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A Dor Curativa do Terceiro Dia


O Zohar, Capitulo “Miketz.” Item 161: “E ele colocou-os todos juntos na prisão por três dias”. Estes três dias correspondem aos três dias de Schechem, como está escrito, “E aconteceu no terceiro dia, quando eles sentiam dor”.

O terceiro dia está sempre conectado à dor. Ele é o dia mais difícil no processo da correcção, pois é o dia em que ocorre a inclusão mútua das linhas direita e esquerda. Não é como o primeiro dia, que é todo acerca da linha direita e quando nos armamos a nós mesmos com o poder de doar, nem é como o segundo dia, que é todo acerca da linha esquerda, em que verificamos quais das suas partes podemos nós conectar ao desejo de doar. O terceiro dia é sobre a inclusão recíproca de uma propriedade na outra, que resulta na criação de uma propriedade nova e intermédia.

A inclusão reciproca existe apenas na espiritualidade; ela nunca acontece no nosso mundo. Neste mundo existe apenas um tipo de conexão – quando dois objectos se unem. Por exemplo, o primeiro objecto contribui com seu intelecto, ao passo que o outro doa as emoções. Eles conectam-se e reabastecem-se um ao outro. Isto acontece porque no nosso mundo tudo possui apenas uma propriedade – o desejo de receber. Desta forma, toda a inclusão no nosso mundo ocorre apenas dentro desta única propriedade, que assume vários aspectos e formas.

A inclusão mútua na espiritualidade, contudo, significa que algo totalmente novo surge – uma terceira entidade compreendida das duas primeiras. Isto é, na verdade, um fenómeno completamente novo que não existia previamente. Este “algo” é chamado a Alma, o Humano, ou Adam.

Tudo Consiste das Mesmas Dez Sefirot


O Zohar, Capitulo “Miketz.” Item 178: O Criador fê-lo para que o homem se fortalecesse na Torá, e para que percorresse o caminho da verdade em direcção ao lado direito, e não ao lado esquerdo. E porque as pessoas precisam caminhar para o lado direito, elas devem aumentar o amor entre elas. Isto porque o amor é considerado “direito”, e não haverá ódio entre umas e outras, que é considerado esquerda, para não enfraquecer a direita – o lugar no qual Israel se apega.

Este parágrafo parece falar sobre a vida numa sociedade ou grupo corrigido, mas ainda temos de decifrar o que significa isso, através dos nossos discernimentos internos. Não há diferença quando O Zohar fala sobre uma assembléia aparentemente externa de pessoas ou sobre uma reunião de qualidades internas da nossa alma. É a mesma coisa, dado que tudo consiste das mesmos dez Sefirot. Todos nós contemos o recipiente (vaso) da nossa alma comum (Adam Rishon) e os mesmos estados internos das dez Sefirot existem em cada um de nós.

É por isso que por vezes O Zohar usa definições internas quando descreve as nossas propriedades ou quando nos conta sobre como o grupo deve ser; por vezes ele descreve apenas uma pessoa, ou animais. Devemos tentar ver múltiplos níveis ao mesmo tempo: o nível interno da nossa alma, o nível do nosso grupo e a nossa conexão com os amigos, e o nível de toda a humanidade. No futuro, todos estes níveis se irão unir.

A Noite é a Hora do Trabalho


O Zohar, Capitulo “Miketz,” Item 33: “Aqueles que esperam Sua misericórdia” . “Aqueles que esperam Sua misericórdia” são os que se empenham na Torá à noite e se associam com a Divindade. E quando chega a manhã, eles esperam Sua misericórdia.

O Zohar também fala sobre isto no artigo, “A Noite da Noiva“. Ele descreve todos os dias do exílio como uma noite escura, durante a qual preparamos os nossos desejos (Kelim) para a conexão entre o Noivo e a Noiva que irá ocorrer na manhã.

