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Detalhes Sobre O Retrato Do Criador

Dr. Michael LaitmanEstando deste lado da Machsom (barreira), nós não vemos as razões para as nossas ações e pensamos que somos independentes. No entanto, o resultado realmente está predeterminado e convoca as ações que levarão a ele.

Pergunta: Mas é dito que mesmo que a recompensa seja garantida, ainda temos que fazer nosso trabalho. Portanto, esta é a nossa independência, nosso livre arbítrio?

Resposta: Eu gostaria que chegássemos a isso e víssemos que o mundo inteiro de Ein Sof (Infinito) se espalha diante de nós. Não importa o que você faça, o Criador lhe dá tudo o que é bom, mas como um convidado sentado diante do anfitrião, você está preparado a receber Dele somente através da “restrição” e da Masach (tela).

Pergunta: E cada vez a pessoa tem que decidir: “Estou indo agora fazer o que deve ser feito?”.

Resposta: Claro. Então você descobre a doação por parte do Criador.

Ele quer ensiná-lo a receber a fim de doar. Da parte do Criador não há limitações, mas Ele faz isso a fim de levá-lo ao seu nível, onde você irá adquirir a compreensão e o reconhecimento, e não apenas a satisfação que é só o meio. Se você receber mais ou menos, é apenas o meio, enquanto a meta é chegar à adesão.

A adesão não é o que satisfaz, mas o prazer de ser semelhante ao Criador. É acima do jogo das “Luzes e vasos” e esta é a satisfação do “ponto no coração”, é o maior prazer.

Por um lado, nós dizemos que o objetivo do nosso desenvolvimento é a adesão. Por outro lado, dizemos que o objetivo da criação é o prazer e deleite. Assim, verifica-se que a adesão é igual a prazer.

Na verdade, trata-se sempre de níveis de prazer, já que o desejo (o vaso) não sente nada disso. O prazer está por trás de cada detalhe da minha percepção. Por exemplo, eu diferencio cores na medida em que elas me trazem prazer.

Em qualquer situação nós podemos medir os prazeres e geralmente conectamos de acordo com suas formas, porque temos uma forma similar. Para cima e para baixo, força e fraqueza, calor e frio, nós verificamos tudo de acordo com este princípio, e tudo isso decorre da impressão do desejo a partir da satisfação ou da falta de satisfação.

Nosso desejo é dividido em muitos discernimentos e tons que são determinados pelos nossos cinco sentidos de acordo com faixas e níveis paralelos. De uma forma ou de outra, não há nada exceto o desejo. Tudo é medido pela minha sensação, até as coisas mais neutras. Eu não sinto e não identifico nada que não toque a minha sensação. Cada discernimento que eu faço recebe um “sinal emocional”, que eu meço. Por trás de todas as palavras e nomes há emoções, o estado em que se encontra o meu desejo. É nisso que se baseia a nossa língua.

Pergunta: Eu sei os prazeres que me satisfazem. Eu sei o que anseio. Mas o que significa “assemelhar-se ao Criador”? Que tipo de satisfação é essa? O sentimento de pertencer a algo grande?

Resposta: Se você tomar a interioridade do seu coração, algo que é muito profundo e pessoal, e tentar conectar essa centelha oculta ao centro do grupo, você vai satisfazer o seu “ponto no coração”.

Pergunta: E isto significa assemelhar-se ao Criador?

Resposta: Sim, porque o centro do grupo é a representação do Criador. Esta é a imagem que é retratada em seus vasos. Você não sabe o que é a Luz por si só. Para você a Luz é um fenômeno que você descobre no vaso. Quando nossos vasos estão conectados, quando cada um anula a si mesmo e quer chegar à conexão de todos os pontos em um só, esta é a representação do Criador. Isto significa que estamos aderidos a ele.

Assim, se eu estou aderido ao grupo, estou aderido ao Criador. Lá dentro, entre os amigos, estão todos os discernimentos de Seu retrato.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 17/05/12, Introdução ao Estudo das Dez Sefirot

O Avanço Para Liberdade Por Entre Os Espinhos

Dr. Michael LaitmanNós começamos a trabalhar com o ambiente num período em que parece que está tudo bem e que conseguimos nos conectar com ele e somos capacitados por ele. Por enquanto, a pessoa não percebe seu desejo de receber como seu inimigo. Este período é chamado de “sete anos de fartura”.

