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Feriados: Etapas De Correção

Laitman_506.1Torá, Deuteronômio 31:10 – 31:11: E ordenou-lhes Moisés, dizendo: Ao fim de cada sete anos, no tempo determinado do ano da remissão, na Festa dos Tabernáculos (Sucot), quando todo o Israel vier a comparecer perante o Senhor teu Deus, no lugar que Ele escolher, lerás esta lei diante de todo o Israel aos seus ouvidos.

O autoexame, o exame de seus próprios desejos negativos e egoístas ocorrem antes do Ano Novo (Rosh HaShana). Rosh HaShana é o início da correção; o Dia do Julgamento (Yom Kippur) é o próximo estágio.

E a correção final ocorre em Sucot. Esse é “hibuk smol” (abraço do lado esquerdo) e “hibuk yamin” (abraço do lado direito), ou seja, a união do Criador e da criatura. Sua união completa é simbolizada pelo último dia do feriado de Sucot chamado Simchat Torah (Regozijo da Torá).

De KabTV “Segredos do Livro Eterno”, 23/01/17

Yom Kippur (Dia Do Julgamento)

laitman_288.2Yom Kippur é o dia do julgamento. Quem julga? Quem está sendo julgado? O que a pessoa precisa fazer neste dia? O que acontecerá se a pessoa fizer tudo corretamente?

No Dia do Julgamento, a pessoa julga a si mesma, subindo acima do egoísmo pessoal e revelando o mundo como um sistema unificado. Não é por acaso que o povo judeu sempre foi criticado pelo cosmopolitismo – embora todos os limites sejam arbitrários, nosso núcleo interno e inato sempre nos fez estranhos entre eles.

Hoje, quando o mundo precisa desesperadamente da unidade, a nação judaica é destruída. No entanto, outras nações não podem mentir para nós – instintivamente, mesmo sem a sua própria consciência, elas exigem que assumamos a responsabilidade pela missão de unificação, que derretamos todos os corações em um só coração.

Nisso se encontra a essência do nosso Dia do Julgamento.

Para Um Novo Ano, Para Um Novo Mundo!

laitman_293.1Queridos amigos!

Nós estamos no limiar do Ano Novo, Yom Kippur, Sucot, Simchat Torah – ótimos e importantes feriados. Esses feriados representam conceitos Cabalísticos muito elevados, profundos e amplos. Eles nos abrem a porta para o mundo superior.

Eu convido vocês a usar esta época especial do ano e esses feriados como a apresentação de um novo nível de desenvolvimento humano e para entrar na sensação, na realização, no mundo que nos rodeia, no sistema que nos controla, aquilo sobre o qual a ciência da Cabalá fala e realmente desperta para um novo mundo no ano novo.

Eu convido vocês!

Feriados Da Perspectiva Da Cabalá

Laitman_506.1Pergunta: Como os feriados de outono – Rosh HaShana (Ano Novo), Yom Kippur (Dia do Julgamento) e Sucot – são explicados na perspectiva da Cabalá?

Resposta: Todo o nosso trabalho reside na necessidade de coletar e reconectar os fragmentos quebrados de um sistema destruído chamado Adão de volta a um todo unificado. Havia um sistema, uma alma, um mecanismo, um desejo, e depois esse desejo se transformou em uma multidão de partes. E nós precisamos coletar todos esses desejos em um desejo geral do jeito que era antes de sua quebra. Essa é a nossa principal tarefa. Isso significa que uma pessoa que contribuiu ou não com algum tipo de esforço para essa tarefa durante o ano passado deve se examinar.

Este autoexame é o propósito da semana anterior ao Ano Novo, durante a qual devemos pensar em como passamos o ano passado, em que medida contribuímos para criar o bom tipo de fundamento para que a humanidade se unisse em amizade, amor e garantia mútua entre si. É uma avaliação do que ainda tenho de concluir, e é chamado de Slichot, traduzido como “perdão”. Não precisamos do perdão de ninguém, apenas de nós mesmos: onde eu briguei, onde não dei o suficiente, onde não julguei corretamente, etc.; tudo isso é com respeito ao nosso esforço na criação da unidade entre as pessoas. Eu me examino: Eu tive a oportunidade? Que tipo e como a realizei?

Após este autoexame, o Ano Novo começa. Ano novo significa que eu começo um novo ciclo do calendário a partir de um determinado dia. Esse dia é chamado de nascimento de Adão. Em outras palavras, o Ano Novo que celebramos é o dia em que Adão nasceu.

