual de 11/11/12

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Não Perca A Chance!

Dr. Michael LaitmanHá momentos especiais e períodos na espiritualidade, “momentos felizes” por assim dizer, que não podemos prever ou trazer de volta. Eles vêm ocasionalmente, uma vez ou outra e não dependem de nós, mas das relações entre Zeir Anpin e Malchut de Atzilut.

Imagine dois cilindros, um dentro do outro. Em cada um deles há uma pequena fenda e no meio há uma lâmpada. Quando os dois cilindros giram, suas fendas por vezes coincidem e, em seguida, um feixe de luz surge através das ranhuras e pode ser visto do lado de fora.

É o mesmo com Zeir Anpin e Malchut que cooperam em situações especiais e, por vezes, “brilham” para a pessoa. Isso é chamado de um “tempo de boa vontade”. Ele vem de Cima e para cada indivíduo em sua própria maneira especial, já que somos todos diferentes e pertencemos a diferentes partes do sistema geral, passando por diferentes estados internos e externos.

Para resumir, como resultado da quebra dos vasos, as conexões entre nós são excelentes e confusas. Portanto, existem diversas condições. Mas, num determinado momento, vem um “bom momento” para a pessoa e é muito importante que ela o agarre e o satisfaça.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 26/11/12, “A Essência da Sabedoria da Cabalá”

Um Homem Com Uma Arma

Dr. Michael LaitmanSe nós permanecêssemos nos níveis inanimado, vegetal ou animal da natureza, seguiríamos todas as leis da natureza instintivamente. Mas existem desejos num nível superior dentro de nós e neles não sentimos a obrigação de agir de certa maneira. As coisas se tornam confusas.

Isto é sentido especialmente em nossa época. Ao longo da história, os seres humanos aumentavam na sociedade de acordo com os níveis inanimado, vegetal e animal da natureza; nós nos desenvolvíamos gradualmente, em etapas, sem pensar em quem ou o que éramos, ou para onde íamos. Fomos empurrados para frente por diferentes impulsos e todos eles nos trouxeram a um esclarecimento simples: Como extraímos o máximo do estado atual? Em outras palavras, a pessoa mantém as leis da natureza numa forma mais ou menos organizada relativa aos animais por causa das condições que são muito mais complicadas. Assim, há sábios que sabem como aproveitar essas condições para o benefício de seu ego e outros têm que “se contentar com menos”.

Mas hoje nós estamos perdendo a capacidade de avançar desta maneira. Eu gostaria de avançar como costumava fazer, para escolher o que é melhor para mim, mas estas tentativas nunca são bem sucedidas. É como se um outro elemento aparecesse na minha perspectiva que por enquanto está oculto, como se alguém invisível constantemente colocasse pedras em meu caminho. Eu quero consertar o sistema financeiro, a economia, a educação, a família, mas nada funciona. Eu sou muito lógico, tenho dados científicos, tenho especialistas e assessores, mas não consigo chegar a nada. Então, o que está acontecendo?

Um novo domínio é revelado aqui, uma nova lei que era desconhecida até agora. Nós temos que aprendê-la, mas ela é obscura e incompreensível. Além do mais, o que está sendo gradualmente revelado nesta lei é algo que não queremos aceitar. Queremos continuar como antes e ter sucesso em tudo o que fazemos. Em vez disso, temos que concordar com uma condição que vai transformar nossa natureza egoísta. A condição é que estamos conectados e que se decidirmos algo tem que ser a favor de todos. Aqui nos paramos, sem saber o que fazer, levando as mãos ao alto em desespero.

Este é o estado em que nos encontramos hoje. Como escravos no Egito que “têm um novo rei”, nós sentimos que há um novo domínio. Anteriormente, o ego nos ajudava a avançar apesar dos obstáculos; nós conquistamos a natureza e o espaço, cuidávamos de nós mesmos de diferentes maneiras e, de repente, nos desesperamos em tudo. Já faz anos que não achamos mais as velhas metas atraentes. Por quê? Porque nossos instintos nos dizem: não haverá nenhuma compensação para o nosso desejo egoísta aqui.

É como se eu ganhasse um milhão de dólares agora, mas há um homem com uma arma na minha frente. “Você vai ganhar um milhão”, ele me diz. “Mas você vai receber apenas mil e deixar o resto do dinheiro para mim”.

Eu tenho que fazer um esforço que vale um milhão de dólares e só recebo uma pequena parte “para cobrir as despesas”. Mas o meu desejo não me fornece combustível suficiente para este trabalho. Então o que podemos fazer?

