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Como Salvar a Si Mesmo do Sofrimento


É necessário entender que duas forças opostas, a direita e a esquerda, são forças da natureza. Tudo vem do Criador, e está dividido em dois, e nos controla.

Até você tentar ser semelhante a Ele na linha média, construir Sua imagem em você, você não atingirá um bom estado. Assim, a pessoa precisa de constantemente tentar se tornar semelhante ao Criador de acordo com o próprio grau e todos os desejos e qualidades que são revelados a ela. Você precisa construir a linha média de tudo o que você recebe d’Ele, desses dois “reinos”. As duas linhas, os dois “anjos”. Então, você estará certo que de realmente alcançou o melhor estado possível para si mesmo, para Ele, e para vocês dois.

De outra forma você não pode se salvar de qualquer desgraça. Se você não se preparar antes do tempo na linha média do próximo grau, então punições esperam por você. No entanto, em essência, não são punições; elas são revelações das mesmas qualidades (Vasos), que você não corrigiu. Está sendo dada a você uma oportunidade e todos os meios para corrigir essas qualidades, e elas foram reveladas a você, mas você falhou em fazer a correção. Por essa razão você sente a falta da correção na forma de sofrimento.

O Caminho Estreito Que Nos Conduz ao Final da Correção


O texto original do Zohar não é dividido em parágrafos, capítulos, ou itens. Ele é um texto liso e fluido. E mais, a Torah foi escrita sem nenhum espaço do princípio ao fim.

Assim, de onde veio a divisão do texto? Ela foi causada pelo fato de sermos tão pequenos e incapazes de aceitar tudo e incorporar dentro de nós. Então, quanto mais avançamos e as gerações se desenvolvem desde o tempo da composição da Torah e do Zohar, mais precisamos dividir o texto em partes, parágrafos e capítulos com títulos. Afinal, é muito difícil para nós compreender linha após linha de letras, olhar para elas e nos tornar semelhantes a elas em nossa intenção. Mas, isso é, de fato, o trabalho de correção de nossos desejos, e sua ordem determina a estrutura do Livro de Preces Cabalístico.

Por isso Baal HaSulam dividiu todo o Zohar em parágrafos e capítulos. Além disso, ele quis adicionar introduções, definições e clarificações precedendo o texto. Ao fazer isso, ele quis equilibrar o texto do Zohar com seu Comentário Sulam de um modo que não só oferecesse explicações, mas indicasse a linha média no texto do Zohar. Sem os seus comentários, não seríamos capazes de equilibrar o texto dentro de nós para que se vestisse em nós corretamente na linha média.

Assim, Baal HaSulam não nos oferece meras explicações, mas nos faz oscilar enquanto lemos o livro, com isso sintoniza nossa visão, nos aproxima, e nos faz sentir de um jeito que nos faz ir através de linha média, “o meio de ouro”. Assim, nós temos que aceitar todos os comentários com gratidão não importando se eles são longos ou curtos. Temos que ir com eles e entender que estamos construindo nossa linha média dessa maneira.

Essa é a intenção do Comentário Sulam. Sem isso, o Zohar tem somente duas linhas, como o resto da Torah. Temos nós mesmos que construir a linha média, e o Comentário Sulam nos ajuda nisso. Por isso ele é chamado “Sulam” (Escada). Ele já é construído em forma de degraus, e tudo o que nos resta é subir por eles. A escada já está lá, e agora temos somente que fazer esforços para subir por ela. Precisamos somente nos empurrar um pouco para cima e estaremos certos de seguir o caminho correto.

Por isso Baal HaSulam escreve que depois da composição do seu “Comentário Sulam ao Livro do Zohar” ele está certo de que é impossível para uma pessoa errar. A pessoa irá através de uma ascensão espiritual maravilhosa e com isso alcançará a revelação do Messias – a Luz da Correção.

Como o Comentário Sulam Trabalha Com o Zohar


O Comentário Sulam não é simplesmente um acréscimo ao texto do Zohar. Baal Hasulam o escreveu de uma forma tão especial que, ao lermos esse comentário junto com o Zohar, ele atua como um professor que pega o material e dá a ele diferentes formas com respeito a nós. Em outras palavras, O Comentário Sulam não é só uma explanação formal usando termos Cabalísticos que explicam o mecanismo das relações entre os mundos espirituais, Partzufim, e Sefirot. O Comentário Sulam ajuda o Zohar a se expressar como um professor que apresenta o material de estudo aos alunos no jeito mais claro e adequado.

