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Chanucá É Uma Parada No Meio Do Caminho

laitman_293.2Nós estamos entrando em um período especial do feriado de Chanucá. Esse feriado tem uma história muito interessante, mas nós estamos mais preocupados com o seu significado espiritual. O homem, como alma comum, foi criado completamente oposto ao Criador.

Afinal, as qualidades do Criador são doação e amor, e as qualidades da criatura são recepção e ódio. No entanto, o programa da criação destina-se a levar a pessoa da oposição à semelhança com a força superior.

Esse programa é implementado através da Luz que reforma, que é despertado com a ajuda de métodos especiais: o trabalho nos grupos organizados de acordo com o exemplo que Moisés mostrou durante a formação do povo de Israel.

Quando esses grupos se unem em uma forma especial, atraem para si a Luz que reforma, que os afeta gradualmente. Através desta Luz chamada Torá, as criaturas recebem a correção.

Essa correção é implementada em duas etapas. No primeiro estágio, o desejo de desfrutar por si mesmo é corrigido para que a intenção mude para a doação e o próprio desejo não seja usado. Em outras palavras, a tarefa da primeira etapa é reduzir os desejos de receber e concentrar-se apenas na obtenção da intenção em prol da doação.

Uma vez que completamos essa correção, começamos novamente a revelar desejos para desfrutar e trabalhamos ativamente com eles, recebendo em prol da doação.

O primeiro estágio de conquista das qualidades de doação em prol da doação, o grau de Bina, é a guerra chamada Guerra dos Macabeus, e o ponto de transição da doação em prol da doação para a recepção em prol da doação é chamada de “parada”, ou Chanucá, que significa “Hanu-Ko”, ou “pare aqui”.

Durante Chanucá, nós celebramos um ponto muito importante: a conclusão da conquista de uma intenção altruísta, o grau de Bina. Nosso desejo de desfrutar ainda não é usado. Nós apenas o reduzimos e aumentamos a intenção em prol da doação. Dessa forma, nós chegamos a essa parada, Chanucá, quando só podemos ver suas Luzes, mas não podemos usá-las.

Nós também podemos ver vasos, embora não possamos usá-los. Afinal, é impossível ver uma Luz sem vaso, mas apenas em prol da doação, acima do próprio desejo. Depois de Chanucá, nós aprendemos a usar inclusive os desejos de recepção com a intenção em prol da doação para que “a escuridão brilhe como a Luz”.

Portanto, Chanucá é a celebração da Luz porque usamos apenas a intenção de doar, e a Luz não pode ser usada. Nós só podemos olhar para ela. “Olhar” significa usar a Luz acima dos vasos de recepção, e o uso da Luz dentro dos vasos de recepção já é completo e realmente usado.

É assim que o lugar desse feriado especial é determinado que completa a primeira etapa especial de correção que celebramos durante esses dias.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 12/12/17, Lição sobre o Tema: “Chanucá pela Sabedoria da Cabalá”

Jerusalém, Construída A Partir De Nossos Corações

laitman_947Jerusalém é um indicador do estado espiritual do povo. É por isso que não há lugar com maior desunião e ódio entre todas as correntes de povos do que em Jerusalém.

Ela é uma cidade muito rígida porque manifesta o verdadeiro estado no coração de todos para a unificação. Jerusalém pode ser o centro da separação para o povo de Israel ou o centro da sua unidade.

Nos tempos do Segundo Templo, o povo praticava a Torá e os mandamentos e se envolvia em atos de caridade. Então, por que o Templo foi destruído? Porque havia ódio infundado (Talmude Babilônico, Tratado “Yoma” ).

Naqueles tempos, os mandamentos eram meticulosamente seguidos, a Torá era estudada, a filantropia se espalhava; havia apenas um problema que as pessoas não se davam bem. É como hoje: há muitas pessoas religiosas que seguem escrupulosamente tudo; no entanto, há desunião entre elas, distância, antagonismo e ódio.

É por isso que tudo colapsa, como está escrito: “O dia em que o Templo não é reconstruído, é como se fosse destruído de novo”. Até nos unirmos acima de nossas diferenças, não poderemos alcançar o estado corrigido.

É por isso que a correção não está condicionada à observância da Torá, aos mandamentos ou ao envolvimento em caridade, mas apenas na conexão dos corações. Nós precisamos, pelo menos, voltar-nos ao amar ao próximo, e então Jerusalém será reconstruída, e tudo nele.