Mas o que significa nascer? Outrora existiu uma pessoa que de repente recebeu um despertar: todo o panorama do sistema de controle de nosso mundo e a necessidade de se unir se revelaram. Tudo isso ela descreveu no livro Raziel HaMalach (Anjo Secreto). Após ela, os alunos continuaram a perseguir essa revelação, e assim por diante, até hoje.

É por isso que celebramos o dia do surgimento da primeira pessoa em nosso mundo que revelou esse sistema de conexão entre as pessoas, como devemos estar interligados e como podemos conseguir nossa correção e chegar à unidade. Então, depois de decidirmos que é assim que escolhemos agir, começam os dez dias que sucedem o Ano Novo, levando ao Dia do Julgamento, quando examinamos com precisão cada uma das dez Sefirot de nossa alma, cada dia focado em uma Sefira específica, e começamos a determinar o quanto ainda temos que fazer e onde ainda precisamos nos corrigir.

Depois, começa um período de 24 horas, chamado Dia do Julgamento, quando devemos avaliar o nosso comportamento e revelar o ódio que mantemos uns pelos outros, nossa rejeição mútua. Nós precisamos pedir perdão um ao outro; precisamos realmente nos aproximar para que esse perdão não seja apenas uma formalidade, mas seja realmente proveniente de um coração limpo. O Dia do Julgamento é um dia em que tentamos penetrar todos os cantos, todos os lugares escondidos do nosso egoísmo, e o puxamos para fora, prometendo corrigi-lo e chegar a unidade entre nós.

Depois disso, nós temos cinco dias correspondentes as cinco Sefirot: Keter, Hochma, Bina, Zeir AnpinMalchut, e daí o feriado de Sucot começa. Sucot é o momento em que começamos a receber a correção da Luz Circundante (Ohr Makif), que brilha sobre nós através do telhado que construímos de ramos verdes de plantas.

Nós ficamos sentados nesta sucá por sete dias, permitindo que essa Luz atue sobre nós, até a conclusão, através de Hesed, Gevura, Tiferet, Netzach, Hod, YesodMalchut. E todos os dias celebramos a correção de cada Sefira de nossa alma, que é o resultado da ação da Luz Circundante.

Quando corrigimos completamente a nossa alma, ela pode receber a Luz superior. É por isso que esse dia é chamado de feriado da Torá, isto é, o feriado da Luz. É assim que concluímos o ciclo completo das férias de outono.

Nós aprendemos sobre a maneira como devemos agir, como a nossa alma é construída, e quais as correções que ela passa a cada momento. Uma grande quantidade de literatura é dedicada a isso. E tudo isso é descrito em leis físicas específicas do nosso mundo interior.

Da Lição de Cabalá em Russo, 25/09/16

Tu B’Av Um Feriado Despretensioso

laitman_293.2Pergunta: Tu B’Av é o feriado de amor. O que você pode dizer sobre o amor?

Resposta: Há muitas referências ao amor na sabedoria da Cabalá e, na verdade, não há mais nada. Todo o nosso desenvolvimento é o caminho para o amor absoluto. Você não deve simplesmente “amar seu amigo como a si mesmo”, mas é através do amor ao próximo que você deve amar tudo e, o mais importante, o Criador. Você deve preencher toda a criação com seu amor, todos os mundos.

Tu B’Av é o maior feriado, o fim do desenvolvimento de toda a humanidade.

Pergunta: Então, por que esse feriado é tão oculto?

Resposta: Nós ainda não o alcançamos. Ele não tem raiz no passado, em nossa história. Nós já passamos por todos os feriados. De certa forma, fizemos o trabalho neles e, no final, apenas esse feriado foi deixado, Tu B’Av, o dia do amor.

Pergunta: É interessante que o feriado do amor seja na verdade uma semana após o dia 9 de Av, que é o dia mais trágico do ano. Por quê?

Resposta: Sim, são seis dias depois, porque temos que sofrer os maiores sofrimentos e só então, em sua oposição, podemos alcançar o prazer absoluto, o preenchimento, o amor. Isso significa que, após a ocultação do Criador no dia 9 de Av vem a revelação completa do Criador em nós, que é o Tu B’Av.

