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Deixe-me Estar Junto a Todos


Em breve, a ciência da Cabala será muito demandada, já que, sem ela, ninguém será capaz de sobreviver no mundo completamente globalizado. Será muito evidente que não possuimos nenhum desejo ou qualidades que são compatíveis ou apropriadas para o mundo que nos está sendo revelado.

A Luz do Livro do Zohar cria a sensação e entendimento de unidade global em nós. Disso, recebemos a oportunidade de entender este mundo, de vê-lo corretamente através de uma matriz, que a Luz cria em nós. A partir desse momento, queremos que a força da natureza, que estabeleceu o mundo que nos está sendo revelado agora, nos afecte da mesma maneira e que nos torne apropriados para isso aconteça. Queremos que o nosso sistema interno seja similar ao sistema da natureza que nos rodeia.

Antes, sempre nos pareceu que estávamos acima da natureza e que a controlávamos. No entanto, agora entendemos que isso não é verdade e, então, quero unir-me à natureza, que é global, integral, grande, completa e perfeita. Queremos usar essa força integral, essa unidade. Agora, vemos que somos um elemento corrupto, sua única parte que não é integral. Apenas nosso ego nos separa da natureza.

Então deixe que a força da natureza elimine nosso egoísmo e nos permita estar juntos a todos! Vemos nisso a nossa redenção!

Igualdade Espiritual

Muitas pessoas vivem no nosso mundo sem ter ideia de como ele funciona. Elas estão inconscientes da estrutura dos sistemas sociais e governamentais, as leis da natureza, a órbita dos planetas, e as várias conexões que existem entre as pessoas. As pessoas podem viver uma vida bastante simples, sabendo apenas o que é necessário para ter no dia a dia, e nunca desejando saber mais sobre as funções do mundo. Em contraste, no nosso mundo, algumas pessoas estão mais interessadas e curiosas em saber mais, e elas investigam os sistemas que agem no mundo.

O mesmo é verdadeiro sobre a existência espiritual. Nem todas as pessoas que adquirem a percepção espiritual se empenham em mergulhar profundamente nela. Elas são naturalmente limitadas pela raiz da sua alma, que não exige mais que o seu nível. Por outras palavras, ela executa a sua função no seu local planejado e nada mais é requisitado.

A raiz da alma exige mais de outros que estão destinados a investigar o mundo espiritual. Estes são Cabalistas. Similar a cientistas que investigam o nosso mundo, os Cabalistas investigam o sistema inteiro do mundo espiritual em detalhe. Os Cabalistas estão destinados a chegar à completa realização e percepção espiritual. Isto de acordo com a raiz da sua alma, que compele os Cabalistas a incluírem todos dentro deles e a examinarem todos os detalhes no mundo espiritual, através da síntese e da análise, de forma a corrigir as suas almas. É conforme a exigência de correcção da sua alma que a realidade geral é percepcionada por essa pessoa.

E a pessoa é julgada à medida que ela se corrige. Se a sua correcção for 100%, então ela é equivalente aos grandes Cabalistas, é igual a eles em todas as maneiras. Na espiritualidade, não há divisão entre pessoas importantes e sem importância. É importante que a pessoa tenha feito tudo que lhe fora requisitado.

A espiritualidade é um mundo de doação. A abordagem é um pouco diferente da que estamos acostumados; a pessoa entra na espiritualidade, olha para trás, e apercebe-se que não fez nada! Não há nada de sobra do que a pessoa lutou por ou as acções que ela executou. Então, ela torna-se rodeada apenas pela doação pura.

A Magia Espiritual

Uma pergunta que recebi: Nós vivemos nossas vidas com esperança e nunca atingimos o prazer. O que acontecerá quando nós adquirirmos o desejo de doar? Nós seremos capazes de sentir prazer?

Minha Resposta: Quando nós transformamos a intenção egoísta em altruísta, o tempo deixa de existir. A própria noção de tempo desaparece, porque não há passado, presente ou futuro na espiritualidade. Quando estamos no atributo de doação, nós não temos informações sobre causa e efeito. Nós temos prazer durante o ato de doação que nos encontramos, e não precisamos de mais nada. Ter a oportunidade de doar é nossa recompensa.

Mas nós não nos preocupamos com os resultados de nossa ação? A oportunidade de doar é o resultado. Por esta razão, o conceito de tempo desaparece e tudo está em repouso absoluto.

O egoísmo nos promete o futuro, enquanto que na espiritualidade não há futuro; tudo acontece no presente. O futuro é sentido apenas se eu revelo no meu estado atual a falta de doação, somente se eu quiser doar mais e aspirar a ela. É como se eu desejasse ir do pequeno mundo do Infinito ao grande.