Durante este tempo, ela não precisa realmente do Criador, e começa a pensar Nele somente quando se desespera neste trabalho. Ela aprende e trabalha com os outros, mas depois começa a entender que nada funciona.

Não que nós não recebamos uma satisfação egoísta. Nós podemos gritar desde o início. O que percebemos é que não seremos capazes de atingir a conexão. Nós começamos a perceber que a conexão é possível, apesar do ego, contra ele, acima dele. Mas nós não queremos isso! Então, nós nos desesperamos e caímos. Nós começamos a pensar: “Pra que precisamos de tudo isso?”.

Nós ficamos mais fracos. Nós caímos no sono e perdemos o interesse em tudo. É como se nós nos desligássemos da vida, e tanto a vida espiritual quanto a corporal parecem sem gosto. Se o desejo desaparece, não temos poder de nos mover. É assim que somos construídos. O sistema biológico funciona de acordo com este princípio.

A pessoa vê que não tem controle sobre si. Aos poucos, seus olhos se abrem e ela começa a procurar como pode afetar os estados que ela atravessa e avança. Ela entende que o avanço não está na sensação boa, como se ela tomasse alguma droga.

É por isso que se a pessoa trabalha apenas para receber alguma satisfação egoísta – saber mais, compreender, sentir ou decorar a sua vida – a Torá pode se tornar a poção da morte. Ela verifica o seu estado de acordo com a forma como o motor egoísta gira e pensa que está avançando. Afinal, seu ego está recebendo a energia da vida.

No entanto, se ela começa a trabalhar com o ambiente certo, a Luz que vem age nela e arruína este idílio. Ela começa a examinar a si mesma, não só quando se trata de sentir-se bem, mas também tenta descobrir qual é o resultado e pra que ela está trabalhando.

A Luz sempre influencia a pessoa. No final, ela entende que está trabalhando para o seu ego, e este tipo de trabalho torna-se sem gosto. Ela quer subir acima dele, recebendo novos valores da Luz. Ela não quer ser um pequeno animal que obedece suas sensações: uma sensação agradável é boa, e uma sensação desagradável é ruim. Você recebe um pouco mais de energia. Você se eleva, perde energia, cai no sono. A pessoa se opõe a se comportar desta maneira.

Finalmente, ela decide que a coisa mais importante para ela é a conexão com o Criador, não importa o que ela atravessa. Estas são as correções que a Luz Reforma realiza nela, fornecendo-lhe tais valores. De certa forma, ela já está agindo acima da razão. Embora isso ainda seja egoísta e esteja na escravidão no Egito, está próximo do êxodo para a liberdade.

Agora, a pessoa sente que está no verdadeiro exílio, sob os golpes de Faraó. Ela começa a esclarecer as coisas com cuidado: “Eu estou pronto para me conectar com o Criador porque essa conexão é agradável; porém, o que devo fazer se ela for desagradável? Será que eu vou sempre ser capaz de perceber a conexão com Ele como boa, apesar do sentimento ruim em meu desejo de receber?

Talvez seja mesmo preferível, porque eu preciso ter certeza de que não serei corrompido pelo meu ego, de modo a não correr atrás de todo mundo como um ladrão, gritando: ‘Pega ladrão!’”.

A pessoa só quer trabalhar em seu próprio benefício o mínimo possível, a fim de não receber qualquer recompensa no ego, mas o Criador realiza diferentes “truques” com ela para mostrar que ela ainda está trabalhando para si mesma. Assim, ela esclarece as coisas mais profundamente, até que percebe a necessidade de subir acima do seu desejo de receber e ficar entre ela e o Criador, a fim de decidir as coisas sozinha.

Graças a isso, ela adquire uma cabeça (Rosh) e um Partzuf espiritual. O Criador é a Luz superior: a Luz Circundante e a Luz Interior, e a pessoa toma uma decisão independente com relação a isso, acima de seus sentimentos e do seu desejo de receber. Isto simboliza o êxodo pessoal do Egito para a liberdade.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 23/04/12, Escritos do Rabash

A Luz Da Liberdade No Horizonte

Dr. Michael LaitmanNo exílio (Galut) apenas a letra Aleph está faltando para alcançar a redenção (Geula). Esta letra simboliza a aparição do Criador, a sensação real da manifestação do atributo de doação e amor, que nós sentíamos no mesmo lugar onde, estando no exílio, desejávamos ver e sentir como este atributo assume o controle e nos preenche.