Todos os que se preparam para este encontro são chamados os moradores do palácio do Rei. O momento em que eles completam a construção do pálio matrimonial (Huppah, simbolizando uma tela e a Luz Reflectida), o Criador (Zeir Anpin) une-se com Sua Shechina, que é a união de todas as almas. Este é o recipiente (vaso) para a recepção da Luz. Então, a Noiva une-se com o Noivo; os dois complementam-se mutuamente e alcançam um estado de perfeição e paz.

Quando a pessoa se empenha na Torá à noite, um fio de misericórdia estende-se sobre ela durante o dia….

É impossível empenhar-nos na Torá durante o dia, porque o dia é quando acontece a unificação. Nesse ponto, tudo é revelado e não há mais trabalho a ser feito. O nosso trabalho reside em exercitar a nossa liberdade de escolha, quando na verdade nós já existimos no estado perfeito. Nós só precisamos o “preferir”, isto é, escolher o dia sobre a noite.

Quando decidirmos que a doação é o dia, iremos revelá-la como sendo o dia. Através da Luz Reflectida, despertamos o dia e a Luz, em vez da escuridão. É por isso que todo o trabalho ocorre à noite; porque toda a nossa escolha e esforços estão concentrados lá. Não há trabalho que possa ser feito durante o “dia”.

Vendo o Mal Como Bem


O Zohar, Capitulo “Ki Tissa,” Item 16: “Todos os que estão em cólera contra você serão envergonhados e desonrados”. O Criador está destinado a fazer para Israel todo esse bem, que Ele disse através dos profetas da verdade, e pelo qual Israel sofreu grandemente no exílio. Não tivesse sido por todo esse bem que eles esperam e vêem, que está escrito na Torá, eles não seriam capazes de tolerar e suportar o exílio.

Isto significa que a pessoa ganha um desejo maior pela correcção, chamado “Isra-el” (directamente ao Criador), ao antecipar a bondade e a abundância que virão mais tarde. Além do mais, o seu desejo cresce ainda mais forte quando ela ganha uma conexao inicial com essa bondade.

No nosso mundo, a pessoa tem vontade de saber que irá receber uma recompensa futura por seu sofrimento. Mas, na espiritualidade, esse não é o caso. Lá, a pessoa não recebe alivio psicológico ao pensar que o mal se transformará em bondade. Aquele que estuda a Cabalá relaciona-se a isto diferentemente. Quando a pessoa está no caminho da verdade, ela sabe que o mal está lá para ajudá-la a alcançar a bondade. Ela vê que o mal está, na verdade, dentro dela. e ela tem de corrigí-lo, em vez de simplesmente enfrentá-lo. Então, em vez do sentimento do mal, ela sente bondade.

Uma pessoa não espera um golpe de sorte para seguir um ruim, mas sabe que o “golpe de má sorte” que experimenta é a revelação do mal dentro dela, que ela tem de revelar e, então, corrigir. Desta maneira, ela alcança a bondade interiormemente. Não é que o sofrimento ocorra num lugar e a recompensa apareça noutro, ou que ela faça um esforço ali e receba o pagamento acolá. Em vez disso, ao levar a cabo a correcção, ela transforma a “inclinação ao mal” na “inclinação ao bem” – e essa é a recompensa.

É por isso que a pessoa se rejubila quando os “ímpios são revelados” – porque isto lhe dá algo sobre o que trabalhar e corrigir. É graças a este trabalho que ela alcança a espiritualidade, o Criador, a propriedade de doação. Todavia, tudo acontece no mesmo lugar: no desejo de desfrutar.

O Que As Palavras Não Podem Transmitir


A coisa mais importante no estudo da Cabalá são os nossos sentimentos. É impossível para nós revelar uma impressão espiritual dentro dos nossos sentidos externos e terrenos. Esta só pode ser sentida dentro dos nossos recipientes (vasos) internos da alma, os Kelim.

Os livros Cabalísticos usam a linguagem dos ramos, em que cada palavra aponta e está conectada à sua Raiz Espiritual Superior. Cada raiz espiritual tem o seu ramo correspondente no nosso mundo; contudo, a própria palavra relacionada não é capaz de transmitir um sentimento. Isto porque precisamos, na verdade, estar no próprio sentimento.

