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Mundo Animal Versus Mundo Humano


O Rabino Akiva disse: “Ama teu próximo como a ti mesmo; essa é a grande lei da Torá!”. Por que o amor ao próximo é uma grande lei, o fundamento que categoricamente nos divide em duas metades: animal e humana? Se eu me amo a mim mesmo, então eu sou um animal, e se eu amo o meu próximo, então eu sou um humano. Como um animal, eu sinto apenas esta vida material, mas quando eu começo a amar os outros, eu sinto o Criador e o mundo espiritual.

A espiritualidade é sentida dentro da força do amor que é chamada o meu recipiente (vaso) espiritual ou Kli. Neste momento o meu recipiente (vaso) é amor egoísta, o desejo de amar a mim mesmo. O mundo que eu sinto hoje é sentido dentro deste desejo. Nesta realidade egoísta, eu revelo apenas o que é bom ou mau para mim.

Eu revelo o mundo e toda diversidade de suas sombras apenas em relação a mim mesmo. Todas as cores e sons no mundo dependem do que me é útil e do que é prejudicial. Eu tenho medo de uma coisa e eu desejo outra qualquer. Eu afasto uma coisa e atraio outra qualquer. Cada influência é revelada dentro dos meus sentidos, que operam em relação ao meu amor por mim mesmo. Desta forma, eu não vejo nada que não pertença ao meu amor próprio, eu simplesmente não percepciono sua existência.

O facto é que eu estou em frente ao infinito, mas eu não o sinto. Em relação a mim ele parece-me não existir de todo, porque ele não me faz sentir bem ou mal. O amor egoísta determina o volume do universo que eu sinto. Logo, fora de todo Mundo do Infinito, eu sinto apenas uma pequena esfera, o meu mundo.

Quando eu começo a sair de mim mesmo, no meu desejo anterior eu sinto o que é bom para os outros. Por outras palavras, eu começo a amar o meu próximo. Isto é chamado o Mundo Superior, espiritual. Quando eu o revelo, eu revelo um universo completamente diferente.

Se eu me dessintonizar dos pensamentos egoístas sobre mim mesmo, até mesmo num sentido puramente material, e começar a pensar sobre o meu próximo, então eu irei sentir um mundo completamente diferente, com problemas e soluções completamente diferentes. Quando eu revelo o que é bom para alguém mais, então, em relação a mim, isso será chamado o  Mundo Superior, espiritual. Essa pessoa irá ver a mesma coisa como seu mundo material e egoísta, mas quando eu desejar me vestir na sua realidade e revelar o seu mundo de dentro dela, isso irá tornar-se o meu mundo espiritual.

Este exercício permite-me sair de mim mesmo e sentir o Criador. Eu irei senti-Lo dentro de vocês, como está escrito: “O Criador habita dentro de Sua nação”.

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabala 26/04/10, “Matan Torá”

O Zohar: Um Guia Para As Raízes Espirituais

Dr.  Michael LaitmanUma pergunta que recebi: Os autores de O Zohar escreveram o livro para a nossa geração. Eu acabo de começar o caminho espiritual. Porque descrevem eles tão escrupulosamente tais graus elevados? Que significado posso eu obter destes comentários para mim mesmo?

Minha Resposta: Os graus e os estados descritos em O Zohar são na verdade os estados do Mundo de Atzilut. Estes estados têm um relacionamento com cada grau, até o mais inferior, quando a pessoa está meramente a ler este livro sem compreender nada dele.

Não é exactamente importante o que lemos em O Zohar. A pessoa que abre este livro pela primeira vez pode ler sobre os mais remotos sistemas do mundo espiritual. Muito mais importante, o desejo da pessoa conecta-a com a Raiz Superior. Daí, ela precisa de atrair a Luz sobre si mesma e deixar que esta Luz a eleve até à sua Fonte.