Pergunta: A caridade não significa doação mútua?

Resposta: Caridade é quando uma pessoa está realmente pronta para ajudar outra, dar tudo o que tem – exceto seu coração. Ela não está pronta para se conectar em seu coração. Qual é a intenção dela de dar a caridade? Para a vida de seus filhos, recompensa neste mundo e no mundo futuro.

Sem estudar a ciência da Cabalá, é impossível alcançar o estado de doação, a qualidade de Lishma, porque uma pessoa não atrai a Luz que reforma, a qual é chamada de Torá. Ela não está tentando mudar seu desejo egoísta. Portanto, sua caridade é puramente para seu próprio benefício.

É por isso que o Templo foi destruído, apesar do povo que seguia a Torá e os mandamentos e se envolvia em caridade, porque tudo era por sua própria causa. O povo foi dividido e isso levou à destruição do Templo.

Nós somos incapazes de nos conectar para estar em um desejo, em um só coração, que se chama “estar sob um cobertor”, uma única tela anti-egoísta.

O amor de todos deve ser o propósito de nossa existência. Sem isso, não haverá nação de Israel, nenhum país de Israel, nenhuma terra de Israel. É por isso que ele deve se tornar um programa nacional. Todos os esforços devem ser feitos para educar as pessoas no espírito do amor fraternal e, naturalmente, o judaísmo deve liderar o caminho de ser um exemplo desse amor para toda a nação.

Como é dito no livro Sefer ha-Middot (O Livro dos Traços de Caráter) no capítulo “Importância da Fé”: “Jerusalém não será reconstruída até que a paz reine entre os povos de Israel”. Alcançar a paz dentro do povo de Israel e relações comprometidas e amigáveis ​​é o que significa reconstruir Jerusalém: não de pedras, mas de nossos corações.

Feriados: Etapas De Correção

Laitman_506.1Torá, Deuteronômio 31:10 – 31:11: E ordenou-lhes Moisés, dizendo: Ao fim de cada sete anos, no tempo determinado do ano da remissão, na Festa dos Tabernáculos (Sucot), quando todo o Israel vier a comparecer perante o Senhor teu Deus, no lugar que Ele escolher, lerás esta lei diante de todo o Israel aos seus ouvidos.

O autoexame, o exame de seus próprios desejos negativos e egoístas ocorrem antes do Ano Novo (Rosh HaShana). Rosh HaShana é o início da correção; o Dia do Julgamento (Yom Kippur) é o próximo estágio.

E a correção final ocorre em Sucot. Esse é “hibuk smol” (abraço do lado esquerdo) e “hibuk yamin” (abraço do lado direito), ou seja, a união do Criador e da criatura. Sua união completa é simbolizada pelo último dia do feriado de Sucot chamado Simchat Torah (Regozijo da Torá).

De KabTV “Segredos do Livro Eterno”, 23/01/17

Yom Kippur (Dia Do Julgamento)

laitman_288.2Yom Kippur é o dia do julgamento. Quem julga? Quem está sendo julgado? O que a pessoa precisa fazer neste dia? O que acontecerá se a pessoa fizer tudo corretamente?

No Dia do Julgamento, a pessoa julga a si mesma, subindo acima do egoísmo pessoal e revelando o mundo como um sistema unificado. Não é por acaso que o povo judeu sempre foi criticado pelo cosmopolitismo – embora todos os limites sejam arbitrários, nosso núcleo interno e inato sempre nos fez estranhos entre eles.

Hoje, quando o mundo precisa desesperadamente da unidade, a nação judaica é destruída. No entanto, outras nações não podem mentir para nós – instintivamente, mesmo sem a sua própria consciência, elas exigem que assumamos a responsabilidade pela missão de unificação, que derretamos todos os corações em um só coração.

Nisso se encontra a essência do nosso Dia do Julgamento.

Para Um Novo Ano, Para Um Novo Mundo!

laitman_293.1Queridos amigos!

Nós estamos no limiar do Ano Novo, Yom Kippur, Sucot, Simchat Torah – ótimos e importantes feriados. Esses feriados representam conceitos Cabalísticos muito elevados, profundos e amplos. Eles nos abrem a porta para o mundo superior.

Eu convido vocês a usar esta época especial do ano e esses feriados como a apresentação de um novo nível de desenvolvimento humano e para entrar na sensação, na realização, no mundo que nos rodeia, no sistema que nos controla, aquilo sobre o qual a ciência da Cabalá fala e realmente desperta para um novo mundo no ano novo.