Uma palavra representa um recipiente (vaso) e seu preenchimento. Este é o esqueleto do Kli, ou seja, a tela e a Luz Reflectida, e um estado dentro dele, que é o nome de quatro letras do Criador, HaVaYaH.

Nós construímos palavras e frases a partir de “pedaços” chamados “Taamim” (sabores), “Nekudot” (os pontos por baixo das letras), “Tagin” (pequenas coroas acima das letras), e “Otiot” (letras). Isto permite-nos,  de alguma forma, descrever estados espirituais, conexões, relações, e todo o processo de transição entre os estados.

Todavia, não podemos transmitir os próprios estados, pois cada um de nós tem um recipiente (vaso) único de compreensão. A única coisa que podemos transmitir uns aos outros é a informação externa sobre a preparação do recipiente (vaso) espiritual e o nível de conexão entre as forças. Porém, somos incapazes de transmitir os próprios sentimentos. Desta forma, cada um de nós deve “visualizar” (sentir no seu coração) internamente as acções que são descritas pelas palavras.

Nós Podemos Reduzir o Sofrimento do Nosso Nascimento Espiritual


O Zohar, Capítulo “Ki Tisa“, item 24: “Como quando a mulher grávida está próxima do parto, ela se contorce e grita nas dores do parto”, pois é da natureza da mulher grávida esperar nove meses completos.

Isso fala sobre o fato de que leva tempo para nós sentirmos todo o mal contido dentro de nós. No início, nós simplesmente começamos a sentir isso levemente, mas isso não significa nada. Cada estado tem que atravessar quatro fases, até que nós o alcancemos plenamente, junto com sua raiz, e decidamos que isso não é algo acidental ou temporário, mas é o mal desde o início, na própria raiz, e cheguemos à conclusão de que temos que nos livrar dele. Só então é que temos o poder de erradicar o mal.

Mas existem muito poucos no mundo que atravessam apenas um ou dois dias do nono mês, enquanto todas as dores e sofrimentos da gestante estão no nono. Assim, mesmo que ela só atravessasse um dia do nono mês, considera-se como se todo o nono mês tivesse passado por ela.

Aqui O Zohar fala sobre a revelação do mal, o exílio e a redenção. Ele diz que não temos que esperar o fim dos 6000 anos, se já sentirmos que começamos o nono mês de “gestação” e as dores do parto do exílio. Isto significa que já somos capazes de concluir todo o processo de correção.

Assim é Israel: uma vez que eles provaram o sabor do exílio, se eles se arrependerem, considera-se como se tivessem experimentado todos os problemas que estão escritos na Torá, especialmente porque eles tinham experimentado dores diversas, desde o início do exílio.

Está dizendo que a duração do exílio não depende do tempo. Isto é, depende do tempo até a marca do “nono mês”. Nós devemos atravessar os “oito meses” de tribulações – isso é certo. Mas quando começamos a sentir até mesmo o primeiro dia do nono mês, a partir daí tudo depende dessa sensação e da nossa plena realização do nosso mal em relação à raiz. Então nós seremos capazes de sair do exílio, porque “considera-se como se já tivéssemos passado por todas as desgraças”.

O período chamado de “os primeiro oito meses” é o período da preparação, o período de exílio que temos que percorrer. Não há nenhuma maneira de evitar ou reduzí-lo. Este foi o período antes do Ari. Do Ari em diante, começou um tempo diferente, que pode ser reduzido quanto mais avançarmos. Isto aumentará as “dores do parto” do nosso desenvolvimento e nos permitirá completar o nosso desenvolvimento muito tempo antes do final de 6000 anos.

Você é Convidado a Entrar no Congresso


Uma pergunta que recebi: Eu tenho um amigo que quer descobrir a Cabalá e O Livro do Zohar. Eu devo levá-lo à preparação noturna do Congresso, e ao próprio Congresso?