É por isso que o Baal HaSulam não se limitou a si mesmo apenas a um livro sobre Cabalá, que a pessoa pudesse ler e ao qual se referir, repetidamente. Em vez disso, ele escreveu milhares de páginas do Talmud Eser Sefirot para descrever as Raízes Superiores e transmitir tudo o que é necessário para nossa ascensão.

Porém, isso não significa que a pessoa precisa ler todos os livros. Ao estar conectada com o texto, ela desperta a influência das suas Raízes Superiores sobre si. Assim, é vantajoso ler qualquer texto, independentemente se nós o compreendemos ou não.

Ao preparar O Zohar para Todos para publicação, nós apresentamos o Zohar inteiro, excepto as partes que descrevem a investigação e comparação de fontes. Nós fazemos-o porque isto pode interessar apenas aos investigadores, mas não aos que anseiam alcançar equivalência com o Criador.

Nossa principal preocupação é ajudar as pessoas a “entrar” na espiritualidade, a revelar a Luz Superior, e estabelecer contacto com o Criador. Esta é a razão pela qual preparamos O Zohar numa versão ligeiramente mais simplificada, mas, apesar de tudo, numa versão certamente suficiente para permitir que a pessoa entre na espiritualidade.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabala 21/04/10, O Zohar

Veja Seu Mundo Nesta Vida


Tudo consiste em apenas dois componentes – o desejo e realização. Na Cabalá, a realização é chamada Luz. É tudo ao redor e dentro de nós, ilimitado no espaço. Estamos nela como em um oceano. Todas as mudanças na forma como percebemos a nós mesmos e nosso meio ambiente depende da mudança do nosso desejo. O nosso desejo, por sua vez, quer mudanças sob a influência da Luz ou sob a influência de nossos esforços. O desejo é chamado de um vaso e o cumprimento é chamado Luz. A Luz é constante, e a única coisa que muda é o desejo ou kli, a sua alteração muda a Luz constante que se percebe.

Cabalá nos ensina a mudar a nossa vontade para que nós sintamos um mundo espiritual adicional dentro de nós. Este é o significado do versículo: “Você vai ver o mundo nesta vida.” Isto acontece quando uma pessoa cria um desejo mais interior. Dentro dela, ela sente o Mundo Superior e, em seguida, mesmo quando o desejo que ela sente neste mundo desaparece, ela não influencia seu desejo e sensação no Mundo Superior. [Leia mais →]

Vida Em Um Vulcão Flamejante

Recebi uma pergunta: Primeiro aconteceu um terremoto na China, depois um avião caiu, e agora todos estão falando do vulcão que entrou em erupção na Islândia, o que deixou a Europa coberta de cinza vulcânica. Existe uma sensação de que nós entramos em um período de catástrofes globais.

Minha resposta: Tsunamis, terremotos e erupções vulcânicas são fenômenos naturais. Porém, tudo o que acontece depende dos seres humanos ou melhor, do nosso alinhamento com o Criador, do nosso equilíbrio com a natureza. Desde que nos tornamos mais e mais egoístas, estamos interrompendo o equilíbrio das forças da natureza mais e mais. Por isso nós sentimos a influência negativa da natureza em nós e sobre nós.

As consequências do desequilíbrio espiritual de forças que nós criamos são desconhecidas. Nossa oposição à natureza, o Criador, é revelada em todos os níveis da natureza (inanimado, vegetativo, animado e falante). Uma erupção pode ocorrer em qualquer lugar desde que estamos vivendo num vulcão flamejante. Nosso planeta inteiro é uma bola de fogo coberta com uma fina camada de crosta terrestre; existe um vulcão flamejante lá dentro.

Essas ocorrências são uma pequena dica para o fato de que nós não estamos cuidando de nossa casa, a Terra. Os seres humanos precisam colocar as forças da natureza em equilíbrio. A ciência da Cabalá nos revela como fazer isso.