Pergunta: O rei Salomão disse que em Tu B’Av as jovens de Jerusalém saíam vestidas de branco e dançavam, e então o noivo chegava. Quem são essas jovens? Quem elas estão procurando? Quem é o noivo que aparece diante delas?

Resposta: A analogia é que o noivo representa o Criador; as jovens são as criaturas, os desejos das pessoas, e quando saem de Jerusalém, além da sua fronteira com os pomares e as vinhas que cercam Jerusalém, vestidas de branco, simbolizam a purificação do ego. Os desejos egoístas que se tornaram altruístas estão prontos neste estado para receber o Criador neles. Essa é a razão pela qual o Criador está pronto para encontrá-los. Não se trata de nenhum outro tipo de amor. Tudo está escrito e tudo é feito apenas para alcançar este cume, Tu B’Av, mas esse feriado é realmente discreto.

Pergunta: O que é o amor da perspectiva Cabalística?

Resposta: O amor é a adesão total de toda a criação e todas as suas partes umas às outras e ao Criador em seu desejo de preencher, aproveitar e ajudar uns aos outros.

De KabTV “Notícias com Michael Laitman” 03/08/17

Nove De B’Av: A Ruína Da Unidade Espiritual

laitman_293O dia 9 de Av é o dia em que o Primeiro e Segundo Templo foram arruinados. “O Templo” representa o estado espiritual de Israel sendo unido e protegido “como um homem em um só coração”. A ruína do Templo se deveu à ruína da unidade espiritual dentro de Israel, que continua até hoje.

 

Significado Espiritual Do 9 De B’Av

laitman_288_2A crescente crise do Monte do Templo logo antes do dia 9 de Av é mais do que simplesmente simbólica. Desde a época da Babilônia, as forças do mal sempre se desdobraram em torno desta data especial. Do pecado dos espiões, através da ruína do Primeiro e Segundo Templo, ao exílio da Babilônia, às expulsões do povo de Israel da terra de Israel, e depois da Espanha, Alemanha e Inglaterra.

Israel comete os maiores pecados no dia 9 de Av, e também somos castigados por eles nesse dia. Isso é porque somos incapazes de ativar a força positiva à qual temos a chave. E vemos os resultados ao nosso redor nas notícias, a cada hora do dia, levando até Tisha B’Av. Nós somos o povo de Israel, e por enquanto, a responsabilidade ainda é nossa. Temos que escolher se unir e ativar a força positiva, antes que seja muito tarde.

 

“Entre Os Estreitos”

Laitman_006Nós entramos em um período especial chamado “Entre os Estreitos” (Bein HaMetzarim), de 17º de Tamuz, quando as primeiras Tábuas foram quebradas, até o 9o de Av, quando o Templo foi destruído. Olhando para a história, podemos entender muitas coisas sobre esse período. Podemos ver o quão difícil é aceitar o método de unificação e implementá-lo. É para isso que testemunham os dias “Entre os Estreitos”.

Nós recebemos a Torá, o método de correção, simbolizado por Moisés, que subiu o monte por quarenta dias e trouxe o método de unificação do grau de Bina (Doação), mas o povo não conseguiu aceitá-lo. Embora tudo tenha sido preparado e dado de cima, não podemos recebê-lo.

Na realidade, não é culpa nossa. É simplesmente porque nossos desejos ainda não foram suficientemente integrados com o bem e o mal para nos permitir corrigir um por meio do outro. A integração ocorre precisamente por meio da quebra. Apenas uma explosão pode ajudar a quebrar os limites entre dois opostos que se rejeitam e os forçar a se integrar.

Essa integração deve ser completamente caótica e desordenada, sob a pressão de uma força explosiva, porque não pode haver qualquer ordem na integração do bem e do mal. A ordem só pode ser estabelecida após a sua integração. Dentro dessa integração, com a ajuda da Luz superior, tudo pode ser discernido e resolvido, e assim, a conexão e a construção adequadas podem ser alcançadas.

Existe um processo complexo que permite que coisas opostas se unam em harmonia e complemento mútuo. Isto é precisamente o que acontece no processo de recepção da Torá.

É impossível fazer isso de forma mais rápida com o desejo egoísta que acabou de sair do Egito e que tem apenas uma inclinação fraca para ser corrigida. Ele entende que precisa ser corrigido, mas não percebe até que ponto é oposto ao estado corrigido porque ainda não existe uma integração mútua.