Minha Resposta: Eu acho que você deve convidá-lo. Mesmo se a pessoa estiver caminhando “acidentalmente” na rua, e por acaso passar pelo local do Congresso, e nunca tiver ouvido falar sobre Cabalá, mas ela não tem nada para fazer hoje, e está apenas andando, e de repente vê este lugar onde ela pode entrar para ver o que está acontecendo lá, então deixe-a entrar! Não existe casualidades!

Se eu tenho um amigo que pode me levar ao Congresso, então ele foi, de alguma forma, colocado ao meu lado de propósito. É um sinal de que eu fui convidado pelo Alto. Se a pessoa estava apenas caminhando e decidiu “visitar” o Congresso, para mim isso é um sinal do Alto.

Um Futuro Brilhante Depende de Nós


Está escrito: “Eu criei o mal e a Torá para corrigi-lo”, porque a Luz da Torá reforma. Correção só ocorre de acordo com a intenção de uma pessoa. Como o Ari explica através do seu aluno Chaim Vital “no Prefácio à Árvore da Vida” e como Baal HaSulam diz no “Prefácio do Talmud das Dez Séfiras”, tudo depende da intenção de uma pessoa que estuda a Torá. Todos os livros que falam sobre a correção da alma são chamados de “Torá.”

Uma pessoa chega a uma necessidade verdadeira para a correção somente se ela pretender corrigir a sua alma e quiser atrair a Luz, a fim de se corrigir. Ela tem que chegar à sensação de que ela precisa corrigir as suas qualidades, que são obtidas através da comparação delas com as do Criador. Então ela percebe que há uma grande diferença entre essas qualidades e compreende o estado que ela deve atingir. Nesse ponto, uma pedido por correção surge nela.

Os livros que foram escritos pelos cabalistas que chegaram a espiritualidade e atingiram o Criador são chamados de “livros sagrados”, pois eles falam sobre doação e amor ao próximo. É por isso que está escrito que as pessoas estudam a Torá somente se elas se esforçarem para chegar a doação [Leia mais →]

Bnei Baruch Divide Cabalá Com o Mundo

Um amplo grupo de voluntários em todo o mundo trabalham em conjunto para levar a mensagem da Cabala para você:


Encontrar a Linha Do Meio é a Nossa Grande Tarefa


Se você conceder menos do que você é capaz, então não é auto-outorga. É assim que a linha do meio funciona. Não pode surgir a menos que haja uma medida precisa de doação máxima. A linha do meio não existe inicialmente e não sabemos a sua medida, mas constitui todo o “ser humano” dentro de nós. Temos de criar esse ser humano que vai ser igual ao Criador. Então, como vamos construir e criar a linha média à imagem do Criador, se essa é composta de duas forças: masculina e feminina, direita e esquerda? Nós não sabemos o que essa conexão é ou de que forma essa criatura chamada “homem” deveria ter. Quando ele nascer, será chamado nosso “eu”. “Mas antes que isso aconteça, é como se não existisse. Nós não podemos saber nada disto antes do tempo porque não vemos o Criador. Quando completarmos esse trabalho e construirmos precisamente as dez Séfiras, ao invés de nove ou onze, então o resultado será chamado o Criador – “Vinde e Vede” (Bo-Re). Vamos revelar a nós mesmos e o Criador juntos, porque uma pessoa não pode ser revelada sem o Criador e o Criador – sem o homem, pois eles só podem existir juntos.

Nós não temos qualquer exemplo ou imagem do que a linha do meio é. Temos de procurar e pedir que ela nos mostre os exemplos e a conexão. É assim que vamos começar a ver O Jogo que o Criador está jogando conosco por despertar diferentes sentimentos em nós, esta é sua maneira de nos dar sugestões para nos ajudar a encontrar a linha média. Do contrário, não seremos capaz de compreendê-la; só poderemos encontrar a linha do meio através da procura, tentando imaginar o que é enquanto estivermos na escuridão. Essa é a arte e toda a obra de construção do “Templo” – a manifestação da imagem do Criador em todos os níveis do nosso desejo: assim, vegetativo, animal e humano.