Isso também só é possível através da magia, através dos desejos egoístas que estão me ajudando. Eles me revelam as deficiências do meu estado, a impureza da minha doação.

Quando Conseguiremos Desfazer O Feitiço Que é a Nossa Vida?

A nossa vida inteira é um feitiço, uma grande fraude. O desejo egoísta manipula-nos constantemente, forçando-nos a trabalhar para ele. Entretanto, estamos apaixonados por este nosso desejo impuro e desejamos, na verdade, sermos enganados por ele.

Ele mente-nos sobre o fim do nosso caminho, prometendo-nos prazer e Luz quando lá chegarmos. E juntamente com isso parece-nos que recebemos certo tipo de prazer. Embora não tenhamos nada além de promessas vazias, nós gostamos delas. Nós pensamos sobre o que estamos prestes a ganhar e começamos a sentir como se já o tivéssemos no presente. Nós recebemos centelhas de prazer e elas dão-nos esperança.

Contudo, não há Luz por trás destas centelhas, pois a Luz não desce abaixo do Parsa, a fronteira que separa o Mundo de Atzilut. A Luz brilha para nós de lá e desperta estas centelhas, fazendo-nos sentir esperançosos que receberemos a Luz. E isto continua ao longo de nossas vidas inteiras.

Embora estejamos sempre desiludidos e nunca vejamos qualquer Luz, apenas as centelhas, não temos outra escolha a não ser continuar a procurá-las de forma a sentirmos prazer. Esperamos divertir-nos ao ganhar um pouco mais de dinheiro, fama, poder, conhecimento, comida e sexo. E então, estamos sempre no caminho, com todas as nossas esperanças apontadas ao futuro. Mas, no momento que a Luz supostamente viria à centelha, ela não vem e tudo desaparece imediatamente.

Isto constitui o trabalho do desejo egoísta: de nos atrair com promessas de prazer, fazendo-nos desejá-lo constantemente e estando sempre no caminho, pensando que nos estamos a divertir. Mas nunca alcançamos o verdadeiro prazer. Alcançamos apenas desilusão e tudo desaparece.

No mundo material a vida inteira de uma pessoa é baseada em esperanças pelo futuro e ela supõe que isto é felicidade. Ela acredita que todos os tipos de prazeres egoístas estão à espera dela lá na frente e tenta não pensar sobre a escuridão e morte que a esperam.

Contudo, hoje a humanidade desenvolveu-se a um nível em que ela começa a compreender que as promessas egoístas são sem fundamento. Mas nesse caso, o que fazemos nós? Afinal, não podemos mais continuar a viver apenas na esperança! Não mais acreditamos no socialismo ou num futuro belo em que todos serão felizes.

Como resultado, depressão e desilusão estão a tornar-se muito comuns; todavia, temos de continuar a viver de alguma maneira. Como resultado, as pessoas começam a mentir a si mesmas ainda mais. Elas entram deliberadamente num embriagado estupor, de forma a forçarem a si mesmas a acreditarem. Todos os canais dos meios de comunicação de massa funcionam por este propósito; é um feitiço universal mantido pela sociedade.

Isto irá continuar até que a mentira alcance o seu ponto de ruptura, além do qual não será mais possível continuar.

A Única Promessa Que Se Realiza


Uma pergunta que recebi: Em nossa vida material nós estamos num beco sem saída, onde é impossível atingir o prazer. Porém, o que a ciência Cabalística nos promete?

Minha Resposta: Quando eu sento e estudo O Livro do Zohar, isso se chama Lo Lishma – uma ação egoísta. Eu engano a mim mesmo, porque planejo satisfazer o meu egoísmo através desta ação; mas em troca eu recebo a qualidade de doação.

Por que esta ação acaba tendo êxito, ao contrário de qualquer outra? Porque ao fazer estas ações, eu desejo fazer todo o possível para alcançar a doação. Eu procuro sinais de doação ao longo do caminho, enganando conscientemente a mim mesmo, e uso a Luz que me traz a correção e me atrai para mais perto Dela.

Quando Serão as Nossas Orações Respondidas?