Enquanto estivamos sob o poder do Faraó, do egoísmo, não sentimos que somos seus escravos. Nosso êxodo acontece em virtude de uma força externa que nos tira de lá, mostrando-nos que isso vale a pena. No entanto, os desejos não são corrigidos por ela.

Nós vemos isso acontecendo conosco: todos os dias decidimos finalmente sair do nosso egoísmo e começar a pensar no grupo para que nossa preocupação não seja por nós mesmos em um nível pessoal, mas sim por todos. No entanto, não conseguimos.

Nós fazemos esforços cada vez maiores, mas pequenas quebras continuam ocorrendo. Isso está acontecendo conosco, pois somos uma consequência de muitas destruições e correções que já ocorreram na nossa raiz.

A Torá nos fala sobre a preparação para a correção. Todo o caminho com duração de seis mil anos que a humanidade atravessa foi apenas a preparação. A correção é alcançada apenas no final, no dia da Luz absoluta. Todos esses estados também foram realizados na matéria: a destruição do Primeiro e Segundo Templos e as terríveis guerras dentro da nação de Israel. Tudo isso foi a encarnação material dos graus espirituais.

Após a integração completa, que foi alcançada à custa de muitas guerras, os fragmentos do desejo de desfrutar e do desejo de doar quebrados se tornam completamente integrados uns nos outros e caem ainda mais baixo até o fundo. Depois de quatro exílios e três redenções, cada um dos quais foi necessário, estamos chegando ao fim do último exílio e ao início da redenção final.

Olhando para esse processo, é óbvio que a Torá não pode ser recebida de uma só vez. E isso é indicado pelo dia do 17o de Tamuz, a quebra das primeiras Tábuas. Somente depois da ocorrência da quebra e da integração mútua dos desejos espirituais com os materiais, é possível ascender para adquirir uma forma diferente.

A primeira Torá era “incorreta”. Foi necessária apenas para que as Tábuas fossem quebradas e para alcançar a correção. A segunda Torá era corrigida, capaz de consertar a integração dos desejos de doação com os desejos de recepção, o que acontece com a ajuda das segundas Tábuas. Esse é um processo único, atestando o quão opostas nossas qualidades são em relação às qualidades da força superior.

Nós devemos ter uma atitude equilibrada nestes dias, vendo-os não apenas como dias de luto e quebra, mas como algo inevitável que temos que passar. O mundo inteiro terá que passar por essa destruição de uma forma ou de outra. No entanto, se soubermos porque estamos fazendo isso e qual o propósito, poderemos passar por tudo pelo caminho de Achishena, como seres humanos.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 7/11/17, Lição sobre o tema “O Período ‘Entre os Estreitos’”

Dois Mil Anos Antes Da Criação Do Mundo

Quanto mais longe nos afastávamos da Torá ao longo da nossa história, mais perto ela estava de nós.

Como a Torá se Tornou um Livro?

“E quando Ele desejou e pensou em criar o mundo e isso foi revelado em um desejo diante Dele, Ele olhou para a Torá e criou o mundo”. (O Livro do Zohar, “Toledot“)

Pense apenas nisso: o mundo sequer existia, mas a Torá já. Ele não olhou para um livro quando criou o mundo. Não foi um livro que foi dado ao povo de Israel no Monte Sinai.

A Torá é um programa de desenvolvimento abrangente, um guia completo para a criação. Esta é a matriz da qual todos nós somos parte. É impossível superá-la ou fugir dela. Mas uma vez, em um determinado momento de crescer que foi predeterminado por ele, nós saberemos sobre ele. Não vamos simplesmente receber informação, mas estaremos conscientes de onde estamos e do que está acontecendo conosco.

É o mesmo com uma pequena criança que após os primeiros anos “inconscientes” começa a entender que está vivendo em um vasto mundo e este mundo requer sua participação. Na evolução do homem, chega um momento em que a matriz o desperta do seu esquecimento infantil. Ele diz adeus ao seu berço e ao berçário, abre a porta, e deixa a sua casa.

Nesse momento, tudo muda: o mundo adquire volume, som, cores e significado. Acontece que a vida é um caminho que tem um objetivo eterno, e podemos avançar conscientemente, através da nossa escolha livre, juntos. Então, não é apenas a matriz que nos impacta, mas nós também impactamos a matriz.

