Textos com a Tag 'Torá'

Um Fofoqueiro Ou Um Amigo?

Dr. Michael LaitmanA Torá, “Levítico”, 19:16: Não andarás como mexeriqueiro entre o teu povo; não te porás contra o sangue do teu próximo. Eu sou o SENHOR.

Um fofoqueiro em nosso mundo é alguém que gosta da revelação do ego nos outros. O que é interessante é que ele é tipicamente franco. Ele não mente e não tenta ferir os outros, mas simplesmente revela as distorções, a corrupção que existe na sociedade nas relações entre as pessoas.

Comentário: Mas um fofoqueiro nunca diz as coisas abertamente a uma pessoa, só pelas costas…

Resposta: Não faz diferença, já que ao mesmo tempo ele pode ter bons motivos. O problema é saber se ele age em prol da correção e se a ação da revelação do mal tem a intenção de atingir uma maior conexão entre as pessoas.

Um fofoqueiro separa as pessoas e as mantém afastadas umas das outras. Você pode fazer a mesma coisa quando descobre a falta de conexão entre as pessoas, mas, ao mesmo tempo você pensa em como conectá-las. Se a sua intenção é conectar as pessoas, isso não é considerado fofoca.

No trabalho espiritual o termo fofoca não é examinado em relação a si mesmo ou aos outros, mas no que diz respeito ao Criador, pois Ele é o único que perturba a harmonia entre nós, provoca nossos problemas e a falta de integração dos atributos e partes do mecanismo único da alma. Por Sua Luz, Ele revela a falta de coordenação entre eles e é, portanto, a principal causa de todas essas ações. Nós, por outro lado, temos que trabalhar na coordenação entre eles.

Aqui é onde o fofoqueiro é revelado como aquele que revela o mal, mas não pensa em sua correção e não opera ao longo da linha média. Cada um de nós descobre falhas quando se concentra na correção, a fim de corrigi-las e não a fim de aprofundar a sua revelação.

A revelação do mal atrai a Luz que destaca todas as corrupções em mim, mas eu deveria primeiro pensar no estado integral, harmonioso e completo, como é dito: “O fim de uma ação está no pensamento inicial” Esta é toda a sutil diferença entre fofoca e fazer a coisa certa.

Se, por exemplo, meu amigo me diz agora que eu fiz a coisa errada, ele é um fofoqueiro ou não? Isso só é revelado pela forma como me leva a revelar o meu estado corrompido e como corrigi-lo. Fofoqueiros, por outro lado, não fazem isso e a abordagem é totalmente egoísta.

Assim, se o meu amigo revela o mal em mim para me orientar corretamente e ficar ainda mais perto de mim, ele não é um fofoqueiro, mas um amigo.

Eu não posso me recusar a ajudar o amigo a revelar os diferentes obstáculos e erros, uma vez que vejo o meu estado incorreto. Eu tenho que temer a possibilidade de ser um fofoqueiro, que ainda não se abstém de revelar os erros do meu amigo. Eu devo fazer as coisas corretamente, porque tenho que me conectar a ele e chegar a correção junto com ele. Isso é chamado de “não te porás contra o sangue do teu próximo”.

O sangue é a quarta parte das quatro fases da disseminação da Luz na alma, o que significa que é uma ajuda no nível mais baixo da correção que revive o corpo físico. Eu ajudo os outros a subir, mas é com esta condição. Tudo o resto deve ser feito pela própria pessoa. Eu só a elevo um pouco.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 02/04/14

Não Te Vingarás Nem Guardarás Ira

Dr. Michael LaitmanA Torá, “Levítico”, 19:18: Não te vingarás nem guardarás ira contra os filhos do teu povo; mas amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor. Os mandamentos do que deve ser feito devem ser lidos a partir do fim e não do início: “Eu sou o Senhor e coloco a sua frente e dou-lhe todas as dificuldades na vida, de modo que ao superá-las você aprenda a alcançar o estado de amor completo e doação. Não aceite nada como se fosse o resultado de algo.

Você deve entender que qualquer estado em que se encontra, não importa o quão terrível possa parecer, decorre apenas de Mim e você deve construir-se no que diz respeito a Mim acima disso. Portanto, não pode haver vingança nem qualquer retaliação em relação aos mensageiros e mediadores, através de quem Eu controlo você. Você deve atribuir tudo isso só a Mim.

