Textos com a Tag 'Torá'

Não Corrompa a Perfeição

Recebi uma pergunta: Por que o trabalho é proibido no Sabbath?

Minha resposta: Se a pessoa se prepara trabalhando os seis dias da semana, ela alcança o entendimento que o Sabbath é o estado de perfeição, e não há necessidade de interferir nele. Se a pessoa não se prepara apropriadamente durante a semana, ela não vê a perfeição no Sabbath, e desta forma o corrompe. Ela não entende que está corrompendo o Sabbath, pensando equivocadamente que ela está no processo de correção ao corrigir sua vida e seu estado.

Ao contrário, depois da correta preparação e correção durante os dias da semana, a pessoa de repente vê que tudo era perfeito desde o início. Ela somente se corrige para ver essa perfeição. Ela não fez nada exceto corrigir sua própria visão ou percepção, e ao fazer isso, revelou a perfeição de uma parte adicional da criação ou Infinito.

Então, é óbvio que não há necessidade de fazer agora nenhum trabalho além desse, não há nada para interferir com ele. Assim, a pessoa trabalha em cada nível, corrige a si mesma, revela a parte do Infinito, e a vê como perfeita. Então, ela trabalha novamente, revela outra parte do Infinito, e de novo a ela vê como perfeita. Por isso no Sabbath a pessoa é chamada de justa.

Cada Pessoa Deve Tornar-se O Autor da Criação


A revelação é sempre pessoal e não pode ser recebida de outra pessoa. Alguém pode te ensinar a ler, mas deve haver alguém para nos ensinar a ler num nível elevado, pois a leitura e a escrita pertencem ao nível humano, ao passo que nós estamos arrecém começando a ler no nível animado. Assim, precisamos de alguém que esteja no nível humano (elevado) para nos ajudar a chegar a tal nível através do ensino e leitura avançados.

O livro é toda a criação, desde o plano inicial, todo o caminho até o ato final. No entanto, para revelá-lo, a pessoa tem que atravessar a história e escrevê-la em seu coração (como o verso diz, “escrever toda a Torá em seu coração”). È assim que preparamos os nossos kli espirituais.

Quando uma pessoa lê a Torá, ela aprende sobre o Superior, e quando ela o registra, se torna igual a Ele e começa a entendê-Lo. É assim que uma pessoa se eleva ao nível do plano de criação, o final do livro. [Leia mais →]

Escriba Da Torá


Do livro Shamati, o artigo 197: Livro, Autor, História. Um livro é considerado [estado] antes da [criação] plano. O autor é o proprietário do livro. A unificação do autor e do livro assume a forma de uma “história”, isto é, a Torá, juntamente com o doador da Torá.

Nos percebemos dentro de algum tipo de realidade, e temos que fazer uma pesquisa para descobrir: qual é o seu significado? É apenas uma ilusão ou a verdade? Ou talvez ambos sejam a mesma coisa? Algum programa está funcionando dentro de mim ao longo de uma série de causas e efeitos. Mas quem é seu autor? Serei capaz de reconhecer o autor da história que eu leio dentro de mim?

O livro (esta realidade inteira) já existia antes que eu comecasse a ler e revelá-la. No entanto, todas as revelações ocorrem dentro de mim porque eu estou lendo esta história enquanto eu leio o livro do começo ao fim e recebo uma impressão do seu fluxo. [Leia mais →]

O Rambam Sobre as Leis da Idolatria


Rambam (1135-1202), Mishneh Torá, “As Leis da Idolatria”, Capitulo 1 (abreviado):

1. Os sábios nos dias de Enoque e o próprio Enoque decidiram que, dado que Deus criou as estrelas e as esferas celestiais de forma a governar o mundo, elas são Seus servos fieis. Logo, as estrelas são dignas de louvor, e isso corresponde à vontade de Deus.

2. Com esta ideia em mente, eles começaram a construir templos para as estrelas, a fazer sacrifícios para elas, e louvá-las. Tudo isso foi feito com o objetivo de satisfazer a vontade do Criador. Isto marcou o principio da idolatria.

3. Logo, os idolatras não afirmam que uma estrela concreta é um deus. Todos sabem que apenas Tu és Deus. Todavia, as pessoas erram, já que consideram as acções injustificáveis serem a concretização da Tua vontade.

4. Muitos dias passaram e falsos profetas surgiram. Eles começaram a contar que Deus os tinha ordenado a transmitir às pessoas: “Sirva certa estrela, faça sacrifícios para ela, construa templos para ela, e crie a sua imagem para que as pessoas a possam adorar”. Eles mostraram às pessoas uma certa forma que elas mesmas inventaram e disseram, “Esta é uma imagem transmitida a mim em profecia”.

5. Foi assim que eles começaram a criar imagens em templos e a reunirem-se lá para adoração. Eles sugeriram às pessoas que a imagem pode trazer mal ou bem, e a pessoa deve ter medo ou serví-la. Os servos do culto convenceram-os: “Propague o serviço e ele irá trazer-te sorte; faça isto ou aquilo, ou não faças isto ou aquilo.”