Portanto, todo o nosso trabalho é ansiar pela redenção no sentido verdadeiro da palavra. No momento em que a imaginarmos da forma mais realista possível, tanto quanto pudermos em nosso egoísmo, que é tão contrário à doação, e na medida em que nos aproximarmos do que é chamado de amor, doação, respeito, reciprocidade e um coração coletivo, em vez de muitas pessoas, desta forma vamos nos aproximar da redenção.

Nós devemos imaginar esta estrutura, a forma, o desejo, a deficiência, e todos os seus detalhes e componentes da forma mais clara possível. Todo mundo deve pensar nessa direção. Este é todo o trabalho pelo qual vamos acelerar o tempo e alcançar a redenção, a revelação do Criador, em breve.

Nós temos que preparar o vaso espiritual que nos permitirá alcançar um grande desejo nele e quase imaginar a forma desejável, a imagem futura, desejando-a.

Da Preparação para a Lição Diária de Cabalá 15/04/12

Um Salto Para A Liberdade

Dr. Michael LaitmanO atributo de doação é atingido no grupo, na sociedade, sob condições especiais que são descritas pelos Cabalistas a partir do estado que foi preparado para nós pela quebra do primeiro homem (Adão HaRishon), a alma geral. Se nós usarmos corretamente o pequeno ambiente que nos foi dado, e nele tentarmos chegar à doação mútua, vamos descobrir que estamos no exílio do Egito.

Nós descobrimos que não há como alcançar a espiritualidade, o Criador, o atributo de doação, se não alcançarmos o amor dos amigos em primeiro lugar. Mas todas as nossas tentativas para chegar à conexão e ao amor dos amigos terminam em fracasso completo, como está escrito, “os filhos de Israel clamaram pela obra”, porque nós descobrimos que nós construímos cidades medíocres, Pitom e Ramsés para o Faraó, o que significa que nós só aumentamos o nosso desejo de receber.

Apesar de nos desesperarmos com este trabalho, nós não o deixamos e gritamos: “Salve-nos!”. Afinal, o nosso ego, o Faraó, não nos deixa conectar, e se isso continuar desta forma, nunca deixaremos o exílio nem alcançaremos a conexão com a força superior.

Este é realmente um grito de desespero do fundo do coração. Em seguida, uma força especial e geral, chamada “Moisés”, é revelada. Ela é revelada no grupo e passa por muitas mudanças. Uma vez revelada é novamente ocultada, até a estabilizarmos e colocarmos contra o nosso ego.

Quando estamos prontos para lutar contra nosso ego coletivo que nos impede de nos conectar, colocando a força coletiva da conexão chamada “Moisés” contra ele, começa a luta de vida ou morte. Nós apoiamos essa força tanto quanto podemos e até mesmo acima de nossas forças! Aqui nós descobrimos em nosso ponto geral coletivo a ajuda do Alto. Neste ponto, o Criador diz: “Venha ao Faraó, vamos enfrentá-lo juntos!”. Isto significa que Ele concorda em se conectar com o nosso ponto coletivo, e este nos tira do Egito.

Durante esse processo, diferentes fenômenos ocorrem, descritos pela Hagadá, e nós temos que passar por tudo isso. Isso se refere apenas às nossas tentativas de chegar à conexão e, de alguma forma, realizá-la. Finalmente, nós saímos deste estado, da nossa incapacidade de nos conectar, e alcançamos o que queríamos. O método de conexão chamado Torá nos é revelado contra o ego e o ódio.

Agora, surge o sistema que podemos usar. Ele é chamado de Torá, a Luz que Reforma, que gradualmente começa a nos influenciar para nos corrigir. Há o Monte Sinai que nos separa, o ego coletivo que fica no caminho da conexão entre nós. Quando a Luz corrige o ódio em conexão, esse monte se torna se a “montanha da Santidade”.

É disso que trata o feriado de Pessach ou Páscoa judaica (da palavra hebraica que significa “escapar”), que simboliza as transições do exílio à liberdade. Exílio é a minha incapacidade de me conectar. Eu não sei como fazer isso, mas anseio por ela e a exijo.