Vamos ver como todos os problemas que Eu coloco em sua vida lhe ajudam a revelar Minhas ações e Minha doação neles e lhe ajudam a ficar mais forte e, assim, mudar a si mesmo. Vamos ver como você constantemente se concentra em Mim através de diferentes ressentimentos externos, e como constantemente se corrige. Então você vai se transformar em algo”.

Este é todo o estudo.

Pergunta: É dito: “Não te vingarás nem guardarás ira contra os filhos do teu povo”. Como eu posso constantemente manter isso em mente? De onde isso deriva?

Resposta: É a primeira fase chamada Hafetz Hesed, quando eu não quero nada para mim e quando existo de forma neutra ou, talvez, pareço não existir.

“Não te vingarás nem guardarás ira contra os filhos do teu povo” é um estado em que a pessoa não percebe nem absorve nada internamente. É uma grande correção, já que internamente ela é uma enorme egoísta com uma sensação clara e nítida de tudo o que age contra ela. Ela sente como é atiçada, empurrada e insultada por todos os lados. No entanto, quando ela sobe acima do seu ego, ela executa essas correções onde sente prazer supremo e alegria.

Por isso se diz no final: “Eu sou o Senhor”, o que significa o atributo do prazer infinito.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 09/04/14

Boas Intenções Com Ações Erradas

Dr. Michael LaitmanTorá “Levítico” Kedoshim 19:12: Nem jurareis falso pelo meu nome, pois profanarás o nome do teu Deus. Eu sou o Senhor. “Nem jurareis falso pelo meu nome” significa evitar o autoengano, uma condição em que a pessoa pensa que é capaz de doar completamente e implementar as qualidades de amor, mas não age desta forma internamente.

Existem vários níveis de violação da propriedade de doação e amor: por ignorância, equívoco, confusão, ou motivo de doença. Em outras palavras, existem vários pequenos problemas e disfunções em nosso egoísmo aos quais não prestamos atenção. A pessoa precisa examinar e, gradualmente, corrigi-los, de modo a esclarecer totalmente o seu ego, na medida em que este se torna transparente, corrigido e doador.

Isso explica por que a pessoa tem que testar a si mesma e trabalhar duro nestes problemas. A tendência mais difundida entre nós é roubar. Por exemplo, quando nós avançamos na autocorreção, nós pensamos que podemos trabalhar com esses tipos de desejos. O nosso egoísmo nos ajuda convencendo-nos de que “está tudo bem; você está trabalhando em prol da doação”.

Na verdade, nós podemos até mesmo servir os outros e tentar agir para o bem da humanidade. No entanto, de repente, torna-se óbvio para nós que tudo o que já fizemos nessa direção ainda foi para o nosso próprio bem. Acontece que nós recebemos algo em troca em todos os momentos e o prazer que sentimos é a razão para as nossas ações. É dito: “O caminho para o inferno está cheio de boas intenções”. As intenções pareciam boas, mas nossas ações eram más.

Para nos controlarmos, nós temos que estudar o Talmude, porque ele explica essas coisas em seus mínimos detalhes.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 26/03/14

Saltando Sobre A Quebra

Pergunta: Como é que precisamos perceber o Talmud Eser Sefirot, lendo sobre alguns fenômenos, conceitos, nomes dos Partzufim de mundos?

Resposta: O Talmud Eser Sefirot descreve o sistema que cuida e nos gere a partir do mundo de Ein Sof. No mundo de Ein Sof está todo o plano de criação do começo ao fim, e o sistema dos mundos divide isto em etapas, para a ordem seguinte de ações através das quais nós crescemos.

Pergunta: Como é que isto age em nós, como isto nos limpa, assim vamos estar mais ligados ao grupo?

Resposta: O sistema superior trabalha em nós na condição de que você concorda que ele funcione em você, a fim de trazê-lo para a unidade com o Criador, o que significa que você escolhe o caminho da Torá, o caminho da Luz ou o caminho do sofrimento, um dos dois caminhos. [Leia mais →]

Não Se Engane

laitman_423_01A Torá, “Levítico” (Kedoshim), 19:13: Não oprimirás o teu próximo, nem o roubarás; o salário do diarista não ficará contigo até pela manhã.