A Fonte de Pesach

Nós estamos nos sete dias especiais do feriado de Pesach. Ao longo destes dias, nós devemos manter uma intenção correta e ininterrupta, pois esta é uma época especial. Não celebramos rituais religiosos ou costumes. Estamos muito distantes das ações que as pessoas realizam simplesmente porque lhes foram ensinadas a fazer isso quando crianças, ou porque são conduzidas por objetivos egoístas de receber uma recompensa, seja neste mundo ou o próximo.

Em primeiro lugar, os que estudam Cabalá querem revelar o Mundo Superior e as ações espirituais, e apenas depois que eles percebem suas consequências (ramos), estão preparados para também respeitar e observá-las com a mesma intenção que as ações espirituais acima.

Abraão e seus estudantes foram os primeiros a alcançar a conexão entre as raízes e os ramos. Antes, Abraão era um fabricante de ídolos e um sacerdote na antiga Babilônia. Mas tendo revelado o mundo espiritual e sua consequência no material, tendo descoberto as forças que descem do mundo espiritual para o nosso mundo material, e tendo colocado-o em movimento, ele criou a linguagem dos ramos. Esta linguagem é uma descrição do Mundo Superior (as raízes) usando palavras deste mundo (os ramos).

Foi quando ele revelou toda a realidade, tanto material quanto espiritual, como um todo. É por isso que ambas as ações, espiritual e material, fundiram-se dentro dele num todo, e foi assim que ele ensinou seus estudantes.

Disto está escrito que os antepassados (os primeiros Cabalistas) observaram toda a Torá até antes de a receberem no Monte Sinai. Certamente, eles revelaram a Torá ao alcançarem o mundo espiritual com suas ações espirituais. Baseando-se nisso, eles levaram a cabo as mesmas ações no nosso mundo, percebendo a realidade como um todo.

Aprendendo Sobre O Mundo Superior Desde O Mundo Inferior

Em seu livro, Portões das Intenções, o ARI explica o significado de todas as ações espirituais da Páscoa e seus reflexos nos costumes materiais. Os mandamentos (Mitzvot) referem-se à correção dos 613 desejos egoístas (da alma) em altruístas, com a ajuda da Luz Superior (a Torá). Muitos estão familiarizados com seus reflexos ou cópias materiais nos costumes ou tradições (Minhagim) do feriado.

Muitos seguem essas tradições porque estão dispostos a realizar ações corporais (costumes), sob a condição de que elas vão ajudá-los a alcançar os resultados, a executar ações corporais (mandamentos). Esta é a única razão pelas quais essas tradições são seguidas.

Quanto mais nós nos perguntamos sobre o objetivo e o significado de cada ação material (tradição), mais ela nos ajudará a conectar-nos mais fortemente às suas raízes espirituais. Desta forma, vamos aprender sobre o Mundo Superior desde o Mundo Inferior. É apenas a sua conexão à raiz que dá a um costume a importância e o direito de existência.

Transformando Através De Estados Espirituais


Se você agiu corretamente em seu estágio atual significa que você “praticou a Torah” e assim, atraiu a quantidade necessária de Luz, então a fase que você passou se torna o seu “túmulo” e em seu lugar uma nova fase vai emergir. Na verdade, a nova etapa é a mesma que a antiga, mas em profundidade muito maior. Isso é para que quando chegarmos a ela nós experimentamos um nível maior de esclarecimento que conduz à atrair a Luz mais extensa. Enquanto permanecermos em Malchut do Mundo do Infinito, que gradualmente revelará todos os mundos, um por um, desde os mais velhos até os mais novos. O processo de evoluir progressivamente nos revela todo o Universo para nós. Nós todos já estamos presentes neste universo, mas nós não vemos muito dele.

Para fazer isso, fazemos esforços. “Aplicando o esforço suficiente” significa que conseguimos passar da nossa etapa anterior e transformá-la na próxima. Não vai surgir por si só, a menos que trabalhemos duro. De onde vai vir? Temos que desenvolvê-la por nós mesmos afiando nossa visão e percepção. [Leia mais →]

A Luz Superior Nos Levanta Como Um Imã


O Zohar, Capítulo “Chayei Sarah (A vida de Sarah)“, Item 220: …‘Eu disse que vocês são todos anjos e filhos de Deus’, ou seja, no momento da recepção da Torá. E uma vez que vocês danificaram a si mesmos, ou seja, pecaram, vocês vão realmente morrer como humanos. Por isso, aquela serpente malévola que obscureceu o mundo não é capaz de comandar ninguém que se empenha na Torá.

Por estudarmos Cabalá, a Luz Superior nos levanta como um ímã, enquanto a serpente, o desejo egoísta que nos tira a vida, permanece abaixo e é incapaz de nos dominar. O homem se eleva acima da vida corpórea sem sequer sentir. Nós precisamos apenas desejar que a Luz nos modifique enquanto lemos O Zohar.