Redenção simboliza o fato de que me foi dada uma chance, um sistema, um método que me permite corrigir o mal em mim, e transformá-lo em bem. Bem significa a garantia mútua, amor dos amigos, onde eu descubro a força que me permite realizar esta atitude e aderir ao Criador. Afinal de contas, Ele é o objetivo pelo qual eu ansiava desde o início.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 01/04/12, Shamati # 41

Liberdade Dentro Da Imagem Estreita Da Vida Familiar

Dr. Michael LaitmanPergunta: Uma vez, uma mulher disse que sua liberdade é limitada por certas obrigações para com seus filhos, família, marido, casa, etc. Ela se sente mais livre dentro dessas obrigações. Mas, se tudo isso lhe fosse tirado, seu sentimento de liberdade desapareceria.

Resposta: Isso é verdade. Quando uma pessoa carece de limites estritos, é difícil para ela determinar onde a liberdade está, e ela simplesmente se sente perdida, porque a liberdade absoluta parece-lhe como uma absoluta falta de liberdade.

A liberdade, tal como qualquer outro sentimento, é definida entre o negativo e o positivo nela. Portanto, dentro de certos limites e a oportunidade de permanecer, agir e existir confortavelmente dentro deles, o que significa gerenciá-los, realizando quaisquer obrigações e desfrutar o seu alcance, isto é percebido como liberdade.

Mas, a questão é que quando nos tornamos parte integrante da nossa sociedade contra a nossa vontade, de acordo com o plano da natureza, somos incapazes de nos sentir aptos a criar o quadro correto, porque ele está sendo violado todo o tempo; por um lado nos tornamos mais interligados com os outros, e por outro lado, nós não sentimos que podemos fazer algo por conta própria dentro da nossa própria estrutura, porque dependemos de uma quantidade enorme de fatores externos.

É por isso que a única maneira de superar nossos limites é entrando no sistema integral, que dá a sensação de liberdade.

A natureza inevitavelmente nos empurra para nos sentir “encurralados” em um estado de necessidade, em uma luta constante pela sobrevivência dentro de nossa própria estrutura, em todos os lugares; em nossas famílias, no trabalho, em casa, na rua, em qualquer lugar afinal.

É aqui que temos que mostrar às pessoas que a liberdade só é adquirida pela correta interação com os outros: global e harmoniosamente.

Uma pessoa, especialmente uma mulher, importa-se apenas com os seus limites, seu conforto, dentro desses pequenos limites no nível animal e egoísta da existência. Quando ela tem um lar, uma família, filhos, responsabilidades, e ela é competente, capaz e equipada para proporcionar o bem-estar de toda sua pequena família, então, é claro, ela pode ter uma sensação completa de confiança, liberdade e realização.

Não é tão simples com uma pessoa moderna, mesmo uma mulher moderna. Ela aspira entrar nos negócios e se realizar. Mas, ainda assim, o determinante, a orientação básica do caráter feminino é dirigida à família, e para que as coisas estejam bem nela.

No entanto, vemos que as famílias estão quebradas. As últimas estatísticas são ameaçadoras! O número de divórcios e famílias com um só dos pais é maior do que 50%!

Aqui nós observamos uma tendência em empurrar a pessoa para fora do seu pequeno círculo familiar, onde ela se sente confortável apoiada por seus parentes, onde é suficiente para ela poder cuidar de sua casa e obter quaisquer necessidades para sua casa. Apesar de sua mente, o homem está sendo empurrado em direção a algo maior contra sua vontade.

Nós estamos amarrados com todos os outros. Nosso bem-estar interior depende de todo mundo. Assim, a educação integral é simplesmente necessária aqui para compensar a insegurança, os medos e a ausência de liberdade.

À medida que subimos ao próximo nível, adquirimos exatamente a liberdade, apesar do nosso atual princípio egoísta.

Quando eu me conecto com os outros, eu adquiro algo em comum com eles, desejos comuns e o entendimento comum de que, quando decidimos tudo juntos, interagindo uns com os outros, e não de outra maneira, é que eu me sinto livre.

Minha liberdade depende de mim. Ela não depende dos outros, porque todos os outros no grupo integral começam a parecer totalmente corrigidos para mim. Eles já estão no estado integral da garantia mútua, conexão, e eu só estou apenas começando a sentir que ainda preciso adicionar e me ajustar. Em geral, cada pessoa se sente assim em relação aos outros.