Quaisquer conceitos que existam no mundo estão divididos em graus de HaVaYaH, de acordo com as quatro fases de Luz directa – em qualquer qualidade, influência, definição, e em qualquer divisão. Esta separação pode ser espalhada para o todo da realidade:

· As fases 0-1-2-3-4 “Shoresh-Aleph-Bet-Gimel-Dalet,
· HaVaYaH  “a ponta da letra Yod-Yod-Hey-Vav-Hey,”
· Sefirot “Keter-Hochma-Bina-Zeir Anpin-Malchut,”
· Sentidos “visão-audição-olfacto-paladar-toque,”
· Partzufim “Galgalta-AB-SAG-MA-BON,”
· Os mundos “Adam Kadmon-Atzilut-Beria-Yetzira-Assiya,”
· As Luzes “Yechida-Haya-Neshama-Ruach-Nefesh,”
· Os quatro elementos naturais “fogo-ar-água-terra”….

A nossa oração deve ser sempre generalizada: uma oração da sociedade, pela sociedade, uma oração de muitos. Ela deve conter todos os níveis, todos os graus, um HaVaYaH completo. Se a pessoa meramente grita sobre algo, isto não é uma oração. Este pedido deve conter todo o seu entendimento e sensação, o passado, o presente, e o futuro. Se ela faz um apelo precisamente desta maneira, então sua oração será verdadeiramente madura e formada, e ser-lhe-à atribuída uma resposta.

O livro do Baal HaSulam Beit Shaar HaKavanot representa esta abordagem precisa e geral, uma visão global da criação e toda a realidade. Em vez de discernir pequenos detalhes individuais, ele explica como os unificar. O Talmud Eser Sefirot é uma análise, onde o todo comum está partido em bocados, e o Beit Shaar HaKavanot é uma síntese, em que as partes se unem em um todo.

Afectando o Mundo Através da Nossa Correcção

Uma pergunta que recebi: Depois da Convenção O Zohar 2010, eu recebi um desejo de ajudar as pessoas. Como verifico eu se estou a fazer o melhor que posso neste sentido?

Minha Resposta: A derradeira ajuda é quando a pessoa gasta todas as horas da sua existência a tentar pensar sobre se corrigir a si mesma e o mundo.

Afinal, a quebra ocorreu primeiro nos mundos e depois na alma comum. Agora, as almas quebradas existem num mundo quebrado. A correcção é possível apenas pelo método da Cabalá, que nos ajuda a atrair a Luz Superior, que altera a nossa intenção de egoísta para altuísta. A mesma força, a mesma Luz, que criou todo o universo, precisa de nos afectar e corrigir tudo.

Desta forma, podemos ajudar os outros apenas ao disseminar a sabedoria da Cabalá até que alcancemos a redenção completa. Contudo, enquanto o mundo precisa ainda de correcção, precisamos de trazer a correcção ao mundo. Durante a Convenção recebemos uma grande força da nossa unificação mutua, porque juntos, alcançamos um melhor entendimento e sensação.

E agora precisamos de executar imensas acções em prol da correcção geral de nós mesmos e o mundo. Nós recebemos o avanço precisamente por este propósito e não outro. Nenhum de nós teria recebido o que nós recebemos (uma oportunidade de participar nesta reunião, um entendimento de algo, ou sentimentos) se não fossemos capazes de afectar o mundo através da nossa correcção.

Nunca Pare


Uma pergunta que recebi: Se eu mantiver a intenção correta durante o estudo do Zohar, eu sentirei algum resultado?

Minha resposta: Nós não sabemos se a nossa intenção é correta ou não. Muito provavelmente, eu estou bem humorado e sinto-me animado; eu dormi bem e percebo tudo perfeitamente. Assim, parece-me que a minha intenção é sublime, apropriada para a meta espiritual. Às vezes, eu mal consigo manter-me acordado, dormindo e acordando de novo; ou, de repente, eu recordo alguns eventos passados.

Nós não sabemos como isso funciona; cada pessoa está sempre recebendo motivos especiais e os esforços que deve realizar. A coisa mais importante é simplesmente continuar, independentemente do resultado. A pessoa só deve tentar imaginar a imagem espiritual que O Zohar descreve em cada situação. Pode ser muito difícil conseguir isso, mas mesmo se a pessoa está no estado mais difícil, ela, no entanto, consegue pegar “o fio da meada”, e então atinge um sucesso muito maior do que se estivesse inspirada desde o início.

É claro que não devemos ignorar os estados de entusiasmo que nos são dados, mas também não devemos prestar muita atenção para as condições internas ou externas que nos encontramos. Quaisquer que sejam as condições dadas a uma pessoa, são as condições sob as quais ela deve tentar fazer tudo possível.

Muita Prosperidade?

Uma pergunta que recebi: Qual é a diferença entre os estados chamados “sete anos de prosperidade ” e “sete anos de fome”? Como eles se aplicam ao nosso mundo?