A Cabalá é uma sabedoria que explica tudo o que acontece no nosso mundo e todo o nosso caminho, mas se quisermos nos elevar acima dele, nós precisamos de uma força que nos eleve a um nível mais alto. A nossa mente e os nossos sentimentos não vão nos ajudar; nós temos que adquirir um novo desenvolvimento do nível superior. Nós somos incapazes de entender como é viver na espiritualidade, assim como uma rocha é incapaz de pensar como uma planta e um cachorro ou um gato é incapaz de entender como é ser humano; é a mesma coisa. É por isso que precisamos da Força Superior para realizar esta mudança dentro de nós. E nós vamos adquiri-la através do Zohar.

Nosso Trabalho É Muito Simples

Rabash, “O Significado da Torá e o Trabalho no Caminho do Criador”: Quando alguém tenciona estudar a Torá, ele deve manter o objectivo, a razão pela qual ele tenciona estudar, perante seus olhos. O objectivo, isto é, o beneficio que ele deseja extrair da Torá é a Luz que Corrige que se encontra nela.

Essencialmente, nós não precisamos de mais nada. Nós devemos imaginar e tentar sentir que tudo acontece devido à Luz Superior, de que “não há ninguém além D’Ele”, que Ele é o governante e o senhor, e apenas Ele executa tudo.

Desta forma, nós precisamos apenas desejar e esperar pelas Suas acções e suas consequências. Todo o nosso trabalho consiste em atrair Suas acções sobre nós, sentindo que estamos num grau inferior, enquanto que Ele é o Superior, e tornar-nos similares ao grau Superior, à Luz. Ele irá agir sobre nós e tornar-nos similares a Ele tanto quanto aspirarmos por Ele, isto é, desejarmos tornar-nos como Ele.

Portanto, segue-se que o nosso trabalho é muito simples. Não é importante que passagem de O Zohar estamos a ler ou do que ela trata; não importa o quanto compreendemos do que estamos a ler. Existe um sistema de conexão entre nós e a Luz Superior, chamado “O Livro do Zohar.” Nós temos de utilizá-lo e aspirarmos em nos tornarmos similares à Luz durante o estudo.

Este desejo irá despertar a Luz, e ela irá agir sobre nós. Lentamente, iremos começar a sentir os resultados de sua influência.

A Luz É Concebida À Meia-Noite


O Zohar, Capitulo “Ve’Eleh Toldot Itzhak (Estas São as Gerações de Isaac)”, Item 14: Embora todas as pessoas no mundo sejam de Israel, todas elas são dignas de abençoar o Criador. Mas bênçãos pelas quais superior e inferior são abençoados, quem são os que O abençoam? São os servos do Criador. E quem são os cuja bênção é uma bênção? São os que permanecem na casa de Deus à noite, os que se levantam à meia noite e despertam para ler na Torá. Eles são os que permanecem na casa de Deus à noite. E eles precisam de ambos: de serem servos do Criador, assim como de levantar à meia-noite, pois então o Criador vem para entreter com os justos no Jardim do Éden.

Na ciência da Cabala, “meia-noite” não corresponde ao tempo acertado pelas horas astronómicas e a rotação do planeta terra. Em vez disso, ela corresponde ao estado de uma pessoa que constrói sentidos espirituais (Kelim) no interior.

Esta pessoa está no estado de escuridão, pois o seu nível anterior já se esgotou completamente a si mesmo como um grão que apodrece no solo. É uma condição necessária para adquirir um novo grau; o seu estado prévio deve “apodrecer” em respeito a ela.

Então, ela começa a ver um novo nível de dentro da escuridão, que é formado pelo seguinte nível e a Luz Superior que residem à sua frente. Por agora eles aparentam como escuridão a ela, pois ela vê-os através das suas atuais qualidades. Afinal, o nível subsequente é um grau maior de doação em relação ao desejo de desfrutar não corrigido que se torna revelado a ela.

Por um lado, uma Luz maior brilha para ela, mas por outro lado, ela revela um desejo de desfrutar adicional por corrigir dentro dela. Ela já tem um novo nível dentro dela, mas percepciona-o como escuridão, uma falta de Luz dentro do desejo.

Como o seu desejo adicional ainda não está corrigido, ela experimenta a Luz como escuridão. Isto a faz procurar uma maneira de mudar a sua atitude para com a sua realidade percepcionada. Em si mesma a realidade é apenas uma parte da corrigida Malchut, que gradualmente se torna revelada a ela mais e mais.

A pessoa muda constantemente a sua percepção, sensação, e consciência, assim como a realização do seu estado. Então, ela exige à Luz que Corrige; todavia, ela não o faz para mudar a realidade, mas para mudar a sua percepção da realidade.

Desta forma, esta pessoa é chamada “um servo do Criador”, pois compreende que em cada estado, tudo vem de “Não há ninguém além D’Ele”. Apenas a percepção da realidade da pessoa muda, como resultado dela corrigir as suas qualidades (Kelim).