A pessoa adquire uma necessidade completamente nova para lutar constantemente por um bom relacionamento com todas as pessoas.

Este é um nível totalmente novo. Ainda é egoísta, mas ao mesmo tempo, é um nível diferente e desejável, onde eu sinto que me falta uma maior integração. É que, depois de entrar nele, realizando uma virada psicológica dentro de mim, como se puxasse o gatilho e mudasse para o oposto, eu, de repente, adquiro liberdade.

É como quando um feto nasce do ventre da mãe; ele fica com a cabeça para baixo e parece perder tudo o que tinha, após o que ele aparece num mundo novo: nós precisamos virar de cabeça para baixo, começar a entender o mundo de outra maneira, e então, nós nasceremos num novo mundo integral.

Da “Palestra Sobre Educação Integral” #9, 15/12/11

Onde Está A Democracia?

Dr. Michael LaitmanPergunta: O Criador limita a minha liberdade de acordo com as leis da natureza; mas, e se eu não quiser isso? Afinal, Ele não me pediu. Onde está a democracia?

Resposta: Na verdade, o Criador desenvolve as pessoas modernas de forma diferente, e, consequentemente, elas fazem perguntas relevantes sobre Ele. É assim que deve ser. É por isso que nosso mundo está mudando, de modo que as questões sobre Ele sejam despertadas em nós. Como resultado, todas as perguntas e exigências devem ser dirigidas ao Criador. Tudo é feito para a pessoa alcançar o desespero.

Por um lado, parece que já há liberdade neste mundo e que eu posso fazer o que quiser. Por outro lado, minha mente “infantil” gradualmente percebe que o mundo é controlado por um sistema de leis e que eu não posso fazer o que eu quiser de forma alguma. Há uma diferença entre o que é desejável e o que é.

Gradualmente, eu entendo que tudo é sobre as leis do mundo, que são regras rígidas. Elas são reveladas a mim de forma mais clara e me obrigam cada vez mais. Como resultado, eu não me sinto tão confortável e bem, mas no geral é assim que eu aprendo.

No início, a criança gosta de tudo e seus pedidos são realizados. Mais tarde, nós começamos a limitá-la. Nós ensinamos a ela as regras da vida e exigimos coisas dela. É assim que ela cresce.

Você está falando de democracia, de liberdade. Mas, que tipo de liberdade é essa? Liberdade de quê? Liberdade para quê? Liberdade em que condições? Afinal, você não está vivendo no vácuo, você já tem determinados atributos, você já é alguma coisa.

Para você, “liberdade” é quando você imediatamente obtém tudo que deseja: “Eu quero um palácio”, e lá vai você. “Eu quero ser forte e inteligente”, e lá vai você. Desta forma, você está livre de quaisquer limitações, você é onipotente.

Mas, você não escolheu sua mente e personalidade, o que significa que você não está totalmente livre. Além disso, seus desejos dependem dos valores com os quais você foi educado, o que também não é liberdade. Já existem condições preliminares em você, que influenciam você. Então, que tipo de liberdade é essa? Não é do jeito que você a imagina. Você simplesmente não esclareceu isso.

Por outro lado, o Criador realmente quer que você seja livre. Então, você estará livre do que Ele inseriu em você e em vez disso, você vai construir os atributos opostos acima disso. Você vai encontrar a verdadeira liberdade entre os 613 “pecados” e os 613 “mandamentos”, o que é algo novo, um terceiro fator, a linha média, o mundo espiritual. Ele não existe sem você. Se você não o criar, ele não vai existir.

Entretanto, não se esqueça: você é uma criatura e, portanto, não é livre, você está limitado em suas qualidades e desejos.

Da 4a parte da Lição Diária de Cabalá 15/02/12, “Introdução ao Estudo das Dez Sefirot

Descer Para Subir

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, “A Liberdade”: “No entanto, quando ele alcança o objetivo da Criação e o Criador recebe prazer dele, pois é feita a Sua vontade, a essência do homem se veste em Seu contentamento, e lhe é concedida a eternidade completa, como Ele. Assim, ele foi recompensado com a liberdade do anjo da morte”.

Baal HaSulam explica a liberdade no contexto da percepção da realidade. Nós vivemos num mundo de forças. Não há matéria; ela é apenas representada a nós sob a influência de diferentes forças que estabilizam este sentimento para nós.