Uma pessoa não deve jogar truques sofisticados sobre outras pessoas sob quaisquer circunstâncias. Ela tem que ser honesta e verdadeira, tanto quanto possível, pois caso contrário, o atributo de amor e doação não funciona.

Quando subimos acima do nosso estado corporal no grupo, entendemos que não há nada que possamos fazer, uma vez que fomos criados dessa maneira e todos os problemas estão acima de nossa criatura corpórea, na unidade entre nós em amor e doação mútua. Nós chegamos a um estado em que não pode haver mentiras. Caso contrário, a pessoa engana a si mesma, porque não estabelece uma conexão com as outras partes de sua alma.

É porque, juntos, nós compomos uma única alma, que é uma para todos e todos estão incorporados nesta alma geral. Então está e a sua constituição, a sua alma, a partir da sua perspectiva. Portanto, quem você pode enganar, se ela é realmente você? Para quem você pode mentir, e a quem pode enganar ou roubar, prejudicar em sua doação, ou deixar o que você pode fazer hoje para amanhã? Isto significa que não é mais doação. Por isso, é dito: “…nem roubá-lo (o teu próximo)”, uma vez que ele, na verdade, é uma parte de você.

O Criador executa toda a correção em nós. Parte da correção é preenchida por nossos esforços evidentes e parte decorre dos esforços que não são evidentes.

De repente, você descobre que  não trabalha em prol de doar, mas sim em prol de receber, ao sentir que tudo isso é seu. Isso significa que você se justifica como sendo um ladrão, uma vez que também está autorizado a fazer o que os outros estão autorizados a fazer.

Havia um antigo filme popular na Rússia chamado “Tenha Cuidado com o Carro” em que o personagem principal costumava roubar somente carros de ladrões. Ele costumava vender os carros roubados e dava o dinheiro para os orfanatos. Isto é ser o seu próprio juiz. Aqui é onde está o problema, quando a pessoa acredita que está fazendo a coisa certa e que ela não rouba.

Isso significa que ela deve ser informada do que está acontecendo e isso só pode ser feito depois que ela rouba. Não há nada mais que possamos fazer e, portanto, nós passamos por muitas fases diferentes.

É dito que não há justo na terra que faça o bem e não tenha pecado. É impossível ignorar essas fases.

“O salário do diarista não ficará contigo até pela manhã”, significa que, quando você tem que dar, você tem que fazê-lo imediatamente. Se você parar, você se transforma em quem recebe, em vez de quem doa, mesmo se você não lucra com isso. Assim, todos os mundos são revelados em numa pessoa com respeito à sua relação com as outras pessoas e na mesma medida com o Criador.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 26/3/14

Um Tribunal Sem Preconceito

Dr. Michael LaitmanA Torá, “Levítico” 19:15: Não farás injustiça no juízo; não respeitarás o pobre, nem honrarás o poderoso; com justiça julgarás o teu próximo.

A Torá nos adverte para não corrompermos nossos sentimentos e que não devemos tratar as pessoas como o impiedoso ego dita.

Cada um de nós é um juiz. Você deve julgar uma pessoa sem preconceito e sem olhar para ela. Ela pode ser preta ou amarela, feia ou bonita, ou pode falar de uma maneira incrível e levá-lo às lágrimas e assim por diante.

Como pode um juiz certificar-se de que pode realizar um julgamento sem prejuízo? A fim de fazer isso, ele tem que julgar a si mesmo. Afinal de contas, se você julga outra pessoa de acordo com a perspectiva de que está livre de preconceito, o que significa que você se veste no Criador em seu nível, e o veredicto é errado, então você deve assumir a culpa do acusado e pagar a sua dívida a toda a sociedade, a toda a alma geral.

Se você envia um ladrão para a prisão e depois de cumprir sua pena ele é liberado e rouba novamente, isso significa que você tem que ser preso no lugar dele, porque esta sentença estava incorreta. Se ele não se reformou por diferentes razões na prisão e rouba novamente, isso significa que você é o culpado, e não ele, já que você e a sociedade deveriam tê-lo corrigido e não o fizeram.

Assim, quando ele é libertado, você enfrenta o problema do que fazer com ele, enquanto nós sabemos exatamente o que fazer com você: nós o colocamos na prisão ou recorremos a outras formas de correção.

Comentário: Se seguíssemos este princípio, todos os juízes estariam na prisão agora, pois, como nós sabemos, a prisão não reforma.