Ou o medo vai me obrigar a fazer isso ou eu preciso ver que o homem com a arma é meu melhor amigo, o mais querido e mais próximo. Então eu vou estar pronto para receber apenas mil dólares para cobrir as minhas necessidades básicas e terei prazer em deixá-lo todo o resto. Além do mais, eu vou agradecer a ele, pois sem a sua arma eu teria continuado a tomar para mim. Assim eu alcanço algo novo e estou feliz em dar-lhe o que obtive, já que assim chego mais perto de você e das novas metas que me são reveladas.

Quanto é que uma pessoa tem que passar até alcançar o reconhecimento deste estado?

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 22/11/12, Introdução ao Estudo das Dez Sefirot

Desejo para Nós um Parto Fácil!

A pessoa passa por vários estágios de desenvolvimento inconsciente como os que vicenciamos ao longo da história. Mas, entretanto, não é o humano em nós que se desenvolveu. O ser humano em nós tem que nascer agora, fora do trabalho de parto! Uma nova forma de existência chamado de “homem” vai se desenvolver a partir do nível animal.

Toda a nossa história anterior era apenas a preparação para o desenvolvimento da vida humana real. Agora, a espécie humana tem que se desenvolver em toda a humanidade, o que inclui a nação de Israel na mesma. O nível humano é chamado de desejo de se conectar com os outros, uma inclinação para se conectar com os outros, uma intenção.

De primeira, pode ser uma inclinação egoísta que resulta da minha sensação ruim sabendo que uma conexão com os outros pode melhorar a minha situação e me salvar. Este é o estado em que estamos agora em Israel. A pressão que estamos sentindo ultimamente e sempre sentimos por causa das guerras foi criada apenas para nos empurrar e forçar-nos para que o ser humano nasça, é como as contrações que empurrar o bebê para fora. [Leia mais →]

Derech Eretz Aquecido Pela Luz

Dr. Michael LaitmanHá muitos níveis de compreensão e realização do sistema no qual a pessoa está em cooperação mútua com a força superior. É muito difícil descobrir este caminho de sofrimento que é chamado de “400 anos de exílio”, que é insuportável. Se as duas forças, recepção e doação, o Criador e a criatura, colidirem frontalmente, a criatura terá que passar por todo este caminho de novo a partir das quatro fases da Luz Direta, todo o processo de desenvolvimento. Este é um caminho terrível.

Mas nós estamos num sistema que age de acordo com determinado plano superior, onde já existe o resultado final, o ponto de partida e o estado final. Todos os Cabalistas que agiram em todas as gerações e todos os livros que eles escreveram estão incorporados neste sistema. Há pessoas que alcançaram o Criador vivendo em segredo entre nós neste mundo que estão trabalhando para aproximar mais a humanidade dessas ideias.

Tudo isso nos leva ao que é chamado de Derech Eretz (o caminho da Terra) algo que está entre o caminho do sofrimento e o caminho da Luz, o qual permite o livre arbítrio. Se avançássemos apenas pela vara, não teríamos como desenvolver a nossa mente. Nós ficaríamos ocupados apenas tentando evitar o próximo golpe que poderia vir de um lado ou do outro.

Mas, se recebermos tudo através do sistema onde existe tanto o juízo quanto a misericórdia, a combinação destas duas forças nos permite desenvolver. Como um bebê cujos pais o desenvolvem, nós vamos receber ajuda no nosso desenvolvimento espiritual. Imagine o que seria de um bebê que se desenvolvesse sem a ajuda de seus pais. Mesmo que ele pudesse sobreviver, quais os problemas e sofrimentos pelos quais ele teria que passar; o máximo que ele poderia alcançar seria uma existência animal simples, para de alguma forma viver e morrer.

Esta é a vida de um animal. A vida de um homem é baseada em receber apoio das gerações anteriores, à medida que cada uma delas se desenvolve e completa aquela que a precedeu. Os desejos humanos se desenvolvem de uma geração para outra.

Portanto, hoje nós nos encontramos num estado onde por um lado ninguém quer receber a sabedoria da Cabalá e não entende pra que precisa dela. Ninguém conhece esta sabedoria e imagina algum tipo de misticismo e milagres. Diferentes grupos têm diferentes atitudes para com a sabedoria da Cabalá, pessoas que são religiosas ou não, que pertencem à nação de Israel ou a outras nações.

Os mais teimosos são os que já assumem que estão lidando com a Torá e não precisam de mais nada. Eles se consideram perfeitos à medida que eles estudam o Talmude e observam Mitzvot. De alguma forma, nós podemos nos aproximar de uma pessoa não religiosa e explicar as coisas, já que ela sente que esta vida corpórea não tem sentido e quer revelar o mundo superior, o sistema que gerencia a vida.