Quando ouvimos O Zohar com O Comentário Sulam, é como uma tradução com informação adicional que o tradutor adiciona para nos ajudar a sentir melhor o original. É como se ele traduzisse para nós do chinês, adicionando esclarecimentos ao texto sobre a natureza do país. Ele nos dá informações em circunstâncias auxiliares, (semelhante a uma lista de exibições presa a um documento) para nos ajudar a perceber o material mais claramente e a senti-lo mais perto do texto. Essa explicação é construída como uma escada (Sulam).

Finalmente, O Zohar é essa grande estrutura que contém toda a criação passando por nós até o Mundo Infinito. Além disso, nós não recebemos o Zohar inteiro, nós só recebemos uma pequena parte dele. Com seu Comentário, Baal HaSulam complementou o que nos faltava do Zohar, além de organizá-lo na forma de uma escada. Sem importar a ordem em que nós o lemos, o Comentário passa através de uma certa matriz, e trabalha arranjando em nós os graus (os degraus da escada) que podemos usar para ascender, passo a passo.

A Mudança Está No Ar


Em um ano ou dois no futuro nós nem vamos nos lembrar como costumávamos existir de forma tão diferente e como o público em geral não compartilhava nossa opinião. As pessoas começarão em breve a entender claramente que a ciência da Cabalá revela a elas a parte oculta da realidade, e que é necessário revelar essa parte da realidade para alcançar uma vida saudável e correta. Além disso, ficará claro que essa revelação acontece em virtude de uma força miraculosa, ao invés de puro conhecimento.

Usando uma abordagem puramente científica, nós somente podemos revelar a natureza no nosso nível de percepção, onde nossa mente e sentimentos funcionam. Por outro lado, a ciência da Cabalá miraculosamente revela novos níveis de desejo dentro de nós, nos quais percebemos uma nova realidade. Eu espero que no futuro próximo, nós testemunhemos esse entendimento e sensação sendo revelados nas massas. Nós iremos ver isso acontecer muito em breve.

Qualquer um que participou da Convenção do Zohar 2010 passou por tremendas mudanças, conquistou muitos níveis internos, e reduziu o tempo de seu desenvolvimento. Algumas pessoas não tomaram parte na Convenção fisicamente, mas elas se uniram a nós virtualmente e com isso receberam o mesmo ascenso. Algumas pessoas estiveram distantes de nós (em seus desejos), mas elas também foram influenciadas pela Convenção. Mesmo aqueles que não se conectaram a nós de nenhuma forma e não desejaram nada ainda receberam uma influência porque todos somos parte de um sistema comum.

Ninguém pode evitar participar nesse evento porque nós todos vivemos em uma única realidade. Assim, quando nós organizamos tal evento, ele afeta o mundo inteiro, mesmo as pessoas que nos odeiam e estão muito distantes de nós. Ele afeta cada pessoa sem exceção, e tem um efeito ainda maior naqueles que nos odeiam do que naqueles que são indiferentes. Assim, breve iremos testemunhar grandes mudanças em todas as camadas da sociedade.

O Significado Oculto Do Livro De Ester


O seguinte é um trecho do artigo do Rabash sobre o feriado de Purim, “Ocultação e Revelação”:

“As trevas são o exílio babilônico, que a nação de Israel atraiu para si porque o Criador (Zeir Anpin) estava dormindo. O pecador Hamã, que foi um grande astrólogo, lançou a sorte (Pur) para determinar o destino. Hamã e seus dez filhos são as dez Klipot (forças impuras) porque ele sabia que o Criador dormia e, portanto, Seu governo superior não protegia a nação de Israel (aqueles que aspiram ao Criador). Portanto, Hamã pensou que chegou a hora de aniquilar a nação de Israel”.

Hamã é todo o nosso desejo de desfrutar, que se opõe a toda a Luz de Hochma. Ele sabe que a Luz está para ser revelada. No entanto, ele não sabe que isso só pode acontecer na linha média, e que mais tarde inclusive isso será revogado quando ocorrer a transição para o estado da Primeira Restrição (Tzimtzum Alef). Malchut se une a Zeir Anpin na linha média e eles sobem à Bina, onde alcançam o estado do Fim da Correção.