Resposta: Não há nenhuma menção de prisões na Torá. Na verdade, a prisão não reforma e nós vemos isso de acordo com o que acontece hoje. Os sábios sabiam disso há 5000 anos.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 02/04/14

Transforme Os Obstáculos Num Grau De Elevação

Laitman_041_01A Torá “Levítico” ( Kedoshim ) 19:14: Não amaldiçoarás ao surdo, nem porás obstáculo diante do cego; mas temerás o teu Deus. Eu sou o Senhor.

Se traduzirmos a língua da Terra em leis espirituais muito simples, então a audição é Bina, e a visão é Hochma.

Os surdos são pessoas que não possuem o nível de Bina, a qualidade de doação, e os cegos são aqueles que não têm o nível de Hochma. Por isso se diz, não coloque obstáculos diante do cego, pois alguém pode tropeçar, já que não há sensores, nenhum dispositivo interno para ver, analisar e determinar o que é bom e o que é ruim nestes níveis.

Um obstáculo é tudo aquilo que você não consegue usar corretamente no caminho espiritual. Se você tivesse a visão, você o definiria não como um obstáculo, mas como uma oportunidade de superar e subir para um nível superior. Depois que uma pessoa cega se depara com um degrau que é invisível, ela tropeça e cai, mas aquele que vê o degrau sobe cada vez mais alto. Tudo depende se você é capaz de lidar com esse obstáculo, transformá-lo numa alavanca para se elevar ao longo da escada espiritual.

Acontece que o surdo não é capaz de subir para o nível de Bina com a ajuda de obstáculos, e o cego não é capaz de fazer o mesmo ao nível de Hochma. Portanto, você deve sentir o nível da outra pessoa, o que é para o benefício dela e o que não é, e levá-la suavemente, como uma criança pequena, de modo que ela comece a estudar, subir, descer, mas não cair. É assim que você deve tratar qualquer pessoa, seguindo a regra do “ama o próximo como a ti mesmo”.

Nós educamos as crianças por suaves ensinamentos e moral em nosso mundo. Uma análise e averiguação sérias ocorrem no mundo espiritual sobre se é possível transformar os obstáculos num nível de subida.

É por isso que você tem que agir de modo que existam obstáculos na frente de outras pessoas, pelos quais elas possam subir. Você deve entrar na outra pessoa, compreender em que nível ela está, e inclusive ajudar essa pessoa a encontrar um obstáculo que ela possa superá-lo.

Esta é a ajuda mútua, quando todos se fundem numa causa comum: por um lado, revelam obstáculos um ao outro, e, por outro lado, ajudam a superá-los. Assim, apoiando-se mutuamente, as pessoas se elevam como alpinistas.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 02/04/14

Esaú E Jacó: A Batalha Pela Liderança

Dr. Michael LaitmanPergunta: A Torá diz que Jacó seguiu o conselho de sua mãe e fingiu ser seu irmão Esaú. Por isso, ele recebeu a bênção de Isaac desonestamente. Que história é essa?

Resposta: Isaac representa a linha esquerda. Esaú e Jacó significam as duas linhas que derivam dele. Nenhum deles pode existir sem o outro.

Jacó era o que estava destinado a receber a bênção, uma vez que foi escolhido para definir e executar todo o processo de correção. Ele é o que forneceu tudo para alcançar o estado corrigido no final do processo.

No entanto, Isaac gerou Esaú, porque é absolutamente impossível avançar sem a sua linha. Em essência, a linha de Esaú é a linha do desejo, do vazio, uma necessidade e exigência a ser cumprida. Em outras palavras, Esaú significa uma sensação de vazio, sofrimento e perseguição.

É por isso que Esaú foi para os campos (campo da vida), o que significa o fundamento da existência humana na capacidade de um sujeito relativamente livre. Sem essa base, a vida humana não tem sentido algum. Sem a qualidade chamada Esaú, a pessoa não pode fazer a transição para o estado chamado Adão (Homem), e assim se mantém no nível animal. Isso explica por que Esaú era o primogênito de Isaac, a quem ele deveria transferir tudo o que tinha.

Por outro lado, para a esposa de Isaac, Rebeca, não era porque o programa da criação era originalmente inerente a Jacó, não a Esaú. Em essência, Jacó não é descendente de Isaac, mas sim de Abraão. Ele é filho de Isaac, mas não seu primogênito.