Minha Resposta: “Os sete anos de prosperidade” (sete anos bons) é o tempo que a humanidade se esforçou para alcançar a prosperidade. Nós queríamos realizar uma boa vida através das revoluções tecnológicas, científicas, sociais e políticas. Apenas alguns anos atrás, os americanos reinvindicavam que eram os mais bem sucedidos em alcançar a prosperidade, uma vez que eram uma nação de consumidores. Quanto mais as pessoas consomem, maior a fartura global. Agora nós descobrimos que a cultura de consumo não é sustentável; nós estamos destruindo a nós mesmos e o nosso planeta. Não podemos continuar no caminho do consumismo, porque há limite para tudo.

Quando eu era criança, as previsões para o futuro pintavam um quadro muito diferente do nosso atual estado das coisas. Foi-me dito que quando eu crescesse eu trabalharia apenas quatro horas por dia em vez de oito, eu usaria o resto do meu tempo para atividades culturais, poderia ter férias de dois meses, e as crianças do futuro seriam bem-educadas e culturalmente mais desenvolvidas.

No entanto, hoje as pessoas trabalham doze horas por dia e quase não tem férias. A educação e a cultura passam por crises terríveis. Famílias se separam. A maioria da humanidade está em desespero e depressão, dependente de antidepressivos e “drogas recreativas”. Chegamos ao estado em que “os sete anos de prosperidade” terminaram e “os sete anos de fome” (os sete anos ruins) já começaram. Os “sete anos de fome” ocorrem a fim de levar a humanidade à decisão de que ela já não quer continuar tal existência.

Portanto, o que devemos fazer agora? As pessoas na antiga Babilônia enfrentaram o mesmo dilema, quando seu egoísmo explodiu, como o nosso agora. E o conselho dado por Abraão naquele momento é aplicável hoje.

“Há duas soluções possíveis. Vocês desejam se disperar pelo mundo, enquanto que a finalidade da criação é trazer-nos a semelhança com o Criador? Não fujam de sua missão”, Abraham alertou. “É inevitável que vocês voltem a ela em quatro mil e quinhentos anos”. Obviamente, Abraão estava falando sobre o nosso tempo.

Saindo Do Exílio

Frequentemente, as pessoas perguntam: “Porque estou eu a estudar há tanto tempo e a colocar esforço, mas não recebo a revelação?”. O cerne da questão é que o estado não pode mudar enquanto isso for o que ainda é importante para nós.

As pessoas devem perguntar: Qual é a minha atitude em relação à espiritualidade? Considero-a como apenas um acréscimo à minha vida material? Estou eu disposto a acomodar-me com esta vida, ou sinto eu que estou em exílio? O sentimento de exílio é desagradável, e a pessoa afasta-se instintivamente dele. Não queremos pensar que as nossas vidas são gastas em vão e que o tempo passa sem qualquer resultado. Tentamos esquecer-nos disto, ou começamos a corroer-nos por dentro sem fazer nada para mudar.

Contudo, o sentimento de estar em exílio não vem de nos sentirmos mal nesta vida. Ele vem do facto de que a espiritualidade é tão importante para mim que eu aspiro à ela independentemente de ter uma vida normal muito boa. Afinal, qualquer um pode criticar a sua vida, mas mero criticismo não trouxe ninguém para o mundo espiritual. É fundamental perceber a importância: da espiritualidade, de alcançar a sensação do Criador, de fundir-se com Ele, de sentir a doação e o amor pelo próximo, e de alcançar a conexão entre nós dentro da qual podemos revelar a Força Superior.

Por outras palavras, nós só podemos fugir do exílio se sentirmos a importância da salvação. A palavra “salvação” (Geula) difere de “exílio” (Galut), como é escrita em Hebraico, apenas por uma letra: “Alef”, que significa “o Criador”. Se começarmos a valorizar e a desejar a conexão com o Criador, a força de doação, e o amor pelo próximo, isso indica que alcançamos a preparação certa e a fuga do exílio está verdadeiramente a acontecer.

Também precisamos de compreender para onde é que pretendemos fugir. Preparamo-nos para isto imaginando correctamente o estado espiritual. Se uma pessoa imagina correctamente a espiritualidade como doação, amor, conexão com os outros, conexão com todas as outras partes do universo dentro das quais o Criador é revelado, então ela torna-se digna de sair do exílio e se tornar livre.

Então a fuga ocorre rapidamente; nós precisamos apenas de nos sintonizarmos correctamente. Não podemos simplesmente fugir de uma vida desagradável; precisamos de trabalhar em receber a impressão clara e correcta sobre a espiritualidade e desejá-la. A fuga do exílio depende apenas de sentir a importância da qualidade de doação.