Assim, nós nos tornamos familiarizados com o plano geral e com a força que nos opera. Alguns milhares de anos atrás, a humanidade alcançou esse nível. As pessoas que se chamavam Cabalistas descobriram o único sistema da realidade e começaram a estudar suas leis, a se conectar a ela, e a descrevê-la.

Assim, eles alcançaram a Torá, escreveram livros que refletiam seus atributos e leis e, mais importante, a direção que ela nos mostra. Eles viram a imagem geral e entenderam o processo geral, assim como entendemos as fases gerais do desenvolvimento de um bebê.

“Antes do mundo ser criado, a Torá tinha precedido o mundo em 2000 anos.” (O Livro de Zohar, “Truma”).

No auge da realização do plano, uma nação inteira viveu estando consciente de suas leis em uma realidade que era muito mais ampla do que a nossa. Mas um dia tudo desapareceu. Ela caiu de sua altura, e com isso as esperanças para o mundo inteiro desmoronaram. Então a Torá se tornou meramente um livro, que nos diz como devemos viver na Terra, um livro sagrado especial. Mas nós já esquecemos a estrutura da criação, o método de ascender acima de nós mesmos, a ferramenta para alcançar a unidade no mundo.

A porta foi fechada e voltamos para o berçário onde temos vivido até hoje.

A Interrupção das Altas Frequências

Há 54 Parashot (seções) na Torá, 613 mandamentos, 79.976 palavras, 304.805 letras. Ela é lida nas sinagogas durante o ano de acordo com a Parasha semanal. Ela inclui a história da nação Judaica, de seus líderes, desde os antepassados até Moisés, a torre de Babel, a terra que o Criador tinha mostrado a Abraão, a perambulação no deserto, a escravidão no Egito, o Monte Sinai que estremeceu em chamas e fumaça…

Se lermos a Torá desta forma, se entendermos desta forma, a parte principal está faltando e é uma embalagem sem um preenchimento. Lida desta forma, ela está separada das raízes, projetada em impressão em nossa consciência comum, e é fixada sob o título “Escrituras Sagradas”.

É assim que ela é transmitida através da percepção egoísta do mundo e deixa de ser o plano do nosso desenvolvimento. Não está se movendo, não é atraente, não nos desenvolve; ela não revela novos mundos, e não nos dá o poder de revelá-los, mas sim nos acalma e nos coloca para dormir. Para alguns, pode ser uma tradição; para outros, é uma coleção de leis absolutas da nossa existência corpórea. No passado ela uniu a nação, mas agora a divide, nos separa, e coloca as pessoas em dois lados opostos.

Não, isso não é a Torá, não é a força que muda uma pessoa, que nos tira do nosso ego primitivo que se limita à nossa vida corpórea. No passado ela nos chamou para cima, e agora se tornou um meio de pressão sobre as pessoas, atraindo, exigindo e limitando-as. As pessoas a estudam de cor, verificam-na pelas diferentes descobertas históricas, e minam sua base ideológica. As religiões crescem em torno dela, misticismo e cínicos se reúnem em torno dela, os filósofos a citam, e os cientistas a estudam tentando decifrar o seu código.

Ela se transformou no best seller de todos os tempos e de todas as nações há muito tempo. Aqueles a quem a Torá chama de “proprietários” agitam-na porque não querem pisar sobre o limiar e deixar seu “lar” para algo maior.

“Pessoas pequenas e limitadas vêm indiferentemente nos preenchendo de drogas diferentes e, principalmente, mantêm a droga da vida fora de nossa visão… para sufocar a voz do Criador nos chamando das profundezas da alma e preenchendo todos os mundos: exija-Me e viva.” (Rav Kook).

Quando o grande feriado da doação da Torá chega, nós mais uma vez a rejeitamos, o que nos deixa com o livro novamente. Mesmo que seja especial, mesmo que seja santo, é um livro e não o grande tecido da criação em que estamos tecidos, quer gostemos ou não, um livro, não um mundo enorme, e não um sistema majestoso que nos rodeia, porque para nós foi criado.

Nós a rejeitamos. Por quê? Porque ela vive em doação e nos ensina a mesma coisa.