Esta disposição demonstra vividamente que o programa de criação é um fator auxiliar, ao passo que a matéria da criação é a coisa básica. O mesmo se aplica à natureza. Apesar de Israel (“a cabeça para mim” – Li Rosh) ser a cabeça da humanidade, a humanidade ainda é a matéria básica do desejo que deve levar à unidade, adesão com o Criador.

Pergunta: Será que isso significa que Esaú (um desejo vazio que requer preenchimento, realização) representa o mundo contemporâneo?

Resposta: As forças mais sombrias e fortes devem ser convertidas nas mais iluminadas. O povo judeu é obrigado a levar as massas à fusão com o Criador. O Criador está à espera de Esaú, enquanto Jacó deve cumprir o seu papel.

É uma batalha pela liderança, por qual deles é mais importante. Trata-se de dividir as funções e identificar qual o tipo de conexão com o Criador cada um deles carrega. O combate continua até o último estado, quando a concorrência entre eles se transforma em conectar e prover um ao outro. O egoísmo não pode alcançar este resultado por conta própria.

Na verdade, Jacó realmente não entende por que estava envolvido nesse aborrecimento. Ele era um filhinho da mamãe; ele não tinha desejos imensos, nem necessidades insondáveis como Esaú. Por outro lado, Esaú é enorme, forte e poderoso, mas ao mesmo tempo está infeliz e vazio. Nós temos que entender seu papel nada invejável. Se olharmos para a miserável, infeliz e sofredora humanidade que ganha milhares bilhões de dólares sem qualquer pista sobre o que fazer com isso, é muito difícil invejar as pessoas. Esaú representa as massas em geral que devem ser trazidas à ordem.

Esaú exige uma resposta de Jacó. Os antissemitas mais importantes, tais como Henry Ford, entenderam este fato e escreveram sobre ele. No entanto, os judeus ainda querem fugir para a América e incorporar-se lá. Eles fazem o que for possível para não serem identificados como judeus.

Pergunta: Jacó também fez pequenos esforços para resistir a sua missão, mas sua mãe o obrigou a persegui-la. Na verdade, quem é a “mãe”? Quem empurra o povo judeu a agir como Jacó?

Resposta: Mãe é a qualidade de Bina. É a qualidade de amor e doação que percebe claramente que de outra forma nunca será implantada na escala de toda a humanidade.

Esta mãe em particular tem dois filhos, ambos nasceram do amor chamado Bina. Eles só são divididos com a finalidade de mostrar à humanidade o caminho para unir as qualidades de Esaú e de Jacó, e demonstrar como direcionar corretamente essas qualidades. A qualidade chamada Jacó tem que cobrir as qualidades de Esaú com intenção. Se isso acontecer, tudo vai funcionar bem.

Em geral, nenhum dos irmãos pode ser responsabilizado por qualquer coisa. Só com a aquisição de um verdadeiro livre arbítrio é que poderemos implementá-la em vida. Eu diria que atualmente nós estamos passando por esse estado, embora este não seja atual por si só, mas sim começou no tempo do ARI, no século XVI.

No entanto, nós estamos muito atrasados. Olhe para o que está acontecendo no mundo! Nós temos que cumprir a missão de Jacó o mais rapidamente possível. Caso contrário, Esaú vai nos pressionar ainda mais forte. A coisa mais importante é perceber que somos nós que acionamos a pressão por não fazermos nada.

De KabTV “Porção Semanal da Torá” 14/11/14

Em Cada Um De Nós Existe Um Jó Tolo

Dr. Michael LaitmanPergunta: Na bem conhecida história de Jó, o sofrimento humano é descrito, o qual, em maior ou menor grau, toca cada um de nós. Jó era (Jó 1:1): …sincero e correto, e o que temia a Deus e evitava o mal. Apesar de tudo, os problemas caíram sobre ele um após o outro.

No final, a notícia mais amarga chegou que uma forte tempestade tinha destruído a sua casa e seus dez filhos foram todos mortos. Quando ele ouviu sobre esses eventos, ele afirmou (Jó 1:21): …Nu saí do ventre da minha mãe e nu deverei voltar para lá; o Senhor deu e o Senhor tomou; abençoado seja o nome do Senhor. A primeira pergunta que aparece para cada um de nós é: “Isto foi o destino?”.