Eu percebo a natureza inanimada em todas as suas formas e maneiras, e também os níveis vegetal, animal e humano da natureza. Estas quatro categorias que enchem meu campo de sensação são forças que são representadas no meu desejo e que atraem, como numa tela, a imagem variada do mundo tridimensional.

Isso acontece porque o meu desejo de receber divide a doação geral, chamada de Luz, em muitos tipos e graus de reações internas. No seu conjunto, ele constrói a imagem do mundo no qual eu sinto e vejo todas essas ações.

Assim, desde o início, me foi dado um sentimento para o qual eu não tenho que me preparar. Eu já tenho o desejo de receber e nele eu sinto o mundo. Além disso, eu vejo processos em larga escala na natureza inanimada, vegetal e animal, e também entre estes níveis. Na verdade, trata-se do nosso mundo interno, mas nós pegamos os nomes dos objetos e fenômenos nele do nível mais inferior, de acordo com o princípio do ramo e da raiz.

Quanto mais eu me elevo, mais eu me aproximo da Luz através das camadas do meu desejo. No lugar mais inferior eu vejo a imagem deste mundo. Então, eu subo para o próximo nível, para os desejos que estão mais próximos da Luz, e essas forças estão diante de mim na forma de Partzufim, mundos e Sefirot. Então, eu vejo a conexão entre o ramo e a raiz em tudo, e, consequentemente, eu chamo as formas que sinto como desejos e as relações entre as forças por nomes paralelos do nosso mundo. Assim, a linguagem dos ramos é formada.

Com a ascensão ao nível espiritual, meus desejos mudam. Em outras palavras, eu mudo, e assim subo para o nível onde me assemelho e sou, em parte, igual ao Criador. Mesmo que isto seja apenas o primeiro dos 125 degraus (1/125), eu já vivo neste grau. No nível seguinte, eu já vivo no grau 2/125. Isso significa que eu assumo a forma que não desaparece. Tudo visa à doação, semelhante à Luz. Eu estou aderido a ela. Eu sou o mesmo vaso que ela preenche. Assim, eu já estou na eternidade, no Criador. Eu entrei em Seu domínio com meus desejos, e esta é uma subida para o nível da vida, a fuga do “anjo da morte”.

Ao mesmo tempo, não me perturba que o meu primeiro nível esteja na minha percepção o tempo todo, até o final da subida. Eu tenho que descer até ele e permanecer nele, porque quando eu corrijo os meus desejos, é a partir deste nível que eu tenho que começar a subida o tempo todo. Eu não posso elevar-me do atual nível espiritual para o próximo nível. Eu devo descer e aceitar um acréscimo do desejo corrompido e, em seguida, subir para o mesmo desejo num nível mais elevado.

Todos os desejos corrompidos crescem a partir do lugar mais inferior. Portanto, embora as forças na tela dos meus desejos também retratem a imagem deste mundo, essa imagem ainda tem que estar constantemente diante de mim. É por sentir isso que eu posso me elevar a todos os graus da escada que leva a Ein Sof.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 12/01/12, “A Liberdade”

Coloque Seu Desejo Sob A Luz

Dr. Michael LaitmanBaal Hasulam, “A Liberdade”: “Toda a sabedoria deles não os ajudou a encontrar uma ponte sobre a qual atravessar essa fenda larga e profunda que se espalha entre a entidade espiritual e o átomo corporal. Assim, a ciência não ganhou nada com todos estes métodos metafísicos”.

A pessoa herda seus atributos de seus pais. Estes atributos não podem ser alterados, mas a sociedade os influencia e lhes dá diferentes formas. Finalmente, a pessoa não expressa a si mesma, mas sim a sociedade externa.

Os atributos podem ser diferentes, mas o que importa é a forma como são dados: a pessoa pode ser um grande gangster ou um grande cientista, pode abater animais ou abater pessoas. A distância entre um policial e um ladrão é muito pequena, e ambos entendem um ao outro.

Assim, a sociedade faz o que quer com a pessoa. Embora exista o núcleo preliminar numa pessoa, os fatores que influenciam fazem o que querem com ela. Esse é o estado das coisas no nível corpóreo, e por isso não decidimos nada aqui.