Veneno na Ponta da Lâmina

“O princípio mais importante de alcançar a Torá é a unidade, como um homem em um coração”. (“Maor Va’Shemesh“)

No Monte Sinai, nos foi dada uma abordagem comum para o sistema geral e fomos autorizados a entrar conscientemente em contato com ela, estudá-lo, explorá-lo, e sermos incorporados nele em nossa mente e sentimentos. O código de acesso é o amor ao próximo, a interface do software é o relacionamento com outros que é baseado em doação. A Torá se destina a revelar o conglomerado de forças que operam sobre nós, nos impactam, e nos permitem estar mútua e efetivamente conectados com elas. Assim, nós usamos a Torá — deixamos o berçário, crescemos e amadurecemos.

A transformação não ocorre em nossas fantasias, não no próximo mundo, mas aqui e agora, ascendendo-se acima do ego, e essa é a razão de ser tão fácil para uma pessoa verificar a si mesma e se ela recebe a Torá como um analgésico ou como uma desculpa. O critério é simples: nós usamos a Torá assim como tratamos uns aos outros, como um medicamento ou um veneno.

A julgar pela situação atual, nós estamos em um impasse, divididos, esmagados, discutindo e aceitando tudo o que é inevitável. Não é a força positiva da Torá que nos acompanha no caminho para o nosso objetivo, mas a negatividade de nossa própria essência, a qual estamos acostumados, mas que é tão destrutiva.

Quando o grande feriado da entrega da Torá chegar, mais uma vez o rejeitamos, o que nos deixa novamente com o livro. Mesmo que seja especial, mesmo que seja santo, é um livro e não o grande tecido da criação em que somos tecidos, quer gostemos ou não, um livro, não um mundo enorme, e não um sistema majestoso que nos rodeia porque foi criado para nós.

Enquanto isso, o mundo está amadurecendo e atinge situações em que não será capaz de gerenciar sem um professor sábio. É apenas em teoria que uma pessoa é capaz de avaliar com sobriedade a situação e chegar à conclusão certa. Na prática, nossos desejos são muito mais fortes do que nós, e mesmo à beira de um abismo, continuaremos com nossos atos infantis. Essa é a nossa natureza.

Os sábios usam a metáfora clara e amarga de ver o anjo da morte com uma gota de veneno na ponta da lâmina de sua espada e o “obediente” homem abre a boca e a engole. É porque não podemos fazer as coisas de outra forma. Mesmo nossa nação sábia caiu nesta armadilha do ego, e parece que mais uma vez está pronta para se dirigir ao “massacre” a julgar pelos conflitos em Israel e entre os judeus no exterior. Para eles, Israel está se tornando uma responsabilidade inútil da qual eles terão o prazer de se desligar de uma vez por todas.

Este resultado é inevitável a menos que aceitemos a Torá, a menos que nos tornemos responsáveis uns pelos outros, apesar da montanha de dúvidas e ódio que paira sobre nós. É aqui que está a nossa livre escolha, já que a Torá, ao contrário do anjo da morte, só trabalha se a quisermos, se a necessitarmos, não apenas em palavras, mas em ações, se a considerarmos como um medicamento para a nossa divisão, como a sabedoria de doação e da correta cooperação mútua com o sistema geral.

Apresse-se para Amar

Nós somos todos diferentes e vemos o mundo de forma diferente. Isso é bem normal. A Torá não exige que ninguém desista de seus princípios e crenças. Não há necessidade de compromissos socialistas artificiais. Ela nos eleva ao nível em que somente os corações e a conexão entre eles permanecem. Então tudo se funde junto.

“Apresse-se para amar, pois a hora chegou”. (Rabbi Elazar Azikri)

Ninguém está certo ou é culpado. Todos nós nos encontramos diante de nosso monte de ódio, em algum momento, enfrentando a necessidade de tomar uma decisão comum. Sua essência é o nascimento do homem, o nascimento de uma nova sociedade, de uma nova atitude para como a vida e o outro. Quando ansiarmos por isso, o sistema irá nos ajudar, nos guiar e responder às nossas perguntas. Mas se não fizermos, ela nos fará enfrentar os fatos que nos são apresentados na ponta da lâmina de uma espada.

Portanto, se a questão é receber ou não a Torá, nós vamos recebê-la. A próxima questão é se apressamos ou não o amor.

A Entrega Da Torá Ou O Direito De Ser Humano

226Pergunta: O que significa viver em uma matriz chamada Torá?

Resposta: A Torá é um sistema para a realização do pensamento da criação para deleitar a criatura. O próprio pensamento já estava incluído na intenção inicial. A partir deste pensamento, o próximo passo é criar um sistema em que vários subsistemas possíveis irão evoluir, isto é, mundos, Partzufim, Sefirot, e então a alma se divide em 600.000 almas.