Resposta: Não existem acidentes. Há forças da natureza que atuam e influenciam todas as partes da criação e todas as criaturas em geral, e em partes separadas de substâncias e nas substâncias em geral. Você pode se relacionar com elas como quiser, mas primeiro você conclui que este não é apenas um destino cego, mas um processo que atravessa toda a criação e inclui você.

Ao contrário das naturezas inanimada, vegetal e animal, nós temos a habilidade, com a ajuda da unidade e da conexão entre nós, de atingir uma conexão comum, graças à qual deixamos de ser a parte nociva da natureza. Através disso, nós neutralizamos os desenvolvimentos ruins. E o mesmo desenvolvimento que deve existir vai passar por cima de nós na direção certa.

Pergunta: Segue-se que a liberdade que nos é dada é expressa numa mudança de atitude em relação ao que está acontecendo?

Resposta: Isto não é apenas uma atitude interna, mas também uma ação. Toda a natureza está unida. E a humanidade dentro desta natureza tornou-se um fator negativo, já que as divergências nos destroem, com cada um construindo a si próprio em detrimento de outros; nós nos odiamos, nos distanciamos uns dos outros e brigamos o tempo todo.

Segue-se que em toda a natureza, somente nós somos prejudiciais, e todos os tipos e catástrofes acontecem conosco. Se continuássemos a nos conectar com unidade, acordo, cooperação e Arvut (garantia mútua), certamente aceitaríamos de forma positiva as forças que nos desenvolvem. A liberdade nos é dada para isso.

Pergunta: Por que especificamente Jó, que era “sincero e correto e que temia a Deus e evitou o mal” é o único que recebeu golpes, tornando-se o símbolo do sofrimento humano para todas as gerações?

Resposta: Se perguntarmos às pessoas que nos rodeiam, todas vão dizer que são sinceras e corretas, como Jó. “Eu sou mau? De maneira nenhuma! Eu sou um cidadão decente e fiel!” É assim que cada um de nós se relaciona consigo mesmo. Ninguém sente o desequilíbrio geral! “Quanto a mim, o mundo inteiro deve queimar. O mais importante é que vai ser bom para mim; eu não vou sentir isso. Eu estou pronto para estar numa ilha isolada no coração do oceano do mundo ardente, e nada me preocupa”.

Foi o que Jó também pensou: “Graças a Deus, eu tenho tudo, então tudo bem”. Ele era sincero e íntegro quando era bom para ele, e quando se tornou ruim, ele também agradeceu ao Criador: “o Senhor deu e o Senhor tomou; abençoado seja o nome do Senhor!” Em última análise, ele percebe o que está acontecendo como a ação do poder superior que ele não pode influenciar de forma alguma. Eu diria que ele é retratado como um tolo. Ele concorda com o que aconteceu e com tudo o que existe, mas ele próprio não faz nada.

Eu acho que a mesma coisa está acontecendo hoje com as pessoas. Pergunte a qualquer um: “Há uma crise?” Sim. “Há mudanças climáticas?” Sim. “É verdade que é perigoso?” Sim. Todos veem que não há trabalho, as pessoas estão doentes, há o divórcio de casais e as crianças vivem na rua. Tudo isso é verdade, mas graças a Deus! Por que “Graças a Deus?” E onde está você? Como você é “sincero e correto”? “Graças a Deus”. Esta é a sua atitude? É assim que deve ser? Portanto, o sofrimento continua para que o povo mude sua atitude perante a vida.

De KabTV “Uma Nova Vida” 28/05/14

Um Poço Para Uma Humanidade Sedenta

Dr. Michael LaitmanPergunta: A Torá nos diz que Isaac encontrou dois poços na terra de Grar que haviam sido cavados no tempo de Abraão e tinham sido cobertos posteriormente. Estes poços causaram muitas discussões com os pastores locais e depois de um tempo um novo poço foi escavado que não causou disputas.

Então Avimelech (Abimeleque), o rei da Grar (Gerar), ofereceu a Isaac um acordo. Por que as nações do mundo se tornaram tão boas de repente e querem fazer um acordo com os judeus?

Resposta: É porque Isaac tinha começado suas correções.