No entanto, no nível espiritual, nós temos que descobrir a raiz da alma da pessoa, o ponto no coração, e colocá-lo num ambiente que irá abastecê-lo com a Luz que reforma. Nós temos que construir um ambiente espiritual que fornecerá à pessoa esta Luz espiritual que influenciará o seu ponto no coração e o abrirá.

A pessoa, por sua vez, tem que se rebaixar perante o ambiente adequado e neutralizar o seu ego, a fim de remover as coberturas egoístas do ponto no coração. Ela tem que trazer o seu ponto para fora e conectá-lo com os outros pontos, de modo que este realmente parecerá desejar a doação. Embora a intenção deles ainda seja egoísta, eles são atraídos para a doação mútua, para a força que lembra, ao menos em certa medida, a Luz que reforma. Esta é a única maneira de atraí-la. Esta Luz influencia as forças egoístas em nós que estão tentando manter contato, apesar do ódio que sentimos.

Portanto, há um ponto no coração preliminar, a raiz da alma de uma pessoa, e há a Luz que reforma, a força que desenvolve a raiz da alma. Todas as condições egoístas numa pessoa e no ambiente, ou seja, o grupo, foram feitas para desenvolver a força de doação, a intenção de alcançar a doação, tanto quanto possível. É por esta razão que vemos a nós mesmos vestidos com uma casca egoísta, e também vemos o grupo como repulsivo. Isso nos permite trazer para fora o nosso ponto e colocá-lo diante da Luz que reforma. Caso contrário, nós simplesmente não seríamos capazes de fazê-lo.

Portanto, a casca é chamada de “ajudante”. Ela permite que eu coloque o meu ponto sob a Luz.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 28/12/11, Baal HaSulam, “A Liberdade”

Onde Está A Nossa Liberdade?

Dr. Michael LaitmanNós já entendemos que o livre arbítrio não é um termo simples. Nós nascemos com atributos que não escolhemos, numa família e condições que não escolhemos, temos uma educação que não escolhemos … em suma, somos criados e moldados sem ter livre arbítrio.

Como resultado, a pessoa neste mundo é “cozida” por seus pais, o ambiente e a sociedade…  portanto, ela não tem liberdade e não podemos exigir nada dela, afinal, ela é uma máquina. Parece-lhe que ela tem seus próprios pensamentos, seus próprios desejos, suas próprias obras, mas, na verdade, estes são inevitáveis, e ela é obrigada a agir dessa forma.

Então, qual é o propósito da criação? Nós estamos falando de um pensamento da natureza, do desejo, da intenção, da grande sabedoria. Na verdade, o Criador, ou a Força Superior, por definição, tem grande sabedoria, muito mais do que toda a criação que está abaixo Dele.

Quando nós estudamos o mundo, descobrimos uma sabedoria inconcebível nele. Nós só conseguimos “arranhar” a superfície e toda a nossa ciência é baseada nisso. Na verdade, nós não começamos a descobrir as verdadeiras forças, relações e formas, e a conexão que existe nesta realidade.

Portanto, por que o Criador criou o mundo? Para que as criaturas sigam um plano predeterminado? Afinal, o início e o fim já são conhecidos, tudo está predeterminado e nós não temos voz nem livre-arbítrio. Todo o nosso desenvolvimento é predeterminado. Para o Criador o conceito de tempo não existe.

Então, tudo isso é inútil. Podem as criaturas fazer algo de forma independente, de alguma forma ou em algum momento? Algo pelo qualcvalesse a pena criá-las, juntamente com toda esta realidade?

A questão básica é: onde está o nosso livre arbítrio, pelo qual o Criador criou tudo? Os mundos espirituais, as inumeráveis formas ​​e fenômenos e o universo corporal em que vivemos, tudo isso é apenas para que a pessoa realize alguma ação independente em algum breve momento em sua vida? O momento único que dá significado a tudo.

Agora, este momento é evasivo, deixando-nos com uma pergunta para a qual não temos resposta. Mas, se encontrarmos o ponto onde podemos acrescentar um grama por nós mesmos, toda a realidade se iluminará e você descobrirá sua maravilhosa satisfação infinita…

Então, nós temos que descobrir onde está o nosso livre arbítrio. Se nós analisamos isso de forma lógica, a realidade não pode existir sem esta opção. Afinal, não haveria razão para a sábia natureza criar qualquer coisa de outra forma. Nesse caso, não haveria sentido para suas ações.