Aniquilar a nação de Israel significa aniquilar a intenção “em prol da doação”, que impede a pessoa de receber a Luz de Hochma egoisticamente. Mordechai é a intenção de doar, mas se ele agir sozinho, sem os desejos de Hamã, é apenas doar para doar. Isso significa que ele bloqueia a Luz de Hochma, evitando que ela seja revelada.

Em outras palavras, se uma pessoa não trabalha na linha média, até mesmo suas melhores ações de doação bloquearão seu caminho de desenvolvimento. É por isso que Mordechai precisa de uma conexão com Hamã. Quando eles começam a discutir um com o outro (uma discussão entre a intenção de doar e o desejo egoísta), eles passam a entender como são capazes ou não de se unir.

A intenção de doar permite que os desejos de Hamã sejam usados. No entanto, esses desejos reais não serão satisfeitos, e é por isso que ocorre um confronto entre Hamã e Mordechai. Esta história fala sobre como uma pessoa pode criar a unidade certa entre duas forças conflitantes ou duas intenções opostas. Também descreve as batalhas, confusões e dúvidas que nos aguardam no caminho da correção até encontrarmos o método certo.

É sobre isso que “Megillat Ester (O Livro de Esther)” nos fala.

Aprendendo a Sabedoria de Uma Serpente


O Zohar, Capítulo Ve’Eleh Toldot Izhak (Essas são as Gerações de Isaac), item 30: Jacó soube que Esaú agarraria aquela Serpente Inclinada. Por essa razão, ele o seguiu em todas as suas ações como outra Serpente Inclinada, oposta a ele, hábil e astutamente.

É precisamente o desejo de receber prazer que nos ensina a sermos astutos. Ele nos ensina como trabalhar com o mesmo desejo e mentir para ele. Afinal, o desejo de doar não tem sabedoria nem mente; ele não tem Luz de Hochma (Luz da Sabedoria). Quer dizer, para o desejo de receber prazer. Assim, em particular, a serpente é esperta. Nós precisamos aprender a sabedoria dela para a linha direita. Isso é chamado “ajuda contra ele” desde que a serpente, ela mesma, nos ensina a linha direita e como trabalhar com ela. Ela nos ensina como matá-la, extraindo um remédio do seu veneno, e trabalhar com esse remédio para o desejo para a intenção de doar.

O Cálculo Espiritual É Para o Todo Unido


Recebi uma pergunta: A sabedoria da Cabalá deveria ser disseminada entre aqueles que ainda não possuem o ponto no coração?

Minha resposta: Nós entramos em um novo período, um estágio de correção geral. Hoje um cálculo espiritual não é feito para nós como indivíduos. Mais exatamente, o que é importante é o grau ao qual nós despertamos mudanças gerais, nos tornando condutores da Luz para passá-la a outras almas.

Por isso, Baal HaSulam e outros Cabalistas escrevem sobre a necessidade de uma ampla disseminação. Nós temos que corrigir todo o Kli (vaso) comum. Assim, o cálculo não é feito levando em conta um só indivíduo, mas deve considerar o corpo inteiro.

Antes do período do Ari, o estágio da correção geral não havia se revelado ainda. No entanto, as novas leis estavam já em ação durante a última fase. Nós descobrimos que somos uma só alma e essa alma deve se curar a si mesma, enquanto que no passado todos se desenvolviam individualmente.

Os cálculos individuais terminaram, pavimentando o caminho para o interesse comum de unir o todo. O benefício individual está no sucesso de uma ampla disseminação. Assim, o avanço geral é mais importante que tomar conta de si mesmo.

O Painel de Controle do Desenvolvimento Espiritual


A coisa mais importante quando se lê O Livro do Zohar é manter-se ingênuo e simples em relação a ele. Esse livro é tão sublime e grande que em relação a ele somos como uma criancinha a quem foi dado uma enciclopédia e que mal consegue virar as páginas.

Nós não entendemos nada do que está escrito no Zohar. No entanto, isso é irrelevante. Se você o estuda na medida em que você seja capaz, então você receberá uma grande influência da Luz contida nesse livro.

Você não está somente lendo ou ouvindo sobre o que está escrito no livro, mas é como se você estivesse frente a um computador com uma tela sensível ao toque de um dedo. Assim é como O Livro do Zohar trabalha. Ao olhar para alguma palavra, é como se você a pressionasse e pusesse certo sistema em engrenagem. Ao ler ou escutar alguma palavra do Livro do Zohar, você a “aperta” e atrai uma iluminação (Ohr Makif-Luz Circundante) sobre você desde a sua raiz espiritual.