Todo esse processo flui de tal forma que, a partir da oposição da luz e do vaso, o sistema produz a possibilidade de trazer à existência uma habilidade única chamada autoconsciência. De repente aparece um “alguém”, diferente do Criador, oposto a Ele em oposição a Ele e capaz de se tornar Seu parceiro. Este alguém revela a força superior, o sistema, e acrescenta a toda a criação um elemento único: o envolvimento pessoal, ou seja, o livre arbítrio desta criatura chamada Adão ou homem.

Todo este sistema, a Torá, o processo e todas as suas leis, são todos criados apenas para que tal criatura apareça, que, de sua própria perspectiva, da ocultação e separação, ela possa começar a jornada para participar livremente na criação. Nós ainda não sentimos este elemento único e inerente, o livre arbítrio. Mais tarde, vamos descobrir que é através dele que nós nos construímos contra o Criador e, por outro lado, tornamo-nos como Ele.

Aqui um drama especial é encenado entre a união e a oposição do Criador e a criatura, como se entre um homem e uma mulher.

Pergunta: Em que fase esta matriz, este sistema, permite que a pessoa inicie a participação prática em seu trabalho?

Resposta: Isto acontece com cada um de forma diferente, de acordo com circunstâncias gerais e específicas. Isto depende da função de uma alma específica no sistema geral, sobre a raiz de onde veio, a forma de sua existência, sua conexão com outras partes, e a interdependência mútua delas.

Por exemplo, inicialmente as almas mais leves devem se engajar no processo de correção, para que mais tarde as almas mais grosseiras, como os nossos contemporâneos, possam se corrigir. Mas todos eles têm livre arbítrio, por isso, quando alguém não completa a sua correção, ocorre um atraso. O atraso pode afetar todos ou alguém específico é afetado de uma forma particular. O sistema é muito dinâmico e dentro dele tudo está interligado.

Mesmo agora nós existimos dentro do sistema. Mas, quando uma pessoa começa a participar conscientemente? No momento em que ela começa a trabalhar conscientemente em um grupo.

Pergunta: Existe um determinado momento que é mais favorável para envolver uma pessoa a se conectar ao sistema?

Resposta: Há mudanças contínuas dentro do sistema e há períodos de tempo em que há mais Luz dentro dele, acrescentando um impacto maior, mais poder, derramando energia em todo o sistema e, especialmente, nas almas. Para as almas, essa Luz não vem como Luz interior, mas sim como Luz Circundante. Porque elas só podem ser afetadas pelo sistema no grau de sua semelhança com ele.

É por isso que há momentos que são mais ou menos auspiciosos, quando o sistema é mais ou menos ativado. Obviamente, isso não acontece de acordo com o calendário deste mundo, mas em relação ao funcionamento interno do sistema.

Os feriados correspondem a uma determinada ativação de cima que acontece de acordo com as leis do sistema de desenvolvimento. Há um começo para o processo, seu fim, e uma sequência de estágios intermediários, que a alma coletiva deve experimentar com respeito às três linhas – direita, esquerda e do meio – de acordo com a revelação da corrente de genes informativos (Reshimot) e as relações entre os desejos quebrados e já corrigidos.

Dentro do sistema, há muitos parâmetros a partir dos quais é possível organizar um sistema de uma multiplicidade de fórmulas na forma de uma matriz e resolvê-lo, realizando uma análise e síntese de tudo o que está ocorrendo. Este sistema muda periodicamente sua atividade em relação a nós, e esses eventos especiais, quando a Luz se intensifica ou diminui, nós chamamos de dias especiais: celebrações ou luto.

O feriado mais importante, o evento mais significativo, é a Entrega da Torá. Durante este tempo, uma Luz vem de cima que somos capazes de sentir, e com a sua ajuda, podemos começar a nos corrigir e alcançar a semelhança de forma com o sistema. Em outras palavras, esse não é um evento que aparece e desaparece, mas uma oportunidade de se conectar com o sistema, inseri-lo e começar a trabalhar em conjunto com ele como parceiros.

É por isso que este feriado é tão importante para nós. Não há nada mais importante do que receber a Torá, porque a partir deste exato momento, temos o direito de nos chamar de humanos, Adão, quando estamos em posse dos meios pelos quais podemos nos assemelhar ao Criador.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 24/05/17, Shamati