Porém, nos dias de hoje, a humanidade não deseja entender que tudo o que está acontecendo é a conseqüência de nossas próprias qualidades e que tudo depende de nós. Se nosso desequilíbrio com a natureza se intensificar, problemas mais sérios acontecerão.

Selecionando As Profundezas Da Realidade

Durante a leitura do Zohar,  imaginamos, como em uma tela, um retrato de um mundo detalhando vários assuntos e imagens, palavras e ações materiais. Isso ocorre porque nosso desejo mantém-se apenas no material.

Exigimos que o Zohar nos traga a Luz que ilumina uma profunda tela similar a uma tela de computador onde diferentes janelas estão escondidas uma atrás da outra. Temos que tentar ver a propriedade espiritual por trás de cada palavra com a melhor de nossas habilidades.

Quando obtemos a visão espiritual, naturalmente começamos a ver uma imagem totalmente diferente por trás das palavras, podemos ler: forças, conexões, relações, propriedades e qualidades.  Esta nova imagem é absolutamente desconectada das que estavamos acostumados a ver antes. A forma anterior desaparece e as transições para uma tela mais “Interna” que está segurando as nossas sensações, sensibilidades, e toda a nossa vida surgem. Temos de nos esforçar para chegar a esse estado. [Leia mais →]

Eventos Espirituais se Manifestam No Nosso Mundo

Uma questão que recebi: A nação inteira existia na realização espiritual, durante o Primeiro e o Segundo Templos. Por que não era possível atravessar a destruição dos Templos apenas na espiritualidade e alcançar o Terceiro Templo, sem a manifestação material de destruição?

Minha Resposta: Todas as descidas e subidas das almas têm que ser refletidas no nível mais baixo inanimado – nosso mundo. Até o fim da correção, altos e baixos das almas têm que passar por todas as camadas do desejo de receber, através de toda a sua profundidade, que termina neste mundo material.

Portanto, nós não temos nenhuma possibilidade de escapar dos eventos que ocorrem no mundo – ou seja – no nosso desejo egoísta que sentimos como “este mundo.” Nosso grande ou não tão grande sucesso no mundo espiritual, nas nossas relações com o Criador, serão sempre sentidas como os eventos que acontecem neste mundo. [Leia mais →]

Uma Chance Única de Acelerar o Tempo

No final do exílio, está nos sendo dada uma oportunidade de acelerar a libertação de nós mesmos. Somente durante esse segmento de tempo e pela primeira vez no nosso longo desenvolvimento, existe agora uma janela de oportunidade para a liberdade de escolha e para nosso desenvolvimento pessoal. Não existirá outra chance como esta; ela só existe nessa parte do caminho.

Pela primeira vez na história, estamos situados nesse exato estágio. Somente durante esse breve intervalo de tempo podemos realizar nosso livre arbítrio e desenvolvimento pelo bom caminho (Achishena – ao acelerar o tempo).

Nosso estado presente está designado para esse propósito. Antes disso, todos nós somos controlados pela natureza ou pelo lado inverso da Luz ou exílio. Dentro em pouco, a Luz será revelada com a ajuda do Criador e então nós seremos controlados pelo seu lado dianteiro. Enquanto isso estamos situados entre esses dois lados. Somente aqui temos a liberdade de escolha.

Foi-nos dada a chance de nos tornarmos independentes, e cada um deve apreciar a exclusividade dessa oportunidade. Isto está sendo realizado bem aqui e agora. Isso nunca aconteceu antes e nunca vai acontecer outra vez.

Encontrando a Sabedora “Escondida” na Cabalá


Quando lemos o Zohar, precisamos conectar tudo o que existe em uma realidade que já existe dentro da nossa alma. A alma é o que chamamos de Malchut do Mundo do Infinito (Atzilut), ou seja, todos os mundos incorporados em conjunto, “Eu” ou “o mundo inteiro e eu”. Tudo o que pertence a minha alma já que a minha alma é uma ferramenta de percepção.