Isso continua palavra a palavra, uma iluminação após a outra. Além disso, O Zohar está escrito de tal forma que ele sabe quão avançado você está. No mundo espiritual nós crescemos da mesma maneira que os bebês crescem no nosso mundo material, natural e instintivamente. Tanto quanto um bebê é afetado pela influência externa, simplesmente se abrindo a ela, nós precisamos nos abrir à influência espiritual. Como consequência dessa influência, adquirimos sensações espirituais e intelecto.

A Matriz da Nossa Realidade


Devido ao fato de que a ciência da Cabalá fala somente sobre o que existe dentro de nós, ela é chamada de Torah interior, uma sabedoria interna. Na realidade, nossos corpos e toda essa matéria não existem. Assim, esse mundo é chamado de mundo imaginário. Tão logo começamos a perceber a realidade corretamente, nós começamos a sentir que tudo o que existe é nosso desejo. Nosso desejo nos dá vários níveis de sensação que existem como a natureza inanimada, as plantas, os animais, e os seres humanos. No entanto, na verdade tudo isso são diferentes fenômenos dentro do desejo.

Nós precisamos compreender que vivemos dentro de uma matriz de sensações na qual tudo existe exclusivamente em nossa sensação. Isso significa que existe um desejo de receber prazer que percebe o fenômeno que ocorre nele. Assim, é importante para nós não nos esquecermos disso, uma vez que essa abordagem da percepção da realidade, de que “tudo depende de mim, ao invés do que está fora”, nos dirige para nossa correção interior.

Nós percebemos a nós mesmos em nossos desejos no pano de fundo da branca Luz Superior. Tudo está no pano de fundo da Luz Superior. O Mundo Infinito é meramente a branca Luz Superior. Nós não vemos a nós mesmos ali porque nós alcançamos o mesmo estado, percepção, realidade e qualidade dessa Luz.

Enquanto isso, os 125 graus através dos quais nós descendemos desse estado são os graus de um maior e maior distanciamento da Luz branca, em cujo pano de fundo nos vemos a nós mesmos. Assim tudo que vemos a nosso redor é nosso desejo que inclui os níveis inanimado, vegetativo, animado e humano. Esses são os 4 níveis de Aviut (espessura do desejo) em todas as suas várias formas internas, e que são as medidas da nossa diferença em relação à Luz branca.

Esses quadros são de fato nossa realidade que se apresenta a nós na forma desse mundo, Assim, nosso esforço constante de revelar a verdadeira realidade, de nos unir ao quadro verdadeiro da realidade, nos força a nos corrigir e nos aperfeiçoar; e, fazendo assim, ver que estamos todos conectados.

Quanto mais nos unimos uns aos outros e nos sintonizamos na Luz branca, nós avançamos em direção à vida eterna e perfeita no Mundo Infinito. E todos esses fenômenos que vemos e percebemos fora de nós vão passar como um sonho. Na verdade, nós vivemos somente dentro da Luz branca.

Esse ponto fundamental na ciência da Cabalá é extremamente importante, desde que ele separa a ciência da Cabalá de todos os ensinamentos filosóficos, religiões, crenças e métodos. A ciência da Cabalá diz à pessoa que ela precisa corrigir somente seu desejo, fazê-lo semelhante à Luz branca. Nenhuma ação externa e física tem algo que ver com ela.

Purim Significa O Nascimento De Um Mundo Corrigido


Cada novo estado nasce apenas sob a condição de que o estado anterior se esgote completamente a si mesmo, do mesmo modo que um grão plantado no solo precisa apodrecer completamente para que uma nova fase da vida nasça do seu estado anterior, o qual é então percepcionado como desnecessário e inútil.  É por isso que se escreve sobre o feriado de Purim que Zeir Anpin dorme enquanto Malchut, devido a isto, submerge na escuridão. Somente a partir deste estado de escuridão é que nós alcançamos a Luz mais elevada, o estado chamado Purim, que corresponde ao Fim da Correcção.

Se Zeir Anpin não leva Luz à Malchut, sentimos que estamos em exílio, e não conseguimos nos sintonizar  com Malchut e unir. Contudo, o sofrimento e a escuridão forçam-nos a exigir força de Zeir Anpin para concretizarmos a nossa unificação, de forma a nos sintonizarmos com Malchut, a alma comum. É assim que damos origem ao nosso próximo grau.