Eu convido vocês!

Feriados Da Perspectiva Da Cabalá

Laitman_506.1Pergunta: Como os feriados de outono – Rosh HaShana (Ano Novo), Yom Kippur (Dia do Julgamento) e Sucot – são explicados na perspectiva da Cabalá?

Resposta: Todo o nosso trabalho reside na necessidade de coletar e reconectar os fragmentos quebrados de um sistema destruído chamado Adão de volta a um todo unificado. Havia um sistema, uma alma, um mecanismo, um desejo, e depois esse desejo se transformou em uma multidão de partes. E nós precisamos coletar todos esses desejos em um desejo geral do jeito que era antes de sua quebra. Essa é a nossa principal tarefa. Isso significa que uma pessoa que contribuiu ou não com algum tipo de esforço para essa tarefa durante o ano passado deve se examinar.

Este autoexame é o propósito da semana anterior ao Ano Novo, durante a qual devemos pensar em como passamos o ano passado, em que medida contribuímos para criar o bom tipo de fundamento para que a humanidade se unisse em amizade, amor e garantia mútua entre si. É uma avaliação do que ainda tenho de concluir, e é chamado de Slichot, traduzido como “perdão”. Não precisamos do perdão de ninguém, apenas de nós mesmos: onde eu briguei, onde não dei o suficiente, onde não julguei corretamente, etc.; tudo isso é com respeito ao nosso esforço na criação da unidade entre as pessoas. Eu me examino: Eu tive a oportunidade? Que tipo e como a realizei?

Após este autoexame, o Ano Novo começa. Ano novo significa que eu começo um novo ciclo do calendário a partir de um determinado dia. Esse dia é chamado de nascimento de Adão. Em outras palavras, o Ano Novo que celebramos é o dia em que Adão nasceu.

Mas o que significa nascer? Outrora existiu uma pessoa que de repente recebeu um despertar: todo o panorama do sistema de controle de nosso mundo e a necessidade de se unir se revelaram. Tudo isso ela descreveu no livro Raziel HaMalach (Anjo Secreto). Após ela, os alunos continuaram a perseguir essa revelação, e assim por diante, até hoje.

É por isso que celebramos o dia do surgimento da primeira pessoa em nosso mundo que revelou esse sistema de conexão entre as pessoas, como devemos estar interligados e como podemos conseguir nossa correção e chegar à unidade. Então, depois de decidirmos que é assim que escolhemos agir, começam os dez dias que sucedem o Ano Novo, levando ao Dia do Julgamento, quando examinamos com precisão cada uma das dez Sefirot de nossa alma, cada dia focado em uma Sefira específica, e começamos a determinar o quanto ainda temos que fazer e onde ainda precisamos nos corrigir.

Depois, começa um período de 24 horas, chamado Dia do Julgamento, quando devemos avaliar o nosso comportamento e revelar o ódio que mantemos uns pelos outros, nossa rejeição mútua. Nós precisamos pedir perdão um ao outro; precisamos realmente nos aproximar para que esse perdão não seja apenas uma formalidade, mas seja realmente proveniente de um coração limpo. O Dia do Julgamento é um dia em que tentamos penetrar todos os cantos, todos os lugares escondidos do nosso egoísmo, e o puxamos para fora, prometendo corrigi-lo e chegar a unidade entre nós.

Depois disso, nós temos cinco dias correspondentes as cinco Sefirot: Keter, Hochma, Bina, Zeir AnpinMalchut, e daí o feriado de Sucot começa. Sucot é o momento em que começamos a receber a correção da Luz Circundante (Ohr Makif), que brilha sobre nós através do telhado que construímos de ramos verdes de plantas.

Nós ficamos sentados nesta sucá por sete dias, permitindo que essa Luz atue sobre nós, até a conclusão, através de Hesed, Gevura, Tiferet, Netzach, Hod, YesodMalchut. E todos os dias celebramos a correção de cada Sefira de nossa alma, que é o resultado da ação da Luz Circundante.

Quando corrigimos completamente a nossa alma, ela pode receber a Luz superior. É por isso que esse dia é chamado de feriado da Torá, isto é, o feriado da Luz. É assim que concluímos o ciclo completo das férias de outono.