Quem é o Criador? É a força interior que age dentro de minha alma, é a razão da minha existência, a causa que me obriga a prosseguir na revelação do universo e do Criador como fonte da minha vida. [Leia mais →]

Adquirindo a Verdadeira Percepção do Mundo

O Zohar, Capitulo “Pekudei (Contas),” Item 15: Quando o Criador disse a Moisés, “Faça o Tabernáculo”, Moisés ficou desnorteado; ele não sabia o que fazer até o Criador incisivamente lhe mostrar, como está escrito, “Veja e faça-os conforme seu padrão, que te está a ser mostrado a ti na montanha”. “No seu padrão” significa que o Criador mostrou a Moisés tudo na sua forma superior e espiritual, e cada uma das formas espirituais acima estava a fazer a sua forma similar à forma fictícia que foi feita abaixo, na terra. Foi assim que Moisés soube.

É nisto que consiste o nosso trabalho, pois o mundo espiritual não tem uma forma e nós não sabemos o que é a Luz Superior por si mesma. Esta noção não existe separadamente da criação. Nós podemos alcançar e defini-la apenas em relação a nós mesmos e através das nossas sensações. Contudo, as nossas sensações são imaginárias, porque sentimos sempre reacções a uma influência exterior. Nós nunca descobrimos o que está verdadeiramente a acontecer fora de nós, pois nós não nos conseguimos extrair a nós mesmos dos nossos sentidos perceptivos.

Acontece que a pessoa só pode percepcionar adequadamente conforme a similaridade das suas propriedades com as propriedades espirituais. Quando as propriedades do homem e do Criador coincidem, o homem revela o Criador conforme essa similaridade. Inicialmente, nós podemos apenas percepcionar a forma imaginária deste mundo. O nosso trabalho consiste de nos elevarmos acima dela e pedirmos que a forma Superior espiritual se revista nela. Assim que tenhamos estas duas formas, em que uma esteja confinada dentro da outra, nós iremos adquirir a percepção adequada do mundo.

O Mundo Por Detrás De Um Espelho

Enquanto nós existirmos somente na percepção deste mundo, não poderemos entender que ele é imaginário. Agora, a matéria é a única realidade que conhecemos, e não sentimos mais nada. No entanto, o nosso objetivo é, começarmos a perceber claramente o mundo em dois níveis: o material e o espiritual. Então, vamos entender que um deles é imaginário. Isto não significa que ele não exista; “imaginário” significa que ele é o reflexo da forma verdadeira, enquanto que a segunda forma (espiritual) é real.

Há algo que é autêntico, e, então, há o reflexo dele, como num espelho. Você não pode dizer que o reflexo não existe. Além disso, é exatamente o reflexo que nos permite chegar à percepção da forma verdadeira, espiritual.

A pessoa nunca percebe a forma espiritual separadamente, por si só. No caminho da correção, a pessoa desenvolve continuamente uma maior percepção espiritual das formas do Criador, mas ela as revela dentro da forma imaginária deste mundo. Portanto, nós não podemos separar-nos dela até ascendermos todos os 125 graus da escala espiritual.

Ao longo de todo o caminho da correção, em todas as fases da realização, a percepção espiritual cresce constantemente, tornando-se mais forte com base nestas duas formas: imaginária e real. A forma imaginária só é chamada imaginária. Mas será que nós realmente imaginamos o nosso mundo? Afinal, vivemos nele – esta é a nossa realidade atual.

A verdadeira realidade é o reino do qual as forças, as decisões e os fatos chegam até nós, enquanto que apenas o seu reflexo existe neste mundo, a fim de nos ajudar a alcançar a verdadeira realidade. Quando começamos a alcançá-la, nós chamamos este mundo de “imaginário”. No entanto, ele não é uma fantasia inexistente, mas é necessário para discernirmos a espiritualidade.