Um poço é um buraco no chão, numa terra que está cheia de água. Um buraco que está cheio de água da vida é chamado um poço de vida. A água é a essência do atributo de doação que está escondido na terra, ou seja, no desejo. Em outras palavras, o seu desejo começa a fluir para que você possa receber a água da vida através dele, que é o atributo de doação que traz vida a todos.

Basicamente, a história dos poços nos mostra que se nós começarmos a cumprir nossa missão de organizar a nação de Israel, a fim de corrigir o mundo, é o suficiente. Nós, na verdade, não temos que corrigir o mundo, mas apenas nos corrigir.

Nos capítulos 66-67 da “Introdução ao Livro do Zohar“, Baal HaSulam diz que no momento em que a nação de Israel começar a se corrigir, ou seja, se adaptar de acordo com o Criador, a Luz vai imediatamente começar a fluir a partir dela como a água de um poço, e essa Luz vai corrigir todas as outras nações. Desta forma, todo o mundo se tornará um lugar melhor. Afinal de contas, o mundo não pode corrigir a si mesmo, nem pode fazer nada.

Apenas imagine que exista uma nação que controle e gerencie totalmente o mundo, e as outras nações não podem fazer nada e simplesmente esperam que esta nação faça alguma coisa.

O problema está na forma como isso é revelado, e as interrupções podem ser grandes. No momento, nós ainda podemos de alguma forma escapar daqueles que se opõem a Israel. Mas e se essa imagem fosse revelada e, de repente, todo mundo visse que há sete bilhões de pessoas no mundo e há cerca de dez milhões de quem tudo depende?

Eu diria que os sete bilhões são como um corpo que roda no software vida, e este software é o povo judeu. Sua massa não pertence ao verdadeiro corpo do mundo, mas sim ao software, e ele opera num nível diferente.

De um modo geral, o verdadeiro software é meramente um componente virtual no que diz respeito a este assunto. É um esquema, um sistema. Nós podemos dizer que o software da matéria proteica é Israel e a verdadeira matéria proteica é as nações do mundo. Se este software está incorreto, basta imaginar que as doenças e problemas são causados ​​na matéria!

Toda a história da humanidade é basicamente a cooperação contínua entre o mundo e a nação de Israel, assim como duas bobinas na cadeia de DNA. As nações do mundo e a nação de Israel estão em contínua comunicação, contato e esforço entre si. Israel não seria capaz de atingir o estado do terceiro poço sem a pressão das nações do mundo sobre ele. Há aqueles que cavam o desejo e outros que o encobrem. Este desenvolvimento é necessário a fim de alcançar a água da vida, o atributo de Bina.

O primeiro poço refere-se basicamente a Abraão, o segundo a Isaac e o terceiro a Jacó. Quando Jacó se conecta, ele se torna a linha do meio e, assim, nós chegamos à água da vida.

Pergunta: O que isso tem a ver com a vida hoje? Nós temos que descobrir esse poço agora, essa água da vida?

Resposta: Sim. Nós começamos a derramar a doação, e isso só depende da conexão entre nós. A unidade da nação de Israel é a chave de tudo. É a única coisa que pode cavar um poço para o mundo.

Cavar um poço significa mergulhar em nossos desejos. Eles são negativos, ruins, e revelam toda a negatividade que está escondida dentro de uma pessoa, a sua natureza, e sua distância do Criador. Mas nós temos que fazê-lo. Nós temos que criar fortes sentimentos da deficiência da Luz dentro de nós, os atributos de amor e doação. Isso é chamado de um poço vazio ou um buraco. A propósito, há uma diferença entre estes dois conceitos. O que uma pessoa busca depende apenas dela mesma.

Quando cavamos um poço, nós alcançamos o estado, a profundidade em que sentimos a maior dor no que diz respeito ao amor, doação e conexão. Assim, a água, que é a fonte da vida, aparece.

Assim como os animais que sentem onde há água, as pessoas naqueles tempos sentiam onde tinham que escavar e quão profundo, a fim de encontrar água. A propósito, há uma abundância de água no deserto, porque há enormes lagos subterrâneos. Nós só precisamos saber onde cavar e não há nada a temer. Você pode ir a qualquer lugar visto que você sempre vai encontrar água.

Pergunta: Essa busca pessoal é a proximidade e a conexão entre nós?

Resposta: Sim. Ela existe na medida em que fazemos esforços para descobrir o atributo de doação chamado água.

De KabTV “Porção Semanal da Torá” 14/11/14