Nós aprendemos sobre a maneira como devemos agir, como a nossa alma é construída, e quais as correções que ela passa a cada momento. Uma grande quantidade de literatura é dedicada a isso. E tudo isso é descrito em leis físicas específicas do nosso mundo interior.

Da Lição de Cabalá em Russo, 25/09/16

Tu B’Av Um Feriado Despretensioso

laitman_293.2Pergunta: Tu B’Av é o feriado de amor. O que você pode dizer sobre o amor?

Resposta: Há muitas referências ao amor na sabedoria da Cabalá e, na verdade, não há mais nada. Todo o nosso desenvolvimento é o caminho para o amor absoluto. Você não deve simplesmente “amar seu amigo como a si mesmo”, mas é através do amor ao próximo que você deve amar tudo e, o mais importante, o Criador. Você deve preencher toda a criação com seu amor, todos os mundos.

Tu B’Av é o maior feriado, o fim do desenvolvimento de toda a humanidade.

Pergunta: Então, por que esse feriado é tão oculto?

Resposta: Nós ainda não o alcançamos. Ele não tem raiz no passado, em nossa história. Nós já passamos por todos os feriados. De certa forma, fizemos o trabalho neles e, no final, apenas esse feriado foi deixado, Tu B’Av, o dia do amor.

Pergunta: É interessante que o feriado do amor seja na verdade uma semana após o dia 9 de Av, que é o dia mais trágico do ano. Por quê?

Resposta: Sim, são seis dias depois, porque temos que sofrer os maiores sofrimentos e só então, em sua oposição, podemos alcançar o prazer absoluto, o preenchimento, o amor. Isso significa que, após a ocultação do Criador no dia 9 de Av vem a revelação completa do Criador em nós, que é o Tu B’Av.

Pergunta: O rei Salomão disse que em Tu B’Av as jovens de Jerusalém saíam vestidas de branco e dançavam, e então o noivo chegava. Quem são essas jovens? Quem elas estão procurando? Quem é o noivo que aparece diante delas?

Resposta: A analogia é que o noivo representa o Criador; as jovens são as criaturas, os desejos das pessoas, e quando saem de Jerusalém, além da sua fronteira com os pomares e as vinhas que cercam Jerusalém, vestidas de branco, simbolizam a purificação do ego. Os desejos egoístas que se tornaram altruístas estão prontos neste estado para receber o Criador neles. Essa é a razão pela qual o Criador está pronto para encontrá-los. Não se trata de nenhum outro tipo de amor. Tudo está escrito e tudo é feito apenas para alcançar este cume, Tu B’Av, mas esse feriado é realmente discreto.

Pergunta: O que é o amor da perspectiva Cabalística?

Resposta: O amor é a adesão total de toda a criação e todas as suas partes umas às outras e ao Criador em seu desejo de preencher, aproveitar e ajudar uns aos outros.

De KabTV “Notícias com Michael Laitman” 03/08/17

Nove De B’Av: A Ruína Da Unidade Espiritual

laitman_293O dia 9 de Av é o dia em que o Primeiro e Segundo Templo foram arruinados. “O Templo” representa o estado espiritual de Israel sendo unido e protegido “como um homem em um só coração”. A ruína do Templo se deveu à ruína da unidade espiritual dentro de Israel, que continua até hoje.

 

Significado Espiritual Do 9 De B’Av

laitman_288_2A crescente crise do Monte do Templo logo antes do dia 9 de Av é mais do que simplesmente simbólica. Desde a época da Babilônia, as forças do mal sempre se desdobraram em torno desta data especial. Do pecado dos espiões, através da ruína do Primeiro e Segundo Templo, ao exílio da Babilônia, às expulsões do povo de Israel da terra de Israel, e depois da Espanha, Alemanha e Inglaterra.

Israel comete os maiores pecados no dia 9 de Av, e também somos castigados por eles nesse dia. Isso é porque somos incapazes de ativar a força positiva à qual temos a chave. E vemos os resultados ao nosso redor nas notícias, a cada hora do dia, levando até Tisha B’Av. Nós somos o povo de Israel, e por enquanto, a responsabilidade ainda é nossa. Temos que escolher se unir e ativar a força positiva, antes que seja muito tarde.