Mas, na verdade, ninguém sente uma necessidade real pela sabedoria da Cabalá, incluindo aqueles em que o ponto no coração foi revelado. De repente, eles acordam e querem saber sobre ela e vêm estudar. O desejo deles, entretanto, é simplesmente um desejo de adquirir algo novo e não para alterar sua natureza para a forma oposta. Tal desejo não é natural para uma pessoa e simplesmente não existe. Porque entre qualquer pessoa neste mundo e a verdadeira ciência da Cabalá há uma divisão (parede) de ferro, que deve ser quebrada.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 11/11/12, “Introdução ao Estudo do Dez Sefirot“

O Botão Escondido

Dr. Michael LaitmanPergunta: Esforços internos causam dor. Será que nós podemos dizer que esta dor vem em vez do sofrimento que vem diretamente da natureza na forma de furacões e outros desastres naturais?

Resposta: Em geral, a resposta é sim. Em vez de reconstruir as casas que foram destruídas pelo furacão e receber golpes mais terríveis, nós podemos passar para o trabalho interno e fazer esforços mentais. Os esforços devem ser qualitativos, embora a natureza nos obrigue a mudar para os esforços quantitativos.

Lá, a diferença entre qualidade e quantidade é enorme. Nós sabemos isso das leis da pirâmide, que é dividida em quatro níveis: a natureza inanimada (s), vegetal (v), animal (a) e humana (h). No nível humano nós fazemos esforços propositais.

Mas outras pessoas estão no nível mais baixo. Pense nos esforços que elas têm que fazer em toda a largura da base da pirâmide! Que grande área o desejo cobre, quantas toneladas de concreto e ferro, quantas horas para gastar, quantas doenças sofrer, e que grande falta a ser sentida!

Nós estamos acima desse nível e podemos mudar as dificuldades e sofrimentos de bilhões de pessoas por muitos anos com um clique num botão.

Mas não pense que apertar o botão é mais fácil do que mil anos de trabalho duro. Não é por acaso que o povo de Israel clamou no deserto e esteve disposto a voltar ao trabalho duro no Egito, para trabalhar para o Faraó, só para evitar apertar o botão.

Esta é a essência da decisão que a pessoa tem que fazer, e por isso o nosso mundo não vai desaparecer até o fim da correção.

Ao apertar esse botão você tem que estar ciente e perceber o que está acontecendo, você não pode simplesmente clicar nele e ser surpreendido pelas consequências; na espiritualidade você só aperta o botão depois de conhecer todas as ações que atravessa. Em outras palavras, a forma de redenção já está no exílio.

Você tem que imaginar o processo, caso contrário, não tem escolha, porque escolher significa que você entende o futuro e o escolhe.

Qualitativamente, esse trabalho é mais difícil do que o trabalho normal. Assim, mesmo que eles pudessem fazê-lo, eles gritaram: “Vamos voltar! Vamos mudar esse trabalho pelo tipo anterior de trabalho!”.

Pergunta: Por que os Cabalistas dizem que o caminho da Torá é mais fácil do que o caminho dos sofrimentos?

Resposta: Você está tentando pesar duas coisas diferentes com a mesma balança: um quantum de Luz com bilhões de toneladas de rochas. Eles podem ser comparados? A energia interna da Luz é um bilhão de vezes maior do que o peso físico das rochas. Mas essas coisas são incomparáveis em sua percepção egoísta, em seus sentidos imaginários. Primeiro, nós temos que mudar a nossa escala de valores. Está escrito: “O justo é a base do mundo”. Seu poder e valor são muito maiores do que os de toda a humanidade. Sem ele as pessoas não podem fazer nada, elas não existem na espiritualidade. Então você não pode pesar os dois tipos de esforços com o mesmo instrumento.

Pergunta: Será que no final todos terão que apertar o botão?

Resposta: Não, nem mesmo todos os filhos de Israel, que significa todos aqueles que anseiam direto ao Criador. Todos participam do aperto do botão, mas é difícil dizer quem terá o papel de liderança no futuro.

Por um lado, uma pessoa não pode avançar sem um líder. Em cada geração deve haver alguém que puxe e leve os outros. Por outro lado, pode haver algo semelhante ao Sinédrio, um grupo de pessoas que estão prontas e são capazes de encontrar a força geral que vai levar as pessoas através da conexão entre elas. Eu não acho que alguém possa dar um prognóstico claro, mas isso não importa. O principal é que estamos avançando. O que é necessário é o que vai acontecer. A falta de conhecimento, neste caso, não é um problema.

De uma forma ou de outra, todos vão participar do processo, e até o fim da correção, até o último aperto, estaremos todos na pirâmide. Só a Luz do fim da correção vai transformar a linha num círculo. Os níveis da escada espiritual não mudam, e só quando toda Malchut entra na correção, atinge Keter e se torna igual a ela, é que todas as formas desaparecem, exceto o círculo.

Pergunta: Este é o botão do amor ao próximo?

Resposta: Sim, mas através do amor ao próximo, nós ansiamos pelo amor do Criador – nós devemos lembrar isso.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 04/11/12, “Matan Torá (A Entrega da Torá)”