Nós temos que buscar a nossa liberdade. Sem ela a nossa vida continuará programada, planejada, e continuaremos a ser geridos como marionetes numa corda. Nós temos que buscar o ponto do livre arbítrio e realizá-lo. Esta é toda a meta do homem.

O que é a liberdade? Liberdade de quem? Do Criador e Suas ordens? É claro; enquanto eu estou ligado a Ele, não sou eu. Ele me movimenta. Então, eu não tenho que estar livre de outras pessoas, nem de mim mesmo, mas, em primeiro lugar, Dele. O Criador criou certo estado onde eu posso estar separado Dele, de Seu controle. Então, eu serei livre.

A questão é: o que eu faço com essa liberdade? Que novas habilidades posso adquirir? Com que pensamento, com que sentimento e com que ação eu devo preencher o vazio que é subitamente revelado a mim?

Nós falaremos disso outra hora.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 28/12/11, Baal HaSulam, “A Liberdade”

Ele Está Em Toda Parte. Então, Onde Eu Estou?

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, “A Liberdade”: Assim, nós estamos nas mãos desses quatro fatores, como argila nas mãos de um oleiro.

Nós estamos rodeados pela influência do Alto de todos os lados. O Criador nos governa de uma maneira muito dura e absoluta, à medida que Ele controla todos os canais, tanto internos quanto externos, em nossos desejos, pensamentos, hábitos e natureza. Nós não temos nada que é nosso, e até mesmo as palavras que eu estou dizendo agora são organizadas por Ele.

Então, qual é o nosso livre arbítrio? Afinal, não podemos atribuir a liberdade a qualquer objeto, ação, pensamento ou a menor partícula do desejo de receber. O Criador o criou, Ele o influencia de forma absoluta. Então, o que pode ser livre nele?

As pessoas vieram com teorias sobre duas autoridades e politeísmo, sobre as quais o Baal HaSulam escreve em seu artigo “A Paz”. É difícil concordar que existe apenas uma autoridade que “cubra” tudo. Se o Criador é unificado, se não há outro além Dele, se tudo depende Dele, então estou sob o Seu controle absoluto, e é como se eu não existisse, mas sim me dissolvesse nele. Por isso, é preferível ter duas autoridades: uma boa e outra má. Isso é compreensível; entre elas há espaço para mim, e eu posso afetar as coisas.

Ainda assim, em algum momento eu percebo que por trás de tudo que me afeta há uma Fonte. Não é uma imagem que podemos imaginar, mas uma mente, um sentimento, algo unificado. Eu só tenho que descobrir a razão pela qual ela me afeta, o que quer de mim? O que eu deveria me tornar de acordo com a sua influência?

Ao saber o que Ele quer de mim, eu vou conhecê-Lo. Para quê? Apenas para conhecimento ou para cumprir o Seu desejo?

Qual foi Sua intenção ao me criar? O que Ele quer, gerindo-me desta maneira? Se Ele só quer que eu Lhe obedeça, é melhor não saber nada, mas simplesmente agir de acordo com as instruções que recebi. Mas, se Ele realmente quer que eu O alcance, revele-O, então eu tenho que fazer de tudo para alcançar este objetivo e não agir automaticamente.

Portanto, há muito trabalho a fazer com relação à causa inicial de tudo. Este é o nosso único trabalho: constantemente afiar, “polir” nossa atitude para com Ele. Quem é Ele? O que Ele quer de mim? Por que Ele me faz reagir dessa forma? Eu sempre subo os níveis de minha atitude e esclareço o que Ele quer me dar ao me exigir as coisas. O que Ele quer é que eu, graças à doação a Ele, O entenda.

Eu continuo esta cadeia e constantemente elevo o nível de Suas exigências para comigo. Assim, eu tenho que justificar o mal como o bem, uma vez que ambos vêm de uma só fonte. Eu tenho que entender porque Ele divide Sua doação em duas: graças a isso eu serei capaz de verificar a mim mesmo, ajustar o meu curso. Para Ele, essa dualidade não existe, mas minha realidade é dividida em doação e recepção.

Finalmente, nós devemos revelar constantemente o conceito de Unificado, e não mais do que isso. Se eu prestasse atenção nisso, eu veria que não há mais nada na minha vida. Mesmo no mundo corporal, tudo se resume a este esclarecimento que descobre a união, revela o Criador.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 22/12/11, “A Liberdade”