 

“Entre Os Estreitos”

Laitman_006Nós entramos em um período especial chamado “Entre os Estreitos” (Bein HaMetzarim), de 17º de Tamuz, quando as primeiras Tábuas foram quebradas, até o 9o de Av, quando o Templo foi destruído. Olhando para a história, podemos entender muitas coisas sobre esse período. Podemos ver o quão difícil é aceitar o método de unificação e implementá-lo. É para isso que testemunham os dias “Entre os Estreitos”.

Nós recebemos a Torá, o método de correção, simbolizado por Moisés, que subiu o monte por quarenta dias e trouxe o método de unificação do grau de Bina (Doação), mas o povo não conseguiu aceitá-lo. Embora tudo tenha sido preparado e dado de cima, não podemos recebê-lo.

Na realidade, não é culpa nossa. É simplesmente porque nossos desejos ainda não foram suficientemente integrados com o bem e o mal para nos permitir corrigir um por meio do outro. A integração ocorre precisamente por meio da quebra. Apenas uma explosão pode ajudar a quebrar os limites entre dois opostos que se rejeitam e os forçar a se integrar.

Essa integração deve ser completamente caótica e desordenada, sob a pressão de uma força explosiva, porque não pode haver qualquer ordem na integração do bem e do mal. A ordem só pode ser estabelecida após a sua integração. Dentro dessa integração, com a ajuda da Luz superior, tudo pode ser discernido e resolvido, e assim, a conexão e a construção adequadas podem ser alcançadas.

Existe um processo complexo que permite que coisas opostas se unam em harmonia e complemento mútuo. Isto é precisamente o que acontece no processo de recepção da Torá.

É impossível fazer isso de forma mais rápida com o desejo egoísta que acabou de sair do Egito e que tem apenas uma inclinação fraca para ser corrigida. Ele entende que precisa ser corrigido, mas não percebe até que ponto é oposto ao estado corrigido porque ainda não existe uma integração mútua.

Enquanto estivamos sob o poder do Faraó, do egoísmo, não sentimos que somos seus escravos. Nosso êxodo acontece em virtude de uma força externa que nos tira de lá, mostrando-nos que isso vale a pena. No entanto, os desejos não são corrigidos por ela.

Nós vemos isso acontecendo conosco: todos os dias decidimos finalmente sair do nosso egoísmo e começar a pensar no grupo para que nossa preocupação não seja por nós mesmos em um nível pessoal, mas sim por todos. No entanto, não conseguimos.

Nós fazemos esforços cada vez maiores, mas pequenas quebras continuam ocorrendo. Isso está acontecendo conosco, pois somos uma consequência de muitas destruições e correções que já ocorreram na nossa raiz.

A Torá nos fala sobre a preparação para a correção. Todo o caminho com duração de seis mil anos que a humanidade atravessa foi apenas a preparação. A correção é alcançada apenas no final, no dia da Luz absoluta. Todos esses estados também foram realizados na matéria: a destruição do Primeiro e Segundo Templos e as terríveis guerras dentro da nação de Israel. Tudo isso foi a encarnação material dos graus espirituais.

Após a integração completa, que foi alcançada à custa de muitas guerras, os fragmentos do desejo de desfrutar e do desejo de doar quebrados se tornam completamente integrados uns nos outros e caem ainda mais baixo até o fundo. Depois de quatro exílios e três redenções, cada um dos quais foi necessário, estamos chegando ao fim do último exílio e ao início da redenção final.

Olhando para esse processo, é óbvio que a Torá não pode ser recebida de uma só vez. E isso é indicado pelo dia do 17o de Tamuz, a quebra das primeiras Tábuas. Somente depois da ocorrência da quebra e da integração mútua dos desejos espirituais com os materiais, é possível ascender para adquirir uma forma diferente.

A primeira Torá era “incorreta”. Foi necessária apenas para que as Tábuas fossem quebradas e para alcançar a correção. A segunda Torá era corrigida, capaz de consertar a integração dos desejos de doação com os desejos de recepção, o que acontece com a ajuda das segundas Tábuas. Esse é um processo único, atestando o quão opostas nossas qualidades são em relação às qualidades da força superior.

Nós devemos ter uma atitude equilibrada nestes dias, vendo-os não apenas como dias de luto e quebra, mas como algo inevitável que temos que passar. O mundo inteiro terá que passar por essa destruição de uma forma ou de outra. No entanto, se soubermos porque estamos fazendo isso e qual o propósito, poderemos passar por tudo pelo caminho de Achishena, como seres humanos.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 7/11/17, Lição sobre o tema “O Período ‘Entre os Estreitos’”